{"id":84842954,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11878-diante-da-ameaca-nuclear-construir-a-paz-em-conjunto-pede-o-papa"},"modified":"2025-11-07T16:34:44","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:44","slug":"diante-da-ameaca-nuclear-construir-a-paz-em-conjunto-pede-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/diante-da-ameaca-nuclear-construir-a-paz-em-conjunto-pede-o-papa\/","title":{"rendered":"\u00abDiante da amea\u00e7a nuclear construir a paz em conjunto\u00bb, pede o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_discruso_sala-clementina_190930082101.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>Francisco recebeu, esta manh\u00e3, no Vaticano, o Corpo Diplom\u00e1tico acreditado junto da Santa S\u00e9, para os habituais cumprimentos de Ano Novo. Aos diplomatas deixou duras cr\u00edticas ao que apelidou de \u201cIII Guerra Mundial\u201d em curso, e apelou ao \u201cregresso necess\u00e1rio do di\u00e1logo, da escuta rec\u00edproca e da negocia\u00e7\u00e3o\u201d<\/em><\/p>\n<p>Emin\u00eancia,\u00a0Excel\u00eancias, Senhoras e Senhores!<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o a vossa presen\u00e7a no nosso habitual encontro, que este ano deseja ser uma invoca\u00e7\u00e3o de paz para o mundo que v\u00ea crescer divis\u00f5es e guerras.<\/p>\n<p>Sinto-me particularmente agradecido ao Decano do Corpo Diplom\u00e1tico, Senhor Georges Poulides, pelos bons votos que me formulou em nome de todos v\u00f3s. A minha sauda\u00e7\u00e3o estende-se a cada um de v\u00f3s, \u00e0s vossas fam\u00edlias, aos colaboradores e aos povos e governos dos pa\u00edses que representais. A todos v\u00f3s e \u00e0s Autoridades da respetiva na\u00e7\u00e3o, desejo expressar a minha gratid\u00e3o tamb\u00e9m pelas mensagens de condol\u00eancias que me enviaram por ocasi\u00e3o da morte do Papa Em\u00e9rito\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt.html\">Bento XVI<\/a>\u00a0e pela solidariedade manifestada durante as ex\u00e9quias.<\/p>\n<p>Terminou h\u00e1 poucos dias o tempo de Natal, em que os crist\u00e3os comemoram o mist\u00e9rio do nascimento do Filho de Deus. O profeta Isa\u00edas preanunciara-o com estas palavras: \u00abUm menino nasceu para n\u00f3s, um filho nos foi dado; tem a soberania sobre os seus ombros e o seu nome \u00e9 Conselheiro-Admir\u00e1vel, Deus her\u00f3i, Pai-Eterno, Pr\u00edncipe da paz\u00bb (<em>Is<\/em>\u00a09, 5).<\/p>\n<p>A vossa presen\u00e7a atesta o valor da paz e da fraternidade humana, que o di\u00e1logo contribui para construir. Ali\u00e1s, a tarefa da diplomacia \u00e9 precisamente aplanar os contrastes para favorecer um clima de m\u00fatua colabora\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a em ordem \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades de todos. Pode-se dizer que aquela \u00e9 um exerc\u00edcio de humildade, pois exige sacrificar um pouco de amor-pr\u00f3prio para entrar em rela\u00e7\u00e3o com o outro a fim de compreender as suas raz\u00f5es e pontos de vista, contrastando assim a soberba e a arrog\u00e2ncia humanas que s\u00e3o a causa de toda a vontade beligerante.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o igualmente a solicitude que os vossos pa\u00edses dedicam \u00e0 Santa S\u00e9, expressa durante o ano passado nomeadamente na decis\u00e3o da Su\u00ed\u00e7a, Rep\u00fablica do Congo, Mo\u00e7ambique e Azerbaij\u00e3o nomear Embaixadores residentes em Roma, bem como na assinatura de novos Acordos bilaterais com a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e com a Rep\u00fablica do Cazaquist\u00e3o.<\/p>\n<p>E fa\u00e7o quest\u00e3o ainda de recordar aqui o facto de a Santa S\u00e9 e a Rep\u00fablica Popular da China, no quadro dum di\u00e1logo respeitoso e construtivo, terem concordado em prorrogar por mais dois anos a validade do Acordo Provis\u00f3rio sobre a nomea\u00e7\u00e3o dos Bispos, estipulado em Pequim no ano de 2018. Espero que esta rela\u00e7\u00e3o de colabora\u00e7\u00e3o se possa desenvolver em prol da vida da Igreja Cat\u00f3lica e do bem do povo chin\u00eas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, renovo-vos a garantia da plena colabora\u00e7\u00e3o da Secretaria de Estado e dos Dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana, a qual foi reformada em algumas estruturas, com a promulga\u00e7\u00e3o da nova Constitui\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_constitutions\/documents\/20220319-costituzione-ap-praedicate-evangelium.html\">Pr\u00e6dicate Evangelium<\/a><\/em>, para melhor cumprir \u00abcom esp\u00edrito evang\u00e9lico a sua fun\u00e7\u00e3o, trabalhando em benef\u00edcio e ao servi\u00e7o da comunh\u00e3o, da unidade e da edifica\u00e7\u00e3o da Igreja universal e atendendo \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es do mundo onde a Igreja \u00e9 chamada a cumprir a sua miss\u00e3o\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Prezados Embaixadores,<\/p>\n<p>Este ano ter\u00e1 lugar o sexag\u00e9simo anivers\u00e1rio da Enc\u00edclica\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>\u00a0de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt.html\">S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII<\/a>, publicada cerca de dois meses antes da sua morte\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Aos olhos do \u00abPapa bom\u00bb, continuava vivo ainda o perigo duma guerra nuclear, que vira desenhar-se em outubro de 1962 com a chamada\u00a0<em>crise dos m\u00edsseis de Cuba<\/em>. A humanidade estivera a um passo do pr\u00f3prio aniquilamento, caso n\u00e3o se tivesse conseguido fazer prevalecer o di\u00e1logo, conscientes dos efeitos destruidores das armas at\u00f3micas.