{"id":3993929450,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13538-domingo-iv-do-advento-senhora-da-saudacao"},"modified":"2025-11-07T16:34:03","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:03","slug":"domingo-iv-do-advento-senhora-da-saudacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iv-do-advento-senhora-da-saudacao\/","title":{"rendered":"Domingo IV do Advento: \u00abSenhora da Sauda\u00e7\u00e3o\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Mq 5,1-4; Sl 80; Hb 10,5-10; Lc 1,39-45<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. A liturgia deste Domingo IV do Advento, j\u00e1 quase em cima do Natal do Senhor, convida-nos a contemplar com amor emocionado algumas joias da Escritura Santa.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Em Primeiro lugar, porque o Evangelho tem sempre o primeiro lugar, o Evangelho de Lucas 1,39-45. As Igrejas do Ocidente conhecem este epis\u00f3dio por \u00abVisita\u00e7\u00e3o\u00bb de Maria a Isabel, enquanto os nossos irm\u00e3os do Oriente preferem denomin\u00e1-lo \u00abSauda\u00e7\u00e3o\u00bb de Maria a Isabel. O epis\u00f3dio \u00e9 deslumbrante, e come\u00e7a por nos mostrar Maria a correr sobre os montes para ir ao encontro de Isabel. Ao correr sobre os montes, Maria reveste-se dos tra\u00e7os sublimes do mensageiro de Isa\u00edas 52,7, que diz: \u00abComo s\u00e3o belos sobre os montes os p\u00e9s do mensageiro que anuncia a Paz, que leva Boas Novas a Si\u00e3o!\u00bb. Claramente, Maria aparece como portadora de Not\u00edcias Felizes. Mas, ao correr sobre os montes, Maria reveste-se tamb\u00e9m do perfume do amor novo do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos 2,8, onde se ouve a amada a dizer: \u00abA voz do meu amado, ei-lo que vem correndo sobre os montes!\u00bb. Assim, com esta simples nota narrativa, Maria aparece-nos como uma Mulher Bela, Encantada, cheia de Alegria, Esposa Amada e Habitada por Not\u00edcias Felizes, pela Not\u00edcia Feliz, isto \u00e9, pelo Evangelho em Pessoa, Jesus, que Maria humildemente serve e ternamente apresenta, mais tarde a Senhora\u00a0<em>Odigh\u00edtria<\/em>, venerada nas Igrejas do Oriente, que com a m\u00e3o aponta o caminho verdadeiro, o seu Filho Jesus, que leva ternamente ao colo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Seria bom que nos demor\u00e1ssemos longamente a contemplar esta figura de Maria, bela, leve e feliz. Contemplando esta figura cheia de beleza e de leveza, estamos j\u00e1 a ver, em contraluz, o retrato dos Evangelizadores do Evangelho, tamb\u00e9m belos, leves e felizes e habitados por um amor novo: sem ouro nem prata nem cobre nem alforge nem duas t\u00fanicas (cf. Mateus 10,9; Lucas 9,3). E, se olharmos agora um bocadinho para n\u00f3s, verificaremos logo, em contraponto, que talvez levemos coisas a mais e peso a mais!