{"id":3948634418,"date":"2023-02-08T00:00:00","date_gmt":"2023-02-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11952-audiencia-geral-que-germinem-as-sementes-do-seu-reino-de-amor-de-justica-e-de-paz-apela-o-papa"},"modified":"2023-02-08T00:00:00","modified_gmt":"2023-02-08T00:00:00","slug":"audiencia-geral-que-germinem-as-sementes-do-seu-reino-de-amor-de-justica-e-de-paz-apela-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-que-germinem-as-sementes-do-seu-reino-de-amor-de-justica-e-de-paz-apela-o-papa\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00abQue germinem as sementes do seu Reino de amor, de justi\u00e7a e de paz\u00bb, apela o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_2022_220910024936.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>No regresso de nova viagem Apost\u00f3lica, desta vez \u00e0 Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e o Sud\u00e3o do Sul, o Papa recordou os principais momentos naqueles pa\u00edses e pediu a paz<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A Viagem Apost\u00f3lica \u00e0 Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e Sud\u00e3o do Sul<\/strong><\/p>\n<p>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/p>\n<p>Na semana passada visitei dois pa\u00edses africanos: a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e o Sud\u00e3o do Sul. Dou gra\u00e7as a Deus que me permitiu fazer esta viagem, h\u00e1 muito desejada. Dois \u201csonhos\u201d: visitar o povo congol\u00eas, guardi\u00e3o de um imenso pa\u00eds, pulm\u00e3o verde da \u00c1frica: juntamente com a Amaz\u00f3nia, s\u00e3o os dois pulm\u00f5es do mundo. Terra rica em recursos e ensanguentada por uma guerra que nunca acaba, porque h\u00e1 sempre quem alimenta o fogo. E visitar o povo sul-sudan\u00eas, numa peregrina\u00e7\u00e3o de paz com o Arcebispo de Canterbury Justin Welby e o Moderador-geral da Igreja da Esc\u00f3cia, Iain Greenshields: fomos juntos para testemunhar que \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio colaborar na diversidade, especialmente quando se partilha a f\u00e9 em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Nos primeiros tr\u00eas dias estive em Kinshasa, capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Renovo a minha gratid\u00e3o ao Presidente e \u00e0s demais Autoridades do pa\u00eds pelo acolhimento que me reservaram. Imediatamente ap\u00f3s a minha chegada, no Pal\u00e1cio presidencial, pude dirigir a mensagem \u00e0 Na\u00e7\u00e3o: o Congo \u00e9 como um diamante, pela sua natureza, pelos seus recursos e sobretudo pelo seu povo; mas este diamante tornou-se motivo de disputa, de viol\u00eancias e, paradoxalmente, de empobrecimento do povo. Trata-se de uma din\u00e2mica que se encontra tamb\u00e9m noutras regi\u00f5es africanas, e que \u00e9 v\u00e1lida para aquele continente em geral: um continente colonizado, explorado e saqueado. Diante de tudo isto, eu disse duas palavras: a primeira \u00e9 negativa: \u201cbasta!\u201d, parem de explorar a \u00c1frica! Disse outras vezes que no inconsciente coletivo prevalece \u201ca \u00c1frica deve ser explorada\u201d: basta com isto! Disse eu. A segunda \u00e9 positiva: juntos, com dignidade todos juntos, com respeito m\u00fatuo, juntos em nome de Cristo, nossa esperan\u00e7a, ir em frente. N\u00e3o explorar e ir em frente juntos!<\/p>\n<p>E reunimo-nos em nome de Cristo na solene Celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.<\/p>\n<p>Depois, os v\u00e1rios encontros tiveram lugar ainda em Kinshasa: com as v\u00edtimas da viol\u00eancia no leste do pa\u00eds, a regi\u00e3o que h\u00e1 anos \u00e9 dilacerada pela guerra entre grupos armados, manobrados por interesses econ\u00f3micos e pol\u00edticos. N\u00e3o pude ir a Goma. O povo vive no medo e na inseguran\u00e7a, sacrificado no altar de neg\u00f3cios il\u00edcitos. Ouvi os testemunhos chocantes de algumas v\u00edtimas, especialmente mulheres, que depuseram aos p\u00e9s da Cruz armas e outros instrumentos de morte. Com elas eu disse \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 viol\u00eancia, \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 resigna\u00e7\u00e3o, \u201csim\u201d \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o e \u00e0 esperan\u00e7a. Sofreram muito e continuam a sofrer.