{"id":3995104740,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12742-domingo-iii-do-tempo-comum-quando-deus-vem-ve-faz-e-chama"},"modified":"2025-11-07T16:33:59","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:59","slug":"domingo-iii-do-tempo-comum-quando-deus-vem-ve-faz-e-chama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iii-do-tempo-comum-quando-deus-vem-ve-faz-e-chama\/","title":{"rendered":"Domingo III do Tempo Comum: \u00abQuando Deus vem, v\u00ea, faz e chama\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">1 Jn 3,1-5.10; Sl 25; 1 Cor 7,29-31; Mc 1,14-20<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Neste Domingo III do Tempo Comum \u00e9-nos dada a gra\u00e7a de escutar o Evangelho de Marcos 1,14-20. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que Jesus surge em cena. J\u00e1 o t\u00ednhamos contemplado a dirigir-se da Galileia para o Rio Jord\u00e3o, para ser batizado por Jo\u00e3o Batista (Marcos 1,9). Mas ainda n\u00e3o t\u00ednhamos ouvido a sua voz. Ouvimo-la agora pela primeira vez. Ser\u00e3o ent\u00e3o dizeres importantes e program\u00e1ticos, isto \u00e9, indicadores da miss\u00e3o que vem desempenhar.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Mas antes de ouvirmos, pela primeira vez, a voz de Jesus, anotemos desde j\u00e1 dois not\u00e1veis dizeres do narrador, que atravessam em filigrana o inteiro Evangelho de Marcos, unindo os caminhos e os destinos de Jo\u00e3o Batista, de Jesus e dos seus disc\u00edpulos. O primeiro \u00e9 este: \u00abDepois de Jo\u00e3o\u00a0<em>ter sido entregue<\/em>\u00a0(<em>paradoth\u00eanai<\/em>: inf. aor. pass. de\u00a0<em>parad\u00edd\u00f4mi<\/em>)\u00bb (Marcos 1,14a). Trata-se de uma prolepse, que serve para ver j\u00e1 o que ir\u00e1 suceder tamb\u00e9m a Jesus, acerca de quem o verbo ser\u00e1 usado por 13 vezes neste Evangelho (Marcos 3,19; 9,31; 10,33; 14,10.11.18.21.41.42.44; 15,1.10.15), e aos seus disc\u00edpulos (Marcos 13,9.11.12). O segundo \u00e9 o uso do verbo\u00a0<em>anunciar<\/em>\u00a0(<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) para traduzir o afazer primeiro de Jesus (Marcos 1,14b). E, mais uma vez, este verbo \u00e9 um fio condutor que une Jesus (Marcos 1,14.38.39), Jo\u00e3o Batista (Marcos 1,4.7), os Doze (Marcos 3,14; 6,12), algumas pessoas curadas por Jesus (Marcos 1,45; 5,20; 7,36) e a Igreja de Jesus (Marcos 13,10; 14,9). Mas o verbo grego\u00a0<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>\u00a0(anunciar), antes de nos fazer dizer ou escutar mensagens, implica a radical fidelidade do anunciador ou mensageiro em rela\u00e7\u00e3o a quem lhe confia a mensagem e o envia a anunci\u00e1-la. Fica, portanto, claro que, antes de pregar, ensinar e curar, Jesus, os seus disc\u00edpulos, a sua Igreja, t\u00eam de ser mensageiros fi\u00e9is, sempre vinculados a Deus, e a sua primeira miss\u00e3o \u00e9 testemunhar esta proximidade e compromisso. Em poucas palavras: o mensageiro tem de ser transparente e deixar ver em contraluz aquele que o envia. E pode perceber-se agora bem o conte\u00fado da mensagem: \u00abO Evangelho de Deus\u00bb (Marcos 1,14b). Sem equ\u00edvocos ent\u00e3o: a primeira coisa que fica expressa com esta