{"id":684413314,"date":"2023-11-20T00:00:00","date_gmt":"2023-11-20T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/12607-vaticano-verifiquemos-com-que-espirito-estamos-a-enfrentar-a-viagem-da-vida-pede-o-papa"},"modified":"2023-11-20T00:00:00","modified_gmt":"2023-11-20T00:00:00","slug":"vaticano-verifiquemos-com-que-espirito-estamos-a-enfrentar-a-viagem-da-vida-pede-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/vaticano-verifiquemos-com-que-espirito-estamos-a-enfrentar-a-viagem-da-vida-pede-o-papa\/","title":{"rendered":"Vaticano: \u00abVerifiquemos com que esp\u00edrito estamos a enfrentar a viagem da vida\u00bb, pede o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_sinodo_2023_231030100142.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>O Papa Francisco assinalou ontem, com uma eucaristia seguida de almo\u00e7o, o Dia Mundial dos Pobres. Na sua homilia, e meditando sobre o evangelho deste domingo, que apresenta a Par\u00e1bola dos Talentos, Francisco desafiou os crentes a &#8220;multiplica os dons recebidos&#8221; e a p\u00f4r em &#8220;circula\u00e7\u00e3o a caridade, partilhemos o nosso p\u00e3o, multipliquemos o amor&#8221; pois &#8220;a pobreza \u00e9 um esc\u00e2ndalo<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre<\/p>\n<p>Tr\u00eas homens veem-se na posse duma enorme riqueza, gra\u00e7as \u00e0 generosidade do seu senhor, que est\u00e1 de sa\u00edda para uma longa viagem. Um dia, por\u00e9m, vai regressar e convocar\u00e1 aqueles servos, esperando poder alegrar-se com eles pela forma como, entretanto, fizeram render os seus bens. Assim, a par\u00e1bola que ouvimos (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a025, 14-30) convida-nos a deter-nos em dois percursos:\u00a0<em>a viagem de Jesus e a viagem da nossa vida.<\/em><\/p>\n<p><em>A viagem de Jesus<\/em>. No in\u00edcio da par\u00e1bola, Ele fala de \u00abum homem que, ao partir para fora, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens\u00bb (25, 14). Esta viagem faz pensar no pr\u00f3prio mist\u00e9rio de Cristo, Deus feito homem, com a sua ressurrei\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o ao C\u00e9u. Com efeito, Ele que desceu do seio do Pai para vir ao encontro da humanidade, morrendo, destruiu a morte e, ressuscitando, retornou ao Pai. Assim Jesus, tendo terminado a sua exist\u00eancia terrena, realiza a \u00abviagem de regresso\u00bb para junto do Pai. Mas, antes de partir, confiou-nos os seus bens, os seus talentos, um verdadeiro \u00abcapital\u00bb: deixou a Si mesmo na Eucaristia, a sua Palavra de vida, a sua santa M\u00e3e como nossa M\u00e3e, e distribuiu os dons do Esp\u00edrito Santo para podermos continuar a sua obra no mundo. Tais \u00abtalentos\u00bb s\u00e3o concedidos \u00aba cada qual \u2013 especifica o Evangelho \u2013 segundo a sua capacidade\u00bb (25, 15) e, naturalmente, para uma miss\u00e3o pessoal que o Senhor nos confia na vida quotidiana, na sociedade e na Igreja. O mesmo afirma o ap\u00f3stolo Paulo: \u00aba cada um de n\u00f3s foi dada a gra\u00e7a, segundo a medida do dom de Cristo. Por isso se diz: Ao subir \u00e0s alturas, levou cativos em cativeiro, deu d\u00e1divas aos homens\u00bb (<em>Ef<\/em>\u00a04, 7-8).<\/p>\n<p>Mas, voltemos a fixar o olhar em Jesus, que recebeu tudo das m\u00e3os do Pai, mas n\u00e3o reteve para Si esta riqueza, \u00abn\u00e3o considerou um privil\u00e9gio ser igual a Deus, mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a condi\u00e7\u00e3o de servo\u00bb (<em>Flp<\/em>\u00a02, 6-7). Revestiu-Se da nossa fr\u00e1gil humanidade, cuidou como bom samaritano das nossas feridas, fez-Se pobre para nos enriquecer com a vida divina (cf.