{"id":71683245,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12016-domingo-ii-da-quaresma-transfiguracao-uma-licao-para-os-discipulos"},"modified":"2025-11-07T16:33:54","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:54","slug":"domingo-ii-da-quaresma-transfiguracao-uma-licao-para-os-discipulos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-ii-da-quaresma-transfiguracao-uma-licao-para-os-discipulos\/","title":{"rendered":"Domingo II da Quaresma: \u00abTransfigura\u00e7\u00e3o: Uma li\u00e7\u00e3o para os disc\u00edpulos\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Batizado no Jord\u00e3o, tentado no deserto como Israel, mas Vitorioso, ap\u00f3s o jejum preambular de prepara\u00e7\u00e3o para o in\u00edcio da sua miss\u00e3o na Galileia, Jesus come\u00e7ou a executar o seu programa filial batismal que tem por meta a Cruz Gloriosa (Batismo consumado!) em que n\u00f3s somos por Ele batizados com o fogo e com o Esp\u00edrito Santo (sempre o luminoso texto de Lucas 12,49-50). Entre o Jord\u00e3o e a Cruz Gloriosa, e imediatamente depois do an\u00fancio da sua Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o, dados n\u00e3o compreendidos e contestados por Pedro e pelos outros disc\u00edpulos (Mateus 16), a\u00ed est\u00e1 Hoje, Domingo II da Quaresma, o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o (Mateus 17,1-9) \u2013 Luz incriada e inacess\u00edvel (Mateus 17,2; cf. Salmo 104,2; 1 Tim\u00f3teo 6,16) que investe a Humanidade de Jesus: experi\u00eancia moment\u00e2nea da Ressurrei\u00e7\u00e3o \u2013, mediante a qual o Pai confirma o Filho na sua miss\u00e3o filial batismal, j\u00e1 iniciada, mas ainda n\u00e3o consumada, e confirma tamb\u00e9m os disc\u00edpulos, ainda confusos e perplexos, em ordem \u00e0 sua miss\u00e3o futura. Que a Transfigura\u00e7\u00e3o deve ser vista \u00e0 luz da Ressurrei\u00e7\u00e3o, fica bem patente no dizer das Igrejas do Oriente que chamam \u00e0 Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o, que se celebra no dia 6 de Agosto, \u00aba P\u00e1scoa do ver\u00e3o\u00bb. Mas est\u00e1 tamb\u00e9m claro na ordem taxativa dada por Jesus aos seus disc\u00edpulos ao descer do monte: \u00abA ningu\u00e9m digais esta vis\u00e3o at\u00e9 que o Filho do Homem seja Ressuscitado dos mortos\u00bb (Mateus 17,9).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Jesus imp\u00f5e, portanto, na nossa pauta musical, pausa e bemol. N\u00e3o podemos dizer a Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor antes da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, ou fora dela. E n\u00e3o podemos, porque n\u00e3o sabemos. E n\u00e3o sabemos, porque \u00e9 s\u00f3 o Ressuscitado que faz vir o Esp\u00edrito Santo sobre n\u00f3s. Veja-se a li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, com Pedro a explicar assim o Pentecostes \u00e0 multid\u00e3o: \u00abEste Jesus, Deus o Ressuscitou, e disto todos n\u00f3s somos testemunhas. Exaltado \u00e0 direita de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Esp\u00edrito Santo, derramou-o, e \u00e9 o que vedes e ouvis\u00bb (2,32-33). E o coment\u00e1rio preciso e precioso do narrador \u00e0s palavras que Jesus acabava de proferir: \u00abIsto disse do Esp\u00edrito que haviam de receber os que tinham acreditado n\u2019Ele, pois n\u00e3o havia ainda Esp\u00edrito [para