{"id":4247519578,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/10943-papa-pede-crentes-capazes-de-nutrir-a-esperanca-de-amanha-curando-a-dor-de-hoje"},"modified":"2025-11-07T16:34:42","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:42","slug":"papa-pede-crentes-capazes-de-nutrir-a-esperanca-de-amanha-curando-a-dor-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/papa-pede-crentes-capazes-de-nutrir-a-esperanca-de-amanha-curando-a-dor-de-hoje\/","title":{"rendered":"Papa pede crentes capazes de \u00abnutrir a esperan\u00e7a de amanh\u00e3, curando a dor de hoje\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_verde_2_211114033700-1.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>Francisco celebrou hoje o 5\u00ba Dia Mundial dos Pobres. Na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, no Vaticano, o Papa pediu aos crentes para levarem aos pobres &#8220;este olhar de esperan\u00e7a, com ternura&#8221; e com &#8220;compaix\u00e3o, sem os julgar&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre<\/p>\n<p>As imagens utilizadas por Jesus, na primeira parte do Evangelho de hoje, deixam-nos apreensivos: o sol escurece, a lua deixa de dar claridade, as estrelas caem e as for\u00e7as celestes s\u00e3o abaladas (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a013, 24-25). Mas, pouco depois, o Senhor abre \u00e0 esperan\u00e7a: ser\u00e1 num momento assim, de total obscuridade, que h\u00e1 de vir o Filho do Homem (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a013, 26); e agora j\u00e1 se podem contemplar os sinais da sua vinda, como quando deduzimos que o ver\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3ximo por ver que a figueira come\u00e7a a cobrir-se de folhas (cf.<em>\u00a0Mc<\/em>\u00a013, 28).<\/p>\n<p>Deste modo o Evangelho ajuda-nos a ler a hist\u00f3ria, captando dois aspetos dela:<em>\u00a0as dores de hoje<\/em>\u00a0e\u00a0<em>a esperan\u00e7a de amanh\u00e3<\/em>. Por um lado, evocam-se todas as dolorosas contradi\u00e7\u00f5es em que a realidade humana vive imersa em cada tempo; por outro, h\u00e1 o futuro de salva\u00e7\u00e3o que a espera, isto \u00e9, o encontro com o Senhor que vem para nos libertar de todo o mal. Vejamos estes dois aspetos, com o olhar de Jesus.<\/p>\n<p>O primeiro aspeto:\u00a0<em>a dor de hoje<\/em>. Vivemos numa hist\u00f3ria marcada por tribula\u00e7\u00f5es, viol\u00eancias, sofrimentos e injusti\u00e7as, \u00e0 espera duma liberta\u00e7\u00e3o que parece nunca mais chegar. E os feridos, oprimidos e \u00e0s vezes esmagados por tudo isso s\u00e3o sobretudo os pobres, os elos mais fr\u00e1geis da cadeia. O Dia Mundial dos Pobres, que estamos a celebrar, pede-nos que n\u00e3o viremos a cara para o outro lado, n\u00e3o tenhamos medo de olhar de perto o sofrimento dos mais fr\u00e1geis, para os quais aparece muito atual o Evangelho de hoje: o sol da sua vida \u00e9 frequentemente obscurecido pela solid\u00e3o, a lua das suas expetativas apaga-se; as estrelas dos seus sonhos ca\u00edram na resigna\u00e7\u00e3o e acaba abalada a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Tudo isto por causa da pobreza a que muitas vezes se veem constrangidos, v\u00edtimas da injusti\u00e7a e da desigualdade duma sociedade do descarte, que corre apressada sem os ver e, sem escr\u00fapulos, os abandona ao seu destino.