{"id":576740655,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/8275-domingo-xxxiii-do-tempo-comum-o-filho-do-homem-que-vem-traz-um-mundo-novo-pela-mao"},"modified":"2025-11-07T16:33:23","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:23","slug":"domingo-xxxiii-do-tempo-comum-o-filho-do-homem-que-vem-traz-um-mundo-novo-pela-mao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxxiii-do-tempo-comum-o-filho-do-homem-que-vem-traz-um-mundo-novo-pela-mao\/","title":{"rendered":"Domingo XXXIII do Tempo Comum: \u00abO filho do homem que vem-traz um mundo novo pela m\u00e3o\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. O Livro de Daniel ter\u00e1 sido provavelmente escrito no Outono do ano 164 a.C., com o objetivo de encorajar os judeus piedosos a permanecerem firmes na sua f\u00e9 em plena persegui\u00e7\u00e3o antijudaica desencadeada tr\u00eas anos antes, em 167 a.C., pelo tirano Ant\u00edoco IV Epif\u00e2nio, e cujos ecos se podem ver, por exemplo, no Segundo Livro dos Macabeus 6 e 7, que registra a fidelidade heroica do velho Eleazar e dos sete jovens irm\u00e3os Macabeus. Estes s\u00e3o, no dizer do Livro de Daniel 12,1-3, os mestres s\u00e1bios (<em>maskkil\u00eem<\/em>) e justificadores (<em>matsdd\u00eeq\u00eem<\/em>), isto \u00e9, dadores de vida: ensinam, n\u00e3o teorias, mas a vida verdadeira, dando a sua vida por amor: \u00e9 assim que vencem os violentos, n\u00e3o opondo-se a eles, mas amando, isto \u00e9, dando a vida e dando vida, ensinando a viver. Estes novos s\u00e1bios e justificadores s\u00e3o, diz o Livro de Daniel, as novas estrelas que brilham para sempre! Se brilham para sempre, ent\u00e3o est\u00e3o em comunh\u00e3o com Deus, que \u00e9 luz que n\u00e3o se apaga, pois n\u00e3o conhece trevas nem ocaso (1 Jo\u00e3o 1,5).<\/p>\n<p>2. N\u00e3o s\u00e3o, portanto, as estrelas da moda, da m\u00fasica, do cinema ou do futebol, estrelas cadentes, de brilho ef\u00e9mero e passageiro! S\u00e3o as novas e verdadeiras estrelas de brilho permanente, inscritas no C\u00e9u ou no Livro da Vida (ver Daniel 12,1; Salmo 139,16; Isa\u00edas 4,3; Lucas 10,20; Apocalipse 20,12). As outras pobres estrelas est\u00e3o, na verdade, inscritas no ch\u00e3o, no p\u00f3 da terra (Jeremias 17,13), e l\u00e1 se perdem e disperdem. Deus sabe escrever no cora\u00e7\u00e3o (Jeremias 17,1; 31,33), na Cruz (G\u00e1latas 3,1), e, como j\u00e1 vimos, no ch\u00e3o, e no Livro, mas tamb\u00e9m, num gesto de particular ternura, na palma da sua m\u00e3o (Isa\u00edas 49,16).<\/p>\n<p>3. O cen\u00e1rio do Evangelho deste Domingo XXXIII do Tempo Comum (Marcos 13,24-32) n\u00e3o \u00e9 de terror, mas de amor! Novos c\u00e9us e nova terra, sa\u00eddos das m\u00e3os de Deus-Pai, com o Filho-que-Vem, e que est\u00e1 pr\u00f3ximo, \u00e0 porta. \u00c9 como o noivo do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos 5,2, que bate \u00e0 porta, descrito pela noiva que dorme, mas escuta com um cora\u00e7\u00e3o sempre vigilante! \u00danica atitude da Igreja Una e Santa, que Domingo ap\u00f3s Domingo, se re\u00fane com emo\u00e7\u00e3o e alegria \u00e0 volta do seu Senhor-que-Vem. Tudo t\u00e3o suave e t\u00e3o cheio de maravilha: o nosso Deus revelando ou simplesmente com todo o carinho desvelando, isto \u00e9, retirando o v\u00e9u que encobre a verdadeira realidade, perante os nossos olhos at\u00f3nitos!