<\/p>\n<p>Ainda hoje, infelizmente, se evoca a amea\u00e7a nuclear, fazendo precipitar o mundo no medo e na ang\u00fastia. N\u00e3o posso deixar de reiterar, aqui, que a posse de armas at\u00f3micas \u00e9 imoral, porque \u2013 como observava Jo\u00e3o XXIII \u2013, \u00abse parece dif\u00edcil que haja pessoas capazes de assumir a responsabilidade das mortes e incomensur\u00e1veis destrui\u00e7\u00f5es que a guerra provocaria, n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel que um facto imprevis\u00edvel e incontrol\u00e1vel possa inesperadamente atear esse inc\u00eandio\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn3\">[3]<\/a>, pondo em movimento o aparato b\u00e9lico. Sob a amea\u00e7a de armas nucleares, todos somos sempre perdedores\u2026 todos!<\/p>\n<p>Deste ponto de vista, \u00e9 particularmente preocupante o impasse nas negocia\u00e7\u00f5es sobre o rein\u00edcio do\u00a0<em>Plano de A\u00e7\u00e3o Integral Conjunto<\/em>, mais conhecido como Acordo Nuclear do Ir\u00e3o. Espero que se possa chegar, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, a uma solu\u00e7\u00e3o concreta para garantir um futuro mais seguro.<\/p>\n<p>Hoje est\u00e1 em curso a III guerra mundial, nos moldes t\u00edpicos dum mundo globalizado onde os conflitos diretamente afetam apenas algumas regi\u00f5es da terra, mas substancialmente envolvem-nos a todos. O exemplo mais pr\u00f3ximo e recente \u00e9 precisamente a guerra na Ucr\u00e2nia e o seu rasto de morte e destrui\u00e7\u00e3o: com os ataques a infraestruturas civis, as pessoas acabam por perder a vida devido n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s bombas e viol\u00eancias, mas tamb\u00e9m \u00e0 fome e ao frio. A prop\u00f3sito, afirma a Constitui\u00e7\u00e3o conciliar\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/em>: \u00abtoda a a\u00e7\u00e3o b\u00e9lica que tende indiscriminadamente \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de cidades inteiras ou vastas regi\u00f5es e seus habitantes \u00e9 um crime contra Deus e o pr\u00f3prio homem, que se deve condenar com firmeza e sem hesita\u00e7\u00e3o\u00bb (n\u00ba 80).\u00a0Al\u00e9m disso n\u00e3o devemos esquecer que a guerra atinge particularmente os seres humanos mais fr\u00e1geis \u2013 crian\u00e7as, idosos, pessoas deficientes \u2013 e dilacera indelevelmente as fam\u00edlias. N\u00e3o posso hoje deixar de renovar o meu apelo para que se fa\u00e7a cessar imediatamente este conflito insensato, cujos efeitos afetam regi\u00f5es inteiras, mesmo fora da Europa pelas repercuss\u00f5es que tem no campo energ\u00e9tico e no dom\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o alimentar, sobretudo na \u00c1frica e no M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>A III guerra mundial em peda\u00e7os, que estamos a viver, leva-nos a olhar para outros cen\u00e1rios de tens\u00f5es e conflitos. Tamb\u00e9m neste ano, com tanta amargura, devemos olhar para a S\u00edria como uma terra martirizada. O renascimento daquele pa\u00eds deve passar pelas necess\u00e1rias reformas, inclusive constitucionais, na tentativa de dar esperan\u00e7a ao povo s\u00edrio, afligido por uma pobreza cada vez maior, evitando que as san\u00e7\u00f5es internacionais impostas se repercutam sobre a vida di\u00e1ria duma popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 sofreu tanto.<\/p>\n<p>A Santa S\u00e9 acompanha tamb\u00e9m com preocupa\u00e7\u00e3o o aumento da viol\u00eancia entre palestinianos e israelitas com o resultado dram\u00e1tico de muitas v\u00edtimas e uma difid\u00eancia rec\u00edproca total. Particularmente afetada \u00e9 Jerusal\u00e9m, cidade santa para judeus, crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos. Inscrita no seu nome, est\u00e1 a voca\u00e7\u00e3o de ser Cidade da Paz, mas, infelizmente, encontra-se reduzida a um palco de confrontos. Confio que ela possa reencontrar a citada voca\u00e7\u00e3o como lugar e s\u00edmbolo de encontro e coexist\u00eancia pac\u00edfica, e que o acesso e a liberdade de culto nos Lugares Santos continuem a ser garantidos e respeitados segundo o\u00a0<em>status quo<\/em>. Ao mesmo tempo, espero que as autoridades quer do Estado de Israel quer do Estado da Palestina possam reencontrar a coragem e a determina\u00e7\u00e3o de dialogar diretamente, a fim de implementarem a solu\u00e7\u00e3o dos dois Estados em todos os seus aspetos, de acordo com o direito internacional e as v\u00e1rias resolu\u00e7\u00f5es atinentes das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Como sabeis, no final do m\u00eas, poderei finalmente ir como<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/travels\/2023\/outside\/documents\/congo-sudsudan-2023.html\">\u00a0peregrino de paz \u00e0 Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo<\/a>, com a esperan\u00e7a de que cessem as viol\u00eancias no leste do pa\u00eds e prevale\u00e7am o caminho do di\u00e1logo e a vontade de trabalhar em prol da seguran\u00e7a e do bem comum.