{"id":548285421,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/10425-iii-domingo-da-pascoa-jesus-surpresa-permanente"},"modified":"2025-11-07T16:33:46","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:46","slug":"iii-domingo-da-pascoa-jesus-surpresa-permanente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/iii-domingo-da-pascoa-jesus-surpresa-permanente\/","title":{"rendered":"III Domingo da P\u00e1scoa: \u00abJesus, surpresa permanente\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. \u00c9-nos dada hoje, Domingo III da P\u00e1scoa, a gra\u00e7a de escutar a p\u00e1gina sublime do Evangelho de Lucas 24,35-48, em que Jesus Ressuscitado se faz ver aos seus disc\u00edpulos reunidos, que n\u00e3o s\u00e3o apenas os Onze, mas \u00abos Onze e os outros com eles\u00bb (Lucas 24,33), dissipa as suas d\u00favidas e os seus medos, e lhes indica o sentido da Escritura, ao mesmo tempo que abre diante dos seus olhos o sentido obrigat\u00f3rio da miss\u00e3o. Podem assaltar-nos quest\u00f5es como estas: a) o que ter\u00e1 acontecido \u00e0queles disc\u00edpulos depois da morte de Jesus?; b) como chegaram ao ponto de afirmar a sua ressurrei\u00e7\u00e3o?; c) ter\u00e3o sido v\u00edtimas de alguma desmedida ilus\u00e3o?; d) autoconvenceram-se de que a obra de Jesus n\u00e3o podia terminar com aquela morte?; e) \u00e9 a partir de si mesmos que chegam \u00e0 f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o, e que come\u00e7am a anunciar convictamente que Jesus est\u00e1 vivo? A p\u00e1gina do Evangelho de hoje ajuda-nos a compreender melhor os acontecimentos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Ainda os dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas faziam exegese demorada (<em>exego\u00fbnto<\/em>: impf. de\u00a0<em>ex\u00eag\u00e9omai<\/em>) das coisas acontecidas no caminho e de como Jesus se deu a conhecer (<em>egn\u00f4sth\u00ea<\/em>: aor. pass. de\u00a0<em>gin\u00f4sk\u00f4<\/em>) a eles (<em>auto\u00ees<\/em>), dativo do benefici\u00e1rio, no partir do p\u00e3o (<em>en t\u00ea kl\u00e1sei to\u00fb \u00e1rtou<\/em>) (Lucas 24,35), quando o pr\u00f3prio Ressuscitado irrompeu e ficou de p\u00e9 no MEIO deles (o lugar da presid\u00eancia), e saudou-os, dizendo: \u00abA Paz convosco!\u00bb (Lucas 24,36). O leitor estaria \u00e0 espera de uma rece\u00e7\u00e3o apote\u00f3tica, do rebentamento de recalcadas emo\u00e7\u00f5es, de incontidos gritos de j\u00fabilo e de alegria. E, em vez disso, assistimos ao extravasar de medos, perturba\u00e7\u00e3o e d\u00favidas, pois o que pensavam estar a ver diante deles, no MEIO deles, era um esp\u00edrito, um fantasma! (Lucas 24,37 e 39).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Esta rea\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, e manifesta que estes disc\u00edpulos de Jesus, ap\u00f3s aquela morte de Jesus, j\u00e1 tinham desistido de Jesus e nada mais esperavam dele (Lucas 24,21). Qualquer novo in\u00edcio s\u00f3 poderia vir de fora, s\u00f3 poderia vir de Deus. Naqueles disc\u00edpulos n\u00e3o se vislumbrava nenhuma r\u00e9stia de esperan\u00e7a, nenhuma acha ainda fumegava. Tudo cinza do mais cinzento que h\u00e1. \u00c9 a