{"id":4085534083,"date":"2018-01-08T00:00:00","date_gmt":"2018-01-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/7568-vaticano-familia-paz-e-dignidade-humana"},"modified":"2018-01-08T00:00:00","modified_gmt":"2018-01-08T00:00:00","slug":"vaticano-familia-paz-e-dignidade-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/vaticano-familia-paz-e-dignidade-humana\/","title":{"rendered":"Vaticano: \u00abFam\u00edlia\u00bb, \u00abpaz\u00bb e \u00abdignidade humana\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa-corpo_diplomatico_180108100727.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><span>Na tradicional audi\u00eancia aos membros do Corpo Diplom\u00e1tico Francisco lembrou visita a F\u00e1tima e pediu solu\u00e7\u00f5es de &#8220;paz&#8221; para as atuais crises nas duas Coreias e em Jerusal\u00e9m. O Papa lembrou a &#8220;dignidade da vida humana&#8221; e a import\u00e2ncia da &#8220;fam\u00edlia&#8221; na constru\u00e7\u00e3o social.<\/span><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a alocu\u00e7\u00e3o do Papa Francisco.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Excel\u00eancias, Senhoras e Senhores!<\/em><\/p>\n<p>Segundo um belo costume, tenho hoje ocasi\u00e3o de vos encontrar, guardando ainda viva no cora\u00e7\u00e3o a alegria que dimana do Natal, para vos formular, pessoalmente, bons votos para o ano h\u00e1 pouco iniciado e testemunhar a minha proximidade e estima aos povos que representais. Agrade\u00e7o ao Decano do Corpo Diplom\u00e1tico, Senhor Armindo Fernandes do Esp\u00edrito Santo Vieira, Embaixador de Angola, as deferentes palavras que h\u00e1 pouco me dirigiu em nome de todo o Corpo Diplom\u00e1tico acreditado junto da Santa S\u00e9. Dou as boas-vindas aos Embaixadores que vieram, de fora de Roma, para esta ocasi\u00e3o e cujo n\u00famero aumentou depois do estabelecimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a Rep\u00fablica da Uni\u00e3o do Myanmar, em maio passado. Sa\u00fado igualmente os Embaixadores residentes em Roma, em n\u00famero sempre maior, em cujo elenco se conta agora tamb\u00e9m o Embaixador da Rep\u00fablica da \u00c1frica do Sul. Dedico um pensamento particular ao falecido Embaixador da Col\u00f4mbia, Guillermo Le\u00f3n Escobar-Herr\u00e1n, falecido poucos dias antes do Natal. Agrade\u00e7o as rela\u00e7\u00f5es frutuosas e constantes que mantendes com a Secretaria de Estado e restantes Dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana, testemunhando assim o interesse da comunidade internacional pela miss\u00e3o da Santa S\u00e9 e pelo servi\u00e7o da Igreja Cat\u00f3lica nos respetivos pa\u00edses. Nesta perspetiva, coloca-se tamb\u00e9m a atividade pactuante da Santa S\u00e9, que, no ano passado, registou a assinatura, em fevereiro, do Acordo-Quadro com a Rep\u00fablica do Congo e, no m\u00eas de agosto, do Acordo entre a Secretaria de Estado e o Governo da Federa\u00e7\u00e3o Russa relativo \u00e0s viagens sem visto dos titulares de passaportes diplom\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Na rela\u00e7\u00e3o com as autoridades civis, a Santa S\u00e9 nada mais pretende sen\u00e3o favorecer o bem-estar espiritual e material da pessoa humana e a promo\u00e7\u00e3o do bem comum. As viagens apost\u00f3licas que realizei, no ano passado, ao Egito, a Portugal, \u00e0 Col\u00f4mbia, ao Myanmar e ao Bangladesh foram express\u00e3o desta solicitude. A Portugal, desloquei-me como peregrino, no centen\u00e1rio das apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora em F\u00e1tima, para celebrar a canoniza\u00e7\u00e3o dos pastorinhos Jacinta e Francisco Marto. Pude constatar a f\u00e9, cheia de entusiasmo e alegria, que a Virgem Maria suscitou na multid\u00e3o de peregrinos que ent\u00e3o l\u00e1 se reuniu. Tamb\u00e9m no Egito, Myanmar e Bangladesh, pude encontrar as comunidades crist\u00e3s locais que, apesar de numericamente ex\u00edguas, s\u00e3o apreciadas pelo contributo que oferecem para o desenvolvimento e a conviv\u00eancia civil dos respetivos pa\u00edses. N\u00e3o faltaram os encontros com os representantes doutras religi\u00f5es, testemunhando como as peculiaridades de cada uma n\u00e3o s\u00e3o obst\u00e1culo ao di\u00e1logo, mas a seiva que o nutre no desejo comum de conhecer a verdade e praticar a justi\u00e7a. No caso da Col\u00f4mbia, quis aben\u00e7oar os esfor\u00e7os e a coragem daquele amado povo, inflamado por um vivo an\u00e9lito de paz ap\u00f3s mais de meio s\u00e9culo de conflito interno.<\/p>\n<p>Queridos Embaixadores!<\/p>\n<p>No decurso deste ano, tem lugar o centen\u00e1rio do fim da I Guerra Mundial: um conflito que deu nova forma ao rosto da Europa e do mundo inteiro, com a apari\u00e7\u00e3o de novos Estados que tomaram o lugar dos antigos Imp\u00e9rios. Das cinzas da Grande Guerra, podemos retirar duas advert\u00eancias, que a humanidade, infelizmente, n\u00e3o soube compreender de imediato, encontrando-se vinte anos depois a combater um novo conflito, ainda mais devastador que o precedente. A primeira advert\u00eancia: vencer nunca significa humilhar o advers\u00e1rio derrotado. A paz n\u00e3o se constr\u00f3i como afirma\u00e7\u00e3o do poder do vencedor sobre o vencido. N\u00e3o \u00e9 a lei do medo que dissuade de futuras agress\u00f5es, mas a for\u00e7a serena duma razoabilidade que incita ao di\u00e1logo e \u00e0 m\u00fatua compreens\u00e3o para sanar as diferen\u00e7as.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\"><\/a>[1]\u00a0Daqui deriva a segunda advert\u00eancia: a paz consolida-se quando as na\u00e7\u00f5es se podem confrontar num clima de igualdade. Intuiu-o h\u00e1 um s\u00e9culo \u2013 completa-se precisamente hoje \u2013 o ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, Thomas Woodrow Wilson, quando prop\u00f4s a institui\u00e7\u00e3o duma associa\u00e7\u00e3o geral das na\u00e7\u00f5es visando promover \u2013 para todos os Estados, grandes e pequenos, indistintamente \u2013 m\u00fatuas garantias de independ\u00eancia e integridade territorial. Deste modo se lan\u00e7aram, idealmente, as bases daquela diplomacia multilateral que, no decurso dos anos, foi adquirindo um papel e uma influ\u00eancia crescentes no seio da comunidade internacional.