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/travels\/2023\/outside\/documents\/congo-sudsudan-2023.html\">A peregrina\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 no Sud\u00e3o do Sul<\/a>, onde estarei acompanhado pelo Arcebispo de Cantu\u00e1ria e pelo Moderador Geral da Igreja Presbiteriana da Esc\u00f3cia. Juntos, desejamos unir-nos ao grito de paz da popula\u00e7\u00e3o e contribuir para o processo de reconcilia\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>E n\u00e3o devemos esquecer tamb\u00e9m outras situa\u00e7\u00f5es onde continuam a pesar as consequ\u00eancias de conflitos ainda n\u00e3o resolvidos. Penso de modo particular na situa\u00e7\u00e3o meridional do C\u00e1ucaso. Exorto as partes a respeitarem o cessar-fogo, reiterando aqui que a liberta\u00e7\u00e3o dos prisioneiros militares e civis seria um passo importante para o almejado acordo de paz.<\/p>\n<p>Penso igualmente no I\u00e9men, onde vigora a tr\u00e9gua alcan\u00e7ada em outubro passado, mas continuam a morrer muitos civis por causa das minas, e na Eti\u00f3pia, onde espero que continue o processo de paz e se reforce o empenho da Comunidade Internacional para enfrentar a crise humanit\u00e1ria que afeta o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Acompanho com apreens\u00e3o tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00e3o na \u00c1frica Ocidental, cada vez mais assolada pelas viol\u00eancias do terrorismo. Penso, especialmente, nas trag\u00e9dias vividas pelas popula\u00e7\u00f5es do Burkina Faso, do Mali e da Nig\u00e9ria e fa\u00e7o votos de que os processos de transi\u00e7\u00e3o em curso no Sud\u00e3o, Mali, Chade, Guin\u00e9 e Burkina Faso decorram no respeito das leg\u00edtimas aspira\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es envolvidas.<\/p>\n<p>Sigo tamb\u00e9m com particular aten\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o do Myanmar, que j\u00e1 h\u00e1 dois anos sofre viol\u00eancia, tribula\u00e7\u00e3o e morte. Convido a Comunidade Internacional a empenhar-se na concretiza\u00e7\u00e3o dos processos de reconcilia\u00e7\u00e3o e exorto todas as partes envolvidas a retomar o caminho do di\u00e1logo para devolverem a esperan\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o daquela amada terra.<\/p>\n<p>Penso, enfim, na pen\u00ednsula coreana, fazendo votos de que n\u00e3o esmore\u00e7a l\u00e1 a boa vontade e o empenho pela conc\u00f3rdia, a fim de construir a t\u00e3o almejada paz e a prosperidade para todo o povo coreano.<\/p>\n<p>Seja como for, todos os conflitos p\u00f5em em evid\u00eancia as consequ\u00eancias letais dum cont\u00ednuo recurso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de novas armas cada vez mais sofisticadas; recurso por vezes justificado com \u00abo motivo de que, nas circunst\u00e2ncias atuais, n\u00e3o se assegura a paz sen\u00e3o com o equil\u00edbrio de for\u00e7as\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn4\">[4]<\/a>. \u00c9 preciso extirpar esta l\u00f3gica e avan\u00e7ar pelo caminho dum desarmamento integral, porque nenhuma paz \u00e9 poss\u00edvel onde alastram instrumentos de morte.<\/p>\n<p>Prezados Embaixadores,<\/p>\n<p>Num tempo assim conflituoso, n\u00e3o podemos eludir a quest\u00e3o de saber como se possa reatar os fios da paz. Donde come\u00e7ar?<\/p>\n<p>Para esbo\u00e7ar uma resposta, quero retomar convosco alguns elementos da\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>, texto que se mant\u00e9m extremamente atual apesar de se ter alterado grande parte do contexto internacional. Para S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII, a paz \u00e9 poss\u00edvel \u00e0 luz de quatro bens fundamentais: a verdade, a justi\u00e7a, a solidariedade e a liberdade. Tais s\u00e3o as colunas angulares que sustentam as rela\u00e7\u00f5es quer entre os indiv\u00edduos quer entre as comunidades pol\u00edticas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>As referidas dimens\u00f5es entrela\u00e7am-se \u00e0 volta da premissa fundamental de que \u00abcada ser humano \u00e9 pessoa, isto \u00e9, natureza dotada de intelig\u00eancia e vontade livre. Por essa raz\u00e3o, possui em si mesmo direitos e deveres, que emanam direta e simultaneamente da sua pr\u00f3pria natureza. Trata-se, por conseguinte, de direitos e deveres universais, inviol\u00e1veis, inalien\u00e1veis\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p><strong><em>Paz na verdade<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Construir a paz na verdade significa, antes de tudo, respeitar a pessoa humana, com o seu \u00abdireito \u00e0 exist\u00eancia e \u00e0 integridade f\u00edsica\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn7\">[7]<\/a>, devendo-lhe ser garantida \u00aba liberdade na pesquisa da verdade (\u2026) e na manifesta\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o do pensamento\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn8\">[8]<\/a>. Isto exige que \u00abos poderes p\u00fablicos operem positivamente no intuito de criar condi\u00e7\u00f5es sociais que possibilitem e favore\u00e7am o exerc\u00edcio dos direitos e o cumprimento dos deveres por parte de todos os cidad\u00e3os\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Apesar dos compromissos assumidos por todos os Estados de respeitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais de cada pessoa, ainda hoje, em muitos pa\u00edses, as mulheres s\u00e3o consideradas cidad\u00e3os de segunda classe. Objeto de viol\u00eancias e abusos, \u00e9-lhes negada a possibilidade de estudar, trabalhar, expressar os seus talentos, ter acesso aos cuidados m\u00e9dicos e at\u00e9 mesmo \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, quando os direitos humanos s\u00e3o plenamente reconhecidos a todos, as mulheres podem oferecer a sua contribui\u00e7\u00e3o insubstitu\u00edvel para a vida social e ser as primeiras aliadas da paz.