{"id":53900870,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/8740-solenidade-da-ascensao-do-senhor-o-milagre-de-um-olhar-cheio-de-jesus"},"modified":"2025-11-07T16:33:29","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:29","slug":"solenidade-da-ascensao-do-senhor-o-milagre-de-um-olhar-cheio-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/solenidade-da-ascensao-do-senhor-o-milagre-de-um-olhar-cheio-de-jesus\/","title":{"rendered":"Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor: \u00abO Milagre de um olhar cheio de Jesus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. Lucas 24,46-53: estupendo texto que encerra o Evangelho de Lucas e que hoje, Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor, \u00e9 solenemente proclamado para n\u00f3s.<\/p>\n<p>2. \u00c9 a terceira vez que, neste Cap\u00edtulo 24 do Evangelho de Lucas, o Evangelista volta \u00e0 tem\u00e1tica da necessidade do sofrimento de Jesus em ordem \u00e0 Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos (Lucas 24,7.26.46-47). Todavia, nesta terceira vez (Lucas 24,46-47), \u00e9 acrescentado um dado novo de extrema import\u00e2ncia, sendo que os acontecimentos inclu\u00eddos na necessidade divina s\u00e3o agora tr\u00eas, e n\u00e3o dois: a Paix\u00e3o (1), a Ressurrei\u00e7\u00e3o (2) e a Prega\u00e7\u00e3o (<em>k\u00earygma<\/em>) a todas as na\u00e7\u00f5es (3). Portanto, tamb\u00e9m a MISS\u00c3O surge inclu\u00edda na necessidade divina. N\u00e3o est\u00e1 \u00e0 margem dos acontecimentos de Jesus, nem constitui em rela\u00e7\u00e3o a eles um acrescento, mas est\u00e1 completamente vinculada a eles e a Ele. \u00c9, por isso, \u00abno Seu Nome\u00bb (Lucas 24,47), isto \u00e9, assente na Sua autoridade, e n\u00e3o em qualquer outra, que esta Prega\u00e7\u00e3o deve ser feita, e o seu conte\u00fado \u00e9 a Convers\u00e3o e o Perd\u00e3o. Convers\u00e3o teol\u00f3gica, isto \u00e9, mentalidade nova por gra\u00e7a recebida e assente no facto de que o Crucificado \u00e9 Revela\u00e7\u00e3o gloriosa de Deus, e n\u00e3o ignom\u00ednia e derrota! Perd\u00e3o: significa que o Amor de Deus \u00e9 maior que o nosso pecado! Este An\u00fancio \u00e9 para ser feito a \u00abtodas as na\u00e7\u00f5es\u00bb, a todos os cora\u00e7\u00f5es: \u00e2mbito mais amplo e intenso poss\u00edvel!<\/p>\n<p>3. Mas esta MISS\u00c3O \u00e9 para levar por diante com a humildade e persist\u00eancia do testemunho quotidiano e com a roupa nova (<em>end\u00fd\u00f4<\/em>) e a din\u00e2mica nova (<em>d\u00fdnamis<\/em>) do Esp\u00edrito (Lucas 24,49), bel\u00edssima e fort\u00edssima express\u00e3o que o Evangelho de hoje transporta at\u00e9 n\u00f3s. Nas novas coordenadas do Esp\u00edrito, os Acontecimentos de Jesus, de per si circunscritos no espa\u00e7o e no tempo, alargam-se a todos os tempos e lugares, e insinuam-se no subtil\u00edssimo segredo de cada cora\u00e7\u00e3o humano.