<\/p>\n<p>Em seguida, encontrei-me com os representantes de v\u00e1rias obras de caridade presentes no pa\u00eds, para lhes agradecer e incentivar. O seu trabalho com os pobres e pelos pobres n\u00e3o faz barulho, mas dia ap\u00f3s dia faz crescer o bem comum. E sobretudo com a promo\u00e7\u00e3o: as iniciativas caritativas devem ser sempre em primeiro lugar para a promo\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 para a assist\u00eancia, mas para a promo\u00e7\u00e3o. Assist\u00eancia sim, mas tamb\u00e9m promo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um momento entusiasmante foi com os jovens e os catequistas congoleses no est\u00e1dio. Foi como uma imers\u00e3o no presente, projetado para o futuro. Pensemos na for\u00e7a de renova\u00e7\u00e3o que pode trazer aquela nova gera\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os, formados e animados pela alegria do Evangelho! Indiquei-lhes, aos jovens, cinco caminhos: a ora\u00e7\u00e3o, a comunidade, a honestidade, o perd\u00e3o e o servi\u00e7o. Aos jovens do Congo disse: a vossa estrada \u00e9 esta: ora\u00e7\u00e3o, vida comunit\u00e1ria, honestidade, perd\u00e3o e servi\u00e7o. O Senhor ou\u00e7a o seu clamor, que invoca paz e justi\u00e7a!<\/p>\n<p>Depois, na Catedral de Kinshasa, encontrei-me com os sacerdotes, di\u00e1conos, consagrados, consagradas e seminaristas. S\u00e3o muitos e s\u00e3o jovens, pois as voca\u00e7\u00f5es s\u00e3o numerosas: \u00e9 uma gra\u00e7a de Deus. Exortei-os a ser servos do povo, como testemunhas do amor de Cristo, superando tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es: a mediocridade espiritual, o conforto mundano e a superficialidade. Que s\u00e3o tenta\u00e7\u00f5es \u2013 diria \u2013 universais, para os seminaristas e para os sacerdotes. Certamente, a mediocridade espiritual, quando um sacerdote cai na mediocridade, \u00e9 triste; a comodidade mundana, isto \u00e9 a mundanidade, que \u00e9 um dos piores males que possam acontecer \u00e0 Igreja; e a superficialidade. Por fim, com os Bispos congoleses, partilhei a alegria e a dificuldade do servi\u00e7o pastoral. Convidei-os a deixar-se consolar pela proximidade de Deus e a ser profetas para o povo, com a for\u00e7a da Palavra de Deus, ser sinais de como \u00e9 o Senhor, da atitude que o Senhor tem connosco: a compaix\u00e3o, a proximidade e a ternura. S\u00e3o tr\u00eas modos de agir do Senhor para connosco: faz-se pr\u00f3ximo \u2013 a proximidade \u2013 com compaix\u00e3o e com ternura. Foi o que pedi aos sacerdotes e aos bispos.<\/p>\n<p>Depois, a segunda parte da Viagem teve lugar em Juba, capital do Sud\u00e3o do Sul, Estado que nasceu em 2011. Esta visita teve uma fisionomia deveras especial, expressa pelo lema que retomava as palavras de Jesus: \u00abRezo para que todos sejam um s\u00f3!\u00bb (cf. Jo 17, 21). Com efeito, tratou-se de uma peregrina\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica de paz, realizada em conjunto, com os chefes de duas Igrejas historicamente presentes naquela terra: a Comunh\u00e3o anglicana e a Igreja da Esc\u00f3cia. Era o ponto de chegada de um caminho iniciado h\u00e1 alguns anos, que nos tinha visto reunidos em Roma, em 2019, com as Autoridades sul-sudanesas, para assumir o compromisso de superar o conflito e construir a paz. Em 2019 foi feito um retiro espiritual aqui, na C\u00faria, de dois dias, com todos estes pol\u00edticos, com todas as pessoas que aspiravam aos postos, alguns inimigos entre eles, mas estavam todos no retiro. E isto deu for\u00e7a para ir em frente. Infelizmente, o processo de reconcilia\u00e7\u00e3o n\u00e3o avan\u00e7ou muito e o rec\u00e9m-nascido Sud\u00e3o do Sul \u00e9 v\u00edtima da antiga l\u00f3gica do poder, da rivalidade, que produz