<\/p>\n<p>A paz requer, antes de mais nada, que se defenda a vida, um bem que hoje \u00e9 posto em causa n\u00e3o s\u00f3 por conflitos, fome e doen\u00e7as, mas muitas vezes at\u00e9 mesmo pelo ventre materno, afirmando um pretenso \u00abdireito ao aborto\u00bb. Ora ningu\u00e9m pode reivindicar direitos sobre a vida doutro ser humano, especialmente se inerme e desprovido de qualquer possibilidade de defesa. Assim, fa\u00e7o apelo \u00e0s consci\u00eancias dos homens e mulheres de boa vontade, especialmente de quantos t\u00eam responsabilidades pol\u00edticas, para que se empenhem na tutela dos direitos dos mais fr\u00e1geis e seja debelada a cultura do descarte, que atinge nomeadamente os doentes, as pessoas com defici\u00eancia e os idosos. \u00c9 responsabilidade prim\u00e1ria dos Estados garantir a assist\u00eancia aos cidad\u00e3os em todas as fases da vida humana, at\u00e9 \u00e0 morte natural, possibilitando a cada um sentir-se acompanhado e cuidado inclusive nos momentos mais delicados da sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>O direito \u00e0 vida \u00e9 amea\u00e7ado tamb\u00e9m onde se continua a praticar a pena de morte, como est\u00e1 a acontecer nestes dias no Ir\u00e3o, na sequ\u00eancia das recentes manifesta\u00e7\u00f5es que pedem maior respeito pela dignidade das mulheres. A pena de morte n\u00e3o pode ser utilizada por uma pretensa justi\u00e7a de Estado, pois n\u00e3o constitui uma dissuas\u00e3o, nem oferece justi\u00e7a \u00e0s v\u00edtimas, mas alimenta apenas a sede de vingan\u00e7a. Por isso, apelo para que a pena de morte \u2013 sempre inadmiss\u00edvel, porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa \u2013 seja abolida nas legisla\u00e7\u00f5es de todos os pa\u00edses da terra. Nunca se esque\u00e7a que uma pessoa pode, at\u00e9 ao \u00faltimo momento, converter-se e mudar.<\/p>\n<p>Infelizmente, parece aumentar cada vez mais o \u00abmedo\u00bb da vida, que se traduz, em muitos lugares, no temor do futuro e na indisponibilidade para formar fam\u00edlia e trazer filhos ao mundo. Nalguns contextos \u2013 penso, por exemplo, na It\u00e1lia \u2013, verifica-se uma perigosa queda da natalidade, um verdadeiro inverno demogr\u00e1fico, que p\u00f5e em perigo o pr\u00f3prio futuro da sociedade. Ao querido povo italiano, desejo renovar o meu encorajamento a enfrentar, com tenacidade e esperan\u00e7a, os desafios do tempo presente, buscando for\u00e7a nas suas pr\u00f3prias ra\u00edzes religiosas e culturais.<\/p>\n<p>Os medos encontram alimento na ignor\u00e2ncia e no preconceito para depois degenerarem facilmente em conflitos. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o seu ant\u00eddoto. A Santa S\u00e9 promove uma vis\u00e3o integral da educa\u00e7\u00e3o, na qual \u00abo conhecimento da religi\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio moral progridam gradualmente com a assimila\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e cada vez mais rica de elementos t\u00e9cnico-cient\u00edficos\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn10\">[10]<\/a>. Educar exige sempre o respeito integral da pessoa e da sua fisionomia natural, evitando a imposi\u00e7\u00e3o duma vis\u00e3o nova e confusa do ser humano. Isto implica integrar os percursos de crescimento humano, espiritual, intelectual e profissional, permitindo \u00e0 pessoa libertar-se das m\u00faltiplas formas de escravid\u00e3o e afirmar-se na sociedade de forma livre e respons\u00e1vel. Neste sentido, \u00e9 inaceit\u00e1vel que parte da popula\u00e7\u00e3o possa ser exclu\u00edda da educa\u00e7\u00e3o, como est\u00e1 a acontecer \u00e0s mulheres afeg\u00e3s.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea duma crise agravada pelas consequ\u00eancias devastadoras da pandemia e pelo preocupante cen\u00e1rio geopol\u00edtico. Neste sentido, a Cimeira sobre a transforma\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, convocada pelo Secret\u00e1rio-Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas e realizada no passado m\u00eas de setembro em Nova Iorque, constituiu uma oportunidade \u00fanica para os governos empreenderem pol\u00edticas corajosas destinadas a enfrentar a \u00abcat\u00e1strofe educacional\u00bb existente e realizar op\u00e7\u00f5es concretas para se alcan\u00e7ar uma instru\u00e7\u00e3o de qualidade para todos at\u00e9 2030. Que os Estados tenham a coragem de inverter a embara\u00e7osa e assim\u00e9trica rela\u00e7\u00e3o entre a despesa p\u00fablica reservada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e as verbas destinadas ao armamento.