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Esta Mulher Bela, Esposa Amada e Feliz, sa\u00fada Isabel. N\u00e3o pode sen\u00e3o encher de Alegria o mundo de Isabel, que irrompe naturalmente num hino de louvor, acrescentando mais umas palavras \u00e0 ora\u00e7\u00e3o da \u00abAve-Maria\u00bb, iniciada pelo Anjo: \u00abAve [Maria], cheia de gra\u00e7a, o Senhor \u00e9 contigo\u00bb, disse o Anjo (Lucas 1,28). Acrescenta agora Isabel: \u00abBendita \u00e9s tu entre as mulheres e bendito \u00e9 o fruto do teu ventre [Jesus]\u00bb (Lucas 1,42), e aponta logo a seguir Maria como \u00abM\u00e3e do meu Senhor\u00bb (Lucas 1,43), desvelando o seu nome grande de \u00abM\u00e3e de Deus\u00bb, come\u00e7o da \u00ab[Santa Maria], M\u00e3e de Deus\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Maria sa\u00fada Isabel. Esta sauda\u00e7\u00e3o (<em>aspasm\u00f3s<\/em>), ou a refer\u00eancia a ela, \u00e9 vista como de tal modo importante que aparece narrada por tr\u00eas vezes: duas vezes na pena do narrador (Lucas 1,40.41) e uma vez na boca de Isabel (Lucas, 1,44). N\u00e3o obstante esta insist\u00eancia, nunca \u00e9 dito o seu conte\u00fado. \u00c9 a maneira de salientar que o que interessa mesmo \u00e9 a pessoa de Maria, mais do que as palavras que possa ter proferido. N\u00e3o indicando as palavras proferidas por Maria, o narrador p\u00f5e, de facto, em destaque a pessoa de Maria, mas tal procedimento serve ainda para acentuar o efeito que as suas palavras (n\u00e3o referidas) ter\u00e3o provocado. O texto grego salienta esse efeito com um duplo\u00a0<em>eg\u00e9neto<\/em>\u00a0(Lucas 1,41.44), sendo\u00a0<em>eg\u00e9neto<\/em>\u00a0o verbo t\u00edpico do acontecimento que acontece e se constata, e que n\u00e3o se pode deduzir, uma vez que cai fora da esfera da dedu\u00e7\u00e3o. Seja como for, esta sauda\u00e7\u00e3o de Maria teve um tal impacto que o menino saltou de alegria no ventre de Isabel, e Isabel\u00a0<em>ficou cheia<\/em>\u00a0(<em>epl\u00easth\u00ea<\/em>) de Esp\u00edrito Santo (Lucas 1,41), e exclamou com voz grande: \u00ab<em>Bendita<\/em>\u00a0(<em>eulog\u00eam\u00e9n\u00ea<\/em>) tu entre as mulheres\u00bb (Lucas 1,42). Os dois verbos gregos encontram-se na forma passiva, o que indica que \u00e9 Deus que est\u00e1 em a\u00e7\u00e3o. As a\u00e7\u00f5es e o vocabul\u00e1rio lembram o transporte da Arca da Alian\u00e7a por David (2 Samuel 6,2-11) e as palavras de Ozias, chefe da cidade de Bet\u00falia, a Judite (Judite 13,18). E as palavras seguintes de Isabel s\u00e3o tamb\u00e9m cheias de significado: \u00abDe onde (<em>p\u00f3then<\/em>) me \u00e9 dado que venha ter comigo a M\u00e3e do meu Senhor?\u00bb (Lucas 1,43).\u00a0<em>P\u00f3then<\/em>\u00a0indica sempre Deus. O t\u00edtulo \u00abSenhor\u00bb (<em>k\u00fdrios<\/em>) reflete j\u00e1 em prolepse a f\u00e9 pascal da comunidade crist\u00e3. Sem nunca referir o nome de Maria, Isabel define-a empregando tr\u00eas t\u00edtulos que a p\u00f5em em rela\u00e7\u00e3o com o plano de Deus: \u00abBendita\u00bb (Lucas 1,42), que traduz a a\u00e7\u00e3o de Deus em Maria, \u00abM\u00e3e do meu Senhor\u00bb (Lucas 1,43), que traduz a identidade de Maria e a de Jesus, e \u00abFeliz aquela que acreditou\u00bb (Lucas 1,45), empregando um macarismo que apresenta Maria como modelo de f\u00e9 na promessa divina (cf. Lucas 11,27).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. A segunda joia da Escritura Santa, que hoje nos \u00e9 dado contemplar, \u00e9 o texto singular da profecia de Miqueias 5,1-4, que come\u00e7a: \u00abE tu, Bel\u00e9m de \u00c9frata, pequena entre os cl\u00e3s de Jud\u00e1, de ti sair\u00e1 para mim aquele que ser\u00e1 o governador (<em>m\u00f4shel<\/em>) de Israel\u00bb (Miqueias 5,1). E termina, afirmando: \u00abE ele ser\u00e1 a Paz!