{"id":3955725790,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/7057-vaticano-papa-publica-mensagem-para-o-i-dia-mundial-dos-pobres"},"modified":"2025-11-07T16:34:26","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:26","slug":"vaticano-papa-publica-mensagem-para-o-i-dia-mundial-dos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/vaticano-papa-publica-mensagem-para-o-i-dia-mundial-dos-pobres\/","title":{"rendered":"Vaticano: Papa publica mensagem para o I Dia Mundial dos Pobres"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/pope_2013_centroastalli_001_170116090836-2.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>O sala de imprensa do Vaticano acaba de disponibilizar a carta do Papa Francisco para o I Dia Mundial dos Pobres que se vai realizar no pr\u00f3ximo dia 19 de novembro de 2017 sob o tema \u00abN\u00e3o amemos com palavras, mas com obras\u00bb.<\/p>\n<p>Disponibilizamos, na \u00edntegra, a carta do Papa Francisco.<\/p>\n<p>1. \u00abMeus filhinhos, n\u00e3o amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade\u00bb (<em>1 Jo<\/em>\u00a03, 18). Estas palavras do ap\u00f3stolo Jo\u00e3o exprimem um imperativo de que nenhum crist\u00e3o pode prescindir. A import\u00e2ncia do mandamento de Jesus, transmitido pelo \u00abdisc\u00edpulo amado\u00bb at\u00e9 aos nossos dias, aparece ainda mais acentuada ao contrapor as\u00a0<em>palavras vazias<\/em>,<em>\u00a0<\/em>que frequentemente se encontram na nossa boca, \u00e0s\u00a0<em>obras concretas<\/em>, as \u00fanicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos. O amor n\u00e3o admite \u00e1libis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Ali\u00e1s, \u00e9 bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus, e Jo\u00e3o recorda-a com clareza. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (cf.\u00a0<em>1 Jo\u00a0<\/em>4, 10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a pr\u00f3pria vida (cf.\u00a0<em>1 Jo<\/em>\u00a03, 16).Um amor assim n\u00e3o pode ficar sem resposta. Apesar de ser dado de maneira unilateral, isto \u00e9, sem pedir nada em troca, ele abrasa de tal forma o cora\u00e7\u00e3o, que toda e qualquer pessoa se sente levada a retribu\u00ed-lo n\u00e3o obstante as suas limita\u00e7\u00f5es e pecados. Isto \u00e9 poss\u00edvel, se a gra\u00e7a de Deus, a sua caridade misericordiosa, for acolhida no nosso cora\u00e7\u00e3o a pontos de mover a nossa vontade e os nossos afetos para o amor ao pr\u00f3prio Deus e ao pr\u00f3ximo. Deste modo a miseric\u00f3rdia, que brota por assim dizer do cora\u00e7\u00e3o da Trindade, pode chegar a p\u00f4r em movimento a nossa vida e gerar compaix\u00e3o e obras de miseric\u00f3rdia em prol dos irm\u00e3os e irm\u00e3s que se encontram em necessidade.<\/p>\n<p>2. \u00abQuando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o\u00bb (<em>Sl<\/em>\u00a034\/33, 7). A Igreja compreendeu, desde sempre, a import\u00e2ncia de tal invoca\u00e7\u00e3o. Possu\u00edmos um grande testemunho j\u00e1 nas primeiras p\u00e1ginas do Atos dos Ap\u00f3stolos, quando Pedro pede para se escolher sete homens \u00abcheios do Esp\u00edrito e de sabedoria\u00bb (6, 3), que assumam o servi\u00e7o de assist\u00eancia aos pobres. Este \u00e9, sem d\u00favida, um dos primeiros sinais com que a comunidade crist\u00e3 se apresentou no palco do mundo: o servi\u00e7o aos mais pobres. Tudo isto foi poss\u00edvel, por ela ter compreendido que a vida dos disc\u00edpulos de Jesus se devia exprimir numa fraternidade e numa solidariedade tais, que correspondesse ao ensinamento principal do Mestre que tinha proclamado os pobres\u00a0<em>bem-aventurados\u00a0<\/em>e\u00a0<em>herdeiros\u00a0<\/em>do Reino dos c\u00e9us (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a05, 3).