<\/p>\n<p>A paz exige tamb\u00e9m que se reconhe\u00e7a universalmente a liberdade religiosa. \u00c9 preocupante que haja pessoas perseguidas apenas porque professam publicamente a sua f\u00e9; e s\u00e3o muitos os pa\u00edses onde a liberdade religiosa \u00e9 limitada. Cerca de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial vive nesta condi\u00e7\u00e3o. Juntamente com a falta de liberdade religiosa, h\u00e1 tamb\u00e9m a persegui\u00e7\u00e3o por motivos religiosos. N\u00e3o posso deixar de mencionar, como mostram algumas estat\u00edsticas, que, em cada sete crist\u00e3os, um \u00e9 perseguido. A este respeito, espero que o novo\u00a0<em>Enviado Especial da Uni\u00e3o Europeia para a promo\u00e7\u00e3o da liberdade de religi\u00e3o ou de credo fora da Uni\u00e3o Europeia<\/em>\u00a0possa dispor dos recursos e meios necess\u00e1rios para desempenhar adequadamente o seu mandato.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, \u00e9 bom n\u00e3o esquecer que a viol\u00eancia e as discrimina\u00e7\u00f5es contra os crist\u00e3os aumentam tamb\u00e9m em pa\u00edses onde eles n\u00e3o s\u00e3o uma minoria. A liberdade religiosa \u00e9 amea\u00e7ada tamb\u00e9m onde os crentes veem reduzida a possibilidade de expressar as pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito da vida social, em nome duma equivocada no\u00e7\u00e3o de inclus\u00e3o. A liberdade religiosa, que n\u00e3o se pode reduzir \u00e0 mera liberdade de culto, \u00e9 um dos requisitos m\u00ednimos necess\u00e1rios para se viver dignamente, e os governos t\u00eam o dever de a proteger e de garantir a toda a pessoa, de modo compat\u00edvel com o bem comum, a oportunidade de agir segundo a pr\u00f3pria consci\u00eancia inclusive no \u00e2mbito da vida p\u00fablica e no exerc\u00edcio da pr\u00f3pria profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A religi\u00e3o \u00e9 uma oportunidade efetiva de di\u00e1logo e encontro entre povos e culturas diferentes, como atesta a decis\u00e3o do Parlamento de Timor-Leste que aprovou por unanimidade o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/travels\/2019\/outside\/documents\/papa-francesco_20190204_documento-fratellanza-umana.html\">Documento sobre a Fraternidade Humana<\/a>, que assinei com o Grande Im\u00e3 de Al-Azhar em 2019, incluindo-o nos programas das institui\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas e culturais nacionais, e como pude experimentar pessoalmente na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/travels\/2022\/outside\/documents\/kazakhstan-2022.html\">viagem que fiz ao Cazaquist\u00e3o<\/a>, em setembro passado, por ocasi\u00e3o do VII Encontro dos L\u00edderes Religiosos Mundiais, com quem partilhei algumas preocupa\u00e7\u00f5es do nosso tempo e senti palpavelmente como as religi\u00f5es \u00abn\u00e3o s\u00e3o problema, mas parte da solu\u00e7\u00e3o para uma conviv\u00eancia mais harmoniosa\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn11\">[11]<\/a>. Igualmente significativa foi a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/travels\/2022\/outside\/documents\/bahrain-2022.html\">visita ao Bahrein<\/a>, onde pude cumprir um novo passo no caminho entre crentes crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>\u00c9 frequente ouvir atribuir-se \u00e0 religi\u00e3o os v\u00e1rios conflitos que acompanham a humanidade, n\u00e3o faltando, infelizmente, deplor\u00e1veis tentativas de fazer uso instrumental da religi\u00e3o para fins meramente pol\u00edticos. Mas isto \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 perspetiva crist\u00e3, que indica a raiz de todo o conflito no desequil\u00edbrio do cora\u00e7\u00e3o humano, como nos recorda o Evangelho: \u00ab\u00c9 do interior do cora\u00e7\u00e3o dos homens que saem os maus pensamentos\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a07, 21). O cristianismo incita \u00e0 paz, porque estimula \u00e0 convers\u00e3o e ao exerc\u00edcio da virtude.<\/p>\n<p><strong><em>Paz na justi\u00e7a<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Construir a paz requer a busca da justi\u00e7a. A crise de 1962 resolveu-se pela contribui\u00e7\u00e3o de homens de boa vontade que souberam encontrar solu\u00e7\u00f5es adequadas para evitar que a tens\u00e3o pol\u00edtica degenerasse numa verdadeira guerra. Isto foi poss\u00edvel gra\u00e7as tamb\u00e9m \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que se poderiam resolver as disputas no \u00e2mbito do direito internacional e atrav\u00e9s de organiza\u00e7\u00f5es, principalmente as Na\u00e7\u00f5es Unidas, surgidas depois da II Guerra Mundial, que desenvolveram a diplomacia multilateral. S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII recorda que \u00abas Na\u00e7\u00f5es Unidas propuseram-se como fim primordial manter e consolidar a paz entre os povos, desenvolvendo entre eles rela\u00e7\u00f5es amistosas, fundadas nos princ\u00edpios de igualdade, de respeito m\u00fatuo, de coopera\u00e7\u00e3o multiforme em todos os setores da atividade humana\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p>O conflito atual na Ucr\u00e2nia tornou mais evidente a crise que, h\u00e1 muito, afeta o sistema multilateral, carecido duma profunda reconsidera\u00e7\u00e3o para poder responder de forma adequada aos desafios do nosso tempo. Isto exige uma reforma dos \u00f3rg\u00e3os que possibilitam o seu funcionamento, a fim de serem verdadeiramente representativos das necessidades e sensibilidades de todos os povos, evitando mecanismos que deem maior peso a uns em detrimento de outros. N\u00e3o se trata, pois, de construir blocos de alian\u00e7as, mas de criar oportunidades para que todos possam dialogar.