{"id":3929672842,"date":"2022-11-06T00:00:00","date_gmt":"2022-11-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11748-bahrein-multiplicai-a-alegria-da-comunidade-crista-pede-francisco"},"modified":"2022-11-06T00:00:00","modified_gmt":"2022-11-06T00:00:00","slug":"bahrein-multiplicai-a-alegria-da-comunidade-crista-pede-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/bahrein-multiplicai-a-alegria-da-comunidade-crista-pede-francisco\/","title":{"rendered":"Bahrein: \u00abMultiplicai a alegria da comunidade crist\u00e3\u00bb, pede Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_bahrein_2_vatican_media_2022_221106073200.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Na \u00faltima interven\u00e7\u00e3o da sua viagem ao Bahrein, o papa reuniu-se com a pequena comunidade crist\u00e3 daquele pa\u00eds. Lembrando as \u201cdivis\u00f5es do mundo\u201d, Francisco desafiou a Igreja a ser lugar de \u201charmonia\u201d, procurando \u201cmultiplicar a alegria da comunidade crist\u00e3\u201d, para \u201cgerar espa\u00e7os de di\u00e1logo\u201d, atrav\u00e9s da \u201clinguagem \u00fanica do amor\u201d<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, o discurso do Santo Padre<\/p>\n<p><em>Amados bispos, sacerdotes, consagrados e seminaristas, agentes pastorais, bom dia! Good morning!<\/em><\/p>\n<p>Sinto-me feliz por me encontrar no vosso meio, nesta comunidade crist\u00e3 que manifesta claramente o seu rosto \u00abcat\u00f3lico\u00bb, isto \u00e9, universal: uma Igreja habitada por pessoas provenientes de muitas partes do mundo, que se re\u00fanem para confessar a \u00fanica f\u00e9 em Cristo. O bispo D. Paulo Hinder, a quem agrade\u00e7o o servi\u00e7o e as suas palavras, ontem falou de \u00abum pequeno rebanho formado por migrantes\u00bb: deste modo, ao saudar cada um de v\u00f3s, penso tamb\u00e9m nos povos a que pertenceis, nas vossas fam\u00edlias que saudosamente guardais no cora\u00e7\u00e3o, nos vossos pa\u00edses de origem. De forma particular, ao ver aqui presentes os fi\u00e9is do L\u00edbano asseguro a minha ora\u00e7\u00e3o e solidariedade a este amado pa\u00eds, t\u00e3o cansado, t\u00e3o provado, e a todos os povos que sofrem no M\u00e9dio Oriente. \u00c9 bom pertencer a uma Igreja formada por hist\u00f3rias e rostos diferentes, que encontram harmonia no \u00fanico rosto de Jesus. E tal variedade \u2013 vi-o nos \u00faltimos dias \u2013 \u00e9 o espelho deste pa\u00eds, das pessoas que o povoam mas tamb\u00e9m da paisagem que o carateriza e que, embora dominada pelo deserto, goza duma rica e variegada presen\u00e7a de plantas e seres vivos.<\/p>\n<p>As palavras de Jesus que ouvimos, falam da \u00e1gua viva que jorra de Cristo e dos crentes (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a07, 37-39). Fizeram-me pensar precisamente nesta terra. \u00c9 verdade que h\u00e1 muito deserto, mas existem tamb\u00e9m fontes de \u00e1gua doce que correm silenciosamente no subsolo, irrigando-o. \u00c9 uma boa imagem do que v\u00f3s sois e sobretudo daquilo que a f\u00e9 realiza na vida: \u00e0 superf\u00edcie emerge a nossa humanidade, ressequida por tantas fragilidades, medos, desafios que deve enfrentar, males pessoais e sociais de v\u00e1rio g\u00e9nero; mas no mais fundo da alma, mesmo dentro, no \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o, corre calma e silenciosa a \u00e1gua doce do Esp\u00edrito, que irriga os nossos desertos, restitui vigor ao que corre o risco de secar, lava aquilo que nos embrutece, sacia a nossa sede de felicidade. E n\u00e3o cessa de renovar a vida. \u00c9 desta \u00e1gua viva que fala Jesus; esta \u00e9 a fonte de vida nova que Ele nos promete: o dom do Esp\u00edrito Santo, a presen\u00e7a terna, amorosa e regeneradora de Deus em n\u00f3s.