{"id":414223702,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8356-papa-pede-solucoes-comuns-para-o-bem-dos-povos"},"modified":"2025-11-07T16:34:32","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:32","slug":"papa-pede-solucoes-comuns-para-o-bem-dos-povos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/papa-pede-solucoes-comuns-para-o-bem-dos-povos\/","title":{"rendered":"Papa pede \u00absolu\u00e7\u00f5es comuns para o bem dos povos"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_diplomatas_190108045257.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>Francisco recebeu hoje os diplomatas acreditados na Santa S\u00e9 e pediu o reavivar da amizade e da colabora\u00e7\u00e3o entre as na\u00e7\u00f5es, promovendo o sistema multilateral para o bem dos povos. Sess\u00e3o ficou marcada pelo apelo \u00e0 \u00abaten\u00e7\u00e3o para com os mais fracos\u00bb, a quest\u00e3o ecol\u00f3gica e a quest\u00e3o \u00abdos abusos de menores\u00bb reafirmando o empenho da Igreja para \u00abesclarecer plenamente os factos e lenir as feridas causadas por tais delitos\u00bb.<\/em><\/p>\n<p><span>Leia, a \u00edntegra, o discurso do Papa Francisco<\/span><\/p>\n<p><em>Excel\u00eancias, Senhoras e Senhores!<\/em><\/p>\n<p>O in\u00edcio dum novo ano permite-nos deter por alguns momentos a sucess\u00e3o fren\u00e9tica das atividades di\u00e1rias para tra\u00e7ar algumas considera\u00e7\u00f5es sobre os acontecimentos passados e refletir sobre os desafios que nos esperam no futuro pr\u00f3ximo. Agrade\u00e7o a vossa presen\u00e7a em grande n\u00famero neste nosso encontro habitual, que pretende ser sobretudo uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para vos formular meus votos cordiais e venturosos. Por vosso interm\u00e9dio, chegue a certeza da minha proximidade aos povos que representais, juntamente com os votos de que o ano, h\u00e1 pouco iniciado, traga paz e bem-estar a cada um dos membros da fam\u00edlia humana.<\/p>\n<p>Particular gratid\u00e3o expresso ao Excelent\u00edssimo Embaixador de Chipre, o Senhor George Poulides, pelas deferentes palavras que pela primeira vez me dirigiu em nome de todos v\u00f3s, na qualidade de Decano do Corpo Diplom\u00e1tico acreditado junto da Santa S\u00e9. A cada um de v\u00f3s, desejo manifestar particular apre\u00e7o pela colabora\u00e7\u00e3o que prestais diariamente para consolidar as rela\u00e7\u00f5es entre o vosso respetivo pa\u00eds ou organiza\u00e7\u00e3o e a Santa S\u00e9, fortalecidas ainda mais pela assinatura ou ratifica\u00e7\u00e3o de novos acordos.<\/p>\n<p>Refiro-me, em particular, \u00e0 ratifica\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Acordo-Quadro entre a Santa S\u00e9 e a Rep\u00fablica do Benim sobre o Estatuto Jur\u00eddico da Igreja Cat\u00f3lica no Benim<\/em>, bem como \u00e0 assinatura do\u00a0<em>Acordo entre a Santa S\u00e9 e a Rep\u00fablica de S\u00e3o Marino para o Ensino da Religi\u00e3o Cat\u00f3lica nas escolas p\u00fablicas<\/em>.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito multilateral, a Santa S\u00e9 ratificou tamb\u00e9m a\u00a0<em>Conven\u00e7\u00e3o Regional da UNESCO sobre o Reconhecimento das Qualifica\u00e7\u00f5es do Ensino Superior na \u00c1sia e no Pac\u00edfico<\/em>\u00a0e, em mar\u00e7o passado, aderiu ao\u00a0<em>Acordo Parcial alargado sobre as Rotas Culturais do Conselho da Europa<\/em>, uma iniciativa que visa mostrar como a cultura esteja ao servi\u00e7o da paz e represente um fator unificador das distintas sociedades europeias, capaz de aumentar a conc\u00f3rdia entre os povos. Trata-se dum sinal de aten\u00e7\u00e3o particular por uma organiza\u00e7\u00e3o que, neste ano, celebra o septuag\u00e9simo anivers\u00e1rio de funda\u00e7\u00e3o e com a qual a Santa S\u00e9 colabora h\u00e1 v\u00e1rios dec\u00e9nios, reconhecendo o seu papel espec\u00edfico na promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, da democracia e do Estado de direito, num espa\u00e7o que quer abra\u00e7ar todo o continente europeu. Por fim, em 30 de novembro passado, o Estado da Cidade do Vaticano foi admitido na \u00c1rea \u00danica de Pagamentos em Euros (SEPA).<\/p>\n<p>A obedi\u00eancia \u00e0 miss\u00e3o espiritual, que deriva do ditame dado pelo Senhor Jesus ao ap\u00f3stolo Pedro \u00abapascenta os meus cordeiros\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a021, 15), impele o Papa \u2013 e consequentemente a Santa S\u00e9 \u2013 a preocupar-se com toda a fam\u00edlia humana e suas necessidades, mesmo de ordem material e social. Entretanto a Santa S\u00e9 n\u00e3o pretende imiscuir-se na vida dos Estados, mas aspira a ser uma ouvinte sol\u00edcita e sens\u00edvel das problem\u00e1ticas que dizem respeito \u00e0 humanidade, com o prop\u00f3sito sincero e humilde de se colocar ao servi\u00e7o do bem de todo o ser humano.<\/p>\n<p>\u00c9 esta solicitude que carateriza o nosso encontro de hoje e que me anima nos encontros quer com os in\u00fameros peregrinos que v\u00eam ao Vaticano de todas as partes do mundo, quer com os povos e as comunidades que tive a alegria de visitar no ano passado atrav\u00e9s das viagens apost\u00f3licas efetuadas ao Chile, Per\u00fa, Su\u00ed\u00e7a, Irlanda, Litu\u00e2nia, Let\u00f3nia e Est\u00f3nia.<\/p>\n<p>A mesma solicitude impele por todo o lado a Igreja a trabalhar para favorecer a edifica\u00e7\u00e3o de sociedades pac\u00edficas e reconciliadas. Nesta linha, penso de modo particular na amada Nicar\u00e1gua, cuja situa\u00e7\u00e3o acompanho de perto com a esperan\u00e7a de que as distintas inst\u00e2ncias pol\u00edticas e sociais encontrem no di\u00e1logo a estrada-mestra para se confrontarem em prol do bem da na\u00e7\u00e3o inteira.<\/p>\n<p>No mesmo horizonte, coloca-se tamb\u00e9m a consolida\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre a Santa S\u00e9 e o Vietnam, tendo em vista a nomea\u00e7\u00e3o, num futuro pr\u00f3ximo, dum Representante Pontif\u00edcio residente, cuja presen\u00e7a quer ser, antes de mais nada, uma manifesta\u00e7\u00e3o da solicitude do Sucessor de Pedro pela Igreja local.