{"id":3930069778,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/7369-domingo-xxix-do-tempo-comum-devolvei-as-coisas-de-cesar-a-cesar-e-a-deus-o-que-e-de-deus"},"modified":"2025-11-07T16:33:07","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:07","slug":"domingo-xxix-do-tempo-comum-devolvei-as-coisas-de-cesar-a-cesar-e-a-deus-o-que-e-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxix-do-tempo-comum-devolvei-as-coisas-de-cesar-a-cesar-e-a-deus-o-que-e-de-deus\/","title":{"rendered":"Domingo XXIX do Tempo Comum: \u00abDevolvei as coisas de C\u00e9sar a C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 de Deus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. Depois das par\u00e1bolas do banquete (Mateus 22,1-10) e do traje nupcial (Mateus 22,11-14), sendo esta \u00faltima exclusiva de Mateus, mas as duas muito bem articuladas no texto de Mateus 22,1-14, o restante do Cap\u00edtulo 22 de Mateus oferece-nos uma s\u00e9rie progressiva de tr\u00eas quest\u00f5es postas sucessivamente a Jesus por Fariseus e Herodianos (Mateus 22,15-22), Saduceus (Mateus 22,23-33) e um Fariseu (Mateus 22,34-40), a que se segue uma quarta, a mais importante (sequ\u00eancia 3 + 1), posta por Jesus aos Fariseus (Mateus 22,41-46).<\/p>\n<p>2. Destes quatro epis\u00f3dios, apenas dois ser\u00e3o escutados nos pr\u00f3ximos dois Domingos. Assim, neste Domingo XXIX do Tempo Comum, escutaremos o epis\u00f3dio de Mateus 22,15-22 (cf. paralelos em Marcos 12,13-17 e Lucas 20,20-26), em que Fariseus e Herodianos se juntam para tentar tramar Jesus pela palavra, colocando-lhe por isso e para isso uma pergunta trai\u00e7oeira, assim formulada: \u00ab\u00c9 permitido\u00a0<em>dar<\/em>\u00a0(<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>) o imposto a C\u00e9sar, ou n\u00e3o?\u00bb (Mateus 22,17).<\/p>\n<p>3. Note-se que o epis\u00f3dio decorre no Templo, certamente no \u00c1trio dos Gentios, uma vasta \u00e1rea de 13,5 hectares, prop\u00edcia ao encontro de muita gente, judeus e n\u00e3o judeus, onde Jesus se encontra a ensinar desde Mateus 21,23 at\u00e9 Mateus 24,1, em que \u00e9 referido que Jesus saiu do Templo.<\/p>\n<p>4. \u00c9, portanto, no \u00c1trio dos Gentios que, de forma estudada e matreira, fariseus e herodianos tentam surpreender Jesus com uma pergunta pol\u00edtica fechada. Note-se que a pergunta foi preparada e feita para levar Jesus a responder \u00absim\u00bb ou \u00abn\u00e3o\u00bb. Para o caso, aos maliciosos perguntadores, tanto lhes fazia: para tramar Jesus, tanto lhes servia o \u00absim\u00bb como o \u00abn\u00e3o\u00bb. Na verdade, se Jesus respondesse \u00absim\u00bb, seria visto como colaboracionista com o imp\u00e9rio romano ocupante e perderia todo o cr\u00e9dito religioso acumulado aos olhos das multid\u00f5es que o viam como profeta, totalmente do lado de Deus. Cairia assim um dos grandes aliados de Jesus, o povo, que os advers\u00e1rios de Jesus temiam, sendo este medo que at\u00e9 agora os impediu de prender e eliminar Jesus (cf. Mateus 21,46). Se respondesse \u00abn\u00e3o\u00bb, seria denunciado \u00e0s autoridades romanas como revolucion\u00e1rio, e certamente executado. Com este dilema aparentemente sem sa\u00edda, os fariseus pensam retribuir a Jesus o embara\u00e7o em que os meteu com a pergunta acerca da origem do batismo de Jo\u00e3o, se era do c\u00e9u ou se era da terra, de que n\u00e3o souberam sair de forma airosa (cf. Mateus 21,23-27).