<\/p>\n<p>Em contrapartida, existe o segundo aspeto:\u00a0<em>a esperan\u00e7a de amanh\u00e3<\/em>. Jesus quer abrir-nos \u00e0 esperan\u00e7a, arrancar-nos da ang\u00fastia e do medo \u00e0 vista da dor do mundo. Para isso assegura-nos: ao mesmo tempo que o sol se obscurece e tudo parece cair \u00e9 precisamente quando Ele Se faz vizinho a n\u00f3s. Nos gemidos da nossa dolorosa hist\u00f3ria, h\u00e1 um futuro de salva\u00e7\u00e3o que come\u00e7a a germinar por entre os dramas da hist\u00f3ria. A esperan\u00e7a de amanh\u00e3 floresce na dor de hoje. Sim, a salva\u00e7\u00e3o de Deus n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma promessa reservada para o Al\u00e9m, mas cresce j\u00e1 agora dentro da nossa hist\u00f3ria ferida \u2013 todos temos o cora\u00e7\u00e3o enfermo \u2013, abre<a name=\"_GoBack\"><\/a>\u00a0caminho por entre as opress\u00f5es e injusti\u00e7as do mundo. Precisamente no meio do lamento dos pobres, o Reino de Deus desabrocha como as folhas tenras duma \u00e1rvore e conduz a hist\u00f3ria para a meta, para o encontro final com o Senhor, o Rei do Universo que nos libertar\u00e1 definitivamente.<\/p>\n<p>Chegados aqui, perguntemo-nos: Que se nos pede, a n\u00f3s crist\u00e3os, face a esta realidade? Pede-se-nos para\u00a0<em>nutrir a esperan\u00e7a de amanh\u00e3, curando a dor de hoje<\/em>. Est\u00e3o interligados: se tu n\u00e3o caminhas curando as dores de hoje, dificilmente ter\u00e1s a esperan\u00e7a de amanh\u00e3. De facto, a esperan\u00e7a que nasce do Evangelho n\u00e3o consiste em esperar passivamente por um amanh\u00e3 em que as coisas h\u00e3o de correr melhor \u2013 isto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel \u2013, mas em tornar concreta hoje a promessa de salva\u00e7\u00e3o de Deus: hoje, cada dia&#8230; De facto, a esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 o ditoso otimismo, antes, diria o otimismo adolescente, de quem espera que as coisas mudem e, entretanto, continua a ocupar-se da vida pr\u00f3pria, mas \u00e9 construir dia a dia, com gestos concretos, o Reino do amor, da justi\u00e7a e da fraternidade que Jesus inaugurou. Por exemplo, a esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o foi semeada pelo levita e o sacerdote que passaram ao lado daquele homem ferido pelos ladr\u00f5es. Foi semeada por um estranho, por um samaritano que parou e realizou a a\u00e7\u00e3o (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a010, 30-35). E hoje \u00e9 como se a Igreja nos dissesse: \u00abP\u00e1ra e semeia esperan\u00e7a na pobreza. Aproxima-te dos pobres e semeia esperan\u00e7a\u00bb. A esperan\u00e7a daquela pessoa, a tua esperan\u00e7a e a esperan\u00e7a da Igreja. A n\u00f3s, \u00e9-nos pedido isto: ser, entre as ru\u00ednas quotidianas do mundo, construtores incans\u00e1veis de esperan\u00e7a; ser luz enquanto o sol se obscurece; ser testemunhas de compaix\u00e3o enquanto ao redor reina a distra\u00e7\u00e3o; ser amorosos e atentos, na indiferen\u00e7a generalizada. Testemunhas de compaix\u00e3o. Nunca poderemos fazer o bem, sem passar pela compaix\u00e3o. Quando muito, faremos coisas boas, mas que n\u00e3o atingem a via crist\u00e3, porque n\u00e3o tocam o cora\u00e7\u00e3o. Aquilo que nos faz tocar o cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 a compaix\u00e3o: aproximamo-nos, sentimos compaix\u00e3o e realizamos atos de ternura. Tal \u00e9 o estilo de Deus: proximidade, compaix\u00e3o e ternura. \u00c9 isto que nos \u00e9 pedido hoje.<\/p>\n<p>Recentemente voltou-me \u00e0 mente aquilo que costumava repetir D. Tonino Bello, um bispo pr\u00f3ximo dos pobres e ele mesmo pobre em esp\u00edrito: \u00abN\u00e3o podemos limitar-nos a esperar, devemos organizar a esperan\u00e7a\u00bb. Se a nossa esperan\u00e7a n\u00e3o se traduzir em op\u00e7\u00f5es e gestos concretos de aten\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a, solidariedade, cuidado da casa comum, n\u00e3o poder\u00e3o ser aliviados os sofrimentos dos pobres, n\u00e3o poder\u00e1 ser modificada a economia do descarte que os obriga a viver \u00e0 margem, n\u00e3o poder\u00e3o florescer de novo os seus anseios. Compete-nos, especialmente a