linguagem \u00e9 que Jesus, o seu precursor (Jo\u00e3o Batista) e os seus seguidores (disc\u00edpulos), se apresentam completamente vinculados a Deus e ao seu Evangelho [= \u00abNot\u00edcia Feliz\u00bb], vivem de Deus e da Sua Not\u00edcia Boa, n\u00e3o agem por conta pr\u00f3pria, n\u00e3o s\u00e3o emissores da sua pr\u00f3pria sabedoria ou opini\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. E a\u00ed est\u00e1 ent\u00e3o o primeiro dizer de Jesus, articulado em duas declara\u00e7\u00f5es insepar\u00e1veis: \u00abFoi cumprido (<em>pepl\u00earotai<\/em>: perf. pass. de\u00a0<em>pl\u00ear\u00f3\u00f4<\/em>) o tempo (<em>ho kair\u00f3s<\/em>), e fez-se pr\u00f3ximo (<em>\u00eaggiken<\/em>: perf. de\u00a0<em>egg\u00edz\u00f4<\/em>) o Reino de Deus (<em>he basile\u00eda to\u00fb theo\u00fb<\/em>)\u00bb (Marcos 1,15). O acento cai sobre os dois perfeitos verbais que abrem enfaticamente as declara\u00e7\u00f5es, e revelam que o Evangelho \u00e9 em primeiro lugar o an\u00fancio da inciativa divina, Deus em a\u00e7\u00e3o, que abre ao homem novas e belas perspetivas. O perfeito passivo (<em>pepl\u00earotai<\/em>), que qualifica o\u00a0<em>kair\u00f3s<\/em>, indica bem que Jesus n\u00e3o se refere a qualquer segmento de tempo cronol\u00f3gico, mas \u00e0quele tempo e modo espec\u00edfico da interven\u00e7\u00e3o definitiva de Deus e da adequada resposta humana. S\u00f3 Deus pode agir sobre o tempo cronol\u00f3gico, tornando-o\u00a0<em>kair\u00f3s<\/em>, isto \u00e9, tempo gr\u00e1vido de alegria, de esperan\u00e7a e de salva\u00e7\u00e3o. Uma vez mais, o\u00a0<em>an\u00fancio<\/em>\u00a0precede a ordem: Jesus n\u00e3o come\u00e7a com normas e exig\u00eancias, mas assinala quanto Deus j\u00e1 fez e est\u00e1 a fazer, por sua gratuita iniciativa, em nosso favor. S\u00f3 depois, e como normal consequ\u00eancia, surgem na boca de Jesus dois imperativos: \u00ab<em>Convertei-vos<\/em>\u00a0(<em>matanoe\u00eete<\/em>) e\u00a0<em>acreditai<\/em>\u00a0(<em>piste\u00faete<\/em>) no Evangelho\u00bb (Marcos 1,15), que traduzem o que compete aos homens fazer. Jesus n\u00e3o \u00e9 um moralista, nem sequer um Evangelizador. Ele \u00e9 o Evangelho e o Evangelizador.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Vem logo, para n\u00e3o se afastar da fonte, o tempo de chamar, de romper amarras, de \u00abir atr\u00e1s de\u00bb de Jesus que passa (Marcos 1,16-20). Mas tudo come\u00e7a ainda com o\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0e o\u00a0<em>fazer<\/em>\u00a0primeiros e criadores de Jesus. Jesus\u00a0<em>viu<\/em>\u00a0(<em>e\u00eeden<\/em>) Sim\u00e3o e Andr\u00e9, que lan\u00e7avam as redes ao mar, pois eram pescadores (Marcos 1,16), e disse-lhes: \u00abVinde atr\u00e1s de mim, e\u00a0<em>farei<\/em>\u00a0(<em>poi\u00eas\u00f4<\/em>) que vos torneis pescadores de homens\u00bb (Marcos 1,17). Verbos-chave:\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0e\u00a0<em>fazer<\/em>. \u00c9 o\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0e o\u00a0<em>fazer<\/em>\u00a0do Criador, como se l\u00ea no cen\u00e1rio da Cria\u00e7\u00e3o (G\u00e9nesis 1). Continuando a passar, Jesus\u00a0<em>viu<\/em>\u00a0Tiago e Jo\u00e3o, que estavam com o seu