{"id":935504652,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/9311-domingo-de-ramos-com-um-coracao-de-discipulo"},"modified":"2025-11-07T16:33:37","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:37","slug":"domingo-de-ramos-com-um-coracao-de-discipulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-de-ramos-com-um-coracao-de-discipulo\/","title":{"rendered":"Domingo de Ramos: \u00abCom um cora\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">1. Batizado com o Esp\u00edrito Santo no Jord\u00e3o, confirmado com o Esp\u00edrito Santo no Tabor, Jesus realizou a sua miss\u00e3o filial batismal anunciando o Evangelho do Reino de Deus e fazendo as suas \u00abobras\u00bb. A sua \u00abviagem\u00bb chega agora ao fim, na Judeia, em Jerusal\u00e9m, onde o seu Batismo<span>\u00a0<\/span><em>deve<\/em><span>\u00a0<\/span>(plano divino)<span>\u00a0<\/span><em>ser consumado<\/em><span>\u00a0<\/span>(ainda Lucas 12,49-50) na sua Morte Gloriosa: \u00fanica Fonte do Esp\u00edrito Santo para n\u00f3s, porque \u00fanica Fonte da Vida Eterna verdadeiramente Dada (sempre Atos 2,32-33; Jo\u00e3o 19,30 e 34; 7,38-39), pois n\u00e3o se alcan\u00e7a atrav\u00e9s da nossa programa\u00e7\u00e3o ou planifica\u00e7\u00e3o. As coisas supremas n\u00e3o s\u00e3o planific\u00e1veis. J\u00e1 est\u00e3o prontas para receber. A miss\u00e3o filial batismal do Filho de Deus finalmente consumada! \u00c9 que fomos, de facto, batizados na sua Morte (Romanos 6,3-4), e, com Ele, fomos<span>\u00a0<\/span><em>j\u00e1<\/em>, para usar a vigorosa linguagem paulina, \u00abcom-sepultados\u00bb, \u00abcom-ressuscitados\u00bb, \u00abcom-vivificados\u00bb e \u00abcom-sentados\u00bb na Gl\u00f3ria! (Ef\u00e9sios 2,5-6; Colossenses 2,12-13: tudo verbos cunhados por Paulo e postos em aoristo (passado) hist\u00f3rico!). Formamos, por isso, \u00aba Igreja que Ele amou\u00bb (Ef\u00e9sios 5,25). A este grande amor de Cristo pela Igreja chama Paulo \u00abo mist\u00e9rio grande\u00bb (Ef\u00e9sios 5,32). N\u00f3s, a Igreja do amor de Cristo, somos, portanto, a Esposa bela, a nova Jerusal\u00e9m (Apocalipse 19,7-9; 21,2.9-14) que, juntamente com o Esp\u00edrito, diz ao Senhor Jesus: Vem! (Apocalipse 22,17).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">2. O tom deste Domingo de Ramos \u00e9 dado pela bela p\u00e1gina de Mateus 21,1-11, que nos mostra o Rei messi\u00e2nico a tomar posse da sua Cidade, a \u00abCidade do Grande Rei\u00bb (Salmo 45,5; 47,2-3; Tobias 13,11; Mateus 5,35), a Esposa bela que nascer\u00e1 do seu Sangue: Esposa c\u00famplice da Morte do Esposo, e benefici\u00e1ria da Morte do Esposo! Esposa, portanto, e no entanto! Que ao encontro do Esposo desce em vestido de noiva, n\u00e3o de vi\u00fava! (Apocalipse 21,2). O Rei messi\u00e2nico toma posse da sua Cidade, a Filha de Si\u00e3o, a Esposa; vem montado sobre o jumento da paz, e n\u00e3o sobre cavalos de guerra, cumprindo Zacarias 9,9. De notar que Zacarias escreveu esta p\u00e1gina deslumbrante de um Rei diferente, pobre, manso e humilde, em contraponto com o imponente espet\u00e1culo do grande Alexandre Magno, quando este, em finais do s\u00e9culo IV a. C., descia a costa palestinense a caminho do Egito, com todo o seu arsenal de riqueza e de prepot\u00eancia militar! Estendem-se as capas e ramos de \u00e1rvores no caminho: assim se procedia quando o rei subia ao trono (cf. 2 Reis 9,13). A multid\u00e3o canta \u00abHossana\u00bb [= \u00abSalva, por favor!\u00bb] (Salmo 118,5), saudando o Rei-que-Vem, \u00abAquele-que-Vem\u00bb (t\u00edtulo divino) (Salmo 118,26), com o Reino de David, o novo David!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">3. Ainda hoje, no domingo de Ramos, n\u00e3o obstante o ambiente abertamente hostil aos crist\u00e3os que se respira, se faz, desde Betfag\u00e9, uma pequena aldeia hoje totalmente mu\u00e7ulmana com um pequeno santu\u00e1rio \u00e0 guarda dos Franciscanos, uma impressionante prociss\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9 que, descendo o Monte das Oliveiras, termina na Igreja de Santa Ana, junto da porta de Santo Est\u00eav\u00e3o (ou dos Le\u00f5es).