<\/p>\n<p>4. Imensa fraternidade em ascendente movimento filial, como uma seara nova e verdejante a ondular ao vento suav\u00edssimo do Esp\u00edrito, elevando-se da nossa terra do Alto visitada e semeada, ternamente por Deus olhada, agraciada, aben\u00e7oada. B\u00ean\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio do Evangelho de Lucas at\u00e9 agora diferida, porque a mudez do sacerdote Zacarias n\u00e3o lha permitiu ent\u00e3o pronunciar (Lucas 1,22). Jesus, novo, terno e eterno sacerdote, elevando-se para o c\u00e9u, mas ficando mais presente do que nunca em cada cora\u00e7\u00e3o, aben\u00e7oa agora os seus disc\u00edpulos (Lucas 24,50-51), isto \u00e9, une-se a eles e a n\u00f3s e une-nos a Ele, uni\u00e3o forte e insepar\u00e1vel, tal \u00e9 o significado da b\u00ean\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Nova e mais intensa forma de presen\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 um passo atr\u00e1s, mas em frente. Por isso, uma nova e \u00abgrande Alegria\u00bb (s\u00f3 aqui e em Lucas 2,10), inclus\u00e3o liter\u00e1ria, nos impele, deixando-nos no tempo novo e jovem da MISS\u00c3O!<\/p>\n<p>5. O Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos retoma hoje esta li\u00e7\u00e3o. \u00abE estas coisas tendo dito, vendo (<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>) eles, ELE foi Elevado (<em>ep\u00earth\u00ea<\/em>: aor. pass. de\u00a0<em>epa\u00edr\u00f4<\/em>), e uma nuvem O subtraiu (<em>hypolamb\u00e1no<\/em>) dos olhos deles (<em>ap\u00f2 t\u00f4n ophthalm\u00f4n aut\u00f4n<\/em>). E como tinham o olhar fixo (<em>aten\u00edzontes<\/em>) no c\u00e9u para onde ELE ia, eis (<em>ido\u00fa<\/em>) dois homens que estavam ao lado deles, em vestes brancas, e DISSERAM: \u201cHomens Galileus, por que estais de p\u00e9, perscrutando (<em>embl\u00e9pontes<\/em>) o c\u00e9u? Este JESUS que foi arrebatado (<em>anal\u00eamphthe\u00eds<\/em>) diante de v\u00f3s para o c\u00e9u, assim VIR\u00c1 (<em>ele\u00fasetai<\/em>) do modo (<em>tr\u00f3pos<\/em>) que O vistes (<em>ethe\u00e1sthe<\/em>) IR para o c\u00e9u\u201d\u00bb (Atos 1,9-11).<\/p>\n<p>6. Tanto VER. Da pan\u00f3plia de verbos registrados (<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>,\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>,\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>,\u00a0<em>embl\u00e9p\u00f4<\/em>,\u00a0<em>the\u00e1omai<\/em>), os mais fortes e intensos s\u00e3o, com certeza,\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>[= \u00abolhar fixamente\u00bb] e\u00a0<em>embl\u00e9p\u00f4<\/em>\u00a0[= \u00abperscrutar\u00bb, \u00abver dentro\u00bb]. Ambos exprimem a observa\u00e7\u00e3o profunda e prolongada, para al\u00e9m das apar\u00eancias: VER o invis\u00edvel (cf. Hebreus 11,27), VER o c\u00e9u, VER a gl\u00f3ria de Deus. Mas mais ainda do que \u00abo que\u00bb se v\u00ea, estes verbos acentuam \u00abo modo como\u00bb se v\u00ea. \u00c9 para a\u00ed que apontam os dois homens vestidos de branco, de rompante surgidos na cena, para entregar um importante DIZER que interpreta e orienta tanto VER. J\u00e1 os t\u00ednhamos encontrado no t\u00famulo reorientando os olhos entristecidos das mulheres: \u00abPor que (<em>t\u00ed<\/em>) procurais entre os mortos Aquele que est\u00e1 Vivo? N\u00e3o est\u00e1 aqui. Ressuscitou!