{"id":4265025714,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/9816-audiencia-geral-ouvimos-mais-os-poderosos-que-os-debeis-o-lamento-do-papa"},"modified":"2025-11-07T16:34:37","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:37","slug":"audiencia-geral-ouvimos-mais-os-poderosos-que-os-debeis-o-lamento-do-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-ouvimos-mais-os-poderosos-que-os-debeis-o-lamento-do-papa\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00abOuvimos mais os poderosos que os d\u00e9beis\u00bb, o lamento do Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_pos_pandemia_200903103529-1.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>Na audi\u00eancia-geral desta quarta-feira o Papa Francisco reafirmou o princ\u00edpio da subsidariedade como fundamental para a reconstru\u00e7\u00e3o de um mundo mais humano, sustent\u00e1vel e justo. Francisco lamentou que se escutem mais &#8220;os poderosos que os d\u00e9beis&#8221;\u00a0 e que &#8220;o desrespeito pela subsidariedade se tenha espanhado como um v\u00edrus&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a alocu\u00e7\u00e3o do Santo Padre<\/p>\n<p>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, parece que o tempo n\u00e3o \u00e9 muito bom, mas digo-vos bom dia de qualquer forma!<\/p>\n<p>Para sairmos melhores de uma crise como a atual, que \u00e9 uma crise de sa\u00fade e ao mesmo tempo uma crise social, pol\u00edtica e econ\u00f3mica, cada um de n\u00f3s \u00e9 chamado a assumir a sua parte de responsabilidade, isto \u00e9, partilhar as responsabilidades. Devemos responder n\u00e3o s\u00f3 como indiv\u00edduos, mas tamb\u00e9m a partir do pr\u00f3prio grupo de perten\u00e7a, do papel que desempenhamos na sociedade, dos nossos princ\u00edpios e, se formos crentes, da nossa f\u00e9 em Deus. Contudo, \u00e0s vezes muitas pessoas n\u00e3o podem participar na reconstru\u00e7\u00e3o do bem comum porque s\u00e3o marginalizadas, exclu\u00eddas ou ignoradas; certos grupos sociais s\u00e3o incapazes de contribuir, porque s\u00e3o econ\u00f3mica ou politicamente asfixiados. Nalgumas sociedades, muitas pessoas n\u00e3o s\u00e3o livres de expressar a sua f\u00e9, os seus valores e as suas ideias: se as exprimir v\u00e3o para a pris\u00e3o. Noutros lugares, especialmente no mundo ocidental, muitas reprimem as pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es \u00e9ticas ou religiosas. Mas assim n\u00e3o se pode sair da crise, ou contudo, n\u00e3o podemos sair melhores. Sairemos piores.<\/p>\n<p>Para que todos n\u00f3s possamos participar no cuidado e na regenera\u00e7\u00e3o dos nossos povos, \u00e9 justo que todos disponham dos recursos adequados para o fazer (cf.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/justpeace\/documents\/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html\">Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja<\/a>\u00a0[CDSI]<\/em>, 186). Ap\u00f3s a grande depress\u00e3o econ\u00f3mica de 1929, o Papa\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/pius-xi\/pt.html\">Pio XI<\/a>\u00a0explicou a import\u00e2ncia do\u00a0<em>princ\u00edpio de subsidiariedade\u00a0<\/em>para uma verdadeira reconstru\u00e7\u00e3o (cf.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/pius-xi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-xi_enc_19310515_quadragesimo-anno.html\">Quadragesimo anno<\/a><\/em>, 79-80). Este princ\u00edpio tem um duplo dinamismo: de cima para baixo e de baixo para cima. Talvez n\u00e3o compreendamos o que isto significa, mas \u00e9 um princ\u00edpio social que nos torna mais unidos.<\/p>\n<p>Por um lado, e especialmente em tempos de mudan\u00e7a, quando indiv\u00edduos, fam\u00edlias, pequenas associa\u00e7\u00f5es ou comunidades locais s\u00e3o incapazes de alcan\u00e7ar os objetivos prim\u00e1rios, ent\u00e3o \u00e9 justo que os n\u00edveis mais elevados do corpo social, como o Estado, intervenham a fim de oferecer os recursos necess\u00e1rios para prosseguir. Por exemplo, devido ao\u00a0<em>lockdown\u00a0<\/em>causado pelo coronav\u00edrus, muitas pessoas, fam\u00edlias e atividades econ\u00f3micas encontraram-se e ainda se encontram em s\u00e9rias dificuldades, pelo que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas procuram ajudar com apropriadas interven\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f3micas e sanit\u00e1rias: esta \u00e9 a sua fun\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que devem fazer.