<\/p>\n<p>\u00abVendiam terras e outros bens e distribu\u00edam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um\u00bb (<em>At<\/em>\u00a02, 45). Esta frase mostra, com clareza, como estava viva nos primeiros crist\u00e3os tal preocupa\u00e7\u00e3o. O evangelista Lucas \u2013 o autor sagrado que deu mais espa\u00e7o \u00e0 miseric\u00f3rdia do que qualquer outro \u2013 n\u00e3o est\u00e1 a fazer ret\u00f3rica, quando descreve a pr\u00e1tica da partilha na primeira comunidade. Antes pelo contr\u00e1rio, com a sua narra\u00e7\u00e3o, pretende falar aos fi\u00e9is de todas as gera\u00e7\u00f5es (e, por conseguinte, tamb\u00e9m \u00e0 nossa), procurando sustent\u00e1-los no seu testemunho e incentiv\u00e1-los \u00e0 a\u00e7\u00e3o concreta a favor dos mais necessitados. E o mesmo ensinamento \u00e9 dado, com igual convic\u00e7\u00e3o, pelo ap\u00f3stolo Tiago, usando express\u00f5es fortes e incisivas na sua Carta: \u00abOuvi, meus amados irm\u00e3os: porventura n\u00e3o escolheu Deus os pobres segundo o mundo para serem ricos na f\u00e9 e herdeiros do Reino que prometeu aos que O amam? Mas v\u00f3s desonrais o pobre. Porventura n\u00e3o s\u00e3o os ricos que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais? (\u2026) De que aproveita, irm\u00e3os, que algu\u00e9m diga que tem f\u00e9, se n\u00e3o tiver obras de f\u00e9? Acaso essa f\u00e9 poder\u00e1 salv\u00e1-lo? Se um irm\u00e3o ou uma irm\u00e3 estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de v\u00f3s lhes disser: \u201cIde em paz, tratai de vos aquecer e matar a fome\u201d, mas n\u00e3o lhes dais o que \u00e9 necess\u00e1rio ao corpo, de que lhes aproveitar\u00e1? Assim tamb\u00e9m a f\u00e9: se ela n\u00e3o tiver obras, est\u00e1 completamente morta\u00bb (2, 5-6.14-17).<\/p>\n<p>3. Contudo, houve momentos em que os crist\u00e3os n\u00e3o escutaram profundamente este apelo, deixando-se contagiar pela mentalidade mundana. Mas o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o deixou de os chamar a manterem o olhar fixo no essencial. Com efeito, fez surgir homens e mulheres que, de v\u00e1rios modos, ofereceram a sua vida ao servi\u00e7o dos pobres. Nestes dois mil anos, quantas p\u00e1ginas de hist\u00f3ria foram escritas por crist\u00e3os que, com toda a simplicidade e humildade, serviram os seus irm\u00e3os mais pobres, animados por uma generosa fantasia da caridade!<\/p>\n<p>Dentre todos, destaca-se o exemplo de Francisco de Assis, que foi seguido por tantos outros homens e mulheres santos, ao longo dos s\u00e9culos. N\u00e3o se contentou com\u00a0<em>abra\u00e7ar<\/em>\u00a0e dar\u00a0<em>esmola\u00a0<\/em>aos leprosos, mas decidiu ir a G\u00fabio para\u00a0<em>estar<\/em>\u00a0junto com eles. Ele mesmo identificou neste encontro a viragem da sua convers\u00e3o: \u00abQuando estava nos meus pecados, parecia-me deveras insuport\u00e1vel ver os leprosos. E o pr\u00f3prio Senhor levou-me para o meio deles e usei de miseric\u00f3rdia para com eles. E, ao afastar-me deles, aquilo que antes me parecia amargo converteu-se para mim em do\u00e7ura da alma e do corpo\u00bb (<em>Test<\/em>\u00a01-3:\u00a0<em>FF<\/em>\u00a0110). Este testemunho mostra a for\u00e7a transformadora da caridade e o estilo de vida dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>N\u00e3o pensemos nos pobres apenas como destinat\u00e1rios duma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para p\u00f4r a consci\u00eancia em paz. Estas experi\u00eancias, embora v\u00e1lidas e \u00fateis a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irm\u00e3os e para as injusti\u00e7as que frequentemente s\u00e3o a sua causa, deveriam abrir a um verdadeiro\u00a0<em>encontro<\/em>\u00a0com os pobres e dar lugar a uma\u00a0<em>partilha\u00a0<\/em>que se torne estilo de vida. Na verdade, a ora\u00e7\u00e3o, o caminho do discipulado e a convers\u00e3o encontram, na caridade que se torna partilha, a prova da sua autenticidade evang\u00e9lica. E deste modo de viver derivam alegria e serenidade de esp\u00edrito, porque se toca com as m\u00e3os a\u00a0<em>carne de Cristo<\/em>. Se realmente queremos encontrar Cristo, \u00e9 preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta \u00e0 comunh\u00e3o sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, partido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irm\u00e3os e irm\u00e3s mais fr\u00e1geis. Continuam a ressoar de grande atualidade estas palavras do santo bispo Cris\u00f3stomo: \u00abQueres honrar o corpo de Cristo? N\u00e3o permitas que seja desprezado nos seus membros, isto \u00e9, nos pobres que n\u00e3o t\u00eam que vestir, nem O honres aqui no tempo com vestes de seda, enquanto l\u00e1 fora O abandonas ao frio e \u00e0 nudez\u00bb (<em>Hom. in Matthaeum<\/em>, 50, 3:\u00a0<em>PG<\/em>\u00a058).