{"id":78673860,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/11909-domingo-iii-do-tempo-comum-deixar-tudo-pelo-reino-de-deus"},"modified":"2025-11-07T16:33:54","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:54","slug":"domingo-iii-do-tempo-comum-deixar-tudo-pelo-reino-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iii-do-tempo-comum-deixar-tudo-pelo-reino-de-deus\/","title":{"rendered":"Domingo III do Tempo Comum: \u00abDeixar tudo pelo Reino de Deus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Is 8,23-9,3; Sl 27; 1 Cor 1,10-13.17; Mt 4,12-23<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Domingo III do Tempo Comum. Cruzamento e entrela\u00e7amento de textos num facho de intensa luz, vinda de fora, como a aurora. \u00c9 assim que o Evangelho de Mateus 4,15-16 recolhe Isa\u00edas 8,23-9,1. O profeta tinha diante dos olhos uma luz grande que havia de brilhar naquela Galileia devastada. Ventos de morte tinham varrido a Galileia nos anos 733-732 a. C., quando o imperador ass\u00edrio Tiglat-Pilezer III, na sua expans\u00e3o para ocidente, e no seguimento da guerra siro-efraimita, invadiu e reduziu estes territ\u00f3rios da Galileia a tr\u00eas prov\u00edncias ass\u00edrias: Galaad, Meguido e Dor, levando para o ex\u00edlio muitos dos seus habitantes judeus e transferindo para ali povos pag\u00e3os de outros credos, ra\u00e7as e culturas, para impedir que um Israel com identidade pr\u00f3pria e religiosidade judaica pudesse ainda vingar e prosperar naquela regi\u00e3o. Era assim que a Ass\u00edria tratava os seus vassalos rebeldes: matava-lhes o corpo e a alma. Mateus, que bem conhecia a realidade da Galileia, e que tamb\u00e9m seguiu os caminhos de Jesus, gravou no seu Evangelho que essa luz que Isa\u00edas vislumbrou \u00e9 Jesus que, com a sua presen\u00e7a e prega\u00e7\u00e3o, alumia agora a sombria regi\u00e3o da Galileia.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O Evangelho de hoje (Mateus 4,12-23) refere com precis\u00e3o que, \u00abquando Jesus soube que Jo\u00e3o Batista tinha sido preso,\u00a0<em>retirou-se<\/em>\u00a0(<em>anech\u00f4r\u00easen<\/em>) para a Galileia\u00bb (Mateus 4,12), e, \u00abdesde ent\u00e3o, come\u00e7ou a pregar\u00bb (Mateus 4,17a). Uma prolepse e uma surpresa, podemos dizer mesmo um esc\u00e2ndalo. A prolepse: ao anotar a pris\u00e3o de Jo\u00e3o Batista, o narrador est\u00e1 a registar um facto hist\u00f3rico mas, mais do que isso, est\u00e1 j\u00e1 a desvendar aquilo que um dia acontecer\u00e1 tamb\u00e9m a Jesus. E j\u00e1 se come\u00e7a a notar, pois \u00e9 dito que Jesus, ao ter conhecimento da pris\u00e3o de Jo\u00e3o Batista,\u00a0<em>se retirou<\/em>\u00a0para a Galileia. O uso do verbo grego\u00a0<em>anach\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0[=\u00a0<em>retirar-se<\/em>] indica geralmente em Mateus a fuga de um lugar que se revelava perigoso e hostil para outro mais tranquilo (cf. Mateus 2,12.13.14; 4,12; 12,15; 14,13; 15,21). De resto, em caso de persegui\u00e7\u00e3o, Jesus aconselha os seus disc\u00edpulos a fugirem para outra cidade (Mateus 10,23), ainda que neste texto use um verbo diferente. A surpresa e o esc\u00e2ndalo: era do sentir comum que o an\u00fancio messi\u00e2nico fosse feito no cora\u00e7\u00e3o do juda\u00edsmo, em