{"id":750587012,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8744-homilia-do-papa-na-solenidade-de-pentecostes"},"modified":"2025-11-07T16:34:34","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:34","slug":"homilia-do-papa-na-solenidade-de-pentecostes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-na-solenidade-de-pentecostes-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa na solenidade de Pentecostes"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_pentecostes_190611104839.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>O Papa Francico celebrou hoje a eucaristia de Pentecostes no Vaticano. Na sua homilia o papa lembrou que o &#8220;Esp\u00edrito Santo trouxe aos apost\u00f3los a harmonia&#8221; mas n\u00e3o lhes &#8220;tornou as coisas mais f\u00e1ceis, n\u00e3o eliminou os problemas&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco.<\/p>\n<p>O Pentecostes chegou, para os disc\u00edpulos, depois de cinquenta dias incertos. Por um lado, Jesus ressuscitara: cheios de alegria, tinham-No visto, escutado e at\u00e9 comido com Ele. Por outro, ainda n\u00e3o superaram d\u00favidas e temores: estavam com as portas fechadas (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a020, 19.26), com perspetivas reduzidas, incapazes de anunciar o Vivente. Depois, chega o Esp\u00edrito Santo e as preocupa\u00e7\u00f5es desaparecem: agora os Ap\u00f3stolos n\u00e3o t\u00eam medo nem sequer \u00e0 vista de quem os prende; antes, preocupados por salvar a sua vida, agora j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam medo de morrer; antes, fechados no Cen\u00e1culo, agora levam o an\u00fancio a todas as na\u00e7\u00f5es. At\u00e9 \u00e0 Ascens\u00e3o de Jesus, aguardavam um Reino de Deus para eles (cf.\u00a0<em>At<\/em>\u00a01, 6), agora est\u00e3o ansiosos por alcan\u00e7ar fronteiras desconhecidas. Antes, quase nunca falaram em p\u00fablico e muitas vezes, quando o fizeram, criaram problemas como Pedro que renegou Jesus; agora falam corajosamente a todos. Em resumo, a hist\u00f3ria dos disc\u00edpulos, que parecia ter chegado ao fim, \u00e9 renovada pela\u00a0<em>juventude do Esp\u00edrito<\/em>: aqueles jovens, que dominados pela incerteza se sentiam no fim, foram transformados por uma alegria que os fez renascer. Foi o Esp\u00edrito Santo que fez isto. O Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9, como poderia parecer, uma coisa abstrata; \u00e9 a Pessoa mais concreta, mais pr\u00f3xima, aquela que muda a nossa vida. E como faz? Vejamos os Ap\u00f3stolos. O Esp\u00edrito n\u00e3o lhes tornou as coisas mais f\u00e1ceis, n\u00e3o fez milagres espetaculares, n\u00e3o eliminou problemas nem opositores, mas o Esp\u00edrito trouxe para a vida dos disc\u00edpulos uma harmonia que faltava: a Sua, porque Ele \u00e9\u00a0<em>harmonia<\/em>.<\/p>\n<p><em>Harmonia dentro do homem<\/em>. Era dentro, no cora\u00e7\u00e3o, que os disc\u00edpulos precisavam de ser mudados. A sua hist\u00f3ria diz-nos que a pr\u00f3pria vis\u00e3o do Ressuscitado n\u00e3o basta; \u00e9 preciso acolh\u00ea-Lo no cora\u00e7\u00e3o. De nada aproveita saber que o Ressuscitado est\u00e1 vivo, se n\u00e3o se vive como ressuscitados. E \u00e9 o Esp\u00edrito que faz viver e ressurgir Jesus em n\u00f3s, que nos ressuscita dentro. Por isso Jesus, ao encontrar os Seus, repete: \u00abA paz esteja convosco\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a020, 19.21) e d\u00e1 o Esp\u00edrito. A paz n\u00e3o consiste em resolver os problemas a partir de fora \u2013 Deus n\u00e3o tira aos Seus tribula\u00e7\u00f5es e persegui\u00e7\u00f5es \u2013, mas em receber o Esp\u00edrito Santo. Nisto consiste a paz, aquela paz dada aos Ap\u00f3stolos, aquela paz que n\u00e3o