{"id":484893040,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/7892-domingo-ii-da-pascoa-o-percurso-de-tome-chamado-gemeo"},"modified":"2025-11-07T16:33:14","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:14","slug":"domingo-ii-da-pascoa-o-percurso-de-tome-chamado-gemeo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-ii-da-pascoa-o-percurso-de-tome-chamado-gemeo\/","title":{"rendered":"Domingo II da P\u00e1scoa: \u00abO percurso de Tom\u00e9, chamado \u00abG\u00e9meo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. Novos percursos se abrem, e \u00e9 aqui que se inicia o Evangelho do Domingo II da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 20,19-31), que o Papa Jo\u00e3o Paulo II, em 30 de Abril do ano 2000, consagrou como \u00abDomingo da Divina Miseric\u00f3rdia\u00bb. Os disc\u00edpulos est\u00e3o num lugar, com as portas fechadas, por medo dos judeus. O Ressuscitado, vida nova e modo novo de estar presente, que nada nem ningu\u00e9m pode reter, vem e fica no MEIO deles, o lugar da Presid\u00eancia, e sa\u00fada-os: \u00abA paz convosco!\u00bb. Mostra-lhes as m\u00e3os e o lado, sinais que identificam o Ressuscitado com o Crucificado, e agrafa-os \u00e0 sua miss\u00e3o: \u00abComo o Pai me enviou (<em>ap\u00e9stalken<\/em>: perf. de\u00a0<em>apost\u00e9ll\u00f4<\/em>), tamb\u00e9m Eu vos mando ir (<em>p\u00e9mp\u00f4<\/em>)\u00bb. O envio d\u2019Ele est\u00e1 no tempo perfeito (\u00e9 para sempre): est\u00e1 sempre em miss\u00e3o; o nosso est\u00e1 no presente, e passa. O presente da nossa miss\u00e3o aparece, portanto, agrafado \u00e0 miss\u00e3o de Jesus, e n\u00e3o faz sentido sem ela e sem Ele. N\u00f3s implicados e imbricados n\u2019Ele e na miss\u00e3o d\u2019Ele, sabendo n\u00f3s que Ele est\u00e1 connosco todos os dias (cf. Mateus 28,20). \u00c9-nos dito que os disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria ao verem (<em>id\u00f3ntes<\/em>: part. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) o Senhor. Tal como o Outro Disc\u00edpulo (cf. Jo\u00e3o 20,8), tamb\u00e9m eles veem com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) a identidade do Senhor. O sopro de Jesus sobre eles \u00e9 o sopro criador (<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>), com o Esp\u00edrito, para a miss\u00e3o fr\u00e1gil-forte do Perd\u00e3o. Este sopro s\u00f3 aparece aqui em todo o Novo Testamento! Mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil construir uma bela ponte para G\u00e9nesis 2,7, para o sopro ou alento (<em>napah<\/em>\u00a0TM \/\u00a0<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>\u00a0LXX) criador de Deus no rosto do homem.<\/p>\n<p>2. A identidade do Senhor Ressuscitado est\u00e1 para al\u00e9m do rosto. Por isso, v\u00ea-lo n\u00e3o implica necessariamente reconhec\u00ea-lo, como sucede em n\u00e3o poucas p\u00e1ginas dos Evangelhos. A identidade do Ressuscitado n\u00e3o \u00e9 do dom\u00ednio da fotografia. Vem de dentro. Reside na sua vida a n\u00f3s dada por amor at\u00e9 ao fim, aponta para a Cruz. Por isso, Jesus mostra as m\u00e3os e o lado, sinais abertos para entrar no sacr\u00e1rio da sua intimidade, d\u00e1diva infinita que rebenta as paredes dos nossos olhos embotados e do nosso cora\u00e7\u00e3o empedernido. Entenda-se tamb\u00e9m que a miss\u00e3o que nos \u00e9 confiada \u00e9 mostrar Jesus. Est\u00e1 bom de ver que n\u00e3o basta exibir as capas do catecismo que mostram um Jesus de olhos azuis e cabelo louro encaracolado. S\u00f3 o podemos mostrar com a nossa vida dele recebida, e igualmente dada e comprometida.<\/p>\n<p>3. O narrador informa-nos logo a seguir que, afinal, Tom\u00e9 (<em>Toma\u2019<\/em>), chamado G\u00e9meo (<em>D\u00eddymos<\/em>),\u00a0<em>n\u00e3o estava com eles<\/em>\u00a0quando veio Jesus.\u00a0<em>D\u00eddymos<\/em>\u00a0\u00e9, na verdade, a tradu\u00e7\u00e3o literal, em grego, do aramaico\u00a0<em>Toma\u2019<\/em>[= \u00abG\u00e9meo\u00bb]. Mas os outros diziam-lhe repetidamente (<em>\u00e9legon<\/em>: imperf. de\u00a0<em>l\u00e9g\u00f4<\/em>), imperfeito de dura\u00e7\u00e3o, com a mesma linguagem da Madalena, mas no plural: \u00abVimos (<em>he\u00f4r\u00e1kamen<\/em>: perf. de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) o Senhor!\u00bb (Jo\u00e3o 20,25). Portanto, tamb\u00e9m eles s\u00e3o testemunhas, pois viram e continuam a ver o Senhor, de acordo com o tempo perfeito do verbo grego. Mas Tom\u00e9 quer tudo controlado e verificado, ponto por ponto, e refere: \u00abSe eu n\u00e3o vir (<em>\u00edd\u00f4<\/em>: conj. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um\u00a0<em>olhar hist\u00f3rico<\/em>\u00a0(tempo aoristo) nas suas m\u00e3os a marca dos cravos, e n\u00e3o meter o meu dedo na marca dos cravos e n\u00e3o meter a minha m\u00e3o no seu lado, n\u00e3o acreditarei\u00bb (Jo\u00e3o 20,25).<\/p>\n<p>4. Novo desarme: oito dias depois, estavam outra vez os disc\u00edpulos com as portas fechadas (mas o medo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mencionado), e Tom\u00e9\u00a0<em>estava com eles<\/em>. Veio Jesus, ficou no MEIO, saudou-os com a paz, e dirigiu-se logo a Tom\u00e9 desta maneira: \u00abTraz o teu dedo aqui e v\u00ea (<em>\u00edde<\/em>: imper. aor<sup>2<\/sup>de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) as minhas m\u00e3os, e traz a tua m\u00e3o e mete-a no meu lado, e n\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas crente!\u00bb (Jo\u00e3o 20,27). A\u00ed est\u00e1 Tom\u00e9 adivinhado, desvendado e desarmado. Tamb\u00e9m ele podia ter pensado: \u00abE como \u00e9 que ele sabia que eu queria fazer aquilo?\u00bb. Tom\u00e9 cai aqui, adivinhado e antecipado, precedido por Aquele que nos precede sempre. N\u00e3o quer tirar mais provas. Diz de imediato: \u00abMeu Senhor e meu Deus!\u00bb (Jo\u00e3o 20,28), uma das mais belas profiss\u00f5es de f\u00e9 de toda a Escritura. E Jesus diz para ele: \u00abPorque me viste e continuas a ver (<em>he\u00f4rak\u00e1s me<\/em>), tempo perfeito de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>, acreditaste e continuas a acreditar (<em>pep\u00edsteukas<\/em>), tempo perfeito de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>; felizes (<em>mak\u00e1rioi<\/em>) os que, n\u00e3o tendo visto (<em>id\u00f3ntes<\/em>: part. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo), acreditaram (<em>piste\u00fasantes<\/em>: part. aor. de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>)!\u00bb (Jo\u00e3o 20,29), tempo aoristo. Esta felicita\u00e7\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s.<\/p>\n<p>5. Not\u00e1vel o percurso dos Disc\u00edpulos. Fechados e com medo, viram Jesus entrar e ficar no MEIO deles, sem que as portas e as paredes constitu\u00edssem obst\u00e1culo. Trocaram o medo pela alegria, e tamb\u00e9m eles come\u00e7aram a ver de forma continuada o Senhor e a diz\u00ea-lo repetidamente. Not\u00e1vel e exemplar para n\u00f3s o percurso de Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo:\u00a0<em>n\u00e3o estava com<\/em>\u00a0a comunidade, t\u00e3o-pouco aceitou o seu testemunho; queria provas. Mas quando veio Jesus e o adivinhou, precedendo-o e presidindo-o, entregou-se completamente! Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo! Irm\u00e3o g\u00e9meo! Irm\u00e3o g\u00e9meo de quem? Meu e teu, assim pretende o narrador. De vez em quando, tamb\u00e9m n\u00f3s\u00a0<em>n\u00e3o estamos com<\/em>\u00a0a comunidade. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. Por vezes, tamb\u00e9m duvidamos e queremos provas. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. Salta \u00e0 vista que tamb\u00e9m devemos\u00a0<em>estar com<\/em>\u00a0a comunidade. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. E professar convictamente a nossa f\u00e9 no Ressuscitado que nos preside (no MEIO) e nos precede sempre. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo.<\/p>\n<p>6. A li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (4,32-35, mas ver tamb\u00e9m 2,42-47 e 5,12-16) deste Domingo II da P\u00e1scoa \u00e9 outra vez soberba. Trata-se de uma visita guiada ao Cen\u00e1culo, a primeira Catedral da Igreja nascente, mas com ramifica\u00e7\u00f5es em todas as casas, em todos os cora\u00e7\u00f5es, bem assente em quatro colunas: o ensino dos Ap\u00f3stolos (1), a comunh\u00e3o fraterna (2), a fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o (3) e a ora\u00e7\u00e3o (4). Com a boca cheia de louvor, os olhos de gra\u00e7a, as m\u00e3os de paz e de p\u00e3o, as entranhas de miseric\u00f3rdia, a comunidade bela crescia, crescia, crescia. N\u00e3o admira. Era t\u00e3o jovem, leve e bela, que as pessoas lutavam por entrar nela!