<\/p>\n<p>Juntos, pode-se fazer muito bem! Basta pensar nas louv\u00e1veis iniciativas destinadas a reduzir a pobreza, ajudar os migrantes, contrastar as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, favorecer o desarmamento nuclear e prestar ajuda humanit\u00e1ria. Contudo, nos \u00faltimos tempos, os v\u00e1rios f\u00f3runs internacionais t\u00eam-se caraterizado por crescentes polariza\u00e7\u00f5es e tentativas de impor um pensamento \u00fanico, que impede o di\u00e1logo e marginaliza aqueles que pensam de modo diferente. Corre-se o risco duma deriva, que assume cada vez mais a fisionomia dum totalitarismo ideol\u00f3gico, que promove a intoler\u00e2ncia contra quem n\u00e3o adere a pretensas posi\u00e7\u00f5es de \u00abprogresso\u00bb, que na realidade parecem antes conduzir a uma regress\u00e3o geral da humanidade, com viola\u00e7\u00e3o da liberdade de pensamento e de consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, t\u00eam sido empregues recursos cada vez maiores para impor, especialmente aos pa\u00edses mais pobres, formas de coloniza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, chegando-se ali\u00e1s a criar um nexo direto entre a atribui\u00e7\u00e3o de ajuda econ\u00f3mica e a aceita\u00e7\u00e3o de tais ideologias. Isto tem molestado o debate interno nas Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais, impedindo frutuosos interc\u00e2mbios e, muitas vezes, abrindo \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de abordar as quest\u00f5es de forma aut\u00f3noma e, consequentemente, na base de rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a.<\/p>\n<p>Com efeito, durante a minha\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/travels\/2022\/outside\/documents\/canada-2022.html\">viagem ao Canad\u00e1<\/a>\u00a0em julho passado, pude sentir palpavelmente as consequ\u00eancias da coloniza\u00e7\u00e3o, sobretudo ao encontrar as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, que sofreram com as pol\u00edticas de assimila\u00e7\u00e3o do passado. Sempre que se procura impor a outras culturas formas de pensamento que n\u00e3o lhes pertencem, abre-se caminho para \u00e1speros conflitos e \u00e0s vezes at\u00e9 viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio voltar ao di\u00e1logo, \u00e0 escuta rec\u00edproca e \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o, promovendo responsabilidades compartilhadas e a coopera\u00e7\u00e3o na busca do bem comum, em nome daquela solidariedade que \u00abderiva do facto de nos sabermos respons\u00e1veis pela fragilidade dos outros na procura dum destino comum\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn13\">[13]<\/a>. Os impedimentos e os vetos rec\u00edprocos servem apenas para alimentar mais divis\u00f5es.<\/p>\n<p><strong><em>Paz na solidariedade<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/20221208-messaggio-56giornatamondiale-pace2023.html\">Mensagem para o Dia Mundial da Paz<\/a><\/em>\u00a0deste ano, pus em evid\u00eancia como a pandemia covid-19 nos deixa em heran\u00e7a \u00aba consci\u00eancia de que todos precisamos uns dos outros\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn14\">[14]<\/a>. As sendas da paz s\u00e3o sendas de solidariedade, porque ningu\u00e9m pode salvar-se sozinho. Vivemos num mundo t\u00e3o interligado que a a\u00e7\u00e3o de um acaba por ter repercuss\u00f5es sobre todos.<\/p>\n<p>Quero destacar, aqui, tr\u00eas \u00e2mbitos onde emerge, com uma for\u00e7a particular, a interliga\u00e7\u00e3o que une atualmente a humanidade e para os quais \u00e9 particularmente urgente maior solidariedade.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e2mbito \u00e9 o das migra\u00e7\u00f5es, que toca inteiras regi\u00f5es da terra. Muitas vezes trata-se de pessoas que fogem de guerras e persegui\u00e7\u00f5es, enfrentando perigos imensos. Mas \u00abdeve-se deixar a cada um o pleno direito de se estabelecer ou mudar domic\u00edlio dentro da comunidade pol\u00edtica de que \u00e9 cidad\u00e3o, e mesmo (\u2026) deve ser-lhe permitido transferir-se a outras comunidades pol\u00edticas e nelas domiciliar-se\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn15\">[15]<\/a>\u00a0e ter a possibilidade de regressar \u00e0 pr\u00f3pria terra de origem.<\/p>\n<p>A migra\u00e7\u00e3o tornou-se um problema tal que n\u00e3o se pode admitir deixar cada um a \u00abproceder \u00e0 sua vontade\u00bb. Para perceber isto, basta olhar para o Mediterr\u00e2neo, que se transformou num grande t\u00famulo. Aquelas vidas destru\u00eddas s\u00e3o o emblema do naufr\u00e1gio da nossa civiliza\u00e7\u00e3o, como pude recordar durante a minha viagem a Malta na primavera passada. Na Europa, \u00e9 urgente refor\u00e7ar o quadro legislativo, atrav\u00e9s da aprova\u00e7\u00e3o do Novo Pacto sobre Migra\u00e7\u00e3o e Asilo, para que se possam implementar pol\u00edticas adequadas para acolher, acompanhar, promover e integrar os migrantes. Ao mesmo tempo, a solidariedade exige que as necess\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia e cuidado dos n\u00e1ufragos n\u00e3o gravem inteiramente sobre as popula\u00e7\u00f5es dos pontos principais de desembarque.