pai, na barca, a remendar as redes (Marcos 1,19). Logo os chamou, e eles, deixando o pai na barca, foram \u00abatr\u00e1s dele\u00bb (Marcos 1,20). Est\u00e1 em cena um verdadeiro chamamento de Jesus. \u00c9 dele toda a iniciativa. N\u00e3o s\u00e3o os disc\u00edpulos que se apresentam a Jesus, pedindo trabalho. E n\u00e3o \u00e9 como colaboradores, com remunera\u00e7\u00e3o e f\u00e9rias asseguradas, que Jesus os assume. Jesus apenas\u00a0<em>v\u00ea<\/em>\u00a0e\u00a0<em>chama<\/em>. Espanta aquele \u00abimediatamente, deixando as redes, seguiram-no\u00bb (Marcos 1,18). Sem retic\u00eancias nem calculismos. E nem sequer sabem onde os conduzir\u00e1 o caminho em que agora entram. Confian\u00e7a total em Jesus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Consideradas as condi\u00e7\u00f5es de trabalho em que os quatro pescadores estavam envolvidos, e a import\u00e2ncia da pesca no mundo pobre da Galileia, a ordem de Jesus parece completamente disruptiva. Mas a resposta dos chamados \u00e9 excessiva, imediata e radical: \u00abImediatamente (<em>euth\u00e9\u00f4s<\/em>), deixando as redes, seguiram-no!\u00bb (Marcos 1,18). Note-se, no entanto, que aquele \u00abVinde atr\u00e1s de mim\u00bb n\u00e3o tem o tom de um convite; \u00e9 uma exig\u00eancia. N\u00e3o se trata tanto do dizer de um Mestre, mas de um Profeta, ao jeito do chamamento de Elias a Eliseu (cf. 1 Reis 19,19-21). \u00c9 normal os disc\u00edpulos seguirem o Mestre, \u00abatr\u00e1s do Mestre\u00bb, mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 usual ser o Mestre a cham\u00e1-los; s\u00e3o os disc\u00edpulos que devem procurar um Mestre. Por outro lado ainda, a atividade pr\u00f3pria do Mestre \u00e9 ensinar, mas no caso deste chamamento, Jesus parece ter em vista uma estranha atividade de pesca: \u00abfarei que vos torneis pescadores de homens\u00bb. Compreende-se a met\u00e1fora da pesca no seguimento da ocupa\u00e7\u00e3o acabada de descrever daqueles quatro chamados, mas fica em aberto a natureza da nova pesca acenada por Jesus: de qu\u00ea e para qu\u00ea pescar pessoas? Jeremias 16,16 p\u00f5e Deus a falar e a dizer: \u00abEnviarei muitos pescadores para a pesca, e pesc\u00e1-los-\u00e3o\u00bb. \u00c9 a mesma met\u00e1fora da pesca, mas trata-se aqui de reunir os pecadores para o julgamento. \u00c9 aqui que encaixa a pesca proposta por Jesus face \u00e0 Vinda do Reino de Deus. Da\u00ed tamb\u00e9m a exig\u00eancia da convers\u00e3o ordenada por Jesus. E a for\u00e7a daquele chamamento feito por Jesus \u00e0queles pescadores. Lendo outra vez as palavras de Jesus, percebemos que n\u00e3o se trata de convidar, mas de exigir, m\u00e9todo de Profeta, e n\u00e3o de Mestre. E falar de \u00abpescadores para pescar homens\u00bb \u00e9 tamb\u00e9m linguagem prof\u00e9tica e tem em vista o julgamento de Deus. O chamamento disruptivo de Jesus e a resposta radical destes pescadores compreende-se na\u00a0<em>urg\u00eancia<\/em>\u00a0criada pela proximidade do Reino de Deus, a que nada se deve antepor. Nada \u00e9\u00a0<em>primeiro<\/em>\u00a0em rela\u00e7\u00e3o ao Reino de Deus: nem sepultar o pr\u00f3prio pai ou despedir-se dos familiares (Lucas 9,59-61). \u00abQuem lan\u00e7a as m\u00e3os