Jerusal\u00e9m e na Judeia, e n\u00e3o numa regi\u00e3o perif\u00e9rica, desprezada e contaminada pelo paganismo, como era esta \u00abGalileia dos pag\u00e3os\u00bb (Mateus 4,15). Curiosamente, Jesus tinha vindo de Norte para Sul, da Galileia para a Judeia, ao encontro de Jo\u00e3o Batista, para ser por ele batizado (Mateus 3,13), e ei-lo que faz agora a viagem ao contr\u00e1rio, de Sul para Norte, da Judeia para a Galileia (Mateus 4,12), e \u00e9 a\u00ed, em Cafarnaum, que come\u00e7a a pregar o Evangelho (Mateus 4,17). Regresso for\u00e7ado, como vimos, pelos acontecimentos hostis verificados no Sul, e que levaram \u00e0 pris\u00e3o de Jo\u00e3o Batista. \u00c9 para justificar e iluminar este estranho e inesperado come\u00e7o, que Mateus se v\u00ea como que obrigado a citar por inteiro a passagem apropriada de Isa\u00edas 8,23-9,1, que p\u00f5e o povo humilhado da tribo de Zabulon, de que fazia parte Nazar\u00e9, e da tribo de Neftali, de que fazia parte Cafarnaum, a ser visitado por uma grande Luz, que rasgava a noite e a morte semeadas pela guerra e o desprezo (Mateus 4,13-16).<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">3. Esta Luz \u00e9 Jesus. Luz de Jesus que vem iluminar a noite da Galileia. Voz de Jesus a romper aquele espesso manto de sil\u00eancio: \u00abConvertei-vos, porque\u00a0<em>se fez pr\u00f3ximo<\/em>\u00a0(<em>\u00eaggiken<\/em>) o Reino dos C\u00e9us!\u00bb (Mateus 4,17b). \u00c9 assim, com estas palavras, que Jesus come\u00e7a a pregar na Galileia. \u00c9 f\u00e1cil verificar que s\u00e3o exatamente as mesmas palavras com que Jo\u00e3o Baptista abria a sua prega\u00e7\u00e3o no Sul: \u00abConvertei-vos, porque\u00a0<em>se fez pr\u00f3ximo<\/em>\u00a0o Reino dos C\u00e9us\u00bb (3,2). Convers\u00e3o, isto \u00e9, mudan\u00e7a de mentalidade (<em>metano\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0LXX), mas sobretudo de caminho e de dire\u00e7\u00e3o [voltar-me, n\u00e3o para mim mesmo, mas para o Deus pessoal da alian\u00e7a] (<em>sh\u00fbb<\/em>\u00a0TM), e responder \u00e0 sua Palavra sempre primeira. A exig\u00eancia da convers\u00e3o \u00e9 motivada pela proximidade e continuidade do Reino de Deus entre n\u00f3s. O uso do verbo grego\u00a0<em>egg\u00edz\u00f4<\/em>\u00a0no perfeito [<em>\u00eaggiken<\/em>\u00a0= fez-se pr\u00f3ximo] ensina-nos que o Reino de Deus n\u00e3o est\u00e1 apenas perto ou pr\u00f3ximo de n\u00f3s ou a caminho, que est\u00e1 para chegar, mas que j\u00e1 veio para ficar sempre pr\u00f3ximo de n\u00f3s, no meio de n\u00f3s. N\u00e3o est\u00e1 em vias de acontecer num futuro mais ou menos pr\u00f3ximo, mas est\u00e1 agora a acontecer. \u00c9 agora (cf. Mateus 26,45-46). Espl\u00eandida Luz, espl\u00eandida Voz, espl\u00eandido Amor de Deus, espl\u00eandida surpresa divina! Ainda antes de nos interpelar a que nos interessemos por Deus, a B\u00edblia mostra que \u00e9 Deus que se interessa primeiro por n\u00f3s, tomando a iniciativa de percorrer as nossas estradas poeirentas para nos vir visitar a nossas casas! E n\u00e3o apenas visitar, mas ficar connosco! \u00c9 esta a maravilha desconcertante do Evangelho! Evangelho no duplo sentido: objetivo e subjetivo. O Evangelho \u00e9 Jesus, a pessoa de Jesus (sentido objetivo). O Evangelho \u00e9 a a\u00e7\u00e3o de evangeliza\u00e7\u00e3o desencadeada por Jesus (sentido subjetivo). Jesus \u00e9 o Evangelho e o Evangelizador.