{"id":4255280058,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13462-nosso-senhor-jesus-cristo-rei-do-universo"},"modified":"2025-11-07T16:34:03","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:03","slug":"nosso-senhor-jesus-cristo-rei-do-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/nosso-senhor-jesus-cristo-rei-do-universo\/","title":{"rendered":"Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_1_240802122621.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Dn 7,13-14; Sl 93; Ap 1,5-8; Jo 18,33b-37<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. A \u00abFesta de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei\u00bb, com esta denomina\u00e7\u00e3o, foi institu\u00edda pelo Papa Pio XI, em 11 de Dezembro de 1925, com a Carta Enc\u00edclica\u00a0<em>Quas Primas<\/em>. Os tempos apresentavam-se sombrios e turvos e os c\u00e9us nublados como os de hoje, e Pio XI, homem de a\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 tinha fundado a A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica em 1922, instituiu ent\u00e3o esta Festa de Cristo Rei com o intuito de promover a milit\u00e2ncia cat\u00f3lica e ajudar a sociedade a revestir-se dos valores crist\u00e3os. A Festa de Cristo Rei era ent\u00e3o celebrada no \u00faltimo Domingo de Outubro. A reorganiza\u00e7\u00e3o da Liturgia no p\u00f3s Conc\u00edlio passou esta Festa para o \u00faltimo Domingo do Ano Lit\u00fargico, alterando-lhe a denomina\u00e7\u00e3o para \u00abSolenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. \u00abO Senhor Reina\u00bb. \u00c9 assim que abre o Salmo 93, que hoje cantamos. Esta locu\u00e7\u00e3o verbal \u2013 \u00abo Senhor reina\u00bb \u2013 \u00e9 tamb\u00e9m a mais usual no Antigo Testamento para dizer Deus na a\u00e7\u00e3o de reinar, isto \u00e9, de salvar, justificar, perdoar, criar. Na verdade, reinar \u00e9 salvar, isto \u00e9, trazer a prosperidade, o bem-estar e a alegria ao seu Povo. \u00c9 esta a miss\u00e3o do rei b\u00edblico. Salvar \u00e9 justificar. Justificar \u00e9, no seu sentido mais profundo, transformar um pecador em justo. Justificar \u00e9, portanto, perdoar. Neste profundo sentido b\u00edblico, justificar e perdoar s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que s\u00f3 Deus pode fazer, dado que, transformar um pecador em justo \u00e9 igual a criar ou recriar. E da a\u00e7\u00e3o de criar tamb\u00e9m s\u00f3 Deus \u00e9 o sujeito em toda a Escritura. J\u00e1 se sabe que o Novo Testamento transforma o ativo \u00abDeus Reina\u00bb no mais abstrato \u00abReino de Deus\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Tanta e quase indescrit\u00edvel riqueza, a de um Deus, que o Livro de Daniel 7,3-12 apresenta solenemente sentado no seu trono de Luz e de Fogo purificador, que inutiliza o poder das quatro bestas enormes sa\u00eddas do mar com aspeto terr\u00edvel, e que se assemelham a um le\u00e3o com asas de \u00e1guia, um urso com costelas na boca, um leopardo alado com quatro cabe\u00e7as, e um monstro met\u00e1lico aterrorizador, com enormes dentes de ferro que tudo tritura, cospe e espezinha debaixo das enormes patas. Tinha ainda dez chifres na cabe\u00e7a, mas nasceu-lhe, entretanto, um outro mais pequeno e insolente, com uma boca que proferia palavras arrogantes. Estas bestas representam quatro imp\u00e9rios: babil\u00f3nio, medo, persa e grego (de Alexandre Magno e seus sucessores). Os dez chifres s\u00e3o os reis da dinastia Sel\u00eaucida, e o d\u00e9cimo primeiro \u00e9 Ant\u00edoco IV Epif\u00e2nio (175-163). O tribunal divino toma assento para julgar o arrogante Ant\u00edoco, que \u00e9 morto e destru\u00eddo. E v\u00ea-se ent\u00e3o, em contraponto com as bestas que saem do mar, s\u00edmbolo da desordem e do mal, o Filho do Homem que vem sobre as nuvens, do mundo celeste, portanto. A ele \u00e9 entregue o reino eterno, n\u00e3o assente no poder prepotente da brutalidade, mas no poder manso do Amor (Daniel 7,13-14).