{"id":71787690,"date":"2020-12-09T00:00:00","date_gmt":"2020-12-09T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/10105-audiencia-permanecer-a-espera-nisto-consiste-a-oracao-afirma-papa-cvideo"},"modified":"2020-12-09T00:00:00","modified_gmt":"2020-12-09T00:00:00","slug":"audiencia-permanecer-a-espera-nisto-consiste-a-oracao-afirma-papa-cvideo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-permanecer-a-espera-nisto-consiste-a-oracao-afirma-papa-cvideo\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia: \u00abPermanecer \u00e0 espera: nisto consiste a ora\u00e7\u00e3o\u00bb, afirma Papa (C\\v\u00eddeo)"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_sala_200325085606.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em>A \u00abora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica\u00bb foi o tema central de mais uma catequese do Papa Francisco na audi\u00eancia-geral desta quarta-feira, na Biblioteca do Pal\u00e1cio Apost\u00f3lico, no Vaticano<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Catequese &#8211; 18.\u00a0<em>A ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Prezados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>Continuemos com as nossas reflex\u00f5es sobre a ora\u00e7\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 totalmente humana &#8211; rezamos como pessoas humanas, como somos &#8211; inclui louvor e s\u00faplica. Com efeito, quando Jesus ensinou os seus disc\u00edpulos a rezar, f\u00ea-lo com o \u201cPai-Nosso\u201d para que nos coloc\u00e1ssemos com Deus numa rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a filial e lhe fiz\u00e9ssemos todos os\u00a0<em>nossos pedidos<\/em>. Imploramos a Deus os dons mais elevados: a santifica\u00e7\u00e3o do seu nome entre os homens, a vinda do seu senhorio, a realiza\u00e7\u00e3o da sua vontade de bem em rela\u00e7\u00e3o ao mundo. O\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo<\/a>\u00a0<\/em>recorda: \u00abH\u00e1 uma hierarquia nas peti\u00e7\u00f5es: primeiro, o Reino; depois, tudo quanto \u00e9 necess\u00e1rio para o acolher e para cooperar com a sua vinda\u00bb (n.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/p4s1cap1_2566-2649_po.html#ARTIGO_3_\">2632<\/a>). Mas no \u201cPai-Nosso\u201d rezamos tamb\u00e9m pelos dons mais simples, pelas d\u00e1divas mais comuns, tais como o \u201cp\u00e3o nosso de cada dia\u201d &#8211; que tamb\u00e9m significa sa\u00fade, casa, trabalho, coisas do dia a dia; e que significa inclusive a Eucaristia, necess\u00e1ria para a vida em Cristo &#8211; tal como rezamos pelo perd\u00e3o dos pecados &#8211; que \u00e9 uma coisa di\u00e1ria; precisamos sempre de perd\u00e3o &#8211; e portanto de paz nas nossas rela\u00e7\u00f5es; e por fim, que nos ajude nas tenta\u00e7\u00f5es e nos liberte do mal.<\/p>\n<p>Pedir, suplicar. Isto \u00e9 muito humano! Ou\u00e7amos novamente o\u00a0<em>Catecismo:<\/em>\u00a0\u00ab\u00c9 pela ora\u00e7\u00e3o de peti\u00e7\u00e3o que traduzimos a consci\u00eancia da nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus: enquanto criaturas, n\u00e3o somos a nossa origem, nem donos das adversidades, nem somos o nosso fim \u00faltimo; mas tamb\u00e9m, sendo pecadores, sabemos, como crist\u00e3os, que nos afastamos do nosso Pai. A peti\u00e7\u00e3o \u00e9 j\u00e1 um regresso a Ele\u00bb\u00a0 (n.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/p4s1cap1_2566-2649_po.html#ARTIGO_3_\">2629<\/a>).