maneira de a B\u00edblia inteira real\u00e7ar a interven\u00e7\u00e3o de Deus. Deus n\u00e3o interv\u00e9m como consequ\u00eancia de um pedido ou desejo nosso, para satisfazer os nossos anseios ou proje\u00e7\u00f5es mais insistentes. \u00c9 sempre pura iniciativa sua, do nosso lado impens\u00e1vel, imprevis\u00edvel e incontrol\u00e1vel. Ao mostrar as coisas desta maneira, a B\u00edblia, toda a B\u00edblia, antecipa-se em muitos s\u00e9culos aos \u00abmestres da suspeita\u00bb (Feuerbach, Marx, Nietzsche e Freud) e dissolve\u00a0<em>avant la lettre<\/em>\u00a0a sua den\u00fancia de um Deus produzido ou projetado pelos nossos anseios e desejos. \u00c9, portanto, de assinalar que estes disc\u00edpulos de Jesus deem o \u201cdossier Jesus\u201d, que os encantou, por encerrado, e comecem \u00e0s apalpadelas a planear \u00e0 sua maneira o \u201cp\u00f3s-Jesus\u201d, mais ou menos como n\u00f3s vamos estudando e planeando agora o p\u00f3s-pandemia. Como se Jesus n\u00e3o estivesse aqui, no MEIO de n\u00f3s! E como se n\u00e3o houvesse mais nenhuma surpresa para engolir! N\u00e3o nos esque\u00e7amos da verdade escondida aos olhos dos dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas: \u00abTu \u00e9s o \u00fanico que n\u00e3o sabe as coisas que aconteceram em Jerusal\u00e9m nestes dias?\u00bb (Lucas 24,18). Sim, Ele \u00e9 o \u00fanico que n\u00e3o sabe aquelas coisas, estas coisas, como n\u00f3s as sabemos!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. \u00c9 assim que Jesus vem sem ser esperado e sem se fazer anunciar. E porque n\u00e3o era poss\u00edvel, da nossa parte, acreditar que fosse Ele, Ele tem mesmo de se identificar, coisa estranha. Para o fazer, n\u00e3o exibe, por\u00e9m, qualquer fotografia ou documento. Mostra as m\u00e3os e os p\u00e9s (Lucas 24,39-40), como em Jo\u00e3o 20,20 e 27 mostra as m\u00e3os e o lado, que levam a reconhecer o Ressuscitado como o Crucificado, sendo as m\u00e3os e os p\u00e9s, como as m\u00e3os e o lado, as marcas da sua vida dada. Note-se uma vez mais que n\u00e3o \u00e9 pelo rosto que identificamos Jesus Ressuscitado. Sen\u00e3o aqueles disc\u00edpulos, que com Ele tinham convivido de perto, t\u00ea-lo-iam identificado sem demora. \u00c9 a sua maneira de ser que diz Quem Ele \u00e9. E a sua maneira de ser \u00e9 dar a vida. Maneira de ser e de estar connosco. No meio de n\u00f3s (Lucas 24,36) e \u00e0 nossa frente (Lucas 24,43), presidindo-nos e precedendo-nos e surpreendendo-nos.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">5. Sintom\u00e1tico que aqueles disc\u00edpulos, vendo o que veem, nada digam. Permanecem mudos. Eles que antes estavam cheios de palavras\u2026 Mas Jesus continua a ser, \u00e9 sempre, n\u00e3o o simples orador \u00e0 maneira dos escribas, mas Aquele que fala com autoridade (Marcos 1,22). Ele \u00e9 a Palavra criadora de mundos novos e de cora\u00e7\u00f5es novos (Jo\u00e3o 1,3). Quando Ele surge, um mundo novo come\u00e7a a acontecer. Dentro e fora de n\u00f3s. E como \u00e9 que podemos falar se ainda estamos a nascer?! Portanto, Ele\u00a0<em>fala<\/em>\u00a0(<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>): \u00ab<em>\u00c9 