{"id":876632271,"date":"2021-10-06T00:00:00","date_gmt":"2021-10-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/10809-nao-se-pode-fazer-de-ninguem-um-escravo-em-nome-de-jesus-afirma-o-papa"},"modified":"2021-10-06T00:00:00","modified_gmt":"2021-10-06T00:00:00","slug":"nao-se-pode-fazer-de-ninguem-um-escravo-em-nome-de-jesus-afirma-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/nao-se-pode-fazer-de-ninguem-um-escravo-em-nome-de-jesus-afirma-o-papa\/","title":{"rendered":"\u00abN\u00e3o se pode fazer de ningu\u00e9m um escravo em nome de Jesus\u00bb, afirma o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_salapaulovi_180829052256.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Aos peregrinos franceses Francisco expressou a sua proximidade com as v\u00edtimas da pedofilia na Igreja na Fran\u00e7a numa audi\u00eancia-geral em que refletiu sobre a liberdade<\/em><\/p>\n<p><strong>Catequese sobre a Carta aos G\u00e1latas 10. Cristo nos libertou<\/strong><\/p>\n<p><em>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>Hoje retomamos a nossa reflex\u00e3o sobre a Carta aos G\u00e1latas. Nela, S\u00e3o Paulo escreveu palavras imortais sobre a liberdade crist\u00e3. O que \u00e9 a liberdade crist\u00e3? Reflitamos hoje sobre este tema: a liberdade crist\u00e3.<\/p>\n<p>A liberdade \u00e9 um tesouro que s\u00f3 \u00e9 verdadeiramente apreciado quando o perdemos. Para muitos de n\u00f3s, habituados a viver em liberdade, muitas vezes parece mais um direito adquirido do que um dom e uma heran\u00e7a a ser preservada. Quantos desentendimentos em torno do tema da liberdade, e quantas vis\u00f5es diferentes se confrontaram ao longo dos s\u00e9culos!<\/p>\n<p>No caso dos G\u00e1latas, o Ap\u00f3stolo n\u00e3o podia suportar que esses crist\u00e3os, depois de terem conhecido e aceitado a verdade de Cristo, se deixassem atrair por propostas enganosas, passando da liberdade \u00e0 escravid\u00e3o: da presen\u00e7a libertadora de Jesus \u00e0 escravid\u00e3o do pecado, do legalismo, etc. Ainda hoje o legalismo \u00e9 um nosso problema, o problema de muitos crist\u00e3os que se refugiam no legalismo, na casu\u00edstica. Portanto, Paulo convida os crist\u00e3os a permanecerem firmes na liberdade que receberam atrav\u00e9s do batismo, sem se deixarem colocar de novo sob o \u00abjugo da escravid\u00e3o\u00bb (<em>Gl\u00a0<\/em>5, 1). Ele \u00e9 justamente ciumento da liberdade. Est\u00e1 ciente de que alguns \u00abfalsos irm\u00e3os\u00bb \u2013 define-os deste modo \u2013 \u00abque se intrometeram e entraram a espiar \u2013 como escreve \u2013 a liberdade que temos em Jesus Cristo a fim de nos reduzir \u00e0 escravid\u00e3o\u00bb (<em>Gl<\/em>\u00a02, 4), voltar atr\u00e1s, e Paulo n\u00e3o pode tolerar isto. A prega\u00e7\u00e3o que impede a liberdade em Cristo nunca seria evang\u00e9lica: poderia ser pelagiana ou jansenista ou algo do g\u00e9nero, mas n\u00e3o seria evang\u00e9lica. Nunca se pode for\u00e7ar em nome de Jesus, n\u00e3o se pode fazer de ningu\u00e9m um escravo em nome de Jesus que nos liberta. A liberdade \u00e9 um dom que nos \u00e9 dado no batismo.<\/p>\n<p>Mas o ensinamento de S\u00e3o Paulo sobre a liberdade \u00e9 sobretudo positivo. O Ap\u00f3stolo prop\u00f5e o ensinamento de Jesus, que tamb\u00e9m encontramos no Evangelho de Jo\u00e3o: \u00abSe permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros disc\u00edpulos; conhecereis a verdade e a verdade libertar-vos-\u00e1\u00bb (8, 31-32). Por conseguinte, acima de tudo, o apelo consiste em permanecer em Jesus, fonte da verdade que nos liberta. Portanto, a liberdade crist\u00e3 baseia-se em dois pilares fundamentais: primeiro, a gra\u00e7a do Senhor Jesus; segundo, a verdade que Cristo nos revela e que \u00e9 Ele pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 o\u00a0<em>dom do Senhor<\/em>. A liberdade que os G\u00e1latas receberam \u2013 e n\u00f3s como eles atrav\u00e9s do batismo \u2013 \u00e9 o fruto da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. O Ap\u00f3stolo concentra toda a sua prega\u00e7\u00e3o em Cristo, que o libertou dos v\u00ednculos com a sua vida passada: s\u00f3 dele brotam os frutos da nova vida de acordo com o Esp\u00edrito. De facto, a liberdade mais verdadeira, a liberdade da escravid\u00e3o do pecado, veio da Cruz de Cristo. Estamos livres da escravid\u00e3o do pecado atrav\u00e9s da Cruz de Cristo. Precisamente nela, onde Jesus se deixou pregar, onde se fez escravo, Deus colocou a fonte da liberta\u00e7\u00e3o do homem. Isto nunca deixa de nos surpreender: que o lugar onde somos despojados de toda a liberdade, nomeadamente a morte, pode tornar-se a fonte da liberdade. Mas este \u00e9 o mist\u00e9rio do amor de Deus: n\u00e3o \u00e9 facilmente compreendido, \u00e9 vivido. O pr\u00f3prio Jesus anunciou-o quando disse: \u00abO Pai ama-me, porque dou a minha vida para a retomar. Ningu\u00e9m ma tira. Sou Eu que a dou por Mim mesmo. Tenho poder para a dar e para tornar a tom\u00e1-la\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a010, 17-18). Jesus realiza a sua plena liberdade ao entregar-se \u00e0 morte; ele sabe que s\u00f3 desta forma pode obter vida para todos.