{"id":451141316,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/10205-os-preconceitos-impedem-a-unidade-amar-a-humanidade-que-mais-sofre-papa-francisco"},"modified":"2025-11-07T16:34:38","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:38","slug":"os-preconceitos-impedem-a-unidade-amar-a-humanidade-que-mais-sofre-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/os-preconceitos-impedem-a-unidade-amar-a-humanidade-que-mais-sofre-papa-francisco\/","title":{"rendered":"\u00abOs preconceitos impedem a unidade. Amar a humanidade que mais sofre\u00bb, Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/sao_paulo_fora_muros_210126095402.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>Na celebra\u00e7\u00e3o das segundas v\u00e9speras, na convers\u00e3o do Ap\u00f3stolo Paulo, no encerramento da Semana de ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os, o Papa Francisco lan\u00e7ou um apelo a uma unidade que tenha por base \u201co amor e a ora\u00e7\u00e3o\u201d pelos mais vulner\u00e1veis, e v\u00e1 para l\u00e1 \u201cda simples comunh\u00e3o de perten\u00e7a\u201d, permitindo \u201credescobrir-nos como irm\u00e3os\u201d<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia<\/p>\n<p>[<em>Homilia preparada pelo Pont\u00edfice e lida pelo Cardeal Kurt Koch<\/em>]<\/p>\n<p>\u00abPermanecei no meu amor\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a015, 9). Jesus associa este pedido \u00e0 imagem da videira e dos ramos, a \u00faltima que nos d\u00e1 nos Evangelhos. O pr\u00f3prio Senhor \u00e9 a videira, a videira \u00abverdadeira\u00bb (15, 1), que n\u00e3o atrai\u00e7oa as expetativas, mas permanece fiel no amor e nunca falha, apesar dos nossos pecados e divis\u00f5es. Nesta videira que \u00e9 Ele, estamos enxertados como ramos todos n\u00f3s, batizados: quer dizer que s\u00f3 unidos a Jesus \u00e9 que podemos crescer e dar fruto. Nesta tarde, contemplemos esta unidade indispens\u00e1vel, que tem v\u00e1rios n\u00edveis. Pensando na videira, poder\u00edamos imaginar a unidade formada por tr\u00eas c\u00edrculos conc\u00eantricos, como os dum tronco.<\/p>\n<p>O primeiro c\u00edrculo, o mais interno, \u00e9 o\u00a0<em>permanecer em Jesus<\/em>. Daqui parte o caminho de cada um rumo \u00e0 unidade. Na realidade mut\u00e1vel e complexa de hoje, arrastados daqui e dali, \u00e9 f\u00e1cil perder a linha. Muitos sentem-se intimamente divididos, incapazes de encontrar um ponto firme, uma estrutura est\u00e1vel nas circunst\u00e2ncias vari\u00e1veis da vida. Jesus indica-nos o segredo da estabilidade: permanecer n\u2019Ele. No texto que escutamos, repete sete vezes este conceito (cf. 15, 4-7.9-10). Sabe que, sem Ele, nada podemos fazer (cf. 15, 5). E mostrou-nos tamb\u00e9m como fazer, dando-nos o exemplo: cada dia retirava-Se em lugares desertos para orar. Precisamos da ora\u00e7\u00e3o, como de \u00e1gua, para viver. A ora\u00e7\u00e3o pessoal, o estar com Jesus, a adora\u00e7\u00e3o, \u00e9 o essencial deste permanecer n\u2019Ele. \u00c9 o meio para colocar no cora\u00e7\u00e3o do Senhor tudo aquilo que povoa o nosso cora\u00e7\u00e3o: esperan\u00e7as e temores, alegrias e dores. Mas sobretudo, centrados em Jesus na ora\u00e7\u00e3o, experimentamos o seu amor. E da\u00ed recebe vida a nossa exist\u00eancia, como o ramo que toma a seiva do tronco. Esta \u00e9 a primeira unidade, a nossa integridade pessoal, obra da gra\u00e7a que recebemos permanecendo em Jesus.<\/p>\n<p>O segundo c\u00edrculo \u00e9 o da\u00a0<em>unidade com os crist\u00e3os<\/em>. Somos ramos da mesma videira, somos vasos comunicantes: o bem e o mal que realiza cada um reverte-se sobre os outros. Al\u00e9m disso, na vida espiritual, vigora uma esp\u00e9cie da \u00ablei da din\u00e2mica\u00bb: na medida em que permanecemos em Deus, aproximamo-nos dos outros e, na medida em que nos aproximamos dos outros, permanecemos em Deus. Significa que, se invocarmos Deus em esp\u00edrito e verdade, da\u00ed brota a exig\u00eancia de amar os outros e, vice-versa, \u00abse nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em n\u00f3s\u00bb (<em>1 Jo<\/em>\u00a04, 12). A ora\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode levar ao amor, caso contr\u00e1rio \u00e9 v\u00e3o ritualismo. Com efeito, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encontrar Jesus sem o seu Corpo, composto de muitos membros, tantos quantos s\u00e3o os batizados. Se a nossa adora\u00e7\u00e3o for genu\u00edna, cresceremos no amor por todos aqueles que seguem Jesus, independentemente da comunh\u00e3o crist\u00e3 a que perten\u00e7am, porque, mesmo se n\u00e3o s\u00e3o \u00abdos nossos\u00bb, s\u00e3o d\u2019Ele.