{"id":512181670,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13025-solenidade-da-ascensao-do-senhor-com-os-olhos-do-coracao-iluminados"},"modified":"2025-11-07T16:34:00","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:00","slug":"solenidade-da-ascensao-do-senhor-com-os-olhos-do-coracao-iluminados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/solenidade-da-ascensao-do-senhor-com-os-olhos-do-coracao-iluminados\/","title":{"rendered":"Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor: \u00abCom os olhos do cora\u00e7\u00e3o iluminados\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">At 1,1-11; Sl 47; Ef 1,17-23; Mc 16,15-20<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">Nota: publica-se hoje, uma vez que a Solenidade da Ascens\u00e3o se celebra em alguns pa\u00edses na 5.\u00aa feira, dia 9, e Mesadepalavras \u00e9 visitada em in\u00fameros pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Tamb\u00e9m hoje, Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor, dada a riqueza e a delicadeza da filigrana do texto do Evangelho de Marcos 16,15-20, que constitui a sua conclus\u00e3o, e que vamos ter a gra\u00e7a de escutar, parece-me importante come\u00e7ar por colocar o texto diante dos nossos olhos, come\u00e7ando com o v. 14:<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\"><em>\u00ab<strong>16<\/strong>,<sup>14<\/sup>Em \u00faltimo lugar fez-se ver aos Onze, enquanto estavam \u00e0 mesa, e reprovou a sua incredulidade e dureza de cora\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o acreditaram naqueles que o tinham visto ressuscitado.\u00a0<sup>15<\/sup>E disse-lhes: \u201cIndo por todo o mundo, anunciai o Evangelho a toda a criatura\u201d.\u00a0<sup>16<\/sup>Quem acreditar e for batizado, ser\u00e1 salvo, mas quem n\u00e3o acreditar, ser\u00e1 condenado.\u00a0<sup>17<\/sup>S\u00e3o estes os sinais que acompanhar\u00e3o os que acreditarem: no meu nome, expulsar\u00e3o dem\u00f3nios, falar\u00e3o l\u00ednguas novas,\u00a0<sup>18<\/sup>e, se pegarem em cobras nas m\u00e3os e beberem veneno mortal, n\u00e3o lhes far\u00e1 mal; impor\u00e3o as m\u00e3os aos doentes, e ficar\u00e3o bem.<\/em><\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\"><em><sup>19<\/sup>O Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao c\u00e9u, e sentou-se \u00e0 direita de Deus.\u00a0<sup>20<\/sup>Eles, ent\u00e3o, tendo sa\u00eddo, anunciaram o Evangelho por toda a parte, enquanto o Senhor cooperava e confirmava a Palavra com os sinais que a acompanhavam\u00bb (Marcos 16,14-20).<\/em><\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Trata-se da \u00faltima p\u00e1gina do Evangelho de Marcos, certamente tardia, talvez do s\u00e9c. II, mas grandiosa e imponente, e cheia de refer\u00eancias significativas para a vida crist\u00e3 de qualquer tempo e lugar. Esta p\u00e1gina fecha o Evangelho de Marcos, condensa-o e encerra-o numa grande inclus\u00e3o liter\u00e1ria e teol\u00f3gica atrav\u00e9s dos termos \u00abanunciar\u00bb, \u00abacreditar\u00bb e \u00abEvangelho\u00bb, usados a abrir o Evangelho (1,14-15) e a fechar o Evangelho (16,15-16). Mas o an\u00fancio do Evangelho a\u00a0<em>toda a criatura<\/em>\u00a0(16,15) reclama tamb\u00e9m o in\u00edcio da inteira Escritura, a p\u00e1gina da Cria\u00e7\u00e3o, com o ser humano a receber de Deus o mandato de dominar a\u00a0<em>cria\u00e7\u00e3o inteira<\/em>\u00a0(G\u00e9nesis 1,26 e 28). \u00c9 ainda nesse sentido de inclus\u00e3o liter\u00e1ria e teol\u00f3gica com a Cria\u00e7\u00e3o, que as cobras, uma das quais dominou ent\u00e3o o ser humano (G\u00e9nesis 3,1-5), s\u00e3o agora dominadas (16,18), do mesmo modo que \u00e9 o\u00a0<em>bem<\/em>\u00a0(<em>kal\u00f4s<\/em>), em vez da\u00a0<em>cura<\/em>, que agora se