{"id":810728848,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8472-audiencia-geral-pedintes-do-amor-de-deus"},"modified":"2025-11-07T16:34:33","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:33","slug":"audiencia-geral-pedintes-do-amor-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-pedintes-do-amor-de-deus\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00abPedintes do Amor de Deus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_salapaulovi_180829052256.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p>Catequeses sobre o &#8220;Pai nosso&#8221;: 7. Pai que est\u00e1s no c\u00e9u<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A audi\u00eancia de hoje acontece em dois momentos. \u00a0Primeiro estive reunido em encontro com fi\u00e9is de Benevento, que estavam em S\u00e3o Pedro, e agora re\u00fano-me convosco. \u00a0E isto fica a dever-se \u00e0 delicadeza da Prefeitura da Casa Pontif\u00edcia que n\u00e3o queria que tiv\u00e9sseis frio: agradecemos-lhe o que fizeram.<\/p>\n<p>Continuamos as catequeses sobre o &#8220;Pai Nosso&#8221;. O primeiro passo de toda ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 a entrada num mist\u00e9rio, o da paternidade de Deus. N\u00e3o se pode rezar como papagaios. Ou se entra no mist\u00e9rio, na consci\u00eancia de que Deus \u00e9 Pai ou n\u00e3o reza. Se eu quiser rezar a Deus, meu pai, come\u00e7o no mist\u00e9rio. Para entender at\u00e9 que ponto Deus \u00e9 um pai, pensemos nas figuras dos nossos pais, mas temos sempre que &#8220;refin\u00e1-las&#8221;, purific\u00e1-las. O Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica tamb\u00e9m diz: \u00abA purifica\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0s imagens paternas e maternas, como se configuram na nossa hist\u00f3ria pessoal e cultural e influenciam o nosso relacionamento com Deus\u00bb (n. 2779).<\/p>\n<p>Nenhum de n\u00f3s teve pais perfeitos, ningu\u00e9m; como n\u00f3s, por nossa vez, nunca seremos pais ou pastores perfeitos. Todos n\u00f3s temos falhas, todos. As nossas rela\u00e7\u00f5es de amor vivem sempre sob o signo dos nossos limites e tamb\u00e9m do nosso ego\u00edsmo, de modo a que s\u00e3o frequentemente polu\u00eddos por desejos de posse ou manipula\u00e7\u00e3o do outro. \u00c9 por isso que \u00e0s vezes as declara\u00e7\u00f5es de amor se transformam em sentimentos de raiva e hostilidade. Mas v\u00ea bem, esses dois que se amavam tanto na semana passada hoje odeiam-se at\u00e9 \u00e0 morte: vemos isto acontecer todos os dias! E \u00e9 por isto, porque todos n\u00f3s temos dentro de n\u00f3s as ra\u00edzes do amar, que nem sempre s\u00e3o boas e \u00e0s vezes transparecem no exterior e fazem mal. \u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 por isto que, quando falamos de Deus como &#8220;pai&#8221;, enquanto pensamos na imagem dos nossos pais, especialmente se eles nos amaram, temos, ao mesmo tempo, de ir mais al\u00e9m. Porque o amor de Deus \u00e9 o do Pai &#8220;que est\u00e1 no c\u00e9u&#8221;, segundo a express\u00e3o que nos convida a usar Jesus: \u00e9 o amor total que n\u00f3s, nesta vida, provamos apenas imperfeitamente. Homens e mulheres s\u00e3o eternamente mendigos de amor &#8211; somos mendigos do amor, precisamos do amor &#8211; procurando um lugar para finalmente ser amado, mas n\u00e3o o encontrando. Quantas amizades e quantos amores desapontados existem no nosso mundo; tantos!<\/p>\n<p>O deus grego do amor, na mitologia, \u00e9 o mais tr\u00e1gico de todos: n\u00e3o \u00e9 claro se ele \u00e9 um ser ang\u00e9lico ou um dem\u00f3nio. A mitologia diz que ele \u00e9 o filho de Poros e de P\u00ednia, isto \u00e9 da ast\u00facia e da pobreza, destinado a trazer nele mesmo parte da fisionomia destes pais. A partir daqui podemos pensar na natureza ambivalente do amor humano: capaz de florescer e de dominar a vida numa hora do dia, e imediatamente a seguir capaz de murchar e morrer; aquele que agarra, sempre escapa (cf. Plat\u00e3o, Simp\u00f3sio, 203). H\u00e1 uma express\u00e3o do profeta Oseias que molda impiedosamente a fraqueza cong\u00e9nita do nosso amor: \u00abO vosso amor \u00e9 como uma nuvem da manh\u00e3, como o orvalho que se desvanece ao amanhecer\u00bb (6, 4). Aqui est\u00e1 o que o nosso amor \u00e9 muitas vezes: uma promessa que se esfor\u00e7a para manter, uma tentativa que logo seca e evapora, um pouco como quando o sol aparece de manh\u00e3 e faz desaparecer o orvalho da noite.