livra\u00a0<em>dos<\/em>\u00a0problemas, mas,\u00a0<em>nos<\/em>\u00a0problemas, \u00e9 oferecida a cada um de n\u00f3s. \u00c9 uma paz que torna o cora\u00e7\u00e3o semelhante ao mar profundo: permanece tranquilo, mesmo quando as ondas est\u00e3o revoltas \u00e0 superf\u00edcie. \u00c9 uma harmonia t\u00e3o profunda que pode at\u00e9 transformar as persegui\u00e7\u00f5es em bem-aventuran\u00e7a. Mas, em vez disso, quantas vezes permanecemos \u00e0 superf\u00edcie! Em vez de procurar o Esp\u00edrito, tentamos flutuar, pensando que tudo ficar\u00e1 bem se certo problema passar, se n\u00e3o virmos mais tal pessoa, se melhorar aquela situa\u00e7\u00e3o. Mas isto \u00e9 permanecer \u00e0 superf\u00edcie: superado um problema, chegar\u00e1 outro; e a ansiedade voltar\u00e1. N\u00e3o \u00e9 afastando-nos de quem pensa diferente de n\u00f3s que ficaremos tranquilos, n\u00e3o \u00e9 resolvendo o problema presente que estaremos em paz. O ponto de mudan\u00e7a \u00e9 a paz de Jesus, \u00e9 a harmonia do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Com a pressa que o nosso tempo nos imp\u00f5e, parece que a harmonia esteja posta de lado: reclamados por uma infinidade de coisas, arriscamo-nos a explodir, solicitados por um nervosismo cont\u00ednuo que nos faz reagir mal a tudo. E procura-se a solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida: uma pastilha atr\u00e1s doutra para continuar, uma emo\u00e7\u00e3o atr\u00e1s doutra para se sentir vivo, quando na verdade aquilo de que precisamos \u00e9 sobretudo o Esp\u00edrito. \u00c9 Ele que coloca ordem neste frenesi. \u00c9 paz na ansiedade, confian\u00e7a no des\u00e2nimo, alegria na tristeza, juventude na velhice, coragem na prova. \u00c9 Ele que, no meio das correntes tempestuosas da vida, mant\u00e9m firme a \u00e2ncora da esperan\u00e7a. Como nos diz hoje S\u00e3o Paulo, \u00e9 o Esp\u00edrito que nos impede de recair no medo, fazendo-nos sentir filhos amados (cf.\u00a0<em>Rm<\/em>8, 15). \u00c9 o Consolador, que nos transmite a ternura de Deus. Sem o Esp\u00edrito, a vida crist\u00e3 desfia-se, privada do amor que tudo une. Sem o Esp\u00edrito, Jesus permanece um personagem do passado; com o Esp\u00edrito, \u00e9 pessoa viva hoje. Sem o Esp\u00edrito, a Escritura \u00e9 letra morta; com o Esp\u00edrito, \u00e9 Palavra de vida. Um cristianismo sem o Esp\u00edrito \u00e9 um moralismo sem alegria; com o Esp\u00edrito, \u00e9 vida.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito Santo produz harmonia n\u00e3o s\u00f3\u00a0<em>dentro<\/em>, mas tamb\u00e9m\u00a0<em>fora, entre os homens<\/em>. Faz-nos Igreja, comp\u00f5e partes distintas num \u00fanico edif\u00edcio harm\u00f3nico. Explica-o bem S\u00e3o Paulo que, ao falar da Igreja, repete muitas vezes a palavra \u00abdiferente\u00bb: \u00ab<em>diferentes<\/em>carismas,\u00a0<em>diferentes<\/em>\u00a0atividades,\u00a0<em>diferentes<\/em>\u00a0minist\u00e9rios\u00bb (cf.\u00a0<em>1 Cor<\/em>\u00a012, 4-6). Somos diferentes, na variedade das qualidades e dos dons. O Esp\u00edrito distribui-os com criatividade, sem rebaixar nem nivelar. E, a partir desta diversidade, constr\u00f3i a unidade. Assim procede desde a cria\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 especialista em transformar o caos em cosmo, em criar harmonia. Ele \u00e9 especialista em criar as diversidades, as riquezas; cada um com a sua, diversa. Ele \u00e9 o criador desta diversidade e, ao mesmo tempo, \u00e9 Aquele que harmoniza, que d\u00e1 harmonia, e d\u00e1 unidade na diversidade. Somente Ele pode fazer estas duas coisas.