{"id":876527322,"date":"2022-04-03T00:00:00","date_gmt":"2022-04-03T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11339-malta-a-misericordia-e-o-coracao-de-deus-afirma-o-papa"},"modified":"2022-04-03T00:00:00","modified_gmt":"2022-04-03T00:00:00","slug":"malta-a-misericordia-e-o-coracao-de-deus-afirma-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/malta-a-misericordia-e-o-coracao-de-deus-afirma-o-papa\/","title":{"rendered":"Malta: \u00abA Miseric\u00f3rdia \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de Deus\u00bb, afirma o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/malta_3_220403103847.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Na homilia que preferiu hoje, durante a eucaristia a que presidiu no largo dei Granai, na cidade de Floriana, Francisco lembrou que \u201cDeus deixa sempre aberta uma possibilidade e sabe encontrar sempre caminhos de liberta\u00e7\u00e3o e salva\u00e7\u00e3o\u201d, e desafiou os crentes a tornarem-se \u201ctestemunhas incans\u00e1veis de reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco<\/p>\n<p>Jesus, \u00abde madrugada, voltou outra vez para o templo e todo o povo vinha ter com Ele\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a08, 2). Assim come\u00e7a o epis\u00f3dio da mulher ad\u00faltera. O horizonte aparece sereno: uma manh\u00e3 no lugar santo, no cora\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. Protagonista \u00e9\u00a0<em>o povo de Deus<\/em>, que no \u00e1trio do templo procura Jesus, o Mestre: deseja escut\u00e1-Lo, porque a sua palavra ilumina e encoraja. A sua doutrina n\u00e3o de forma alguma abstrata: toca a vida e liberta-a, transforma-a, renova-a. Nisto se revela a intui\u00e7\u00e3o,\u00a0<em>o \u00abfaro\u00bb do povo de Deus<\/em>, que n\u00e3o se contenta com o templo feito de pedras, mas re\u00fane-se \u00e0 volta da pessoa de Jesus. Nesta p\u00e1gina, vislumbra-se o povo dos crentes de todos os tempos, o povo santo de Deus, que aqui em Malta \u00e9 numeroso e vivaz, fiel na busca do Senhor, ligado a uma f\u00e9 concreta, vivida. Por tudo isso vos agrade\u00e7o!<\/p>\n<p>Na presen\u00e7a do povo que O veio encontrar, Jesus n\u00e3o tem pressa: \u00absentou-Se \u2013 diz o Evangelho \u2013 e p\u00f4s-Se a ensinar\u00bb (8, 2). Mas, na escola de Jesus, h\u00e1 lugares vazios. H\u00e1 alguns ausentes: s\u00e3o a mulher e os seus acusadores. N\u00e3o foram ter com o Mestre como os outros, sendo diversas as raz\u00f5es da aus\u00eancia: escribas e fariseus pensam que j\u00e1 sabem tudo, n\u00e3o precisam do ensinamento de Jesus; ao passo que a mulher \u00e9 uma pessoa perdida, extraviada procurando a felicidade por caminhos errados. Temos, pois, aus\u00eancias por motivos diferentes, como ali\u00e1s ser\u00e1 diferente o desfecho da pr\u00f3pria vicissitude. Detenhamo-nos nestes ausentes.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, os\u00a0<em>acusadores da mulher<\/em>. Neles vemos a imagem daqueles que se vangloriam de ser justos, observadores da lei de Deus, pessoas regradas e justas. N\u00e3o se preocupam com os pr\u00f3prios defeitos, mas mostram-se muito atentos na descoberta dos alheios. Assim se apresentam a Jesus: n\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para O escutarem, mas \u00abpara O fazerem cair numa armadilha e terem de que O acusar\u00bb (8, 6). \u00c9 um intento que fotografa a interioridade destas pessoas cultas e religiosas, que conhecem as Escrituras, frequentam o templo, mas subordinam tudo isto aos pr\u00f3prios interesses e n\u00e3o combatem os pensamentos maus que se agitam no seu cora\u00e7\u00e3o. Aos olhos do povo, parecem peritos de Deus, e contudo n\u00e3o reconhecem Jesus; antes pelo contr\u00e1rio, veem-No como um inimigo que precisam de eliminar. Para o conseguir, colocam diante d\u2019Ele uma pessoa, como se fosse uma coisa, chamando-a desdenhosamente \u00abesta mulher\u00bb e denunciando publicamente o seu adult\u00e9rio. Pressionam para que a mulher seja apedrejada, derramando sobre ela a avers\u00e3o que eles sentem pela compaix\u00e3o de Jesus. E fazem tudo isto sob o manto da sua fama de homens religiosos.