<\/p>\n<p>De forma an\u00e1loga, se deve entender o\u00a0<em>Acordo Provis\u00f3rio entre a Santa S\u00e9 e a Rep\u00fablica Popular da China sobre a nomea\u00e7\u00e3o dos Bispos na China<\/em>, cuja assinatura teve lugar em 22 de setembro passado. Como se sabe, tal Acordo \u00e9 fruto dum longo e ponderado di\u00e1logo institucional, atrav\u00e9s do qual se chegou a fixar alguns elementos est\u00e1veis de colabora\u00e7\u00e3o entre a S\u00e9 Apost\u00f3lica e as Autoridades civis. Como tive oportunidade de referir na Mensagem que dirigi aos cat\u00f3licos chineses e \u00e0 Igreja universal,<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\"><\/a>[1]\u00a0j\u00e1 antes readmitira na plena comunh\u00e3o eclesial os restantes Bispos oficiais ordenados sem mandato pontif\u00edcio, convidando-os a trabalhar generosamente pela reconcilia\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos chineses e por um renovado ardor na evangeliza\u00e7\u00e3o. Agrade\u00e7o ao Senhor a gra\u00e7a de, pela primeira vez depois de tantos anos, todos os Bispos da China estarem em plena comunh\u00e3o com o Sucessor de Pedro e com a Igreja universal. Um sinal vis\u00edvel disto mesmo foi a participa\u00e7\u00e3o de dois Bispos da China continental no recente S\u00ednodo dedicado aos jovens. Espera-se que a prossecu\u00e7\u00e3o dos contactos em ordem \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Acordo Provis\u00f3rio<\/em>\u00a0assinado contribua para resolver as quest\u00f5es em aberto e assegurar os espa\u00e7os necess\u00e1rios para um gozo efetivo da liberdade religiosa.<\/p>\n<p>Prezados Embaixadores!<\/p>\n<p>O ano rec\u00e9m-come\u00e7ado vai oferecer-nos v\u00e1rios anivers\u00e1rios significativos, al\u00e9m do anivers\u00e1rio do Conselho da Europa h\u00e1 pouco recordado. Dentre eles, gostaria de mencionar um em particular: os cem anos da Sociedade das Na\u00e7\u00f5es, institu\u00edda pelo Tratado de Versalhes que foi assinado em 28 de junho de 1919. Porqu\u00ea lembrar uma organiza\u00e7\u00e3o que hoje j\u00e1 n\u00e3o existe? Porque ela constitui o in\u00edcio da diplomacia multilateral moderna, atrav\u00e9s da qual os Estados procuram preservar as rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas da l\u00f3gica da vexa\u00e7\u00e3o que leva \u00e0 guerra. Aquele prel\u00fadio que foi a Sociedade das Na\u00e7\u00f5es depressa se embateu nas dificuldades conhecidas de todos que, vinte anos exatos depois do seu nascimento, levaram a um novo conflito ainda mais dilacerante: a II Guerra Mundial. Apesar disso, ela abriu uma estrada, que ser\u00e1 percorrida mais decididamente com a institui\u00e7\u00e3o, em 1945, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas: uma estrada certamente cheia de dificuldades e contrates; nem sempre eficaz, porque conflitos, infelizmente, h\u00e1-os ainda hoje; mas sempre uma oportunidade ineg\u00e1vel para as na\u00e7\u00f5es se encontrarem e buscarem solu\u00e7\u00f5es comuns.<\/p>\n<p>Premissa indispens\u00e1vel para o sucesso da diplomacia multilateral s\u00e3o a boa vontade e a boa-f\u00e9 dos interlocutores, a disponibilidade para um confronto leal e sincero e a vontade de aceitar os compromissos inevit\u00e1veis que nascem do confronto entre as Partes. Sempre que falta um s\u00f3 destes elementos, prevalece a busca de solu\u00e7\u00f5es unilaterais e, em \u00faltima an\u00e1lise, a vexa\u00e7\u00e3o do mais fraco pelo mais forte. A Sociedade das Na\u00e7\u00f5es entrou em crise precisamente por estes motivos e ainda hoje se nota, infelizmente, que as mesmas atitudes est\u00e3o a insidiar a estabilidade das principais organiza\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Por isso, considero importante que, tamb\u00e9m no presente, n\u00e3o esmore\u00e7a a vontade dum confronto sereno e construtivo entre os Estados, pois \u00e9 evidente que as rela\u00e7\u00f5es dentro da comunidade internacional e o pr\u00f3prio sistema multilateral no seu conjunto est\u00e3o atravessando momentos dif\u00edceis, com o ressurgimento de tend\u00eancias nacionalistas, que minam a voca\u00e7\u00e3o de as organiza\u00e7\u00f5es internacionais serem espa\u00e7o de di\u00e1logo e encontro para todos os pa\u00edses. Isto fica-se a dever, por um lado, a uma certa incapacidade do sistema multilateral oferecer solu\u00e7\u00f5es eficazes para v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 h\u00e1 muito n\u00e3o resolvidas, como alguns conflitos \u00abcongelados\u00bb, e enfrentar os desafios atuais de forma satisfat\u00f3ria para todos. Por outro lado, \u00e9 o resultado da evolu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas nacionais, determinadas com frequ\u00eancia cada vez maior pela busca dum consenso imediato e partid\u00e1rio, em vez da paciente prossecu\u00e7\u00e3o do bem comum com respostas a longo prazo. Por outro lado ainda, deve-se \u00e0 maior preponder\u00e2ncia nas organiza\u00e7\u00f5es internacionais de poderes e grupos de interesses que imp\u00f5em as suas perspetivas e ideias, desencadeando novas formas de coloniza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, n\u00e3o raro desrespeitadoras da identidade, dignidade e sensibilidade dos povos. E, finalmente, \u00e9 consequ\u00eancia da rea\u00e7\u00e3o em determinadas \u00e1reas do mundo a uma globaliza\u00e7\u00e3o que se desenvolveu, sob certos aspetos, de maneira demasiado r\u00e1pida e desordenada, de modo que entre globaliza\u00e7\u00e3o e situa\u00e7\u00e3o local se gera tens\u00e3o. \u00c9 preciso, portanto, prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o global sem perder de vista o que \u00e9 local. \u00c0 vista duma \u00abglobaliza\u00e7\u00e3o esf\u00e9rica\u00bb, em que se nivelam as diferen\u00e7as e as particularidades parecem desaparecer, \u00e9 f\u00e1cil ressurgirem os nacionalismos; mas a globaliza\u00e7\u00e3o pode ser tamb\u00e9m uma oportunidade, se for \u00abpoli\u00e9drica\u00bb, ou seja, se favorecer uma tens\u00e3o positiva entre a identidade de cada povo e pa\u00eds e a pr\u00f3pria globaliza\u00e7\u00e3o, de acordo com o princ\u00edpio que o todo \u00e9 superior \u00e0 parte.