<\/p>\n<p>As pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es entre as na\u00e7\u00f5es, tal como as rela\u00e7\u00f5es humanas, devem ser reguladas \u00absegundo as normas da verdade, da justi\u00e7a, da solidariedade operante e da liberdade\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn2\" name=\"_ftnref2\" title=\"\"><\/a>[2]\u00a0Isto sup\u00f5e que \u00abse tenha como princ\u00edpio inviol\u00e1vel a igualdade de todos os povos, pela sua dignidade de natureza\u00bb,<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn3\" name=\"_ftnref3\" title=\"\"><\/a>[3]\u00a0bem como o reconhecimento dos direitos m\u00fatuos, juntamente com o cumprimento dos respetivos deveres.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn4\" name=\"_ftnref4\" title=\"\"><\/a>[4]\u00a0Premissa fundamental desta atitude \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o da dignidade de toda a pessoa humana, cujo desprezo e desrespeito levam a atos de barb\u00e1rie que ofendem a consci\u00eancia da humanidade.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn5\" name=\"_ftnref5\" title=\"\"><\/a>[5]\u00a0Por outro lado, \u00abo reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da fam\u00edlia humana e dos seus direitos iguais e inalien\u00e1veis constitui o fundamento da liberdade, da justi\u00e7a e da paz no mundo\u00bb,<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn6\" name=\"_ftnref6\" title=\"\"><\/a>[6]\u00a0como afirma a\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem<\/em>.<\/p>\n<p>A este documento importante \u2013 setenta anos ap\u00f3s a sua ado\u00e7\u00e3o pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que teve lugar em 10 de dezembro de 1948 \u2013, desejo dedicar o nosso encontro de hoje. Na verdade, para a Santa S\u00e9, falar de direitos humanos significa, antes de mais nada, repropor a centralidade da dignidade da pessoa, enquanto querida e criada por Deus \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a. O pr\u00f3prio Senhor Jesus, ao curar o leproso, restituir a vista ao cego, sentar-se \u00e0 mesa com o publicano, poupar a vida da ad\u00faltera e convidar a tratar do viandante ferido, fez-nos compreender como cada ser humano, independentemente da sua condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, espiritual ou social, seja merecedor de respeito e considera\u00e7\u00e3o. Segundo a perspetiva crist\u00e3, h\u00e1 uma significativa rela\u00e7\u00e3o entre a mensagem evang\u00e9lica e o reconhecimento dos direitos humanos, lidos no esp\u00edrito dos compiladores da\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem<\/em>.<\/p>\n<p>O pressuposto de tais direitos deriva da natureza que acomuna objetivamente o g\u00e9nero humano. E foram enunciados para remover os muros de separa\u00e7\u00e3o que dividem a fam\u00edlia humana e favorecer o que a doutrina social da Igreja designa como\u00a0<em>desenvolvimento humano integral<\/em>, porque deve \u00abpromover todos os homens e o homem todo (&#8230;) at\u00e9 se chegar \u00e0 humanidade inteira\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn7\" name=\"_ftnref7\" title=\"\"><\/a>[7]\u00a0Pelo contr\u00e1rio, uma vis\u00e3o redutiva da pessoa humana abre o caminho \u00e0 difus\u00e3o da injusti\u00e7a, da desigualdade social e da corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todavia deve notar-se que, ao longo dos anos \u2013 sobretudo depois das agita\u00e7\u00f5es sociais de 1968 \u2013, se foi progressivamente modificando a interpreta\u00e7\u00e3o de alguns direitos, a ponto de se incluir uma multiplicidade de \u00abnovos direitos\u00bb, n\u00e3o raro contrapondo-se entre si. Isto nem sempre favoreceu a promo\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es amigas entre as na\u00e7\u00f5es,<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn8\" name=\"_ftnref8\" title=\"\"><\/a>[8]\u00a0porque se afirmaram no\u00e7\u00f5es controversas dos direitos humanos que contrastam com a cultura de muitos pa\u00edses, que, por isso mesmo, n\u00e3o se sentem respeitados nas suas pr\u00f3prias tradi\u00e7\u00f5es socioculturais, antes veem-se transcurados nas necessidades reais que t\u00eam de enfrentar. Consequentemente pode haver o risco \u2013 de certa forma paradoxal \u2013 de que, em nome dos pr\u00f3prios direitos humanos, se venham a instaurar formas modernas de\u00a0<em>coloniza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica<\/em>\u00a0dos mais fortes e dos mais ricos em detrimento dos mais pobres e dos mais fracos. Ao mesmo tempo, \u00e9 bom ter presente que as tradi\u00e7\u00f5es dos diversos povos n\u00e3o podem ser invocadas como pretexto para descurar o devido respeito dos direitos fundamentais enunciados pela\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem<\/em>.<\/p>\n<p>Setenta anos depois, faz pena assinalar como muitos direitos fundamentais s\u00e3o violados ainda hoje. E, primeiro dentre eles, o direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 inviolabilidade de cada pessoa humana.