estabelece sobre os doentes (16,18). \u00c9 outra vez o eco intertextual da Cria\u00e7\u00e3o, onde, no texto grego dos LXX, o\u00a0<em>bem<\/em>,\u00a0<em>bom<\/em>\u00a0e\u00a0<em>belo<\/em>\u00a0(<em>kal\u00f3s<\/em>) impregna por completo a Cria\u00e7\u00e3o inteira, atravessando-a por oito vezes (G\u00e9nesis 1,4.8.10.12.18.21.25.31 LXX). No texto hebraico, \u00e9 por sete vezes que soa esta nota com o termo\u00a0<em>th\u00f4b<\/em>, que passa o mesmo significado de\u00a0<em>bem<\/em>,\u00a0<em>bom<\/em>\u00a0e\u00a0<em>belo<\/em>\u00a0(G\u00e9nesis 1,4.10.12.18.21.25.31).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. \u00abO\u00a0<em>Senhor Jesus<\/em>\u00bb (<em>ho K\u00fdrios I\u00easo\u00fbs<\/em>) (16,19), \u00fanica men\u00e7\u00e3o em todos os Evangelhos, enche a cena, quer para recriminar a nossa incredulidade e dureza de cora\u00e7\u00e3o (16,14), quer para continuar a manifestar a sua confian\u00e7a em n\u00f3s, dado que, n\u00e3o obstante a nossa incredulidade, e, talvez por isso mesmo, insiste em enviar-nos e acompanhar-nos na miss\u00e3o \u00abtotal\u00bb do Evangelho que agora nos confia (16,15 e 20). Cai aqui por terra uma certa ret\u00f3rica de santidade, que falsamente defende que s\u00f3 os santos s\u00e3o id\u00f3neos para a miss\u00e3o de anunciar o Evangelho! E ganham espa\u00e7o os que fracassaram, como os Onze e n\u00f3s com eles e como eles, que anunciam a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, que continua vivo e atuante no meio de n\u00f3s, e a prova disso somos n\u00f3s, pois Ele mudou a nossa vida de fracassados e desistentes para testemunhas fi\u00e9is e transparentes! E esta mudan\u00e7a operada em n\u00f3s tem de fazer parte do relato que fazemos do Evangelho.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Cinco temas enchem a p\u00e1gina, o p\u00e1tio, o \u00e1trio sempre entreaberto do Evangelho: 1) a autoridade soberana e nova de Jesus assente, n\u00e3o na dist\u00e2ncia e tirania, mas na proximidade e familiaridade; 2) a miss\u00e3o total a n\u00f3s confiada; 3) o mundo novo e bom, sadio e otimizado que brota da pr\u00e1tica do Evangelho; 4) o envolvimento de todos; 5) a Presen\u00e7a nova e sempre ativa e comprometida do Ressuscitado connosco.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4.1. A soberania nova, pr\u00f3xima e familiar de Jesus fica registada no facto de toda a opera\u00e7\u00e3o ser realizada no \u00abnome de Jesus\u00bb (16,17), mediante envio seu (16,15), com a sua Presen\u00e7a cooperante (<em>synerg\u00e9\u00f4<\/em>) (16,20) e confirmante (<em>bebai\u00f3\u00f4<\/em>) (16,20), o mesmo verbo da Confirma\u00e7\u00e3o sacramental (<em>beba\u00ed\u00f4sis<\/em>). Etimologicamente, deriva do verbo\u00a0<em>ba\u00edn\u00f4<\/em>, que significa \u00abcaminhar\u00bb, e sup\u00f5e terreno firme e s\u00f3lido (<em>b\u00e9baios<\/em>) sobre o qual se pode caminhar com destreza e seguran\u00e7a. \u00c9 esta destreza e solidez que a Confirma\u00e7\u00e3o confere aos confirmados. Sem esquecer nunca que firmeza e solidez, em ch\u00e3o b\u00edblico, remetem sempre para fidelidade e confian\u00e7a no dom\u00ednio interpessoal. A n\u00e3o esquecer tamb\u00e9m, neste contexto, que s\u00f3 um verdadeiro soberano confia a sua hist\u00f3ria e a sua miss\u00e3o a gente como n\u00f3s, que s\u00f3 deu at\u00e9 agora sinais de fraqueza e de pouca ou nula fiabilidade. Um grande tema b\u00edblico desde a Cria\u00e7\u00e3o: a omnipot\u00eancia de Deus como que limitada pela nossa liberdade, concedendo-nos aqui a imensa dignidade de partilhar connosco a sua autoridade, deixando tamb\u00e9m nas nossas m\u00e3os a capacidade de fazer surgir um mundo novo, cheio de\u00a0<em>bem<\/em>, de\u00a0<em>bondade<\/em>\u00a0e de\u00a0<em>beleza<\/em>.