{"id":720118206,"date":"2023-04-19T00:00:00","date_gmt":"2023-04-19T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/12130-audiencia-geral-sao-numerosos-os-martires-do-nosso-tempo-afirma-francisco"},"modified":"2023-04-19T00:00:00","modified_gmt":"2023-04-19T00:00:00","slug":"audiencia-geral-sao-numerosos-os-martires-do-nosso-tempo-afirma-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-sao-numerosos-os-martires-do-nosso-tempo-afirma-francisco\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00abS\u00e3o numerosos os m\u00e1rtires do nosso tempo\u00bb, afirma Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_6_181017093921.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Em nova catequese sobre o zelo apost\u00f3lico o papa Francisco lembrou os in\u00fameros &#8220;mart\u00edres da Igreja&#8221; e rezou pelos crist\u00e3os que &#8220;trabalham no Yemen&#8221;, um pa\u00eds &#8220;dominado pela guerra durante muitos anos&#8221;<\/em><\/p>\n<p><span>Leia, na \u00edntegra, a reflex\u00e3o do Santo Padre<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Prezados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/p>\n<p>Falando da evangeliza\u00e7\u00e3o e do zelo apost\u00f3lico, depois de ter considerado o testemunho de S\u00e3o Paulo, verdadeiro \u201ccampe\u00e3o\u201d de zelo apost\u00f3lico, hoje o nosso olhar dirige-se n\u00e3o para uma \u00fanica figura, mas para o ex\u00e9rcito de m\u00e1rtires, homens e mulheres de todas as idades, l\u00ednguas e na\u00e7\u00f5es, que deram a vida por Cristo, que derramaram o sangue para confessar Cristo. Depois da gera\u00e7\u00e3o dos Ap\u00f3stolos, foram eles por excel\u00eancia as \u201ctestemunhas\u201d do Evangelho. Os m\u00e1rtires: o primeiro foi o di\u00e1cono Santo Est\u00eav\u00e3o, lapidado fora das muralhas de Jerusal\u00e9m. A palavra \u201cmart\u00edrio\u201d deriva do grego martyria, que significa precisamente testemunho. O m\u00e1rtir \u00e9 uma testemunha, algu\u00e9m que d\u00e1 testemunho at\u00e9 derramar o sangue. No entanto, em breve o termo m\u00e1rtir passou a ser utilizado na Igreja para indicar quem dava testemunho at\u00e9 \u00e0 efus\u00e3o do sangue<a href=\"#_ftn1\" title=\"\">[1]<\/a>. Ou seja, no in\u00edcio a palavra martyria indicava o testemunho dado todos os dias, mais tarde passou a ser usada para indicar quem d\u00e1 a vida com a efus\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, os m\u00e1rtires n\u00e3o devem ser vistos como \u201cher\u00f3is\u201d que agiram individualmente, como flores brotadas num deserto, mas como frutos maduros e excelentes da vinha do Senhor, que \u00e9 a Igreja. Em particular, participando assiduamente na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, os crist\u00e3os eram levados pelo Esp\u00edrito a colocar a pr\u00f3pria vida na base desse mist\u00e9rio de amor: ou seja, na constata\u00e7\u00e3o de que o Senhor Jesus tinha dado a sua vida por eles e, por conseguinte, tamb\u00e9m eles podiam e deviam dar a vida por Ele e pelos irm\u00e3os. Uma grande generosidade, o caminho do testemunho crist\u00e3o. Santo Agostinho real\u00e7a frequentemente esta din\u00e2mica de gratid\u00e3o e de reciprocidade gratuita do dom. Eis, por exemplo, o que ele pregava por ocasi\u00e3o da festa de S\u00e3o Louren\u00e7o: \u00abS\u00e3o Louren\u00e7o era di\u00e1cono da Igreja de Roma. Ali era ministro do sangue de Cristo e onde, pelo nome de Cristo, derramou o seu sangue. O beato ap\u00f3stolo Jo\u00e3o exp\u00f4s claramente o mist\u00e9rio da Ceia do Senhor, dizendo: \u201cCristo deu a sua vida por n\u00f3s. Tamb\u00e9m n\u00f3s devemos dar a nossa vida pelos irm\u00e3os\u201d (1 Jo 3, 16). Irm\u00e3os, Louren\u00e7o compreendeu tudo isto. Compreendeu-o e p\u00f4-lo em pr\u00e1tica. E retribuiu verdadeiramente o que tinha recebido naquela mesa. Amou Cristo na sua vida, imitou-o na sua morte\u00bb (Disc. 304, 14; pl 38, 1395-1397). Era assim que Santo Agostinho explicava o dinamismo espiritual que animava os m\u00e1rtires. Com estas palavras: os m\u00e1rtires amam Cristo na sua vida e imitam-no na sua morte.<\/p>\n<p>Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, hoje recordemos todos os m\u00e1rtires que acompanharam a vida da Igreja. Como eu j\u00e1 disse muitas vezes, eles s\u00e3o mais numerosos no nosso tempo do que nos primeiros s\u00e9culos. Hoje h\u00e1 muitos m\u00e1rtires na Igreja, numerosos, porque por confessarem a f\u00e9 crist\u00e3 s\u00e3o expulsos da sociedade ou v\u00e3o para a pris\u00e3o&#8230; S\u00e3o tantos! O Conc\u00edlio Vaticano II lembra-nos que \u00abo mart\u00edrio, pelo qual o disc\u00edpulo se torna semelhante ao mestre, que livremente aceitou a morte para a salva\u00e7\u00e3o do mundo, e a Ele se conforma no derramamento do sangue, \u00e9 considerado pela Igreja como dom insigne e prova suprema de caridade\u00bb (Const. Lumen gentium, 42). \u00c0 imita\u00e7\u00e3o de Jesus e com a sua gra\u00e7a, os m\u00e1rtires transformam a viol\u00eancia de quem rejeita o an\u00fancio, em ocasi\u00e3o suprema de amor, que vai at\u00e9 ao perd\u00e3o dos pr\u00f3prios algozes. Isto \u00e9 interessante: os m\u00e1rtires perdoam sempre os algozes. Est\u00eav\u00e3o, o primeiro m\u00e1rtir, morreu rezando: \u201cSenhor, perdoa-lhes, n\u00e3o sabem o que fazem!