{"id":683439312,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12923-irrompe-a-vida-e-a-pedra-e-as-vestes-da-morte-ficam-fora-de-servico"},"modified":"2025-11-07T16:34:00","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:00","slug":"irrompe-a-vida-e-a-pedra-e-as-vestes-da-morte-ficam-fora-de-servico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/irrompe-a-vida-e-a-pedra-e-as-vestes-da-morte-ficam-fora-de-servico\/","title":{"rendered":"\u00abIrrompe a vida, e a pedra e as vestes da morte ficam fora de servi\u00e7o!\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/jesus-cristo-mosaico-antigo_120918102356.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">At 10,34a.37-43; Sl 118; Cl 3,1-4 (1 Cor 5,6b-8); Jo 20,1-9<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. \u00abEsta \u00e9 a Obra do Senhor!\u00bb, assim gritava com \u00abvoz forte\u00bb (grito de Vit\u00f3ria e de Revela\u00e7\u00e3o) Jesus na Cruz, deci\u00adfrando a Cruz, recitando o Salmo 22 todo (entenda?se a meto\u00adn\u00edmia de Mateus 27,46 e Marcos 15,34, citando apenas o in\u00edcio: \u00abMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u00bb). Par\u00adticularmente ao longo da Semana Santa, dita \u00abGrande\u00bb ou \u00abdos Mist\u00e9rios\u00bb pela Igreja do Oriente, Deus exp\u00f4s (<em>pro\u00e9theto<\/em>) diante dos nossos olhos at\u00f3nitos \u2013 e logo a partir do Domingo de Ramos \u2013 o Rei Vitorioso no seu Trono de Gra\u00e7a e de Gl\u00f3ria, que \u00e9 a Cruz (veja?se aqui demoradamente Romanos 3,24?25), tomando posse da sua Igreja?Esposa para o efeito redimida na \u00ab\u00e1gua e no sangue\u00bb (Jo\u00e3o 19,34; Ef\u00e9sios 5,25?27), isto \u00e9, no Esp\u00edrito Santo, conforme ensina Jesus com \u00abvoz forte\u00bb (!) no grande texto de Jo\u00e3o 7,37-39. Para aqui apontava tamb\u00e9m a caminhada quaresmal, a qual \u2013 v\u00ea?se agora claramente \u2013 s\u00f3 daqui podia afinal ter partido. \u00c9 este \u00abo Mist\u00e9rio Grande\u00bb (Ef\u00e9sios 5,32) que nos foi dado a conhecer por Deus (Romanos 16,25?26; 1 Cor\u00edntios 2,7?10; Ef\u00e9sios 3,3?11; Colossenses 1,26?27). E s\u00f3 Deus pode dar tanto a conhecer (veja?se agora o texto espantoso de Ef 3,14?21). \u00c9 quanto Deus operou na Cruz! Por isso, exultamos e nos alegramos com a\u00a0<em>Char\u00e1<\/em>, a alegria grande da P\u00e1scoa, pois \u00abeste \u00e9 o Dia que o Senhor fez\u00bb (Salmo 118,24) e em que o Senhor nos fez! \u00c9 o \u00abPrimeiro Dia\u00bb (Mateus 28,1; Marcos 16,2 e 9; Lucas 24,1; Jo\u00e3o 20,1 e 19; Atos 20,7; 1 Cor\u00edntios 16,2), e tal permanecer\u00e1 para sempre (!), o \u00abDia do Senhor, o Dia Grande\u00bb (Atos 2,20; Apocalipse 1,10), o Domingo, todos os Domingos, o Ano Lit\u00fargico inteiro, o Ano da Gra\u00e7a do Senhor, em que a Igreja?Esposa, redi\u00admida, santificada, bela (apresentada no Apocalipse com voz forte!), celebra jubilosamente o seu Senhor, \u00e0 volta do al\u00adtar, do amb\u00e3o, do batist\u00e9rio: tudo \u00absinais\u00bb do t\u00famulo aberto do Senhor Ressuscitado, de onde jorra continuamente a vida e a mensagem da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Aleluia!