guerra, viol\u00eancias, refugiados e deslocados internos. Agrade\u00e7o muito ao senhor presidente o acolhimento que nos deu e como est\u00e1 a procurar gerir esta estrada nada f\u00e1cil, a dizer \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e ao tr\u00e1fico de armas, e \u201csim\u201d ao encontro e ao di\u00e1logo. E isto \u00e9 vergonhoso: muitos pa\u00edses que se dizem civilizados oferecem ajuda ao Sud\u00e3o do Sul, e a ajuda consiste em armas, armas, armas, para fomentar a guerra. Isto \u00e9 uma vergonha. E sim, ir em frente dizendo \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e aos tr\u00e1ficos de armas e \u201csim\u201d ao encontro e ao di\u00e1logo. S\u00f3 assim poder\u00e1 haver desenvolvimento, as pessoas poder\u00e3o trabalhar em paz, os doentes curar-se, as crian\u00e7as ir \u00e0 escola.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter ecum\u00e9nico da visita ao Sud\u00e3o do Sul manifestou-se em particular no momento de ora\u00e7\u00e3o celebrado com os irm\u00e3os Anglicanos e da Igreja da Esc\u00f3cia. Juntos, ouvimos a Palavra de Deus; juntos, dirigimos preces de louvor, de s\u00faplica e de intercess\u00e3o. Numa realidade altamente conflituosa, como a sul-sudanesa, este sinal \u00e9 fundamental, e n\u00e3o \u00e9 um dado adquirido, pois infelizmente h\u00e1 quem abuse do nome de Deus para justificar viol\u00eancias e abusos.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, o Sud\u00e3o do Sul \u00e9 um pa\u00eds com cerca de 11 milh\u00f5es de habitantes \u2013 pequenino! &#8211; dos quais, devido aos conflitos armados, dois milh\u00f5es s\u00e3o deslocados internos e outros dois milh\u00f5es fugiram para os pa\u00edses fronteiri\u00e7os. Por isso, eu quis encontrar-me com um grande grupo de deslocados internos, ouvi-los e fazer-lhes sentir a proximidade da Igreja. Com efeito, as Igrejas e organiza\u00e7\u00f5es de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 est\u00e3o na vanguarda, ao lado daquelas pessoas desafortunadas, que h\u00e1 anos vivem em campos para deslocadas. Em particular, dirigi-me \u00e0s mulheres \u2013 h\u00e1 ali muitas mulheres excelentes &#8211; que s\u00e3o a for\u00e7a que pode transformar o pa\u00eds; e encorajei todos a ser sementes de um novo Sud\u00e3o do Sul, sem viol\u00eancia, reconciliado e pacificado.<\/p>\n<p>Depois, no encontro com os Pastores e os consagrados daquela Igreja local, olhamos para Mois\u00e9s como modelo de docilidade a Deus e de perseveran\u00e7a na intercess\u00e3o.<\/p>\n<p>E na Celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, \u00faltimo ato da visita ao Sud\u00e3o do Sul e tamb\u00e9m de toda a Viagem, fiz-me eco do Evangelho, encorajando os crist\u00e3os a ser \u201csal e luz\u201d naquela terra t\u00e3o atribulada. Deus deposita a sua esperan\u00e7a n\u00e3o nos grandes e nos poderosos, mas nos pequeninos e nos humildes. E este \u00e9 o modo de agir de Deus.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o \u00e0s autoridades do Sud\u00e3o do Sul, ao senhor presidente, aos organizadores das viagens e a quantos dedicaram o pr\u00f3prio esfor\u00e7o, o seu trabalho a fim de que a visita pudesse correr bem. Agrade\u00e7o aos meus irm\u00e3os, Justin Welby e Iain Greenshields, por me terem acompanhado nesta viagem ecum\u00e9nica.<\/p>\n<p>Oremos a fim de que, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e no Sud\u00e3o do Sul, bem como em toda a \u00c1frica, germinem as sementes do seu Reino de amor, de justi\u00e7a e de paz.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir de <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/audiences\/2023\/documents\/20230208-udienza-generale.html\" target=\"_blank\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>Imagem: Educris<\/p>\n<p>Educris|08.02.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No regresso de nova viagem Apost\u00f3lica, desta vez \u00e0 Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e o Sud\u00e3o do Sul, o Papa 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