ao arado e olha para tr\u00e1s n\u00e3o est\u00e1 apto para o Reino de Deus\u00bb (Lucas 9,62). E o Reino de Deus n\u00e3o tem fronteiras, nem bandeiras, nem moeda pr\u00f3pria. N\u00e3o est\u00e1 aqui ou ali. N\u00e3o \u00e9 deste mundo. O Reino de Deus \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus Cristo com o Esp\u00edrito Santo. Ele \u00e9 o Reino em pessoa (<em>h\u00ea autobasile\u00eda<\/em>), conforme o belo dizer de Or\u00edgenes. \u00c9, ent\u00e3o, face a Ele que nos devemos converter. \u00c9 a voz dele que temos de ouvir. \u00c9 o seu caminho que temos de seguir. O Reino de Deus, Jesus, p\u00f5e-nos em cheque e em causa. Da\u00ed a urg\u00eancia da convers\u00e3o, daquele chamamento e daquela resposta urgente.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Perante o que nos \u00e9 dado ver, uma primeira pergunta nos assalta, irrompendo sobre n\u00f3s como uma onda s\u00fabita: Quem pode dar uma ordem assim absoluta? Mas, ainda antes de esbo\u00e7armos a resposta, j\u00e1 uma segunda vaga, que tempera a primeira, cai sobre n\u00f3s: Quem merece uma tal confian\u00e7a?<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Temos hoje a gra\u00e7a de ouvir um bocadinho da profecia de Jonas e dos trejeitos que o chamamento de Deus desencadeia na sua vida (3,1-5.10). \u00abJonas, o hebreu\u00bb (Jonas 1,9), bem ouve o chamamento e a ordem de Deus para ir pregar contra N\u00ednive, a cidade inimiga (Jonas 1,1-2). \u00c0 primeira vista, devia Jonas levar por diante a sua miss\u00e3o com prazer, pois tratava-se de ir dizer \u00e0 cidade inimiga que Deus tinha decretado o seu fim. Mas Jonas n\u00e3o quer ir, e n\u00e3o \u00e9 por sentir piedade de N\u00ednive. Bem pelo contr\u00e1rio. Jonas sabe que Deus \u00e9 um Deus gratificante e misericordioso (<em>hann\u00fbn w<sup>e<\/sup>rah\u00fbm<\/em>), que se arrepende do mal (Jonas 4,2). E Jonas sabe tamb\u00e9m que, indo dizer a N\u00ednive: \u00abAinda quarenta dias e N\u00ednive ser\u00e1 destru\u00edda\u00bb (Jonas 3,4), os habitantes de N\u00ednive mudar\u00e3o a sua vida, o que levar\u00e1 Deus a mudar tamb\u00e9m o seu plano e a n\u00e3o destruir a cidade. \u00c9 porque sabe tudo isto e quer mesmo que N\u00ednive seja castigada, que Jonas n\u00e3o quer ir l\u00e1 pregar. Na verdade, apanha, no porto de Jafa, um navio que vai para T\u00e1rsis, para ocidente e n\u00e3o para oriente, para fugir de Deus e da miss\u00e3o que Deus lhe confiou (Jonas 1,3). Mas Deus \u00e9 mais forte, e Jonas acaba, por vias travessas, por ir parar a N\u00ednive. \u00c9 a contragosto que prega. E quando verifica que os ninivitas se converteram, o que ele j\u00e1 sabia que iria acontecer, e que Deus tamb\u00e9m amava N\u00ednive, Jonas foi tomado por grande desgosto (Jonas 4,1), e pede mesmo a Deus que lhe d\u00ea a morte (Jonas 4,3), pois a vida assim deixou de ter sentido para ele.