{"id":724872542,"date":"2018-11-07T00:00:00","date_gmt":"2018-11-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8252-audiencia-geral-nao-roubar-ou-o-convite-ao-amor-atraves-dos-bens"},"modified":"2018-11-07T00:00:00","modified_gmt":"2018-11-07T00:00:00","slug":"audiencia-geral-nao-roubar-ou-o-convite-ao-amor-atraves-dos-bens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-nao-roubar-ou-o-convite-ao-amor-atraves-dos-bens\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00abN\u00e3o Roubar\u00bb ou o convite ao amor atrav\u00e9s dos bens"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_151014013621.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em><strong>Na catequese desta manh\u00e3 sobre os mandamentos o Papa Francisco explicou o sentido mais profundo do mandamento \u00abN\u00e3o Roubar\u00bb. O Papa lembrou a doutrina social da Igreja, sobre a quest\u00e3o dos bens, e deixou o convite: &#8220;a vida n\u00e3o \u00e9 o tempo para possuir, mas para amar&#8221;.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a Catequese do Papa Francisco\u00a0<\/p>\n<p><strong>Catequese sobre os mandamentos, 12: N\u00e3o Roubar!<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/p>\n<p>Continuando a explica\u00e7\u00e3o do Dec\u00e1logo, hoje chegamos \u00e0 S\u00e9tima Palavra: &#8220;N\u00e3o roubar&#8221;.<\/p>\n<p>Ao ouvir este mandamento, pensamos no roubo e no respeito pela propriedade dos outros. N\u00e3o h\u00e1 cultura em que o roubo e o abuso de bens sejam legais; De facto, a sensibilidade humana \u00e9 muito suscet\u00edvel \u00e0 defesa da posse.<\/p>\n<p>Mas vale a pena abrirmo-nos a uma leitura mais ampla desta Palavra, concentrando-nos no tema da propriedade dos bens \u00e0 luz da sabedoria crist\u00e3.<\/p>\n<p>Na doutrina social da Igreja, falamos de destino universal dos bens. O que significa isto? Escutemos o que o Catecismo diz: \u00abNo princ\u00edpio, Deus confiou a terra e os seus recursos \u00e0 gest\u00e3o comum da humanidade, para cuidar dela, para domin\u00e1-la com o seu trabalho e desfrutar dos seus frutos. Os bens da cria\u00e7\u00e3o est\u00e3o destinados a toda a humanidade\u00bb (n. 2402). E ainda: \u00abO destino universal dos bens continua a ser primordial, mesmo que a promo\u00e7\u00e3o do bem comum exija respeito \u00e0 propriedade privada, o direito a ela e ao seu exerc\u00edcio&#8221; (no. 2403). [1]<\/p>\n<p>A provid\u00eancia, no entanto, n\u00e3o organizou um mundo &#8220;em s\u00e9rie&#8221;, existem diferen\u00e7as, condi\u00e7\u00f5es diferentes, culturas diferentes, deste modo pode viver-se provendo a uns e a outros. O mundo \u00e9 rico em recursos para garantir a todos os bens prim\u00e1rios. No entanto, muitos vivem na pobreza escandalosa e os recursos, usados ??sem crit\u00e9rios, est\u00e3o a deteriorar-se. Mas o mundo \u00e9 um s\u00f3! A humanidade \u00e9 uma s\u00f3! [2] A riqueza do mundo, hoje, est\u00e1 nas m\u00e3os da minoria, de uns poucos, e a pobreza, at\u00e9 mesmo a mis\u00e9ria e o sofrimento, de tantos, da maioria.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 fome na terra, n\u00e3o \u00e9 porque falta comida! De facto, para as necessidades do mercado chega-se mesmo a destruir essa comida, a queim\u00e1-la. O que falta \u00e9 um empreendedorismo livre e previdente, que garanta uma produ\u00e7\u00e3o adequada e uma abordagem solid\u00e1ria, que garanta uma distribui\u00e7\u00e3o justa. O Catecismo tamb\u00e9m diz: \u00abO Homem, usando os bens criados, deve considerar as coisas externas que legitimamente possui, n\u00e3o apenas como suas, mas tamb\u00e9m como comuns, no sentido de que elas podem beneficiar n\u00e3o apenas a ele, mas tamb\u00e9m os outros\u00bb ( No. 2404). Toda a riqueza, para ser boa, deve ter uma dimens\u00e3o social.