{"id":549281966,"date":"2022-01-19T00:00:00","date_gmt":"2022-01-19T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11113-audiencia-geral-a-ternura-e-a-experiencia-de-ser-transformado-pelo-amor-de-deus"},"modified":"2022-01-19T00:00:00","modified_gmt":"2022-01-19T00:00:00","slug":"audiencia-geral-a-ternura-e-a-experiencia-de-ser-transformado-pelo-amor-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-a-ternura-e-a-experiencia-de-ser-transformado-pelo-amor-de-deus\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00ab\u00abA ternura \u00e9 a experi\u00eancia de ser transformado pelo amor de Deus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_21_180228094731.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Na catequese desta manh\u00e3 o Papa apresentou a figura de S\u00e3o Jos\u00e9 com \u201cpai na ternura\u201d. Francisco estabeleceu o paralelo com Deus pois \u201ca ternura n\u00e3o \u00e9 sobretudo uma quest\u00e3o emocional ou sentimental\u201d, mas \u201ca experi\u00eancia de nos sentirmos amados e acolhidos precisamente na nossa pobreza e mis\u00e9ria&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a reflex\u00e3o do Santo Padre<\/p>\n<p><strong>Catequese sobre S\u00e3o Jos\u00e9 8. S\u00e3o Jos\u00e9 pai na ternura<\/strong><\/p>\n<p><em>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>Hoje gostaria de aprofundar a figura de S\u00e3o Jos\u00e9 como\u00a0<em>pai na ternura<\/em>.<\/p>\n<p>Na Carta Apost\u00f3lica\u00a0<em>Patris corde<\/em>\u00a0(8 de dezembro de 2020) tive a oportunidade de refletir sobre este aspeto da ternura, um aspeto da personalidade de S\u00e3o Jos\u00e9. De facto, embora os Evangelhos n\u00e3o nos deem quaisquer detalhes sobre como ele exerceu a sua paternidade, podemos estar certos de que o seu ser um homem \u201cjusto\u201d tamb\u00e9m se verificou na educa\u00e7\u00e3o que deu a Jesus. \u00abJos\u00e9 via Jesus crescer \u201cem sabedoria, em estatura e em gra\u00e7a, diante de Deus e dos homens\u201d (<em>Lc<\/em>\u00a02, 52): assim diz o Evangelho. Como o Senhor fez com Israel, assim ele ensinou Jesus a andar segurando-O pela m\u00e3o: era para Ele como o pai que levanta o filho contra o seu rosto, inclinava-se para Ele a fim de Lhe dar de comer (cf.\u00a0<em>Os<\/em>\u00a011, 3-4)\u00bb (<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html\">Patris corde<\/a><\/em>, 2). \u00c9 bonita esta defini\u00e7\u00e3o da B\u00edblia que mostra a rela\u00e7\u00e3o de Deus com o povo de Israel. E pensamos que tenha sido a mesma rela\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 com Jesus.<\/p>\n<p>Os Evangelhos atestam que Jesus sempre usou a palavra \u201cpai\u201d para falar de Deus e do seu amor. Muitas par\u00e1bolas t\u00eam como protagonista a figura de um pai (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a015, 13; 21, 28-30; 22, 2;\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a015, 11-32;\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a05, 19-23; 6, 32-40; 14, 2; 15, 1.8).\u00a0 Uma das mais famosas \u00e9 certamente a do\u00a0<em>Pai misericordioso<\/em>, narrada pelo evangelista Lucas (cf. 15, 11-32). Esta par\u00e1bola sublinha n\u00e3o s\u00f3 a experi\u00eancia do pecado e do perd\u00e3o, mas tamb\u00e9m a forma como o perd\u00e3o chega \u00e0 pessoa que errou. O texto diz: \u00abEstava ainda longe, quando o seu pai o viu e, movido de compaix\u00e3o, foi ao encontro dele, abra\u00e7ou-o e beijou-o\u00bb (v. 20). O filho esperava um castigo, uma justi\u00e7a que no m\u00e1ximo lhe poderia ter dado o lugar de um dos servos, mas encontra-se envolto no abra\u00e7o do seu pai. A ternura \u00e9 algo maior do que a l\u00f3gica do mundo. \u00c9 uma forma inesperada de fazer