<\/p>\n<p>5. Antes de verificarmos a extraordin\u00e1ria resposta com que Jesus desmonta a armadilha que lhe \u00e9 posta, \u00e9 ainda conveniente examinar o grau de adula\u00e7\u00e3o e hipocrisia dos perguntadores. De facto, o grupo de fariseus e herodianos aproxima-se de Jesus estendendo-lhe um tapete de louvores: \u00abSabemos que \u00e9s verdadeiro\u00bb, que \u00abensinas com verdade o caminho de Deus\u00bb, e que \u00abn\u00e3o fazes ace\u00e7\u00e3o de pessoas\u00bb (Mateus 22,16). Esta \u00faltima express\u00e3o deriva da locu\u00e7\u00e3o latina\u00a0<em>accipere personam<\/em>\u00a0[= receber a pessoa], que, por sua vez, traduz \u00e0 letra o grego\u00a0<em>lamb\u00e1nein pr\u00f3s\u00f4p\u00f4n<\/em>\u00a0[= tomar o rosto], que tem por detr\u00e1s a express\u00e3o hebraica\u00a0<em>nasa? pan\u00eem<\/em>\u00a0[= levantar o rosto]. A express\u00e3o hebraica faz sentido. O juiz justo, no ato de administrar a justi\u00e7a, n\u00e3o levanta o rosto das pessoas, isto \u00e9, n\u00e3o julga de acordo com o rosto das pessoas ou por interesse, consoante as pessoas sejam ricas ou pobres, simp\u00e1ticas ou desprez\u00edveis, do nosso grupo de amigos ou n\u00e3o. O grego tenta traduzir a express\u00e3o hebraica, mas o latim e o vern\u00e1culo \u00abfazer acep\u00e7\u00e3o de pessoas\u00bb n\u00e3o significa nada.<\/p>\n<p>6. Note-se, por\u00e9m, que este tapete rolante colocado diante de Jesus por fariseus e herodianos \u00e9 com a inten\u00e7\u00e3o de o fazer mais facilmente escorregar e cair.<\/p>\n<p>7. Mas Jesus descobre logo a mal\u00edcia deles, e diz as coisas a direito, levando a s\u00e9rio o que os seus interlocutores lhe dizem por mal\u00edcia. Al\u00e9m disso, chama-lhes \u00abhip\u00f3critas\u00bb (uma palavra que se conta 30 vezes em Mateus), isto \u00e9, mentirosos camuflados debaixo de uma capa de verdade. Jesus, portanto, n\u00e3o responde \u00e0 adula\u00e7\u00e3o com adula\u00e7\u00e3o, mas denuncia a m\u00e1scara de mentira que envolve aqueles rostos! Vai mais longe: pede-lhes que lhe mostrem a moeda do imposto\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0(<em>k\u00eansos<\/em>, translitera\u00e7\u00e3o grega do latim\u00a0<em>census<\/em>) que, desde o ano 6 d. C., todos os judeus adultos, mulheres e escravos inclu\u00eddos, tinham de pagar ao imp\u00e9rio romano. Al\u00e9m de h\u00e1beis impostores, os interlocutores de Jesus s\u00e3o igualmente r\u00e1pidos a tirar a moeda do bolso, um den\u00e1rio, moeda romana correspondente ao sal\u00e1rio de um dia de trabalho. Jesus pergunta, de forma contundente, usando o presente hist\u00f3rico do verbo dizer: \u00abDiz-lhes: de quem \u00e9 esta imagem e a inscri\u00e7\u00e3o?\u00bb (Mateus 22,20). A moeda tinha ao centro a imagem de Tib\u00e9rio coroado de grinaldas, que reinou de 14 a 37 d.C., e \u00e0 volta a inscri\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Ti[berius] Caesar Divi Aug[usti] F[ilius] Augustus<\/em>, tendo no reverso\u00a0<em>Ponti[fex] Maxim[us]<\/em>. Eles t\u00eam, portanto, de responder que uma e outra s\u00e3o de C\u00e9sar. Note-se que tudo se passa no recinto sagrado do Templo. E a moeda que estes falsos justos ostentam desrespeita os dois primeiros mandamentos (\u00caxodo 20,3 e 4). Na verdade, \u00caxodo 20,4 pro\u00edbe as imagens (2.\u00ba mandamento), e \u00caxodo 20,3 pro\u00edbe o culto a outros deuses (1.\u00ba mandamento): ora, a inscri\u00e7\u00e3o descrevia o Imperador Romano com\u00a0<em>Divi Filius<\/em>\u00a0[= filho de um deus].