<\/p>\n<p>Nesta perspetiva surge o significado positivo e amplo do mandamento &#8220;n\u00e3o roubar&#8221;. \u00abA posse de um bem torna aquele que \u00e9 dono um administrador da Provid\u00eancia\u00bb (ibid.). Ningu\u00e9m \u00e9 o mestre absoluto da propriedade: \u00e9 um administrador de propriedade. A posse \u00e9 uma responsabilidade: &#8220;Mas eu sou rico em tudo &#8230;&#8221; &#8211; esta \u00e9 uma responsabilidade que tu tens. E todo o bem removido da l\u00f3gica da Provid\u00eancia de Deus \u00e9 atrai\u00e7oado, afastado do seu sentido mais profundo. O que eu realmente possuo \u00e9 o que eu posso dar. Esta \u00e9 a medida para avaliar como administro a riqueza, seja ela boa ou m\u00e1; esta palavra \u00e9 importante: o que eu realmente possuo \u00e9 o que posso dar. Se eu posso dar, sou aberto, ent\u00e3o sou rico n\u00e3o s\u00f3 no que possuo, mas tamb\u00e9m na generosidade, na generosidade tamb\u00e9m como dever de dar riqueza, para que todos possam participar. De facto, se eu n\u00e3o posso dar alguma coisa, \u00e9 porque essa coisa me tem, tem poder sobre mim e eu sou um seu escravo. A posse de bens \u00e9 uma oportunidade para multiplic\u00e1-los com criatividade e us\u00e1-los com generosidade e, assim, crescer em amor e liberdade.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Cristo, apesar de ser Deus, &#8220;n\u00e3o considerou como uma usurpa\u00e7\u00e3o ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo\u00bb (Fl 2, 6-7) e enriqueceu-nos com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8,9).<\/p>\n<p>Enquanto a humanidade luta para ter mais, Deus a redime tornando-se pobre: aquele Homem Crucificado pagou por todos um inestim\u00e1vel resgate da parte Deus Pai, \u00abrico em miseric\u00f3rdia\u00bb (Ef 2, 4; cfr Gn 5,11). O que nos torna ricos n\u00e3o s\u00e3o os bens, mas o amor. Tantas vezes ouvimos o que o povo de Deus diz: &#8220;O diabo entra pelos bolsos&#8221;. Come\u00e7amos com o amor ao dinheiro, a fome de possuir; ent\u00e3o vem a vaidade: &#8220;Ah, eu sou rico e tenho orgulho&#8221;; e, no final, orgulho e soberba. Este \u00e9 o modo do diabo agir em n\u00f3s. Mas a porta da frente s\u00e3o os bolsos.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, mais uma vez Jesus Cristo revela-nos o pleno significado das Escrituras. \u00abN\u00e3o roubar\u00bb significa: ama com os teus bens, aproveita os teus meios para amar sempre um pouco mais. Ent\u00e3o a sua vida torna-se boa e a posse torna-se verdadeiramente um presente. Porque a vida n\u00e3o \u00e9 o tempo para possuir, mas para amar. Obrigado.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/audiences\/2018\/documents\/papa-francesco_20181107_udienza-generale.html\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>Educris|07.11.2018<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na catequese desta manh\u00e3 sobre os mandamentos o Papa Francisco explicou o sentido mais profundo do mandamento \u00abN\u00e3o Roubar\u00bb. 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