<\/p>\n<p>Assim far-nos-\u00e1 bem deter na cena que o Evangelho descreve. Jesus encontra-se no templo de Jerusal\u00e9m, onde est\u00e1 a celebrar-se uma das festas mais importantes, durante a qual o povo bendiz ao Senhor pela d\u00e1diva da terra e das colheitas, comemorando a Alian\u00e7a. E, naquele dia de festa, realizava-se um rito importante: o sumo sacerdote ia \u00e0 piscina de Silo\u00e9, tirava \u00e1gua e depois, enquanto o povo cantava e exultava, derramava-a fora das muralhas da cidade para indicar que, de Jerusal\u00e9m, fluiria uma grande b\u00ean\u00e7\u00e3o para todos. De facto, o salmista havia dito de Jerusal\u00e9m: \u00abA minha \u00fanica fonte est\u00e1 em ti\u00bb (<em>Sal<\/em>\u00a087, 7); e o profeta Ezequiel falara duma nascente de \u00e1gua que, jorrando do templo, havia de irrigar e fecundar toda a terra como um rio (<em>Ez<\/em>\u00a047,1-12).<\/p>\n<p>Com tais premissas, compreendemos bem o que nos quer dizer o Evangelho de Jo\u00e3o com esta cena: est\u00e1-se no \u00faltimo dia da festa e Jesus, \u00abde p\u00e9\u00bb, bradou: \u00abSe algu\u00e9m tem sede, venha a Mim\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a07, 37), porque do seu seio jorrar\u00e3o \u00abrios de \u00e1gua viva\u00bb (7, 38). Que convite estupendo! E o evangelista explica: \u00abEle disse isto, referindo-se ao Esp\u00edrito que iam receber os que n\u2019Ele acreditassem; com efeito, ainda n\u00e3o tinham o Esp\u00edrito, porque Jesus ainda n\u00e3o tinha sido glorificado\u00bb (7, 39). A alus\u00e3o \u00e9 \u00e0 hora em que Jesus morre na cruz: naquele momento sair\u00e1, j\u00e1 n\u00e3o do templo de pedra, mas do lado aberto de Cristo a \u00e1gua da vida nova, a \u00e1gua vivificante do Esp\u00edrito Santo, destinada a regenerar toda a humanidade, libertando-a do pecado e da morte.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, recordemo-nos sempre disto: a Igreja nasce ali, nasce do lado aberto de Cristo, de um banho de regenera\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito Santo (cf.\u00a0<em>Tt<\/em>\u00a03, 5). N\u00e3o somos crist\u00e3os por m\u00e9rito nosso ou apenas porque aderimos a um credo, mas porque, no Batismo, nos foi dada a \u00e1gua viva do Esp\u00edrito, que nos torna filhos amados de Deus e irm\u00e3os uns dos outros, fazendo-nos novas criaturas. Tudo jorra da gra\u00e7a \u2013 tudo \u00e9 gra\u00e7a \u2013, tudo vem do Esp\u00edrito Santo. Deixai, pois, deter-me brevemente convosco sobre\u00a0<em>tr\u00eas grandes dons<\/em>\u00a0que o Esp\u00edrito Santo nos entrega, pedindo para os acolhermos e vivermos:\u00a0<em>a alegria, a unidade e a profecia<\/em>. A alegria, a unidade e a profecia.<\/p>\n<p>Antes de mais nada, o Esp\u00edrito \u00e9\u00a0<em>fonte de alegria<\/em>. A \u00e1gua doce que o Senhor quer fazer correr nos desertos da nossa humanidade, feita de terra e fragilidade, \u00e9 a certeza de nunca estarmos sozinhos no caminho da vida. De facto, o Esp\u00edrito \u00e9 Aquele que n\u00e3o nos deixa sozinhos, \u00e9 o Consolador; conforta-nos com a sua discreta e ben\u00e9fica presen\u00e7a, acompanha-nos com amor, ampara-nos nas lutas e dificuldades, encoraja os nossos sonhos mais belos e os nossos maiores desejos, abrindo-nos ao assombro perante a beleza da vida. Por isso, a alegria do Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 um estado ocasional nem uma emo\u00e7\u00e3o do momento; e muito menos aquela esp\u00e9cie de \u00abalegria consumista e individualista t\u00e3o presente nalgumas experi\u00eancias culturais de hoje\u00bb (Francisco, Exort. ap.