justi\u00e7a. \u00c9 por isso que nunca devemos esquecer que Deus n\u00e3o se assusta com os nossos pecados: conven\u00e7amo-nos bem disto. Deus n\u00e3o se assusta com os nossos pecados, \u00e9 maior do que os nossos pecados: \u00e9 pai, \u00e9 amor, \u00e9 terno. N\u00e3o se assusta com os nossos pecados, com os nossos erros, as nossas quedas, mas assusta-se com o fechamento do nosso cora\u00e7\u00e3o \u2013 isto sim, f\u00e1-lo sofrer \u2013 assusta-se com a nossa falta de f\u00e9 no seu amor. H\u00e1 uma grande ternura na experi\u00eancia do amor de Deus. E \u00e9 bom pensar que a primeira pessoa que transmitiu esta realidade a Jesus foi precisamente Jos\u00e9. Pois as coisas de Deus v\u00eam sempre at\u00e9 n\u00f3s atrav\u00e9s da media\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias humanas. H\u00e1 algum tempo \u2013 n\u00e3o sei se j\u00e1 contei isto \u2013 um grupo de jovens que fazem teatro, um grupo de jovens pop, \u201cmodernos\u201d, ficaram impressionados com esta par\u00e1bola do pai misericordioso e decidiram fazer uma pe\u00e7a de teatro pop com este tema, com esta hist\u00f3ria. E fizeram-na bem. E, no final, o tema principal \u00e9 que um amigo ouve o filho que se afastou do pai, que queria voltar para casa, mas tinha medo que o pai o expulsasse e castigasse. E o amigo diz-lhe, naquela \u00f3pera pop: \u201cManda um mensageiro e diz que queres voltar para casa, e se o pai aceitar receber-te que ponha um len\u00e7o na janela, naquela que ver\u00e1s quando chegares \u00e0 reta final\u201d. Assim foi feito. E a \u00f3pera, com cantos e dan\u00e7as, continua at\u00e9 ao momento em que o filho inicia o caminho final e v\u00ea a casa. E quando olha para cima, v\u00ea a casa cheia de len\u00e7os brancos: cheia. N\u00e3o um, mas tr\u00eas ou quatro para cada janela. Esta \u00e9 a miseric\u00f3rdia de Deus. Ele n\u00e3o se assusta com o nosso passado, com os nossos aspetos negativos: assusta-se apenas com o fechamento. Todos temos contas a acertar; mas acertar as contas com Deus \u00e9 bel\u00edssimo, porque come\u00e7amos a falar e Ele abra\u00e7a-nos. A ternura!<\/p>\n<p>Assim, podemos perguntar-nos se experiment\u00e1mos esta ternura, e se, por nossa vez, nos torn\u00e1mos suas testemunhas. Pois a ternura n\u00e3o \u00e9 sobretudo uma quest\u00e3o emocional ou sentimental: \u00e9 a experi\u00eancia de nos sentirmos amados e acolhidos precisamente na nossa pobreza e mis\u00e9ria, e, por conseguinte, transformados pelo amor de Deus.<\/p>\n<p>Deus n\u00e3o conta apenas com os nossos talentos, mas tamb\u00e9m com a nossa fraqueza redimida. Isto, por exemplo, faz S\u00e3o Paulo dizer que h\u00e1 um des\u00edgnio sobre a sua fragilidade. De facto, escreveu \u00e0 comunidade de Corinto: \u00abPara que n\u00e3o me enchesse de orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satan\u00e1s, para me ferir, a fim de que n\u00e3o me orgulhasse. A esse respeito, tr\u00eas vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Mas Ele respondeu-me: \u201cBasta-te a minha gra\u00e7a, porque a for\u00e7a manifesta-se na fraqueza\u201d\u00bb (<em>2 Cor<\/em>\u00a012, 7-9). O Senhor n\u00e3o nos tira todas as fragilidades, mas ajuda-nos a caminhar com as fragilidades, pegando-nos pela m\u00e3o. Pega pela m\u00e3o as nossas fragilidades e p\u00f5e-se perto de n\u00f3s. Isto \u00e9 ternura. A experi\u00eancia da ternura consiste em ver o poder de Deus passar precisamente por aquilo que nos torna mais fr\u00e1geis; mas sob condi\u00e7\u00e3o de nos convertermos do olhar do Maligno que nos faz \u00abolhar para a nossa fragilidade com um ju\u00edzo negativo, ao passo que o Esp\u00edrito tr\u00e1-la \u00e0 luz com ternura\u00bb (<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html\">Patris