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn2\" name=\"_ftnref2\" title=\"\"><\/a>[2]<\/p>\n<p>Algumas destas atitudes fazem lembrar o per\u00edodo entre as duas Guerras Mundiais, quando as tend\u00eancias populistas e nacionalistas prevaleceram sobre a a\u00e7\u00e3o da Sociedade das Na\u00e7\u00f5es. O reaparecimento atual de tais impulsos est\u00e1 a enfraquecer progressivamente o sistema multilateral, com o resultado de uma falta geral de confian\u00e7a, uma crise de credibilidade da pol\u00edtica internacional e uma progressiva marginaliza\u00e7\u00e3o dos membros mais vulner\u00e1veis da fam\u00edlia das na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No seu memor\u00e1vel discurso \u00e0 Assembleia das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 o primeiro feito por um Pont\u00edfice diante daquele audit\u00f3rio \u2013, S\u00e3o Paulo VI, que tive a alegria de canonizar no ano passado, delineou os objetivos da diplomacia multilateral, as suas carater\u00edsticas e responsabilidades no contexto atual, destacando tamb\u00e9m os seus elementos de contacto com a miss\u00e3o espiritual do Papa e, consequentemente, da Santa S\u00e9.<\/p>\n<p><em>A primazia da justi\u00e7a e do direito<\/em><\/p>\n<p>O primeiro elemento de contacto que gostaria de lembrar \u00e9 a primazia da justi\u00e7a e do direito: \u00abSancionais \u2013 dizia Papa Montini \u2013 o grande princ\u00edpio de que as rela\u00e7\u00f5es entre os povos devem ser reguladas pela raz\u00e3o, pela justi\u00e7a, pelo direito e pela negocia\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o pela for\u00e7a, nem pela viol\u00eancia, nem pela guerra, assim como tamb\u00e9m n\u00e3o pelo medo ou pelo logro\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn3\" name=\"_ftnref3\" title=\"\"><\/a>[3]<\/p>\n<p>Preocupa, no nosso tempo, o ressurgimento de tend\u00eancias para fazer prevalecer e perseguir os interesses nacionais particulares sem recorrer aos instrumentos que o direito internacional prev\u00ea para se resolver as disputas e assegurar o respeito pela justi\u00e7a, inclusive atrav\u00e9s de Tribunais internacionais. \u00c0s vezes, tal atitude \u00e9 fruto da rea\u00e7\u00e3o daqueles que s\u00e3o chamados para responsabilidades de governo na sequ\u00eancia dum acentuado mal-estar que se vai desenvolvendo cada vez mais entre os cidad\u00e3os de n\u00e3o poucos pa\u00edses, para quem as din\u00e2micas e as regras que governam a comunidade internacional se apresentam lentas, abstratas e, em \u00faltima an\u00e1lise, distantes das suas reais necessidades. Conv\u00e9m que as personalidades pol\u00edticas escutem as vozes dos seus povos e busquem solu\u00e7\u00f5es concretas para promover o maior bem poss\u00edvel deles. Isso, por\u00e9m, requer o respeito do direito e da justi\u00e7a, tanto dentro das comunidades nacionais como na comunidade internacional, porque rea\u00e7\u00f5es emocionais e precipitadas poder\u00e3o aumentar consensos a curto prazo, mas de certeza n\u00e3o contribuir\u00e3o para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas mais radicais, antes agrav\u00e1-los-\u00e3o.<\/p>\n<p>Levado precisamente por esta preocupa\u00e7\u00e3o, quis dedicar a Mensagem para o LII Dia Mundial da Paz, celebrado no passado dia 1 de janeiro, ao tema: \u00ab<em>A boa pol\u00edtica est\u00e1 ao servi\u00e7o da paz<\/em>\u00bb, pois existe uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima entre a boa pol\u00edtica e a conviv\u00eancia pac\u00edfica entre os povos e as na\u00e7\u00f5es. A paz n\u00e3o \u00e9 jamais um bem de parte, mas abra\u00e7a todo o g\u00e9nero humano. Assim, um aspeto essencial da boa pol\u00edtica \u00e9 buscar o bem comum de todos, enquanto \u00abbem de todos os homens e do homem todo\u00bb<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn4\" name=\"_ftnref4\" title=\"\"><\/a>[4]\u00a0e condi\u00e7\u00e3o social que permite a cada pessoa e \u00e0 comunidade inteira alcan\u00e7ar o seu bem-estar material e espiritual.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica deve ser clarividente, n\u00e3o se limitando a procurar solu\u00e7\u00f5es de curto prazo. O bom pol\u00edtico n\u00e3o deve ocupar espa\u00e7os, mas iniciar processos; \u00e9 chamado a fazer prevalecer sobre o conflito a unidade, em cuja base est\u00e1 \u00aba solidariedade, entendida no seu sentido mais profundo e desafiador. [Ela] torna-se assim um estilo de constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, um \u00e2mbito vital onde os conflitos, as tens\u00f5es e os opostos podem alcan\u00e7ar uma unidade multifacetada que gera nova vida\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn5\" name=\"_ftnref5\" title=\"\"><\/a>[5]<\/p>\n<p>Uma tal vis\u00e3o tem em conta a dimens\u00e3o transcendente da pessoa humana, criada \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus. Assim, o respeito pela dignidade de cada ser humano \u00e9 a premissa indispens\u00e1vel para toda a conviv\u00eancia realmente pac\u00edfica, e o direito constitui o instrumento essencial para a consecu\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social e para alimentar os v\u00ednculos fraternos entre os povos. Neste contexto, um papel fundamental \u00e9 desempenhado pelos direitos humanos, enunciados na\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos<\/em>, da qual celebramos h\u00e1 pouco o septuag\u00e9simo anivers\u00e1rio e cujo car\u00e1ter universal, objetivo e racional seria oportuno redescobrir, a fim de n\u00e3o prevalecerem vis\u00f5es parciais e subjetivas do homem, que correm o risco de abrir caminho a novas desigualdades, injusti\u00e7as, discrimina\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a novas viol\u00eancias e abusos.