\u00bb (Miqueias 5,4).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Postando-se na esteira de luz de Isa\u00edas, Miqueias v\u00ea tamb\u00e9m que vai nascer um mundo novo. Mas de forma diferente do citadino Isa\u00edas, o campon\u00eas Miqueias n\u00e3o v\u00ea o mundo novo provir do Pal\u00e1cio ou do Templo da capital. Do Pal\u00e1cio e do Templo, do Rei e dos Sacerdotes, o humilde Miqueias apenas v\u00ea sair explora\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o, opul\u00eancia, mentira e viol\u00eancia. \u00c9 por isso que Miqueias critica asperamente os grandes da Capital que esbulham o povo, cortando a sua carne aos peda\u00e7os, e metendo-a na panela (Miqueias 3). Por isso, quando Miqueias ousa sonhar e vislumbrar um mundo novo, n\u00e3o \u00e9 para a Capital que ele olha, mas para a prov\u00edncia. E o condutor deste mundo novo n\u00e3o \u00e9 um Rei nem um filho de Rei, mas um\u00a0<em>m\u00f4shel<\/em>, um contador de hist\u00f3rias ou de par\u00e1bolas (<em>m<sup>e<\/sup>shal\u00eem<\/em>, sing.\u00a0<em>mashal<\/em>), portanto, um guia s\u00e1bio, simples e direto e penetrante, como Jesus, que guiar\u00e1 o mundo com o calor do sol e o sabor do sal da sua humilde sabedoria. Genial esta avenida de sentido que atravessa as Escrituras Santas: Miqueias canta um\u00a0<em>m\u00f4shel<\/em>, um contador de hist\u00f3rias e de par\u00e1bolas, como condutor de um mundo novo; os Evangelhos apresentam Jesus, que fala apenas em par\u00e1bolas, e sem par\u00e1bolas nada lhes falava (Mateus 13,34; Marcos 4,34). E n\u00f3s sabemos bem que Jesus n\u00e3o nos guia com ex\u00e9rcitos e carros de combate, leis, pol\u00edcia, alf\u00e2ndega ou pesados impostos, mas com a brancura dos l\u00edrios do campo e a inocente alegria dos p\u00e1ssaros do c\u00e9u! \u00c9 por isso que Miqueias evita Jerusal\u00e9m, e se volta para Bel\u00e9m. Os Evangelistas Mateus e Lucas saber\u00e3o ler muito bem esta preciosa indica\u00e7\u00e3o de Miqueias.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. A terceira joia \u00e9 o texto da Carta aos Hebreus 10,5-10, em que Cristo supera ao mesmo tempo o sacerd\u00f3cio antigo e os sacrif\u00edcios rituais da antiga liturgia do Templo. Cristo \u00e9 o novo Sumo-Sacerdote que inaugura um culto novo, oferecendo-se a si mesmo ao Pai, por n\u00f3s, para n\u00f3s. N\u00f3s somos do tempo, n\u00e3o das coisas e dos animais, ofertas exteriores a n\u00f3s, mas da oferta pessoal.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Enfim, o Salmo 80, \u00e9 um c\u00e2ntico atravessado pelo sofrimento, porque Deus parece ter abandonado a sua vinha, o seu povo, mas v\u00ea-se emergir ao mesmo tempo uma f\u00e9 inabal\u00e1vel na a\u00e7\u00e3o renovadora de Deus, que h\u00e1 de levantar o seu povo. Vai nesse sentido tamb\u00e9m, do meio do sofrimento que sentimos \u00e0 nossa volta, o nosso desejo expresso de ver o rosto de Deus: \u00abMostrai-nos, Senhor, o vosso rosto, e seremos salvos!\u00bb, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de refr\u00e3o que atravessa este Salmo (Sl 80,4.8.15.20). E o Natal do Senhor ali t\u00e3o perto!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mq 5,1-4; Sl 80; Hb 10,5-10; Lc 1,39-45 1. 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