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. No Livro do Apocalipse 1,5-8, este Filho do Homem tem um nome. Chama-se Jesus Cristo. Aparece igualmente sobre as nuvens do c\u00e9u e ostenta, entre outros, o bel\u00edssimo t\u00edtulo de \u00abAquele que nos ama\u00bb (Apocalipse 1,5). E \u00e9 por este Amor levado ao extremo que vence, sem combater, este combate, amando, abra\u00e7ando, sofrendo, sorvendo e dissolvendo o poder da brutalidade, como sucede aos poderosos da terra na batalha de\u00a0<em>Harmagued\u00f4n<\/em>\u00a0(Apocalipse 16,14 e 16; 17,14; 19,11-21). Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 assim de admirar que, neste grande Livro do Apocalipse, o mar, que j\u00e1 vimos no Livro de Daniel como fonte da confus\u00e3o e do mal, deixe de existir (Apocalipse 21,1). Vem assim a toda a luz a soberania nova do Filho do Homem, que \u00e9 Jesus, \u00abAquele que nos ama\u00bb. A sua soberania \u00e9 o Amor, que \u00e9 Primeiro e \u00daltimo (Apocalipse 1,8). \u00c9 Primeiro, e, por ser Primeiro, \u00e9 tamb\u00e9m \u00daltimo. Se \u00e9 Primeiro e \u00e9 tamb\u00e9m \u00daltimo, ent\u00e3o o Amor \u00e9 a soberania verdadeira, a \u00fanica soberania portanto, porque tudo o resto cai e fica pelo caminho. Entre o Primeiro e o \u00daltimo instala-se o pen\u00faltimo, que \u00e9 o poder velho e podre da viol\u00eancia e da brutalidade das bestas ferozes que nos habitam. O Bem \u00e9 de sempre e \u00e9 para sempre. \u00c9 Primeiro e \u00e9 \u00daltimo. O Bem n\u00e3o come\u00e7ou, portanto. O que come\u00e7ou foi o mal, que se foi insinuando nas pregas do nosso cora\u00e7\u00e3o. Mas o que come\u00e7a, tamb\u00e9m acaba. Os imp\u00e9rios da nossa viol\u00eancia, gan\u00e2ncia, import\u00e2ncia, malvadez e estupidez caem, imagine-se, vencidos por um Amor fr\u00e1gil que \u00e9 desde sempre e \u00e9 para sempre, e que vence, sem combater, a nossa prepot\u00eancia!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Tem de ser sem combater. Porque, se combatesse, usaria os nossos m\u00e9todos, e apenas aumentaria a viol\u00eancia. \u00c9 assim que Jesus atravessa as p\u00e1ginas dos Evangelhos e da nossa hist\u00f3ria, entregando-se por Amor \u00e0 nossa viol\u00eancia, abra\u00e7ando-a e, portanto, sofrendo-a, sorvendo-a, dissolvendo-a e absolvendo-a. \u00c9 assim que o Amor Reina, Salva, Justifica, Perdoa e Recria. A\u00ed est\u00e1 ent\u00e3o a p\u00e1gina divina do Evangelho deste \u00daltimo Domingo do Ano Lit\u00fargico, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo: Jo\u00e3o 18,33-37. Os Judeus e Pilatos representam, no Evangelho de hoje, os imp\u00e9rios envelhecidos, podres e caducos da nossa viol\u00eancia e estupidez. Os quatro Evangelhos documentam a pergunta de Pilatos a Jesus: \u00abTu \u00e9s o rei dos Judeus?\u00bb (Mateus 27,11; Marcos 15,2; Lucas 23,3; Jo\u00e3o 18,33). Nos sin\u00f3ticos, Jesus d\u00e1 uma resposta breve: \u00abTu o dizes\u00bb (Mateus 27,11; Marcos 15,2; Lucas 23,3), para logo se remeter a um sil\u00eancio habitado e teol\u00f3gico (Mateus 27,12; Marcos 15,4; Lucas 23,9), \u00e0 maneira do Servo de YHWH, Cordeiro conduzido ao matadouro, mas que n\u00e3o abriu a boca (Isa\u00edas 53,7). Jo\u00e3o, ao contr\u00e1rio, apresenta um longo di\u00e1logo entre Jesus e Pilatos, em que o ponto mais alto est\u00e1 nas palavras de Jesus: \u00abO meu reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo; o meu reino n\u00e3o \u00e9 daqui\u00bb (Jo\u00e3o 18,36). E explica bem Jesus a Pilatos e a n\u00f3s que, se o seu reino fosse deste mundo, se fosse daqui, l\u00e1 estariam certamente, para o defender, as suas for\u00e7as militares. Em vez dessa quinquilharia, o seu Reino assenta num Amor novo e subversivo, que n\u00e3o pode deixar de amar a nossa viol\u00eancia at\u00e9 ao fim e ao fundo, sorvendo-lhe todo o veneno.