n\u00f3s], porque Jesus ainda n\u00e3o tinha sido glorificado\u00bb (Jo\u00e3o 7,39). Pausa e bemol, porque importa que n\u00e3o sejamos n\u00f3s a falar. Importa que seja o Esp\u00edrito Santo a falar em n\u00f3s. Toda a aten\u00e7\u00e3o ainda, neste sentido, para o grande dizer de Jesus: \u00abQuando vos entregarem, n\u00e3o vos preocupeis com\/ou como\u00a0<em>falais<\/em>\u00a0(<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>). Ser-vos-\u00e1 dado naquela hora o que\u00a0<em>falar<\/em>\u00a0(<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>). Na verdade, n\u00e3o sois v\u00f3s que\u00a0<em>falais<\/em>\u00a0(<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>), mas ser\u00e1 o Esp\u00edrito do vosso PAI que\u00a0<em>falar\u00e1<\/em>\u00a0(<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>) em v\u00f3s\u00bb (Mateus 10,19-20). Portanto, antes e fora da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, antes e fora do Esp\u00edrito Santo sobre n\u00f3s derramado, n\u00f3s n\u00e3o podemos nem sabemos dizer sobre Jesus seja o que for que fa\u00e7a algum sentido na ordem do divino. Apenas podemos debitar alguns dados da ordem da hist\u00f3ria, da geografia, da sociologia\u2026<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. O famoso texto de Mateus 17, que traz at\u00e9 n\u00f3s o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus, come\u00e7a assim: \u00abSeis dias depois, Jesus toma consigo Pedro e Tiago e Jo\u00e3o, seu irm\u00e3o, e leva-os, \u00e0 parte, a um monte alto\u00bb (17,1). O uso aqui do presente hist\u00f3rico d\u00e1 o tom enf\u00e1tico apropriado para vincular o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o (17,1-9) ao Cap\u00edtulo 16, que o precede imediatamente. A presen\u00e7a do artigo antes do nome de Pedro (<em>t\u00f2n P\u00e9tron<\/em>), mas n\u00e3o antes dos nomes de Tiago e Jo\u00e3o, serve para p\u00f4r em destaque o papel de Pedro desde o Cap\u00edtulo anterior, a que se ajusta tamb\u00e9m a liga\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica \u00abseis dias depois\u00bb. Pedro reconheceu e confessou Jesus como \u00abo Cristo, o Filho do Deus vivo\u00bb (16,16), mas op\u00f5e-se energicamente \u00e0s palavras de Jesus (16,22), quando Ele anuncia que vai ter de sofrer muito e morrer (16,21). Pedro e os disc\u00edpulos sabem bem o que \u00e9 o sofrimento e a morte, mas n\u00e3o t\u00eam qualquer no\u00e7\u00e3o do que possa ser a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. Marcos 9,10 observa que os disc\u00edpulos \u00abse interrogavam entre si sobre o que fosse ressuscitar dos mortos\u00bb. Al\u00e9m disso, h\u00e3o de ter eles pensado, para que nos serve um Messias que sofre e morre? Para isto, os disc\u00edpulos n\u00e3o t\u00eam necessidade dele, pois sabem que h\u00e3o de sofrer e morrer mesmo sem ele. Do Messias, os disc\u00edpulos, como os judeus em geral, esperavam que viesse p\u00f4r fim ao sofrimento e \u00e0 morte, e que os viesse libertar, a eles e a todos, dessa triste realidade.