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, estas pessoas dizem-nos que, at\u00e9 na nossa religiosidade, se podem insinuar\u00a0<em>a tra\u00e7a da hipocrisia e o v\u00edcio de apontar o dedo<\/em>; e isto a todo o momento, em qualquer comunidade. H\u00e1 sempre o perigo de entender mal Jesus, ter o seu nome nos l\u00e1bios, mas neg\u00e1-Lo nas obras. E pode-se faz\u00ea-lo mesmo quando se levantam estandartes com a cruz. Ent\u00e3o como saber se somos disc\u00edpulos na escola do Mestre? Pelo nosso olhar, pelo modo como\u00a0<em>olhamos para o pr\u00f3ximo<\/em>\u00a0e\u00a0<em>como olhamos para n\u00f3s mesmos<\/em>. Aqui est\u00e1 o ponto para definir a nossa perten\u00e7a.<\/p>\n<p>Pelo modo como olhamos para o pr\u00f3ximo: se o fazemos como Jesus nos faz ver hoje, isto \u00e9, com um olhar de miseric\u00f3rdia, ou de forma inquisit\u00f3ria, por vezes at\u00e9 desdenhosa, como os acusadores do Evangelho, que se erguem como defensores da Deus, mas n\u00e3o se apercebem de espezinhar os irm\u00e3os. Na realidade, quem julga defender a f\u00e9 apontando o dedo contra os outros, at\u00e9 pode possuir uma vis\u00e3o religiosa, mas n\u00e3o adota o esp\u00edrito do Evangelho, porque esquece a miseric\u00f3rdia, que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Para compreender se somos verdadeiros disc\u00edpulos do Mestre, \u00e9 preciso verificar tamb\u00e9m como olhamos para n\u00f3s mesmos. Os acusadores da mulher est\u00e3o convencidos de que n\u00e3o t\u00eam nada a aprender. Com efeito a apar\u00eancia externa \u00e9 perfeita, mas falta\u00a0<em>a verdade do cora\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o a figura dos crentes de cada \u00e9poca que fazem da f\u00e9 um elemento de fachada, onde sobressai o aspeto exterior solene, mas falta a pobreza interior, que \u00e9 o tesouro mais precioso do homem. De facto, para Jesus o que conta \u00e9 a abertura dispon\u00edvel de quem n\u00e3o se sente perfeito, mas necessitado de salva\u00e7\u00e3o. Por isso, quando estivermos em ora\u00e7\u00e3o e mesmo quando tomarmos parte em belas cerim\u00f3nias religiosas, ser\u00e1 bom perguntarmo-nos se estamos sintonizados com o Senhor. Podemos pergunt\u00e1-lo diretamente a Ele: \u00abJesus, estou aqui convosco, mas V\u00f3s que quereis de mim? Que quereis que mude no meu cora\u00e7\u00e3o, na minha vida? Como quereis que veja os outros?\u00bb Ser-nos-\u00e1 \u00fatil rezar assim, porque o Mestre n\u00e3o Se satisfaz com a apar\u00eancia, mas busca a verdade do cora\u00e7\u00e3o. E quando Lhe abrimos de verdade o cora\u00e7\u00e3o, Jesus pode operar maravilhas em n\u00f3s.<\/p>\n<p>Vemos acontecer isto mesmo na\u00a0<em>mulher ad\u00faltera<\/em>. A sua situa\u00e7\u00e3o parece irremedi\u00e1vel, mas aos seus olhos abre-se um horizonte novo, antes inconceb\u00edvel. Coberta de insultos, pronta a receber palavras implac\u00e1veis e severos castigos, com maravilha sua v\u00ea-se absolvida por Deus, que lhe abre de par em par um futuro inesperado: \u00abNingu\u00e9m te condenou? \u2013 diz-lhe Jesus \u2013 Tamb\u00e9m Eu n\u00e3o te condeno. Vai e de agora em diante n\u00e3o tornes a pecar\u00bb (8, 10.11). Que diferen\u00e7a entre o Mestre e os acusadores! Estes citaram a Escritura para condenar; Jesus, Palavra de Deus em pessoa, reabilita completamente a mulher, restituindo-lhe a esperan\u00e7a. Deste caso, aprendemos que qualquer advert\u00eancia, se n\u00e3o for movida pela caridade e n\u00e3o contiver caridade, afunda ainda mais quem a recebe.