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">4. O Evangelho que enche este Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor \u00e9 o imenso e impressionante relato da Paix\u00e3o de Mateus 26,14-27,66, que marca o ritmo da nossa \u00abSemana Santa\u00bb, que as Igrejas Orientais chamam \u00abSemana Grande\u00bb, e que o antigo rito da Igreja de Mil\u00e3o conhecia por \u00abSemana Aut\u00eantica\u00bb. Somos n\u00f3s, portanto, carregando os nossos \u00f3dios, raivas, mentiras, invejas e viol\u00eancias, seguindo a par e passo o Rei manso e obediente que a n\u00f3s e por n\u00f3s se entrega por amor, absorvendo, absolvendo e dissolvendo assim o nosso lado sombrio e pecaminoso. O rei assume, no seu perfil, duas val\u00eancias fundamentais: 1) p\u00f4r-se totalmente nas m\u00e3os de Deus, escutando a sua Palavra e cumprindo-a; 2) p\u00f4r-se totalmente ao servi\u00e7o do seu povo, a quem deve fazer chegar a prosperidade e o bem-estar, a plenitude dos bens espirituais e materiais. O que esta Semana nos oferece s\u00e3o, pois, momentos e tonalidades intensos e decisivos, em que a Esposa bela, tornada bela, segue o Rei-Esposo passo a passo, gesto a gesto: a un\u00e7\u00e3o para a sepultura em Bet\u00e2nia, a Ceia Primeira (e n\u00e3o \u00faltima!) da intimidade que deixa ver melhor as trai\u00e7\u00f5es e as nega\u00e7\u00f5es que j\u00e1 se desenham no horizonte, a afirma\u00e7\u00e3o solene de Pedro e de todos os disc\u00edpulos de que est\u00e3o dispostos a morrer por Jesus, mas nunca a neg\u00e1-lo, o abismo do Gets\u00e9mani, onde Cristo, sendo embora o Filho de Deus, Deus Ele mesmo, treme perante a morte, mas aceita-a, submetendo a sua vontade humana \u00e0 sua Vontade divina, que \u00e9 a mesma Vontade do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo, a ora\u00e7\u00e3o de Jesus e o sono pesado dos disc\u00edpulos (uma, duas, tr\u00eas vezes), Judas que vem prender Jesus com um beijo (a trai\u00e7\u00e3o num gesto de intimidade!), acompanhado de outros que trazem espadas e varapaus, mas \u00e9 um dos que est\u00e3o com Jesus que puxa da espada e a usa (!), a pris\u00e3o de Jesus \u00absegundo as Escrituras\u00bb (Mateus 26,54 e 56), altura em que todos o abandonam e fogem (Mateus 26,56), deixando Jesus sozinho como verdadeiro \u00abResto de Israel!\u00bb, os processos e a condena\u00e7\u00e3o [Jesus afirma-se como \u00abo Cristo\u00bb, \u00abo Filho de Deus\u00bb, \u00abo Filho do Homem-que-Vem-na-sua-Gl\u00f3ria\u00bb, \u00abo Rei\u00bb], Pilatos que \u00ablava as m\u00e3os\u00bb como quem nada quer ter a ver com o assunto (Mateus 27,24), gesto que s\u00f3 Mateus relata, a entrega \u00e0 morte de cruz por Pilatos (Mateus 27,26) e por Judas (Mateus 26,15-16.21-25; 27,3), mas na verdade por Deus (1 Cor\u00edntios 11,23:<span>\u00a0<\/span><em>pared\u00eddeto<\/em>: passivo divino ou teol\u00f3gico!), a coroa de espinhos, Pedro disposto a morrer com Jesus (Mateus 26,35), mas negando-O logo de seguida com aquele triplo \u00abn\u00e3o sei!\u00bb (Mateus 26,70.72.74), a Cruz Santa e Gloriosa, as tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es por parte dos transeuntes, dos chefes dos sacerdotes juntamente com os escribas e os anci\u00e3os, dos ladr\u00f5es: \u00absalva-te a ti mesmo\u00bb, \u00abdesce da cruz\u00bb (Mateus 27,39-44), a ora\u00e7\u00e3o do Salmo 22 (todo): come\u00e7a \u00abMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u00bb, e termina \u00abEsta \u00e9 a obra do Senhor!