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4.2. A miss\u00e3o total a n\u00f3s confiada, que deve envolver \u00abtodos, tudo e sempre\u00bb (Bento XVI, Mensagem para o 85.\u00ba Dia Mission\u00e1rio Mundial 2011), \u00e9 retratada com tinta excecional em Marcos, ao usar as express\u00f5es \u00abindo\u00a0<em>por todo o mundo<\/em>\u00bb (16,15), \u00abanunciai o Evangelho\u00a0<em>a toda a criatura<\/em>\u00bb (16,15), e \u00abtendo sa\u00eddo, anunciaram\u00a0<em>por toda a parte<\/em>\u00bb (16,20). \u00c9 a miss\u00e3o total, e n\u00e3o por etapas. Jesus n\u00e3o recomenda: \u00aba come\u00e7ar pela rua tal, ou pela cidade tal\u2026\u00bb. Portanto, esta miss\u00e3o\u00a0<em>total<\/em>\u00a0tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 para levar a cabo ao sabor das emerg\u00eancias (ver a decis\u00e3o de Jesus em Marcos 1,38-39; Lucas 4,42-43). A ventania do Pentecostes ou o vento suav\u00edssimo do Esp\u00edrito deve levar alento a toda a criatura, da mesma forma que a semente do Evangelho \u00e9 para ser lan\u00e7ada por toda a parte, em todo o tipo de terreno, como na par\u00e1bola do semeador, sem qualquer estudo pr\u00e9vio de rentabilidade.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4.3. Mundo novo e bom, salvo, sadio e saud\u00e1vel, otimizado, sem for\u00e7as demon\u00edacas e sem ponta de veneno. Esta liga\u00e7\u00e3o e eco intertextual das narrativas da Cria\u00e7\u00e3o faz ver a miss\u00e3o como nova cria\u00e7\u00e3o, em que o homem, finalmente transpar\u00eancia do Deus Criador e Senhor, sem raivas nem \u00f3dios, ci\u00fames e viol\u00eancias, \u00abdomina\u00bb a terra e os animais, isto \u00e9, estabelece a mansid\u00e3o, a do\u00e7ura da palavra e a harmonia sobre a terra (G\u00e9nesis 1,26-31). At\u00e9 a cobra perde a ast\u00facia e o veneno mortal que ostenta em G\u00e9nesis 3,1-5, e mostra-se mansa e sujeita ao dom\u00ednio das m\u00e3os do homem. \u00c0 luz da miss\u00e3o salutar e salvadora, nenhuma criatura \u00e9 portadora de veneno (cf. Sabedoria 1,14), e a doen\u00e7a \u00e9 vencida pela b\u00ean\u00e7\u00e3o que sai das m\u00e3os e do cora\u00e7\u00e3o do mission\u00e1rio, outra vez \u00e0 imagem de Deus, que enche este mundo de\u00a0<em>bem<\/em>\u00a0(<em>kal\u00f4s<\/em>\u00a0LXX) (16,18), que \u00e9 uma nota que atravessa o texto da Cria\u00e7\u00e3o, vincando ainda mais a inclus\u00e3o liter\u00e1ria e teol\u00f3gica j\u00e1 atr\u00e1s acenada. Note-se que, em vez da presen\u00e7a do\u00a0<em>bem<\/em>, em situa\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a, seria de esperar, n\u00e3o o adv\u00e9rbio\u00a0<em>bem<\/em>\u00a0(<em>kal\u00f4s<\/em>), mas o verbo\u00a0<em>curar<\/em>, que se usa habitualmente em situa\u00e7\u00f5es id\u00eanticas, dito com o verbo\u00a0<em>therape\u00fa\u00f4<\/em>\u00a0(cf. Mateus 4,24; 8,16; 10,1.8; Marcos 1,34; 3,10; 6,13; Lucas 4,40; 6,18b; 9,1.6) ou\u00a0<em>i\u00e1omai<\/em>\u00a0(Marcos 5,29; Lucas 6,18a.19; 9,2). De notar que a nossa Eucaristia, que \u00e9 com certeza a mais alta forma de ora\u00e7\u00e3o, catequese e evangeliza\u00e7\u00e3o, assenta as suas ra\u00edzes mais fundas na\u00a0<em>b\u00ean\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0e em\u00a0<em>bendizer<\/em>, sendo a sua express\u00e3o mais antiga \u00abO c\u00e1lice da\u00a0<em>b\u00ean\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0que\u00a0<em>bendizemos<\/em>\u00bb (1 Cor\u00edntios 10,16). Celebrar a Eucaristia \u00e9, pois, sempre um grande exerc\u00edcio de \u00abbendizer\u00bb, isto \u00e9, de dizer bem, e n\u00e3o mal, e implica mudar a nossa vida toda da clave do mal para a clave do bem. O mal divide. O bem une. Levar uma comunidade a celebrar a Eucaristia \u00e9 sempre transmitir aos seus membros uma nova cultura. N\u00e3o de maledic\u00eancia, mas de aprendermos a pensar, querer, ver, falar e fazer bem, belo e bom, que \u00e9 a fonte da comunh\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4.4. N\u00f3s j\u00e1 sabemos, s\u00e3o muitos os documentos a diz\u00ea-lo, que esta miss\u00e3o do an\u00fancio do Evangelho de Jesus compete a todos. \u00c9 por natureza que a Igreja \u00e9 mission\u00e1ria, diz-nos o Decreto Conciliar\u00a0<em>Ad gentes<\/em>, n.