{"id":4127014012,"date":"2022-06-04T00:00:00","date_gmt":"2022-06-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/11485-solenidade-de-pentecostes-o-espirito-santo-e-nos"},"modified":"2022-06-04T00:00:00","modified_gmt":"2022-06-04T00:00:00","slug":"solenidade-de-pentecostes-o-espirito-santo-e-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/solenidade-de-pentecostes-o-espirito-santo-e-nos\/","title":{"rendered":"Solenidade de Pentecostes: \u00abO Esp\u00edrito Santo e n\u00f3s\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\"\/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">At 2,1-11; Sl 104; 1 Cor 12,3-7.12-13; Jo 20,19-23<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. O Evangelho da Solenidade deste Dia Grande de Pentecostes (Jo\u00e3o 20,19-23) mostra-nos os disc\u00edpulos de Jesus fechados num certo lugar, por medo dos judeus. O Ressuscitado, vida nova e modo novo de estar presente, que nada nem ningu\u00e9m pode reter ou impedir, nem as portas fechadas daquele lugar fechado pelo medo, VEM e fica de p\u00e9 no MEIO deles, o lugar da Presid\u00eancia, e por duas vezes os sa\u00fada: \u00abA paz convosco!\u00bb. Mostra-lhes as m\u00e3os e o lado, sinais que identificam o Ressuscitado com o Crucificado, e vincula os seus disc\u00edpulos \u00e0 sua miss\u00e3o: \u00ab<em>Como<\/em>\u00a0o Pai me enviou (<em>ap\u00e9stalken<\/em>: perf. de\u00a0<em>apost\u00e9ll\u00f4<\/em>), tamb\u00e9m Eu vos mando ir (<em>p\u00e9mp\u00f4<\/em>)\u00bb. O envio d\u2019Ele est\u00e1 no tempo perfeito (\u00e9 para sempre): a sua miss\u00e3o come\u00e7ou e continua. N\u00e3o terminou nem termina. Ele continua em miss\u00e3o. A nossa miss\u00e3o est\u00e1 no presente. O presente da nossa miss\u00e3o aparece, portanto, vinculado e agrafado \u00e0 miss\u00e3o de Jesus, e n\u00e3o faz sentido sem ela e sem Ele. N\u00f3s implicados e imbricados n\u2019Ele e na miss\u00e3o d\u2019Ele, sabendo n\u00f3s que Ele est\u00e1 connosco todos os dias (cf. Mateus 28,20). \u00ab<em>Como<\/em>\u00a0o Pai me enviou, tamb\u00e9m Eu vos mando ir\u00bb. Este\u00a0<em>como<\/em>\u00a0define o estilo da nossa miss\u00e3o de acordo com o estilo e a miss\u00e3o de Jesus. \u00c9-nos dito ainda que os disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria (o medo foi dissipado) ao verem (<em>id\u00f3ntes<\/em>: part. aor<sup>2\u00a0<\/sup>de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) o Senhor. Tal como o Outro Disc\u00edpulo, tamb\u00e9m eles v\u00eam com um\u00a0<em>olhar hist\u00f3rico<\/em>\u00a0(tempo aoristo) a identidade do Senhor. O sopro de Jesus sobre eles \u00e9 o sopro criador (<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>), com o Esp\u00edrito, para a miss\u00e3o fr\u00e1gil-forte do Perd\u00e3o, Jubileu Divino do Esp\u00edrito. Este sopro, este alento, este vento, s\u00f3 aparece neste lugar em todo o Novo Testamento! Mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil construir uma bela ponte para G\u00e9nesis 2,7, para o sopro ou alento (<em>naphah<\/em>\u00a0TM \/\u00a0<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>\u00a0LXX) criador de Deus no rosto do homem. Nova Cria\u00e7\u00e3o, portanto.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O texto luminoso do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos 2,1-11 mostra-nos todos reunidos no Cen\u00e1culo e varridos ou recriados pelo vento impetuoso do Esp\u00edrito, que varre as teias de aranha que ainda nos tolhem, e pelo seu fogo que nos purifica. O Esp\u00edrito\u00a0<em>sentou-se<\/em>\u00a0(<em>ek\u00e1thisen<\/em>: aor. de\u00a0<em>kath\u00edz\u00f4<\/em>) \u2013 bela e significativa express\u00e3o! \u2013 sobre n\u00f3s, novo Mestre que orienta e guia a nossa vida, a nossa mente, cora\u00e7\u00e3o, entranhas, m\u00e3os, p\u00e9s\u2026 \u00c9 o cumprimento da segunda das cinco promessas acerca da Vinda do Esp\u00edrito feitas por Jesus no Evangelho de Jo\u00e3o: \u00abEnsinar-vos-\u00e1 todas as coisas e recordar-vos-\u00e1 tudo o que Eu vos disse\u00bb (Jo\u00e3o 