{"id":869540788,"date":"2021-10-20T00:00:00","date_gmt":"2021-10-20T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/10854-vaticano-a-liberdade-realiza-se-na-caridade-afirma-o-papa"},"modified":"2021-10-20T00:00:00","modified_gmt":"2021-10-20T00:00:00","slug":"vaticano-a-liberdade-realiza-se-na-caridade-afirma-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/vaticano-a-liberdade-realiza-se-na-caridade-afirma-o-papa\/","title":{"rendered":"Vaticano: \u00abA liberdade realiza-se na caridade\u00bb, afirma o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_salapaulovi_180829052256.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><strong><em>Em nova catequese sobre a carta aos G\u00e1latas o Papa Francisco afirmou que a liberdade crist\u00e3 passa por &#8220;estar ao servi\u00e7o dos outros&#8221;, mais do que viver de acordo com os &#8220;desejos individuais e os impulsos ego\u00edstas&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a reflex\u00e3o do Santo Padre<\/p>\n<p><strong>Catequese sobre a Carta aos G\u00e1latas 12.\u00a0A liberdade\u00a0se realiza na caridade<\/strong><\/p>\n<p><em>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>Nestes dias falamos da liberdade de f\u00e9, ouvindo a Carta aos G\u00e1latas. Mas lembrei-me do que Jesus dizia sobre a espontaneidade e liberdade das crian\u00e7as, quando uma crian\u00e7a teve a liberdade de se aproximar e de se mover como se estivesse na sua casa&#8230; E Jesus diz-nos: \u201cTamb\u00e9m v\u00f3s, se n\u00e3o vos comportardes como crian\u00e7as, n\u00e3o entrareis no Reino dos C\u00e9us\u201d. A coragem de se aproximar do Senhor, de estar aberto ao Senhor, de n\u00e3o ter medo do Senhor: agrade\u00e7o \u00e0quela crian\u00e7a a li\u00e7\u00e3o que deu a todos n\u00f3s. E que o Senhor a ajude na sua limita\u00e7\u00e3o, no seu crescimento, porque deu este testemunho que lhe veio do cora\u00e7\u00e3o. As crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam um tradutor autom\u00e1tico do cora\u00e7\u00e3o para a vida: o cora\u00e7\u00e3o vai em frente.<\/p>\n<p>Na sua Carta aos G\u00e1latas, o Ap\u00f3stolo Paulo introduz-nos um pouco de cada vez, lentamente, na grande novidade da f\u00e9. \u00c9 de facto uma grande novidade, pois n\u00e3o se limita a renovar algum aspeto da vida, mas reconduz-nos para aquela \u201cvida nova\u201d que recebemos no Batismo. Nele foi derramado sobre n\u00f3s o maior dom, ser filhos de Deus. Renascidos em Cristo, passamos de uma religiosidade feita de preceitos para uma f\u00e9 viva, que tem o seu centro na comunh\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os, isto \u00e9, na caridade. Passamos da escravid\u00e3o do medo e do pecado para a liberdade dos filhos de Deus. Mais uma vez, a palavra\u00a0<em>liberdade.<\/em><\/p>\n<p>Hoje procuremos compreender melhor qual \u00e9, para o Ap\u00f3stolo, o \u00e2mago desta liberdade. Paulo afirma que \u00e9 tudo, menos \u00abum pretexto para a carne\u00bb (<em>Gl<\/em>\u00a05, 13): ou seja, a liberdade n\u00e3o \u00e9 um modo libertino de viver, segundo a carne, ou segundo o instinto, desejos individuais e impulsos ego\u00edstas; pelo contr\u00e1rio, a liberdade de Jesus leva-nos a estar \u2013 escreve o Ap\u00f3stolo \u2013 \u00abao servi\u00e7o uns dos outros\u00bb (<em>ibidem<\/em>).\u00a0 Mas \u00e9 isto escravid\u00e3o? Sim, a liberdade em Cristo cont\u00e9m alguma \u201cescravid\u00e3o\u201d, alguma dimens\u00e3o que nos leva ao servi\u00e7o, a viver para os outros. Em s\u00edntese, a verdadeira liberdade \u00e9 plenamente expressa na caridade. Mais uma vez encontramo-nos perante o paradoxo do Evangelho: somos livres para servir, n\u00e3o para fazer o que queremos. Somos livres quando servimos, e \u00e9 disto que vem a liberdade; encontramo-nos plenamente na medida em que nos doamos. Encontramo-nos plenamente na medida em que nos doamos, em que temos a coragem de nos doar; possu\u00edmos a vida se a perdermos (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a08, 35). Isto \u00e9 Evangelho puro!<\/p>\n<p>Mas como se pode explicar este paradoxo? A resposta do Ap\u00f3stolo \u00e9 simples e exigente: \u00abmediante o amor\u00bb (<em>Gl<\/em>\u00a05, 13). N\u00e3o h\u00e1 liberdade sem amor. A liberdade ego\u00edsta do fazer o que quero n\u00e3o \u00e9 liberdade, pois volta a si mesma, n\u00e3o \u00e9 fecunda. Foi o amor de Cristo que nos libertou e \u00e9 ainda o amor que nos liberta da pior escravid\u00e3o, a do nosso ego; por conseguinte, a liberdade cresce com o amor. Mas, aten\u00e7\u00e3o: n\u00e3o com o amor intimista, com o amor das novelas, n\u00e3o com a paix\u00e3o que simplesmente procura o que nos conv\u00e9m e aquilo de que gostamos, mas com o amor que vemos em Cristo, a caridade: este \u00e9 o amor verdadeiramente livre e libertador. \u00c9 o amor que resplandece no servi\u00e7o gratuito, modelado segundo o de Jesus, que lava os p\u00e9s aos seus disc\u00edpulos, dizendo: \u00abDei-vos um exemplo para que tamb\u00e9m v\u00f3s fa\u00e7ais como Eu vos fiz\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a013, 15). Servir uns aos outros.