<\/p>\n<p>4. Uma parte da Igreja antiga lia este \u00abdiscurso escatol\u00f3gico\u00bb e outros textos similares do Novo Testamento no sentido da chegada iminente do \u00abfim do mundo\u00bb (leitura ainda hoje desgra\u00e7adamente doentia nas seitas, com ano, dia e hora marcados!). Sim, \u00e9 do \u00abfim do mundo\u00bb que se trata, mas num sentido novo e inaudito: \u00e9 a Palavra de Deus que n\u00e3o passa, e que \u00e9 Amor e \u00e9 Primeira e \u00daltima, sempre nova, portanto, que vem \u00abp\u00f4r fim ao nosso mundo\u00bb de posse e ego\u00edsmo, autossatisfa\u00e7\u00e3o e auto expans\u00e3o ilimitada. \u00c9 o \u00daltimo, que \u00e9 o Amor gratuito e desinteressado, que p\u00f5e fim ao pen\u00faltimo, que \u00e9 a nossa v\u00e3 maneira de viver. Neste sentido novo, \u00e9 de desejar que o nosso mundo velho e caduco entre em agonia e acabe j\u00e1, para que comece verdadeiramente em n\u00f3s e j\u00e1 um mundo novo e belo, cuja matriz \u00e9 o Amor gratuito e incondicional. Neste sentido intenso e belo, vale a ora\u00e7\u00e3o \u00abSenhor, vem!\u00bb (<em>marana tha\u2019<\/em>), porque, com sabedoria serena, sabemos que \u00abo Senhor vem!\u00bb (<em>maran \u2019atta\u2019<\/em>).<\/p>\n<p>5. O discurso de Jesus no inteiro Cap\u00edtulo 13 de Marcos n\u00e3o \u00e9 atravessado por nenhuma ang\u00fastia nem sugere qualquer corrida desenfreada e fren\u00e9tica. Pelo contr\u00e1rio, por quatro vezes, Jesus interpela os seus disc\u00edpulos a um comportamento atento: \u00abvede bem\u00bb, \u00abestai atentos\u00bb, \u00abprestai aten\u00e7\u00e3o\u00bb, grego\u00a0<em>bl\u00e9pete<\/em>\u00a0(Marcos 13,5.9.23.33), e igualmente por quatro vezes se faz ouvir a vigil\u00e2ncia: \u00abestai acordados\u00bb, \u00abvigiai\u00bb, grego\u00a0<em>agrypn\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0e\u00a0<em>gr\u00eagor\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0(Marcos 13,33.34.35.37). Depois da admir\u00e1vel introdu\u00e7\u00e3o deste Cap\u00edtulo (Marcos 13,1-4), com um disc\u00edpulo a comunicar a Jesus o seu espanto perante as belas pedras das constru\u00e7\u00f5es herodianas do Templo (Marcos 13,1), Jesus volta-o para outro lado, dizendo: \u00abV\u00eas estas grandes constru\u00e7\u00f5es? N\u00e3o ficar\u00e1 pedra sobre pedra que n\u00e3o seja destru\u00edda\u00bb (Marcos 13,2). E, sentando-se (como quem ensina) no Monte das Oliveiras, voltado para o majestoso Templo, e interrogado por Pedro, Tiago, Jo\u00e3o e Andr\u00e9 sobre o \u00abquando\u00bb e \u00abqual o sinal\u00bb (Marcos 13,3-4), Jesus profere ent\u00e3o o inteiro ensinamento deste grande Cap\u00edtulo 13, que aparece organizado em tr\u00eas Partes: 1) em Marcos 13,5-23, Jesus fala de um tempo de tribula\u00e7\u00e3o, em que pulular\u00e3o enganadores (Marcos 13,5-6), guerras (Marcos 7-8), persegui\u00e7\u00f5es (Marcos 13,9-13), e outra vez guerras (Marcos 13,14-20), enganadores (Marcos 13,21-23, e uma chamada de aten\u00e7\u00e3o (Marcos 13,23); 2) em Marcos 13,24-27, parte central, Jesus anuncia a vinda do Filho do Homem para reunir os seus eleitos; 3) em Marcos 13,28-37, intercalam-se informa\u00e7\u00f5es e advert\u00eancias.