<\/p>\n<p>Portanto somos chamados a estender a m\u00e3o aos pobres, a encontr\u00e1-los, fix\u00e1-los nos olhos, abra\u00e7\u00e1-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o c\u00edrculo da solid\u00e3o. A sua m\u00e3o estendida para n\u00f3s \u00e9 tamb\u00e9m um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma.<\/p>\n<p>4. N\u00e3o esque\u00e7amos que, para os disc\u00edpulos de Cristo, a pobreza \u00e9, antes de mais, uma\u00a0<em>voca\u00e7\u00e3o a seguir Jesus pobre<\/em>. \u00c9 um caminho atr\u00e1s d\u2019Ele e com Ele: um caminho que conduz \u00e0 bem-aventuran\u00e7a do Reino dos c\u00e9us (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a05, 3;\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a06, 20). Pobreza significa um cora\u00e7\u00e3o humilde, que sabe acolher a sua condi\u00e7\u00e3o de criatura limitada e pecadora, vencendo a tenta\u00e7\u00e3o de omnipot\u00eancia que cria em n\u00f3s a ilus\u00e3o de ser imortal. A pobreza \u00e9 uma atitude do cora\u00e7\u00e3o que impede de conceber como objetivo de vida e condi\u00e7\u00e3o para a felicidade o dinheiro, a carreira e o luxo. Mais, \u00e9 a pobreza que cria as condi\u00e7\u00f5es para assumir livremente as responsabilidades pessoais e sociais, n\u00e3o obstante as pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela sua gra\u00e7a. Assim entendida, a pobreza \u00e9 o metro que permite avaliar o uso correto dos bens materiais e tamb\u00e9m viver de modo n\u00e3o ego\u00edsta nem possessivo os la\u00e7os e os afetos (cf.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/em>, n. 25-45).<\/p>\n<p>Assumamos, pois, o exemplo de S\u00e3o Francisco, testemunha da pobreza genu\u00edna. Ele, precisamente por ter os olhos fixos em Cristo, soube reconhec\u00ea-Lo e servi-Lo nos pobres. Por conseguinte, se desejamos dar o nosso contributo eficaz para a mudan\u00e7a da hist\u00f3ria, gerando verdadeiro desenvolvimento, \u00e9 necess\u00e1rio escutar o grito dos pobres e comprometermo-nos a ergu\u00ea-los do seu estado de marginaliza\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo recordo, aos pobres que vivem nas nossas cidades e nas nossas comunidades, para n\u00e3o perderem o sentido da pobreza evang\u00e9lica que trazem impresso na sua vida.<\/p>\n<p>5. Conhecemos a grande dificuldade que h\u00e1, no mundo contempor\u00e2neo, de poder identificar claramente a pobreza. E todavia esta interpela-nos todos os dias com os seus in\u00fameros rostos marcados pelo sofrimento, pela marginaliza\u00e7\u00e3o, pela opress\u00e3o, pela viol\u00eancia, pelas torturas e a pris\u00e3o, pela guerra, pela priva\u00e7\u00e3o da liberdade e da dignidade, pela ignor\u00e2ncia e pelo analfabetismo, pela emerg\u00eancia sanit\u00e1ria e pela falta de trabalho, pelo tr\u00e1fico de pessoas e pela escravid\u00e3o, pelo ex\u00edlio e a mis\u00e9ria, pela migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crian\u00e7as explorados para vis interesses, espezinhados pelas l\u00f3gicas perversas do poder e do dinheiro. Como \u00e9 impiedoso e nunca completo o elenco que se \u00e9 constrangido a elaborar \u00e0 vista da pobreza, fruto da injusti\u00e7a social, da mis\u00e9ria moral, da avidez de poucos e da indiferen\u00e7a generalizada!