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn9\" name=\"_ftnref9\" title=\"\"><\/a>[9]\u00a0A les\u00e1-los, n\u00e3o s\u00e3o apenas a guerra ou a viol\u00eancia. No nosso tempo, h\u00e1 formas mais sutis: penso antes de mais nada nas crian\u00e7as inocentes, descartadas ainda antes de nascer; \u00e0s vezes n\u00e3o queridas, apenas porque doentes ou malformadas ou pelo ego\u00edsmo dos adultos. Penso nos idosos, tamb\u00e9m eles muitas vezes descartados, sobretudo se est\u00e3o doentes, porque considerados um peso. Penso nas mulheres, que muitas vezes sofrem viol\u00eancias e prepot\u00eancias, mesmo no seio das suas fam\u00edlias. Penso depois em todos aqueles que s\u00e3o v\u00edtimas do tr\u00e1fico de pessoas, que viola a proibi\u00e7\u00e3o de toda e qualquer forma de escravatura. Quantas pessoas, especialmente em fuga da pobreza e da guerra, acabam objeto de tal trafic\u00e2ncia perpetrada por sujeitos sem escr\u00fapulos!<\/p>\n<p>Defender o direito \u00e0 vida e \u00e0 integridade f\u00edsica significa tamb\u00e9m tutelar o direito \u00e0 sa\u00fade da pessoa e dos seus familiares. Hoje, este direito assumiu implica\u00e7\u00f5es que excedem as inten\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias da\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem<\/em>, a qual visava afirmar o direito de cada um a ter os cuidados m\u00e9dicos e os servi\u00e7os sociais necess\u00e1rios.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn10\" name=\"_ftnref10\" title=\"\"><\/a>[10]\u00a0Nesta linha, espero que se trabalhe, nos f\u00f3runs internacionais competentes, por favorecer, antes de tudo, um f\u00e1cil acesso para todos aos cuidados e tratamentos sanit\u00e1rios. \u00c9 importante unir esfor\u00e7os para que se possam adotar pol\u00edticas capazes de garantir, a pre\u00e7os acess\u00edveis, o fornecimento de medicamentos essenciais para a sobreviv\u00eancia das pessoas indigentes, sem transcurar a pesquisa e o desenvolvimento de tratamentos que, embora n\u00e3o relevantes economicamente para o mercado, s\u00e3o cruciais para salvar vidas humanas.<\/p>\n<p>Defender o direito \u00e0 vida implica tamb\u00e9m trabalhar ativamente pela paz, reconhecida universalmente como um dos valores mais altos que se deve procurar e defender. E todavia graves conflitos locais continuam a abrasar v\u00e1rias regi\u00f5es da terra. Os esfor\u00e7os coletivos da comunidade internacional, a a\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria das organiza\u00e7\u00f5es internacionais e as s\u00faplicas incessantes de paz que se elevam das terras ensanguentadas pelos combates parecem ser cada vez menos eficazes perante a l\u00f3gica aberrante da guerra. Um tal panorama n\u00e3o pode fazer diminuir o nosso desejo e o nosso compromisso em prol da paz, cientes de que, sem ela, o desenvolvimento integral do homem se torna inating\u00edvel.<\/p>\n<p>O desarmamento integral e o desenvolvimento integral est\u00e3o intimamente relacionados entre si. Entretanto a busca da paz como condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para o desenvolvimento sup\u00f5e combater a injusti\u00e7a e erradicar, de forma n\u00e3o violenta, as causas da disc\u00f3rdia que levam \u00e0s guerras. A prolifera\u00e7\u00e3o de armas agrava claramente as situa\u00e7\u00f5es de conflito e implica enormes custos humanos e materiais, deteriorando assim o desenvolvimento e a busca duma paz duradoura. O resultado hist\u00f3rico alcan\u00e7ado no ano passado com a ado\u00e7\u00e3o do Tratado sobre a Proibi\u00e7\u00e3o das Armas Nucleares, no termo da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas cuja finalidade era precisamente negociar um instrumento juridicamente vinculativo para proibir as armas nucleares, mostra como permanece vivo o desejo de paz. A promo\u00e7\u00e3o da cultura da paz para um desenvolvimento integral exige esfor\u00e7os perseverantes em ordem ao desarmamento e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do recurso \u00e0 for\u00e7a armada na gest\u00e3o dos assuntos internacionais. Por isso desejo encorajar, sobre o tema, um debate sereno e o mais amplo poss\u00edvel, que evite polariza\u00e7\u00f5es da comunidade internacional numa quest\u00e3o t\u00e3o delicada. Todo o esfor\u00e7o nesta dire\u00e7\u00e3o, por mais modesto que seja, constitui um resultado importante para a humanidade.<\/p>\n<p>Por sua vez, a Santa S\u00e9 assinou e ratificou, tamb\u00e9m em nome e por incumb\u00eancia do Estado da Cidade do Vaticano, o Tratado sobre a Proibi\u00e7\u00e3o das Armas Nucleares, na perspetiva expressa por\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/vatican\/pt\/holy-father\/giovanni-xxiii.html\">S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII<\/a>\u00a0na enc\u00edclica\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>, segundo a qual \u00aba justi\u00e7a, a reta raz\u00e3o e o sentido da dignidade humana terminantemente exigem que se pare com essa corrida ao poderio militar; que o material de guerra, instalado em v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es, se v\u00e1 reduzindo duma parte e doutra, simultaneamente; que sejam banidas as armas at\u00f3micas\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn11\" name=\"_ftnref11\" title=\"\"><\/a>[11]\u00a0Na verdade, mesmo \u00abse parece dif\u00edcil que haja pessoas capazes de assumir a responsabilidade das mortes e incomensur\u00e1veis destrui\u00e7\u00f5es que a guerra provocaria, n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel que um facto imprevis\u00edvel e incontrol\u00e1vel possa inesperadamente atear esse inc\u00eandio [duma guerra nuclear]\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn12\" name=\"_ftnref12\" title=\"\"><\/a>[12]<\/p>\n<p>Por conseguinte, a Santa S\u00e9 reitera a firme \u00abpersuas\u00e3o de que com negocia\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o com armas, devem ser dirimidas as eventuais controv\u00e9rsias entre os povos\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn13\" name=\"_ftnref13\" title=\"\"><\/a>[13]\u00a0Ali\u00e1s a incessante produ\u00e7\u00e3o de armas cada vez mais sofisticadas e \u201caperfei\u00e7oadas\u201d e o prolongamento de numerosos surtos de conflito \u2013 daquela que v\u00e1rias vezes designei por \u00abterceira guerra mundial aos peda\u00e7os\u00bb \u2013 n\u00e3o pode sen\u00e3o fazer-nos repetir vigorosamente estas palavras do meu santo Predecessor: \u00abN\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel pensar que, nesta nossa era at\u00f3mica, a guerra seja um meio apto par ressarcir direitos violados. (&#8230;) Contudo, \u00e9 l\u00edcito esperar que os homens, por meio de encontros e negocia\u00e7\u00f5es, venham a conhecer melhor os la\u00e7os comuns de natureza que os unem e assim possam compreender a beleza de uma das mais profundas exig\u00eancias da natureza humana, a de que reine entre eles e as suas respetivas na\u00e7\u00f5es, n\u00e3o o temor, mas o amor, um amor que antes de tudo leve os homens a uma colabora\u00e7\u00e3o leal, multiforme, portadora de in\u00fameros bens\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn14\" name=\"_ftnref14\" title=\"\"><\/a>[14]<\/p>\n<p>Nesta perspetiva, \u00e9 de suma import\u00e2ncia que se sustente toda a tentativa de di\u00e1logo na pen\u00ednsula coreana, a fim de se encontrar novos caminhos para superar as contraposi\u00e7\u00f5es atuais, aumentar a confian\u00e7a m\u00fatua e garantir um futuro de paz ao povo coreano e ao mundo inteiro.<\/p>\n<p>De igual modo, \u00e9 importante que possam continuar, num clima propugnador de maior confian\u00e7a entre as partes, as v\u00e1rias iniciativas de paz em curso a favor da S\u00edria, para que se consiga finalmente encerrar o longo conflito que envolveu o pa\u00eds e provocou imensos sofrimentos. Os votos de todos n\u00f3s s\u00e3o que, depois de tanta destrui\u00e7\u00e3o, tenha chegado o tempo de reconstruir. Mas, ainda mais que a constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios, \u00e9 necess\u00e1rio reconstruir os cora\u00e7\u00f5es, voltar a tecer a tape\u00e7aria da m\u00fatua confian\u00e7a, premissa imprescind\u00edvel para o florescimento de qualquer sociedade. Por isso, \u00e9 preciso trabalhar para promover as condi\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, pol\u00edticas e de seguran\u00e7a, em ordem a uma retomada da vida social, onde cada cidad\u00e3o, independentemente da sua perten\u00e7a \u00e9tnica e religiosa, possa participar no desenvolvimento do pa\u00eds. Neste sentido, \u00e9 vital tutelar as minorias religiosas, entre as quais se contam os crist\u00e3os, que h\u00e1 s\u00e9culos contribuem ativamente para a hist\u00f3ria da S\u00edria.<\/p>\n<p>\u00c9 igualmente importante que possam regressar \u00e0 p\u00e1tria os numerosos refugiados que encontraram acolhimento e ref\u00fagio nas na\u00e7\u00f5es vizinhas, especialmente na Jord\u00e2nia, L\u00edbano e Turquia. O empenho e o esfor\u00e7o, realizados por tais pa\u00edses nesta circunst\u00e2ncia dif\u00edcil, merecem o apre\u00e7o e o apoio de toda a comunidade internacional, que ao mesmo tempo \u00e9 chamada a trabalhar em ordem a criar as condi\u00e7\u00f5es para o repatriamento dos refugiados origin\u00e1rios da S\u00edria. \u00c9 um compromisso que aquela deve assumir concretamente a come\u00e7ar pelo L\u00edbano, para que este amado pa\u00eds continue a ser uma \u00abmensagem\u00bb de respeito e conviv\u00eancia e um modelo a imitar por toda a regi\u00e3o e pelo mundo inteiro.<\/p>\n<p>A vontade de di\u00e1logo \u00e9 necess\u00e1ria tamb\u00e9m no amado Iraque, para que as v\u00e1rias componentes \u00e9tnicas e religiosas possam reencontrar o caminho da reconcilia\u00e7\u00e3o, conviv\u00eancia pac\u00edfica e colabora\u00e7\u00e3o, bem como no I\u00e9men e noutras partes da regi\u00e3o, e ainda no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma palavra particular, dirijo aos israelitas e palestinenses, na sequ\u00eancia das tens\u00f5es das \u00faltimas semanas. A Santa S\u00e9, ao exprimir o seu pesar por quantos perderam a vida nos recentes confrontos, renova o seu premente apelo a ponderar bem cada iniciativa para que se evite de exacerbar as contraposi\u00e7\u00f5es e convida a um esfor\u00e7o comum por respeitar, em conformidade com as pertinentes Resolu\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o\u00a0<em>status quo<\/em>\u00a0de Jerusal\u00e9m, cidade santa para crist\u00e3os, judeus e mu\u00e7ulmanos. Setenta anos de confrontos tornam extremamente urgente encontrar uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que consinta a presen\u00e7a na regi\u00e3o de dois Estados independentes dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas. Apesar das dificuldades, a vontade de dialogar e retomar as negocia\u00e7\u00f5es permanece a via-mestra para se chegar finalmente a uma coexist\u00eancia pac\u00edfica dos dois povos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no seio de contextos nacionais, s\u00e3o essenciais a abertura e a disponibilidade a encontrar-se. Penso especialmente na querida Venezuela, que est\u00e1 atravessando uma crise pol\u00edtica e humanit\u00e1ria cada vez mais dram\u00e1tica e sem precedentes. A Santa S\u00e9, ao mesmo tempo que exorta a responder sem demora \u00e0s necessidades prim\u00e1rias da popula\u00e7\u00e3o, almeja que se criem as condi\u00e7\u00f5es para que as elei\u00e7\u00f5es, agendadas para o ano em curso, sejam capazes de dar solu\u00e7\u00e3o aos conflitos existentes, e se possa olhar de novo com serenidade para o futuro.<\/p>\n<p>A comunidade internacional n\u00e3o esque\u00e7a tamb\u00e9m o sofrimento em muitas partes do continente africano, especialmente no Sud\u00e3o do Sul, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Som\u00e1lia, Nig\u00e9ria e Rep\u00fablica Centro-Africana, onde o direito \u00e0 vida est\u00e1 amea\u00e7ado pela explora\u00e7\u00e3o indiscriminada dos recursos, pelo terrorismo, pela prolifera\u00e7\u00e3o de grupos armados e por prolongados conflitos. N\u00e3o basta indignar-se perante tanta viol\u00eancia! \u00c9 preciso que cada um, no seu pr\u00f3prio \u00e2mbito, trabalhe ativamente por remover as causas da mis\u00e9ria e construir pontes de fraternidade, premissa fundamental para um desenvolvimento humano aut\u00eantico.