<\/p>\n<p>Mas por outro lado, os v\u00e9rtices da sociedade devem respeitar e promover n\u00edveis interm\u00e9dios ou menores. Com efeito, \u00e9 decisiva a contribui\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos, fam\u00edlias, associa\u00e7\u00f5es, empresas, de todos os organismos interm\u00e9dios e at\u00e9 das Igrejas. Com os pr\u00f3prios recursos culturais, religiosos, econ\u00f3micos ou de participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica, eles revitalizam e fortalecem o corpo social (cf.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/justpeace\/documents\/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html\">CDSI<\/a><\/em>, 185). Isto \u00e9, existe uma colabora\u00e7\u00e3o de cima para baixo, do Estado central a favor do povo, e de baixo para cima: das forma\u00e7\u00f5es do povo para o alto. \u00c9 precisamente este o exerc\u00edcio do princ\u00edpio de subsidiariedade.<\/p>\n<p>Cada um deve ter a possibilidade de assumir a sua responsabilidade nos processos de cura da sociedade da qual faz parte. Quando se ativa algum projeto que, direta ou indiretamente, diz respeito a determinados grupos sociais, estes n\u00e3o podem ser exclu\u00eddos da participa\u00e7\u00e3o. Por exemplo: \u201cO que fazes? &#8211; Vou trabalhar pelos pobres &#8211; Muito bem, o que fazes? &#8211; Ensino os pobres, digo aos pobres o que t\u00eam de fazer &#8211; N\u00e3o, isso n\u00e3o est\u00e1 bem, o primeiro passo \u00e9 deixar que os pobres te digam como vivem, do que precisam: devemos deixar que todos falem! \u00c9 assim que funciona o princ\u00edpio da subsidiariedade. N\u00e3o podemos deixar estas pessoas fora da participa\u00e7\u00e3o; a sua sabedoria, a sabedoria dos grupos mais humildes n\u00e3o pode ser posta de lado (cf. Exort. ap. p\u00f3s-sinodal\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20200202_querida-amazonia.html\">Querida Amazonia<\/a>\u00a0[QA]<\/em>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20200202_querida-amazonia.html#32\">32<\/a>; Enc.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html#63\">Laudato si&#8217;<\/a><\/em>, 63). Infelizmente, esta injusti\u00e7a ocorre muitas vezes onde se concentram grandes interesses econ\u00f3micos ou geopol\u00edticos, tais como certas atividades mineiras em determinadas partes do planeta (cf.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20200202_querida-amazonia.html\">QA<\/a><\/em>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20200202_querida-amazonia.html#9\">9<\/a>.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20200202_querida-amazonia.html#14\">14<\/a>). As vozes dos povos ind\u00edgenas, as suas culturas e vis\u00f5es do mundo n\u00e3o s\u00e3o consideradas. Atualmente, esta falta de respeito pelo\u00a0<em>princ\u00edpio da subsidiariedade\u00a0<\/em>propagou-se como um v\u00edrus. Pensemos nas grandes medidas de ajuda financeira implementadas pelos Estados. Ouvimos mais as grandes empresas financeiras do que as pessoas, ou aqueles que movem a economia real. Ouvimos mais as empresas multinacionais do que os movimentos sociais. Dizendo-o com a linguagem das pessoas comuns: ouvimos mais os poderosos do que os d\u00e9beis e o caminho n\u00e3o \u00e9 este, n\u00e3o \u00e9 o caminho humano, n\u00e3o \u00e9 o caminho que Jesus nos ensinou, n\u00e3o \u00e9 esta a atua\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio de subsidiariedade. Assim, n\u00e3o permitimos que as pessoas sejam \u00abprotagonistas do pr\u00f3prio resgate\u00bb. No inconsciente coletivo de alguns pol\u00edticos ou de certos sindicalistas h\u00e1 este lema: tudo para o povo, nada com o povo. De cima para baixo, mas sem ouvir a sabedoria do povo, sem deixar atuar esta sabedoria para resolver problemas, neste caso para sair da crise. Ou pensemos tamb\u00e9m no modo de curar o v\u00edrus: ouvimos mais as grandes empresas farmac\u00eauticas do que os profissionais da sa\u00fade, que est\u00e3o na linha da frente nos hospitais ou nos campos de refugiados. Este n\u00e3o \u00e9 um bom caminho! Todos devem ser ouvidos, os que est\u00e3o no alto e quantos est\u00e3o em baixo, todos.<\/p>\n<p>Para sairmos melhores de uma crise, deve ser implementado o\u00a0<em>princ\u00edpio da subsidiariedade<\/em>, respeitando a autonomia e a capacidade de iniciativa de todos, especialmente dos \u00faltimos. Todas as partes de um corpo s\u00e3o necess\u00e1rias e, como diz S\u00e3o Paulo, as partes que podem parecer mais fr\u00e1geis e menos importantes s\u00e3o na realidade as mais necess\u00e1rias (cf.