<\/p>\n<p>Infelizmente, nos nossos dias, enquanto sobressai cada vez mais a riqueza descarada que se acumula nas m\u00e3os de poucos privilegiados, frequentemente acompanhada pela ilegalidade e a explora\u00e7\u00e3o ofensiva da dignidade humana, causa esc\u00e2ndalo a extens\u00e3o da pobreza a grandes sectores da sociedade no mundo inteiro. Perante este cen\u00e1rio, n\u00e3o se pode permanecer inerte e, menos ainda, resignado. \u00c0 pobreza que inibe o esp\u00edrito de iniciativa de tantos jovens, impedindo-os de encontrar um trabalho, \u00e0 pobreza que anestesia o sentido de responsabilidade, induzindo a preferir a abdica\u00e7\u00e3o e a busca de favoritismos, \u00e0 pobreza que envenena os po\u00e7os da participa\u00e7\u00e3o e restringe os espa\u00e7os do profissionalismo, humilhando assim o m\u00e9rito de quem trabalha e produz: a tudo isso \u00e9 preciso responder com uma nova vis\u00e3o da vida e da sociedade.<\/p>\n<p>Todos estes pobres \u2013 como gostava de dizer o Beato Paulo VI \u2013 pertencem \u00e0 Igreja por \u00abdireito evang\u00e9lico\u00bb (<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/speeches\/1963\/documents\/hf_p-vi_spe_19630929_concilio-vaticano-ii.html\"><em>Discurso de abertura<\/em>na II Sess\u00e3o do Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II<\/a>, 29\/IX\/1963) e obrigam \u00e0 op\u00e7\u00e3o fundamental por eles. Por isso, benditas as m\u00e3os que se abrem para acolher os pobres e socorr\u00ea-los: s\u00e3o m\u00e3os que levam esperan\u00e7a. Benditas as m\u00e3os que superam toda a barreira de cultura, religi\u00e3o e nacionalidade, derramando \u00f3leo de consola\u00e7\u00e3o nas chagas da humanidade. Benditas as m\u00e3os que se abrem sem pedir nada em troca, sem \u00abse\u00bb nem \u00abmas\u00bb, nem \u00abtalvez\u00bb: s\u00e3o m\u00e3os que fazem descer sobre os irm\u00e3os a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>6. No termo do Jubileu da Miseric\u00f3rdia, quis oferecer \u00e0 Igreja o\u00a0<em>Dia Mundial dos Pobres<\/em>, para que as comunidades crist\u00e3s se tornem, em todo o mundo, cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo pelos \u00faltimos e os mais carenciados. Quero que, aos outros Dias Mundiais institu\u00eddos pelos meus Predecessores e sendo j\u00e1 tradi\u00e7\u00e3o na vida das nossas comunidades, se acrescente este, que completa o conjunto de tais Dias com um elemento requintadamente evang\u00e9lico, isto \u00e9, a predile\u00e7\u00e3o de Jesus pelos pobres.<\/p>\n<p>Convido a Igreja inteira e os homens e mulheres de boa vontade a fixar o olhar, neste dia, em todos aqueles que estendem as suas m\u00e3os invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade. S\u00e3o nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, criados e amados pelo \u00fanico Pai celeste. Este\u00a0<em>Dia\u00a0<\/em>pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam \u00e0 cultura do descarte e do desperd\u00edcio, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite \u00e9 dirigido a todos, independentemente da sua perten\u00e7a religiosa, para que se abram \u00e0 partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade. Deus criou o c\u00e9u e a terra para todos; foram os homens que, infelizmente, ergueram fronteiras, muros e recintos, traindo o dom origin\u00e1rio destinado \u00e0 humanidade sem qualquer exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>7. Desejo que, na semana anterior ao\u00a0<em>Dia Mundial dos Pobres<\/em>\u00a0\u2013 que este ano ser\u00e1 no dia 19 de novembro, XXXIII domingo do Tempo Comum \u2013, as comunidades crist\u00e3s se empenhem na cria\u00e7\u00e3o de muitos momentos de encontro e amizade, de solidariedade e ajuda concreta. Poder\u00e3o ainda convidar os pobres e os volunt\u00e1rios para participarem, juntos, na Eucaristia deste domingo, de modo que, no domingo seguinte, a celebra\u00e7\u00e3o da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo resulte ainda mais aut\u00eantica. Na verdade, a realeza de Cristo aparece em todo o seu significado precisamente no G\u00f3lgota, quando o Inocente, pregado na cruz, pobre, nu e privado de tudo, encarna e revela a plenitude do amor de Deus. O seu completo