\u201d. Os m\u00e1rtires rezam pelos algozes.<\/p>\n<p>Embora s\u00f3 alguns sejam chamados ao mart\u00edrio \u00abtodos, por\u00e9m, devem estar dispostos a confessar a Cristo diante dos homens e a segui-lo no caminho da cruz no meio das persegui\u00e7\u00f5es, que nunca faltar\u00e3o \u00e0 Igreja\u00bb (ibid., 42). Mas, a persegui\u00e7\u00e3o \u00e9 algo daquela \u00e9poca? N\u00e3o, n\u00e3o: de hoje. Hoje h\u00e1 persegui\u00e7\u00f5es de crist\u00e3os no mundo, muitas, tantas! H\u00e1 mais m\u00e1rtires hoje do que nos primeiros tempos. Os m\u00e1rtires mostram-nos que cada crist\u00e3o \u00e9 chamado ao testemunho da vida, at\u00e9 quando n\u00e3o chega \u00e0 efus\u00e3o do sangue, fazendo de si mesmo um dom a Deus e aos irm\u00e3os, \u00e0 imita\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p>E gostaria de concluir, recordando o testemunho crist\u00e3o presente em todos os cantos do mundo. Penso, por exemplo, no I\u00e9men, uma terra h\u00e1 muitos anos ferida por uma guerra terr\u00edvel, esquecida, que causou tantos mortos e ainda hoje faz sofrer tantas pessoas, especialmente crian\u00e7as. Precisamente nessa terra houve testemunhos resplandecentes de f\u00e9, como o das irm\u00e3s Mission\u00e1rias da Caridade, que ali deram a vida. Ainda hoje elas est\u00e3o presentes no I\u00e9men, onde oferecem assist\u00eancia a idosos enfermos e a pessoas portadoras de defici\u00eancia. Algumas delas sofreram o mart\u00edrio, mas as demais continuam, arriscam a vida, mas v\u00e3o em frente. Recebem todos, de qualquer religi\u00e3o, porque a caridade e a fraternidade n\u00e3o t\u00eam fronteiras. Em julho de 1998, a Irm\u00e3 Aletta, a Irm\u00e3 Zelia e a Irm\u00e3 Michael, a caminho de casa depois da missa, foram mortas por um fan\u00e1tico porque eram crist\u00e3s. Mais recentemente, pouco depois do in\u00edcio do conflito ainda em curso, em mar\u00e7o de 2016, a Irm\u00e3 Anselm, a Irm\u00e3 Marguerite, a Irm\u00e3 Reginette e a Irm\u00e3 Judith foram mortas com alguns leigos que as ajudavam na obra de caridade no meio dos \u00faltimos. S\u00e3o os m\u00e1rtires do nosso tempo. Entre estes leigos assassinados, al\u00e9m dos crist\u00e3os, havia mu\u00e7ulmanos que trabalhavam com as religiosas. \u00c9 comovedor ver que o testemunho do sangue pode aproximar pessoas de diferentes religi\u00f5es. Nunca se deve matar em nome de Deus, pois para Ele somos todos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Mas juntos podemos dar a vida pelos outros.<\/p>\n<p>Portanto, oremos para n\u00e3o nos cansarmos de dar testemunho do Evangelho at\u00e9 em tempos de tribula\u00e7\u00e3o. Que todos os santos e santas m\u00e1rtires sejam sementes de paz e de reconcilia\u00e7\u00e3o entre os povos, por um mundo mais humano e fraterno, \u00e0 espera que se manifeste plenamente o Reino dos c\u00e9us, quando Deus ser\u00e1 tudo em todos (cf. 1 Cor 15, 28).<\/p>\n<p><br clear=\"all\"\/><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\"\/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" title=\"\">[1]<\/a> Or\u00edgenes, In Johannem, II, 210: \u00abQuem quer que d\u00ea testemunho da verdade, seja por palavras ou obras, ou trabalhando de qualquer maneira a favor dela, pode chamar-se com raz\u00e3o testemunha. Mas o nome de testemunha (martyres) em sentido pr\u00f3prio, a comunidade de irm\u00e3os, impressionados pela for\u00e7a de esp\u00edrito daqueles que lutaram pela verdade ou virtude at\u00e9 \u00e0 morte, adquiriu o costume de o reservar \u00e0queles que deram testemunho do mist\u00e9rio da verdadeira religi\u00e3o atrav\u00e9s da efus\u00e3o do sangue\u00bb.<\/p>\n<p>Imagem: Vatican MEDIA<\/p>\n<p>Educris|19.04.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nova catequese sobre o zelo apost\u00f3lico o papa Francisco lembrou os in\u00fameros &#8220;mart\u00edres da Igreja&#8221; e rezou pelos crist\u00e3os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294987788,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-720118206","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/720118206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=720118206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/720118206\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294987788"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=720118206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=720118206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=720118206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}