<\/p>\n<p>Quantas vezes n\u00f3s, homens, amamos de maneira t\u00e3o fraca e intermitente. Todos n\u00f3s fazemos a experi\u00eancia: am\u00e1mos, mas depois o amor torna-se caduco e enfraquece. Desejosos de amar, entramos em choque com os nossos limites, com a pobreza das nossas for\u00e7as: incapazes de manter uma promessa que nos dias de gra\u00e7a parecia f\u00e1cil de alcan\u00e7ar. Afinal, at\u00e9 mesmo o ap\u00f3stolo Pedro estava com medo e teve que fugir. O ap\u00f3stolo Pedro n\u00e3o foi fiel ao amor de Jesus. H\u00e1 sempre esta fraqueza que nos faz cair. Somos pedintes que, em caminho, provavelmente nunca encontrar\u00e3o completamente o tesouro que procuram desde o primeiro dia da vida: o amor.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 outro amor, o do Pai &#8220;que est\u00e1 no c\u00e9u&#8221;. Ningu\u00e9m deve duvidar que ele \u00e9 o destinat\u00e1rio desse amor. Ele ama-nos. &#8220;Ele ama-me&#8221;, podemos dizer. Se at\u00e9 o nosso pai e m\u00e3e n\u00e3o amassem &#8211; uma hip\u00f3tese hist\u00f3rica -, h\u00e1 um Deus no c\u00e9u que nos ama como ningu\u00e9m na terra jamais fez e pode fazer. O amor de Deus \u00e9 constante. O profeta Isa\u00edas diz: \u00abAcaso pode uma mulher esquecer-se do seu beb\u00e9, n\u00e3o ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria. Eis que Eu gravei a tua imagem na palma das minhas m\u00e3os\u00bb (Is 49, 15-16).<strong> <\/strong>Hoje est\u00e1 na moda a tatuagem: \u00abgravei a tua imagem na palma das minhas m\u00e3os\u00bb. Eu fiz uma tatuagem de ti nas minhas m\u00e3os. Eu estou nas m\u00e3os de Deus, e n\u00e3o posso apag\u00e1-lo. \u00a0O amor de Deus \u00e9 como o amor de uma m\u00e3e, que nunca pode ser esquecido. E se uma m\u00e3e se esquecer? &#8220;Eu n\u00e3o me esquecerei&#8221;, diz o Senhor. Este \u00e9 o amor perfeito de Deus, ent\u00e3o somos amados por Ele. Se todos os nossos amores terrenos se desmoronassem e n\u00e3o ficasse nas m\u00e3os nada mais do que poeira, permanece sempre para todos n\u00f3s, ardente, o amor \u00fanico e fiel de Deus.<\/p>\n<p>Na fome de amor que todos sentimos, n\u00e3o procuramos algo que n\u00e3o existe: \u00e9, ao contr\u00e1rio, um convite para conhecer a Deus que \u00e9 pai. A convers\u00e3o de Santo Agostinho, por exemplo, passou por este cume: o ret\u00f3rico e brilhante jovem estava simplesmente tentando entre as criaturas algo que nenhuma criatura lhe poderia dar, at\u00e9 que um dia teve a coragem de olhar para cima. E nesse dia conheceu a Deus, Deus que ama.<\/p>\n<p>A express\u00e3o &#8220;no c\u00e9u&#8221; n\u00e3o quer expressar uma dist\u00e2ncia, mas uma diversidade radical do amor, uma outra dimens\u00e3o do amor, um amor incans\u00e1vel, um amor que permanecer\u00e1 sempre, de facto, que est\u00e1 sempre \u00e0 m\u00e3o. Basta dizer &#8220;Pai nosso que est\u00e1s no c\u00e9u&#8221;, e este amor vem.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o ter medo! Nenhum de n\u00f3s est\u00e1 sozinho. Se at\u00e9 mesmo para desgra\u00e7a o teu pai terrestre te esqueceu, e tu guardas por ele rancor, n\u00e3o te \u00e9 negada a experi\u00eancia fundamental da f\u00e9 crist\u00e3: a de saber que tu \u00e9s filho amado de Deus, e que n\u00e3o h\u00e1 nada na vida que possa extinguir o seu amor apaixonado por ti.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/audiences\/2019\/documents\/papa-francesco_20190220_udienza-generale.html\">original em italiano<\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequeses sobre o &#8220;Pai nosso&#8221;: 7. 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