\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. \u00c9 tendo tudo isto em conta, sobretudo o desarranjo e incompreens\u00e3o de Pedro (16,22) e o desconsolo e tristeza dos disc\u00edpulos (17,23), que Jesus \u00abtoma consigo\u00bb um grupo de disc\u00edpulos, e\u00a0<em>os<\/em>\u00a0(<em>auto\u00fas<\/em>) faz subir consigo, e \u00e9 transfigurado diante\u00a0<em>deles<\/em>\u00a0(<em>aut\u00f4n<\/em>); \u00e9\u00a0<em>a eles<\/em>\u00a0(<em>auto\u00ees<\/em>) que aparecem Mois\u00e9s e Elias; a nuvem luminosa envolveu-<em>os<\/em>\u00a0(<em>auto\u00fas<\/em>), e a voz que sai da nuvem dirige-se\u00a0<em>a eles<\/em>\u00a0diretamente, pois fala de Jesus em 3.\u00aa pessoa, e apela a que o escutem; amedrontados e ca\u00eddos por terra, \u00e9 Jesus que\u00a0<em>os<\/em>\u00a0(<em>aut\u00f4n<\/em>) toca, e os manda levantar, e\u00a0<em>lhes<\/em>\u00a0(<em>auto\u00ees<\/em>) ordena que nada digam acerca desta vis\u00e3o antes de Ele ressuscitar dos mortos. Pela coleta de dados que acab\u00e1mos de fazer, \u00e9 f\u00e1cil compreender que s\u00e3o os disc\u00edpulos que est\u00e3o no centro da cena, e que tudo \u00e9 feito\u00a0<em>para eles<\/em>. Na verdade, dada a sua incompreens\u00e3o e en\u00e9rgica rea\u00e7\u00e3o no Cap\u00edtulo anterior, torna-se necess\u00e1rio clarificar com eles sobretudo tr\u00eas aspetos: 1) contribuir para que possam vir a ter uma no\u00e7\u00e3o mais concreta acerca da ressurrei\u00e7\u00e3o, vendo Jesus na sua gl\u00f3ria celeste falando com personagens celestes; 2) ouvir e aprender do pr\u00f3prio Deus que Jesus \u00e9 o seu Filho, o Amado; 3) predispor-se a escutar Jesus sem reservas, o que significa, entre outras realidades, escutar as palavras de Jesus acerca do seu sofrimento e morte, e n\u00e3o opor-se a elas.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. A tradi\u00e7\u00e3o situa o \u00abmonte alto\u00bb, que abre o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o (17,1), no Tabor, um monte de forma arredondada que se ergue nos seus 582 metros no meio da plan\u00edcie galilaica de Jesrael ou Esdrelon. No sop\u00e9 do Tabor ainda hoje se encontra a aldeia palestiniana de\u00a0<em>Daburiyya<\/em>, cujo eco evoca a personagem b\u00edblica mais importante desta regi\u00e3o, a profetisa D\u00e9bora. As Igrejas do Oriente conhecem este epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o por \u00abMetamorfose\u00bb (<em>metam\u00f3rph\u00f4sis<\/em>), a partir das palavras do texto: \u00abE transformou-se (<em>metemorph\u00f4th\u00ea<\/em>) diante deles [= Pedro, Tiago e Jo\u00e3o], e resplandeceu o seu rosto como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz\u00bb (17,2). O branco \u00e9 a cor divina e celeste. E a luz \u00e9 o seu vestido, conforme o dizer solene do Salmo 104,2: \u00abVestido de Luz como de um manto\u00bb. E, nesse cone de luz, o Ap\u00f3stolo exorta-nos: \u00abCaminhai como filhos da luz\u00bb, e lembra-nos que \u00abo fruto da luz \u00e9 toda a bondade, justi\u00e7a e verdade\u00bb (Ef\u00e9sios 5,8 e 9). No contexto da Transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus, \u00e9 importante, a apari\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s e Elias, cuja morte se verificou h\u00e1 muito tempo, n\u00e3o estando por isso acess\u00edveis \u00e0 vis\u00e3o humana comum. S\u00f3 podem ser vistos se aparecerem, se se fizerem ver, se se apresentarem aos homens a partir da sua exist\u00eancia em Deus. Os disc\u00edpulos veem que estas figuras celestes falam com Jesus transfigurado, e podem come\u00e7ar a descobrir a realidade que pode estar por detr\u00e1s das palavras antes incompreens\u00edveis de Jesus quando Ele anuncia a sua Ressurrei\u00e7\u00e3o. E mais uma vez Pedro se equivoca, pois sugere tendas terrenas para figuras celestes!