<\/p>\n<p><em>A defesa dos mais fracos<\/em><\/p>\n<p>O segundo elemento que quero recordar \u00e9 a defesa das pessoas vulner\u00e1veis. \u00abFazemos tamb\u00e9m Nossa \u2013 afirmava Papa Montini \u2013 a voz dos pobres, dos deserdados, dos infelizes, dos que aspiram \u00e0 justi\u00e7a, \u00e0 dignidade de viver, \u00e0 liberdade, ao bem-estar e ao progresso\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn6\" name=\"_ftnref6\" title=\"\"><\/a>[6]<\/p>\n<p>Desde sempre a Igreja se empenhou em acudir a quem est\u00e1 necessitado e, no decurso destes anos, a pr\u00f3pria Santa S\u00e9 fez-se promotora de v\u00e1rios projetos de sustent\u00e1culo aos mais vulner\u00e1veis, tendo recebido apoio tamb\u00e9m de distintos sujeitos a n\u00edvel internacional. De entre eles, gostaria de citar a iniciativa humanit\u00e1ria na Ucr\u00e2nia a favor da popula\u00e7\u00e3o atribulada, sobretudo nas regi\u00f5es orientais do pa\u00eds, por causa do conflito que perdura h\u00e1 quase cinco anos tendo registado, ainda recentemente, algumas evolu\u00e7\u00f5es preocupantes no Mar Negro. Com a participa\u00e7\u00e3o ativa das Igrejas cat\u00f3licas da Europa e dos fi\u00e9is doutras partes do mundo, que acolheram o meu apelo de maio de 2016, e com a colabora\u00e7\u00e3o doutras Confiss\u00f5es e das organiza\u00e7\u00f5es internacionais, procurou-se acudir, de forma concreta, \u00e0s primeiras necessidades dos habitantes dos territ\u00f3rios afetados, que s\u00e3o as primeiras v\u00edtimas da guerra. A Igreja e as suas v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es continuar\u00e3o esta sua miss\u00e3o, com a inten\u00e7\u00e3o de granjear uma maior aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para outras quest\u00f5es humanit\u00e1rias, incluindo a sorte dos prisioneiros ainda numerosos. Com a sua atividade e a proximidade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, a Igreja procura encorajar, direta e indiretamente, percursos pac\u00edficos para a solu\u00e7\u00e3o do conflito, percursos respeitadores da justi\u00e7a e da legalidade, inclusive a internacional, fundamento da seguran\u00e7a e conviv\u00eancia em toda a Regi\u00e3o. Para isso, s\u00e3o importantes os instrumentos que garantam o livre exerc\u00edcio dos direitos religiosos.<\/p>\n<p>Por seu lado, tamb\u00e9m a comunidade internacional, com as suas organiza\u00e7\u00f5es, \u00e9 chamada a dar voz a quem n\u00e3o tem voz. E, dentre as pessoas sem voz do nosso tempo, gostaria de lembrar as v\u00edtimas das outras guerras em curso, especialmente da guerra na S\u00edria com o n\u00famero imenso de mortes que causou. De novo fa\u00e7o apelo \u00e0 comunidade internacional a fim de se favorecer uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para um conflito que, no fim, ter\u00e1 apenas derrotados. Sobretudo \u00e9 fundamental a cessa\u00e7\u00e3o das viola\u00e7\u00f5es do direito humanit\u00e1rio, que provocam sofrimentos indescrit\u00edveis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o civil, especialmente mulheres e crian\u00e7as, e atingem estruturas essenciais como os hospitais, as escolas e os campos de refugiados, bem como os edif\u00edcios religiosos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o se podem esquecer os numerosos refugiados que o conflito causou, colocando a dura prova sobretudo os pa\u00edses vizinhos. Quero agradecer mais uma vez \u00e0 Jord\u00e2nia e ao L\u00edbano, que acolheram, com esp\u00edrito fraterno e n\u00e3o poucos sacrif\u00edcios, numerosos grupos de pessoas, e ao mesmo tempo almejar que os refugiados possam regressar \u00e0 p\u00e1tria usufruindo de condi\u00e7\u00f5es de vida e seguran\u00e7a adequadas. O meu pensamento alarga-se tamb\u00e9m aos diferentes pa\u00edses europeus que generosamente ofereceram hospitalidade \u00e0queles que se encontravam em dificuldade e perigo.<\/p>\n<p>Entre as pessoas afetadas pela instabilidade que, h\u00e1 tantos anos, envolve o M\u00e9dio Oriente est\u00e3o especialmente os crist\u00e3os, que habitam aquelas terras desde o tempo dos Ap\u00f3stolos, tendo contribu\u00eddo ao longo dos s\u00e9culos para edificar e forjar a sua identidade. \u00c9 extremamente importante que os crist\u00e3os tenham um lugar no futuro da Regi\u00e3o; por isso, a todos aqueles que procuraram ref\u00fagio noutros lugares, encorajo-os a fazer o poss\u00edvel por retornar \u00e0s suas casas e, em todo o caso, a conservar e fortalecer os la\u00e7os com as comunidades de origem. Ao mesmo tempo espero que as autoridades pol\u00edticas n\u00e3o deixem de lhes garantir a seguran\u00e7a necess\u00e1ria e todos os outros requisitos que lhes permitam continuar a viver nos pa\u00edses, de que s\u00e3o a pleno t\u00edtulo cidad\u00e3os, e contribuir para a sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Infelizmente, durante estes anos, a S\u00edria e todo o M\u00e9dio Oriente em geral viram-se palco de luta entre m\u00faltiplos interesses contrapostos. Al\u00e9m dos interesses predominantes de natureza pol\u00edtica e militar, \u00e9 preciso n\u00e3o transcurar tamb\u00e9m a tentativa de semear inimizade entre mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os. \u00abSe \u00e9 verdade que, no decurso dos s\u00e9culos, surgiram entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos n\u00e3o poucas disc\u00f3rdias e \u00f3dios\u00bb,<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn7\" name=\"_ftnref7\" title=\"\"><\/a>[7]\u00a0contudo em distintos lugares do M\u00e9dio Oriente puderam uns e outros conviver pacificamente por muito tempo. Proximamente terei ocasi\u00e3o de visitar dois pa\u00edses com maioria mu\u00e7ulmana: Marrocos e Emiratos \u00c1rabes Unidos. Ser\u00e3o duas oportunidades importantes para desenvolver ainda mais o di\u00e1logo inter-religioso e o conhecimento m\u00fatuo entre os fi\u00e9is de ambas as religi\u00f5es, no VIII centen\u00e1rio do hist\u00f3rico encontro entre S\u00e3o Francisco de Assis e o sult\u00e3o al-Malik al-K?mil.<\/p>\n<p>Entre as pessoas vulner\u00e1veis do nosso tempo que a comunidade internacional \u00e9 chamada a defender, contam-se os refugiados e tamb\u00e9m os migrantes. Mais uma vez desejo chamar a aten\u00e7\u00e3o dos governos para todos aqueles que tiveram de emigrar por causa do flagelo da pobreza, de todo o g\u00e9nero de viol\u00eancia e persegui\u00e7\u00e3o, bem como das cat\u00e1strofes naturais e das perturba\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, pedindo que se facilitem as medidas que permitam a sua integra\u00e7\u00e3o social nos pa\u00edses de acolhimento. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar para que as pessoas n\u00e3o sejam for\u00e7adas a abandonar a sua fam\u00edlia e na\u00e7\u00e3o, ou possam retornar com seguran\u00e7a e no pleno respeito pela sua dignidade e direitos humanos. Todo o ser humano anseia por uma vida melhor e mais feliz e n\u00e3o se pode resolver o desafio da migra\u00e7\u00e3o com a l\u00f3gica da viol\u00eancia e do descarte nem com solu\u00e7\u00f5es parciais.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o posso deixar de agradecer os esfor\u00e7os de muitos governos e institui\u00e7\u00f5es que, movidos por generoso esp\u00edrito de solidariedade e caridade crist\u00e3, colaboram fraternalmente em prol dos migrantes. Entre eles, desejo mencionar a Col\u00f4mbia que nos \u00faltimos meses, juntamente com outros pa\u00edses do continente, acolheu um n\u00famero imenso de pessoas vindas da Venezuela. Ao mesmo tempo, estou ciente de que as ondas migrat\u00f3rias destes anos causaram difid\u00eancia e preocupa\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o de muitos pa\u00edses, especialmente na Europa e na Am\u00e9rica do Norte, e isso impeliu v\u00e1rios governos a limitar fortemente os fluxos de entrada, mesmo se em travessia. Entretanto considero que n\u00e3o se podem dar solu\u00e7\u00f5es parciais para uma quest\u00e3o t\u00e3o universal. Emerg\u00eancias recentes mostraram que \u00e9 necess\u00e1ria uma resposta comum, concordada por todos os pa\u00edses, sem obst\u00e1culos e no respeito de cada inst\u00e2ncia leg\u00edtima quer dos Estados quer dos migrantes e refugiados.<\/p>\n<p>Nesta perspetiva, a Santa S\u00e9 tem-se empenhado ativamente nas negocia\u00e7\u00f5es e adotou dois\u00a0<em>Pactos Globais<\/em>\u00a0sobre\u00a0<em>Refugiados<\/em>\u00a0e sobre a\u00a0<em>Migra\u00e7\u00e3o segura, ordenada e regular<\/em>. Particularmente o Pacto sobre as migra\u00e7\u00f5es constitui um importante passo em frente na comunidade internacional, que nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, pela primeira vez a n\u00edvel multilateral, aborda o tema num documento relevante. N\u00e3o obstante a natureza jur\u00eddica n\u00e3o vinculativa destes documentos e a aus\u00eancia de v\u00e1rios governos na recente Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas em Marraquexe, os dois\u00a0<em>Pactos<\/em>\u00a0ser\u00e3o pontos importantes de refer\u00eancia para o compromisso pol\u00edtico e a a\u00e7\u00e3o concreta de organiza\u00e7\u00f5es internacionais, legisladores e pol\u00edticos, bem como para aqueles que est\u00e3o empenhados numa gest\u00e3o mais respons\u00e1vel, coordenada e segura das situa\u00e7\u00f5es que, por v\u00e1rios t\u00edtulos, t\u00eam a ver com os refugiados e os migrantes. De ambos os Pactos, a Santa S\u00e9 aprecia a inten\u00e7\u00e3o e o car\u00e1ter que facilita a sua implementa\u00e7\u00e3o, embora tenha expresso reservas sobre os documentos mencionados no Pacto relativo \u00e0s migra\u00e7\u00f5es, que cont\u00eam terminologias e diretrizes n\u00e3o c\u00f4nsonas aos seus princ\u00edpios sobre a vida e os direitos das pessoas.<\/p>\n<p>Pensando noutros vulner\u00e1veis, \u00abtemos consci\u00eancia de fazer nossa \u2013 dizia ainda Paulo VI \u2013 a voz (\u2026) das jovens gera\u00e7\u00f5es de hoje, que avan\u00e7am confiantes, esperando com raz\u00e3o uma humanidade melhor\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn8\" name=\"_ftnref8\" title=\"\"><\/a>[8]\u00a0Aos jovens, que muitas vezes se sentem perdidos e sem certezas para o futuro, foi dedicada a XV Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos. E ser\u00e3o eles tamb\u00e9m os protagonistas da viagem apost\u00f3lica que farei ao Panam\u00e1 dentro de alguns dias, por ocasi\u00e3o da XXXIV Jornada Mundial da Juventude. Os jovens s\u00e3o o futuro, e abrir as estradas do futuro constitui um dever da pol\u00edtica. Por isso, \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio investir em iniciativas que permitam \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es construir um futuro, tendo a possibilidade de encontrar trabalho, formar uma fam\u00edlia e criar filhos.<\/p>\n<p>A par dos jovens, merecem men\u00e7\u00e3o particular as crian\u00e7as, sobretudo neste ano em que tem lugar o trig\u00e9simo anivers\u00e1rio da ado\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos da Crian\u00e7a<\/em>. Trata-se duma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para uma reflex\u00e3o s\u00e9ria sobre os passos realizados a fim de velar pelo bem dos nossos pequeninos e pelo seu desenvolvimento social e intelectual, bem como pelo seu crescimento f\u00edsico, ps\u00edquico e espiritual. Nesta circunst\u00e2ncia, n\u00e3o posso deixar passar em sil\u00eancio um dos flagelos do nosso tempo, que, infelizmente, viu protagonistas tamb\u00e9m v\u00e1rios membros do clero. Os abusos contra os menores constituem um dos mais vis e nefastos crimes poss\u00edveis. Cancelam inexoravelmente o melhor do que a vida humana reserva a um inocente, causando danos irrepar\u00e1veis para o resto da exist\u00eancia. A Santa S\u00e9 e toda a Igreja est\u00e3o-se esfor\u00e7ando por combater e prevenir tais delitos e o seu encobrimento, acertar a verdade dos factos em que est\u00e3o envolvidos cl\u00e9rigos e fazer justi\u00e7a aos menores que sofreram viol\u00eancias sexuais, agravadas por abusos de poder e de consci\u00eancia. O encontro que terei com os Episcopados de todo o mundo, no pr\u00f3ximo m\u00eas de fevereiro, pretende ser mais um passo no caminho da Igreja para esclarecer plenamente os factos e lenir as feridas causadas por tais delitos.<\/p>\n<p>Pesa constatar que nas nossas sociedades, frequentemente caraterizadas por contextos familiares fr\u00e1geis, se desenvolvam comportamentos violentos tamb\u00e9m contra as mulheres, cuja dignidade est\u00e1 no centro da Carta apost\u00f3lica\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_letters\/1988\/documents\/hf_jp-ii_apl_19880815_mulieris-dignitatem.html\">Mulieris dignitatem<\/a><\/em>, publicada h\u00e1 trinta anos pelo Santo Pont\u00edfice Jo\u00e3o Paulo II. Perante o flagelo dos abusos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos contra as mulheres, \u00e9 urgente descobrir formas de rela\u00e7\u00f5es justas e equilibradas, baseadas no respeito e reconhecimento m\u00fatuos, nas quais cada um possa expressar de maneira aut\u00eantica a sua identidade; entretanto a promo\u00e7\u00e3o dalgumas formas de n\u00e3o-diferencia\u00e7\u00e3o arrisca-se a desnaturar o pr\u00f3prio ser homem ou mulher.