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. \u00c9 o que constatamos no velho texto de Mateus e nas nossas estradas de hoje. Verifica\u00e7\u00e3o: Jesus caminha ao longo das praias do Mar da Galileia, e v\u00ea dois irm\u00e3os, Sim\u00e3o e Andr\u00e9, ocupados nos trabalhos da pesca, e diz-lhes: \u00abVinde atr\u00e1s de mim (<em>de\u00fbte op\u00eds\u00f4 mou<\/em>)\u00bb (Mateus 4,19). Bem vistas as condi\u00e7\u00f5es de trabalho em que os dois estavam envolvidos, e a import\u00e2ncia da pesca no mundo pobre da Galileia, a ordem de Jesus parece completamente disruptiva. Mas a resposta dos dois \u00e9 excessiva, imediata e radical: \u00abDeixaram\u00a0<em>logo<\/em>\u00a0(<em>euth\u00e9\u00f4s<\/em>) as redes, e seguiram-no!\u00bb (Mateus 4,20). Note-se, no entanto, que aquele \u00abVinde atr\u00e1s de mim\u00bb n\u00e3o \u00e9 um convite; \u00e9 uma exig\u00eancia. E n\u00e3o se trata tanto do dizer de um Mestre, mas de um Profeta, ao jeito do chamamento de Elias a Eliseu (cf. 1 Reis 19,19-21). \u00c9 normal os disc\u00edpulos seguirem o Mestre, \u00abatr\u00e1s do Mestre\u00bb, mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 usual ser o Mestre a cham\u00e1-los; s\u00e3o os disc\u00edpulos que devem procurar um Mestre. Por outro lado ainda, a atividade pr\u00f3pria do Mestre \u00e9 ensinar, mas no caso deste chamamento, Jesus parece ter em vista uma estranha atividade de pesca: \u00abfarei de v\u00f3s pescadores de homens\u00bb. Compreende-se a met\u00e1fora da pesca no seguimento da ocupa\u00e7\u00e3o acabada de descrever daqueles dois chamados, mas fica em aberto a natureza da nova pesca acenada por Jesus: de qu\u00ea e para qu\u00ea pescar pessoas? Jeremias 16,16 p\u00f5e Deus a lar e a dizer: \u00abEnviarei muitos pescadores para a pesca, e pesc\u00e1-los-\u00e3o\u00bb. \u00c9 a mesma met\u00e1fora da pesca, mas trata-se aqui de reunir os pecadores para o julgamento. \u00c9 aqui que encaixa a pesca proposta por Jesus face \u00e0 Vinda do Reino de Deus. Da\u00ed tamb\u00e9m a exig\u00eancia da convers\u00e3o ordenada por Jesus. E a for\u00e7a daquele chamamento feito por Jesus \u00e0queles pescadores. Lendo outra vez as palavras de Jesus, percebemos que n\u00e3o se trata de convidar, mas de exigir, m\u00e9todo de Profeta, e n\u00e3o de Mestre. E falar de \u00abpescadores para pescar homens\u00bb \u00e9 tamb\u00e9m linguagem prof\u00e9tica e tem em vista o julgamento de Deus. E andando um pouco mais, viu outros dois irm\u00e3os, Tiago e Jo\u00e3o, que, com o pai, Zebedeu, remendavam (<em>katart\u00edzontas<\/em>) as redes na barca. Tamb\u00e9m os chamou. E tamb\u00e9m eles deixaram\u00a0<em>logo<\/em>\u00a0(<em>euth\u00e9\u00f4s<\/em>) a barca e o pai, e seguiram-no (Mt 4,21-22). Porqu\u00ea este chamamento disruptivo e a resposta radical destes pescadores? A resposta reside na\u00a0<em>urg\u00eancia<\/em>\u00a0criada pela proximidade do Reino de Deus, a que nada se deve antepor. Nada \u00e9\u00a0<em>primeiro<\/em>\u00a0em rela\u00e7\u00e3o ao Reino de Deus: nem sepultar o pr\u00f3prio pai ou despedir-se dos familiares (Lucas 9,59-61). \u00abQuem lan\u00e7a as m\u00e3os ao arado e olha para tr\u00e1s n\u00e3o est\u00e1 apto para o Reino