necess\u00e1rio<\/em>\u00a0(<em>de\u00ee<\/em>) que se cumpram todas as coisas\u00a0<em>escritas<\/em>\u00a0(<em>gegramm\u00e9na<\/em>) na Lei de Mois\u00e9s e nos Profetas e nos Salmos\u00a0<em>acerca de mim<\/em>\u00a0(<em>per\u00ec emo\u00fb<\/em>). [\u2026] Assim\u00a0<em>foi escrito<\/em>\u00a0(<em>g\u00e9graptai<\/em>) que o Cristo havia de sofrer (1) e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia (2) e de ser\u00a0<em>anunciada<\/em>\u00a0(<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) (3) no seu nome a convers\u00e3o para a remiss\u00e3o dos pecados a todas as na\u00e7\u00f5es\u00bb (Lucas 24,44-47). E acrescenta com autoridade: \u00abV\u00f3s sois\u00a0<em>testemunhas<\/em>\u00a0(<em>m\u00e1rtyres<\/em>) destas coisas\u00bb (Lucas 24,48).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. A partir deste luminoso\u00a0<em>falar<\/em>\u00a0revelat\u00f3rio (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>) de Jesus fica claro, para n\u00f3s, que a Miss\u00e3o do an\u00fancio do Evangelho n\u00e3o \u00e9 facultativa, mas insere-se na\u00a0<em>necessidade<\/em>\u00a0do plano de Deus, ao mesmo n\u00edvel da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. De forma clara, o crist\u00e3o \u00e9 batizado na morte de Cristo e vive a vida nova da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, mas tem de viver tamb\u00e9m do\/e para o an\u00fancio do Evangelho. \u00c9 este o \u00fanico lugar do Novo Testamento que guarda esta tripla\u00a0<em>necessidade<\/em>: sofrimento e morte de Jesus (1), ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus (2), an\u00fancio do Evangelho a todas as na\u00e7\u00f5es (3). Nos outros lugares do Novo Testamento, esta\u00a0<em>necessidade<\/em>\u00a0afeta apenas as duas primeiras realidades.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Esta\u00a0<em>necessidade<\/em>\u00a0teol\u00f3gica fica registada no uso do verbo grego\u00a0<em>de\u00ee<\/em>\u00a0e das coisas para sempre\u00a0<em>escritas<\/em>\u00a0em todas as Escrituras. O para sempre\u00a0<em>escritas<\/em>\u00a0fica gravado no uso dos dois perfeitos (<em>gegramm\u00e9na<\/em>\u00a0e\u00a0<em>g\u00e9graptai<\/em>, respetivamente partic\u00edpio perfeito passivo e perfeito passivo do verbo\u00a0<em>gr\u00e1ph\u00f4<\/em>). Se o uso do perfeito indica o \u00abpara sempre\u00bb, o uso da forma passiva aponta para Deus, tratando-se, como \u00e9 usual classificar-se, de um passivo divino ou teol\u00f3gico.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Importa ainda precisar que este\u00a0<em>necess\u00e1rio<\/em>\u00a0an\u00fancio do Evangelho n\u00e3o afeta apenas os Onze, mas \u00abos Onze e os outros com eles\u00bb (Lucas 24,33), entenda-se, todos os disc\u00edpulos de Jesus, pois \u00e9 perante todos [\u00abos Onze e os outros com eles\u00bb] \u2013 n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a de cen\u00e1rio \u2013 que Jesus pronuncia o luminoso\u00a0<em>falar<\/em>\u00a0revelat\u00f3rio de Lucas 24,44-47. Sem equ\u00edvocos ent\u00e3o: esta miss\u00e3o afeta-nos a todos, todos os disc\u00edpulos de Jesus de todos os tempos. Fica ainda claro que o\u00a0<em>an\u00fancio<\/em>\u00a0(<em>k\u00earygma<\/em>) do