<\/p>\n<p>Um esfor\u00e7o comum por reconstruir pontes \u00e9 urgente tamb\u00e9m na Ucr\u00e2nia. O ano, que findou, ceifou novas v\u00edtimas no conflito que atormenta o pa\u00eds, continuando a infligir grandes sofrimentos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, particularmente \u00e0s fam\u00edlias que moram nas \u00e1reas afetadas pela guerra e que perderam os seus entes queridos, n\u00e3o raro idosos e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>E, precisamente \u00e0 fam\u00edlia, quereria dedicar uma especial reflex\u00e3o. Efetivamente, o direito de formar uma fam\u00edlia est\u00e1 reconhecido na pr\u00f3pria\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0de 1948, apresentando-a como \u00abelemento natural e fundamental da sociedade, [que] tem direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o desta e do Estado\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn15\" name=\"_ftnref15\" title=\"\"><\/a>[15]\u00a0\u00c9 sabido como a fam\u00edlia, sobretudo no Ocidente, seja considerada, infelizmente, uma institui\u00e7\u00e3o superada. Em vez da estabilidade dum projeto definitivo, preferem-se hoje liga\u00e7\u00f5es fugazes. Ora n\u00e3o se mant\u00e9m de p\u00e9 uma casa constru\u00edda sobre a areia de relacionamentos fr\u00e1geis e vol\u00faveis; mas \u00e9 preciso a rocha, sobre a qual assentar bases s\u00f3lidas. E a rocha \u00e9 precisamente aquela comunh\u00e3o de amor, fiel e indissol\u00favel, que une o homem e a mulher, comunh\u00e3o essa que tem uma beleza austera e simples, um car\u00e1ter sacro e inviol\u00e1vel e uma fun\u00e7\u00e3o natural na ordem social.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn16\" name=\"_ftnref16\" title=\"\"><\/a>[16]\u00a0Por isso considero urgente que se adotem pol\u00edticas efetivas em apoio da fam\u00edlia, da qual ali\u00e1s depende o futuro e o desenvolvimento dos Estados. Sem ela, de facto, n\u00e3o se podem construir sociedades capazes de enfrentar os desafios do futuro. E a falta de interesse pela fam\u00edlia traz consigo outra consequ\u00eancia dram\u00e1tica \u2013 particularmente atual nalgumas regi\u00f5es \u2013 que \u00e9 a queda da natalidade. Vive-se um verdadeiro inverno demogr\u00e1fico! Isto \u00e9 sinal de sociedades que sentem dificuldade em enfrentar os desafios do presente, tornando-se, por conseguinte, cada vez mais temerosas do futuro e acabando por se fechar em si mesmas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, n\u00e3o se pode esquecer a situa\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias dilaceradas por causa da pobreza, das guerras e das migra\u00e7\u00f5es. Aos nossos olhos, depara-se demasiadas vezes o drama de crian\u00e7as cruzando sozinhas os confins que separam o sul do norte do mundo, frequentemente v\u00edtimas do tr\u00e1fico de seres humanos.<\/p>\n<p>Hoje fala-se muito de migrantes e migra\u00e7\u00f5es, por vezes s\u00f3 para suscitar temores ancestrais. N\u00e3o devemos esquecer que sempre existiram as migra\u00e7\u00f5es. Na tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o \u00e9, essencialmente, uma hist\u00f3ria de migra\u00e7\u00f5es. Nem devemos esquecer que a liberdade de movimento, como a de deixar o pa\u00eds pr\u00f3prio e a ele regressar, pertence aos direitos humanos fundamentais.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn17\" name=\"_ftnref17\" title=\"\"><\/a>[17]\u00a0Por isso \u00e9 necess\u00e1rio sair duma generalizada ret\u00f3rica sobre o assunto e partir da considera\u00e7\u00e3o essencial de que se encontram diante de n\u00f3s, antes de mais nada, pessoas.<\/p>\n<p>Isto mesmo pretendi reiterar, com a\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/papa-francesco_20171113_messaggio-51giornatamondiale-pace2018.html\">Mensagem \u00ab<em>Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz<\/em>\u00bb<\/a>, escrita para o Dia Mundial da Paz que se celebrou no passado dia 1 de janeiro. Embora reconhecendo que nem todos est\u00e3o sempre animados pelas melhores inten\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se pode esquecer que a maior parte dos migrantes preferiria permanecer na sua pr\u00f3pria terra, mas \u00e9 for\u00e7ada a deix\u00e1-la \u00abpor causa de discrimina\u00e7\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es, pobreza e degrada\u00e7\u00e3o ambiental. (&#8230;) Acolher o outro requer um compromisso concreto, uma corrente de apoios e benefic\u00eancia, uma aten\u00e7\u00e3o vigilante e abrangente, a gest\u00e3o respons\u00e1vel de novas situa\u00e7\u00f5es complexas que \u00e0s vezes se v\u00eam juntar a outros problemas j\u00e1 existentes em grande n\u00famero, bem como recursos que s\u00e3o sempre limitados. Praticando a virtude da prud\u00eancia, os governantes saber\u00e3o acolher, promover, proteger e integrar, estabelecendo medidas pr\u00e1ticas, \u201cnos limites consentidos pelo bem da pr\u00f3pria comunidade retamente entendido, [para] lhes favorecer a integra\u00e7\u00e3o\u201d (<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>, 57). Os governantes t\u00eam uma responsabilidade precisa para com as pr\u00f3prias comunidades, devendo assegurar os seus justos direitos e desenvolvimento harm\u00f3nico, para n\u00e3o serem como o construtor insensato que fez mal os c\u00e1lculos e n\u00e3o conseguiu completar a torre que come\u00e7ara a construir (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a014, 