de Deus\u00bb (Lucas 9,62). E o Reino de Deus n\u00e3o tem fronteiras, nem bandeiras, nem moeda pr\u00f3pria. N\u00e3o est\u00e1 aqui ou ali. N\u00e3o \u00e9 deste mundo. O Reino de Deus \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus Cristo com o Esp\u00edrito Santo. Ele \u00e9 o Reino em pessoa (<em>h\u00ea autobasile\u00eda<\/em>), conforme o belo dizer de Or\u00edgenes. \u00c9, ent\u00e3o, face a Ele que nos devemos converter. \u00c9 a voz dele que temos de ouvir. \u00c9 o seu caminho que temos de seguir. O Reino de Deus, Jesus, p\u00f5e-nos em cheque e em causa. Da\u00ed a urg\u00eancia da convers\u00e3o, daquele chamamento e daquela resposta.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. \u00c9 ent\u00e3o urgente compreender que Jesus, que \u00e9 o Reino de Deus em pessoa, desce ao nosso mundo, caminha pelas nossas estradas e vem ter connosco aos nossos lugares de trabalho. E \u00e9 a\u00ed que nos chama e nos p\u00f5e em estado de urg\u00eancia e de convers\u00e3o. N\u00e3o espera por n\u00f3s apenas no cen\u00e1rio sagrado das nossas Igrejas! N\u00e3o nos obriga a fazer uma inscri\u00e7\u00e3o, a preencher uma ficha, a aprender uma doutrina, nem sequer nos entrega um projeto de vida, um gui\u00e3o, uma regra, n\u00e3o pede a nossa opini\u00e3o. N\u00e3o nos convida a segui-lo, mas exige que o sigamos, n\u00e3o para nos ensinar, mas para nos enviar como pescadores de homens para o julgamento decisivo do Reino de Deus. A sua voz \u00e9 mais de Profeta do que de Mestre. Tudo o que Jesus diz e faz \u00e9 exigente, decisivo e urgente. \u00c9 face a Ele que devemos saber queimar a nossa palha. \u00c9 a isso que se chama p\u00f4r a nossa vida em estado urgente, mas permanente, de convers\u00e3o. Jesus n\u00e3o nos p\u00f5e a fazer uma esp\u00e9cie de est\u00e1gio, para que um dia nos tornemos Mestres. J\u00e1 sabemos que permaneceremos sempre irm\u00e3os, e um s\u00f3 \u00e9 o nosso Mestre (cf. Mateus 23,8). N\u00e3o nos coloca num est\u00e1gio, num estado, num estrado, numa estante, mas num caminho! E um dia mais tarde, ouvi-lo-emos ainda dizer: \u00abIde!\u00bb (Mateus 28,19). \u00c9 sempre no caminho que nos deixa. Mas sempre atr\u00e1s d\u2019Ele.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. A toada do Evangelho de hoje, com Jesus a chamar por n\u00f3s, pode levar-nos a casa de Carl Gustav Jung (1875-1961), um dos pais da psican\u00e1lise. Carl Jung mandou esculpir sobre a porta da sua casa, em K\u00fcsnacht, na Su\u00ed\u00e7a, esta frase: \u00abChamado ou n\u00e3o chamado, Deus estar\u00e1 sempre presente. Nunca se vai embora. Fica sempre por perto, \u00e0 espera de nos abra\u00e7ar\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Mas voltemos a Isa\u00edas 8,23-9,3, hoje, como j\u00e1 vimos, entran\u00e7ado com o sublime Evangelho de Mateus 4,12-23. Visita de Deus. Luz grande para os abandonados. \u00c9 a passagem das nossas trevas para a luz refulgente que vem de Deus. \u00c9 o habitual\u00a0<em>link<\/em>\u00a0editorial dos profetas que sabem sobrepor ou justapor a promessa de reden\u00e7\u00e3o com o desastre, mostrando que dentro do desastre j\u00e1 germina a esperan\u00e7a, das entranhas das trevas j\u00e1 come\u00e7a a despontar a luz, nova cria\u00e7\u00e3o, milagre sem explica\u00e7\u00e3o. Deus em