<\/p>\n<p>Hoje, no mundo, as desarmonias tornaram-se verdadeiras divis\u00f5es: h\u00e1 quem tenha demais e quem n\u00e3o tem nada, h\u00e1 quem procure viver cem anos e quem n\u00e3o pode vir \u00e0 luz. Na era dos computadores, permanece-se \u00e0 dist\u00e2ncia: mais sociedade, mas menos sociais. Precisamos do Esp\u00edrito de unidade, que nos regenere como Igreja, como Povo de Deus e como humanidade inteira. Que nos regenere. H\u00e1 sempre a tenta\u00e7\u00e3o de construir \u00abninhos\u00bb: reunir-se \u00e0 volta do pr\u00f3prio grupo, das pr\u00f3prias prefer\u00eancias, o semelhante com o semelhante, al\u00e9rgicos a toda a contamina\u00e7\u00e3o. E do ninho \u00e0 seita, o passo \u00e9 curto, mesmo dentro da Igreja. Quantas vezes se define a pr\u00f3pria identidade contra algu\u00e9m ou contra alguma coisa! Pelo contr\u00e1rio, o Esp\u00edrito Santo junta os distantes, une os afastados, reconduz os dispersos. Funde tonalidades diferentes numa \u00fanica harmonia, porque em primeiro lugar v\u00ea o bem, v\u00ea o homem antes dos seus erros, as pessoas antes das suas a\u00e7\u00f5es. O Esp\u00edrito molda a Igreja, molda o mundo como espa\u00e7os de filhos e de irm\u00e3os. Filhos e irm\u00e3os: substantivos que v\u00eam antes de qualquer adjetivo. Est\u00e1 na moda adjetivar, se n\u00e3o mesmo, infelizmente, insultar. Podemos dizer que vivemos na cultura do adjetivo que esquece do substantivo das coisas; e tamb\u00e9m numa cultura do insulto, que \u00e9 a primeira resposta para uma opini\u00e3o que eu n\u00e3o compartilho. Depois damo-nos conta de que faz mal a quem \u00e9 insultado, mas tamb\u00e9m a quem insulta. Retribuindo o mal com mal, passando de v\u00edtimas a verdugos, n\u00e3o se vive bem. Pelo contr\u00e1rio, quem vive segundo o Esp\u00edrito leva paz onde h\u00e1 disc\u00f3rdia, conc\u00f3rdia onde h\u00e1 conflito. Os homens espirituais retribuem o mal com bem, respondem \u00e0 arrog\u00e2ncia com a mansid\u00e3o, \u00e0 maldade com a bondade, \u00e0 barafunda com o sil\u00eancio, \u00e0s maledic\u00eancias com a ora\u00e7\u00e3o, ao derrotismo com o sorriso.<\/p>\n<p>Para ser espirituais, para saborear a harmonia do Esp\u00edrito, \u00e9 preciso colocar a sua vis\u00e3o \u00e0 frente da nossa. Ent\u00e3o as coisas mudam: com o Esp\u00edrito, a Igreja \u00e9 o Povo santo de Deus, a miss\u00e3o \u00e9 o cont\u00e1gio da alegria &#8211; n\u00e3o o proselitismo &#8211; os outros s\u00e3o irm\u00e3os e irm\u00e3s amados pelo mesmo Pai. Mas, sem o Esp\u00edrito, a Igreja \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o, a miss\u00e3o \u00e9 propaganda, a comunh\u00e3o \u00e9 um esfor\u00e7o. E tantas Igrejas fazem ac\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas no sentido de planos de pastoral, de discuss\u00f5es sobre todas as coisas. Pode parecer que este seja o caminho para nos unir, por\u00e9m este n\u00e3o \u00e9 o caminho do Esp\u00edrito, \u00e9 o caminho da divis\u00e3o.\u00a0<em>A primeira e a derradeira necessidade da Igreja<\/em>\u00a0\u00e9 o Esp\u00edrito (cf. S\u00e3o Paulo VI,\u00a0<em>Catequese<\/em>\u00a0na Audi\u00eancia Geral de 29\/XI\/1972). Ele \u00abvem aonde \u00e9 amado, aonde \u00e9 convidado, aonde \u00e9 esperado\u00bb (S\u00e3o Boaventura,\u00a0<em>Serm\u00e3o para o IV Domingo depois da P\u00e1scoa<\/em>). Irm\u00e3os e irm\u00e3s, rezemos-Lhe diariamente. Esp\u00edrito Santo, harmonia de Deus! V\u00f3s que transformais o medo em confian\u00e7a e o fechamento em dom, vinde a n\u00f3s. Dai-nos a alegria da ressurrei\u00e7\u00e3o, a perene juventude do cora\u00e7\u00e3o. Esp\u00edrito Santo, nossa harmonia! V\u00f3s que fazeis de n\u00f3s um s\u00f3 corpo, infundi a vossa paz na Igreja e no mundo. Esp\u00edrito Santo: tornai-nos artes\u00e3os de conc\u00f3rdia, semeadores de bem, ap\u00f3stolos de esperan\u00e7a.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Francico celebrou hoje a eucaristia de Pentecostes no Vaticano. 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