{"id":504788644,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/7945-domingo-v-da-pascoa-a-videira-a-verdadeira-e-nos"},"modified":"2025-11-07T16:33:15","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:15","slug":"domingo-v-da-pascoa-a-videira-a-verdadeira-e-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-v-da-pascoa-a-videira-a-verdadeira-e-nos\/","title":{"rendered":"Domingo V da P\u00e1scoa: \u00abA videira, a Verdadeira, e n\u00f3s&#8230;\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\"\/><\/p>\n<p><p>1. Embora, neste espa\u00e7o, n\u00e3o o possamos fazer sempre, \u00e9 sempre oportuno visitar e revisitar o texto do Evangelho, v\u00ea-lo, l\u00ea-lo, acarici\u00e1-lo, sabore\u00e1-lo. Hoje, Domingo V da P\u00e1scoa, entramos por a\u00ed:<\/p>\n<p>\u00abEu sou (<em>Eg\u00f4 eimi<\/em>) a videira (<em>h\u00ea \u00e1mpelos<\/em>), a verdadeira (<em>h\u00ea al\u00eathin\u00ea<\/em>), e o meu Pai \u00e9 o agricultor. Todo o ramo (<em>t\u00f2 kl\u00eama<\/em>) em mim (<em>en emo\u00ed<\/em>) n\u00e3o dando fruto (<em>m\u00ea ph\u00e9r\u00f4 karp\u00f3s<\/em>), ele corta-o, e todo o que d\u00e1 fruto, limpa-o, para que d\u00ea mais fruto. V\u00f3s j\u00e1 estais limpos pela palavra que vos falei (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>). Permanecei (<em>m\u00e9n\u00f4<\/em>) em mim, e eu em v\u00f3s (<em>en hym\u00een<\/em>). Como o ramo n\u00e3o pode dar fruto por si mesmo, se n\u00e3o permanecer na videira, assim tamb\u00e9m v\u00f3s, se n\u00e3o permanecerdes em mim. Eu sou a videira; v\u00f3s os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse d\u00e1 muito fruto, porque sem mim n\u00e3o podeis fazer nada. Se algu\u00e9m n\u00e3o permanecer em mim, \u00e9 lan\u00e7ado fora, como o ramo, e seca, e recolhem-nos, e lan\u00e7am-nos no fogo, e arde. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em v\u00f3s, pedi o que quiserdes, e ser-vos-\u00e1 feito. Nisto \u00e9 glorificado o meu Pai: que deis muito fruto e vos torneis meus disc\u00edpulos\u00bb (Jo\u00e3o 15,1-8).<\/p>\n<p>2. Servindo-se da estrat\u00e9gia da repeti\u00e7\u00e3o, e articulando muito bem, numa rede fin\u00edssima, voc\u00e1bulos e locu\u00e7\u00f5es, o Evangelho deste Domingo V da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 15,1-8) serve-nos a vida verdadeira, divina comunh\u00e3o, que, do Pai, mediante o Filho, no Esp\u00edrito, vem at\u00e9 n\u00f3s, e nos \u00e9 oferecida e dada. A rede terminol\u00f3gica \u00e9 imponente: \u00abpermanecer\u00bb (7 vezes), \u00abem mim\u00bb (6 vezes), \u00abdar fruto\u00bb (6 vezes), \u00abramo\u00bb (4 vezes), \u00abvideira\u00bb (3 vezes).<\/p>\n<p>3. O cen\u00e1rio do Evangelho do passado Domingo (Jo\u00e3o 10,11-18) era a Festa da Dedica\u00e7\u00e3o (<em>han\u00fbkkah<\/em>), perfeitamente ajustada ao amor dedicado do Bom e Belo Pastor. O cen\u00e1rio do Evangelho de hoje (Jo\u00e3o 15,1-8) \u00e9 a Festa da P\u00e1scoa (desde Jo\u00e3o 13,1-2), do Fruto novo a n\u00f3s dado, da Vida nova a n\u00f3s dada, da passagem de Jesus deste mundo para o Pai, do vinho novo do Reino a chegar. A\u00ed est\u00e1, portanto, em sintonia e em primeiro plano, \u00aba videira, a verdadeira\u00bb, que \u00e9 Jesus (Jo\u00e3o 15,1). Note-se bem o adjetivo \u00abverdadeira\u00bb, com artigo (<em>he al\u00eathin\u00ea<\/em>), colocado enfaticamente no final da afirma\u00e7\u00e3o inicial. Esta afirma\u00e7\u00e3o remete analepticamente para tantas passagens do Antigo Testamento que apresentavam Israel como a videira com carinho transplantada do Egito para a Terra Prometida, tratada sempre com amor, mas depois abandonada e queimada no fogo (Salmo 80,9-17), amada e cantada, mas depois entregue aos animais para que a devastassem (Isa\u00edas 5,1-7), guardada, regada, cuidada, mas depois pisada e queimada (Isa\u00edas 27,2-4; Jeremias 2,21; Ezequiel 19,10-14). Videira antiga, fracassada, que d\u00e1 lugar \u00e0 Videira nova, a verdadeira, que \u00e9 Jesus. Salta \u00e0 vista que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para esta videira brava, que \u00e9 Israel e que somos n\u00f3s, passa por uma enxertia em \u00aba videira, a verdadeira\u00bb, que \u00e9 Jesus. E pela poda ou limpeza levada a cabo pela Palavra de Jesus (Jo\u00e3o 15,2-3).