<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m se sente mal por ter feito coisas ruins &#8211; \u00e9 um pecador &#8211; quando recita o Pai-Nosso, j\u00e1 est\u00e1 a aproximar-se do Senhor. Por vezes podemos acreditar que n\u00e3o precisamos de nada, que nos bastamos n\u00f3s pr\u00f3prios e que vivemos em completa autossufici\u00eancia. \u00c0s vezes isto acontece! Mas mais cedo ou mais tarde esta ilus\u00e3o desaparece. O ser humano \u00e9 uma invoca\u00e7\u00e3o, que por vezes se torna um grito, muitas vezes reprimido. A alma assemelha-se a uma terra \u00e1rida e sedenta, como diz o Salmo (cf. 63, 2). Todos vivemos, num ou noutro momento da nossa exist\u00eancia, o tempo da melancolia ou da solid\u00e3o. A B\u00edblia n\u00e3o hesita em mostrar a condi\u00e7\u00e3o humana marcada pela doen\u00e7a, injusti\u00e7a, trai\u00e7\u00e3o de amigos, ou amea\u00e7a de inimigos. Por vezes parece que tudo se desmorona, que a vida vivida at\u00e9 agora tem sido em v\u00e3o. E nestas situa\u00e7\u00f5es aparentemente sem esperan\u00e7a, s\u00f3 h\u00e1 uma sa\u00edda: o grito, a ora\u00e7\u00e3o: \u00abSenhor, ajuda-me!\u00bb. A ora\u00e7\u00e3o abre vislumbres de luz na escurid\u00e3o mais espessa. \u00abSenhor, ajuda-me!\u00bb. Isto abre o caminho, abre o caminho.<\/p>\n<p>N\u00f3s, seres humanos, partilhamos este apelo de ajuda com toda a cria\u00e7\u00e3o. N\u00e3o somos os \u00fanicos que \u201coramos\u201d neste imenso universo: cada fragmento da cria\u00e7\u00e3o traz consigo o desejo de Deus. E S\u00e3o Paulo expressou-o deste modo. Diz assim: \u00abSabemos que toda a cria\u00e7\u00e3o geme e sofre as dores de parto at\u00e9 ao presente. N\u00e3o s\u00f3 ela, mas tamb\u00e9m n\u00f3s, que temos as prim\u00edcias do Esp\u00edrito, gememos em n\u00f3s mesmos\u00bb (<em>Rm\u00a0<\/em>8, 22-23). Em n\u00f3s ressoa o gemido multiforme das criaturas: das \u00e1rvores, das rochas, dos animais&#8230; Tudo anseia pelo seu cumprimento. Tertuliano escreveu: \u00abTodas as criaturas rezam, os animais e as feras rezam e dobram os joelhos; quando saem dos est\u00e1bulos ou das tocas, levantam a cabe\u00e7a para o c\u00e9u e n\u00e3o permanecem com a boca fechada, os seus gritos ressoam de acordo com os seus h\u00e1bitos. E tamb\u00e9m as aves, assim que levantam voo, sobem rumo ao c\u00e9u e abrem as asas como se fossem m\u00e3os em forma de cruz, chilreando algo que se parece com a ora\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>De oratione,\u00a0<\/em>XXIX). Esta \u00e9 uma express\u00e3o po\u00e9tica para comentar o que diz S\u00e3o Paulo,<em>\u201cque toda a cria\u00e7\u00e3o geme, reza\u201d.\u00a0<\/em>Mas somos os \u00fanicos a rezar conscientemente, a saber que nos voltamos para o Pai, e entramos em di\u00e1logo com o Pai.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o nos devemos escandalizar quando sentimos necessidade de rezar, n\u00e3o nos envergonhemos. E especialmente quando estamos em necessidade, pe\u00e7amos. Jesus falando de um homem desonesto, que deve prestar contas ao seu senhor, diz o seguinte: \u201cDe mendigar, tenho vergonha\u201d. E muitos t\u00eam este sentimento: temos vergonha de pedir; temos vergonha de pedir ajuda, de pedir a algu\u00e9m que nos ajude a alcan\u00e7ar um objetivo, e tamb\u00e9m temos vergonha de pedir a Deus. N\u00e3o devemos sentir vergonha de rezar e dizer: \u201cSenhor, preciso disto\u201d, \u201cSenhor, enfrento esta dificuldade\u201d, \u201cAjuda-me!