28-30)\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn18\" name=\"_ftnref18\" title=\"\"><\/a>[18]<\/p>\n<p>Desejo agradecer de novo \u00e0s Autoridades dos Estados que se prodigalizaram, durante estes anos, para prestar assist\u00eancia aos numerosos migrantes que chegaram \u00e0s suas fronteiras. Penso, antes de mais nada, no empenho de n\u00e3o poucos pa\u00edses na \u00c1sia, na \u00c1frica e nas Am\u00e9ricas, que acolhem e assistem in\u00fameras pessoas. Conservo ainda vivo no cora\u00e7\u00e3o o encontro que tive em Daca com alguns membros do povo rohingya e quero renovar os sentimentos de gratid\u00e3o \u00e0s Autoridades do Bangladesh pela assist\u00eancia que lhes prestam no seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Desejo ainda expressar particular gratid\u00e3o \u00e0 It\u00e1lia, que, nestes anos, mostrou um cora\u00e7\u00e3o aberto e generoso e soube oferecer tamb\u00e9m exemplos positivos de integra\u00e7\u00e3o. A minha esperan\u00e7a \u00e9 que as dificuldades, que o pa\u00eds atravessou nestes anos e cujas consequ\u00eancias permanecem, n\u00e3o levem a fechamentos e preclus\u00f5es, mas antes a uma redescoberta daquelas ra\u00edzes e tradi\u00e7\u00f5es que nutriram a rica hist\u00f3ria da na\u00e7\u00e3o e constituem um tesouro inestim\u00e1vel para oferecer ao mundo inteiro. De igual modo, exprimo apre\u00e7o pelos esfor\u00e7os desenvolvidos por outros Estados europeus, particularmente a Gr\u00e9cia e a Alemanha. N\u00e3o devemos esquecer que numerosos refugiados e migrantes procuram alcan\u00e7ar a Europa, porque sabem que nela podem encontrar paz e seguran\u00e7a, fruto ali\u00e1s dum longo caminho que nasceu dos ideais dos Pais fundadores do projeto europeu depois da II Guerra Mundial. A Europa deve sentir-se orgulhosa deste seu patrim\u00f3nio, baseado sobre determinados princ\u00edpios e numa vis\u00e3o do homem cujas bases assentam na sua hist\u00f3ria milen\u00e1ria, inspirada pela conce\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da pessoa humana. A chegada dos migrantes deve incit\u00e1-la a redescobrir o seu patrim\u00f3nio cultural e religioso, de modo que, recuperando a consci\u00eancia dos valores sobre os quais est\u00e1 edificada, possa ao mesmo tempo manter viva a sua tradi\u00e7\u00e3o e continuar a ser um lugar hospitaleiro, promissor de paz e desenvolvimento.<\/p>\n<p>No ano passado, os governos, as organiza\u00e7\u00f5es internacionais e a sociedade civil interrogaram-se mutuamente sobre os princ\u00edpios basilares, as prioridades e as modalidades mais apropriadas para dar resposta aos movimentos migrat\u00f3rios e \u00e0s situa\u00e7\u00f5es prolongadas que afetam os refugiados. As Na\u00e7\u00f5es Unidas, na sequ\u00eancia da Declara\u00e7\u00e3o de Nova Iorque sobre Refugiados e Migrantes de 2016, aviaram importantes processos de prepara\u00e7\u00e3o tendo em vista a ado\u00e7\u00e3o de dois Pactos Mundiais (<em>Global Compacts<\/em>), respetivamente sobre os refugiados e para uma migra\u00e7\u00e3o segura, ordenada e regular.<\/p>\n<p>A Santa S\u00e9 espera que tais esfor\u00e7os, com as negocia\u00e7\u00f5es que brevemente se abrir\u00e3o, deem resultados dignos duma comunidade mundial sempre mais interdependente, fundada nos princ\u00edpios de solidariedade e m\u00fatua ajuda. No atual contexto internacional, n\u00e3o faltam as possibilidades e os meios para garantir, a todo o homem e mulher que vive sobre a terra, condi\u00e7\u00f5es de vida dignas da pessoa humana.<\/p>\n<p>Na Mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, sugeri quatro \u00abpedras mili\u00e1rias\u00bb para a a\u00e7\u00e3o: acolher, proteger, promover e integrar.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn19\" name=\"_ftnref19\" title=\"\"><\/a>[19]\u00a0Gostaria de me deter de modo particular nesta \u00faltima, a prop\u00f3sito da qual se confrontam diferentes posi\u00e7\u00f5es, cada uma delas derivada das respetivas avalia\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias, preocupa\u00e7\u00f5es e convic\u00e7\u00f5es. A integra\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00abum processo bidirecional\u00bb, com direitos e deveres rec\u00edprocos. De facto, quem acolhe \u00e9 chamado a promover o desenvolvimento humano integral, enquanto se pede, a quem \u00e9 acolhido, a indispens\u00e1vel conforma\u00e7\u00e3o \u00e0s normas do pa\u00eds que o hospeda, bem como o respeito pelos princ\u00edpios identificadores do mesmo. Todo o processo de integra\u00e7\u00e3o deve manter sempre, no centro das normas respeitantes aos v\u00e1rios aspetos da vida pol\u00edtica e social, a tutela e a promo\u00e7\u00e3o das pessoas, especialmente daquelas que se encontram em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>A Santa S\u00e9 n\u00e3o pretende interferir nas decis\u00f5es que competem aos Estados: a eles cabe \u2013 \u00e0 luz das respetivas situa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais e econ\u00f3micas, bem como das pr\u00f3prias capacidades e possibilidades de rece\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o \u2013 a responsabilidade primeira do acolhimento. Mas ela considera que deve desempenhar um papel de \u00abrecorda\u00e7\u00e3o\u00bb dos princ\u00edpios de humanidade e fraternidade, que fundamentam toda a sociedade coesa e harmoniosa. Nesta perspetiva, \u00e9 importante n\u00e3o esquecer a intera\u00e7\u00e3o com as comunidades religiosas, tanto institucionais como associativas, que podem desempenhar um papel valioso de refor\u00e7o na assist\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o, de media\u00e7\u00e3o social e cultural, de pacifica\u00e7\u00e3o e de integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os direitos humanos que gostaria de lembrar hoje, est\u00e1 tamb\u00e9m o direito \u00e0 liberdade de pensamento, de consci\u00eancia e de religi\u00e3o, que inclui a liberdade de mudar de religi\u00e3o.