\u00bb (Lucas 24,5-6). Dizem agora: \u00abPor que (<em>t\u00ed<\/em>) estais de p\u00e9, perscrutando (<em>embl\u00e9pontes<\/em>) o c\u00e9u? Este JESUS que foi arrebatado (<em>anal\u00eamphthe\u00eds<\/em>) diante de v\u00f3s para o c\u00e9u, assim VIR\u00c1 (<em>ele\u00fasetai<\/em>) do modo (<em>tr\u00f3pos<\/em>) que O vistes (<em>ethe\u00e1sthe<\/em>) IR para o c\u00e9u\u00bb (Atos 1,11). Como bem se pode verificar, ao Arrebatamento de JESUS para o c\u00e9u, os dois homens vestidos de branco agrafam a Vinda de JESUS. Importante colagem da Ascens\u00e3o com a Vinda. E importante passo em frente para quem estava ali simplesmente especado. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel Ver a Ascens\u00e3o sem Ver a Vinda. Sim, Ver. Porque ELE Vir\u00e1 do mesmo modo que O Vistes IR. Importante guardar este Ver, viver este Ver, Ver com este Ver. Porque \u00e9 Vendo assim que o SENHOR Vir\u00e1. Vinda que n\u00e3o tem de ser relegada para uma Parusia distante e espetacular, mas que come\u00e7a,\u00a0<em>hic et nunc<\/em>, neste Olhar novo e significativo de quem V\u00ea o SENHOR JESUS. Vinda que n\u00e3o \u00e9 tanto um regresso, mas o desvelamento de uma presen\u00e7a permanente. Vinda j\u00e1 em curso, portanto, ainda que n\u00e3o plenamente realizada.<\/p>\n<p>7. Guardemos este Olhar e prossigamos. Eis-nos no primeiro ATO propriamente dito dos Atos dos Ap\u00f3stolos depois do Pentecostes: a cura de um coxo de nascen\u00e7a descrita em Atos 3,1-10: \u00abEnt\u00e3o Pedro e Jo\u00e3o subiam ao Templo para a ora\u00e7\u00e3o da hora nona [= 15h00]. E um certo homem, que era coxo (<em>ch\u00f4l\u00f3s<\/em>) desde o ventre da sua m\u00e3e, era trazido e posto todos os dias diante da Porta do Templo, dita a Bela, para pedir esmola \u00e0queles que entravam no Templo. Vendo (<em>id\u00f4n<\/em>) Pedro e Jo\u00e3o, que estavam a entrar no Templo, pedia esmola para receber. Ent\u00e3o, fixando o olhar (<em>aten\u00edsas<\/em>) nele, Pedro, com Jo\u00e3o, disse: \u201cOlha para n\u00f3s\u201d (<em>bl\u00e9pson eis hem\u00e2s<\/em>). Ent\u00e3o ele observava-os (<em>epe\u00eechen<\/em>), esperando receber deles alguma coisa. Disse ent\u00e3o Pedro: \u201cPrata e ouro n\u00e3o tenho, mas o que tenho, isso te dou: no nome de JESUS CRISTO, o Nazareno, [levanta-te e] caminha\u201d. E, tomando-o pela m\u00e3o direita, levantou-o. Imediatamente se firmaram os seus p\u00e9s e os calcanhares. Com um salto, p\u00f4s-se em p\u00e9, e caminhava, e entrou com eles no Templo caminhando e saltando e louvando a Deus. E todo o povo o viu (<em>e\u00eeden<\/em>) a caminhar e a louvar a Deus. E reconheciam que era aquele que, sentado, pedia esmola \u00e0 Porta Bela do Templo, e ficaram cheios de admira\u00e7\u00e3o e de assombro por aquilo que lhe aconteceu\u00bb (Atos 3,1-10).<\/p>\n<p>8. Outro impressionante condensado de olhares marca este primeiro ATO dos Atos dos Ap\u00f3stolos. Soam no texto cinco notas visuais, servidas por quatro verbos:\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>,\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>,\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>,\u00a0<em>ep\u00e9ch\u00f4<\/em>.\u00a0<em>Aten\u00edz\u00f4<\/em>\u00a0desenha o Olhar de Pedro e Jo\u00e3o fixado no coxo de nascen\u00e7a.