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O Domingo de P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor oferece-nos o grande texto de Jo\u00e3o 20,1-9, com a descoberta do t\u00famulo aberto, mas n\u00e3o vazio! T\u00famulo aberto: a pedra muito grande (Marcos 16,4) do poder da morte tinha sido retirada, e o Anjo do Senhor sentou-se sobre ela (Mateus 28,2): impressionante imagem de soberania e vit\u00f3ria! Mas n\u00e3o vazio: est\u00e1, na verdade, cheio de\u00a0<em>sinais<\/em>, que \u00e9 preciso ler com aten\u00e7\u00e3o: um jovem sentado \u00e0 direita com uma t\u00fanica branca (Marcos 16,4); dois homens com vestes fulgurantes (Lucas 24,4); as faixas de linho no ch\u00e3o e o sud\u00e1rio enrolado em outro lugar (Jo\u00e3o 20,6-7). \u00c9 importante ler os\u00a0<em>sinais<\/em>\u00a0e ouvir as\u00a0<em>mensagens<\/em>! Se o t\u00famulo estivesse vazio, como vulgarmente e inadvertidamente dizemos, est\u00e1vamos perante uma aus\u00eancia cega e muda. Na verdade, os\u00a0<em>sinais<\/em>\u00a0e as\u00a0<em>mensagens<\/em>\u00a0mostram o abandono das vestes da morte e deixam entrever uma forma de vida nova que somos chamados a identificar.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. O texto imenso de Jo\u00e3o 20,1-9 coloca-nos ainda diante dos olhos o in\u00edcio de diferentes percursos por parte de diferentes figuras face aos sinais encontrados ou ainda n\u00e3o, lidos ou ainda n\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. A Madalena vai de manh\u00e3 cedo, ainda escuro, ao t\u00famulo, e v\u00ea (<em>bl\u00e9pei<\/em>), com um olhar normal (verbo grego\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>), um olhar que at\u00e9 causa afli\u00e7\u00e3o, a pedra\u00a0<em>retirada<\/em>\u00a0(<em>\u00earm\u00e9nos<\/em>) para sempre e por Deus (Jo\u00e3o 20,1), tal \u00e9 o significado imposto pela forma verbal\u00a0<em>\u00earm\u00e9nos<\/em>, partic\u00edpio perfeito passivo do verbo\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>. De facto, at\u00e9 d\u00f3i e aflige que se veja o inef\u00e1vel (a\u00e7\u00e3o de Deus!) como quem v\u00ea uma coisa qualquer, cegos como estamos tantas vezes pelos nossos preconceitos! Esta\u00a0<em>pedra para sempre retirada por Deus<\/em>\u00a0reclama e estabelece um claro contraponto com a\u00a0<em>pedra por algum tempo retirada<\/em>\u00a0<em>pelos homens<\/em>\u00a0do t\u00famulo de L\u00e1zaro. Chegado ao t\u00famulo de L\u00e1zaro, Jesus manda\u00a0<em>retirar<\/em>\u00a0(<em>\u00e1rate<\/em>: impv. aor. de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) a pedra (cf. Jo\u00e3o 11,39), e m\u00e3os humanas\u00a0<em>retiraram-na<\/em>\u00a0(<em>\u00earan<\/em>: aoristo de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) (cf. Jo\u00e3o 11,41) por algum tempo, pois L\u00e1zaro, trazido da morte por Jesus a esta vida terrena, vai naturalmente voltar a morrer. No que se refere ao t\u00famulo de Jesus, a Madalena, cega pelos seus preconceitos, falha a vis\u00e3o do inef\u00e1vel, e corre logo, equivocada e baralhada, a levar uma not\u00edcia falsa: \u00ab<em>Retiraram<\/em>\u00a0(<em>\u00earan<\/em>: aoristo do verbo\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) o Senhor do t\u00famulo, e n\u00e3o sabemos onde o puseram\u00bb (Jo\u00e3o 20,2). O que a Madalena diz, trocando o perfeito pass. pelo aoristo simples, \u00e9 que m\u00e3os humanas\u00a0<em>retiraram<\/em>\u00a0(ato hist\u00f3rico pontual) o Senhor do t\u00famulo. Mas o leitor atento e competente do IV Evangelho n\u00e3o estranha esta cegueira da Madalena. \u00c9 que o narrador informa-nos que ela anda ainda\u00a0<em>no escuro<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 20,1), e, no IV Evangelho, quem anda\u00a0<em>na noite<\/em>\u00a0e\u00a0<em>no escuro<\/em>, anda perdido na incompreens\u00e3o e na cegueira, e nada entende, e nada do