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o aos mais vulner\u00e1veis impele-nos a refletir tamb\u00e9m sobre outro flagelo do nosso tempo, ou seja, as condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores. O trabalho, se n\u00e3o for adequadamente tutelado, deixa de ser o meio pelo qual o homem se realiza, para se tornar uma forma moderna de escravid\u00e3o. H\u00e1 cem anos nascia a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, que procurou promover condi\u00e7\u00f5es de trabalho adequadas e aumentar a dignidade dos pr\u00f3prios trabalhadores. Diante dos desafios do nosso tempo, sendo o primeiro deles o crescente desenvolvimento tecnol\u00f3gico que subtrai emprego e leva a diminuir as garantias econ\u00f3micas e sociais dos trabalhadores, almejo que a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho continue, livre de interesses parciais, a ser exemplo de di\u00e1logo e concerta\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar os seus altos objetivos. Nesta sua miss\u00e3o, \u00e9 chamada a enfrentar, com outras inst\u00e2ncias da comunidade internacional, tamb\u00e9m o flagelo do trabalho infantil e das novas formas de escravid\u00e3o, bem como uma diminui\u00e7\u00e3o progressiva do valor dos sal\u00e1rios, especialmente nos pa\u00edses desenvolvidos, e a persistente discrimina\u00e7\u00e3o das mulheres nos ambientes laborais.<\/p>\n<p><em>Ser ponte entre os povos e construtores da paz<\/em><\/p>\n<p>Na sua interven\u00e7\u00e3o dirigida \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas, S\u00e3o Paulo VI indicou claramente o objetivo principal daquela organiza\u00e7\u00e3o internacional. \u00abV\u00f3s existis \u2013 dizia ele \u2013 e trabalhais para unir a na\u00e7\u00f5es, para associar os Estados (\u2026): para harmonizar uns com os outros. (&#8230;) V\u00f3s sois uma ponte entre os povos. (&#8230;) Basta recordar que o sangue de milh\u00f5es de homens, os sofrimentos espantosos e inumer\u00e1veis, os in\u00fateis massacres e as aterradoras ru\u00ednas sancionam o pacto que vos une, num juramento que deve mudar a hist\u00f3ria futura do mundo: nunca mais a guerra, nunca mais a guerra! \u00c9 a paz, a paz que deve guiar o destino dos povos e de toda a humanidade. (&#8230;) A paz, v\u00f3s o sabeis, n\u00e3o se constr\u00f3i somente por meio da pol\u00edtica e do equil\u00edbrio das for\u00e7as e dos interesses. Ela constr\u00f3i-se com o esp\u00edrito, as ideias, as obras da paz\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn9\" name=\"_ftnref9\" title=\"\"><\/a>[9]<\/p>\n<p>No decurso do ano passado, houve alguns sinais de paz significativos, a come\u00e7ar pelo hist\u00f3rico Acordo entre a Eti\u00f3pia e a Eritreia, que p\u00f4s fim a vinte anos de conflito e restabeleceu as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre os dois pa\u00edses. Tamb\u00e9m o acordo assinado pelos l\u00edderes do Sud\u00e3o do Sul, que permite retomar a conviv\u00eancia civil e reativar o funcionamento das institui\u00e7\u00f5es nacionais, \u00e9 um sinal de esperan\u00e7a para o continente africano, onde, no entanto, continuam a existir graves tens\u00f5es e pobreza generalizada. Sigo com particular aten\u00e7\u00e3o a evolu\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, com a esperan\u00e7a de que o pa\u00eds possa reencontrar a reconcilia\u00e7\u00e3o por que anela h\u00e1 longo tempo e empreender resolutamente um caminho rumo ao desenvolvimento, pondo fim ao estado persistente de inseguran\u00e7a que afeta milh\u00f5es de pessoas, incluindo muitas crian\u00e7as. Para uma paz sustent\u00e1vel, \u00e9 fator determinante o respeito pelo resultado eleitoral. De igual modo expresso a minha proximidade a quantos sofrem por causa da viol\u00eancia fundamentalista, especialmente no Mali, N\u00edger e Nig\u00e9ria, ou pelas persistentes tens\u00f5es internas nos Camar\u00f5es, que muitas vezes semeiam a morte entre a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Globalmente \u00e9 preciso tamb\u00e9m assinalar que a \u00c1frica, prescindindo de v\u00e1rias vicissitudes dram\u00e1ticas, revela um potencial dinamismo positivo, enraizado na sua antiga cultura e tradicional hospitalidade. Um exemplo de solidariedade efetiva entre as na\u00e7\u00f5es \u00e9 a abertura das fronteiras em distintos pa\u00edses para receber generosamente os refugiados e deslocados. Merece apre\u00e7o o facto de que, em muitos Estados, cresce a pac\u00edfica conviv\u00eancia entre crentes de diferentes religi\u00f5es e s\u00e3o encorajadas iniciativas solid\u00e1rias comuns. Al\u00e9m disso, a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas inclusivas e os progressos nos processos democr\u00e1ticos est\u00e3o a dar, em variadas regi\u00f5es, resultados eficazes no combate \u00e0 pobreza absoluta e na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social. Por isso, o apoio da comunidade internacional torna-se ainda mais urgente para favorecer o desenvolvimento das infraestruturas, a cria\u00e7\u00e3o de perspetivas para as gera\u00e7\u00f5es mais jovens e a emancipa\u00e7\u00e3o dos setores mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>T\u00eam chegado sinais positivos da pen\u00ednsula coreana. A Santa S\u00e9 olha favoravelmente os di\u00e1logos e almeja que possam enfrentar tamb\u00e9m as quest\u00f5es mais complexas com uma atitude construtiva e levar a solu\u00e7\u00f5es partilhadas e duradouras, bem como assegurar um futuro de desenvolvimento e coopera\u00e7\u00e3o para o povo coreano inteiro e para toda a Regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Votos an\u00e1logos, formulo para a amada Venezuela, esperando que se encontrem vias institucionais e pac\u00edficas para dar solu\u00e7\u00e3o \u00e0 perdurante crise pol\u00edtica, social e econ\u00f3mica; vias que consintam, antes de mais nada, prestar assist\u00eancia a quantos s\u00e3o atribulados pelas tens\u00f5es destes anos e oferecer um horizonte de esperan\u00e7a e paz a todo o povo venezuelano.