\u00ba 2, e \u00abevangelizar constitui, de facto, a gra\u00e7a e a voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da Igreja, a sua identidade mais profunda\u00bb, insiste Paulo VI, na feliz Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Evangelii nuntiandi<\/em>\u00a0[1975], n.\u00ba 14. Por isso, \u00aba prega\u00e7\u00e3o do Evangelho n\u00e3o \u00e9 para a Igreja um contributo facultativo, mas um dever que lhe incumbe\u00bb (Paulo VI,\u00a0<em>Evangelii nuntiandi<\/em>, n.\u00ba 5; Bento XVI,\u00a0<em>Mensagem para o Dia Mission\u00e1rio Mundial<\/em>, 2012). \u00c9 a maneira de ser da Igreja, e \u00e9 a nossa maneira de ser, dado que \u00e9 a sua e a nossa identidade, voca\u00e7\u00e3o e gra\u00e7a. Mas de entre todos os Evangelhos, s\u00f3 esta p\u00e1gina seleta de Marcos diz expressamente que os belos e maravilhosos \u00absinais\u00bb que acompanham o an\u00fancio do Evangelho s\u00e3o realizados por\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0os que acreditam (Marcos 16,17-18). Esta extraordin\u00e1ria \u00abdemocratiza\u00e7\u00e3o\u00bb das maravilhas operadas por Deus por interm\u00e9dio de\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0os que acreditam serve para datar este texto do s\u00e9culo II. No s\u00e9culo I, estes prod\u00edgios estavam confinados aos Ap\u00f3stolos, e, a partir do s\u00e9culo III, ser\u00e1 o clero o seu propriet\u00e1rio. Magn\u00edfico texto este, que p\u00f5e todo o povo de Deus a realizar maravilhas! Portanto, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, sede o que sois, sempre e em toda a parte, e n\u00e3o deixeis por m\u00e3os e cora\u00e7\u00f5es alheios, as maravilhas do Evangelho que Deus vos d\u00e1 para v\u00f3s realizardes! \u00c9 este o combust\u00edvel do \u00abEvangelho da alegria\u00bb, que Deus deposita largamente no cora\u00e7\u00e3o de todos os seus filhos e filhas, para consola\u00e7\u00e3o nossa e de todos os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4.5. Chegados aqui, \u00e0 \u00faltima p\u00e1gina do Evangelho de Marcos, ainda podemos verificar dois gestos opostos e significativos. Jesus terminou o seu caminho, \u00e9 elevado ao c\u00e9u, e senta-se \u00e0 direita de Deus (16,19), sinal de proemin\u00eancia e de b\u00ean\u00e7\u00e3o. E os disc\u00edpulos de Jesus, que t\u00eam agora o mundo inteiro pela frente, levantam-se, saem, e anunciam o Evangelho (16,20). \u00abSair\u00bb, hebraico\u00a0<em>yatsa?<\/em>, \u00e9 o verbo cl\u00e1ssico do \u00caxodo, mas \u00e9 tamb\u00e9m, de forma muito significativa, o verbo do nascimento. \u00abSair de si\u00bb \u00e9 um dos dinamismos mais poderosos do Evangelho, que o Papa Francisco lembrou e pediu \u00e0 Igreja (<em>Evangelii gaudium<\/em>\u00a0[2013], n.<sup>os<\/sup>\u00a020.23.27.97.259.261). A Evangeliza\u00e7\u00e3o, que implica este dinamismo, continua a ser a tarefa central e sempre nova dos disc\u00edpulos de Jesus de todos os tempos. \u00abA Igreja existe para evangelizar\u00bb (<em>Evangelii nuntiandi\u00a0<\/em>[1975], n.\u00ba 14). Fica ainda claro que a Ascens\u00e3o de Jesus n\u00e3o o retira do nosso conv\u00edvio, pois Ele continua connosco, cooperando e confirmando a miss\u00e3o da Evangeliza\u00e7\u00e3o que nos confiou.