{"id":739177770,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/7839-homilia-do-papa-francisco-na-celebracao-do-domingo-de-ramos"},"modified":"2025-11-07T16:34:15","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:15","slug":"homilia-do-papa-francisco-na-celebracao-do-domingo-de-ramos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-francisco-na-celebracao-do-domingo-de-ramos\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco na celebra\u00e7\u00e3o do Domingo de Ramos"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_palmas_180326010748.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p>Domingo de Ramos e celebra\u00e7\u00e3o da XXXIII Celebra\u00e7\u00e3o Da Jornada Mundial da Juventude. Milhares de f\u00edeis no Vaticano para a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia onde o Papa Francisco pediu aos jovens para que &#8220;n\u00e3o se calem&#8221;.<\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco.<\/p>\n<p>Jesus entra em Jerusal\u00e9m. A liturgia convidou-nos a intervir e participar na alegria e na festa do povo que \u00e9 capaz de aclamar e louvar o seu Senhor; alegria que esmorece, dando lugar a um sabor amargo e doloroso depois que acabamos de ouvir a narra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o. Nesta celebra\u00e7\u00e3o, parecem cruzar-se hist\u00f3rias de alegria e sofrimento, de erros e sucessos que fazem parte da nossa vida di\u00e1ria como disc\u00edpulos, porque consegue revelar sentimentos e contradi\u00e7\u00f5es que hoje em dia, com frequ\u00eancia, aparecem tamb\u00e9m em n\u00f3s, homens e mulheres deste tempo: capazes de amar muito&#8230; mas tamb\u00e9m de odiar (e muito!); capazes de sacrif\u00edcios heroicos mas tamb\u00e9m de saber \u00ablavar-se as m\u00e3os\u00bb no momento oportuno; capazes de fidelidade, mas tamb\u00e9m de grandes abandonos e trai\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>V\u00ea-se claramente em toda a narra\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica que, para alguns, a alegria suscitada por Jesus \u00e9 motivo de fast\u00eddio e irrita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jesus entra na cidade rodeado pelos seus, rodeado por c\u00e2nticos e gritos rumorosos. Podemos imaginar que s\u00e3o a voz do filho perdoado, a do leproso curado ou o balir da ovelha extraviada que ressoam, intensamente e todos juntos, nesta entrada. \u00c9 o c\u00e2ntico do publicano e do impuro; \u00e9 o grito da pessoa que vivia marginalizada da cidade. \u00c9 o grito de homens e mulheres que O seguiram, porque experimentaram a sua compaix\u00e3o \u00e0 vista do sofrimento e mis\u00e9ria deles&#8230; \u00c9 o c\u00e2ntico e a alegria espont\u00e2nea de tantos marginalizados que, tocados por Jesus, podem gritar: \u00abBendito seja o que vem em nome do Senhor!\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a011, 9). Como deixar de aclamar Aquele que lhes restitu\u00edra a dignidade e a esperan\u00e7a? \u00c9 a alegria de tantos pecadores perdoados que reencontraram ousadia e esperan\u00e7a. E eles gritam. Rejubilam. \u00c9 a alegria.<\/p>\n<p>Estas aclama\u00e7\u00f5es de alegria aparecem inc\u00f3modas e tornam-se absurdas e escandalosas para aqueles que se consideram justos e \u00abfi\u00e9is\u00bb \u00e0 lei e aos preceitos rituais [cf. R. Guardini,\u00a0<em>Il Signore<\/em>\u00a0(Brescia-Mil\u00e3o 2005), 344-345]. Uma alegria insuport\u00e1vel para quantos reprimiram a sensibilidade face \u00e0 ang\u00fastia, ao sofrimento e \u00e0 mis\u00e9ria. Mas, destes, muitos pensam: \u00abOlha que povo mal educado!\u00bb Uma alegria intoler\u00e1vel para quantos perderam a mem\u00f3ria e se esqueceram das in\u00fameras oportunidades por eles usufru\u00eddas. Como \u00e9 dif\u00edcil, para quem procura justificar-se e salvar-se a si mesmo, compreender a alegria e a festa da miseric\u00f3rdia de Deus! Como \u00e9 dif\u00edcil, para quantos confiam apenas nas suas pr\u00f3prias for\u00e7as e se sentem superiores aos outros, poder compartilhar esta alegria! (cf. Francisco, Exort. ap.\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#N%C3%A3o_ao_mundanismo_espiritual\"><em>Evangelii gaudium<\/em>, 94<\/a>).<\/p>\n<p>E daqui nasce o grito da pessoa a quem n\u00e3o treme a voz para bradar: \u00abCrucifica-O!