<\/p>\n<p>A Santa S\u00e9 espera ainda que se possa retomar o di\u00e1logo entre israelitas e palestinianos, para que se consiga finalmente alcan\u00e7ar um acordo e dar resposta \u00e0s leg\u00edtimas aspira\u00e7\u00f5es de ambos os povos, garantindo a conviv\u00eancia de dois Estados e a consecu\u00e7\u00e3o duma paz h\u00e1 muito esperada e desejada. O esfor\u00e7o concorde da comunidade internacional \u00e9 extremamente precioso e necess\u00e1rio para se conseguir tal objetivo, bem como promover a paz em toda a Regi\u00e3o, particularmente no I\u00e9men e no Iraque, e permitir ao mesmo tempo levar as ajudas humanit\u00e1rias necess\u00e1rias \u00e0s popula\u00e7\u00f5es carenciadas.<\/p>\n<p><em>Repensar o nosso destino comum<\/em><\/p>\n<p>Por fim, gostaria de recordar um quarto tra\u00e7o da diplomacia multilateral: esta convida-nos a repensar o nosso destino comum. Paulo VI houve por bem afirm\u00e1-lo nestes termos: \u00abDevemos habituar-nos a pensar (&#8230;) de uma maneira nova tamb\u00e9m a vida comunit\u00e1ria dos homens, de uma maneira nova enfim os caminhos da hist\u00f3ria e os destinos do mundo (\u2026). Eis chegada a hora em que se imp\u00f5e (\u2026) pensar de novo na nossa comum origem, na nossa hist\u00f3ria, no nosso destino comum. Nunca como hoje, numa \u00e9poca marcada por tal progresso humano, foi t\u00e3o necess\u00e1rio o apelo \u00e0 consci\u00eancia moral do homem. Porque o perigo n\u00e3o vem nem do progresso nem da ci\u00eancia (\u2026). O verdadeiro perigo est\u00e1 no homem, que disp\u00f5e de instrumentos sempre mais poderosos, aptos tanto para a ru\u00edna como para as mais elevadas conquistas\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn10\" name=\"_ftnref10\" title=\"\"><\/a>[10]<\/p>\n<p>No contexto de ent\u00e3o, o Pont\u00edfice referia-se essencialmente \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o das armas nucleares. \u00abAs armas \u2013 dizia ele \u2013, sobretudo as terr\u00edveis que a ci\u00eancia moderna [nos] deu, antes mesmo de causarem v\u00edtimas e ru\u00ednas, engendram maus sonhos, alimentam maus sentimentos, criam pesadelos, desconfian\u00e7as, sombrias resolu\u00e7\u00f5es. Exigem enormes despesas. Det\u00eam os projetos de solidariedade e de \u00fatil trabalho. Falseiam a psicologia dos povos\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn11\" name=\"_ftnref11\" title=\"\"><\/a>[11]<\/p>\n<p>Infelizmente, pesa constatar que o mercado das armas n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o parece sofrer interrup\u00e7\u00e3o, mas ao contr\u00e1rio existe uma tend\u00eancia cada vez mais difusa para se armar por parte tanto dos indiv\u00edduos como dos Estados. De modo especial preocupa o facto de que o desarmamento nuclear, amplamente almejado e em parte perseguido nas \u00faltimas d\u00e9cadas, esteja agora dando lugar \u00e0 pesquisa de novas armas cada vez mais sofisticadas e destrutivas. Aqui quero reiterar que \u00abn\u00e3o podemos deixar de ter um grande sentimento de inquieta\u00e7\u00e3o, se considerarmos as catastr\u00f3ficas consequ\u00eancias humanit\u00e1rias e ambientais que derivam de qualquer uso dos dispositivos nucleares. Por conseguinte, mesmo considerando o risco de uma explos\u00e3o acidental dessas armas devido a um erro de qualquer tipo, deve ser condenada com firmeza a amea\u00e7a do seu uso, assim como a sua posse, precisamente porque a sua exist\u00eancia \u00e9 funcional \u00e0 l\u00f3gica de medo que n\u00e3o diz respeito apenas \u00e0s partes em conflito, mas a todo o g\u00e9nero humano. As rela\u00e7\u00f5es internacionais n\u00e3o podem ser dominadas pela for\u00e7a militar, pelas intimida\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas, pela ostenta\u00e7\u00e3o dos arsenais b\u00e9licos. As armas de destrui\u00e7\u00e3o de massa, em particular as at\u00f3micas, geram unicamente um sentido enganador de seguran\u00e7a e n\u00e3o podem constituir a base da conviv\u00eancia pac\u00edfica entre os membros da fam\u00edlia humana, que ao contr\u00e1rio deve inspirar-se numa \u00e9tica de solidariedade\u00bb.<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn12\" name=\"_ftnref12\" title=\"\"><\/a>[12]<\/p>\n<p>Repensar o nosso destino comum, no contexto atual, significa tamb\u00e9m repensar a rela\u00e7\u00e3o com o nosso Planeta. Tamb\u00e9m no ano passado, constrangimentos e tribula\u00e7\u00f5es indescrit\u00edveis, provocados por aluvi\u00f5es, inunda\u00e7\u00f5es, inc\u00eandios, terremotos e a seca, atingiram duramente as popula\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias regi\u00f5es do continente americano e do sudeste asi\u00e1tico. Entre as quest\u00f5es sobre as quais \u00e9 particularmente urgente encontrar um acordo na comunidade internacional, temos o cuidado do meio-ambiente e a altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. A prop\u00f3sito e \u00e0 luz tamb\u00e9m do consenso alcan\u00e7ado na recente Confer\u00eancia Internacional sobre o Clima (COP-24) realizada em Katowice, almejo um empenhamento mais resoluto por parte dos Estados no refor\u00e7o da colabora\u00e7\u00e3o para contrastar, urgentemente, o fen\u00f3meno preocupante do aquecimento global. A Terra \u00e9 de todos e as consequ\u00eancias da sua explora\u00e7\u00e3o recaem sobre toda a popula\u00e7\u00e3o mundial, com efeitos mais dram\u00e1ticos nalgumas regi\u00f5es. Entre estas, conta-se a Amaz\u00f3nia, que estar\u00e1 no centro da pr\u00f3xima Assembleia Especial do S\u00ednodo dos Bispos, prevista para o m\u00eas de outubro no Vaticano, a qual, apesar de tratar principalmente dos caminhos da evangeliza\u00e7\u00e3o para o povo de Deus, n\u00e3o deixar\u00e1 tamb\u00e9m de enfrentar as problem\u00e1ticas ambientais em estreita rela\u00e7\u00e3o com as consequ\u00eancias sociais.<\/p>\n<p>Excel\u00eancias, Senhoras e Senhores!