<\/p>\n<p>O segundo \u00e2mbito diz respeito \u00e0 economia e ao trabalho. As crises dos \u00faltimos anos colocaram em evid\u00eancia os limites dum sistema econ\u00f3mico tendente mais a criar lucros para uns poucos do que ser oportunidade para o bem-estar de muitos; uma economia mais centrada no dinheiro do que na produ\u00e7\u00e3o de bens \u00fateis. Isto gerou empresas mais fr\u00e1geis e mercados de trabalho altamente in\u00edquos. \u00c9 preciso voltar a dar dignidade \u00e0 empresa e ao trabalho, combatendo toda a forma de explora\u00e7\u00e3o que acaba por tratar os trabalhadores como uma mercadoria, porque, \u00absem trabalho digno e bem remunerado, os jovens n\u00e3o se tornam realmente adultos [e] as desigualdades aumentam\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<p>O terceiro \u00e2mbito \u00e9 o cuidado da nossa casa comum. Diante de n\u00f3s vemos aparecer constantemente os efeitos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e as graves consequ\u00eancias que os mesmos t\u00eam na vida de popula\u00e7\u00f5es inteiras, quer pelas devasta\u00e7\u00f5es produzidas, como aconteceu no Paquist\u00e3o nas zonas afetadas pelas inunda\u00e7\u00f5es onde continuam a aumentar os surtos de doen\u00e7as transmitidas pelas \u00e1guas estagnadas; quer em vastas \u00e1reas do Oceano Pac\u00edfico, onde o aquecimento global provoca in\u00fameros preju\u00edzos \u00e0 pesca, base da vida quotidiana de popula\u00e7\u00f5es inteiras; quer na Som\u00e1lia e em todo o Corno de \u00c1frica, onde a seca est\u00e1 a causar uma grave carestia; quer ultimamente nos Estados Unidos, onde os repentinos e intensos nev\u00f5es provocaram v\u00e1rios mortos.<\/p>\n<p>No ver\u00e3o passado, a Santa S\u00e9 decidiu aderir \u00e0\u00a0<em>Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas<\/em>, com a inten\u00e7\u00e3o de dar o seu apoio moral aos esfor\u00e7os de todos os Estados para cooperar, de acordo com as pr\u00f3prias responsabilidades e respetivas capacidades, numa resposta eficaz e adequada aos desafios colocados pela altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Espera-se que os passos \u2013 ainda que limitados \u2013 dados na COP27 com a ado\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Plano de Implementa\u00e7\u00e3o de Sharm el-Sheikh<\/em>\u00a0possam fazer crescer a consci\u00eancia de toda a humanidade face a uma quest\u00e3o urgente que n\u00e3o pode mais ser eludida. Entretanto, foram concordados objetivos encorajadores durante a recente\u00a0<em>Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Biodiversidade<\/em>\u00a0(COP15), realizada em Montreal no m\u00eas passado.<\/p>\n<p><strong><em>Paz na liberdade<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Por fim, construir a paz exige que n\u00e3o \u00absejam lesadas a liberdade, a integridade e seguran\u00e7a das outras na\u00e7\u00f5es, sejam quais forem a sua extens\u00e3o territorial e capacidade de defesa\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn17\">[17]<\/a>. Isto \u00e9 poss\u00edvel se em cada comunidade n\u00e3o prevalecer a cultura da opress\u00e3o e da agress\u00e3o, que leva a olhar o pr\u00f3ximo como um inimigo a combater e n\u00e3o como um irm\u00e3o a acolher e abra\u00e7ar\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn18\">[18]<\/a>.<\/p>\n<p>Preocupa o enfraquecimento, em muitas partes do mundo, da democracia e da possibilidade de liberdade que ela consente, mesmo com todos os limites dum sistema humano. A pag\u00e1-lo, s\u00e3o muitas vezes as mulheres ou as minorias \u00e9tnicas, bem como os equil\u00edbrios de sociedades inteiras onde o mal-estar desemboca em tens\u00f5es sociais e at\u00e9 em confrontos armados.<\/p>\n<p>Em muitas \u00e1reas, um sinal de debilita\u00e7\u00e3o da democracia \u00e9 registado pelas crescentes polariza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais, que n\u00e3o ajudam a resolver os problemas urgentes dos cidad\u00e3os. Penso nas v\u00e1rias crises pol\u00edticas em diversos pa\u00edses do continente americano, com a sua carga de tens\u00f5es e formas de viol\u00eancia que exacerbam os conflitos sociais. De modo especial, penso no que aconteceu recentemente no Per\u00fa\u00a0bem como, nestas \u00faltimas horas, no Brasil e na situa\u00e7\u00e3o preocupante do Haiti, onde est\u00e3o finalmente a ser dados alguns passos para enfrentar a crise pol\u00edtica que se arrasta j\u00e1 h\u00e1 tempos. Sempre \u00e9 preciso superar as l\u00f3gicas parciais e trabalhar pela constru\u00e7\u00e3o do bem comum.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, acompanho com aten\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o no L\u00edbano, onde se aguarda ainda pela elei\u00e7\u00e3o do novo Presidente da Rep\u00fablica, e espero que todos os atores pol\u00edticos se empenhem para consentir ao pa\u00eds de recuperar da dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social em que se encontra.