\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a015, 13). N\u00e3o \u00e9 um grito espont\u00e2neo, mas grito pilotado, constru\u00eddo, que se forma com o desprezo, a cal\u00fania, a emiss\u00e3o de testemunhos falsos. \u00c9 o grito que nasce na passagem dos factos \u00e0 sua narra\u00e7\u00e3o, nasce da narra\u00e7\u00e3o. \u00c9 a voz de quem manipula a realidade criando uma vers\u00e3o favor\u00e1vel a si pr\u00f3prio e n\u00e3o tem problemas em \u00abtramar\u00bb os outros para ele mesmo se ver livre. Trata-se duma [falsa] narra\u00e7\u00e3o. O grito de quem n\u00e3o tem escr\u00fapulos em procurar os meios para refor\u00e7ar a sua posi\u00e7\u00e3o e silenciar as vozes dissonantes. \u00c9 o grito que nasce de \u00abmaquilhar\u00bb a realidade, pintando-a de tal maneira que acabe por desfigurar o rosto de Jesus fazendo-O aparecer como um \u00abmalfeitor\u00bb. \u00c9 a voz de quem deseja defender a sua posi\u00e7\u00e3o, desacreditando especialmente quem n\u00e3o se pode defender. \u00c9 o grito produzido pelas \u00abintrigas\u00bb da autossufici\u00eancia, do orgulho e da soberba, que proclama sem problemas: \u00abcrucifica-O, crucifica-O!\u00bb<\/p>\n<p>E deste modo, no fim, silencia-se a festa do povo, destr\u00f3i-se a esperan\u00e7a, matam-se os sonhos, suprime-se a alegria; deste modo, no fim, blinda-se o cora\u00e7\u00e3o, resfria-se a caridade. \u00c9 o grito do \u00absalva-te a ti mesmo\u00bb que pretende adormecer a solidariedade, apagar os ideais, tornar insens\u00edvel o olhar&#8230; O grito que pretende cancelar a compaix\u00e3o, aquele \u00abpadecer com\u00bb, a compaix\u00e3o, que \u00e9 o \u00abponto fraco\u00bb de Deus.<\/p>\n<p>Perante todas estas vozes que gritam, o melhor ant\u00eddoto \u00e9 olhar a cruz de Cristo e deixar-se interpelar pelo seu \u00faltimo grito. Cristo morreu, gritando o seu amor por cada um de n\u00f3s: por jovens e idosos, santos e pecadores, amor pelos do seu tempo e pelos do nosso tempo. Na sua cruz, fomos salvos para que ningu\u00e9m apague a alegria do Evangelho; para que ningu\u00e9m, na pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o em que se encontra, permane\u00e7a longe do olhar misericordioso do Pai. Olhar a cruz significa deixar-nos interpelar nas nossas prioridades, escolhas e a\u00e7\u00f5es. Significa deixar-nos interrogar sobre a nossa sensibilidade face a quem est\u00e1 a passar ou a viver momentos de dificuldade. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, que v\u00ea o nosso cora\u00e7\u00e3o? Jesus continua a ser motivo de alegria e louvor no nosso cora\u00e7\u00e3o ou envergonhamo-nos das suas prioridades para com os pecadores, os \u00faltimos, os abandonados?<\/p>\n<p>E no vosso caso, queridos jovens, a alegria que Jesus suscita em v\u00f3s \u00e9, para alguns, motivo de fast\u00eddio e tamb\u00e9m irrita\u00e7\u00e3o, porque um jovem alegre \u00e9 dif\u00edcil de manipular. Um jovem alegre \u00e9 dif\u00edcil de manipular.<\/p>\n<p>Neste dia, por\u00e9m, existe a possibilidade de um terceiro grito: \u00abAlguns fariseus disseram-Lhe, do meio da multid\u00e3o: \u201cMestre, repreende os teus disc\u00edpulos\u201d. Jesus retorquiu: \u201cDigo-vos que, se eles se calarem, gritar\u00e3o as pedras\u201d\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a019, 39-40).<\/p>\n<p>Calar os jovens \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o que sempre existiu. Os pr\u00f3prios fariseus inculpam Jesus, pedindo-Lhe que os acalme e fa\u00e7a estar calados.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas maneiras de tornar os jovens silenciosos e invis\u00edveis. Muitas maneiras de os anestesiar e adormecer para que n\u00e3o fa\u00e7am \u00abbarulho\u00bb, para que n\u00e3o se interroguem nem ponham em discuss\u00e3o. \u00abV\u00f3s\u2026 calai-vos!\u00bb H\u00e1 muitas maneiras de os fazer estar tranquilos, para que n\u00e3o se envolvam, e os seus sonhos percam altura tornando-se fantastiquices rasteiras, mesquinhas, tristes.<\/p>\n<p>Neste Domingo de Ramos, em que celebramos o Dia Mundial da Juventude, faz-nos bem ouvir a resposta de Jesus aos fariseus de ontem e de todos os tempos (tamb\u00e9m os de hoje): \u00abSe eles se calarem, gritar\u00e3o as pedras\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a019, 40).<\/p>\n<p>Queridos jovens, cabe a v\u00f3s a decis\u00e3o de gritar, cabe a v\u00f3s decidir-vos pelo Hossana do domingo para n\u00e3o cair no \u00abcrucifica-O\u00bb de sexta-feira&#8230; E cabe a v\u00f3s n\u00e3o ficar calados. Se os outros calam, se n\u00f3s, idosos e respons\u00e1veis (tantas vezes corruptos), silenciamos, se o mundo se cala e perde a alegria, pergunto-vos: v\u00f3s gritareis?<\/p>\n<p>Por favor, decidi-vos antes que gritem as pedras&#8230;<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2018\/documents\/papa-francesco_20180325_omelia-palme.htmll\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domingo de Ramos e celebra\u00e7\u00e3o da XXXIII Celebra\u00e7\u00e3o Da Jornada Mundial da Juventude. 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