que fa\u00e7a d\u00e1 bom resultado. A oposi\u00e7\u00e3o luz-trevas atravessa de l\u00e9s-a-l\u00e9s o inteiro texto do IV Evangelho. A Luz verdadeira que vem a este mundo para iluminar todos os homens \u00e9 Jesus (Jo\u00e3o 1,9). Sem esta Luz, que \u00e9 Jesus, andamos \u00e0s escuras, na noite, na cegueira, na dor, no fracasso, na incompet\u00eancia, na incompreens\u00e3o. \u00c9 assim, narrativamente \u2013 e, portanto, exemplarmente, para n\u00f3s, leitores \u2013, que somos levados a constatar como Nicodemos, que anda\u00a0<em>de noite<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 3,2) e nada entende, como os disc\u00edpulos que nada pescam\u00a0<em>de noite<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 21,3), e no meio do\u00a0<em>escuro<\/em>\u00a0andam perdidos (Jo\u00e3o 6,17-18), como o\u00a0<em>homem da noite<\/em>\u00a0na noite perdido, que \u00e9 Judas (Jo\u00e3o 13,30; 18,3), enfim, como Pedro, perdido no p\u00e1tio da<em>\u00a0noite<\/em>\u00a0e no meio dos guardas (Jo\u00e3o 18,17-18).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. A not\u00edcia levada pela Madalena p\u00f5e em movimento Sim\u00e3o Pedro e \u00abo outro disc\u00edpulo\u00bb. Anote?se a progress\u00e3o e repare-se atentamente nos verbos utilizados: 1) Maria Madale\u00adna vai ao t\u00famulo, e\u00a0<em>v\u00ea<\/em>\u00a0(<em>bl\u00e9pei<\/em>) a pedra(da morte)\u00a0<em>retirada<\/em>. 2) \u00abO outro disc\u00edpulo\u00bb, corria juntamente com Pedro, mas chegou primeiro (!), inclina-se e\u00a0<em>v\u00ea<\/em>\u00a0(<em>bl\u00e9pei<\/em>) as faixas de linho no ch\u00e3o. 3) Pedro, que corria juntamente com \u00abo outro disc\u00edpulo\u00bb, mas SEGUINDO-O e chegando depois\u2026 Na verdade, ainda em Jo\u00e3o 18,15, os dois SEGUIAM Jesus, que \u00e9 a correta postura do disc\u00edpulo. Pedro, por\u00e9m, n\u00e3o SEGUIU Jesus at\u00e9 ao fim: ficou ali estacionado no p\u00e1tio do Sumo-Sacerdote! Mais do que isso e pior do que isso, em vez de estar\u00a0<em>com Jesus<\/em>, Pedro ficou\u00a0<em>com os guardas<\/em>, a aquecer-se\u00a0<em>com os guardas<\/em>! (Jo\u00e3o 18,18). Pedro, portanto, n\u00e3o fez o curso ou o percurso de disc\u00edpulo de Jesus at\u00e9 ao fim, at\u00e9 \u00e0 Cruz e ao t\u00famulo! Digamos, \u00e0 nossa maneira, que deixou por fazer umas quantas unidades curriculares. \u00c9 por isso que agora tem de SEGUIR algu\u00e9m que tenha SEGUIDO Jesus at\u00e9 ao fim. \u00c9 por isso, e s\u00f3 por isso \u2013 nada tem a ver com idades (Pedro mais idoso, \u00abo outro disc\u00edpulo\u00bb mais jovem!) \u2013 que Pedro tem agora de SEGUIR \u00abo outro disc\u00edpulo\u00bb, chegando naturalmente ao t\u00famulo atr\u00e1s dele. Note-se ainda que, n\u00e3o obstante um ir \u00e0 frente e o outro atr\u00e1s, correm\u00a0<em>os dois juntos<\/em>. \u00c9 aquilo que ainda hoje vemos na catequese e na mistagogia crist\u00e3s: corremos\u00a0<em>sempre juntos<\/em>, mas algu\u00e9m vai \u00e0 frente, para ensinar o caminho aos outros! Bel\u00edssima comunh\u00e3o em corrida!