\u00a0<em>Bl\u00e9p\u00f4<\/em>\u00a0retrata o Ver com que o coxo \u00e9 mandado olhar o Olhar dos Ap\u00f3stolos. Significativo agrafo: estes dois Olhares, com\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>\u00a0e\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>, s\u00f3 tinham sido usados antes, no Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, uma \u00fanica vez, precisamente no relato da Ascens\u00e3o (Atos 1,9-10). De resto,\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>\u00a0conhecer\u00e1 apenas mais quatro men\u00e7\u00f5es no Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos: duas no relato da voca\u00e7\u00e3o de Paulo (Atos 9,8-9), a terceira no discurso de Paulo na sinagoga de Antioquia da Pis\u00eddia (Atos 13,41; cit. de Habacuc 1,5), e a quarta e \u00faltima no decurso da viagem mar\u00edtima de Paulo para Roma (Atos 27,12).\u00a0<em>Aten\u00edz\u00f4<\/em>, por sua vez, far-se-\u00e1 notar em lugares de relevo, sempre para expressar um Ver novo e significativo, um Ver sem haver: os membros do Sin\u00e9drio fixam os olhos (<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) em Est\u00eav\u00e3o, e veem-no semelhante a um anjo (Atos 6,15); Est\u00eav\u00e3o, por sua vez, fixa os olhos (<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) no c\u00e9u, e v\u00ea a gl\u00f3ria de Deus e JESUS, de p\u00e9, \u00e0 direita de Deus (Atos 7,55); Corn\u00e9lio fixa os olhos (<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) no anjo do Senhor, que o interpela (Atos 10,4); Pedro fixa os olhos (<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) na vis\u00e3o, vinda do c\u00e9u, dos animais impuros (Atos 11,6); Paulo fixa os olhos (<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) no mago Elimas, de Chipre, para o fulminar pela sua falsidade e mal\u00edcia (Atos 13,9), e o mesmo faz no Sin\u00e9drio, dando testemunho de JESUS (Atos 23,1).<\/p>\n<p>9. \u00c9 este Ver JESUS, Ver sem haver, sem poder, sem ouro nem prata (Atos 3,6), que se fixa sobre o coxo de nascen\u00e7a, mandado, por sua vez, olhar para este Olhar, Ver desta maneira. Como Abra\u00e3o e Mois\u00e9s, convidados a Ver para receber, e n\u00e3o para haver, a Terra Prometida: \u00aba terra que Eu te farei Ver\u00bb (G\u00e9nesis 12,1), \u00abque YHWH lhe fez Ver\u00bb (Deuteron\u00f3mio 34,1), \u00abEu a fiz Ver aos teus olhos\u00bb (Deuteron\u00f3mio 34,4). O narrador anota mais \u00e0 frente que o coxo de nascen\u00e7a, agora curado, tinha mais de 40 anos (Atos 4,22), tipologia do povo perdido no deserto antes de entrar na Terra Prometida. Como o homem doente havia 38 anos, que Jesus encontra junto da piscina de Bezetha, e que ser\u00e1 curado (Jo\u00e3o 5,1-9).<\/p>\n<p>10. \u00c9 sintom\u00e1tico que o Ver da Ascens\u00e3o e da Vinda do SENHOR JESUS seja o Ver que preenche por inteiro o primeiro ATO dos Atos dos Ap\u00f3stolos, com realce para Pedro. Mas \u00e9 ainda grandemente sintom\u00e1tico que o primeiro ATO de Paulo, descrito em Atos 14,8-10, que \u00e9 tamb\u00e9m o primeiro passo da miss\u00e3o perante o paganismo popular, em Listra, quase copie o primeiro ATO dos Ap\u00f3stolos e de Pedro, certamente com o intuito de p\u00f4r em paralelo os dois grandes Ap\u00f3stolos e os dois tempos da miss\u00e3o. Eis o texto referido de Atos 14,8-10: \u00abE em Listra um homem estava sentado, sem for\u00e7a nos p\u00e9s, coxo desde o ventre da sua m\u00e3e, e que nunca tinha andado. Este ouviu falar Paulo, o qual, tendo fixado os olhos (<em>aten\u00edsas<\/em>) nele, e tendo visto que tinha f\u00e9 para ser salvo, diz com voz forte: \u201cLevanta-te direito sobre os teus p\u00e9s!