\u00a0<em>2 Cor<\/em>\u00a08, 9), subiu \u00e0 cruz. A Ele, que n\u00e3o tinha pecado, \u00abDeus o fez pecado por n\u00f3s\u00bb (<em>2 Cor<\/em>\u00a05, 21),\u00a0<em>em nosso favor<\/em>. Jesus viveu em nosso favor. Foi isto que animou a sua viagem pelo mundo, antes de voltar ao Pai.<\/p>\n<p>Mas a par\u00e1bola de hoje diz-nos ainda que \u00abvoltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a025, 19). Com efeito, \u00e0 primeira viagem rumo ao Pai, seguir-se-\u00e1 outra que Jesus h\u00e1 de realizar no fim dos tempos, quando voltar na gl\u00f3ria e quiser encontrar-nos de novo, para \u00abfazer um balan\u00e7o\u00bb, o balan\u00e7o da hist\u00f3ria, e introduzir-nos na alegria da vida eterna. Por isso devemos perguntar-nos: Como nos encontrar\u00e1 o Senhor, quando voltar? Como me apresentarei eu ao encontro com Ele?<\/p>\n<p>Esta pergunta leva-nos ao segundo momento: \u00e0<em>\u00a0viagem da nossa vida<\/em>. Que estrada estamos n\u00f3s a percorrer na nossa vida: a de Jesus que se fez dom ou a estrada do ego\u00edsmo? A das m\u00e3os abertas para os outros, para dar e nos darmos, ou a das m\u00e3os fechadas para ter mais e cuidar apenas de n\u00f3s mesmos? A par\u00e1bola diz-nos que cada um de n\u00f3s recebeu os \u00abtalentos\u00bb, segundo as pr\u00f3prias capacidades e possibilidades. Mas, aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o nos deixemos enganar pela linguagem habitual! Aqui n\u00e3o se trata das capacidades pessoais, mas \u2013 como diz\u00edamos \u2013 dos bens do Senhor, daquilo que Cristo nos deixou ao regressar ao Pai. Com eles, deu-nos o seu Esp\u00edrito, no qual nos tornamos filhos de Deus e gra\u00e7as ao qual podemos dedicar a nossa vida a dar testemunho do Evangelho e construir o Reino de Deus. O grande \u00abcapital\u00bb, que foi colocado nas nossas m\u00e3os, \u00e9 o amor do Senhor, fundamento da nossa vida e for\u00e7a do nosso caminho.<\/p>\n<p>Por isso devemos perguntar-nos: Que fa\u00e7o eu dum dom t\u00e3o grande ao longo da viagem da minha vida? A par\u00e1bola diz-nos que os dois primeiros servos multiplicam o dom recebido, enquanto o terceiro, em vez de confiar no seu senhor, que lho dera, tem medo dele e fica como que paralisado, n\u00e3o arrisca, n\u00e3o se empenha, acabando por enterrar o talento. Isto aplica-se tamb\u00e9m a n\u00f3s: podemos multiplicar o que recebemos, fazendo da vida uma oferta de amor pelos outros, ou ent\u00e3o podemos viver bloqueados por uma falsa imagem de Deus e, com medo, esconder debaixo da terra o tesouro que recebemos, pensando s\u00f3 em n\u00f3s mesmos, sem nos apaixonarmos por nada al\u00e9m das nossas comodidades e interesses, sem nos comprometermos. Ponhamo-nos uma pergunta, muito clara. Os dois primeiros, negociando com os talentos, arriscam; e eu pergunto-me: \u00abArrisco na minha vida? Arrisco com a for\u00e7a da minha f\u00e9? Como crist\u00e3, como crist\u00e3o, sei arriscar ou fecho-me em mim pr\u00f3prio por medo ou por pusilanimidade?