<\/p>\n<p>No dia 9 de novembro de 1989, ca\u00eda o Muro de Berlim. Dali a poucos meses, p\u00f4r-se-ia fim \u00e0 \u00faltima heran\u00e7a da II Guerra Mundial: a lacerante divis\u00e3o da Europa decidida em Ialta e a guerra fria. Os pa\u00edses a leste da cortina de ferro reencontraram a liberdade depois de dec\u00e9nios de opress\u00e3o, e muitos deles come\u00e7aram a encaminhar-se pela estrada que os levaria a aderir \u00e0 Uni\u00e3o Europeia. No contexto atual, em que prevalecem novos \u00edmpetos centr\u00edfugos e a tenta\u00e7\u00e3o de erguer novas cortinas, n\u00e3o se perca na Europa a consci\u00eancia dos benef\u00edcios \u2013 sendo o primeiro deles a paz \u2013 trazidos pelo caminho de amizade e aproxima\u00e7\u00e3o entre os povos empreendido depois da II Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Um \u00faltimo anivers\u00e1rio quero, enfim, mencionar hoje. No dia 11 de fevereiro de h\u00e1 noventa anos, nascia o Estado da Cidade do Vaticano, na sequ\u00eancia da assinatura dos Pactos Lateranenses entre a Santa S\u00e9 e a It\u00e1lia. Encerrava-se, assim, o longo per\u00edodo da \u00abQuest\u00e3o Romana\u00bb na sequ\u00eancia da tomada de Roma e do fim do Estado Pontif\u00edcio. Com o Tratado de Latr\u00e3o, a Santa S\u00e9 podia \u2013 como fez quest\u00e3o de afirmar Pio XI \u2013 dispor daquele \u00abm\u00ednimo de territ\u00f3rio material que \u00e9 indispens\u00e1vel para o exerc\u00edcio dum poder espiritual confiado a homens em benef\u00edcio de homens\u00bb<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftn13\" name=\"_ftnref13\" title=\"\"><\/a>[13]\u00a0e, com a Concordata, a Igreja p\u00f4de de novo contribuir plenamente para o crescimento espiritual e material de Roma e de toda a It\u00e1lia, uma terra rica de hist\u00f3ria, arte e cultura, que o cristianismo contribuiu para forjar. Nesta ocorr\u00eancia, asseguro ao povo italiano uma ora\u00e7\u00e3o especial para que, na fidelidade \u00e0s suas tradi\u00e7\u00f5es, mantenha vivo aquele esp\u00edrito de solidariedade fraterna que h\u00e1 muito o carateriza.<\/p>\n<p>Para todos v\u00f3s, prezados Embaixadores e ilustres H\u00f3spedes aqui reunidos, e para os vossos pa\u00edses, formulo cordiais votos de que o novo ano permita refor\u00e7ar os v\u00ednculos de amizade que nos ligam e trabalhar para construir a paz a que o mundo aspira.<\/p>\n<p>Obrigado!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\"><\/a>[1]\u00a0Cf.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/pont-messages\/2018\/documents\/papa-francesco_20180926_messaggio-cattolici-cinesi.html\">Mensagem aos cat\u00f3licos chineses e \u00e0 Igreja universal<\/a><\/em>\u00a0(26\/IX\/2018), 3.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref2\" name=\"_ftn2\" title=\"\"><\/a>[2]\u00a0Cf. Francisco, Exort. ap.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/em>\u00a0(24\/XI\/2013), 234.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref3\" name=\"_ftn3\" title=\"\"><\/a>[3]\u00a0Paulo VI,\u00a0<em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/speeches\/1965\/documents\/hf_p-vi_spe_19651004_united-nations.html\">Discurso \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a><\/em>\u00a0(Nova Iorque, 4\/X\/1965), 2.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref4\" name=\"_ftn4\" title=\"\"><\/a>[4]\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/justpeace\/documents\/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html\">Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja<\/a><\/em>, 165.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref5\" name=\"_ftn5\" title=\"\"><\/a>[5]\u00a0Francisco, Exort. ap.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/em>\u00a0(24\/XI\/2013), 228.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref6\" name=\"_ftn6\" title=\"\"><\/a>[6]\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2015\/september\/documents\/papa-francesco_20150925_onu-visita.html\">Discurso \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a><\/em>, 1.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref7\" name=\"_ftn7\" title=\"\"><\/a>[7]\u00a0Conc. Ecum. Vat. II, Decl. sobre as rela\u00e7\u00f5es da Igreja com as religi\u00f5es n\u00e3o-crist\u00e3s\u00a0<em>Nostra \u00e6tate<\/em>\u00a0(28\/X\/1965), 3.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref8\" name=\"_ftn8\" title=\"\"><\/a>[8]\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2015\/september\/documents\/papa-francesco_20150925_onu-visita.html\">Discurso \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a><\/em>, 1.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref9\" name=\"_ftn9\" title=\"\"><\/a>[9]\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2015\/september\/documents\/papa-francesco_20150925_onu-visita.html\">Ibid<\/a>.<\/em>, 3; 5.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref10\" name=\"_ftn10\" title=\"\"><\/a>[10]\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2015\/september\/documents\/papa-francesco_20150925_onu-visita.html\">Ibid<\/a>.<\/em>, 7.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref11\" name=\"_ftn11\" title=\"\"><\/a>[11]\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2015\/september\/documents\/papa-francesco_20150925_onu-visita.html\">Ibid<\/a>.<\/em>, 5.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref12\" name=\"_ftn12\" title=\"\"><\/a>[12]\u00a0Francisco,\u00a0<em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2017\/november\/documents\/papa-francesco_20171110_convegno-disarmointegrale.html\">Discurso aos participantes no Simp\u00f3sio Internacional sobre o Desarmamento, promovido pelo Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral<\/a><\/em>\u00a0(10\/XI\/2017).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html#_ftnref13\" name=\"_ftn13\" title=\"\"><\/a>[13]\u00a0Pio XI<em>,\u00a0<\/em>Alocu\u00e7\u00e3o \u00ab<em>O nosso mais cordial<\/em>\u00bb, aos p\u00e1rocos de Roma e aos pregadores do per\u00edodo quaresmal, por ocasi\u00e3o da assinatura do Tratado e da Concordata no Pal\u00e1cio Lateranense (11\/II\/1929).<\/p>\n<p><span><br \/><\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco recebeu hoje os diplomatas acreditados na Santa S\u00e9 e pediu o reavivar da amizade e da 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