{"id":4225615796,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/9055-homilia-do-papa-francisco-na-solenidade-de-maria-santissima"},"modified":"2025-11-07T16:34:35","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:35","slug":"homilia-do-papa-francisco-na-solenidade-de-maria-santissima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-francisco-na-solenidade-de-maria-santissima\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco na Solenidade de Maria Sant\u00edssima"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/vaticano_ano_novo_200102033731.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>No primeiro dia do ano o Papa Francisco recordou o papel central da &#8220;mulher&#8221; na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e desafiou os fi\u00e9is a &#8220;um novo olhar&#8221; para o universo feminino num mundo que &#8220;explora o corpo da mulher&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre<\/p>\n<p>\u00abQuando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher\u00bb (<em>Gal<\/em>\u00a04, 4). Nascido de uma mulher: assim veio Jesus. N\u00e3o apareceu adulto no mundo, mas, como disse o Evangelho, foi \u00abconcebido no seio materno\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 21): aqui, dia ap\u00f3s dia, m\u00eas ap\u00f3s m\u00eas, assumiu a nossa humanidade. No seio duma mulher, Deus e a humanidade uniram-se para nunca mais se deixarem: mesmo agora, no C\u00e9u, Jesus vive na carne que tomou no seio de sua m\u00e3e. Em Deus, h\u00e1 a nossa carne humana!<\/p>\n<p>No primeiro dia do ano, celebramos estas n\u00fapcias entre Deus e o homem, inauguradas no seio de uma mulher. Em Deus, estar\u00e1 para sempre a nossa humanidade, e Maria ser\u00e1 a M\u00e3e de Deus para sempre. \u00c9 mulher e m\u00e3e: isto \u00e9 o essencial. D\u2019Ela, mulher, surgiu a salva\u00e7\u00e3o e, assim, n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o sem a mulher. N\u2019Ela, Deus uniu-Se a n\u00f3s e, se queremos unir-nos a Ele, temos de passar pela mesma estrada: por Maria, mulher e m\u00e3e. Por isso, come\u00e7amos o ano sob o signo de Nossa Senhora, mulher que teceu a humanidade de Deus. Se quisermos tecer de humanidade a trama dos nossos dias, devemos recome\u00e7ar da mulher.<\/p>\n<p><em>Nascido de uma mulher<\/em>. O renascimento da humanidade come\u00e7ou pela mulher. As mulheres s\u00e3o fontes de vida; e, no entanto, s\u00e3o continuamente ofendidas, espancadas, violentadas, induzidas a prostituir-se e a suprimir a vida que trazem no seio. Toda a viol\u00eancia infligida \u00e0 mulher \u00e9 profana\u00e7\u00e3o de Deus, nascido de uma mulher. A salva\u00e7\u00e3o chegou \u00e0 humanidade, a partir do corpo de uma mulher: pelo modo como tratamos o corpo da mulher, v\u00ea-se o nosso n\u00edvel de humanidade. Quantas vezes o corpo da mulher acaba sacrificado nos altares profanos da publicidade, do lucro, da pornografia, explorado como se usa uma superf\u00edcie qualquer. H\u00e1 que libert\u00e1-lo do consumismo, deve ser respeitado e honrado; \u00e9 a carne mais nobre do mundo: concebeu e deu \u00e0 luz o Amor que nos salvou! Ainda hoje a maternidade \u00e9 humilhada, porque o \u00fanico crescimento que interessa \u00e9 o econ\u00f3mico. H\u00e1 m\u00e3es que, na busca desesperada de dar um futuro melhor ao fruto do seu seio, se arriscam a viagens impratic\u00e1veis e acabam julgadas como n\u00famero excedente por pessoas que t\u00eam a barriga cheia, mas de coisas, e o cora\u00e7\u00e3o vazio de amor.<\/p>\n<p><em>Nascido de uma mulher<\/em>. Segundo a narra\u00e7\u00e3o da B\u00edblia, no cume da cria\u00e7\u00e3o surge a mulher, quase como comp\u00eandio de toda a obra criada. De facto, encerra em si mesma a finalidade da pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o: a gera\u00e7\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o da vida, a comunh\u00e3o com tudo, a solicitude por tudo. \u00c9 o que faz Nossa Senhora no Evangelho de hoje. \u00abMaria \u2013 diz o texto \u2013 conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 19). Conservava tudo: a alegria pelo nascimento de Jesus e a tristeza pela hospitalidade negada em Bel\u00e9m; o amor de Jos\u00e9 e a admira\u00e7\u00e3o dos pastores; as promessas e as incertezas quanto ao futuro. Interessava-se por tudo e, no seu cora\u00e7\u00e3o, tudo reajustava, incluindo as adversidades. Pois, no seu cora\u00e7\u00e3o, tudo organizava com amor e confiava tudo a Deus.