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Vendo melhor as coisas, \u00abJonas, o hebreu\u00bb, est\u00e1 com certeza na viragem do s\u00e9culo V para o s\u00e9culo IV, \u00e9poca de Esdras, que manda dissolver os matrim\u00f3nios mistos contra\u00eddos pelos exilados durante o Ex\u00edlio ou ap\u00f3s o regresso a Si\u00e3o (Esdras 10; cf. Deuteron\u00f3mio 7,3). Com esta medida, que deve ter tido um enorme impacto na consci\u00eancia judaica, os conservadores como que cancelavam da sua hist\u00f3ria o catastr\u00f3fico epis\u00f3dio do Ex\u00edlio, lan\u00e7ando uma ponte que ligava a nova \u00e9poca judaica diretamente ao antes do Ex\u00edlio. A personagem Jonas incarna bem este Israel particularista e m\u00edope, ao contr\u00e1rio do autor do Livro, que testemunha admiravelmente um universalismo salv\u00edfico pr\u00f3ximo j\u00e1 do esp\u00edrito do NT. Jonas representa o juda\u00edsmo fechado, que pensa que se salvar\u00e1, fechando-se sobre si mesmo. Esta tenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afeta a Igreja, e tamb\u00e9m a n\u00f3s, de tempos a tempos. \u00c0s vezes s\u00f3 vemos inimigos ao redor, e amuralhamo-nos. Vistas as coisas do lado de um Deus que ama a todos, s\u00f3 nos \u00e9 permitido abrir todas as portas e a todos escancarar o cora\u00e7\u00e3o. Um cora\u00e7\u00e3o inquinado asfixia e morre, e tamb\u00e9m mata.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. A li\u00e7\u00e3o do Ap\u00f3stolo \u00e9 hoje breve e intensa (1 Cor\u00edntios 7,29-31). S\u00e3o Paulo come\u00e7a por dizer, em tradu\u00e7\u00e3o literal: \u00abO tempo (<em>ho kair\u00f3s<\/em>) j\u00e1 est\u00e1 a enrolar as velas (<em>synestalm\u00e9nos<\/em>: perf. pass. de\u00a0<em>sy(v)-st\u00e9ll\u00f4<\/em>)\u00bb (1 Cor\u00edntios 7,29). Entenda-se: o tempo da oportunidade dada, da enchente da Palavra de Deus por n\u00f3s j\u00e1 respondida ou ainda n\u00e3o, est\u00e1 a chegar ao fim; j\u00e1 est\u00e1 a enrolar as velas, como fazem os marinheiros quando a embarca\u00e7\u00e3o se aproxima da terra. E termina, afirmando: \u00abPassa, na verdade, o esquema (<em>t\u00f2 sch\u00eama<\/em>) deste mundo\u00bb (1 Cor\u00edntios 7,31). Bem entendido: \u00abO (filme) que passa na tela \u00e9 este mundo!\u00bb. Se assim \u00e9, devemos aprender a saber relativizar a maneira como habitualmente nos agarramos \u00e0s nossas ideias feitas e \u00e0s coisas deste mundo, desde o casamento, aos bens possu\u00eddos, aos neg\u00f3cios, aos curr\u00edculos, aos primeiros lugares. Grande li\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo em 1 Cor\u00edntios 7,29-31. A nossa voca\u00e7\u00e3o traduz-se na ades\u00e3o ao \u00daltimo, que reclama o desprendimento do pen\u00faltimo e um amor desmedido.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. O Salmo 25, que hoje fica a ecoar no nosso pobre cora\u00e7\u00e3o, mostra-nos um fino e delicado jogo de olhares entre o orante fiel e um Deus sensibil\u00edssimo, que olha para n\u00f3s sempre com ternura paternal, ref\u00fagio permanente para os pobres e pecadores. Deixo aqui a ressoar as palavras da grande m\u00edstica mu\u00e7ulmana do s\u00e9culo VIII, Rabi?a, que viveu em Bassor\u00e1, no Iraque, e que, para responder \u00e0 pergunta que lhe foi feita: \u00abComo chegaste a um grau t\u00e3o elevado na vida espiritual?\u00bb, respondeu: \u00abRepetindo ininterruptamente: \u201cMeu Deus, refugio-me em ti para me defender de tudo o que me distrai de ti, e de todo o obst\u00e1culo que se interp\u00f5e entre mim e ti\u201d\u00bb (<em>I detti di Rabi?a<\/em>, IV).