<\/p>\n<p>Excel\u00eancias, Senhoras e Senhores!<\/p>\n<p>Seria maravilhoso que, ao menos uma vez, pud\u00e9ssemos encontrar-nos apenas para agradecer ao Senhor Todo-Poderoso pelos benef\u00edcios que sempre nos concede, sem nos vermos constrangidos a enumerar as situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas que afligem a humanidade. Entretanto, como dizia Jo\u00e3o XXIII, \u00ab\u00e9 l\u00edcito esperar que os homens, por meio de encontros e negocia\u00e7\u00f5es, venham a conhecer melhor os la\u00e7os comuns da natureza que os unem e assim possam compreender a beleza de uma das mais profundas exig\u00eancias da natureza humana, a de que reine entre eles e seus respetivos povos n\u00e3o o temor, mas o amor, um amor que antes de tudo leve os homens a uma colabora\u00e7\u00e3o leal, multiforme, portadora de in\u00fameros bens\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftn19\">[19]<\/a>. Com estes anseios, renovo a v\u00f3s e aos pa\u00edses que representais os mais calorosos votos para o novo ano.<\/p>\n<p>Obrigado!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr align=\"left\" noshade=\"noshade\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0Francisco, Const. ap.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_constitutions\/documents\/20220319-costituzione-ap-praedicate-evangelium.html\">Pr\u00e6dicate evangelium<\/a><\/em>\u00a0(19\/III\/2022), art\u00ba 1.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0No dia 11 de abril de 1963. Cf.\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a055 (1963), 257-304.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0Jo\u00e3o XXXIII,\u00a0Carta enc.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>\u00a0(11\/IV\/1963), 60 [111].<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Ibid<\/a><\/em>., 59 [110].<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref5\">[5]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">ibid<\/a><\/em><em>.<\/em>, 47 [80].<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref6\">[6]<\/a>\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Ibid<\/a><\/em>., 5 [9].<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref7\">[7]<\/a>\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Ibid<\/a><\/em>., 6 [11].<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref8\">[8]<\/a>\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Ibid<\/a><\/em>., 7 [12].<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref9\">[9]<\/a>\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Ibid<\/a>.<\/em>, 38 [63].<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref10\">[10]<\/a>\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Ibid<\/a><\/em>., 80 [152].<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref11\">[11]<\/a>\u00a0Francisco,\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2022\/september\/documents\/20220914-kazakhstan-congresso.html\">Discurso na Sess\u00e3o Plen\u00e1ria do VII Congresso de L\u00edderes das Religi\u00f5es Mundiais e Tradicionais<\/a><\/em>\u00a0(Nur-Sultan,\u00a0<em>agora<\/em>\u00a0Astana, 14\/IX\/2022).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref12\">[12]<\/a>\u00a0Carta enc.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>, 75 [141].<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref13\">[13]<\/a>\u00a0Francisco, Carta enc.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html#115\">Fratelli tutti<\/a><\/em>\u00a0(Assis, 03\/X\/2020), 115.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref14\">[14]<\/a>\u00a0Francisco,\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/20221208-messaggio-56giornatamondiale-pace2023.html\">Mensagem para o LVI Dia Mundial da Paz<\/a><\/em>\u00a0(08\/XII\/2022), 3.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref15\">[15]<\/a>\u00a0Carta enc.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>, 12 [25].<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref16\">[16]<\/a>\u00a0Francisco,\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2022\/september\/documents\/20220924-visita-assisi.html\">Discurso aos participantes no evento \u201cEconomia de Francisco\u201d<\/a><\/em>\u00a0(Assis, 24\/IX\/2022).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref17\">[17]<\/a>\u00a0Carta enc.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>, 66 [123]; cf. Pio XII,\u00a0<em>Radiomensagem natal\u00edcia<\/em>\u00a0(24\/XII\/1941).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref18\">[18]<\/a>\u00a0Cf. Francisco,\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2013\/march\/documents\/papa-francesco_20130322_corpo-diplomatico.html\">Discurso ao Corpo Diplom\u00e1tico acreditado junto da Santa S\u00e9<\/a><\/em>\u00a0(22\/III\/2013).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/january\/documents\/20230109-corpo-diplomatico.html#_ftnref19\">[19]<\/a>\u00a0Carta enc.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>, 67 [128].<\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p>\n<p>09.01.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco recebeu, esta manh\u00e3, no Vaticano, o Corpo Diplom\u00e1tico acreditado junto da Santa S\u00e9, para os habituais cumprimentos de Ano 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