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#Alegria_e_sentido_de_humor\">Gaudete et exsultate<\/a><\/em>, 128). Pelo contr\u00e1rio, a alegria no Esp\u00edrito \u00e9 aquela que nasce da rela\u00e7\u00e3o com Deus, de saber que, mesmo nas dificuldades e noites obscuras que por vezes atravessamos, n\u00e3o estamos sozinhos, perdidos ou derrotados, porque Ele est\u00e1 connosco. E, com Ele, podemos enfrentar e superar tudo, at\u00e9 os abismos do sofrimento e da morte.<\/p>\n<p>A v\u00f3s, que descobristes esta alegria e a viveis em comunidade, gostaria de dizer:\u00a0<em>conservai-a<\/em>; mais ainda,\u00a0<em>multiplicai-a<\/em>. E sabeis qual \u00e9 o m\u00e9todo melhor para fazer isto? \u00c9\u00a0<em>d\u00e1-la<\/em>. Sim, \u00e9 mesmo assim: a alegria crist\u00e3 \u00e9 contagiante, porque o Evangelho faz sair de n\u00f3s mesmos para comunicar a beleza do amor de Deus. Por isso, \u00e9 essencial que, nas comunidades crist\u00e3s, n\u00e3o esmore\u00e7a a alegria e seja partilhada; n\u00e3o nos limitemos a repetir gestos por h\u00e1bito, sem entusiasmo, nem criatividade. Caso contr\u00e1rio, perderemos a f\u00e9 e tornar-nos-emos uma comunidade fastidiosa, e isto \u00e9 feio! \u00c9 importante fazer circular a alegria do Evangelho n\u00e3o s\u00f3 na Liturgia, em particular na celebra\u00e7\u00e3o da Missa, fonte e \u00e1pice da vida crist\u00e3 (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19631204_sacrosanctum-concilium_po.html\">Sacrosanctum Concilium<\/a><\/em>, 10), mas tamb\u00e9m numa a\u00e7\u00e3o pastoral vivaz, especialmente a favor dos jovens, das fam\u00edlias e das voca\u00e7\u00f5es para a vida sacerdotal e religiosa.\u00a0<em>A alegria crist\u00e3 n\u00e3o a podemos guardar para n\u00f3s mesmos<\/em>\u00a0e, quando a colocamos em circula\u00e7\u00e3o, multiplica-se.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, o Esp\u00edrito Santo \u00e9\u00a0<em>fonte de unidade<\/em>. Todos aqueles que O acolhem, recebem o amor do Pai e tornam-se seus filhos (cf.\u00a0<em>Rm<\/em>\u00a08, 15-16); e, se s\u00e3o filhos de Deus, s\u00e3o tamb\u00e9m irm\u00e3os e irm\u00e3s. N\u00e3o pode haver espa\u00e7o para as obras da carne, isto \u00e9, do ego\u00edsmo: divis\u00f5es, lit\u00edgios, cal\u00fanias, murmura\u00e7\u00f5es. Por favor, tende cuidado com a murmura\u00e7\u00e3o: as murmura\u00e7\u00f5es destroem uma comunidade. As divis\u00f5es do mundo, e tamb\u00e9m as diferen\u00e7as \u00e9tnicas, culturais e rituais n\u00e3o podem ferir ou comprometer a unidade do Esp\u00edrito. Pelo contr\u00e1rio, o seu fogo queima os desejos mundanos e incendeia a nossa vida com aquele amor acolhedor e compassivo com que Jesus nos ama, para podermos, por nossa vez, amar-nos assim entre n\u00f3s. Por isso, quando o Esp\u00edrito do Ressuscitado desce sobre os disc\u00edpulos, torna-se fonte de unidade e fraternidade contra todo o ego\u00edsmo; inaugura a linguagem \u00fanica do amor, para que as diferentes l\u00ednguas humanas n\u00e3o permane\u00e7am distantes e incompreens\u00edveis; derruba as barreiras