{"id":4114326550,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/9652-solenidade-do-sagrado-coracao-de-jesus-a-verdadeira-historia-do-amor"},"modified":"2025-11-07T16:33:39","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:39","slug":"solenidade-do-sagrado-coracao-de-jesus-a-verdadeira-historia-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/solenidade-do-sagrado-coracao-de-jesus-a-verdadeira-historia-do-amor\/","title":{"rendered":"Solenidade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus: \u00abA Verdadeira Hist\u00f3ria do Amor\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">1. Passa hoje, no calend\u00e1rio lit\u00fargico desta sexta-feira, a Solenidade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, que assinala a presen\u00e7a viva, pr\u00f3xima e intensa de um amor sublime e de uma esperan\u00e7a nova, refletida no rosto, no cora\u00e7\u00e3o e no horizonte de cada ser humano. \u00c9 tamb\u00e9m Dia de Ora\u00e7\u00e3o pela Santifica\u00e7\u00e3o dos Sacerdotes. Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, fazei o nosso cora\u00e7\u00e3o semelhante ao vosso, neste dia belo e luminoso em que consagramos ao vosso Cora\u00e7\u00e3o para sempre aberto a Igreja inteira e o mundo inteiro, sobretudo os que se afastaram de Ti, os doentes e desanimados, as fam\u00edlias desavindas, as crian\u00e7as abandonadas, os marginalizados e descartados, os que fogem de situa\u00e7\u00f5es de guerra ou de mis\u00e9ria, e os que andam \u00e0 procura de um abrigo, de uma m\u00e3o carinhosa e de um cora\u00e7\u00e3o aberto e acolhedor. Deixou escrito, a prop\u00f3sito, o beato Charles de Foucauld: \u00abPerdei-vos no cora\u00e7\u00e3o de Cristo: ele \u00e9 o nosso ref\u00fagio, o nosso asilo, a casa do p\u00e1ssaro, o ninho da pomba, a barca de Pedro para atravessar o mar tempestuoso\u00bb.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">2. A Solenidade de hoje tem as suas ra\u00edzes no cora\u00e7\u00e3o de Deus, que as p\u00e1ginas da Escritura Santa nos d\u00e3o a conhecer. Mas este caminho acentuou-se sobretudo nos tempos modernos, primeiro, nas revela\u00e7\u00f5es feitas a Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), a quem se deve a implanta\u00e7\u00e3o da devo\u00e7\u00e3o das nove primeiras sextas-feiras, mas tamb\u00e9m \u00e9 oportuno lembrar S. Vicente de Paulo (1795-1850), que viveu e testemunhou com paix\u00e3o \u00abo mar imenso das divinas miseric\u00f3rdias\u00bb, sem esquecer as m\u00edsticas religiosas Benigna Consolata (1885-1916), que se chamava a si mesma \u00aba pequena secret\u00e1ria do amor misericordioso\u00bb, Maria Teresa Desandais (1876-1943), que se via a si mesma como a \u00abmensageira do amor misericordioso\u00bb, e Santa Faustina Kowalska (1905-1938), \u00absecret\u00e1ria da miseric\u00f3rdia\u00bb. Particular import\u00e2ncia para a realiza\u00e7\u00e3o da Solenidade de hoje e para a Consagra\u00e7\u00e3o do mundo ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, teve ainda a m\u00edstica beata Maria do Divino Cora\u00e7\u00e3o (1863-1899), sem esquecer a influ\u00eancia de Santa Teresa de Lisieux (1873-1897). Todas estas figuras m\u00edsticas assumiram particular relevo na viv\u00eancia e divulga\u00e7\u00e3o da mensagem da miseric\u00f3rdia de Deus. S. Jo\u00e3o XXIII dizia que \u00aba Miseric\u00f3rdia \u00e9 o nome mais belo de Deus, e acrescentava que as nossas mis\u00e9rias s\u00e3o o trono da Miseric\u00f3rdia divina\u00bb. Em 