<\/p>\n<p>7. Nascer de Deus, amar a Deus e o Filho Unig\u00e9nito de Deus, amar no Filho os filhos de Deus, \u00e9 a li\u00e7\u00e3o da Primeira Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o 5,1-6. O crit\u00e9rio \u00e9: se nascemos de Deus, ent\u00e3o somos filhos de Deus, e, sendo filhos de Deus, somos irm\u00e3os. E, se nascemos de Deus, tamb\u00e9m o amor que nos vincula aos irm\u00e3os \u00e9 de Deus. Amar a Deus \u00e9, ent\u00e3o, o crit\u00e9rio \u00faltimo da f\u00e9 e da caridade. A vida de Deus em n\u00f3s, amar como Deus nos ama, permanece, portanto o \u00fanico crit\u00e9rio verdadeiro. Na Primeira Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o 4,20-21, t\u00ednhamos anotado o crit\u00e9rio de que o nosso amor a Deus \u00e9 verific\u00e1vel no nosso amor ao pr\u00f3ximo. Mas S\u00e3o Paulo adverte-nos com sabedoria que o amor ao pr\u00f3ximo pode fingir-se, pois podemos dar todos os nossos bens aos pobres, e n\u00e3o ter a caridade verdadeira (1 Cor\u00edntios 13,3). Neste sentido, diz acertadamente S\u00e3o M\u00e1ximo Confessor (580-662) que \u00aba P\u00e1scoa gera a f\u00e9 e a f\u00e9 gera o amor\u00bb. A miseric\u00f3rdia \u00e9 a chama divina com que devemos acender e purificar o nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>8. Cantemos por isso o Salmo 118, que \u00e9 o \u00faltimo canto do chamado \u00abPequeno Hallel Pascal\u00bb (113-118), mas que era seguramente cantado noutras festividades de Israel, nomeadamente na Festa das Tendas, tendo em conta o seu teor processional, e at\u00e9 a sua distribui\u00e7\u00e3o por coros. Este Salmo levanta-se do meio da alegria pr\u00f3pria da Festa (\u00abEste \u00e9 o dia que o Senhor fez,\/ nele nos alegremos e exultemos!\u00bb: v. 24) e eleva ao Deus sempre fiel uma grande A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as por todas as maravilhas que Ele tem realizado em favor do seu povo. Sim, toda a nossa energia e toda a melodia que nos habita \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor, conforme o bel\u00edssimo v. 14: \u00abMinha for\u00e7a e meu canto YAH!\u00bb, que soa assim em hebraico:\u00a0<em>\u2018azz\u00ee w<sup>e<\/sup>zimrat YAH<\/em>. Al\u00e9m do nosso Salmo, a express\u00e3o densa e impressiva encontra-se ainda em \u00caxodo 15,2 e Isa\u00edas 12,2. YAH est\u00e1 por YHWH. O refr\u00e3o que vamos cantar aparece a abrir e a fechar este grande Salmo, e constitui como que o envelope onde guardamos a bela melodia que cantamos. Soa assim: \u00abLouvai o Senhor porque Ele \u00e9 bom,\/ porque para sempre \u00e9 o seu amor!\u00bb (vv. 1 e 29).<\/p>\n<p>9. Em tudo e sempre nos precede o nosso bom Deus com a iniciativa do seu amor primeiro e misericordioso.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00abO lugar para onde Eu vou,<\/p>\n<p>V\u00f3s sabeis o caminho para l\u00e1\u00bb, diz Jesus.<\/p>\n<p>\u00abN\u00f3s n\u00e3o sabemos para onde vais,<\/p>\n<p>Como podemos saber o caminho para l\u00e1?\u00bb,<\/p>\n<p>Retorquiu Tom\u00e9.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Tom\u00e9 \u00e9 como n\u00f3s:<\/p>\n<p>N\u00e3o sabe trabalhar sem metas e objetivos.<\/p>\n<p>E \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o das metas e objetivos,<\/p>\n<p>Que escolhe caminhos e metodologias.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Deus disse a Abra\u00e3o: \u00abVai do teu pa\u00eds<\/p>\n<p>Para o pa\u00eds que Eu te fizer ver\u00bb.<\/p>\n<p>E o narrador diz-nos que \u00abAbra\u00e3o foi\u00bb.<\/p>\n<p>Para onde? Para qual pa\u00eds?<\/p>\n<p>N\u00e3o interessa.<\/p>\n<p>Interessa \u00e9 saber que uma m\u00e3o segura nos guia,<\/p>\n<p>E que o caminho que trilhamos nos conduz sempre ao destino.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 assim que faz Jesus tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos indica no mapa o lugar do destino,<\/p>\n<p>Mas mostra-nos o caminho para chegar l\u00e1.<\/p>\n<p>Por isso nos diz: \u00abVinde atr\u00e1s de Mim\u2026\u00bb.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 assim a prociss\u00e3o e a peregrina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele vai connosco e \u00e0 nossa frente.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 o caminho, a m\u00e3o segura,<\/p>\n<p>A \u00e1gua pura,<\/p>\n<p>O p\u00e3o de trigo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ensina-nos, Senhor,<\/p>\n<p>A caminhar contigo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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