da difid\u00eancia e do \u00f3dio, para criar espa\u00e7os de acolhimento e di\u00e1logo; liberta do medo e infunde a coragem de sair ao encontro dos outros com a for\u00e7a desarmada e desarmante da miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 feito pelo Esp\u00edrito Santo, que assim molda a Igreja desde as origens: a partir do Pentecostes, as diferentes proveni\u00eancias, sensibilidades e perspetivas s\u00e3o harmonizadas na comunh\u00e3o, forjadas numa unidade que n\u00e3o \u00e9 uniformidade, \u00e9 harmonia, porque o Esp\u00edrito Santo \u00e9 harmonia. Se recebemos o Esp\u00edrito, a nossa voca\u00e7\u00e3o eclesial \u00e9, antes de mais nada, a de guardar a unidade e promover o todo ou \u2013 como diz S\u00e3o Paulo \u2013 \u00abmanter a unidade do Esp\u00edrito, mediante o v\u00ednculo da paz. H\u00e1 um s\u00f3 Corpo e um s\u00f3 Esp\u00edrito, assim como a vossa voca\u00e7\u00e3o vos chamou a uma s\u00f3 esperan\u00e7a\u00bb (<em>Ef<\/em>\u00a04, 3-4).<\/p>\n<p>No seu testemunho, Chris disse que, quando era muito jovem, o que a fascinara na Igreja Cat\u00f3lica era \u00aba devo\u00e7\u00e3o comum de todos os fi\u00e9is\u00bb, independentemente da cor da pele, da proveni\u00eancia geogr\u00e1fica, da l\u00edngua: todos reunidos numa s\u00f3 fam\u00edlia, todos a cantar os louvores do Senhor. Esta \u00e9 a for\u00e7a da comunidade crist\u00e3, o primeiro testemunho que podemos dar ao mundo. Procuremos ser guardi\u00f5es e construtores de unidade! Para ser cred\u00edveis no di\u00e1logo com os outros, vivamos a fraternidade entre n\u00f3s. Fa\u00e7amo-lo nas comunidades, valorizando os carismas de todos sem mortificar ningu\u00e9m; fa\u00e7amo-lo nas casas religiosas, como sinais viventes de conc\u00f3rdia e de paz; fa\u00e7amo-lo nas fam\u00edlias, de modo que o v\u00ednculo de amor do sacramento se traduza em atitudes quotidianas de servi\u00e7o e de perd\u00e3o; fa\u00e7amo-lo tamb\u00e9m na sociedade multirreligiosa e multicultural em que vivemos: sejamos sempre a favor do di\u00e1logo, sempre, tecedores de comunh\u00e3o com os irm\u00e3os de outros credos e confiss\u00f5es. Sei que j\u00e1 dais um bom exemplo neste caminho, mas a fraternidade e a comunh\u00e3o s\u00e3o dons que n\u00e3o nos devemos cansar de pedir ao Esp\u00edrito, para repelir as tenta\u00e7\u00f5es do inimigo que n\u00e3o cessa de semear ciz\u00e2nia.<\/p>\n<p>Por fim, o Esp\u00edrito \u00e9\u00a0<em>fonte de profecia<\/em>. Como sabemos, a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 constelada por numerosos profetas que Deus chama, consagra e envia ao meio do povo para falar em nome d\u2019Ele. Os profetas recebem do Esp\u00edrito Santo a luz interior que os torna int\u00e9rpretes atentos da realidade, capazes de captar, nas tramas por vezes obscuras da hist\u00f3ria, a presen\u00e7a de Deus e de a indicar ao povo. Com frequ\u00eancia, as palavras dos profetas s\u00e3o pungentes: chamam pelo nome aos projetos maus que se abrigam no cora\u00e7\u00e3o das pessoas, p\u00f5em em crise as falsas seguran\u00e7as humanas e religiosas, convidam \u00e0 convers\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00f3s temos esta voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica: todos os batizados receberam o Esp\u00edrito e todos s\u00e3o profetas. E, como tal, n\u00e3o podemos fingir que n\u00e3o vemos as obras do mal, deixar-nos estar tranquilos na vida para n\u00e3o sujarmos as m\u00e3os. Um crist\u00e3o, mais