{"id":586104750,"date":"2022-06-22T00:00:00","date_gmt":"2022-06-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11523-audiencia-geral-francisco-volta-a-apelar-a-uma-uniao-intergeracional"},"modified":"2022-06-22T00:00:00","modified_gmt":"2022-06-22T00:00:00","slug":"audiencia-geral-francisco-volta-a-apelar-a-uma-uniao-intergeracional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-francisco-volta-a-apelar-a-uma-uniao-intergeracional\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: Francisco volta a apelar a uma uni\u00e3o intergeracional"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_151014013621.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Papa lembrou a import\u00e2ncia da reciprocidade entre idosos e jovens e apelou a que uns e outros aprendam mutuamente pois \u201cum idoso n\u00e3o pode ser feliz sem olhar para os jovens e os jovens n\u00e3o podem ir em frente na vida sem olhar para os idosos<\/em><\/p>\n<p>Leia, na integra, a catequese do Santo Padre<\/p>\n<p><strong>Catequese sobre a Velhice 15. Pedro e Jo\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bem-vindos e bom dia!<\/em><\/p>\n<p>No nosso percurso de catequeses sobre a velhice, hoje meditemos sobre o di\u00e1logo entre Jesus ressuscitado e Pedro, na conclus\u00e3o do Evangelho de Jo\u00e3o (21, 15-23). \u00c9 um di\u00e1logo comovedor, do qual transparecem todo o amor de Jesus pelos seus disc\u00edpulos e tamb\u00e9m a sublime humanidade da sua rela\u00e7\u00e3o com eles, em particular com Pedro: uma rela\u00e7\u00e3o terna, mas n\u00e3o ins\u00edpida, direta, forte, livre, aberta. Uma rela\u00e7\u00e3o de homens\u00a0<em>na verdade<\/em>. Assim o Evangelho de Jo\u00e3o, t\u00e3o espiritual, t\u00e3o excelso, fecha-se com um pungente pedido e oferta de amor entre Jesus e Pedro, que se entrela\u00e7a de modo totalmente natural com um debate entre eles. O Evangelista adverte-nos: ele d\u00e1 testemunho da verdade dos acontecimentos (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a021, 24). E \u00e9 neles que se deve procurar a verdade.<\/p>\n<p>Podemos perguntar-nos: somos capazes de preservar o teor desta rela\u00e7\u00e3o de Jesus com os disc\u00edpulos, de acordo com aquele seu estilo t\u00e3o aberto, t\u00e3o franco, t\u00e3o direto, t\u00e3o humanamente real? Como \u00e9 a nossa rela\u00e7\u00e3o com Jesus? \u00c9 como aquela dos ap\u00f3stolos com Ele? N\u00e3o somos, ao contr\u00e1rio, muitas vezes tentados a encerrar o testemunho do Evangelho no casulo de uma revela\u00e7\u00e3o \u201cadocicada\u201d, \u00e0 qual acrescentar a nossa venera\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncia? Esta atitude, que parece respeito, afasta-nos realmente do verdadeiro Jesus e torna-se at\u00e9 ocasi\u00e3o para um caminho de f\u00e9 muito abstrato, muito autorreferencial, muito mundano, que n\u00e3o \u00e9 o caminho de Jesus. Jesus \u00e9 o Verbo de Deus que se fez homem, e Ele comporta-se como homem, fala como homem, Deus-homem. Com ternura, amizade, proximidade. Jesus n\u00e3o \u00e9 como aquela imagem adocicada dos santinhos, n\u00e3o: Jesus est\u00e1 \u00e0 m\u00e3o, est\u00e1 pr\u00f3ximo de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Durante o debate de Jesus com Pedro, encontramos duas passagens que tratam precisamente\u00a0<em>da velhice e da dura\u00e7\u00e3o do tempo:<\/em>\u00a0o tempo do testemunho, o tempo da vida. A primeira passagem \u00e9 a admoesta\u00e7\u00e3o de Jesus a Pedro: quando eras jovem, eras autossuficiente, quando fores velho j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1s t\u00e3o senhor de ti mesmo e da tua vida. Dizei-o a mim que devo estar na cadeira de rodas! Mas \u00e9 assim, a vida \u00e9 assim: com a velhice v\u00eam-te todas estas doen\u00e7as e devemos aceit\u00e1-las como s\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 