{"id":750077937,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13768-domingo-iii-da-quaresma-nova-chamada-para-a-conversao"},"modified":"2025-11-07T16:34:05","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:05","slug":"domingo-iii-da-quaresma-nova-chamada-para-a-conversao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iii-da-quaresma-nova-chamada-para-a-conversao\/","title":{"rendered":"Domingo III da Quaresma: \u00abNova Chamada para a Convers\u00e3o\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Ex 3,1-8.13-15; Sl 103; 1 Cor 10,1-6.10-12; Lc 13,1-9<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">1. No programa de \u00abprepara\u00e7\u00e3o\u00bb para a Noite Pascal Batismal, in\u00edcio e meta da vida crist\u00e3, o Domingo III da Quaresma est\u00e1 marcado pelos primeiros \u00abescrut\u00ednios\u00bb para os catec\u00famenos: primeira \u00abchamada\u00bb para a Liberdade.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">2. No Evangelho deste Domingo III da Quaresma (Lucas 13,1-9), Jesus atira tudo contra o nosso cora\u00e7\u00e3o dormente e empedernido: atira a cr\u00f3nica e a par\u00e1bola. Tudo serve para gravar em n\u00f3s a convers\u00e3o. A cr\u00f3nica refere a brutalidade de Pilatos que massacrou um grupo de Galileus, a que Jesus acrescenta a queda da torre de Silo\u00e9 que matou 18 pessoas. Pois bem, Jesus n\u00e3o se insurge contra o poder romano e a tirania de Pilatos nem, a prop\u00f3sito da queda da torre, invoca o fatalismo e a poss\u00edvel inc\u00faria dos construtores e dos inspetores da obra. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o desperta sentimentalismos f\u00e1ceis e de ocasi\u00e3o, nem t\u00e3o-pouco se refugia em esquemas feitos: eram pecadores e, por isso, foram castigados por Deus (cf. Jo\u00e3o 9,2). O que poderia levar-nos a dizer tamb\u00e9m: n\u00e3o \u00e9 o nosso caso, isto n\u00e3o tem nada a ver connosco, Deus est\u00e1 do nosso lado, podemos continuar a viver tranquilos. Jesus ouve a not\u00edcia da morte dos Galileus, e ainda acrescenta, da sua conta, a queda da torre que matou 18 pessoas. Mas n\u00e3o fica a olhar para tr\u00e1s, a lamentar-se ou a levantar falsas culpabiliza\u00e7\u00f5es por parte dos Galileus ou dos habitantes de Jerusal\u00e9m. Jesus n\u00e3o \u00e9 reativo, mas proativo. Vira a inteira cr\u00f3nica para n\u00f3s e diz que, face \u00e0 precariedade da vida, s\u00f3 nos resta converter-nos! Li\u00e7\u00e3o oportuna para n\u00f3s, que somos for\u00e7ados a sentir os horrores de guerras insensatas e de tantas cat\u00e1strofes naturais, e que perdemos ainda muito tempo a comentar as not\u00edcias, sempre tr\u00e1gicas, dos jornais. De forma diferente, da cr\u00f3nica, Jesus retira sabiamente, n\u00e3o o pecado ou a inc\u00faria dos outros, mas a convers\u00e3o para n\u00f3s, grande tema quaresmal, que nos acompanha desde Quarta-Feira de Cinzas.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">3. Depois pega na par\u00e1bola da figueira, talvez com muitas folhas, mas sem figos. E vai atr\u00e1s buscar a advert\u00eancia de Jo\u00e3o Batista: \u00abFazei frutos dignos de convers\u00e3o!