\u201d. E ele deu um salto e caminhava\u00bb (Atos 14,8-10). Aqui temos o mesmo coxo de nascen\u00e7a, o mesmo Olhar significativo e diaconal, sem poder, sem ouro nem prata, Ver JESUS, o mesmo levantamento do coxo. E tamb\u00e9m aqui, na sequ\u00eancia do texto, temos o aceno \u00e0 multid\u00e3o que disperdia o olhar, vendo em Paulo e Barnab\u00e9 deuses em forma humana, e a mesma corre\u00e7\u00e3o, feita por Paulo, apontando JESUS (Atos 14,11-18).<\/p>\n<p>11. Importante agrafo da Ascens\u00e3o com a Vinda do Senhor. Tanto Ver. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel Ver a Ascens\u00e3o sem Ver a Vinda. Guardemos este Olhar cheio de Jesus e olhemos agora para esta terra \u00e1rida e cinzenta, para tantos cora\u00e7\u00f5es tristes e perdidos. Nascer\u00e1 um mundo muito mais belo, novos cora\u00e7\u00f5es pulsar\u00e3o nas pessoas. Os olhos do cora\u00e7\u00e3o iluminados, como diz o Ap\u00f3stolo \u00e0 comunidade m\u00e3e da \u00c1sia Menor, \u00c9feso (Ef\u00e9sios 1,18). Um Olhar cheio de Jesus faz Ver Jesus, faz Vir Jesus!<\/p>\n<p>12. Ponhamos tudo isto em imagem, como conv\u00e9m neste Domingo em que a Igreja celebra o Dia das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, institui\u00e7\u00e3o que tem as suas ra\u00edzes no Conc\u00edlio Vaticano II (Decreto\u00a0<em>Inter Mirifica<\/em>, n.\u00ba 18), e que foi celebrado pela primeira vez, com mensagem de Paulo VI, em 7 de Maio de 1967. Eis ent\u00e3o diante de n\u00f3s, no cume do Monte das Oliveiras, um pequeno Templo, arredondado, chamado\u00a0<em>Imbomon<\/em>\u00a0[\u00absobre o cume\u00bb], greciza\u00e7\u00e3o do hebraico\u00a0<em>bamah<\/em>\u00a0[\u00ablugar alto\u00bb], a 818 metros de altitude, um pouco acima da\u00a0<em>Ecclesia in Eleona<\/em>\u00a0[\u00abno Olival\u00bb] \u2013 que remonta a Santa Helena, hoje\u00a0<em>Pater Noster<\/em>\u00a0\u2013 e a curta dist\u00e2ncia de Jerusal\u00e9m, a dist\u00e2ncia do caminho de um s\u00e1bado (Atos 1,12), que \u00e9 de 1892 metros. As constru\u00e7\u00f5es crist\u00e3s do\u00a0<em>Imbomon<\/em>\u00a0remontam ao long\u00ednquo ano de 376, com reconstru\u00e7\u00e3o dos Cruzados em 1152, ocupadas depois, em 1187, pelos mu\u00e7ulmanos. A constru\u00e7\u00e3o dos Cruzados, que respeitava a primitiva constru\u00e7\u00e3o, tinha no centro um tambor encimado por uma c\u00fapula aberta no centro, justamente para servir de suporte \u00e0 imagem da Ascens\u00e3o patente em Atos 1,9-11. Em 1200, os mu\u00e7ulmanos fecharam esse ponto de luz com uma c\u00fapula de estilo \u00e1rabe, escondendo assim a vis\u00e3o de Atos 1,11: \u00abPorque estais a\u00ed a olhar para o c\u00e9u?\u00bb.