Evangelho n\u00e3o decorre por conta e risco do\u00a0<em>anunciador<\/em>\u00a0(<em>k\u00earyx<\/em>), que n\u00e3o o faz em seu pr\u00f3prio nome; antes, apresenta-se sempre vinculado a Jesus Cristo, pois o\u00a0<em>an\u00fancio<\/em>\u00a0\u00e9 feito \u00abem seu nome\u00bb (Lucas 24,47), \u00e9 Ele que envia o\u00a0<em>anunciador<\/em>. E este\u00a0<em>an\u00fancio<\/em>\u00a0do Evangelho n\u00e3o fica circunscrito a um horizonte limitado, paroquial, diocesano, nacional, continental, pois o seu verdadeiro horizonte s\u00e3o \u00abtodas as na\u00e7\u00f5es\u00bb (Lucas 24,47), \u00abtodos os lugares\u00bb, todos os cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">9. Bem se v\u00ea que \u00e9, neste ponto preciso e nesta\u00a0<em>necessidade<\/em>, que S. Paulo, \u00abo maior mission\u00e1rio de todos os tempos\u00bb (Bento XVI) e \u00abmodelo de cada evangelizador\u00bb (S. Paulo VI), enxerta a sua vida e se entende a si mesmo, pois confessa: \u00abEvangelizar n\u00e3o \u00e9 para mim um t\u00edtulo de gl\u00f3ria, mas uma\u00a0<em>necessidade<\/em>\u00a0que se me imp\u00f5e desde fora (<em>ep\u00edkeitai<\/em>). Ai de mim se n\u00e3o Evangelizar!\u00bb (1 Cor\u00edntios 9,16).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Imp\u00f5e-se ainda uma anota\u00e7\u00e3o sobre aquela importante afirma\u00e7\u00e3o final de Jesus, que nos designa como\u00a0<em>testemunhas<\/em>\u00a0(<em>m\u00e1rtyres<\/em>). \u00c9 a primeira vez que os disc\u00edpulos s\u00e3o designados como\u00a0<em>testemunhas<\/em>. No mundo de hoje, tal como o conhecemos, falar de\u00a0<em>testemunhas<\/em>\u00a0\u00e9 falar de algu\u00e9m que, tendo presenciado um acidente ou um crime, se compromete depois, no tribunal, a apresentar o seu ponto de vista sobre o sucedido. Algu\u00e9m, portanto, que \u00e9 chamado a comprometer-se com uma hist\u00f3ria que n\u00e3o \u00e9 a dele. Para evitar chatices, acabamos muitas vezes por dizer logo \u00e0 partida que n\u00e3o vimos nada. Mas, aqui, \u00e9 Jesus que nos designa como\u00a0<em>testemunhas<\/em>. Convenhamos que esta designa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os como\u00a0<em>testemunhas<\/em>\u00a0n\u00e3o tem sido nem \u00e9 habitual. A linguagem corrente cataloga-nos mais depressa como \u00abpraticantes\u00bb ou \u00abn\u00e3o-praticantes\u00bb. Mas aqui somos designados como \u00ab<em>testemunhas<\/em>\u00bb dos acontecimentos de Jesus Cristo. Aquando da necess\u00e1ria substitui\u00e7\u00e3o de Judas no col\u00e9gio apost\u00f3lico, Pedro tra\u00e7a assim os requisitos necess\u00e1rios que devem presidir \u00e0 escolha do novo membro que venha a entrar no grupo dos Doze: \u00ab\u00c9 necess\u00e1rio (<em>de\u00ee<\/em>), pois, que, dos homens que vieram connosco (<em>syn\u00e9rchomai<\/em>) durante todo o tempo em que entrou e saiu \u00e0 nossa frente o Senhor Jesus, tendo come\u00e7ado desde o Batismo de Jo\u00e3o at\u00e9 ao dia em que Ele foi arrebatado (<em>anel\u00eamphth\u00ea<\/em>) diante de n\u00f3s, um destes se torne connosco\u00a0<em>testemunha<\/em>\u00a0(<em>m\u00e1rtys<\/em>) da sua Ressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb (Atos 1,21-22). Somos, portanto, chamados a envolver-nos de tal modo na hist\u00f3ria e na vida de Jesus, a ponto de a fazermos nossa, para a transmitir aos outros, n\u00e3o com discursos inflamados ou esgotados, mas com a vida! Sim, aquela hist\u00f3ria e aquela vida s\u00e3o a nossa hist\u00f3ria e a nossa vida. A\u00ed est\u00e1 o estilo da testemunha e do evangelizador.