\u00bb<\/p>\n<p>Pois bem, meus irm\u00e3os e irm\u00e3s! Neste Dia Mundial dos Pobres, a par\u00e1bola dos talentos \u00e9 uma advert\u00eancia para verificar com que esp\u00edrito estamos a enfrentar a viagem da vida. Recebemos do Senhor o dom do seu amor e somos chamados a tornar-nos dom para os outros. O amor com que Jesus cuidou de n\u00f3s, o azeite da miseric\u00f3rdia e da compaix\u00e3o com que tratou as nossas feridas, a chama do Esp\u00edrito com que abriu os nossos cora\u00e7\u00f5es \u00e0 alegria e \u00e0 esperan\u00e7a, s\u00e3o bens que n\u00e3o podemos guardar s\u00f3 para n\u00f3s, administrar \u00e0 nossa vontade ou esconder debaixo da terra. Cumulados de dons, somos chamados a fazer-nos dom. N\u00f3s que temos recebido tantos dons, devemos fazer-nos dom para os outros. As imagens usadas pela par\u00e1bola s\u00e3o muito eloquentes: se n\u00e3o multiplicarmos o amor ao nosso redor, a vida some-se nas trevas; se n\u00e3o colocarmos em circula\u00e7\u00e3o os talentos recebidos, a exist\u00eancia acaba debaixo da terra, ou seja, como se j\u00e1 estiv\u00e9ssemos mortos (cf. 25, 25.30). Irm\u00e3os e irm\u00e3s, quantos crist\u00e3os subterrados! Quanto crist\u00e3os vivem a f\u00e9 como se estivessem sob terra!<\/p>\n<p>Por isso pensemos nas in\u00fameras pobrezas materiais, pobrezas culturais, pobrezas espirituais do nosso mundo; pensemos nas exist\u00eancias feridas que povoam as nossas cidades, nos pobres tornados invis\u00edveis, cujo grito de dor \u00e9 sufocado pela indiferen\u00e7a geral duma sociedade atarefada e distra\u00edda\u2026 Depois, quando pensamos na pobreza, n\u00e3o devemos esquecer o pudor: a pobreza \u00e9 p\u00fadica, esconde-se. Temos n\u00f3s de ir procur\u00e1-la, com coragem. Pensemos em quantos est\u00e3o oprimidos, cansados, marginalizados, nas v\u00edtimas das guerras e naqueles que deixam a sua terra arriscando a vida; naqueles que est\u00e3o sem p\u00e3o, sem trabalho e sem esperan\u00e7a. Tanta pobreza di\u00e1ria. E n\u00e3o se trata de um, dois ou tr\u00eas: s\u00e3o uma multid\u00e3o; os pobres s\u00e3o uma multid\u00e3o. E quando se pensa nesta multid\u00e3o imensa de pobres, a mensagem do Evangelho resulta clara: n\u00e3o enterremos os bens do Senhor! Ponhamos em circula\u00e7\u00e3o a caridade, partilhemos o nosso p\u00e3o, multipliquemos o amor! A pobreza \u00e9 um esc\u00e2ndalo. Sim, a pobreza \u00e9 um esc\u00e2ndalo. Quando o Senhor voltar, pedir-nos-\u00e1 contas e \u2013 como escreve Santo Ambr\u00f3sio \u2013 dir-nos-\u00e1: \u00abPorqu\u00ea tolerastes que tantos pobres morressem de fome, quando dispunhas de ouro com o qual obter alimento para lhes dar? Porqu\u00ea tantos escravos foram vendidos e maltratados pelos inimigos, sem que ningu\u00e9m fizesse nada para os resgatar?\u00bb (<em>Os Deveres dos Ministros<\/em>:\u00a0<em>PL<\/em>\u00a016, 148-149).<\/p>\n<p>Rezemos para que cada um, segundo o dom recebido e a miss\u00e3o que lhe foi confiada, se comprometa a \u00abp\u00f4r a render a caridade\u00bb \u2013 p\u00f4r a render a caridade \u2013 e a aproximar-se de qualquer pobre. Rezemos para que tamb\u00e9m n\u00f3s, no termo da nossa viagem, depois de ter acolhido Cristo nestes irm\u00e3os e irm\u00e3s com quem Ele pr\u00f3prio Se identificou (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a025, 40), possamos ouvir dizer-nos: \u00abMuito bem, servo bom e fiel (\u2026). Entra no gozo do teu senhor\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a025, 21).<\/p>\n<p>Imagem: Ricardo Perna<\/p>\n<p>Educris|20.11.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Francisco assinalou ontem, com uma eucaristia seguida de almo\u00e7o, o Dia Mundial dos Pobres. 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