<\/p>\n<p>Portanto, para Paulo a liberdade n\u00e3o significa \u201cfazer o que apetece\u201d. Este tipo de liberdade, sem finalidades nem refer\u00eancias, seria uma liberdade vazia, uma liberdade de circo: n\u00e3o funciona. E com efeito deixa um vazio interior: quantas vezes, depois de termos seguido apenas o nosso instinto, nos damos conta de que sentimos um grande vazio interior e que abusamos do tesouro da nossa liberdade, da beleza de poder escolher o verdadeiro bem para n\u00f3s mesmos e para os demais. S\u00f3 esta liberdade \u00e9 plena, concreta, dado que nos insere na vida real de cada dia. A verdadeira liberdade liberta-nos sempre; ao contr\u00e1rio, quando buscamos a liberdade do \u201caquilo de que gosto e n\u00e3o gosto\u201d, no final permanecemos vazios.<\/p>\n<p>Noutra Carta, a primeira aos Cor\u00edntios, o Ap\u00f3stolo responde \u00e0queles que t\u00eam uma ideia errada de liberdade. \u201cTudo \u00e9 l\u00edcito!\u201d, dizem eles. \u201cSim, mas nem tudo \u00e9 ben\u00e9fico\u201d, responde Paulo. \u201cTudo \u00e9 l\u00edcito!\u201d \u2013 \u201cSim, mas nem tudo edifica\u201d, objeta o Ap\u00f3stolo. E acrescenta: \u00abNingu\u00e9m procure o pr\u00f3prio interesse, sen\u00e3o os dos outros\u00bb (<em>1 Cor<\/em>\u00a010, 23-24). Esta \u00e9 a regra para desmascarar qualquer liberdade ego\u00edsta. Tamb\u00e9m \u00e0queles que s\u00e3o tentados a reduzir a liberdade apenas aos pr\u00f3prios gostos, Paulo apresenta a exig\u00eancia do amor. A liberdade guiada pelo amor \u00e9 a \u00fanica que liberta os outros e n\u00f3s mesmos, que sabe ouvir sem impor, que sabe amar sem for\u00e7ar, que constr\u00f3i e n\u00e3o destr\u00f3i, que n\u00e3o explora os demais para a sua conveni\u00eancia e que pratica o bem sem procurar o pr\u00f3prio benef\u00edcio. Em suma, se a liberdade n\u00e3o estiver ao servi\u00e7o \u2013 eis o teste \u2013 se a liberdade n\u00e3o estiver ao servi\u00e7o do bem, corre o risco de ser est\u00e9ril e de n\u00e3o dar frutos. Por outro lado, a liberdade animada pelo amor conduz aos pobres, reconhecendo no seu rosto o de Cristo. Portanto, o servi\u00e7o uns aos outros permite a Paulo, escrevendo aos G\u00e1latas, fazer uma observa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 de modo algum secund\u00e1ria: assim, falando da liberdade que os outros Ap\u00f3stolos lhe deram de evangelizar, frisa que recomendaram apenas uma coisa: recordar-se dos pobres (cf.\u00a0<em>Gl<\/em>\u00a02, 10). Isto \u00e9 interessante! Quando, depois da luta ideol\u00f3gica, Paulo e os Ap\u00f3stolos concordaram, eis o que os Ap\u00f3stolos lhe disseram: \u201cVai em frente, continua e n\u00e3o te esque\u00e7as dos pobres\u201d, isto \u00e9, que a tua liberdade de pregador seja uma liberdade ao servi\u00e7o dos outros, n\u00e3o para ti mesmo, de fazer o que te apetece.<\/p>\n<p>Contudo, sabemos que uma das mais generalizadas no\u00e7\u00f5es modernas de liberdade \u00e9 esta: \u201cA minha liberdade acaba onde come\u00e7a a tua\u201d. Mas aqui falta a rela\u00e7\u00e3o, o relacionamento! Trata-se de uma vis\u00e3o individualista. Por outro lado, aqueles que receberam o dom da liberta\u00e7\u00e3o trazida por Jesus n\u00e3o podem pensar que a liberdade consiste em afastar-se dos outros, sentindo-os inc\u00f3modos; n\u00e3o podem ver o ser humano fechado em si mesmo, mas sempre parte de uma comunidade. A dimens\u00e3o social \u00e9 fundamental para os crist\u00e3os, dado que lhes permite olhar para o bem comum e n\u00e3o para o interesse particular.<\/p>\n<p>Sobretudo neste momento hist\u00f3rico, temos necessidade de redescobrir a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria, n\u00e3o individualista, da liberdade: a pandemia ensinou-nos que precisamos uns dos outros, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente sab\u00ea-lo, devemos escolh\u00ea-lo concretamente todos os dias, decidir empreender aquele caminho. Digamos e acreditemos que os outros n\u00e3o s\u00e3o um obst\u00e1culo para a minha liberdade, mas constituem a possibilidade de a realizar plenamente. Pois a nossa liberdade nasce do amor de Deus e cresce na caridade.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/audiences\/2021\/documents\/papa-francesco_20211020_udienza-generale.html\" target=\"_blank\">original <\/a>em italiano<\/p>\n<p>Educris|20.10.2021<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nova catequese sobre a carta aos G\u00e1latas o Papa Francisco afirmou que a liberdade crist\u00e3 passa por &#8220;estar ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294987834,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-869540788","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/869540788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=869540788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/869540788\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294987834"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=869540788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=869540788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=869540788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}