corde<\/a><\/em>, 2). \u00abA ternura \u00e9 a melhor forma para tocar o que h\u00e1 de fr\u00e1gil em n\u00f3s. [&#8230;] Observai como as enfermeiras, os enfermeiros, tocam as feridas dos doentes: com ternura, para n\u00e3o os ferir mais. E assim o Senhor toca as nossas feridas, com a mesma ternura. Por isso, \u00e9 importante encontrar a Miseric\u00f3rdia de Deus, especialmente no sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, &#8211; na ora\u00e7\u00e3o pessoal com Deus, fazendo uma experi\u00eancia de verdade e ternura. Paradoxalmente, tamb\u00e9m o Maligno pode dizer-nos a verdade: ele \u00e9 mentiroso, mas arranja-se para nos dizer a verdade a fim de nos levar \u00e0 mentira; \u00a0mas, se o faz, \u00e9 para nos condenar. Ao contr\u00e1rio, o Senhor diz-nos a verdade e estende-nos a m\u00e3o para nos salvar. \u00a0Entretanto n\u00f3s sabemos que a Verdade vinda de Deus n\u00e3o nos condena, mas acolhe-nos, abra\u00e7a-nos, ampara-nos, perdoa-nos\u00bb (cf.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html\">Patris corde<\/a><\/em>, 2). \u00a0Deus perdoa sempre: ponde isto na cabe\u00e7a e no cora\u00e7\u00e3o. Deus perdoa sempre. Somos n\u00f3s que nos cansamos de pedir perd\u00e3o. Mas ele perdoa sempre, inclusive as coisas mais terr\u00edveis.<\/p>\n<p>Faz-nos bem, ent\u00e3o, espelharmo-nos na paternidade de Jos\u00e9 que \u00e9 um espelho da paternidade de Deus, e perguntarmo-nos se permitimos que o Senhor nos ame com a sua ternura, transformando cada um de n\u00f3s em homens e mulheres capazes de amar desta forma. Sem esta \u201crevolu\u00e7\u00e3o da ternura\u201d \u2013 \u00e9 necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o da ternura!\u00a0 \u2013 corremos o risco de permanecer presos numa justi\u00e7a que n\u00e3o nos permite erguer-nos facilmente e que confunde reden\u00e7\u00e3o com castigo. Por esta raz\u00e3o, hoje desejo recordar de um modo especial os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s que est\u00e3o na pris\u00e3o. \u00c9 justo que quem erra pague pelo pr\u00f3prio erro, mas \u00e9 tamb\u00e9m justo que aqueles que erraram possam redimir-se do seu erro. N\u00e3o podem haver condena\u00e7\u00f5es sem janelas de esperan\u00e7a. Qualquer condena\u00e7\u00e3o tem sempre uma janela de esperan\u00e7a. Pensemos nos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s encarcerados, e pensemos na ternura de Deus por eles e rezemos por eles, para que encontrem naquela janela de esperan\u00e7a um caminho de sa\u00edda rumo a uma vida melhor.<\/p>\n<p>E concluamos com esta ora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9, pai na ternura,<br \/>ensinai-nos a aceitar que somos amados precisamente naquilo que \u00e9 mais d\u00e9bil em n\u00f3s.<br \/>Concedei que n\u00e3o coloquemos qualquer obst\u00e1culo<br \/>entre a nossa pobreza e a grandeza do amor de Deus.<br \/>Suscitai em n\u00f3s o desejo de nos aproximarmos do Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o,<br \/>para que possamos ser perdoados e tamb\u00e9m que nos tornemos capazes de amar com ternura os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s na sua pobreza.<br \/>Estai pr\u00f3ximo daqueles que erraram e que pagam o pre\u00e7o por isso;<br \/>ajudai-os a encontrar, juntamente com a justi\u00e7a, a ternura para recome\u00e7ar.<br \/>E ensinai-lhes que a primeira maneira de recome\u00e7ar<br \/>\u00e9 pedir sinceramente perd\u00e3o, para sentir a car\u00edcia do Pai.<\/p>\n<p>Educris|19.01.2022<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na catequese desta manh\u00e3 o Papa apresentou a figura de S\u00e3o Jos\u00e9 com \u201cpai na ternura\u201d. 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