<\/p>\n<p>6. Note-se, colocada no centro da estrutura, que \u00e9 sempre a Parte mais importante, a vinda do Filho do Homem. N\u00e3o \u00e9 informa\u00e7\u00e3o nem enumera\u00e7\u00e3o. \u00c9 an\u00fancio, que p\u00f5e fim ao pen\u00faltimo, \u00e0 luz do sol, da lua e das estrelas (G\u00e9nesis 1,14-19), obra do quarto dia da cria\u00e7\u00e3o, e faz retornar tudo \u00e0 luz primeira de Deus (G\u00e9nesis 1,3), obra do primeiro dia da cria\u00e7\u00e3o. Note-se ainda a importante instru\u00e7\u00e3o sapiencial da par\u00e1bola da figueira (Marcos 13,28-29), imediatamente colocada ap\u00f3s o an\u00fancio da vinda do Filho do Homem: a aten\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos n\u00e3o deve centrar-se tanto naquilo que se v\u00ea (o verde das folhas na primavera), mas naquilo que n\u00e3o se v\u00ea (o ver\u00e3o e o Filho do Homem). N\u00e3o se veem ainda, mas est\u00e3o pr\u00f3ximos. Note-se este \u00abpr\u00f3ximo\u00bb (<em>egg\u00fds<\/em>) do Filho do Homem (Marcos 13,28.29) a fazer inclus\u00e3o com o an\u00fancio do Reino de Deus, igualmente pr\u00f3ximo (<em>egg\u00fds<\/em>), em Marcos 1,15.<\/p>\n<p>7. O mundo-que-vem \u00e9 a luz pura de Deus, obra nova e boa de Deus, e n\u00e3o \u00e9 constru\u00eddo sobre as cinzas do nosso velho mundo. A homilia da Carta aos Hebreus, que hoje tivemos a gra\u00e7a de continuar a ouvir (10,11-14.18), faz-nos compreender que n\u00f3s estamos totalmente afetados por Jesus Cristo, que nos trouxe o perd\u00e3o, entregando-se por n\u00f3s uma \u00fanica vez, ao contr\u00e1rio dos sacerdotes da antiga lei, que todos os dias tinham de oferecer sacrif\u00edcios pelo pecado. Mas agora, que \u00e9 o tempo do perd\u00e3o, o sacrif\u00edcio pelo pecado deixa de existir (v. 18).<\/p>\n<p>8. Portanto, as pedras e as coisas, as casas e as terras nunca devem ocupar, muito menos encher, o nosso cora\u00e7\u00e3o. Os sacerdotes, descendentes de Aar\u00e3o n\u00e3o tinham terra distribu\u00edda em Israel. A sua heran\u00e7a era o Senhor (cf. N\u00fameros 18,20), como cantamos hoje no Salmo 16. No seu Serm\u00e3o 344, Santo Agostinho comenta assim: \u00abO salmista n\u00e3o diz: \u201c\u00d3 Deus, d\u00e1-me uma heran\u00e7a\u201d. Diz antes: \u201cTudo o que me podes dar fora de Ti, \u00e9 vil. S\u00ea Tu a minha heran\u00e7a. \u00c9 a Ti que eu amo\u2026 Esperar Deus de Deus, estar cheio de Deus. Basta-te Ele; fora dele, nada te pode bastar\u00bb. Esta melodia deve encher o nosso cora\u00e7\u00e3o e este Dia de Domingo, Dia do Senhor, de doa\u00e7\u00e3o radical, total, ao Senhor. Entenda-se: \u00e9 um caminho novo que se abre \u00e0 nossa frente. Sem retrocessos, sem desvios, sem distra\u00e7\u00f5es, sem nostalgias, sem sa\u00eddas de emerg\u00eancia ou de seguran\u00e7a!<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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