<\/p>\n<p>No Evangelho, esta atividade de Maria reaparece uma segunda vez: na adolesc\u00eancia de Jesus, diz-se que a \u00absua m\u00e3e guardava todas estas coisas no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 51). Esta repeti\u00e7\u00e3o faz-nos compreender que o gesto de guardar no cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o era simplesmente um ato bom que Nossa Senhora realizava de vez em quando, mas \u00e9 um h\u00e1bito d\u2019Ela. \u00c9 pr\u00f3prio da mulher tomar a peito a vida. A mulher mostra que o sentido da vida n\u00e3o \u00e9 produzir coisas em continua\u00e7\u00e3o, mas tomar a peito as coisas que existem. S\u00f3 v\u00ea bem quem olha com o cora\u00e7\u00e3o, porque sabe \u00abver dentro\u00bb: a pessoa independentemente dos seus erros, o irm\u00e3o independentemente das suas fragilidades, a esperan\u00e7a nas dificuldades; v\u00ea Deus em tudo.<\/p>\n<p>Ao come\u00e7armos um ano novo, interroguemo-nos: \u00abSei olhar com o cora\u00e7\u00e3o? Sei olhar as pessoas, com o cora\u00e7\u00e3o? Tenho a peito as pessoas com quem vivo, ou arru\u00edno-as com as bisbilhotices? E sobretudo, no centro do cora\u00e7\u00e3o, tenho o Senhor ou outros valores, outros interesses, a minha promo\u00e7\u00e3o, as riquezas, o poder?\u00bb Somente se tivermos a\u00a0<em>peito<\/em>\u00a0a vida \u00e9 que saberemos\u00a0<em>cuidar<\/em>\u00a0dela e vencer a indiferen\u00e7a que nos rodeia. Pe\u00e7amos esta gra\u00e7a: viver o ano com o desejo de ter a peito os outros, cuidar dos outros. E se queremos um mundo melhor, que seja casa de paz e n\u00e3o palco de guerra, tenhamos a peito a dignidade de cada mulher. Da mulher, nasceu o Pr\u00edncipe da paz. A mulher \u00e9 doadora e medianeira de paz, e deve ser plenamente associada aos seus processos decisores. Com efeito, quando \u00e9 dada \u00e0s mulheres a possibilidade de transmitir os seus dons, o mundo encontra-se mais unido e mais em paz. Por isso, uma conquista a favor da mulher \u00e9 uma conquista em prol da humanidade inteira.<\/p>\n<p><em>Nascido de uma mulher<\/em>. Jesus, logo que nasceu, espelhou-Se nos olhos duma mulher, no rosto de sua M\u00e3e. D\u2019Ela recebeu as primeiras car\u00edcias, com Ela trocou os primeiros sorrisos. Com Ela, inaugurou a revolu\u00e7\u00e3o da ternura; a Igreja, ao contemplar o Menino Jesus, \u00e9 chamada a continu\u00e1-la. Pois tamb\u00e9m ela, como Maria, \u00e9 mulher e m\u00e3e \u2013 a Igreja \u00e9 mulher e m\u00e3e \u2013, e encontra em Nossa Senhora os seus tra\u00e7os carater\u00edsticos. V\u00ea-A imaculada e sente-se chamada a dizer \u00abn\u00e3o\u00bb ao pecado e ao mundanismo. V\u00ea-A fecunda e sente-se chamada a anunciar o Senhor, a ger\u00e1-Lo nas in\u00fameras vidas. V\u00ea-A m\u00e3e e sente-se chamada a acolher cada homem como um filho.<\/p>\n<p>Aproximando-se de Maria, a Igreja reencontra-se: encontra o seu centro, encontra a sua unidade. Ao contr\u00e1rio o diabo, inimigo da natureza humana, procura dividi-la, colocando em primeiro plano as diferen\u00e7as, as ideologias, os pensamentos unilaterais e os partidos. Mas n\u00e3o compreenderemos a Igreja, se olharmos para ela a partir das estruturas, a partir dos programas e das tend\u00eancias, das ideologias, da funcionalidade: entenderemos qualquer coisa, mas n\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o da Igreja. Porque a Igreja tem um cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e. E n\u00f3s, filhos, invocamos hoje a M\u00e3e de Deus, que nos re\u00fane como povo crente. \u00d3 M\u00e3e, gerai em n\u00f3s a esperan\u00e7a, trazei-nos a unidade. Mulher da salva\u00e7\u00e3o, confiamo-Vos este ano, guardai-o no vosso cora\u00e7\u00e3o. N\u00f3s Vos aclamamos: Santa M\u00e3e de Deus. Todos juntos, de p\u00e9, aclamemos Nossa Senhora, a Santa M\u00e3e de Deus: [<em>repete com a assembleia<\/em>] Santa M\u00e3e de Deus, Santa M\u00e3e de Deus, Santa M\u00e3e de Deus!<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2020\/documents\/papa-francesco_20200101_omelia-madredidio-pace.html\" target=\"_blank\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>01.01.2020<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro dia do ano o Papa Francisco recordou o papel central da &#8220;mulher&#8221; na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e desafiou 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