<\/p>\n<p>Constatamos, por\u00e9m, que amar os irm\u00e3os n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque apresentam-se imediatamente os seus defeitos e as suas faltas, e voltam \u00e0 mente as feridas do passado. Aqui vem em nosso aux\u00edlio a a\u00e7\u00e3o do Pai que, como s\u00e1bio agricultor (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a015, 1), sabe bem o que fazer: \u00abEle corta todo o ramo que n\u00e3o d\u00e1 fruto em Mim e poda o que d\u00e1 fruto, para que d\u00ea mais fruto ainda\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a015, 2). O Pai\u00a0<em>corta e poda<\/em>. Porqu\u00ea? Porque, para amar, precisamos de ser despojados daquilo que nos extravia e nos faz debru\u00e7ar sobre n\u00f3s mesmos, impedindo-nos de dar fruto. Por isso pe\u00e7amos ao Pai para cortar em n\u00f3s os preconceitos contra os outros e os apegos mundanos que impedem a plena unidade com todos os seus filhos. Assim, purificados no amor, saberemos colocar em segundo plano os empecilhos terrenos e os obst\u00e1culos doutrora, que hoje nos desviam do Evangelho.<\/p>\n<p>O terceiro c\u00edrculo da unidade, o mais largo, \u00e9\u00a0<em>a humanidade inteira<\/em>. Neste \u00e2mbito, podemos refletir sobre a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Na videira que \u00e9 Cristo, Ele \u00e9 a seiva que chega a todas as partes. Mas o Esp\u00edrito sopra onde quer, e por todo o lado quer reconduzir \u00e0 unidade. Leva-nos a amar n\u00e3o s\u00f3 \u00e0queles que nos amam e pensam como n\u00f3s, mas a todos, como Jesus nos ensinou. Torna-nos capazes de perdoar aos inimigos, e as injusti\u00e7as sofridas. Impele-nos a ser ativos e criativos no amor. Lembra-nos que o pr\u00f3ximo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 quem partilha os nossos valores e ideias, mas que somos chamados a fazer-nos pr\u00f3ximo de todos, bons Samaritanos duma humanidade vulner\u00e1vel, pobre e sofredora \u2013 hoje, t\u00e3o sofredora \u2013, que jaz por terra nas estradas do mundo e que Deus, na sua compaix\u00e3o, deseja levantar. O Esp\u00edrito Santo, autor da gra\u00e7a, ajuda-nos a viver na\u00a0<em>gratuidade<\/em>, a amar mesmo quem n\u00e3o nos retribui, porque \u00e9 no amor puro e desinteressado que o Evangelho d\u00e1 fruto. \u00c9 pelos frutos que se reconhece a \u00e1rvore: pelo amor gratuito, se reconhece se pertencemos \u00e0 videira de Jesus.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito Santo ensina-nos, assim, o\u00a0<em>amor concreto<\/em>\u00a0por todos os irm\u00e3os e irm\u00e3s com quem partilhamos a mesma humanidade, aquela humanidade que Cristo uniu inseparavelmente a Si, dizendo-nos que O encontraremos sempre nos mais pobres e necessitados (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a025, 31-45). Servindo-os juntos, descobrir-nos-emos irm\u00e3os e cresceremos na unidade. O Esp\u00edrito, que renova a face da terra, exorta-nos tamb\u00e9m a cuidar da nossa casa comum, a fazer op\u00e7\u00f5es ousadas no modo como vivemos e consumimos, porque o contr\u00e1rio de dar fruto \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o, e \u00e9 indigno desperdi\u00e7ar os preciosos recursos de que muitos est\u00e3o privados.<\/p>\n<p>Nesta tarde o pr\u00f3prio Esp\u00edrito, art\u00edfice do caminho ecum\u00e9nico, levou-nos a rezar juntos. E ao mesmo tempo que experimentamos a unidade que deriva de nos dirigirmos a Deus com uma s\u00f3 voz, desejo agradecer a todos aqueles que rezaram nesta Semana e continuar\u00e3o a rezar pela unidade dos crist\u00e3os. Dirijo a minha sauda\u00e7\u00e3o fraterna aos representantes das Igrejas e Comunidades eclesiais aqui reunidos: aos jovens ortodoxos e ortodoxos orientais que estudam em Roma com o apoio do Conselho para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os; aos professores e alunos do Instituto Ecum\u00e9nico de Bossey, que deveriam ter vindo a Roma como nos anos anteriores, mas n\u00e3o puderam por causa da pandemia e acompanham-nos atrav\u00e9s dos\u00a0<em>mass-media<\/em>. Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, permane\u00e7amos unidos em Cristo! Que o Esp\u00edrito Santo, derramado nos nossos cora\u00e7\u00f5es, nos fa\u00e7a sentir filhos do Pai, irm\u00e3os e irm\u00e3s entre n\u00f3s, irm\u00e3os e irm\u00e3s na \u00fanica fam\u00edlia humana. Que a Sant\u00edssima Trindade, comunh\u00e3o de amor, nos fa\u00e7a crescer na unidade.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2021\/documents\/papa-francesco_20210125_vespri-unitacristiani.html\" target=\"_blank\">original<\/a> em italiano |25.01.2021<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na celebra\u00e7\u00e3o das segundas v\u00e9speras, na convers\u00e3o do Ap\u00f3stolo Paulo, no encerramento da Semana de ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os, 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