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Marcos 9,6 e Lucas 9,33 anotam criteriosamente que Pedro, ao fazer semelhante sugest\u00e3o, \u00abn\u00e3o sabia o que dizia\u00bb. N\u00e3o sabia, porque ainda n\u00e3o tinha sido batizado com o Esp\u00edrito Santo e com o fogo; quando o for, saber\u00e1 tamb\u00e9m ele, disc\u00edpulo fiel, batizado e confirmado, levar por diante a miss\u00e3o filial batismal em que foi investido, e dar\u00e1 testemunho at\u00e9 ao sangue. Antes ainda desse final, Pedro recorda o privil\u00e9gio de terem sido testemunhas oculares da Gl\u00f3ria de Jesus sobre o monte santo, e que ouviram a\u00ed a voz vinda do C\u00e9u, do Pai, a declarar Jesus \u00abo Filho meu, o Amado meu\u00bb (2 Pedro 1,16-18). A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a Transfigura\u00e7\u00e3o tornada permanente, eterna. Todos os batizados e confirmados est\u00e3o destinados \u00e0 mesma Ressurrei\u00e7\u00e3o \/ Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor: a Diviniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. A li\u00e7\u00e3o do Livro do G\u00e9nesis (12,1-4) abre diante de n\u00f3s o caminho novo j\u00e1 apontado no Evangelho: \u00abVAI para ti (<em>lek-l<sup>e<\/sup>ka<\/em>), do teu pa\u00eds, da tua parentela e da casa do teu pai, para o pa\u00eds que Eu te farei ver\u00bb (G\u00e9nesis 12,1). Com este imperativo, Deus p\u00f5e em marcha Abra\u00e3o e a inteira hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o que se lhe segue. \u00abE Abra\u00e3o partiu\u00bb (G\u00e9nesis 12,4). Com este gesto esplendorosamente mudo, Abra\u00e3o comprometeu-se e comprometeu-nos a n\u00f3s tamb\u00e9m. Abra\u00e3o arrasta consigo a hist\u00f3ria toda. Ele parte (e a hist\u00f3ria com ele) em dire\u00e7\u00e3o a Jesus Cristo, que \u00e9 a sua verdadeira descend\u00eancia (G\u00e1latas 3,16). Abra\u00e3o viu-O e saudou-O de longe (Hebreus 11,13), cheio de alegria (Jo\u00e3o 8,56). A sua meta \u00e9 clara e define e alumia a sua estrada que at\u00e9 l\u00e1 conduz e em que caminha Abra\u00e3o, fazendo assim dele tamb\u00e9m antecipadamente \u00abfilho da Luz\u00bb. Abra\u00e3o n\u00e3o se despede do passado, e faz ao futuro um aceno de esperan\u00e7a e de alegria. S\u00e3o t\u00e3o simples, t\u00e3o novos e t\u00e3o decididos os gestos e os passos de Abra\u00e3o! Talvez devamos mesmo seguir o conselho de Isa\u00edas, o profeta: \u00abOlhai para Abra\u00e3o, vosso Pai\u00bb (Isa\u00edas 51,2). E partir com ele DAQUI, do provis\u00f3rio, do preliminar, do pen\u00faltimo, ao encontro de Jesus Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Movido pela Palavra de Deus, \u00fanico verdadeiro motor da sua vida, Abra\u00e3o parte do seu pa\u00eds e da casa do seu pai. Mas n\u00e3o se trata apenas de uma viagem no mapa. N\u00e3o \u00e9 meramente da ordem da geografia. \u00c9 sobretudo da ordem suprema da pessoa e da liberdade. Note-se bem que o texto n\u00e3o diz simplesmente: \u00abVAI (<em>lek<\/em>) do teu pa\u00eds\u00bb, mas \u00abVAI para ti (<em>lek-l<sup>e<\/sup>ka<\/em>) do teu pa\u00eds\u00bb, especial\u00edssima locu\u00e7\u00e3o que a gram\u00e1tica hebraica classifica como \u00abdativo \u00e9tico\u00bb. Viagem diferente, que implica um trabalho de casa, dentro da pr\u00f3pria casa, dentro da pr\u00f3pria pessoa, trabalho de liberta\u00e7\u00e3o para a liberdade, at\u00e9 nos fazermos verdadeiramente livres, abertos, dispon\u00edveis, acolhidos, acolhedores, aben\u00e7oados, aben\u00e7oadores.