\u00bb, e p\u00f5e de lado qualquer desculpa ou justifica\u00e7\u00e3o (Lucas 3,8). E tamb\u00e9m afirmou: \u00abO machado j\u00e1 est\u00e1 posto \u00e0 raiz das \u00e1rvores; por isso, toda a \u00e1rvore que n\u00e3o d\u00ea bom fruto \u00e9 cortada e lan\u00e7ada ao fogo\u00bb (Lucas 3,9). A ssitua\u00e7\u00e3o que Jesus descreve na sua par\u00e1bola n\u00e3o \u00e9 menos s\u00e9ria, e, por isso, requer com a mesma for\u00e7a frutos de convers\u00e3o, mas corrige tamb\u00e9m qualquer falsa conclus\u00e3o. De facto, a nossa vida continua, e Deus n\u00e3o interv\u00e9m a torto e a direito. O facto de \u00e0 figueira ser ainda concedido um ano, que \u00e9 o mesmo que dizer que n\u00f3s continuamos a viver, significa uma \u00faltima oportunidade. O caminho para a salva\u00e7\u00e3o requer sempre a convers\u00e3o. Ent\u00e3o, o que \u00e9 que significa \u00abconvers\u00e3o\u00bb? Notemos, antes de mais, que o tema da convers\u00e3o representa um conte\u00fado fundamental na prega\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Batista (Lucas 3,3.8), de Jesus (Lucas 5,32) e da Igreja da P\u00e1scoa (Lucas 24,47). As figuras e os textos acenados mostram o que \u00e9 que deve fazer aquele que queira converter-se. Em sentido literal, \u00abconverter-se\u00bb significa n\u00e3o continuar a caminhar na dire\u00e7\u00e3o em que se vai, mas inverter a marcha e regressar ao ponto de partida. E o nosso ponto de partida \u00e9 Deus, que \u00e9 o nosso Criador, que nos deu a vida. E, se virmos bem, se analisarmos bem, parece que quase sempre nos estamos a distanciar mais de Deus e a aproximar-nos mais de n\u00f3s mesmos, dos nossos desejos e caprichos.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">4. \u00c9 aqui que \u00e9 requerida a convers\u00e3o. E temos tempo e modo. \u00c9 aqui que entra aquele belo acerto de contas entre o dono do pomar (o Pai) e o cultivador (Jesus, o Filho). Os \u00abtr\u00eas anos\u00bb apontam para o minist\u00e9rio p\u00fablico de Jesus. Aqueles \u00abtr\u00eas anos\u00bb de cuidados pastorais parece que n\u00e3o foram suficientes para levar aquela figueira, que somos n\u00f3s, a dar frutos. \u00c9-nos dado \u00abainda mais um ano\u00bb intensivo de gra\u00e7a para podermos frutificar. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 a paci\u00eancia de Deus que a par\u00e1bola acentua, mas a urg\u00eancia da nossa convers\u00e3o. A par\u00e1bola constitui, portanto, um fort\u00edssimo apelo \u00e0 convers\u00e3o. Mas devemos ainda fixar o cora\u00e7\u00e3o nesta impressionante maravilha que \u00e9 sermos comparados por Jesus a uma \u00e1rvore boa plantada por Deus no mundo, neste mundo, para dar bom fruto!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">5. Extraordin\u00e1ria a hist\u00f3ria de Mois\u00e9s (\u00caxodo 3,1-8 e 13-15). Segundo \u00caxodo 7,6 e Atos 7,30, o epis\u00f3dio que hoje temos a gra\u00e7a de ouvir situa-se aos 80 anos da vida de Mois\u00e9s. Foi ent\u00e3o que Mois\u00e9s foi encontrado por Deus no deserto e foi incumbido de libertar os seus irm\u00e3os oprimidos ou escravizados ou instalados, ou oprimidos ou escravizados, porque instalados, no Egito, e de os conduzir, atrav\u00e9s do deserto, at\u00e9 \u00e0 entrada da Terra Prometida. No referido epis\u00f3dio, Mois\u00e9s \u00e9 pastor e tem um caminho a seguir: o caminho das suas ovelhas. Mas v\u00ea uma Vis\u00e3o grande e nova: uma sar\u00e7a que arde, mas n\u00e3o se consome. E diz o texto, na sua vers\u00e3o original, que Mois\u00e9s se \u00abdesviou do caminho\u00bb para ver melhor aquela vis\u00e3o grande. O caminho de Mois\u00e9s era o caminho das ovelhas que pastoreava. Ao desviar-se do