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Fica bem \u00e0 vista, neste Evangelho de Jo\u00e3o, que o processo de Jesus se transforma numa esp\u00e9cie de farsa ou pantomina, com sucessivos fora e dentro de Pilatos, sete no total. Isto, porque os judeus n\u00e3o querem contaminar-se, porque querem comer a P\u00e1scoa, e s\u00f3 o podem fazer estando ritualmente puros. Ficariam impuros se pisassem terreno pag\u00e3o, como era o pret\u00f3rio de Pilatos, ou se lidassem com um morto, que era o que queriam que acontecesse a Jesus, como bem deixam entender quando respondem a Pilatos, que os manda julg\u00e1-lo segundo a sua lei (Jo\u00e3o 18,31a): \u00abA n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 permitido dar a morte a ningu\u00e9m\u00bb (Jo\u00e3o 18,31b). Com esta estrat\u00e9gia, pretendem atingir tr\u00eas objetivos: 1) eliminar fisicamente o Nazareno; 2) desacredit\u00e1-lo aos olhos do povo; 3) fazer recair toda a responsabilidade sobre os romanos. Em boa verdade, os judeus querem que os romanos condenem Jesus \u00e0 morte por crucifix\u00e3o, mas eles n\u00e3o se querem comprometer. Instados a avan\u00e7ar com uma acusa\u00e7\u00e3o concreta (Jo\u00e3o 18,29), n\u00e3o o fazem, e apenas se atrevem a dizer que \u00e9 um \u00abmalfeitor\u00bb (<em>kak\u00f2n poi\u00f5n<\/em>), isto \u00e9, um delinquente comum (Jo\u00e3o 18,30), que n\u00e3o levaria a nenhuma pena grave. N\u00e3o dizem que \u00e9 um \u00abrevoltoso\u00bb (<em>l\u00east\u00eas<\/em>), que os romanos poderiam entender como um zelota ou opositor dos romanos, o que j\u00e1 poderia implicar uma pena grave. Os judeus pretendem esquivar-se, e deixar tudo nas m\u00e3os dos romanos. Por isso, se nota que Pilatos parece mais interessado nos acusadores judeus, para n\u00e3o se deixar levar por eles, do que no implicado que ele bem v\u00ea que est\u00e1 inocente. Pilatos quer saber primeiro das inten\u00e7\u00f5es dos judeus, e s\u00f3 depois procede ao interrogat\u00f3rio de Jesus. O processo romano baseava-se unicamente no interrogat\u00f3rio. No processo judaico, era obrigat\u00f3rio ouvir testemunhas. No tu-a-tu de Pilatos com Jesus, vem ao de cima a Verdade que \u00e9 Jesus e a ret\u00f3rica vazia de Pilatos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Jesus \u00e9 Rei, n\u00e3o dos judeus, como se designava Herodes, mas do Reino de Deus, isto \u00e9, da Verdade, da Paz e do Amor. As coisas s\u00e3o de tal ordem, t\u00e3o novas, que, daqui para a frente, a partir da entrada de um tal amor no mundo, todas as formas de poder se devem considerar superadas. Na verdade, Jesus \u00e9 Rei na medida em que contrap\u00f5e o amor ao poder. A Igreja participa nesta soberania de Cristo, assumindo at\u00e9 ao fim a mais humilde e radical atitude de servi\u00e7o \u00e0 humanidade n\u00e3o, servindo-se da humanidade, mas servindo a humanidade em cada ser humano, de acordo com o \u00abc\u00f3digo da autoridade crist\u00e3\u00bb: \u00abSabeis que aqueles que se consideram chefes das na\u00e7\u00f5es, as dominam, e os grandes exercem sobre elas o seu poder. N\u00e3o ser\u00e1 assim entre v\u00f3s; ao contr\u00e1rio, aquele que quiser tornar-se grande entre v\u00f3s, seja vosso servo, e aquele que quiser ser o primeiro entre v\u00f3s, seja escravo de todos. Na verdade, o Filho do Homem n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos\u00bb (Marcos 10,42-45). Compete \u00e0 Igreja manter bem aberto este golpe que Cristo infligiu a qualquer forma de poder e a todo o mal.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Vem, Senhor Jesus! Ilumina com a tua Luz nova as trevas, as pregas e as pedras do nosso cora\u00e7\u00e3o empedernido. Reina sobre n\u00f3s, Salva-nos, Justifica-nos, Perdoa-nos, Recria-nos. Faz-nos outra vez \u00e0 tua Imagem. Dissolve a besta brava que h\u00e1 em n\u00f3s e que, \u00e0 imagem de Caim, n\u00e3o fala, mas trucida e come o outro. Hoje \u00e9 o Dia da celebra\u00e7\u00e3o de um amor novo e de uma nova ordem assente, n\u00e3o no poder, mas no amor e na verdade.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dn 7,13-14; Sl 93; Ap 1,5-8; Jo 18,33b-37 1. 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