verdade? N\u00e3o temos a for\u00e7a dos jovens! E at\u00e9\u00a0<em>o teu testemunho \u2013\u00a0<\/em>diz Jesus<em>\u00a0\u2013 e ser\u00e1 acompanhado por esta debilidade<\/em>. Deves ser testemunha de Jesus at\u00e9 na debilidade, na doen\u00e7a e na morte. H\u00e1 um texto bonito de Santo In\u00e1cio de Loyola que reza: \u201cAssim como na vida, tamb\u00e9m na morte devemos dar testemunho como disc\u00edpulos de Jesus\u201d. O fim da vida deve ser um fim de vida como disc\u00edpulos: disc\u00edpulos de Jesus, pois o Senhor nos fala sempre segundo a idade que temos. O Evangelista acrescenta o seu coment\u00e1rio, explicando que Jesus aludia ao testemunho extremo, do mart\u00edrio e da morte. Mas podemos compreender de modo mais gen\u00e9rico o sentido desta admoesta\u00e7\u00e3o: o teu\u00a0<em>seguimento<\/em>\u00a0dever\u00e1 aprender a deixar-se instruir e plasmar pela tua\u00a0<em>fragilidade<\/em>, pela tua impot\u00eancia, pela tua depend\u00eancia de outros, at\u00e9 para te vestires, para caminhar. Mas tu,\u00a0<em>\u00absegue-me\u00bb<\/em>\u00a0(v. 19). O seguimento de Jesus continua com boa sa\u00fade, sem boa sa\u00fade, com autossufici\u00eancia, sem autossufici\u00eancia f\u00edsica, mas o seguimento de Jesus \u00e9 importante: seguir Jesus sempre, a p\u00e9, de corrida, lentamente, de cadeira de rodas, mas segui-lo sempre. A sabedoria do seguimento deve encontrar o caminho para permanecer na sua profiss\u00e3o de f\u00e9 \u2013 assim responde Pedro: \u00abSenhor, Tu sabes que te amo\u00bb (vv. 15.16.17) \u2013 at\u00e9 nas condi\u00e7\u00f5es limitadas da fraqueza e da velhice. Gosto de falar com os idosos, fitando os seus olhos: t\u00eam olhos brilhantes, que te falam mais do que palavras, o testemunho de uma vida. E isto \u00e9 bonito, devemos conserv\u00e1-lo at\u00e9 ao fim. Seguir Jesus deste modo, cheios de vida!<\/p>\n<p>Esta conversa entre Jesus e Pedro cont\u00e9m um ensinamento precioso para todos os disc\u00edpulos, para todos n\u00f3s, crentes. E tamb\u00e9m para todos os idosos. Aprender da nossa fragilidade a expressar a coer\u00eancia do nosso testemunho de vida nas condi\u00e7\u00f5es de uma exist\u00eancia amplamente confiada a outros, em grande parte dependente da iniciativa de outros. Com a doen\u00e7a, com a velhice, a depend\u00eancia aumenta e j\u00e1 n\u00e3o somos autossuficientes como antes; aumenta a depend\u00eancia dos outros e tamb\u00e9m ali amadurece a f\u00e9, tamb\u00e9m ali Jesus est\u00e1 connosco. Tamb\u00e9m ali brota aquela riqueza da f\u00e9 bem vivida durante o percurso da vida.<\/p>\n<p>Mas devemos interrogar-nos mais uma vez: ser\u00e1 que dispomos de\u00a0<em>uma espiritualidade<\/em>\u00a0realmente capaz de interpretar a fase \u2013 j\u00e1 longa e generalizada &#8211; deste tempo da nossa fraqueza confiada a outros, mais do que ao poder da nossa autonomia? Como permanecer fi\u00e9is ao seguimento vivido, ao amor prometido, \u00e0 justi\u00e7a procurada no tempo da nossa capacidade de iniciativa, no tempo da fragilidade, no tempo da depend\u00eancia, da despedida, no tempo de se afastar do protagonismo da nossa vida? \u00a0N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil afastar-se do ser protagonista, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil!<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, esta nova \u00e9poca \u00e9 tamb\u00e9m um tempo de prova\u00e7\u00e3o. Come\u00e7ando pela tenta\u00e7\u00e3o &#8211; muito humana, indubitavelmente, mas tamb\u00e9m muito insidiosa &#8211; de preservar o nosso protagonismo. E \u00e0s vezes o protagonista deve diminuir, deve abaixar-se, aceitar que a velhice te abaixe como protagonista. Mas ter\u00e1s outro modo de te exprimires, outra maneira de participar na fam\u00edlia, na sociedade, no grupo de amigos. E \u00e9 a curiosidade que Pedro sente: \u201cE ele?