14,26). Realiza\u00e7\u00e3o em casa, no Cen\u00e1culo (Atos 2,1-4). Verifica\u00e7\u00e3o na cidade e no mundo (Atos 2,5-11): eis-nos a falar outras l\u00ednguas, d\u00e1diva do Esp\u00edrito! Milagre: cessam incompreens\u00f5es, divis\u00f5es, invejas, ci\u00fames, \u00f3dios e indiferen\u00e7as, e nasce um mundo novo de comunh\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o plenas, pois todos nos entendemos t\u00e3o bem como se se tratasse da nossa l\u00edngua materna. Entenda-se aqui por \u00abl\u00edngua materna\u00bb, n\u00e3o a l\u00edngua do pa\u00eds em que nascemos, portugu\u00eas no nosso caso, mas aquela comunica\u00e7\u00e3o que existe entre a m\u00e3e e o seu beb\u00e9, da palavra antes das palavras, divina e humana lala\u00e7\u00e3o. Chame-se-lhe confian\u00e7a, intimidade, ternura. Imp\u00f5e-se, nesta bela comunidade de plena compreens\u00e3o, uma atitude de vigil\u00e2ncia permanente, pois ser\u00e1 sempre grande a tenta\u00e7\u00e3o de querer levar o Esp\u00edrito \u00e0 letra! E a\u00ed est\u00e1 a advert\u00eancia vinda dos Cor\u00edntios, cujo falar em l\u00ednguas ningu\u00e9m entende (1 Cor\u00edntios 14,2), sendo preciso o recurso a int\u00e9rpretes (1 Cor\u00edntios 14,28). Claro que n\u00e3o s\u00e3o as outras linguagens do Pentecostes ou do Esp\u00edrito, em que todos entendem tudo t\u00e3o bem! E em que todos considerar\u00edamos um absurdo a exist\u00eancia de um int\u00e9rprete entre a m\u00e3e e o seu beb\u00e9 para traduzir aquela lala\u00e7\u00e3o que os dois t\u00e3o bem entendem!\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. \u00c9 esta divina lala\u00e7\u00e3o (<em>stenagm\u00f3s al\u00e1l\u00eatos<\/em>) (Romanos 8,26) \u2013 \u00fanica vez no Novo Testamento \u2013, do Esp\u00edrito que nos ensina a compreender que \u00abJesus \u00e9 Senhor\u00bb (1 Cor\u00edntios 12,3) e que Deus \u00e9 Pai (<em>?<\/em><em>Abba<\/em><em>?<\/em>) (G\u00e1latas 4,6; Romanos 8,15). Anote-se tamb\u00e9m a importante afirma\u00e7\u00e3o de que \u00aba cada um \u00e9 dada a manifesta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito para proveito comum\u00bb (1 Cor\u00edntios 12,7) e \u00abn\u00e3o para proveito pr\u00f3prio\u00bb (1 Cor\u00edntios 10,33), sendo que o que define o proveito comum \u00e9 a edifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de si mesmo, mas dos outros (1 Cor\u00edntios 10,23-24).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. A tradi\u00e7\u00e3o situa no Cen\u00e1culo as duas cenas acima descritas (Jo\u00e3o 20,19-23 e Atos 2,1-4) (a parte descrita em Atos 2,5-11 \u00e9 em plena cidade). \u00c9 a sala da Ceia Primeira, do \u00faltimo ser\u00e3o de Jesus com os seus disc\u00edpulos, da Apari\u00e7\u00e3o do Senhor aos seus Ap\u00f3stolos, da elei\u00e7\u00e3o de Matias, da descida do Esp\u00edrito Santo no Pentecostes, enfim, o primeiro lugar de encontro da primeira comunidade crist\u00e3 reunida em ora\u00e7\u00e3o com Maria (Atos 1,13-14), a primeira sede da Igreja nascente, a m\u00e3e de todas as Igrejas, a primeira\u00a0<em>domus-ecclesia<\/em>\u00a0[\u00abcasa-igreja\u00bb] do mundo, situada uns duzentos metros a sul da muralha de Jerusal\u00e9m, um local muito pr\u00f3ximo da Porta de Si\u00e3o. O atual edif\u00edcio remonta ao trabalho dos Padres Franciscanos no s\u00e9culo XIV, e sucedeu a outras constru\u00e7\u00f5es sucessivamente edificadas e destru\u00eddas, desde a bas\u00edlica de Santa Si\u00e3o [<em>Hag\u00eda Sion<\/em>], do s\u00e9culo IV. Sintomaticamente, por se encontrar no quarteir\u00e3o sul de Jerusal\u00e9m, o primitivo Cen\u00e1culo resistiu \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o romana da guerra de 70, pois os romanos atacaram e destru\u00edram a cidade a partir da parte norte, mais facilmente expugn\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Associada \u00e0s cenas acima identificadas, a sala superior do Cen\u00e1culo [15,30 metros por 9,40 metros] assemelha-se ao Sinai com os fen\u00f3menos ent\u00e3o l\u00e1 registados. Veja-se, a prop\u00f3sito, a bela descri\u00e7\u00e3o que deles faz F\u00edlon de Alexandria (\u00b1 20 a.C.