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Lembramos que a Igreja celebra neste Domingo III do Tempo Comum o Domingo da Palavra de Deus. Com a Carta Apost\u00f3lica\u00a0<em>Aperuit Illis<\/em>\u00a0[\u00ab<em>Abriu-lhes<\/em>\u00a0o entendimento para compreenderem as Escrituras\u00bb (Lc 24,45)], sob a forma de\u00a0<em>Motu proprio<\/em>, datada de 30 de setembro de 2019, mem\u00f3ria lit\u00fargica de S\u00e3o Jer\u00f3nimo e abertura da celebra\u00e7\u00e3o do 1600.\u00ba anivers\u00e1rio da sua morte (30 de setembro do ano 420), o Papa Francisco instituiu esta celebra\u00e7\u00e3o anual neste Domingo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. \u00c9 uma feliz oportunidade para toda a Igreja se debru\u00e7ar com venera\u00e7\u00e3o sobre a Palavra de Deus, que deve escutar com amor e dilig\u00eancia, e da mesma maneira viver e anunciar, dado que a Palavra de Deus constitui para o crist\u00e3o alimento indispens\u00e1vel. S. Jer\u00f3nimo dedicou-lhe toda a sua vida e aten\u00e7\u00e3o, e deixou escrita esta maravilha: \u00abQue alimentos ou que doces s\u00e3o mais saborosos do que o conhecimento de Deus, a contempla\u00e7\u00e3o do pensamento do Criador, a instru\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus? Que os outros possuam as suas riquezas! Para n\u00f3s, seja a nossa del\u00edcia a medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus dia e noite\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">13. Escreveu ele ainda: \u00abLemos as Sagradas Escrituras. Eu penso que o Evangelho \u00e9 o Corpo de Cristo; penso que as Santas Escrituras s\u00e3o o seu ensinamento. E quando Ele fala em \u201ccomer a minha carne e beber o meu sangue\u201d (Jo\u00e3o 6,53), embora estas palavras se possam entender do Mist\u00e9rio [eucar\u00edstico], todavia tamb\u00e9m a palavra da Escritura, o ensinamento de Deus, \u00e9 verdadeiramente o corpo de Cristo e o seu sangue. Quando vamos receber o Mist\u00e9rio [eucar\u00edstico], se cair uma migalha sentimo-nos perdidos. E, quando estamos a escutar a Palavra de Deus e nos \u00e9 derramada nos ouvidos a Palavra de Deus que \u00e9 carne de Cristo e seu sangue, se nos distrairmos com outra coisa, n\u00e3o incorremos em grande perigo?\u00bb.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 Jn 3,1-5.10; Sl 25; 1 Cor 7,29-31; Mc 1,14-20 1. Neste Domingo III do Tempo Comum \u00e9-nos dada a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2378586270,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-3995104740","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3995104740","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3995104740"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3995104740\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994938,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3995104740\/revisions\/4294994938"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2378586270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3995104740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3995104740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3995104740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}