<\/p>\n<p>13. O texto de hoje da Carta aos Ef\u00e9sios 1,17-23 completa maravilhosamente as passagens da Escritura que j\u00e1 vimos. Depois do grande hino (vv. 3-14), em que se bendiz o Pai, mediante o Filho, no Esp\u00edrito Santo a n\u00f3s dado, cantamos agora, guiados sempre por S\u00e3o Paulo, o primado da Humanidade do Senhor, obra admir\u00e1vel do Pai, para proveito nosso. E come\u00e7amos com a epiclese ao Pai para que nos d\u00ea o dom do Esp\u00edrito, que \u00e9 a Sabedoria divina, o \u00abconhecimento profundo\u00bb (<em>ep\u00edgn\u00f4sis<\/em>) das Realidades divinas (v. 17). Tudo prov\u00e9m do \u00fanico e omnipotente Acontecimento divino: Jesus Cristo Ressuscitado e Sentado \u00e0 direita nos C\u00e9us (vv. 19-20). \u00c9 assim que, da sua Humanidade glorificada vem para n\u00f3s, por gra\u00e7a, o Esp\u00edrito Santo, a verdadeira plenitude (v. 23).<\/p>\n<p>14. O Salmo 47 \u00e9 um Salmo da realeza de YHWH, que canta, com grande energia, a soberania de Deus sobre todos os povos (vv. 1-3.7-10), sem deixar tamb\u00e9m de particularizar Israel (vv. 4-5), \u00aba mais bela entre todas as na\u00e7\u00f5es\u00bb (Ezequiel 20,6). Ajusta-se tamb\u00e9m perfeitamente, no mundo cat\u00f3lico, \u00e0 Festa da Ascens\u00e3o de Cristo, sobretudo por causa do v. 6, em que lemos que \u00abDeus se eleva por entre aclama\u00e7\u00f5es\u00bb. Devido ao seu tom geral, Israel canta este Salmo sete vezes antes de soar o toque do\u00a0<em>sh\u00f4phar<\/em>\u00a0para assinalar a entrada do Ano Novo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Quando a Palavra de Deus,<\/p>\n<p>Como uma enchente,<\/p>\n<p>Encheu o tempo,<\/p>\n<p>Dando ao homem a necess\u00e1ria oportunidade de ter de responder<\/p>\n<p>E de n\u00e3o poder n\u00e3o responder,<\/p>\n<p>O Filho de Deus,<\/p>\n<p>Sem deixar de ser Deus,<\/p>\n<p>Fez-se tamb\u00e9m filho de Maria,<\/p>\n<p>Jesus,<\/p>\n<p>Assumindo assim tamb\u00e9m a nossa fr\u00e1gil natureza humana.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Com a sua Ressurrei\u00e7\u00e3o e Ascens\u00e3o aos C\u00e9us,<\/p>\n<p>\u00c9 glorificada a humanidade do Filho de Deus e de Maria,<\/p>\n<p>Jesus,<\/p>\n<p>E \u00e9 desta humanidade glorificada,<\/p>\n<p>\u00c0 direita de Deus sentada,<\/p>\n<p>Que vem o Esp\u00edrito Santo para n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9, portanto, do vosso interesse, diz Jesus, que Eu v\u00e1,<\/p>\n<p>Pois se Eu n\u00e3o for,<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito Santo n\u00e3o vir\u00e1 para v\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Com a Ressurrei\u00e7\u00e3o, a Ascens\u00e3o e o Pentecostes,<\/p>\n<p>Celebramos, pois, a humanidade glorificada de Jesus,<\/p>\n<p>Da qual,<\/p>\n<p>Por cont\u00e1gio sacramental,<\/p>\n<p>Recebemos o Dom de Deus, o Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Senhor Jesus,<\/p>\n<p>Enche a nossa fr\u00e1gil humanidade da riqueza da tua divindade,<\/p>\n<p>E derrama no nosso humano cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito da consola\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>Da paz e da alegria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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