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn20\" name=\"_ftnref20\" title=\"\"><\/a>[20]\u00a0\u00c9 sabido como, infelizmente, o direito \u00e0 liberdade religiosa seja muitas vezes menosprezado n\u00e3o sendo raro que a religi\u00e3o se torne quer ocasi\u00e3o para justificar ideologicamente novas formas de extremismo quer pretexto para a marginaliza\u00e7\u00e3o social, sen\u00e3o mesmo persegui\u00e7\u00e3o, dos crentes. A constru\u00e7\u00e3o de sociedades inclusivas requer como condi\u00e7\u00e3o uma compreens\u00e3o integral da pessoa humana, que pode sentir-se verdadeiramente acolhida quando \u00e9 reconhecida e aceite em todas as dimens\u00f5es que constituem a sua identidade, incluindo a dimens\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p>Por fim, desejo recordar a import\u00e2ncia do direito ao trabalho. N\u00e3o h\u00e1 paz nem desenvolvimento, se o homem est\u00e1 privado da possibilidade de contribuir pessoalmente, atrav\u00e9s da sua atividade, para a edifica\u00e7\u00e3o do bem comum. \u00c9 doloroso, por\u00e9m, constatar como o trabalho constitua, em muitas partes do mundo, um bem escassamente dispon\u00edvel. Poucas s\u00e3o as oportunidades, especialmente para os jovens, de encontrar trabalho. Muitas vezes \u00e9 f\u00e1cil perd\u00ea-lo n\u00e3o s\u00f3 em consequ\u00eancia da altern\u00e2ncia dos ciclos econ\u00f3micos, mas tamb\u00e9m pelo progressivo recurso a tecnologia e maquinaria cada vez mais perfeitas e precisas capazes de substituir o homem. Se, por um lado, se constata uma distribui\u00e7\u00e3o desigual das oportunidades de trabalho, por outro verifica-se a tend\u00eancia a pretender, de quem trabalha, ritmos sempre mais oprimentes. As exig\u00eancias de lucro, ditadas pela globaliza\u00e7\u00e3o, levaram a uma progressiva redu\u00e7\u00e3o dos tempos e dos dias de repouso, pelo que se perdeu uma dimens\u00e3o fundamental da vida \u2013 a do descanso \u2013 que serve para regenerar, f\u00edsica e espiritualmente, a pessoa. O pr\u00f3prio Deus descansou no s\u00e9timo dia: aben\u00e7oou-o e santificou-o, \u00abvisto ter sido nesse dia que Ele repousou de toda a obra da cria\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>Gn<\/em>\u00a02, 3). Na altern\u00e2ncia de fadiga e repouso, o homem participa na \u00absantifica\u00e7\u00e3o do tempo\u00bb realizada por Deus e enobrece o seu trabalho, subtraindo-o \u00e0s din\u00e2micas repetitivas duma quotidianidade \u00e1rida que n\u00e3o conhece pausa.<\/p>\n<p>Motivo de particular preocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o ainda os dados publicados recentemente pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Trabalho sobre o aumento do n\u00famero de crian\u00e7as empregadas em atividades laborais e das v\u00edtimas das novas formas de escravid\u00e3o. O flagelo do trabalho infantil continua a afetar seriamente o desenvolvimento psicof\u00edsico das crian\u00e7as, privando-as das alegrias da inf\u00e2ncia, ceifando v\u00edtimas inocentes. N\u00e3o se pode pensar em projetar um futuro melhor, nem esperar construir sociedades mais inclusivas, se se continua a manter modelos econ\u00f3micos orientados meramente para o lucro e a explora\u00e7\u00e3o dos mais fracos, como as crian\u00e7as. Eliminar as causas estruturais de tal flagelo deveria ser uma prioridade de Governos e organiza\u00e7\u00f5es internacionais, chamados a intensificar os esfor\u00e7os para adotar estrat\u00e9gias integradas e pol\u00edticas coordenadas, tendentes a acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas.<\/p>\n<p>Excel\u00eancias, Senhoras e Senhores!<\/p>\n<p>Ao lembrar alguns dos direitos contidos na\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Universal<\/em>\u00a0de 1948, n\u00e3o pretendo transcurar um aspeto estritamente conexo com a mesma: cada indiv\u00edduo tem tamb\u00e9m deveres relativamente \u00e0 comunidade, visando \u00absatisfazer as justas exig\u00eancias da moral, da ordem p\u00fablica e do bem-estar numa sociedade democr\u00e1tica\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftn21\" name=\"_ftnref21\" title=\"\"><\/a>[21]\u00a0O justo apelo aos direitos de todo o ser humano deve ter em conta que cada um \u00e9 parte dum corpo maior. Tamb\u00e9m as nossas sociedades, como cada corpo humano, gozam de boa sa\u00fade se cada membro cumprir a pr\u00f3pria tarefa, ciente de que a mesma est\u00e1 ao servi\u00e7o do bem comum.<\/p>\n<p>Entre os deveres particularmente imperiosos, conta-se hoje o de cuidar da nossa terra. Sabemos que a natureza pode ela mesma ser cruenta, mesmo quando isso n\u00e3o \u00e9 responsabilidade do homem. Vimo-lo no ano passado com os terremotos que atingiram v\u00e1rias partes da terra, particularmente nos \u00faltimos meses no M\u00e9xico e no Ir\u00e3o ceifando numerosas v\u00edtimas, bem como a viol\u00eancia dos furac\u00f5es que afetaram v\u00e1rios pa\u00edses do Caribe at\u00e9 chegar \u00e0s costas dos Estados Unidos da Am\u00e9rica e, mais recentemente, investiram as Filipinas. Todavia n\u00e3o devemos esquecer que h\u00e1 tamb\u00e9m uma particular responsabilidade do homem na sua intera\u00e7\u00e3o com a natureza. As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, com a subida global das temperaturas e os efeitos devastadores que isso comporta, s\u00e3o tamb\u00e9m consequ\u00eancia da a\u00e7\u00e3o do homem. Por conseguinte, \u00e9 preciso enfrentar, com um esfor\u00e7o conjunto, a responsabilidade de deixar \u00e0s gera\u00e7\u00f5es seguintes uma terra mais bela e habit\u00e1vel, esfor\u00e7ando-se, \u00e0 luz dos compromissos concordados em Paris no ano de 2015, por reduzir as emiss\u00f5es de g\u00e1s nocivas \u00e0 atmosfera e prejudiciais para a sa\u00fade humana.