{"id":885684430,"date":"2021-09-29T00:00:00","date_gmt":"2021-09-29T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/10787-a-resposta-da-fe-exige-que-sejamos-ativos-no-amor-a-deus-e-no-amor-ao-proximo-papa-francisco"},"modified":"2021-09-29T00:00:00","modified_gmt":"2021-09-29T00:00:00","slug":"a-resposta-da-fe-exige-que-sejamos-ativos-no-amor-a-deus-e-no-amor-ao-proximo-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/a-resposta-da-fe-exige-que-sejamos-ativos-no-amor-a-deus-e-no-amor-ao-proximo-papa-francisco\/","title":{"rendered":"\u00abA resposta da f\u00e9 exige que sejamos ativos no amor a Deus e no amor ao pr\u00f3ximo\u00bb, Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_sala_paulo_vi_2_201024063542-1.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><strong><em>Em nova catequese sobre a Carta aos G\u00e1latas, o Papa Francisco abordou o tema da \u00abjustifica\u00e7\u00e3o\u00bb e afirmou que &#8220;a f\u00e9 exige que sejamos ativos no amor a Deus e ao pr\u00f3ximo&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a reflex\u00e3o do Santo Padre<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Catequese sobre a Carta aos G\u00e1latas &#8211; 9.\u00a0A vida na f\u00e9<\/strong><\/p>\n<p><em>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>No nosso percurso para compreender melhor o ensinamento de S\u00e3o Paulo, encontramo-nos hoje com um tema dif\u00edcil, mas importante, o da justifica\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 a justifica\u00e7\u00e3o? N\u00f3s, como pecadores, torn\u00e1mo-nos justos. Quem nos tornou justos? Este processo de mudan\u00e7a \u00e9 a justifica\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, perante Deus, somos justos. \u00c9 verdade que temos os nossos pecados pessoais, mas na base somos justos. Esta \u00e9 a justifica\u00e7\u00e3o. Houve muitos debates sobre este assunto, para encontrar a interpreta\u00e7\u00e3o mais coerente com o pensamento do Ap\u00f3stolo e, como muitas vezes acontece, houve tamb\u00e9m posi\u00e7\u00f5es opostas. Na\u00a0<em>Carta aos G\u00e1latas<\/em>, bem como na Carta aos Romanos, Paulo insiste no facto de que a justifica\u00e7\u00e3o vem da f\u00e9 em Cristo. \u201cMas, eu sou justo porque cumpro todos os mandamentos\u201d. Sim, mas a justifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem disto, vem antes: algu\u00e9m te justificou, algu\u00e9m te tornou justo perante Deus. \u201cSim, mas sou pecador!\u201d. Sim, \u00e9s justo, mas pecador, \u00e9s justo na base. Quem te tornou justo? Jesus Cristo. Esta \u00e9 a justifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 por detr\u00e1s da palavra \u201cjustifica\u00e7\u00e3o\u201d, que \u00e9 t\u00e3o decisiva para a f\u00e9? N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil chegar a uma defini\u00e7\u00e3o completa, mas na totalidade do pensamento de S\u00e3o Paulo podemos simplesmente dizer que a justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 a consequ\u00eancia da \u00abmiseric\u00f3rdia de Deus que oferece o perd\u00e3o\u00bb (<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/p3s1cap3_1949-2051_po.html#ARTIGO_2_\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/em>, n. 1990). E este \u00e9 o nosso Deus, t\u00e3o bom, misericordioso, paciente, cheio de miseric\u00f3rdia, que continuamente doa o perd\u00e3o, continuamente. Ele perdoa, e a justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 Deus que perdoa desde o in\u00edcio cada um, em Cristo. A miseric\u00f3rdia de Deus que d\u00e1 o perd\u00e3o. De facto, atrav\u00e9s da morte de Jesus \u2013 e isto deve ser frisado: atrav\u00e9s da morte de Jesus \u2013 Deus destruiu