1856, Pio IX estendeu a toda a Igreja a Festa do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. A Festa ou Solenidade de hoje, bem como a Consagra\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus derivam das revela\u00e7\u00f5es das m\u00edsticas religiosas acima elencadas, tendo sido a beata Maria do Divino Cora\u00e7\u00e3o a que mais de perto inspirou o Papa Le\u00e3o XIII \u00e0 sua institui\u00e7\u00e3o, que aconteceu em 1899, mediante a Enc\u00edclica\u00a0<em>Annum sacrum<\/em>, tendo sido depois confirmadas por Pio XI em 1928, mediante a Enc\u00edclica\u00a0<em>Miserentissimus redemptor<\/em>, e por Pio XII em 1956, mediante a enc\u00edclica\u00a0<em>Haurietis aquas<\/em>. No seguimento das revela\u00e7\u00f5es da m\u00edstica Santa Faustina Kowalska, S. Jo\u00e3o Paulo II instituiu o Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia, a celebrar no Domingo II da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">3. As poucas linhas do Evangelho deste grande Dia, retiradas de Mateus 11,25-30, guardam o segredo mais inteiro de Jesus. H\u00e1 quem considere estas breves linhas como o mais belo e importante dizer de Jesus nos Evangelhos Sin\u00f3pticos (A. M. Hunter). Na verdade, estas linhas leves e ledas como asas guardam o segredo mais inteiro de Jesus, o seu tesouro mais profundo, o tesouro ou a pedra preciosa da par\u00e1bola (Mateus 13,44-46), preciosa e firme, porque leve e suave como uma almofada, onde Jesus pode reclinar tranquilamente a cabe\u00e7a (Jo\u00e3o 1,18), e tranquilamente conduzir, dormindo mansamente \u00e0 popa, a nossa barca no meio deste mar encapelado (Marcos 4,38). Nos l\u00e1bios de Jesus, chama-se \u00abPAI\u00bb (Mateus 11,25) este lugar seguro e manso, doce e apraz\u00edvel, que acolhe os pequeninos, os senta sobre os seus joelhos, lhes conta a sua hist\u00f3ria mais bela, e lhes afaga o rosto com ternura. Diz bem Santo Agostinho que \u00abo peso de Cristo \u00e9 t\u00e3o leve que levanta, como o peso das asas para os passarinhos!\u00bb.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">4. \u00abEu Te bendigo, \u00f3 Pai, Senhor do c\u00e9u e da terra, porque escondeste estas coisas aos s\u00e1bios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos (<em>n\u00e9pioi<\/em>)\u00bb (Mateus 11,25). Sim, aos pequeninos, grego\u00a0<em>n\u00e9pioi<\/em>, que em sonoridade portuguesa daria \u00abn\u00e9pias\u00bb, nada, nenhuma ci\u00eancia, nenhum poder, nenhum valor aut\u00f3nomo. \u00d3 abismo da sabedoria dos pequeninos, daqueles que nada podem fazer sozinhos, mas que sabem confiar, e sabem que podem confiar, e sabem em quem confiar (cf. 2 Tim\u00f3teo 2,12). \u00c9 sobre os pequeninos que recai toda a aten\u00e7\u00e3o de Jesus, que, de resto, voluntariamente se confunde com eles, pois diz: \u00abTodas as vezes que fizestes isto (ou o deixastes de fazer) a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, foi a Mim que o fizestes (ou o deixastes de fazer)\u00bb (Mateus 25,40 e 45). E, no ritual do Batismo, s\u00e3o estes os dizeres que acompanham a entrega da vela acesa aos pais e padrinhos da crian\u00e7a batizada: \u00aba v\u00f3s, pais e padrinhos, se confia o encargo de velar por esta luz, para que estes pequeninos, iluminados por Cristo\u2026<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">5. Abre-se aqui um dos mais belos fios de ouro da espiritualidade crist\u00e3, habitualmente denominado por \u00abinf\u00e2ncia espiritual\u00bb, o \u00abpequeno caminho\u00bb, \u00abo permanecer pequeno\u00bb, \u00abo estar nos bra\u00e7os de Jesus\u00bb, que Santa Teresinha do Menino Jesus exalta na sua \u00abHist\u00f3ria de uma alma\u00bb, que tem a sua nascente mais funda naquela maravilha que \u00e9 o Salmo 131,2, em que o orante se diz assim: \u00abEstou tranquilo e sereno\/, como crian\u00e7a desmamada (<em>gam\u00fbl<\/em>),\/ no colo da sua m\u00e3e;\/ como crian\u00e7a desmamada,\/ est\u00e1 em mim a minha alma\u00bb. N\u00e3o se trata de uma quietude irracional e cega, semelhante \u00e0 do rec\u00e9m-nascido, depois de ter mamado no seio da sua m\u00e3e. O texto fala de uma crian\u00e7a desmamada (<em>gamul<\/em>). E \u00e9 sabido que, no Oriente, o desmame oficial acontecia tarde, pelos tr\u00eas anos, e dava origem a uma grande festa familiar (cf. G\u00e9nesis 21,8; 1 Samuel 1,22-24). Tamb\u00e9m o famoso Padre Jesu\u00edta franc\u00eas, L\u00e9once de Grandmaison (1868-1927), se segurava neste fio de ouro, e rezava assim: \u00abSanta Maria, M\u00e3e de Deus, conserva em mim um cora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a, puro e transparente, como uma nascente\u00bb.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">6. Os pequeninos, os\u00a0<em>n\u00e9pioi<\/em>, n\u00e9pias, que nada valem de per si, dependem dos seus pais ou de algu\u00e9m que cuide deles com carinho. Se Jesus os traz desta maneira para a primeira p\u00e1gina, temos ent\u00e3o de perguntar: o que \u00e9 que s\u00e3o ent\u00e3o crist\u00e3os adultos, maduros na sua f\u00e9? Ser\u00e3o aqueles que sabem tudo, que est\u00e3o seguros de si, que chegaram ao fim de um curso ou percurso, que t\u00eam tudo na m\u00e3o, que se bastam a si mesmos, que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o dependentes porque j\u00e1 n\u00e3o precisam de ningu\u00e9m que cuide deles? Seguramente n\u00e3o. Crist\u00e3os adultos na sua f\u00e9 s\u00e3o aqueles que sabem que precisam de Deus a todo o momento, e que sabem debru\u00e7ar-se sobre os pequeninos com amor. Crist\u00e3os adultos na f\u00e9 n\u00e3o somos n\u00f3s que pensamos que temos na m\u00e3o as chaves de tudo e de todos, mas somos n\u00f3s como filhos de Deus, a quem carinhosamente tratamos por PAI (<em>?Abba?<\/em>), em quem depositamos toda a nossa confian\u00e7a, somos n\u00f3s como filhos e irm\u00e3os, carinhosamente atentos uns aos outros, at\u00e9 ao ponto sem retorno de j\u00e1 n\u00e3o sabermos viver sen\u00e3o repartindo o p\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">7. \u00abEu Te bendigo, \u00f3 PAI, Senhor do c\u00e9u e da terra, porque escondeste estas coisas aos s\u00e1bios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos\u00bb (Mateus 11,25; cf. Lucas 10,21). Esta \u00e9 uma das muitas vezes em que, nos Evangelhos, Jesus aparece a rezar ao PAI, mas \u00e9 uma das poucas vezes em que nos \u00e9 dada a gra\u00e7a de ouvirmos o conte\u00fado da ora\u00e7\u00e3o de Jesus [al\u00e9m desta vez, s\u00f3 no Gets\u00e9mani: \u00abPAI, se \u00e9 poss\u00edvel, afasta de mim este c\u00e1lice, mas n\u00e3o se fa\u00e7a a minha vontade, mas sim a tua\u00bb (Mateus 26,39 e 42), e na Cruz: \u00abMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u00bb (Mateus 27,46); \u00abPAI, perdoa-lhes, porque n\u00e3o sabem o que fazem\u00bb (Lucas 23,34); \u00abPAI, nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito\u00bb (Lucas 23,46)]. Note-se que a bel\u00edssima ora\u00e7\u00e3o do \u00abPAI Nosso\u00bb (Mateus 6,9-13; cf. Lucas 11,2-4) \u00e9-nos ensinada por Jesus, mas n\u00e3o o ouvimos a rez\u00e1-la. Um crist\u00e3o adulto na sua f\u00e9, isto \u00e9, na sua confian\u00e7a, tem de se p\u00f4r, como Jesus, totalmente nas m\u00e3os seguras e carinhosas do PAI, \u00fanica dire\u00e7\u00e3o da sua e da nossa vida.