abandono ao Pai, ao mesmo tempo que exprime a sua pobreza total, torna evidente a for\u00e7a deste Amor, que O ressuscita para uma vida nova no dia de P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>Neste domingo, se viverem no nosso bairro pobres que buscam prote\u00e7\u00e3o e ajuda, aproximemo-nos deles: ser\u00e1 um momento prop\u00edcio para encontrar o Deus que buscamos. Como ensina a Sagrada Escritura (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a018, 3-5;\u00a0<em>Heb<\/em>\u00a013, 2), acolhamo-los como h\u00f3spedes privilegiados \u00e0 nossa mesa; poder\u00e3o ser mestres, que nos ajudam a viver de maneira mais coerente a f\u00e9. Com a sua confian\u00e7a e a disponibilidade para aceitar ajuda, mostram-nos, de forma s\u00f3bria e muitas vezes feliz, como \u00e9 decisivo vivermos do essencial e abandonarmo-nos \u00e0 provid\u00eancia do Pai.<\/p>\n<p>8. Na base das m\u00faltiplas iniciativas concretas que se poder\u00e3o realizar neste\u00a0<em>Dia<\/em>, esteja sempre a\u00a0<em>ora\u00e7\u00e3o<\/em>. N\u00e3o esque\u00e7amos que o\u00a0<em>Pai Nosso\u00a0<\/em>\u00e9 a ora\u00e7\u00e3o dos pobres. De facto, o pedido do p\u00e3o exprime o abandono a Deus nas necessidades prim\u00e1rias da nossa vida. Tudo o que Jesus nos ensinou com esta ora\u00e7\u00e3o exprime e recolhe o grito de quem sofre pela precariedade da exist\u00eancia e a falta do necess\u00e1rio. Aos disc\u00edpulos que Lhe pediam para os ensinar a rezar, Jesus respondeu com as palavras dos pobres que se dirigem ao \u00fanico Pai, em quem todos se reconhecem como irm\u00e3os. O\u00a0<em>Pai Nosso\u00a0<\/em>\u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o que se exprime no plural: o p\u00e3o que se pede \u00e9 \u00abnosso\u00bb, e isto implica partilha, comparticipa\u00e7\u00e3o e responsabilidade comum. Nesta ora\u00e7\u00e3o, todos reconhecemos a exig\u00eancia de superar qualquer forma de ego\u00edsmo, para termos acesso \u00e0 alegria do acolhimento rec\u00edproco.<\/p>\n<p>9. Aos irm\u00e3os bispos, aos sacerdotes, aos di\u00e1conos \u2013 que, por voca\u00e7\u00e3o, t\u00eam a miss\u00e3o de apoiar os pobres \u2013, \u00e0s pessoas consagradas, \u00e0s associa\u00e7\u00f5es, aos movimentos e ao vasto mundo do voluntariado, pe\u00e7o que se comprometam para que, com este\u00a0<em>Dia Mundial dos Pobres<\/em>,<em>\u00a0<\/em>se instaure uma tradi\u00e7\u00e3o que seja contribui\u00e7\u00e3o concreta para a evangeliza\u00e7\u00e3o no mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Que este novo\u00a0<em>Dia Mundial\u00a0<\/em>se torne, pois, um forte apelo \u00e0 nossa consci\u00eancia crente, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os pobres permite-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda. Os pobres n\u00e3o s\u00e3o um problema: s\u00e3o um recurso de que lan\u00e7ar m\u00e3o para acolher e viver a ess\u00eancia do Evangelho.<\/p>\n<p><em>Vaticano, Mem\u00f3ria de Santo Ant\u00f3nio de Lisboa, 13 de junho de 2017.<\/em><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Franciscus<\/strong><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sala de imprensa do Vaticano acaba de disponibilizar a carta do Papa Francisco para o I Dia Mundial dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294988010,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-3955725790","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3955725790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3955725790"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3955725790\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294995513,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3955725790\/revisions\/4294995513"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294988010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3955725790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3955725790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3955725790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}