o pecado e doou-nos o perd\u00e3o e a salva\u00e7\u00e3o de uma forma definitiva. Assim justificados, os pecadores s\u00e3o acolhidos por Deus e reconciliados com Ele. \u00c9 como um regresso \u00e0 rela\u00e7\u00e3o original entre o Criador e a criatura, antes que interviesse a desobedi\u00eancia do pecado. Portanto, a justifica\u00e7\u00e3o que Deus realiza permite que recuperemos a inoc\u00eancia perdida com o pecado. Como ocorre a justifica\u00e7\u00e3o? Responder a esta pergunta \u00e9 descobrir outra novidade no ensinamento de S\u00e3o Paulo: a justifica\u00e7\u00e3o ocorre por gra\u00e7a. S\u00f3 pela gra\u00e7a: fomos justificados por pura gra\u00e7a. \u201cMas n\u00e3o posso, como fazem alguns, ir ter com o juiz e pagar para que ele me d\u00ea a justi\u00e7a?\u201d. N\u00e3o, nisto n\u00e3o se pode pagar, pagou algu\u00e9m por todos n\u00f3s: Cristo. E de Cristo que morreu por n\u00f3s vem aquela gra\u00e7a que o Pai concede a todos: a justifica\u00e7\u00e3o vem pela gra\u00e7a.<\/p>\n<p>O Ap\u00f3stolo tem sempre em mente a experi\u00eancia que mudou a sua vida: o encontro com Jesus ressuscitado no caminho de Damasco. Paulo tinha sido um homem orgulhoso, religioso e zeloso, convencido de que a justi\u00e7a consistia na observ\u00e2ncia escrupulosa dos preceitos. Agora, por\u00e9m, foi conquistado por Cristo, e a f\u00e9 n\u2019Ele transformou-o at\u00e9 \u00e0s profundezas, permitindo-lhe descobrir uma verdade at\u00e9 ent\u00e3o escondida: n\u00e3o somos n\u00f3s que nos tornamos justos pelos nossos pr\u00f3prios esfor\u00e7os \u2013 n\u00e3o: n\u00e3o somos n\u00f3s; mas \u00e9 Cristo com a sua gra\u00e7a que nos torna justos. Assim Paulo, para ter um conhecimento pleno do mist\u00e9rio de Jesus, est\u00e1 disposto a renunciar a tudo aquilo do que antes era rico (cf.\u00a0<em>Fl<\/em>\u00a03, 7), pois descobriu que s\u00f3 a gra\u00e7a de Deus o salvou. Fomos justificados, fomos salvos por mera gra\u00e7a, n\u00e3o pelos nossos merecimentos. E isto d\u00e1-nos grande confian\u00e7a. Somos pecadores, sim; mas seguimos o caminho da vida com esta gra\u00e7a de Deus que nos justifica cada vez que pedimos perd\u00e3o. Mas n\u00e3o justifica naquele momento: j\u00e1 estamos justificados, mas vem perdoar-nos outra vez.<\/p>\n<p>Para o Ap\u00f3stolo, a f\u00e9 tem um valor que abrange tudo. Toca cada momento e cada aspeto da vida do crente: desde o batismo at\u00e9 \u00e0 partida deste mundo, tudo est\u00e1 impregnado pela f\u00e9 na morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, que concede a salva\u00e7\u00e3o. A justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 enfatiza a prioridade da gra\u00e7a, que Deus oferece a todos os que acreditam no seu Filho sem distin\u00e7\u00e3o alguma.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o devemos concluir que para Paulo a Lei mosaica j\u00e1 n\u00e3o tenha valor; pelo contr\u00e1rio, continua a ser um dom irrevog\u00e1vel de Deus, \u00e9 \u2013 escreve o Ap\u00f3stolo \u2013 \u00absanta\u00bb (<em>Rm<\/em>\u00a07, 12). Inclusive para a nossa vida espiritual \u00e9 essencial observar os mandamentos, mas tamb\u00e9m aqui n\u00e3o podemos confiar na nossa pr\u00f3pria for\u00e7a: a gra\u00e7a de Deus que recebemos em Cristo \u00e9 fundamental, aquela gra\u00e7a que nos vem da justifica\u00e7\u00e3o que Cristo nos concedeu, que j\u00e1 pagou por n\u00f3s. Dele recebemos aquele amor gratuito que nos permite, por nossa vez, amar de modo concreto.