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">8. \u00c9 assim que o Evangelho entra por n\u00f3s adentro, cortante como uma espada de dois gumes ou como um bisturi. Vem-me \u00e0 mem\u00f3ria uma velha hist\u00f3ria que circula na \u00c1frica Oriental, e que fala de uma mulher pobre que andava sempre com uma B\u00edblia grande debaixo do bra\u00e7o. Dizem que nunca se separava dela. As pessoas que a viam passar todos os dias, faziam chacota dela com dizeres do g\u00e9nero: \u00abPorqu\u00ea sempre a B\u00edblia, se h\u00e1 tantos livros para ler?\u00bb. Mas a mulher l\u00e1 seguia o seu caminho, imperturb\u00e1vel e indiferente \u00e0s provoca\u00e7\u00f5es. Um dia, por\u00e9m, a mulher da B\u00edblia viu-se cercada por um bando de escarnecedores. Ent\u00e3o, levantando bem alto a sua B\u00edblia, a mulher, abrindo um grande sorriso, disse: \u00abEu bem sei que h\u00e1 muitos outros livros que posso ler! Mas este \u00e9 o \u00fanico livro que me l\u00ea a mim!\u00bb.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-2\">9. Nenhum arrogante racioc\u00ednio, nenhum orgulho, nenhuma escada por n\u00f3s constru\u00edda, conduz a Deus. Nenhuma arrog\u00e2ncia conduz a Deus. Jesus, Mestre novo, n\u00e3o aponta para coisas nem ensina coisas. Ele diz: \u00abVinde a Mim\u00bb e \u00abaprendei de Mim\u00bb (Mateus 11,28 e 29). Com Jesus. Como Jesus. Ele n\u00e3o ensina coisas. Ensina-se a si mesmo, dando-se a si mesmo. Aprendeu do Pai, que tudo lhe deu (Mateus 11,27). Dar e receber. Jugo suave e carga leve (Mateus 11,30). Como os mission\u00e1rios do Evangelho, que devem partir sempre sem ouro, nem prata, nem cobre, nem saco, nem duas t\u00fanicas, nem sand\u00e1lias, nem bast\u00e3o, dando de gra\u00e7a o que de gra\u00e7a receberam (Mateus 10,8-9). Nenhum acess\u00f3rio nos faz falta. Nenhuma estrat\u00e9gia d\u00e1 certo. Basta-nos Cristo no cora\u00e7\u00e3o, e a vida, sim, a nossa vida, para dar.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">10. Vem de longe esta toada de intimidade e de elei\u00e7\u00e3o, como nos conta hoje o grande Livro do Deuteron\u00f3mio. O Deus da Escritura Santa escolheu o pequeno povo de Israel, afei\u00e7oou-se a ele, fez Alian\u00e7a com ele, deu-lhe a sua Palavra de honra, os seus mandamentos. N\u00e3o o escolheu por ser um povo forte e numeroso. As escolhas de Deus s\u00e3o gratuitas. Por isso, ao escolher um povo pobre e pequeno, v\u00ea-se que \u00e9 por amor e gra\u00e7a que Deus escolhe.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">11. O Ap\u00f3stolo refor\u00e7a, na sua Primeira Carta (1 Jo\u00e3o 4,7-16), a insist\u00eancia no horizonte novo do amor e de gra\u00e7a, repetindo que \u00abquem ama, nasceu de Deus, e conhece-o (<em>gin\u00f4sk\u00f4<\/em>) (1 Jo\u00e3o 4,7), ao contr\u00e1rio de quem n\u00e3o ama, que n\u00e3o conhece Deus (1 Jo\u00e3o 4,8). Se Deus \u00e9 amor (1 Jo\u00e3o 4,8 e 16), e se \u00abs\u00f3 o semelhante conhece o semelhante\u00bb, \u00e9 decisivo que este amor chegue at\u00e9 n\u00f3s, para que, sendo feitos por amor semelhantes a Deus, possamos tamb\u00e9m conhecer Deus. E exp\u00f5e de novo a rede do amor, desde a sua fonte, que \u00e9 o Pai, que nos amou e enviou o seu Filho Unig\u00e9nito para nos dar a vida mediante a oferta propiciat\u00f3ria (<em>hilasm\u00f3s<\/em>) da sua vida pelos nossos pecados, que absorve e absolve (1 Jo\u00e3o 4,9-10).