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Pedro, que corria juntamente com \u00abo outro disc\u00edpulo\u00bb, mas SEGUINDO-O, entra no t\u00famulo que \u00abo outro disc\u00edpulo\u00bb cuidadosamente sinaliza e lhe aponta (ele \u00e9 o grande sinalizador de Jesus: veja-se Jo\u00e3o 13,24 e 21,7), e\u00a0<em>v\u00ea<\/em>\u00a0(<em>the\u00f4re\u00ee<\/em>, ind. presente do verbo\u00a0<em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>: um\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0que d\u00e1 que pensar e que abre para a f\u00e9: cf. Jo\u00e3o 2,23; 4,19; 6,2.19.40.62) as faixas de linho no ch\u00e3o e o sud\u00e1rio que cobrira o Rosto de Jesus, \u00e0 parte, dobrado cuidadosamente, como \u00absinal\u00bb do Corpo ausente do Ressuscitado! Conclus\u00e3o: o corpo de Jesus n\u00e3o foi roubado, como sup\u00f4s a Madalena equivocada! Os ladr\u00f5es n\u00e3o costumam deixar a casa roubada com tanta ordem, aprumo e esmero! Por isso, Pedro\u00a0<em>v\u00ea<\/em>\u00a0com o olhar de quem fica a pensar no que ter\u00e1 acontecido\u2026 Olhando para tr\u00e1s, pode comparar-se com o que se passou com L\u00e1zaro. Por ordem de Jesus, m\u00e3os humanas\u00a0<em>retiraram<\/em>\u00a0por algum tempo a pedra que tapava o t\u00famulo de L\u00e1zaro (cf. Jo\u00e3o 11,41). Por ordem de Jesus, L\u00e1zaro saiu do t\u00famulo com as vestes da morte, com as faixas da morte a prenderem-lhe os p\u00e9s e as m\u00e3os e o sud\u00e1rio a tapar-lhe o rosto (cf. Jo\u00e3o 11,44a). Foi mesmo necess\u00e1ria uma nova ordem de Jesus para que o libertassem e o deixassem ir (cf. Jo\u00e3o 11,44b). Em contraponto, a pedra agora da morte\u00a0<em>retirada<\/em>\u00a0para sempre e por Deus faz ver que o poder da morte n\u00e3o tem ali mais qualquer dom\u00ednio. E a indica\u00e7\u00e3o preciosa de que as faixas da morte estavam estendidas no ch\u00e3o, inutilizadas, e que o sud\u00e1rio se apresentava cuidadosamente dobrado fazem ver a Pedro que o que ali aconteceu n\u00e3o foi obra de ladr\u00f5es, mas Pedro ainda n\u00e3o est\u00e1 apto para compreender o que fazem ali as vestes da morte deixadas para tr\u00e1s (Jo\u00e3o 20,6-7).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. \u00abO outro disc\u00edpulo\u00bb entrou depois de Pedro no t\u00famulo,\u00a0<em>viu<\/em>\u00a0a mesma coisa, mas com olhos diferentes e de forma diferente.\u00a0<em>Viu<\/em>\u00a0por dentro,\u00a0<em>viu<\/em>\u00a0a\u00a0<em>identidade<\/em>. O verbo empregado j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o de Pedro, que era o verbo\u00a0<em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>, que indica que quem v\u00ea, fica a pensar no significado do que v\u00ea. \u00abO outro disc\u00edpulo\u00bb entrou no t\u00famulo, e\u00a0<em>viu<\/em>\u00a0de modo absoluto (<em>e\u00eeden<\/em>: ind. aoristo de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>), com o olhar pr\u00f3prio de quem v\u00ea a\u00a0<em>identidade<\/em>. Por isso, \u00abo outro disc\u00edpulo\u00bb deu um passo em frente:\u00a0<em>viu<\/em>\u00a0e\u00a0<em>acreditou<\/em>\u00a0de modo absoluto (Jo\u00e3o 20,8). Todavia, o narrador fecha a cena dizendo que \u00abainda n\u00e3o tinham entendido a Escritura, que dizia que Ele devia (<em>de\u00ee<\/em>) ressuscitar dos mortos\u00bb (Jo\u00e3o 20,9). A capacidade de compreens\u00e3o dos disc\u00edpulos habilitava-os a entender o que podiam entender: que o final da vida terrena de Jesus estava ali, naquela morte na cruz e naquele t\u00famulo, onde ele jazia envolvido nas faixas da morte (cf. Jo\u00e3o 19,40). Agora j\u00e1 sabem que as faixas no ch\u00e3o estendidas e o sud\u00e1rio cuidadosamente dobrado s\u00e3o\u00a0<em>sinais<\/em>, que ainda ter\u00e3o de aprender a ler; como ter\u00e3o tamb\u00e9m de aprender a ler a Cruz de Jesus como \u00abObra do Senhor\u00bb (Salmo 22,32), bem como outros\u00a0<em>sinais<\/em>\u00a0que Jesus recomendou, para evitar equ\u00edvocos, que apenas fossem falados depois de o Filho do Homem ressuscitar dos mortos (Marcos 9,9). Ser\u00e1, portanto, o encontro com o Senhor Ressuscitado que habilitar\u00e1 os disc\u00edpulos de todos os tempos a compreenderem a Escritura (cf. Jo\u00e3o 2,22) e a interpretarem tudo o que ela diz sobre Jesus (Atos 2,24-31; 13,32-37).