<\/p>\n<p>8. Jesus continua a usar o presente hist\u00f3rico do verbo dizer: \u00abDiz-lhes: devolvei ent\u00e3o as coisas de C\u00e9sar a C\u00e9sar e as coisas de Deus a Deus!\u00bb (Mateus 22,21). Note-se ainda como Jesus n\u00e3o responde com o verbo \u00abdar\u00bb (<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>) da pergunta, mas com \u00abdevolver\u00bb (<em>apod\u00edd\u00f4mi<\/em>) o seu a seu dono. E introduz a enf\u00e1tica 2.\u00aa parte \u00abe as coisas de Deus a Deus\u00bb. Fica ent\u00e3o claro que a moeda vem de C\u00e9sar e a C\u00e9sar deve voltar. Mas Jesus, o Filho verdadeiro de Deus, \u00abimagem do Deus invis\u00edvel\u00bb (Colossenses 1,15), que at\u00e9 os falsos interlocutores reconhecem que est\u00e1 vinculado a Deus, pois afirmam que ensina o caminho de Deus (Mateus 22,16), \u00e9 para devolver a Deus\u2026 Mas j\u00e1 sabemos que estes impostores montaram esta armadilha com o fito de o entregar a C\u00e9sar (e \u00e9 o que v\u00e3o fazer mais \u00e0 frente). E tamb\u00e9m fica claro que o ser humano, homem e mulher, criado \u00e0 imagem de Deus (G\u00e9nesis 1,26-27), \u00e9 para devolver a Deus.<\/p>\n<p>9. O v. 22, que foi cortado (mal) do texto deste Domingo, desenha a reviravolta dos ca\u00e7adores ca\u00e7ados na sua pr\u00f3pria armadilha. Ca\u00e7ados por excesso, pois refere o texto que ficaram maravilhados, e se foram embora (Mateus 22,22). Maravilhados, mas n\u00e3o convertidos. Voltar\u00e3o cada vez mais envenenados para levar a cabo o projeto in\u00edquo de retirar Jesus de Deus, para o entregar a C\u00e9sar.<\/p>\n<p>10. Como se v\u00ea, h\u00e1 nesta extraordin\u00e1ria resposta de Jesus muito mais do que a corrente e banal leitura que v\u00ea nesta passagem o mero estabelecimento de regras de conviv\u00eancia entre Estado e Igreja\u2026<\/p>\n<p>11. Ao contr\u00e1rio da nossa mal\u00edcia que vamos extravasando, Deus olha-nos com bondade e os seus des\u00edgnios, mesmo quando escolhe um estrangeiro, s\u00e3o sempre por causa de n\u00f3s, porque nos ama (Isa\u00edas 45,1.4-6). Este \u00e9 tamb\u00e9m o modo caloroso de agir de Paulo, Silvano e Tim\u00f3teo, que t\u00eam sempre presente, porque a amam, a comunidade de Tessal\u00f3nica (1 Tessalonicenses 1,1-5). Ter\u00e1 de ser tamb\u00e9m o nosso modo de agir para com Deus e os nossos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>12. Sim, sem mal\u00edcia, mas com o cora\u00e7\u00e3o puro, cantemos as notas sublimes do Salmo 96. A m\u00fasica est\u00e1 escrita diante de n\u00f3s, no pergaminho da natureza e da hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m no rosto belo de cada irm\u00e3o e da inteira cria\u00e7\u00e3o. O canto \u00e9 novo. E j\u00e1 aprendemos com Santo Agostinho que s\u00f3 um homem novo pode cantar um canto novo.<\/p>\n<p>13. Um canto novo nos deve unir e reunir, \u00e0 volta do Senhor Ressuscitado, nosso contempor\u00e2neo, que nos guia e acompanha nos caminhos sempre novos da miss\u00e3o. Passa hoje o 91.\u00ba Dia Mission\u00e1rio Mundial, a que o Papa Francisco ap\u00f4s o belo lema: \u00abA Miss\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3\u00bb. Assim, ficamos todos a saber que \u00abEvangelizar \u00e9 a nossa maneira de ser, a nossa identidade mais profunda\u00bb, o verdadeiro ADN de todo o crist\u00e3o batizado. Foi o Papa Pio XI que instituiu este Dia Mission\u00e1rio Mundial em 1926. J\u00e1 vamos na 91.\u00aa edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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