<\/p>\n<p>Paulo, como sabemos, viveu pessoalmente este mist\u00e9rio de amor. \u00c9 por isso que diz aos G\u00e1latas, com uma express\u00e3o extremamente audaz: \u00abFui crucificado com Cristo\u00bb (<em>Gl<\/em>\u00a02, 19). Nesse ato de uni\u00e3o suprema com o Senhor, sabe que recebeu o maior dom da sua vida: a liberdade. De facto, na cruz pregou \u00aba carne com as suas paix\u00f5es e desejos\u00bb (5, 24). Compreendemos quanto a f\u00e9 animava o Ap\u00f3stolo, quanto era grande a sua intimidade com Jesus e enquanto, por um lado, sentimos que nos falta isso, por outro, o testemunho do Ap\u00f3stolo encoraja-nos a ir em frente nesta vida livre. O crist\u00e3o \u00e9 livre, deve ser livre e \u00e9 chamado a n\u00e3o voltar a ser escravo de preceitos, de coisas estranhas.<\/p>\n<p>O segundo pilar da liberdade \u00e9 a\u00a0<em>verdade<\/em>. Tamb\u00e9m neste caso \u00e9 necess\u00e1rio recordar que a verdade da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma teoria abstrata, mas a realidade do Cristo vivo, que toca diretamente o significado quotidiano e global da vida pessoal. Quantas pessoas que n\u00e3o estudaram, nem sequer sabem ler nem escrever, mas compreenderam bem a mensagem de Cristo, t\u00eam esta sabedoria que as liberta. \u00c9 a sabedoria de Cristo que entrou atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo no batismo. Quantas pessoas encontramos que vivem a vida de Cristo mais do que os grandes te\u00f3logos, por exemplo, oferecendo um testemunho precioso da liberdade do Evangelho. A liberdade torna-nos livres na medida em que transforma a vida de uma pessoa e a encaminha para o bem. Para sermos verdadeiramente livres, precisamos n\u00e3o s\u00f3 de nos conhecer a n\u00f3s mesmos, a n\u00edvel psicol\u00f3gico, mas sobretudo de sermos n\u00f3s mesmos verdade, a um n\u00edvel mais profundo. E ali, no cora\u00e7\u00e3o, abrimo-nos \u00e0 gra\u00e7a de Cristo. A verdade deve inquietar-nos \u2013 voltemos a esta palavra crist\u00e3: inquietar. Sabemos que h\u00e1 crist\u00e3os que nunca ficam inquietos: vivem sempre iguais, n\u00e3o h\u00e1 movimento nos seus cora\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 inquietude. Porqu\u00ea? Porque a inquieta\u00e7\u00e3o \u00e9 o sinal de que o Esp\u00edrito Santo age dentro de n\u00f3s, e a liberdade \u00e9 ativa, suscitada pela gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. \u00c9 por isso que digo que a liberdade deve inquietar-nos, deve continuamente fazer-nos perguntas, para que possamos ir cada vez mais a fundo no que realmente somos. Desta forma, descobrimos que o caminho para a verdade e a liberdade \u00e9 cansativo e dura a vida inteira. \u00c9 dif\u00edcil permanecer livre, \u00e9 dif\u00edcil; mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. Coragem, levemos isto por diante, far-nos-\u00e1 bem. \u00c9 um caminho no qual somos guiados e apoiados pelo Amor que vem da Cruz: o Amor que nos revela a verdade e nos d\u00e1 liberdade. E este \u00e9 o caminho para a felicidade. A liberdade torna-nos livres, torna-nos alegres, torna-nos felizes.<\/p>\n<p>Educris a partir do original em <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/audiences\/2021\/documents\/papa-francesco_20211006_udienza-generale.html\" target=\"_blank\">italiano<\/a><\/p>\n<p>Educris|06.10.2021<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos peregrinos franceses Francisco expressou a sua proximidade com as v\u00edtimas da pedofilia na Igreja na Fran\u00e7a numa audi\u00eancia-geral em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294987834,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-876632271","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/876632271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=876632271"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/876632271\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294987834"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=876632271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=876632271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=876632271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}