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. \u00c9 verdade que \u00e0 pergunta fundamental de Jesus aos seus disc\u00edpulos, estrategicamente colocada no centro do Evangelho: \u00abQuem dizeis v\u00f3s que Eu Sou?\u00bb, Pedro reconheceu e confessou Jesus como \u00abo Cristo, o Filho do Deus vivo\u00bb (Mateus 16,16). Mas op\u00f5e-se logo energicamente \u00e0s palavras de Jesus (Mateus 16,22), quando Ele anuncia que vai ter de sofrer muito e morrer e ressuscitar ao terceiro dia (Mateus 16,21). Pedro e os disc\u00edpulos sabem bem o que \u00e9 o sofrimento e a morte, mas n\u00e3o t\u00eam qualquer no\u00e7\u00e3o do que possa ser a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. Marcos 9,10 observa que os disc\u00edpulos \u00abse interrogavam entre eles sobre o que fosse ressuscitar dos mortos\u00bb. Al\u00e9m disso, h\u00e3o de eles certamente ter pensado, para que nos serve um Messias que sofre e morre? Para isto, os disc\u00edpulos n\u00e3o t\u00eam necessidade dele, pois sabem que h\u00e3o de sofrer e morrer mesmo sem ele. Do Messias, os disc\u00edpulos, como os judeus em geral, esperavam que viesse p\u00f4r fim ao sofrimento e \u00e0 morte, e que os viesse libertar, a eles e a todos, dessa triste realidade.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. O que n\u00e3o compreendem agora, compreend\u00ea-lo-\u00e3o mais tarde, quando souberem a Escritura e experimentarem a for\u00e7a (<em>d\u00fdnamis<\/em>) da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo (Filipenses 3,10-11). Reconhecer\u00e3o ent\u00e3o em Jesus Aquele que veio do outro lado do nosso mundo de sofrimento e de morte, Aquele que veio de Deus, para trazer \u00e0 humanidade, na sua pessoa, a vida de Deus e a plena comunh\u00e3o com Ele. Verdadeiramente, a vida, a vida mesmo, \u00e9 uni\u00e3o e comunh\u00e3o com Deus. E esta vida divina, dada por Jesus \u00e0 humanidade, atravessa a morte, mas n\u00e3o se extingue nem se apaga na morte. A uni\u00e3o e comunh\u00e3o com Deus, a n\u00f3s dada por Jesus, n\u00e3o conhece fim nem decaimento nem qualquer tipo de par\u00eantesis. O verdadeiro dom que Jesus nos traz n\u00e3o consiste numa vida terrena que se prolonga sempre, digamos uma vida terrena sem morte terrena, mas na vida em comunh\u00e3o com Deus, esta sim, inextingu\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Os primeiros crist\u00e3os rapidamente fizeram do Santo Sepulcro o seu primeiro e mais venerado lugar de culto, que o Imperador Adriano (117-138) soterrou e paganizou, estabelecendo ali cultos pag\u00e3os (no lugar da Ressurrei\u00e7\u00e3o, colocou a est\u00e1tua de J\u00fapiter, e, no Calv\u00e1rio, p\u00f4s uma est\u00e1tua de V\u00e9nus em m\u00e1rmore), com o intuito de desviar deles os crist\u00e3os. O mesmo fez em todos os lugares santos da Palestina. Todavia, Em 326, Santa Helena, m\u00e3e do imperador Constantino, que a\u00ed ter\u00e1 descoberto a Cruz do Senhor, mandou demolir as constru\u00e7\u00f5es pag\u00e3s, e vieram \u00e0 luz outra vez os primitivos e venerados lugares crist\u00e3os, que foram ent\u00e3o englobados num magn\u00edfico edif\u00edcio Constantiniano, consagrado no dia 13 de Setembro do ano 335, e que era formado pela\u00a0<em>An\u00e1stasis<\/em>, grandioso