<\/p>\n<p>4. A videira que era Israel produziu uvas azedas em vez de uvas boas e doces, porque abandonou o Deus verdadeiro, para ir atr\u00e1s dos \u00eddolos. Mas \u00aba videira, a verdadeira\u00bb, que \u00e9 Jesus, est\u00e1 agora plantada no meio de n\u00f3s. E n\u00f3s podemos ser os seus ramos, enxertados nele, e dar assim uvas boas e doces, Bom e Belo fruto. Basta, para tanto, \u00abpermanecer\u00bb nele, que \u00e9 \u00aba videira, a verdadeira\u00bb, e deixar a sua vida, a sua seiva, vivificar os ramos. Trata-se, para n\u00f3s, de permanecer em Jesus, como ele permanece em n\u00f3s (Jo\u00e3o 15,4), pois veio habitar em n\u00f3s (Jo\u00e3o 14,23). Ele habita \u00abem homem\u00bb, em n\u00f3s, pela sua incarna\u00e7\u00e3o; n\u00f3s somos chamados a habitar nele.<\/p>\n<p>5. Habitar nele \u00e9 fazer dele a nossa casa, o nosso ch\u00e3o, a nossa porta, as nossas janelas, a nossa mesa, o lugar em que nos alimentamos, repousamos, amansamos, depois das nossas agita\u00e7\u00f5es complicadas, dece\u00e7\u00f5es, fracassos, lutas e incompreens\u00f5es. O lugar onde nos reunimos, para repartir e saborear o p\u00e3o e o vinho da alegria, para partir depois com nova alegria e energia ao encontro de mais irm\u00e3os. Boa Nova em movimento. Seara ondulante ao sabor do vento do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>6. \u00c9 Jesus o \u00fanico indispens\u00e1vel para que haja fruto: \u00abSem mim, nada podeis fazer\u00bb (Jo\u00e3o 15,5). \u00c9 bom e belo que a Igreja inteira compreenda bem que a seguran\u00e7a, a paz e os frutos n\u00e3o nascem de t\u00e9cnicas cada vez mais apuradas nem de mecanismos pol\u00edtico-econ\u00f3micos cada vez mais sofisticados, mas do seu abandono seguro na Palavra de Deus, aprendendo a viver, por assim dizer, \u00abdentro da Palavra, para se deixar guardar e nutrir dela como de um ventre materno\u00bb, belo dizer de S. Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Pastores gregis<\/em>\u00a0[2003], n.\u00ba 15, retomado por Bento XVI,\u00a0<em>Verbum Domini<\/em>\u00a0[2010], n.\u00ba 79. S\u00f3 assim, nutridos pela Palavra de Deus, pela vida de Deus, que corre na Videira e nos seus ramos, daremos fruto abundante, que \u00e9 a miss\u00e3o mission\u00e1ria de que somos incumbidos. \u00abDar fruto\u00bb \u00e9 uma locu\u00e7\u00e3o que se repete por seis vezes no texto do Evangelho de hoje. Claramente para vincar a sua import\u00e2ncia. Esta refer\u00eancia ao fruto s\u00f3 se encontra em mais duas circunst\u00e2ncias do IV Evangelho, sempre com pendor mission\u00e1rio: Jo\u00e3o 4,36-38 e 12,24.<\/p>\n<p>7. A li\u00e7\u00e3o do Livro do Atos dos Ap\u00f3stolos, hoje recebida (9,26-31), e que nos faz bem saborear, aviva as tintas do retrato de fam\u00edlia da Igreja primitiva, que vivia ao sabor da Palavra de Deus, da comunh\u00e3o, da fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e da ora\u00e7\u00e3o, e que, n\u00e3o obstante os problemas, que sabia delicadamente resolver, \u00abvivia em paz, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e crescia com a consola\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo\u00bb (9,31). Forte provoca\u00e7\u00e3o para tamb\u00e9m n\u00f3s, Igreja de hoje, tirarmos o nosso retrato de fam\u00edlia, pondo os dois lado-a-lado, e retirarmos da\u00ed as li\u00e7\u00f5es que se imp\u00f5em.