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. O Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos retoma esta li\u00e7\u00e3o. \u00abE estas coisas tendo dito,\u00a0<em>vendo<\/em>\u00a0(<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>) eles, ELE foi Elevado (<em>ep\u00earth\u00ea<\/em>), e uma nuvem O subtraiu (<em>hypolamb\u00e1no<\/em>)\u00a0<em>dos olhos deles<\/em>\u00a0(<em>ap\u00f2 t\u00f4n ophthalm\u00f4n aut\u00f4n<\/em>). E como\u00a0<em>tinham o olhar fixo<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edzontes<\/em>) no c\u00e9u para onde ELE ia,\u00a0<em>eis<\/em>\u00a0(<em>ido\u00fa<\/em>) dois homens que estavam ao lado deles, em vestes brancas, e DISSERAM: \u201cHomens Galileus, por que estais de p\u00e9,\u00a0<em>perscrutando<\/em>\u00a0(<em>embl\u00e9pontes<\/em>) o c\u00e9u? Este JESUS que foi arrebatado (<em>anal\u00eamphthe\u00eds<\/em>) diante de v\u00f3s para o c\u00e9u, assim VIR\u00c1 (<em>ele\u00fasetai<\/em>) do modo (<em>tr\u00f3pos<\/em>) que O\u00a0<em>vistes<\/em>\u00a0(<em>ethe\u00e1sthe<\/em>) IR para o c\u00e9u\u201d\u00bb (Atos 1,9-11).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Tanto VER. Da pan\u00f3plia de verbos registados (<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>,\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>,\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>,\u00a0<em>embl\u00e9p\u00f4<\/em>,\u00a0<em>the\u00e1omai<\/em>), os mais fortes e intensos s\u00e3o, com certeza,\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>\u00a0[= \u00abolhar fixamente\u00bb] e\u00a0<em>embl\u00e9p\u00f4<\/em>\u00a0[= \u00abperscrutar\u00bb, \u00abver dentro\u00bb]. Ambos exprimem a observa\u00e7\u00e3o profunda e prolongada, para al\u00e9m das apar\u00eancias: VER o invis\u00edvel (cf. Hebreus 11,27), VER o c\u00e9u, VER a gl\u00f3ria de Deus. Mas mais ainda do que\u00a0<em>o que<\/em>\u00a0se v\u00ea, estes verbos acentuam\u00a0<em>o modo como<\/em>\u00a0se v\u00ea. \u00c9 para a\u00ed que apontam os dois homens vestidos de branco, de rompante surgidos na cena, para entregar um importante DIZER que interpreta e orienta tanto VER. J\u00e1 os t\u00ednhamos encontrado no t\u00famulo reorientando os olhos entristecidos das mulheres: \u00ab<em>Por que<\/em>\u00a0(<em>t\u00ed<\/em>) procurais entre os mortos Aquele que est\u00e1 Vivo? N\u00e3o est\u00e1 aqui. Ressuscitou!\u00bb (Lucas 24,5-6). Dizem agora: \u00ab<em>Por que<\/em>\u00a0(<em>t\u00ed<\/em>) estais de p\u00e9,\u00a0<em>perscrutando<\/em>\u00a0(<em>embl\u00e9pontes<\/em>) o c\u00e9u? Este JESUS que foi arrebatado (<em>anal\u00eamphthe\u00eds<\/em>) diante de v\u00f3s para o c\u00e9u, assim VIR\u00c1 (<em>ele\u00fasetai<\/em>) do modo (<em>tr\u00f3pos<\/em>) que O\u00a0<em>vistes<\/em>\u00a0(<em>ethe\u00e1sthe<\/em>) IR para o c\u00e9u\u00bb (Atos 1,11). Ao Arrebatamento de JESUS para o c\u00e9u, os dois homens vestidos de branco agrafam a\u00a0<em>Vinda<\/em>\u00a0de JESUS. Importante colagem da Ascens\u00e3o com a Vinda. E importante passo em frente para quem estava ali simplesmente especado. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0a Ascens\u00e3o sem\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0a Vinda. Sim,\u00a0<em>Ver<\/em>. Porque ELE Vir\u00e1 do mesmo modo que O\u00a0<em>Vistes<\/em>\u00a0IR. \u00c9, pois, importante guardar este Ver, viver este Ver, Ver com este Ver. Porque \u00e9 Vendo assim que o SENHOR Vir\u00e1. Vinda que n\u00e3o tem de ser relegada para uma Parusia distante e espetacular, mas que come\u00e7a,\u00a0<em>hic et nunc<\/em>, neste Olhar novo e significativo de quem V\u00ea o SENHOR JESUS. Vinda que n\u00e3o \u00e9 tanto um regresso, mas o desvelamento de uma presen\u00e7a permanente. Vinda j\u00e1 em curso, portanto, ainda que n\u00e3o plenamente realizada.