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. \u00c9 ainda nesse sentido que Abra\u00e3o \u00e9 chamado \u00abo hebreu\u00bb (<em>ha-\u2018ibr\u00ee<\/em>) (G\u00e9nesis 14,13).\u00a0<em>\u2018ibr\u00ee<\/em>\u00a0reporta-se a\u00a0<em>\u2018eber<\/em>, que significa \u00abmargem\u00bb. Ele vem da \u00aboutra margem do Rio\u00bb (Josu\u00e9 24,3). Mas reporta-se tamb\u00e9m a\u00a0<em>\u2018abar<\/em>, que significa \u00abpassar\u00bb, \u00abatravessar\u00bb, \u00abir al\u00e9m de\u00bb, \u00abconverter-se\u00bb, \u00ababrir uma passagem\u00bb, \u00abtransferir\u00bb, o que implica um movimento ao mesmo tempo objetivo e subjetivo, ativo e passivo. Abra\u00e3o \u00e9 o homem que atravessa fronteiras, mas \u00e9 sobretudo o homem que se atravessa a si mesmo. Viajante transitivo e intransitivo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. E o Ap\u00f3stolo testemunha (2 Tim\u00f3teo 1,8-10) que o mesmo Deus que chamou Abra\u00e3o, tamb\u00e9m nos chamou a n\u00f3s (2 Tim\u00f3teo 1,9). Por pura gra\u00e7a. Para dar testemunho do Evangelho e participar na sua vida. Por isso, tal como Abra\u00e3o, tamb\u00e9m Paulo saiu do passado e correu para o futuro (Filipenses 3,13). E quer agora empenhar nesta \u00abcorrida\u00bb o seu disc\u00edpulo Tim\u00f3teo. E a n\u00f3s tamb\u00e9m. Contra a cont\u00ednua tenta\u00e7\u00e3o de querermos ficar AQUI, no provis\u00f3rio, no preliminar, no pen\u00faltimo, como Pedro (Evangelho) e todos os disc\u00edpulos (Atos dos Ap\u00f3stolos 1,11).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Enfim, o Salmo 33, que hoje cantamos, \u00e9 um verdadeiro \u00abcanto novo\u00bb (<em>sh\u00eer hadash<\/em>) a fazer vibrar as fibras do nosso cora\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 tamb\u00e9m m\u00fasica sem palavras (<em>t<sup>e<\/sup>r\u00fb?ah<\/em>) (v. 2), jubila\u00e7\u00e3o, exulta\u00e7\u00e3o, lala\u00e7\u00e3o de radical confian\u00e7a da crian\u00e7a que em n\u00f3s sorri e dan\u00e7a, porque Deus vela por n\u00f3s. Comenta Santo Agostinho: \u00abJ\u00e1 sabes o que \u00e9 o canto novo: um homem novo, um canto novo\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Batizado no Jord\u00e3o, tentado no deserto como Israel, mas Vitorioso, ap\u00f3s o jejum preambular de prepara\u00e7\u00e3o para o in\u00edcio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":920925217,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-71683245","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71683245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71683245"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71683245\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994888,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71683245\/revisions\/4294994888"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/920925217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71683245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71683245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71683245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}