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. A\u00ed est\u00e1, ent\u00e3o, o importante acerto com a narrativa do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (3,13-19), que nos mostra Pedro no papel de\u00a0<em>testemunha<\/em>\u00a0(<em>m\u00e1rtys<\/em>) (v. 15) envolvendo-se e envolvendo outros na hist\u00f3ria \u00abdeste Jesus, que v\u00f3s entregastes\u00bb (v. 13), \u00abmas que Deus ressuscitou dos mortos\u00bb (v. 15). E a Primeira Carta de S. Jo\u00e3o (1,1-5) mostra-nos Jesus Cristo como nosso Advogado (<em>par\u00e1kl\u00eatos<\/em>) e v\u00edtima de expia\u00e7\u00e3o (<em>hilasm\u00f3s<\/em>) pelos pecados de todos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. O canto sereno, \u00e0 serena luz da vela, do Salmo 4, que \u00e9 um canto noturno, enche-nos de paz e de confian\u00e7a e ensina-nos a viver serenamente, dia e noite, na companhia daquele Deus que se envolveu e envolve na nossa hist\u00f3ria e na nossa vida, realizando prod\u00edgios e reduzindo a fumo os \u00eddolos e as insensatas e orgulhosas manobras humanas. O poeta franc\u00eas Paul Claudel, que muitas vezes passeava pela B\u00edblia, parafraseou assim: \u00abH\u00e1 em mim esta paz que me leva ao sono. H\u00e1 em mim este tesouro da esperan\u00e7a que me deste\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">Senhor Jesus,\/ h\u00e1 tanta gente que Te procura \u00e0 pressa e Te quer ver.\/ Mas quando dizem que Te querem ver,\/ n\u00e3o \u00e9 para Te conhecer.\/ \u00c9 o teu rosto, a cor dos teus olhos e cabelos,\/ a tez da tua pele, a tua forma de vestir que os atrai e contagia.\/ Querem ver-te como se fosse numa fotografia.\/\/<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">Mas Tu, Senhor Jesus Ressuscitado,\/ quando Te d\u00e1s a conhecer a n\u00f3s,\/ n\u00e3o mostras o rosto,\/ uma fotografia,\/ o cart\u00e3o de cidad\u00e3o.\/ Se fosse assim,\/ mal seria que os teus amigos Te n\u00e3o reconhecessem.\/\/<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-2\">E o facto \u00e9 que,\/ quando surges no meio deles,\/ n\u00e3o Te reconhecem.\/ E em vez do rosto,\/ s\u00e3o, afinal, as m\u00e3os e o lado,\/ ou as m\u00e3os e os p\u00e9s que apresentas.\/ Entenda-se: \u00e9 a tua maneira de viver que nos queres fazer ver.\/ Na verdade, a tua identidade \u00e9 dar a vida,\/ \u00e9 dar a m\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o.\/ \u00c9 essa a tua li\u00e7\u00e3o,\/ a tua paix\u00e3o,\/ a tua ressurrei\u00e7\u00e3o.\/\/<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">Senhor, d\u00e1-nos sempre desse p\u00e3o!\/\/<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. \u00c9-nos dada hoje, Domingo III da P\u00e1scoa, a gra\u00e7a de escutar a p\u00e1gina sublime do Evangelho de Lucas 24,35-48, 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