n\u00f3s crist\u00e3os,\u00a0<em>organizar a esperan\u00e7a<\/em>\u00a0\u2013 \u00e9 uma linda express\u00e3o, esta de Tonino Bello: organizar a esperan\u00e7a \u2013, traduzi-la diariamente em vida concreta nas rela\u00e7\u00f5es humanas, no compromisso sociopol\u00edtico. Isto faz-me pensar no trabalho que fazem tantos crist\u00e3os com as obras de caridade, no trabalho da Esmolaria Apost\u00f3lica&#8230; Que \u00e9 que se faz l\u00e1? Organiza-se a esperan\u00e7a. N\u00e3o se d\u00e1 uma moeda; organiza-se a esperan\u00e7a. Esta \u00e9 uma din\u00e2mica que hoje nos pede a Igreja.<\/p>\n<p>Hoje Jesus oferece-nos uma imagem simples e ao mesmo tempo sugestiva da esperan\u00e7a: \u00e9 a imagem das folhas da figueira, que desabrocham sem fazer ru\u00eddo, assinalando que o ver\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3ximo. E estas folhas aparecem \u2013 sublinha Jesus \u2013, quando o ramo se torna tenro (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a013, 28). Irm\u00e3os, irm\u00e3s, aqui est\u00e1 a palavra que faz germinar a esperan\u00e7a no mundo e alivia a dor dos pobres:\u00a0<em>a ternura<\/em>. Compaix\u00e3o que te leva \u00e0 ternura. Depende de n\u00f3s superar o fechamento, a rigidez interior, que \u00e9 a tenta\u00e7\u00e3o de hoje, dos \u00abrestauracionistas\u00bb que querem uma Igreja ordenada e r\u00edgida: isto n\u00e3o \u00e9 do Esp\u00edrito Santo. E devemos superar isto, e fazer germinar nesta rigidez a esperan\u00e7a. E depende de n\u00f3s tamb\u00e9m vencer a tenta\u00e7\u00e3o de nos ocuparmos apenas com os nossos problemas, para nos enternecermos \u00e0 vista dos dramas do mundo, compadecendo-nos da dor. \u00c0 semelhan\u00e7a das folhas tenras da \u00e1rvore, somos chamados a absorver a polui\u00e7\u00e3o que nos rodeia e transform\u00e1-la em bem: n\u00e3o adianta falar dos problemas, polemizar, escandalizar-nos\u2026 (isto, todos o sabemos fazer!); o que adianta \u00e9 imitar as folhas, que sem chamar a aten\u00e7\u00e3o todos os dias transformam o ar polu\u00eddo em ar puro. Jesus quer-nos \u00abconversores de bem\u00bb: pessoas que, imersas no ar pesado que todos respiram, respondem ao mal com o bem (cf.\u00a0<em>Rm<\/em>\u00a012, 21). Pessoas que agem: partilham o p\u00e3o com os famintos, trabalham pela justi\u00e7a, elevam os pobres e devolvem-lhes a sua dignidade, como fez aquele samaritano.<\/p>\n<p>\u00c9 bela, \u00e9 evang\u00e9lica, \u00e9 jovem uma Igreja que sai de si mesma e, como Jesus, anuncia a boa nova aos pobres (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a04, 18). Repiso o \u00faltimo adjetivo: \u00e9 jovem uma Igreja assim; a juventude de semear esperan\u00e7a. Esta \u00e9 uma Igreja prof\u00e9tica, que diz, com a sua presen\u00e7a, aos cora\u00e7\u00f5es desanimados e aos descartados do mundo: \u00abCoragem, o Senhor est\u00e1 pr\u00f3ximo! Tamb\u00e9m para ti h\u00e1 um ver\u00e3o que desabrocha no cora\u00e7\u00e3o do inverno. Mesmo da tua dor, pode ressurgir esperan\u00e7a\u00bb. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, levemos ao mundo este olhar de esperan\u00e7a. Levemo-lo com ternura aos pobres, aproximando-nos deles, com compaix\u00e3o, sem os julgar \u2013 julgados, seremos n\u00f3s \u2013. Porque l\u00e1, junto deles, junto dos pobres, est\u00e1 Jesus; porque l\u00e1,\u00a0<em>neles<\/em>, est\u00e1 Jesus, que nos espera.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2021\/documents\/20211114-omelia-giornatamondiale-poveri.html\" target=\"_blank\">original em Italiano<\/a><\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p>\n<p>14.11.2021<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco celebrou hoje o 5\u00ba Dia Mundial dos Pobres. 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