\u00a0<em>1 Cor\u00a0<\/em>12, 22). \u00c0 luz desta imagem, podemos dizer que o princ\u00edpio da subsidiariedade permite a cada um assumir o seu pr\u00f3prio papel no cuidado e destino da sociedade. A sua implementa\u00e7\u00e3o, a sua atua\u00e7\u00e3o, a atua\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio de subsidiariedade d\u00e1\u00a0<em>esperan\u00e7a, d\u00e1 esperan\u00e7a\u00a0<\/em>num futuro mais saud\u00e1vel e justo; e constru\u00edmos este futuro juntos, aspirando a realidades maiores, alargando os nossos horizontes. Ou juntos, ou n\u00e3o funciona. Ou trabalhamos em conjunto para sair da crise, a todos os n\u00edveis da sociedade, ou nunca o faremos. Sair da crise n\u00e3o significa dar uma pincelada nas situa\u00e7\u00f5es atuais para as fazer parecer um pouco mais justas. Sair da crise significa mudar, e a mudan\u00e7a real \u00e9 feita por todos, por todas as pessoas que formam o povo. Por todas as profiss\u00f5es, todos. E todos juntos, todos em comunidade. Se n\u00e3o o fizerem todos, o resultado ser\u00e1 negativo!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/audiences\/2020\/documents\/papa-francesco_20200902_udienza-generale.html\">Numa catequese anterior<\/a>\u00a0vimos que a\u00a0<em>solidariedade\u00a0<\/em>\u00e9 a sa\u00edda para a crise: ela une-nos e permite-nos encontrar propostas s\u00f3lidas para um mundo mais saud\u00e1vel. Mas este caminho de solidariedade precisa da\u00a0<em>subsidiariedade<\/em>. Algu\u00e9m poderia dizer-me: \u201cMas padre, hoje o senhor fala com palavras dif\u00edceis!\u201d. \u00c9 porque procuro explicar o que isto significa. Solid\u00e1rios, pois percorremos o caminho da subsidiariedade. Com efeito, n\u00e3o h\u00e1 verdadeira solidariedade sem participa\u00e7\u00e3o social, sem a contribui\u00e7\u00e3o dos organismos interm\u00e9dios: fam\u00edlias, associa\u00e7\u00f5es, cooperativas, pequenas empresas, express\u00f5es da sociedade civil. Todos devem contribuir, todos! Tal participa\u00e7\u00e3o ajuda a prevenir e a corrigir certos aspetos negativos da globaliza\u00e7\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o dos Estados, assim como acontece no cuidado das pessoas atingidas pela pandemia. Estas contribui\u00e7\u00f5es \u201ca partir de baixo\u201d devem ser encorajadas. Mas como \u00e9 bom ver o trabalho dos volunt\u00e1rios na crise! Volunt\u00e1rios que v\u00eam de todas as camadas sociais, volunt\u00e1rios que v\u00eam das fam\u00edlias mais ricas e das fam\u00edlias mais pobres. Mas todos, todos juntos para sair. Isto \u00e9 solidariedade e este \u00e9 o principio de subsidiariedade.<\/p>\n<p>Durante o\u00a0<em>lockdown<\/em>, o gesto de aplaudir m\u00e9dicos, enfermeiros e enfermeiras nasceu espontaneamente como sinal de encorajamento e esperan\u00e7a. Muitos arriscaram a vida e tantos deram a vida. Estendamos este aplauso a todos os membros do corpo social, a todos, a cada um, pela sua valiosa contribui\u00e7\u00e3o, por menor que seja. \u201cMas, o que poderia fazer aquele dali? &#8211; ouve-o, d\u00e1-lhe espa\u00e7o para trabalhar, consulta-o\u201d. Aplaudamos os \u201cdescartados\u201d, aqueles que esta cultura qualifica como \u201cdescartados\u201d, esta cultura do descarte, isto \u00e9, aplaudamos os idosos, as crian\u00e7as, as pessoas com defici\u00eancia, aplaudamos os trabalhadores, todos aqueles que se p\u00f5em ao servi\u00e7o. Todos colaboram para sair da crise. Mas n\u00e3o nos limitemos apenas aos aplausos! A\u00a0<em>esperan\u00e7a\u00a0<\/em>\u00e9 audaz, por isso encorajemo-nos uns aos outros a sonhar alto. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, aprendamos a sonhar alto! N\u00e3o tenhamos medo de sonhar alto, procurando os ideais de justi\u00e7a e amor social que nascem da esperan\u00e7a. N\u00e3o procuremos reconstruir o passado, o passado \u00e9 passado, esperam-nos realidades novas. O Senhor prometeu: \u201cRenovarei todas as coisas\u201d. Encorajemo-nos uns aos outros a sonhar alto, buscando estes ideais, n\u00e3o procuremos reconstruir o passado, especialmente o que era in\u00edquo e j\u00e1 doente, e que j\u00e1 mencionei como injusti\u00e7as. Construamos um futuro onde a dimens\u00e3o local e global se enrique\u00e7am mutuamente &#8211; cada um pode dar a sua contribui\u00e7\u00e3o, cada um deve dar a sua parte, a sua cultura, a sua filosofia, o seu modo de pensar &#8211; onde a beleza e a riqueza dos grupos menores, inclusive dos grupos descartados, possam florescer, pois tamb\u00e9m nisto h\u00e1 beleza, e onde aqueles que t\u00eam mais se comprometam a servir e a dar mais a quem tem menos.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/audiences\/2020\/documents\/papa-francesco_20200923_udienza-generale.html\" target=\"_blank\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>23.09.2020<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na audi\u00eancia-geral desta quarta-feira o Papa Francisco reafirmou o princ\u00edpio da subsidariedade como fundamental para a reconstru\u00e7\u00e3o de um mundo 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