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Verifica\u00e7\u00e3o. Eis-nos no primeiro ATO propriamente dito dos Atos dos Ap\u00f3stolos depois do Pentecostes: a cura de um coxo de nascen\u00e7a, descrita em Atos 3,1-10: \u00abEnt\u00e3o Pedro e Jo\u00e3o subiam ao Templo para a ora\u00e7\u00e3o da hora nona [= 15h00]. E um certo homem, que era coxo (<em>ch\u00f4l\u00f3s<\/em>) desde o ventre da sua m\u00e3e, era trazido e posto todos os dias diante da Porta do Templo, dita a Bela, para pedir esmola \u00e0queles que entravam no Templo.\u00a0<em>Vendo<\/em>\u00a0(<em>id\u00f4n<\/em>) Pedro e Jo\u00e3o, que estavam a entrar no Templo, pedia esmola para receber. Ent\u00e3o,\u00a0<em>fixando o olhar<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edsas<\/em>) nele, Pedro, com Jo\u00e3o, disse: \u201c<em>Olha<\/em>\u00a0para n\u00f3s\u201d (<em>bl\u00e9pson eis hem\u00e2s<\/em>). Ent\u00e3o ele\u00a0<em>observava-os<\/em>\u00a0(<em>epe\u00eechen<\/em>), esperando receber deles alguma coisa. Disse ent\u00e3o Pedro: \u201cPrata e ouro n\u00e3o tenho, mas o que tenho, isso te dou: no nome de JESUS CRISTO, o Nazareno, [levanta-te e] caminha. E, tomando-o pela m\u00e3o direita, levantou-o. Imediatamente se firmaram os seus p\u00e9s e os calcanhares. Com um salto, p\u00f4s-se em p\u00e9, e caminhava, e entrou com eles no Templo caminhando e saltando e louvando a Deus. E todo o povo o\u00a0<em>viu<\/em>\u00a0(<em>e\u00eeden<\/em>) a caminhar e a louvar a Deus. E reconheciam que era aquele que, sentado, pedia esmola \u00e0 Porta Bela do Templo, e ficaram cheios de admira\u00e7\u00e3o e de assombro por aquilo que lhe aconteceu\u00bb (Atos 3,1-10).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Como se v\u00ea, h\u00e1 tamb\u00e9m um impressionante condensado de olhares a marcar este primeiro ATO dos Atos dos Ap\u00f3stolos. Soam no texto cinco notas visuais, servidas por quatro verbos:\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>,\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>,\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>,\u00a0<em>ep\u00e9ch\u00f4<\/em>.\u00a0<em>Aten\u00edz\u00f4<\/em>\u00a0desenha o Olhar de Pedro e Jo\u00e3o fixado no coxo de nascen\u00e7a.\u00a0<em>Bl\u00e9p\u00f4<\/em>\u00a0retrata o Ver com que o coxo \u00e9 mandado olhar o Olhar dos Ap\u00f3stolos. Significativo agrafo: estes dois Olhares, com\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>\u00a0e\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>, s\u00f3 tinham sido usados antes, no Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, uma \u00fanica vez, precisamente no relato da Ascens\u00e3o (Atos 1,9-10). De resto,\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>\u00a0conhecer\u00e1 apenas mais quatro men\u00e7\u00f5es no Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos: duas no relato da voca\u00e7\u00e3o de Paulo (Atos 9,8-9), a terceira no discurso de Paulo na sinagoga de Antioquia da Pis\u00eddia (Atos 13,41; cit. de Habacuc 1,5), e a quarta e \u00faltima no decurso da viagem mar\u00edtima de Paulo para Roma (Atos 27,12).\u00a0<em>Aten\u00edz\u00f4<\/em>, por sua vez, far-se-\u00e1 notar em lugares de relevo, sempre para expressar um Ver novo e significativo, um Ver sem haver: os membros do Sin\u00e9drio\u00a0<em>fixam os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) em Est\u00eav\u00e3o, e veem-no semelhante a um anjo (Atos 6,15); Est\u00eav\u00e3o, por sua vez,\u00a0<em>fixa os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) no c\u00e9u, e v\u00ea a gl\u00f3ria de Deus e JESUS, de p\u00e9, \u00e0 direita de Deus (Atos 7,55); Corn\u00e9lio\u00a0<em>fixa<\/em>\u00a0<em>os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) no anjo do Senhor, que o interpela (Atos 10,4); Pedro\u00a0<em>fixa os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) na vis\u00e3o, vinda do c\u00e9u, dos animais impuros (Atos 11,6); Paulo\u00a0<em>fixa os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) no mago Elimas, de Chipre, para o fulminar pela sua falsidade e mal\u00edcia (Atos 13,9), e o mesmo faz no Sin\u00e9drio, dando testemunho de JESUS (Atos 23,1).