caminho, Mois\u00e9s age como uma crian\u00e7a curiosa e deslumbrada! Mas tamb\u00e9m descuidada! Mas as crian\u00e7as s\u00e3o louvadas no Evangelho, e todos somos advertidos de que, se n\u00e3o nos tornarmos como as crian\u00e7as, n\u00e3o entraremos no Reino de Deus (Marcos 10,14-15). E Deus, que habitava naquela \u00abchama que chama\u00bb, contou-se a Mois\u00e9s: 1) Eu BEM VI o sofrimento do meu povo; 2) e OUVI os seus clamores; 3) CONHE\u00c7O a situa\u00e7\u00e3o; 4) DESCI a fim de o libertar e conduzir para a terra da liberdade. Est\u00e1 aqui, nestes quatro VERBOS, a hist\u00f3ria de Deus, a santidade de Deus, que SAI DE SI para vir ao nosso encontro. Note-se bem que contando-se nestes verbos, Deus se afasta dos \u00eddolos, que a Escritura Santa diz que n\u00e3o veem, nem ouvem\u2026 E um pouco depois, ao dizer o seu NOME, Deus diz-se outra vez, n\u00e3o com um nome est\u00e1tico, mas com um verbo na forma ativa: \u00abEu Sou\u00bb. Outra vez diferente dos \u00eddolos in\u00fateis, vazios e inativos.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">6. \u00c9 importante n\u00e3o deixarmos para tr\u00e1s, no esquecimento, um vers\u00edculo que a li\u00e7\u00e3o de hoje de \u00caxodo 3 omitiu: o vers\u00edculo 10. A\u00ed, Deus diz a Mois\u00e9s: \u00abE agora VAI; Eu te envio ao Fara\u00f3, e FAZ SAIR do Egito o meu povo, os filhos de Israel\u00bb. Ficamos ent\u00e3o a saber que Deus, que est\u00e1 bem atento a todos as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis dos seus filhos, nunca responde\u00a0<em>alguma coisa<\/em>\u2026 Deus nunca responde\u00a0<em>alguma coisa<\/em>. Deus responde sempre\u00a0<em>ALGU\u00c9M<\/em>! Aqui, nesta situa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o do seu povo no Egito, a resposta de Deus \u00e9 Mois\u00e9s. E hoje, quem \u00e9 hoje a resposta de Deus para as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis do mundo hoje? Sem equ\u00edvocos: a resposta de Deus hoje somos n\u00f3s!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">7. A reflex\u00e3o que Paulo nos oferece neste Domingo III da Quaresma (1 Cor\u00edntios 10,1-6.10-12) \u00e9 exemplar e encaixa perfeitamente com o Evangelho. No deserto, o Povo conduzido por Deus e por Mois\u00e9s foi rodeado de tantas provas de carinho e da presen\u00e7a amorosa de Deus. Todavia, pecaram, entorpeceram os cora\u00e7\u00f5es, puseram em causa a presen\u00e7a de Deus\u2026 Conclus\u00e3o: ca\u00edram mortos no deserto! E Paulo escreve, por duas vezes neste texto, para nossa advert\u00eancia: \u00abEstas coisas aconteceram para nos servir de exemplo\u00bb (1 Cor\u00edntios 10,6 e 11), acrescentando logo: \u00abE foram escritas para nossa instru\u00e7\u00e3o\u00bb (1 Cor\u00edntios 10,11).\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">8. O Salmo 103 \u00e9 um grande canto ao amor de Deus, que dia-a-dia nos perdoa, nos cura, cuida de n\u00f3s com carinho e miseric\u00f3rdia maternais. Sem este amor, sem esta m\u00fasica, ser\u00edamos talvez levados melancolicamente a pensar que \u00e9 o mesmo o destino das folhas outonais e dos homens! Deixemos ecoar em n\u00f3s as belas notas do Salmo 103, que alguns autores j\u00e1 chamaram o\u00a0<em>Te Deum<\/em>\u00a0do Antigo Testamento.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex 3,1-8.13-15; Sl 103; 1 Cor 10,1-6.10-12; Lc 13,1-9 1. 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