-50 d.C.): \u00abDeus n\u00e3o tinha boca ou l\u00edngua, mas, com um prod\u00edgio, fez que um rombo se produzisse no ar, que um sopro se articulasse em palavras pondo o ar em movimento. Este transformou-se em fogo que tinha forma de chamas [\u2026], e uma voz ressoava do meio do fogo e descia do c\u00e9u, e esta voz articulava-se no idioma pr\u00f3prio dos ouvintes\u00bb. Mas tamb\u00e9m Babel \u00e9 evocada em contraponto: em G\u00e9nesis 11,7, \u00abningu\u00e9m compreendia mais a l\u00edngua do seu pr\u00f3ximo\u00bb, mas em Atos 2,6, \u00abcada um compreendia na sua pr\u00f3pria l\u00edngua materna\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 tamb\u00e9m enviado em miss\u00e3o. E \u00e9 Aquele que recebe o que \u00e9 do Filho (Jo\u00e3o 16,14 e 15), e que o Filho recebeu do Pai. O Filho \u00e9 a transpar\u00eancia do Pai. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 a transpar\u00eancia do Filho. O ensinamento do Esp\u00edrito Santo \u00e9 o mesmo que Jesus fez e que recebeu do Pai, mas vem depois do de Jesus (Jo\u00e3o 14,26), e processa-se, ao contr\u00e1rio do de Jesus, n\u00e3o com palavras sens\u00edveis que tocam os \u00f3rg\u00e3os da audi\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico determinado, mas na interioridade da intelig\u00eancia e do cora\u00e7\u00e3o de cada ser humano. Este ensinamento interior do Esp\u00edrito Santo \u00e9 comparado \u00e0 un\u00e7\u00e3o de \u00f3leo (<em>chr\u00edsma<\/em>) que penetra lentamente, como diz o Ap\u00f3stolo: \u00abV\u00f3s recebestes a un\u00e7\u00e3o (<em>chr\u00edsma<\/em>) que vem do Santo e todos conheceis (<em>o\u00eddate<\/em>)\u00bb (1 Jo\u00e3o 2,20); ou ent\u00e3o: \u00aba un\u00e7\u00e3o (<em>chr\u00edsma<\/em>) dele vos ensina (<em>did\u00e1skei<\/em>) acerca de todas as coisas\u00bb (1 Jo\u00e3o 2,27). \u00c9 a un\u00e7\u00e3o que lentamente penetra em n\u00f3s, ocupa o nosso interior, suaviza as nossas asperezas, cura as nossas dores e faz nascer entre n\u00f3s comunidade e comunh\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Ensinamento novo. N\u00e3o exterior, com sons e palavras, mas que atinge diretamente as pregas da intelig\u00eancia e do cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que a linguagem nova do Esp\u00edrito afeta ao mesmo tempo o portugu\u00eas e o chin\u00eas, o ingl\u00eas e o russo, o cat\u00f3lico, o mu\u00e7ulmano e o hebreu. \u00c9 como quando, em vez de se porem a falar cada um a sua l\u00edngua incompreens\u00edvel para o outro, o portugu\u00eas e o chin\u00eas entregassem uma flor um ao outro! \u00c9 assim que fala o Esp\u00edrito, \u00e9 assim que age o Esp\u00edrito, Pessoa-Dom, fonte de dons (1 Cor\u00edntios 12,3-13).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. O Salmo 104 p\u00f5e-nos a contemplar hoje as obras maravilhosas de Deus, cheias do seu alento, que s\u00e3o a alegria de Deus (v. 31), e a alegria de Deus \u00e9 a nossa alegria (v. 34). De notar que a tem\u00e1tica de Deus que se alegra \u00e9 muito rara na Escritura. Aparece hoje no meio deste mundo novo e maravilhoso. Tema, portanto, para recuperar, pois \u00e9 tamb\u00e9m a fonte da nossa alegria!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. N\u00f3s somos do tempo da miss\u00e3o do Esp\u00edrito. Note-se a fort\u00edssima vincula\u00e7\u00e3o: \u00abO Esp\u00edrito Santo e n\u00f3s\u00bb, que vem dos in\u00edcios da prega\u00e7\u00e3o do Evangelho (Atos 15,28).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Deus habitando em n\u00f3s (Jo\u00e3o 14,24). Deus connosco (Apocalipse 21). Cidade nova, Consola\u00e7\u00e3o nova, B\u00ean\u00e7\u00e3o nova, Paz nova, nova maneira de viver, n\u00e3o com a medida do mundo, mas de Deus (Jo\u00e3o 14,27; Salmo 67).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Educris|04.06.2022<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At 2,1-11; Sl 104; 1 Cor 12,3-7.12-13; Jo 20,19-23 1. 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