<\/p>\n<p>Neste contexto, \u00e9 bom recordar o ensinamento do Ap\u00f3stolo Tiago, que escreve: \u00abO homem \u00e9 justificado pelas obras e n\u00e3o somente segundo a f\u00e9 \u2013 poderia parecer o contr\u00e1rio, mas n\u00e3o \u00e9 \u2013 [\u2026] Assim como o corpo sem alma \u00e9 morto, assim tamb\u00e9m a f\u00e9 sem obras \u00e9 morta\u00bb (<em>Tg<\/em>\u00a02, 24.26). A justifica\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o florescer com as nossas obras, ficar\u00e1 ali, debaixo da terra, como morta. Existe, mas n\u00f3s devemos atu\u00e1-la com as nossas obras. Assim, as palavras de Tiago complementam o ensino de Paulo. Por conseguinte, para ambos a resposta da f\u00e9 exige que sejamos ativos no amor a Deus e no amor ao pr\u00f3ximo. Por que \u201cativos naquele amor\u201d? Porque aquele amor nos salvou a todos, justificou-nos gratuitamente, de gra\u00e7a!<\/p>\n<p>A justifica\u00e7\u00e3o insere-nos na longa hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, que mostra a justi\u00e7a de Deus: perante as nossas cont\u00ednuas quedas e insufici\u00eancias, Ele n\u00e3o se resignou, mas quis tornar-nos justos e f\u00ea-lo pela gra\u00e7a, atrav\u00e9s do dom de Jesus Cristo, da sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Algumas vezes mencionei como \u00e9 o caminho de Deus, qual \u00e9 o estilo de Deus, e disse-o em tr\u00eas palavras: o estilo de Deus \u00e9 proximidade, compaix\u00e3o e ternura. Ele est\u00e1 sempre perto de n\u00f3s, \u00e9 compassivo e terno. E a justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 precisamente a maior proximidade de Deus a n\u00f3s, homens e mulheres, a maior compaix\u00e3o de Deus por n\u00f3s, homens e mulheres, a maior ternura do Pai. A justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 este dom de Cristo, da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo que nos liberta. \u201cMas, Padre, sou pecador, roubei&#8230;\u201d. Sim, mas na base \u00e9s justo. Deixa que Cristo implemente essa justifica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o estamos\u00a0<em>condenados<\/em>, na base, n\u00e3o: somos\u00a0<em>justos<\/em>. Permiti-me a express\u00e3o: somos\u00a0<em>santos<\/em>, na base. Mas depois, pelas nossas a\u00e7\u00f5es, tornamo-nos pecadores. Mas, na base, somos santos: deixemos que a gra\u00e7a de Cristo se eleve e que a justi\u00e7a, aquela justifica\u00e7\u00e3o nos d\u00ea for\u00e7as para ir em frente. Assim, a luz da f\u00e9 permite-nos reconhecer qu\u00e3o infinita \u00e9 a miseric\u00f3rdia de Deus, a gra\u00e7a que age para o nosso bem. Mas a mesma luz mostra-nos tamb\u00e9m a responsabilidade que nos foi confiada de colaborar com Deus na sua obra de salva\u00e7\u00e3o. O poder da gra\u00e7a precisa de se conjugar com as nossas obras de miseric\u00f3rdia, que somos chamados a viver para dar testemunho de qu\u00e3o grande \u00e9 o amor de Deus. Vamos em frente com esta confian\u00e7a: todos fomos justificados, somos justos em Cristo. Devemos concretizar esta justi\u00e7a com as nossas obras.<\/p>\n<p>Educris|29.09.2021<\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nova catequese sobre a Carta aos G\u00e1latas, o Papa Francisco abordou o tema da \u00abjustifica\u00e7\u00e3o\u00bb e afirmou que &#8220;a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294987823,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-885684430","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885684430","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=885684430"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885684430\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294987823"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=885684430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=885684430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=885684430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}