<\/p>\n<p>8. A Primeira Carta de S. Jo\u00e3o, no extrato hoje lido (3,18-24), volta a insistir, retomando a rede terminol\u00f3gica do Evangelho, na import\u00e2ncia do m\u00fatuo permanecer: de n\u00f3s em Deus, e de Deus em n\u00f3s. \u00c9 esta a fonte e o modo da verdadeira fecundidade do Evangelho. N\u00e3o se trata de t\u00e9cnicas, mas de vida. E do manto de afeto de que se deve revestir qualquer verdadeira comunidade crist\u00e3: \u00abMeus filhos\u00bb, \u00e9 assim, em acentuada toada familiar, que abre a li\u00e7\u00e3o de hoje.<\/p>\n<p>9. Nem podia ser de outra maneira, pois n\u00f3s sabemos bem que \u00abo seu jugo \u00e9 suave e a sua carga \u00e9 leve\u00bb (Mateus 11,30). Se nos parecer pesada, ent\u00e3o \u00e9 porque lhe estamos a pegar mal! Reflitamos e rezemos, pois, para podermos entender ainda melhor esta melodia de \u00aba videira, a verdadeira\u00bb, os ramos sadios e vi\u00e7osos, a Casa onde moramos, a Mesa onde comemos, as uvas Boas e Belas carregadas de Alegria. E, em confronto, tamb\u00e9m se entende melhor a secura, os ramos secos, a vinha abandonada, a vida ao abandono.<\/p>\n<p>10. Enfim, o Salmo 33, que hoje cantamos, \u00e9 um verdadeiro \u00abcanto novo\u00bb (<em>sh\u00eer hadash<\/em>) a fazer vibrar as fibras do nosso cora\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica do amor misericordioso que nos vem de Deus. Mas \u00e9 tamb\u00e9m m\u00fasica sem palavras (<em>t<sup>e<\/sup>r\u00fb?ah<\/em>) (v. 2), jubila\u00e7\u00e3o, exulta\u00e7\u00e3o, lala\u00e7\u00e3o de radical confian\u00e7a da crian\u00e7a que em n\u00f3s sorri e dan\u00e7a, porque Deus vela por n\u00f3s com amor fiel, como se fosse um manto que nos envolve, nos protege e nos aquece. Comenta Santo Agostinho: \u00abJ\u00e1 sabes o que \u00e9 o canto novo: um homem novo, um canto novo\u00bb. Um fruto novo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Vence-nos \u00e0s vezes o cansa\u00e7o,<\/p>\n<p>E o agra\u00e7o azeda os nossos dias,<\/p>\n<p>E ficamos sem saber bem<\/p>\n<p>Onde encher de alegria<\/p>\n<p>As nossas almotolias.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O Evangelho de hoje<\/p>\n<p>P\u00f5e Jesus no meio de n\u00f3s a dizer:<\/p>\n<p>\u201cEu sou a videira, a verdadeira\u201d,<\/p>\n<p>E \u00e9 assim que ficamos a saber<\/p>\n<p>Que uma enxertia<\/p>\n<p>Pode salvar a monotonia<\/p>\n<p>Do nosso dia-a-dia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A enxertia na videira mansa e boa,<\/p>\n<p>Que \u00e9 Jesus,<\/p>\n<p>Pode curar a azia das uvas bravias,<\/p>\n<p>Que a nossa vida produz.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Aproximemo-nos ent\u00e3o mais de Jesus,<\/p>\n<p>Que \u00e9 a videira verdadeira,<\/p>\n<p>E saboreemos a alegria e a maravilha,<\/p>\n<p>Respiremos os aromas da serra e do campo,<\/p>\n<p>Acariciemos os ramos das videiras<\/p>\n<p>Que come\u00e7am a pintar de verde as nossas vinhas,<\/p>\n<p>E comecemos j\u00e1 a degustar este n\u00e9ctar do c\u00e9u<\/p>\n<p>\u00c0 nossa terra descido.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Sim, como diz um velho texto judeo-crist\u00e3o,<\/p>\n<p>\u00abA nossa terra dar\u00e1 muito fruto,<\/p>\n<p>Dez mil por um:<\/p>\n<p>Cada videira dar\u00e1 mil ramos,<\/p>\n<p>Cada ramo mil cachos,<\/p>\n<p>Cada cacho mil bagos,<\/p>\n<p>Cada bago centenas de litros de vinho!\u00bb.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Vem, Senhor Jesus,<\/p>\n<p>P\u00f5e-nos na rota dos frutos.<\/p>\n<p>Senta-nos \u00e0 tua mesa,<\/p>\n<p>Reparte connosco o teu p\u00e3o gozoso,<\/p>\n<p>E serve-nos um bocadinho do teu vinho generoso.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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