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">12. Aten\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, que o amor de Deus n\u00e3o \u00e9 um patrim\u00f3nio restrito e limitado, um exclusivo s\u00f3 acess\u00edvel a alguns privilegiados, mediante inscri\u00e7\u00f5es, quotas pagas, registos, determinadas ra\u00e7as ou grupos. Chega a todos aqueles que o acolhem. Tamb\u00e9m esses nascem de Deus. O amor \u00e9 de Deus; n\u00e3o \u00e9 sequer prerrogativa dos disc\u00edpulos de Jesus. Se quem ama nasceu de Deus, foi gerado por Deus (<em>genn\u00e1\u00f4<\/em>), ent\u00e3o o amor n\u00e3o \u00e9 nosso; \u00e9 de Deus. Esta imensa afirma\u00e7\u00e3o implica que nunca nos julguemos donos do amor, pois n\u00e3o \u00e9 nossa a patente do amor. Tem outro registo. Apenas nos \u00e9 dado humildemente reconhecer que \u00ab\u00e9 gerado por Deus\u00bb quem j\u00e1 vive no amor.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">13. O facto de sermos amados por Deus, n\u00e3o se resolve em devolver a Deus o seu amor primeiro. Resolve-se, antes, entregando-o a outros (1 Jo\u00e3o 4,11), alargando o c\u00edrculo do amor. \u00c9 sempre importante que tomemos consci\u00eancia de que temos o dever de entregar este amor a outros, e n\u00e3o de nos fecharmos dentro de uma cerca, ainda que de rosas seja a cerca! Escreveu bem, em \u00ab<em>As idades da vida espiritual<\/em>\u00bb, o conhecido te\u00f3logo russo Pavel Evdokimov: \u00abN\u00e3o permitas, Senhor, que o teu Amor e a tua Palavra sejam na minha vida como um santu\u00e1rio, que uma veda\u00e7\u00e3o separa da casa e da estrada\u00bb. Um tal fechamento seria pecar contra o Amor.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">14. O Salmo 103 \u00e9 uma das joias do Antigo Testamento e constitui um grande canto ao amor de Deus, uma esp\u00e9cie de prel\u00fadio ao \u00abDeus \u00e9 amor\u00bb (1 Jo\u00e3o 4,8). Desenrola-se em dois movimentos. O primeiro (v. 1-9) trata o amor e o perd\u00e3o de Deus com sucessivos partic\u00edpios h\u00ednicos, que mostram um Deus que perdoa, cura, redime, coroa de amor e miseric\u00f3rdia, sacia de bem, e uma s\u00e9rie de nomes (justi\u00e7a, d\u00e1 a conhecer, obras, misericordioso, gratificante). O segundo movimento (v. 10-18) p\u00f5e lado a lado o amor permanente de Deus e a nossa humana fraqueza. A linha vertical (c\u00e9u-terra) serve para mostrar a imensid\u00e3o do amor de Deus (v. 11), escrevendo-se na linha horizontal (oriente-ocidente) a grandeza sem medida do seu perd\u00e3o (v. 12). O bel\u00edssimo v. 13 passa a imagem inultrapass\u00e1vel de Deus como um pai com ventre maternal (<em>rehem<\/em>). A fragilidade humana aparece traduzida nas imagens do p\u00f3 (v. 14) e da erva (v. 15-16), em contraponto com a estabilidade do amor de Deus (v. 17). Sem este amor, sem esta m\u00fasica, ser\u00edamos talvez levados melancolicamente a pensar que \u00e9 o mesmo o destino das folhas outonais e dos homens! Deixemos ecoar em n\u00f3s as belas notas deste grande Salmo 103, que alguns autores j\u00e1 chamaram, com raz\u00e3o, o\u00a0<em>Te Deum<\/em>\u00a0do Antigo Testamento.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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