cedo ou mais tarde, tem de sujar as m\u00e3os para viver a sua vida crist\u00e3 e dar testemunho. Pelo contr\u00e1rio, recebemos um Esp\u00edrito de profecia para trazer \u00e0 luz o Evangelho com o nosso testemunho de vida. Por isso S\u00e3o Paulo exorta: \u00abaspirai aos dons do Esp\u00edrito, mas sobretudo ao da profecia\u00bb (<em>1 Cor<\/em>\u00a014, 1). Esta torna-nos capazes de praticar as Bem-aventuran\u00e7as evang\u00e9licas nas situa\u00e7\u00f5es quotidianas, isto \u00e9, construir com firme mansid\u00e3o aquele Reino de Deus onde o amor, a justi\u00e7a e a paz se op\u00f5em a toda a forma de ego\u00edsmo, viol\u00eancia e degrada\u00e7\u00e3o. Ouvi, com apre\u00e7o, a Irm\u00e3 Rose falar do seu minist\u00e9rio entre as reclusas, nas pris\u00f5es. Isto \u00e9 estupendo! Uma possibilidade pela qual devemos agradecer. A profecia que edifica e conforta estas pessoas \u00e9 partilhar com elas o tempo, distribuir em pedacinhos a Palavra do Senhor, rezar com elas. \u00c9 prestar-lhes aten\u00e7\u00e3o, porque onde h\u00e1 irm\u00e3os necessitados, como os reclusos, est\u00e1 Jesus: Jesus ferido em cada pessoa que sofre (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a025, 40). Sabeis o que penso quando entro num c\u00e1rcere? \u00abPorqu\u00ea ele, e n\u00e3o eu?\u00bb. \u00c9 a miseric\u00f3rdia de Deus. Mas cuidar dos reclusos \u00e9 \u00fatil a todos, como comunidade humana, porque \u00e9 pela forma como se tratam os \u00faltimos que se mede a dignidade e a esperan\u00e7a duma sociedade.<\/p>\n<p>Nestes meses, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, temos rezado tanto pela paz. Neste contexto, constitui uma esperan\u00e7a o acordo que foi assinado a respeito da situa\u00e7\u00e3o na Eti\u00f3pia. Encorajo todos a apoiar este compromisso em prol duma paz duradoura, para que, com a ajuda de Deus, se continuem a percorrer os caminhos do di\u00e1logo e o povo volte em breve a encontrar uma vida serena e digna. Al\u00e9m disso n\u00e3o quero esquecer de rezar e dizer-vos para rezardes pela atribulada Ucr\u00e2nia, para que acabe aquela guerra.<\/p>\n<p>E agora, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, chegamos ao fim. Quero dizer-vos \u00abobrigado\u00bb por estes dias que vivemos juntos; mas n\u00e3o esque\u00e7ais a alegria, a unidade e a profecia. N\u00e3o as esque\u00e7ais! Com \u00e2nimo repleto de gratid\u00e3o, aben\u00e7oo a todos v\u00f3s, especialmente a quantos trabalharam para esta viagem. E, uma vez que ser\u00e3o estas as \u00faltimas palavras p\u00fablicas que pronuncio, permiti-me agradecer a Sua Majestade o Rei e \u00e0s Autoridades deste pa\u00eds \u2013 nomeadamente ao Ministro da Justi\u00e7a, aqui presente \u2013 a requintada hospitalidade. Encorajo-vos a continuar, com const\u00e2ncia e alegria, o vosso caminho espiritual e eclesial. E agora invoquemos a intercess\u00e3o materna da Virgem Maria, sentindo-me feliz por a venerar como Nossa Senhora da Ar\u00e1bia. Que Ela nos ajude a deixar-nos sempre guiar pelo Esp\u00edrito Santo e nos mantenha alegres, unidos no afeto e na ora\u00e7\u00e3o. Conto com a vossa ora\u00e7\u00e3o: n\u00e3o vos esque\u00e7ais de rezar por mim.<\/p>\n<p>Imagem: Vatican MEDIA<\/p>\n<p>Educris|06.11.2022<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima interven\u00e7\u00e3o da sua viagem ao Bahrein, o papa reuniu-se com a pequena comunidade crist\u00e3 daquele pa\u00eds. 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