mausol\u00e9u que guardava no centro o Santo Sepulcro, o Triplo P\u00f3rtico, que abrigava o rochedo do G\u00f3lgota, e o\u00a0<em>Martyrium<\/em>, que guardava o lugar da crucifix\u00e3o e morte do Senhor. No dia imediatamente a seguir \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica, 14 de Setembro desse ano 335, teve lugar e origem a venera\u00e7\u00e3o da Cruz de Cristo, hoje, Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz. Esta comemora\u00e7\u00e3o ganhou novo relevo quando, em 630, o imperador Er\u00e1clio derrotou os Persas, e as rel\u00edquias da Cruz foram trazidas processionalmente para Jerusal\u00e9m. Esta bela Bas\u00edlica Constantiniana foi danificada por diversas invas\u00f5es e ocupa\u00e7\u00f5es. A atual Bas\u00edlica do Santo Sepulcro, que os ortodoxos e os \u00e1rabes chamam\u00a0<em>An\u00e1stasis<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Qiyama<\/em>, termos que em grego e \u00e1rabe significam \u00abRessurrei\u00e7\u00e3o\u00bb, \u00e9 fruto de cinquenta anos de trabalho dos Cruzados (1099-1149). Aqui est\u00e3o guardadas as mais fundas ra\u00edzes da nossa vida crist\u00e3, hoje quase uma esp\u00e9cie de \u00abcondom\u00ednio\u00bb de tr\u00eas Igrejas crist\u00e3s, infelizmente separadas entre si: a igreja greco-ortodoxa, a romano-cat\u00f3lica e a armena. Aqui se sente ao vivo a mesma e comum f\u00e9 pascal, mas tamb\u00e9m o drama da separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Na Leitura que hoje escutamos do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (10,34-43), os Ap\u00f3stolos d\u00e3o testemunho do que viram. Foi?lhes dado ver exatamente para dar teste\u00admunho. Viram e testemunham o Batismo de Jesus, a execu\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o filial batismal, a sua Morte na Cruz, a sua Ressurrei\u00ad\u00e7\u00e3o Gloriosa, a sua Vinda Gloriosa. Mas os Ap\u00f3stolos insistem que tamb\u00e9m os Profetas [= Antigo Testamento] d\u00e3o testemunho d\u2019Ele Ressuscitado, no qual se cumpre para n\u00f3s a \u00abremiss\u00e3o dos pecados\u00bb, o Jubileu divino do Esp\u00edrito Santo (v. 43). A base prof\u00e9tica \u00e9 imponente: Jeremias 31,34; Isa\u00edas 33,24; 53,5?6; 61,1; Ezequiel 34,16; Daniel 9,24. Ver depois Jo\u00e3o 20,19?23. \u00abAs Escrituras\u00bb (ent\u00e3o o Antigo Testamento) apontam para o Ressuscitado! O Ressuscitado remete para \u00abas Escrituras\u00bb. Cumplicidade entre o Ressuscitado e \u00abas Escrituras\u00bb. Na verdade, o Ressuscitado cumpre e enche as \u00abEscrituras\u00bb. N\u00e3o est\u00e1 depois delas ou no fim delas. Est\u00e1 dentro delas, no meio delas, f\u00e1-las transbordar, transborda delas.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. O Cap\u00edtulo III da Carta aos Colossenses (3,1-4) trata a \u00abvida nova\u00bb em Cristo, que \u00e9 vida batismal, operada pelo Esp\u00edrito Santo que faz morrer e renascer na Fonte da Gra\u00e7a. Por isso, adverte solenemente Paulo: \u00abprocurai as coi\u00adsas do alto\u00bb (v. 1), \u00abpensai as coisas do alto\u00bb (v. 2), exorta\u00ad\u00e7\u00e3o que ecoa ainda no Di\u00e1logo que antecede o Pref\u00e1cio: \u00abCora\u00e7\u00f5es ao alto!\u00bb, a que respondemos com a alegria e a sabedoria do Esp\u00edrito: \u00abO nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 em Deus!\u00bb, enquanto ecoa ainda em cada cora\u00e7\u00e3o habitado pelo Esp\u00edrito o \u00abGl\u00f3ria a Deus nas alturas!