\u201d. \u00c9 o grito do cora\u00e7\u00e3o a Deus que \u00e9 Pai. E devemos aprender a fazer isto tamb\u00e9m em tempos felizes; dar gra\u00e7as a Deus por tudo o que nos \u00e9 concedido, e n\u00e3o considerar nada garantido ou devido: tudo \u00e9 gra\u00e7a. O Senhor d\u00e1-nos sempre, sempre, e tudo \u00e9 gra\u00e7a, tudo. A gra\u00e7a de Deus. No entanto, n\u00e3o sufoquemos a s\u00faplica que surge espontaneamente em n\u00f3s. A ora\u00e7\u00e3o de pedir anda de m\u00e3os dadas com a aceita\u00e7\u00e3o do nosso limite e da nossa criaturalidade. At\u00e9 se pode n\u00e3o a acreditar em Deus, mas \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o acreditar na ora\u00e7\u00e3o: ela simplesmente existe; apresenta-se-nos como um grito; e todos temos de lidar com esta voz interior que pode permanecer em sil\u00eancio durante muito tempo, mas um dia acorda e grita.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, sabemos que Deus vai responder. N\u00e3o h\u00e1 nenhum orante no Livro dos Salmos que eleve a sua lamenta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o seja ouvido. Deus responde sempre: hoje, amanh\u00e3, mas Ele responde sempre, de um modo ou de outro. Ele responde sempre. A B\u00edblia repete-o in\u00fameras vezes: Deus ouve o grito de quem o invoca. At\u00e9 os nossos pedidos hesitantes, que permanecem no fundo do cora\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m temos vergonha de expressar, o Pai ouve-os e quer conceder-nos o Esp\u00edrito Santo, que anima cada ora\u00e7\u00e3o e transforma tudo. \u00c9 uma quest\u00e3o de paci\u00eancia, sempre, suportar a espera. Agora estamos no tempo do Advento, um tempo t\u00edpico de espera do Natal. Estamos \u00e0 espera. V\u00ea-se bem isto. Mas tamb\u00e9m\u00a0 toda a nossa vida est\u00e1\u00a0<em>\u00e0 espera<\/em>. E a ora\u00e7\u00e3o est\u00e1 sempre \u00e0 espera, porque sabemos que o Senhor vai responder. At\u00e9 a morte treme quando um crist\u00e3o reza, pois sabe que cada pessoa que reza tem um aliado mais forte do que ela: o Senhor Ressuscitado. A morte j\u00e1 foi derrotada em Cristo, e chegar\u00e1 o dia em que tudo ser\u00e1 definitivo, e ela n\u00e3o desafiar\u00e1 mais a nossa vida nem a nossa felicidade.<\/p>\n<p>Aprendamos a estar \u00e0 espera do Senhor. O Senhor vem visitar-nos, n\u00e3o s\u00f3 nestas grandes festas &#8211; Natal, P\u00e1scoa &#8211; mas o Senhor visita-nos todos os dias na intimidade do nosso cora\u00e7\u00e3o, se estivermos \u00e0 espera. E muitas vezes n\u00e3o percebemos que o Senhor est\u00e1 pr\u00f3ximo, que Ele bate \u00e0 nossa porta e deixamo-lo passar. \u201cTenho medo de Deus quando passa; tenho medo que Ele passe e eu n\u00e3o repare\u201d, dizia Santo Agostinho. E o Senhor passa, o Senhor vem, o Senhor bate \u00e0 porta. Mas se os vossos ouvidos estiverem cheios de outros ru\u00eddos, n\u00e3o ouvir\u00e3o o chamamento do Senhor.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, permanecer \u00e0 espera: nisto consiste a ora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Educris|09.12.2020<\/p>\n<\/p>\n<p><iframe allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ED0ZfpEc-4E\" width=\"560\"><\/iframe> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00abora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica\u00bb foi o tema central de mais uma catequese do Papa Francisco na audi\u00eancia-geral desta quarta-feira, na 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