\u201d, diz Pedro, vendo o disc\u00edpulo amado que os seguia (cf. vv. 20-21). Meter o nariz na vida dos outros. E n\u00e3o: Jesus diz: \u201cCala-te\u201d. Deve realmente estar no \u201cmeu\u201d seguimento? Deve porventura ocupar o \u201cmeu\u201d espa\u00e7o? Ser\u00e1 o \u201cmeu\u201d sucessor? S\u00e3o perguntas que n\u00e3o s\u00e3o \u00fateis, que n\u00e3o ajudam. Dever\u00e1 durar mais do que eu e ocupar o meu lugar? E a resposta de Jesus \u00e9 franca e at\u00e9 rude: \u00abQue te importa? Segue-me!\u00bb (v. 22). Como se dissesse: ocupa-te da tua vida, da tua situa\u00e7\u00e3o atual e n\u00e3o metas o nariz na vida dos outros. Tu, segue-me. Isto sim, \u00e9 importante: o seguimento de Jesus, seguir Jesus na vida e na morte, na sa\u00fade e na doen\u00e7a, na vida quando \u00e9 pr\u00f3spera com tantos sucessos e tamb\u00e9m na vida dif\u00edcil, com muitos momentos negativos de queda. E quando queremos intrometer-nos na vida dos outros, Jesus responde: \u201cQue te importa? Segue-me\u201d. Muito bem! N\u00f3s, idosos, n\u00e3o dever\u00edamos ter inveja dos jovens que percorrem o seu caminho, que ocupam o nosso lugar, que duram mais do que n\u00f3s. A honra da nossa fidelidade ao amor jurado, a fidelidade ao seguimento da f\u00e9 que acreditamos, at\u00e9 nas condi\u00e7\u00f5es que nos aproximam mais da despedida da vida, s\u00e3o o nosso t\u00edtulo de admira\u00e7\u00e3o pelas gera\u00e7\u00f5es vindouras e de reconhecimento grato da parte do Senhor. Aprender a despedir-se: esta \u00e9 a sabedoria dos idosos. Mas despedir-se bem, com o sorriso; aprender a despedir-se na sociedade, a despedir-se com os outros. A vida do anci\u00e3o \u00e9 uma despedida lenta, lenta, mas uma despedida jubilosa: vivi a vida, conservei a minha f\u00e9. Isto \u00e9 bonito, quando um idoso pode dizer assim: \u201cVivi a vida, esta \u00e9 a minha fam\u00edlia; vivi a vida, fui pecador, mas tamb\u00e9m pratiquei o bem\u201d. E a paz que nasce \u00e9 a despedida do idoso.<\/p>\n<p>At\u00e9 o seguimento for\u00e7osamente inativo, feito de contempla\u00e7\u00e3o emocionada e de escuta arrebatada da palavra do Senhor &#8211; como a de Maria, irm\u00e3 de L\u00e1zaro \u2013 ser\u00e1 a melhor parte da sua vida, da nossa vida de idosos. Que esta parte nunca nos seja tirada, nunca (cf.\u00a0<em>Lc\u00a0<\/em>10, 42). Olhemos para os idosos, olhemos para eles e ajudemo-los a fim de que possam viver e exprimir a sua sabedoria de vida, que possam dar-nos o que t\u00eam de mais bonito e bom. Olhemos para eles, escutemo-los. E n\u00f3s, idosos, olhemos para os jovens sempre com um sorriso: eles seguir\u00e3o o caminho, levar\u00e3o em diante o que semeamos, inclusive o que n\u00e3o semeamos, porque n\u00e3o tivemos a coragem nem a oportunidade: eles lev\u00e1-lo-\u00e3o em frente. Mas sempre esta rela\u00e7\u00e3o de reciprocidade: um idoso n\u00e3o pode ser feliz sem olhar para os jovens e os jovens n\u00e3o podem ir em frente na vida sem olhar para os idosos. Obrigado!<\/p>\n<p>Educris|22.06.2022<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa lembrou a import\u00e2ncia da reciprocidade entre idosos e jovens e apelou a que uns e outros aprendam mutuamente pois [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294987794,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-586104750","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/586104750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=586104750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/586104750\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294987794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=586104750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=586104750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=586104750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}