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito que deve animar os indiv\u00edduos e as na\u00e7\u00f5es nesta obra \u00e9 compar\u00e1vel ao dos construtores das catedrais medievais que constelam a Europa. Estes edif\u00edcios imponentes contam como \u00e9 importante a participa\u00e7\u00e3o de cada qual para uma obra capaz de ultrapassar os confins do tempo. O construtor de catedrais sabia que n\u00e3o veria a conclus\u00e3o do seu trabalho. E contudo trabalhou ativamente, entendendo que fazia parte dum projeto de que gozariam os seus filhos, que \u2013 por sua vez \u2013 o haviam de embelezar e ampliar para os respetivos filhos. Cada homem e mulher deste mundo \u2013 particularmente quem tem a responsabilidade de governar \u2013 \u00e9 chamado a cultivar o mesmo esp\u00edrito de servi\u00e7o e solidariedade intergeracional, sendo assim um sinal de esperan\u00e7a para o nosso mundo atribulado.<\/p>\n<p>Com estas considera\u00e7\u00f5es, renovo a cada um de v\u00f3s, \u00e0s vossas fam\u00edlias e aos vossos povos os votos de um ano rico de alegria, esperan\u00e7a e paz. Obrigado!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"25%\"\/>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\"><\/a>[1]\u00a0Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta enc\u00edclica<em>\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>\u00a0(11\/IV\/1963), 67 [129].<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref2\" name=\"_ftn2\" title=\"\"><\/a>[2]\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Ibid<\/a><\/em>., 47 [80].<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref3\" name=\"_ftn3\" title=\"\"><\/a>[3]\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Ibid<\/a><\/em>., 49 [86].<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref4\" name=\"_ftn4\" title=\"\"><\/a>[4]\u00a0Cf.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Ibid<\/a><\/em>., 51 [91].<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref5\" name=\"_ftn5\" title=\"\"><\/a>[5]\u00a0Cf.\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem\u00a0<\/em>(10\/XII\/1948).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref6\" name=\"_ftn6\" title=\"\"><\/a>[6]\u00a0<em>Ibid.,<\/em>\u00a0Pre\u00e2mbulo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref7\" name=\"_ftn7\" title=\"\"><\/a>[7]\u00a0Paulo VI, Carta enc\u00edclica<em>\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-vi_enc_26031967_populorum.html\">Populorum progressio<\/a><\/em>\u00a0(26\/III\/1967), 14.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref8\" name=\"_ftn8\" title=\"\"><\/a>[8]\u00a0Cf.\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem<\/em>, Pre\u00e2mbulo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref9\" name=\"_ftn9\" title=\"\"><\/a>[9]\u00a0Cf.\u00a0<em>ibid<\/em>., art. 3.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref10\" name=\"_ftn10\" title=\"\"><\/a>[10]\u00a0Cf.\u00a0<em>ibid.<\/em>, art. 25.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref11\" name=\"_ftn11\" title=\"\"><\/a>[11]<em>\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>, 60 [112].<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref12\" name=\"_ftn12\" title=\"\"><\/a>[12]<em>\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Ibid<\/a><\/em>., 60 [112].<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref13\" name=\"_ftn13\" title=\"\"><\/a>[13]\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Ibid<\/a><\/em>., 67 [126].<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref14\" name=\"_ftn14\" title=\"\"><\/a>[14]\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Ibid<\/a>.<\/em>, 67 [128 e 129].<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref15\" name=\"_ftn15\" title=\"\"><\/a>[15]\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem<\/em>, art. 16.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref16\" name=\"_ftn16\" title=\"\"><\/a>[16]\u00a0Cf. Paulo VI,<em>\u00a0Discurso por ocasi\u00e3o da visita \u00e0 Bas\u00edlica da Anuncia\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(Nazar\u00e9, 5\/I\/1964).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref17\" name=\"_ftn17\" title=\"\"><\/a>[17]\u00a0Cf.\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem<\/em>, art. 13.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref18\" name=\"_ftn18\" title=\"\"><\/a>[18]\u00a0Francisco,\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/papa-francesco_20171113_messaggio-51giornatamondiale-pace2018.html\"><em>Mensagem para o LI Dia Mundial da Paz<\/em>\u00a0<\/a>(13\/XI\/2017), 1.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref19\" name=\"_ftn19\" title=\"\"><\/a>[19]\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/papa-francesco_20171113_messaggio-51giornatamondiale-pace2018.html\">Ibid<\/a>.<\/em>, 4.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref20\" name=\"_ftn20\" title=\"\"><\/a>[20]\u00a0Cf.\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem<\/em>, art. 18.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html#_ftnref21\" name=\"_ftn21\" title=\"\"><\/a>[21]\u00a0<em>Ibid<\/em>., art. 29.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Educris|08.01.2018<\/p>\n<p>A partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180108_corpo-diplomatico.html\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>Imagem: vatican.va<\/p>\n<\/p>\n<p><iframe allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lGlWTYNlv5I\" width=\"560\"><\/iframe> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na tradicional audi\u00eancia aos membros do Corpo Diplom\u00e1tico Francisco lembrou visita a F\u00e1tima e pediu solu\u00e7\u00f5es de &#8220;paz&#8221; 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