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. \u00c9 este Ver JESUS, Ver sem haver, sem poder, sem ouro nem prata (Atos 3,6), que\u00a0<em>se fixa<\/em>\u00a0sobre o coxo de nascen\u00e7a, mandado, por sua vez, olhar para este Olhar, Ver desta maneira. Como Abra\u00e3o e Mois\u00e9s, convidados a Ver para receber, e n\u00e3o para haver, a Terra Prometida: \u00aba terra que Eu te farei Ver\u00bb (G\u00e9nesis 12,1), \u00abque YHWH lhe fez Ver\u00bb (Deuteron\u00f3mio 34,1), \u00abEu a fiz Ver aos teus olhos\u00bb (Deuteron\u00f3mio 34,4). O narrador anota mais \u00e0 frente que o coxo de nascen\u00e7a, agora curado, tinha mais de 40 anos (Atos 4,22), tipologia do povo perdido no deserto antes de entrar na Terra Prometida. Como o homem doente havia 38 anos, que Jesus encontra junto da piscina de Bezetha, e que ser\u00e1 curado (Jo\u00e3o 5,1-9).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. \u00c9 sintom\u00e1tico que o Ver da Ascens\u00e3o e da Vinda do SENHOR JESUS seja o Ver que preenche por inteiro o primeiro ATO dos Atos dos Ap\u00f3stolos, com realce para Pedro. Mas \u00e9 ainda grandemente sintom\u00e1tico que o primeiro ATO de Paulo, descrito em Atos 14,8-10, que \u00e9 tamb\u00e9m o primeiro passo da miss\u00e3o perante o paganismo popular, em Listra, quase copie o primeiro ATO dos Ap\u00f3stolos e de Pedro, certamente com o intuito de p\u00f4r em paralelo os dois grandes Ap\u00f3stolos e os dois tempos da miss\u00e3o. Eis o texto referido de Atos 14,8-10: \u00abE em Listra um homem estava sentado, sem for\u00e7a nos p\u00e9s, coxo desde o ventre da sua m\u00e3e, e que nunca tinha andado. Este ouviu falar Paulo, o qual, tendo\u00a0<em>fixado os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edsas<\/em>) nele, e tendo visto que tinha f\u00e9 para ser salvo, diz com voz forte: \u201cLevanta-te direito sobre os teus p\u00e9s!\u201d. E ele deu um salto e caminhava\u00bb (Atos 14,8-10). Aqui temos o mesmo coxo de nascen\u00e7a, o mesmo Olhar significativo e diaconal, sem poder, sem ouro nem prata, Ver JESUS, o mesmo levantamento do coxo. E tamb\u00e9m aqui, na sequ\u00eancia do texto, temos o aceno \u00e0 multid\u00e3o que disperdia o olhar, vendo em Paulo e Barnab\u00e9 deuses em forma humana, e a mesma corre\u00e7\u00e3o, feita por Paulo, apontando JESUS (Atos 14,11-18).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Importante agrafo da Ascens\u00e3o com a Vinda do Senhor. Tanto Ver. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel Ver a Ascens\u00e3o sem Ver a Vinda. Guardemos este Olhar cheio de Jesus e olhemos agora para esta terra \u00e1rida e cinzenta, para tantos cora\u00e7\u00f5es tristes e perdidos. Nascer\u00e1 um mundo muito mais belo, novos cora\u00e7\u00f5es pulsar\u00e3o nas pessoas. Os olhos do cora\u00e7\u00e3o iluminados, como diz o Ap\u00f3stolo \u00e0 comunidade-m\u00e3e da \u00c1sia Menor, \u00c9feso (Ef\u00e9sios 1,18). Um Olhar cheio de Jesus faz Ver Jesus, faz Vir Jesus!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. Ponhamos tudo isto em imagem, como conv\u00e9m neste Domingo em que a Igreja celebra o Dia das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, institui\u00e7\u00e3o que tem as suas ra\u00edzes diretamente no Conc\u00edlio Vaticano II (Decreto\u00a0<em>Inter Mirifica<\/em>, n.