a\u00e7\u00e3o. As trevas podem surgir quando falta a luz; mas em caso algum podem produzir luz. V\u00ea-se ainda a vida a borbotar das feridas infligidas pelas espadas. Alegria a desenhar a esta\u00e7\u00e3o das ceifas. As nossas m\u00e3os em concha a recolher os dias dados. Deus\u00a0<em>primeiro<\/em>\u00a0e\u00a0<em>antes<\/em>. Deus basta. O dia de Madi\u00e3 \u00e9 o dia em que Gede\u00e3o enfrenta e desbarata as tropas de Madi\u00e3 com trezentos homens que sabem que a \u00e1gua \u00e9 um dom de Deus (cf. Ju\u00edzes 7). E estiveram l\u00e1 junto da fonte mais trinta e um mil e setecentos candidatos que apenas exibiam a pr\u00f3pria for\u00e7a e que pensavam que estavam ali por mero acaso! Estavam a mais. Foram naturalmente mandados embora. Como j\u00e1 tinham sido outros dez mil antes deles.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Continuamos a saborear a Primeira Carta de S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios, servida hoje no extrato entrecortado de 1,10-13.17. Sem ced\u00eancias de qualquer esp\u00e9cie, Paulo aponta \u00e0 comunidade crist\u00e3 de Corinto as divis\u00f5es e rixas que nela se instalaram, e os grupinhos de perten\u00e7a em que as pessoas se agrupam e reveem. E Paulo prop\u00f5e aos Cor\u00edntios e a n\u00f3s que, em vez de nos ocuparmos com divis\u00f5es ou cismas (<em>sch\u00edsmata<\/em>), nos tornemos \u00abremendadores\u00bb (<em>kat\u00eartism\u00e9noi<\/em>: part. perf. pass. de\u00a0<em>katart\u00edz\u00f4<\/em>) (1,10), que \u00e9 sintomaticamente o mesmo verbo em que se ocupavam os disc\u00edpulos hoje chamados, que estavam a remendar (<em>katart\u00edzontas<\/em>: part. presente de\u00a0<em>katart\u00edz\u00f4<\/em>) as redes (Mateus 4,21). A\u00ed est\u00e1 um novo e belo minist\u00e9rio: \u00abremendadores\u00bb da comunidade, isto \u00e9, fazedores de pontes, estradas, bra\u00e7os e abra\u00e7os, para que as pessoas, em vez de se separarem e dividirem, se unam e re\u00fanam. E porque circulava tamb\u00e9m em Corinto uma certa conce\u00e7\u00e3o de batismo que criava especiais la\u00e7os de perten\u00e7a do batizando em rela\u00e7\u00e3o a quem o batiza, Paulo adianta bem que a sua miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 batizar, mas evangelizar!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. O Salmo 27 pode deixar-nos nos bra\u00e7os de Deus, cantando e decantando a luz e a confian\u00e7a que de Deus recebemos. Mas tamb\u00e9m a suavidade, a bondade e a beleza nos encantam. Corol\u00e1rio normal, ainda que sempre de excecional eleva\u00e7\u00e3o, para este dia e para esta liturgia, que nos deixa sempre tranquilos a brincar \u00e0 porta da Casa de Deus, sob o olhar atento e carinhoso de Deus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Este Domingo \u00e9 tamb\u00e9m, por vontade do Papa Francisco, o Domingo da Palavra de Deus. Portanto, deixemo-nos invadir performativamente, e n\u00e3o apenas informativamente, pela torrente da Palavra de Deus. E deixemos que rasgue em n\u00f3s novas avenidas f\u00e9rteis e floridas, onde despontem novos e adequados comportamentos.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Is 8,23-9,3; Sl 27; 1 Cor 1,10-13.17; Mt 4,12-23 1. Domingo III do Tempo Comum. 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