\u00a0<em>Deus, pelo contr\u00e1rio, deixa sempre aberta uma possibilidade<\/em>\u00a0e sabe encontrar sempre caminhos de liberta\u00e7\u00e3o e salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A vida daquela mulher muda gra\u00e7as ao perd\u00e3o. Encontraram-se a Miseric\u00f3rdia e a mis\u00e9ria. Est\u00e3o ali Miseric\u00f3rdia e mis\u00e9ria. E a mulher muda. Apetece-me pensar que, perdoada por Jesus, ela por sua vez aprendeu a perdoar. Talvez passasse a ver os seus acusadores, j\u00e1 n\u00e3o como pessoas r\u00edgidas e perversas, mas como aqueles que lhe permitiram encontrar Jesus. O Senhor quer que tamb\u00e9m n\u00f3s, seus disc\u00edpulos, n\u00f3s como Igreja, perdoados por Ele, nos tornemos testemunhas incans\u00e1veis de reconcilia\u00e7\u00e3o: testemunhas dum Deus para o Qual n\u00e3o existe a palavra \u00abirrecuper\u00e1vel\u00bb; dum Deus que sempre perdoa, sempre. Deus perdoa sempre. Somos n\u00f3s que nos cansamos de pedir perd\u00e3o. Um Deus que continua a crer em n\u00f3s e todas as vezes d\u00e1 a possibilidade de recome\u00e7ar. N\u00e3o h\u00e1 pecado ou fracasso que, levados a Ele, n\u00e3o possam tornar-se ocasi\u00e3o para come\u00e7ar uma vida nova, diferente, sob o signo da miseric\u00f3rdia. N\u00e3o h\u00e1 pecado que n\u00e3o se possa superar por esta estrada. Deus perdoa tudo. Tudo.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 o Senhor Jesus; sabe-o bem quem fez experi\u00eancia do seu perd\u00e3o; quem, como a mulher do Evangelho, descobre que Deus nos visita atrav\u00e9s das nossas chagas interiores: \u00e9 sobretudo nestas que o Senhor prefere fazer-Se presente, pois n\u00e3o veio para os s\u00e3os, mas para os doentes (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a09, 12). E hoje esta mulher, que conheceu a miseric\u00f3rdia na sua mis\u00e9ria e volta curada pelo perd\u00e3o de Jesus, sugere-nos, como Igreja, que principiemos de novo a frequentar a escola do Evangelho, a escola do Deus da esperan\u00e7a que sempre nos surpreende. Se O imitarmos, n\u00e3o seremos levados a concentrar-nos na den\u00fancia dos pecados, mas a sair amorosamente \u00e0 procura dos pecadores. N\u00e3o ficaremos a contar os presentes, mas iremos em busca dos ausentes. N\u00e3o voltaremos a apontar o dedo, mas come\u00e7aremos a p\u00f4r-nos \u00e0 escuta. N\u00e3o descartaremos os desprezados, mas olharemos como primeiros aqueles que s\u00e3o considerados \u00faltimos. Isto, irm\u00e3os e irm\u00e3s, \u00e9 o que Jesus nos ensina <span>hoje com o exemplo. Deixemo-nos surpreender por Ele e acolhamos com alegria a sua novidade.<\/span><\/p>\n<p><span>Imagem: Vatican Media<\/span><\/p>\n<p><span>Educris|03.04.2022<\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na homilia que preferiu hoje, durante a eucaristia a que presidiu no largo dei Granai, na cidade de Floriana, Francisco [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2358837160,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-876527322","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/876527322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=876527322"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/876527322\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2358837160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=876527322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=876527322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=876527322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}