\u00ba 18), e que foi celebrado pela primeira vez, com mensagem de Paulo VI, em 7 de maio de 1967. Eis ent\u00e3o diante de n\u00f3s, no cume do Monte das Oliveiras, um pequeno Templo, arredondado, chamado\u00a0<em>Imbomon<\/em>\u00a0[= \u00absobre o cume\u00bb], greciza\u00e7\u00e3o do hebraico\u00a0<em>bamah<\/em>\u00a0[= \u00ablugar alto\u00bb], a 818 metros de altitude, um pouco acima da\u00a0<em>Ecclesia in Eleona<\/em>\u00a0[= \u00abno Olival\u00bb], que remonta a Santa Helena, hoje\u00a0<em>Pater Noster<\/em>, e a curta dist\u00e2ncia de Jerusal\u00e9m, a dist\u00e2ncia do caminho de um s\u00e1bado (Atos 1,12), que corresponde a 1892 metros. As constru\u00e7\u00f5es crist\u00e3s do\u00a0<em>Imbomon<\/em>\u00a0remontam ao long\u00ednquo ano de 376, com reconstru\u00e7\u00e3o dos Cruzados em 1152, ocupadas depois, em 1187, pelos mu\u00e7ulmanos. A constru\u00e7\u00e3o dos Cruzados, que respeitava a primitiva constru\u00e7\u00e3o, tinha no centro um tambor encimado por uma c\u00fapula aberta no centro, justamente para servir de suporte \u00e0 imagem da Ascens\u00e3o patente em Atos 1,9-11. Em 1200, os mu\u00e7ulmanos fecharam esse ponto de luz com uma c\u00fapula de estilo \u00e1rabe, escondendo assim a vis\u00e3o de Atos 1,11: \u00abPorque estais a\u00ed a olhar para o c\u00e9u?\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">13. O texto de hoje da Carta aos Ef\u00e9sios 1,17-23 completa maravilhosamente as passagens da Escritura que j\u00e1 vimos. Depois do grande hino (v. 3-14), em que se bendiz o Pai, mediante o Filho, no Esp\u00edrito Santo a n\u00f3s dado, cantamos agora, guiados sempre por S\u00e3o Paulo, o primado da Humanidade do Senhor, obra admir\u00e1vel do Pai, para proveito nosso. E come\u00e7amos com a epiclese ao Pai para que nos d\u00ea o dom do Esp\u00edrito, que \u00e9 a Sabedoria divina, o \u00abconhecimento profundo\u00bb (<em>ep\u00edgn\u00f4sis<\/em>) das Realidades divinas (v. 17). Tudo prov\u00e9m do \u00fanico e omnipotente Acontecimento divino: Jesus Cristo Ressuscitado e Sentado \u00e0 direita nos C\u00e9us (v. 19-20). \u00c9 assim que, da sua Humanidade glorificada, vem para n\u00f3s, por gra\u00e7a, o Esp\u00edrito Santo, a verdadeira plenitude (v. 23).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">14. O Salmo 47 \u00e9 um Salmo da realeza de YHWH, que canta, com grande energia, a soberania de Deus sobre todos os povos (v. 1-3.7-10), sem deixar tamb\u00e9m de particularizar Israel (v. 4-5), \u00aba mais bela entre todas as na\u00e7\u00f5es\u00bb (Ezequiel 20,6). Ajusta-se tamb\u00e9m perfeitamente, no mundo cat\u00f3lico, \u00e0 Festa da Ascens\u00e3o do Senhor, sobretudo por causa do v. 6, em que lemos que \u00abDeus se eleva por entre aclama\u00e7\u00f5es\u00bb. Devido ao seu tom geral, Israel canta este Salmo sete vezes antes de soar o toque do\u00a0<em>sh\u00f4phar<\/em>\u00a0para assinalar a entrada do Ano Novo.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At 1,1-11; Sl 47; Ef 1,17-23; Mc 16,15-20 Nota: publica-se hoje, uma vez que a Solenidade da Ascens\u00e3o se celebra [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2378586270,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-512181670","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512181670","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=512181670"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512181670\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994959,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512181670\/revisions\/4294994959"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2378586270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=512181670"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=512181670"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=512181670"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}