\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">13. Em alternativa a Colossenses 3,1-4, pode ler-se e escutar-se 1 Cor\u00edntios 5,6-8. A sua linguagem \u00e9 da cor da P\u00e1scoa (grego\u00a0<em>p\u00e1scha<\/em>, hebraico\u00a0<em>pesah<\/em>). O Novo Testamento usa o termo grego\u00a0<em>p\u00e1scha<\/em>\u00a0[= P\u00e1scoa] por 28 vezes, assim distribu\u00eddas: 24 vezes nos Evangelhos + Atos 12,4 e Hebreus 11,28, todas em refer\u00eancia exclusiva \u00e0 P\u00e1scoa hebraica do Antigo Testamento; as duas men\u00e7\u00f5es que faltam s\u00e3o precisamente 1 Cor\u00edntios 5,7 e Lucas 22,15, esta com o precioso\u00a0<em>l\u00f3gion<\/em>\u00a0de Jesus: \u00abDesejei ardentemente esta P\u00e1scoa (<em>to\u00fbto t\u00f2 p\u00e1scha<\/em>) comer convosco\u00bb. Em 1 Cor\u00edntios 5,7, lemos a express\u00e3o\u00a0<em>t\u00f2 p\u00e1scha h\u00eam\u00f4n et\u00fdth\u00ea Christ\u00f3s<\/em>, cuja tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser \u00abCristo, a nossa P\u00e1scoa, foi imolado\u00bb, como se v\u00ea habitualmente, mas \u00abdurante a nossa P\u00e1scoa (hebraica), foi imolado Cristo\u00bb. Os motivos s\u00e3o gramaticais (<em>t\u00f2 p\u00e1scha h\u00eam\u00f4n<\/em>\u00a0\u00e9 um acusativo adverbial) e teol\u00f3gicos: o cordeiro da p\u00e1scoa n\u00e3o \u00e9 um sacrif\u00edcio imolado; n\u00e3o \u00e9 queimado sobre o altar; n\u00e3o \u00e9 oferecido ao Senhor (s\u00f3 o que \u00e9 oferecido ao Senhor \u00e9 sacrif\u00edcio); \u00e9 convivialmente comido em fam\u00edlia. Sacrif\u00edcio da P\u00e1scoa era a\u00a0<em>?\u00f4lat-tamid<\/em>, o holocausto perp\u00e9tuo, di\u00e1rio, o sacrif\u00edcio de dois cordeiros, filhos de um ano, um de manh\u00e3 e outro de tarde, conforme \u00caxodo 29,38-42 e N\u00fameros 28,3-8, e que, sendo di\u00e1rio, precedia qualquer celebra\u00e7\u00e3o festiva. S\u00f3 depois deste sacrif\u00edcio quotidiano, se procedia, em dias de festa, como \u00e9 a P\u00e1scoa, ao sacrif\u00edcio da festa propriamente dito, sacrif\u00edcio suplementar, e que, na P\u00e1scoa, consistia num \u00absacrif\u00edcio de ovelhas e bois\u00bb, este sim, \u00abP\u00e1scoa imolada para o Senhor\u00bb (Deuteron\u00f3mio 16,2). De notar tamb\u00e9m que o Novo Testamento desconhece em absoluto o adjetivo \u00abpascal\u00bb, de que n\u00f3s fazemos uso indiscriminado, e n\u00e3o pensado. A restante linguagem da cor da P\u00e1scoa que 1 Cor\u00edntios 5,6-8 mostra \u00e9 o fermento (<em>hamets<\/em>) e os p\u00e3es \u00e1zimos (<em>matsts\u00f4t<\/em>). Servem os termos para Paulo reclamar dos crist\u00e3os vida nova (p\u00e3es \u00e1zimos), sem mal\u00edcia (fermento velho).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At 10,34a.37-43; Sl 118; Cl 3,1-4 (1 Cor 5,6b-8); Jo 20,1-9 1. \u00abEsta \u00e9 a Obra do Senhor!\u00bb, assim gritava [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2199633752,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-683439312","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/683439312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=683439312"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/683439312\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994953,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/683439312\/revisions\/4294994953"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2199633752"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=683439312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=683439312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=683439312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}