\u00bb, a agonia e a Morte precedida do \u00abgrande grito\u00bb (Mateus 27,46 e 49), que indica que Jesus continua a ser o sujeito ativo de todos os seus atos, mas indica tamb\u00e9m a Vit\u00f3ria de Deus\u2026 Proclama\u00e7\u00e3o da m\u00e1xima Obra de Deus no mundo, a indiz\u00edvel Economia divina na vida terrena do Filho de Deus! Segue-se a sepultura num t\u00famulo novo (Mateus 27,60), como conv\u00e9m ao Rei, sempre o primeiro em tudo, as mulheres \u00e0 dist\u00e2ncia do recolhimento, observando tudo com aten\u00e7\u00e3o (verbo<span>\u00a0<\/span><em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>) (Mateus 27,55), como far\u00e3o depois na sua visita ao t\u00famulo (Mateus 28,1), os \u00fanicos dois lugares em que Mateus usa o verbo<span>\u00a0<\/span><em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>! A cena da guarda do t\u00famulo reclamada pelos judeus e a lenda do roubo do seu corpo pelos disc\u00edpulos entretanto espalhada (s\u00f3 em Mateus) costura-se ainda com as p\u00e1ginas iniciais do G\u00e9nesis, que relatam a hist\u00f3ria de um fruto e a lenda de um furto (cf. G\u00e9nesis 1,29 vs. 3,1-6). A proclama\u00e7\u00e3o deste imenso texto deve seguir-se com a convers\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o, e, sobretudo, com o louvor no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">5. Vendo bem, somos todos levados a percorrer e a reviver as \u00faltimas decisivas vinte e quatro horas de Jesus, desde as 15h00 de Quinta-Feira Santa at\u00e9 perto das 18h00 de Sexta-Feira Santa:<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">15h00 = Prepara\u00e7\u00e3o da Ceia<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">18h00 = Ceia Primeira!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">21h00 = Gets\u00e9mani<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">24h00 = Pris\u00e3o de Jesus<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">03h00 = Pedro nega e o galo canta<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">06h00 = Jesus diante de Pilatos<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">09h00 = Crucifix\u00e3o de Jesus<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">12h00 = As trevas em vez da Luz!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">15h00 = Morte de Jesus<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">18h00 = Sepultamento de Jesus<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">6. Note-se que, na cronologia dos Evangelhos Sin\u00f3ticos (Mateus, Marcos e Lucas), esta Quinta-Feira \u00e9 o dia da Prepara\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, comendo-se a Ceia Pascal logo ap\u00f3s o p\u00f4r-do-sol (no calend\u00e1rio religioso hebraico j\u00e1 \u00e9 Sexta-Feira, dado que o dia come\u00e7a com o p\u00f4r-do-sol). Como se v\u00ea, esta cronologia v\u00ea na Ceia de Jesus com os seus Disc\u00edpulos uma Ceia Pascal. Tamb\u00e9m de acordo com esta cronologia, Jesus \u00e9 preso, julgado, condenado, crucificado, morto e sepultado em Sexta-Feira, Dia da P\u00e1scoa dos judeus, o que seria muito estranho! O Evangelho de S. Jo\u00e3o apresenta outra cronologia, hoje defendida pela maioria dos estudiosos, segundo a qual Jesus ter\u00e1 comido uma Ceia, a sua Ceia Nova em Quinta-Feira, mas n\u00e3o a Ceia ritual da P\u00e1scoa dos judeus, e foi preso, julgado, condenado, crucificado, morto e sepultado, em Sexta-Feira, dia da Prepara\u00e7\u00e3o, antes da Ceia ritual da P\u00e1scoa dos judeus, que Jo\u00e3o coloca no S\u00e1bado, e n\u00e3o na Sexta-Feira. No seu \u00daltimo Livro sobre Jesus de Nazar\u00e9, Bento XVI defende tamb\u00e9m esta cronologia joanina. De resto, as Igrejas do Ocidente seguem a cronologia dos Sin\u00f3ticos: por isso, a nossa Eucaristia \u00e9 com p\u00e3o \u00c1zimo, derivado do ritual da Ceia da P\u00e1scoa dos judeus. Por seu lado, as Igrejas do Oriente seguem a cronologia joanina, sendo a sua Eucaristia com p\u00e3o comum, dado n\u00e3o derivar do ritual da P\u00e1scoa dos judeus.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">7. O Antigo Testamento serve-nos hoje o chamado \u00abterceiro canto do Servo\u00bb (Isa\u00edas 50,4-7). Gerado na dor de Israel como verdadeiro filho do milagre (Isa\u00edas 49,21), ergue-se esta singular figura de \u00abServo\u00bb (<em>\u2018ebed<\/em>), totalmente nas m\u00e3os de Deus, desde a sua predestina\u00e7\u00e3o desde o seio materno (Isa\u00edas 49,1 e 5), passando pela sua entrega \u00e0 morte (Isa\u00edas 53,12), at\u00e9 \u00e0 sua exalta\u00e7\u00e3o e glorifica\u00e7\u00e3o (Isa\u00edas 52,13), de tal modo que Deus o pode chamar \u00abmeu Servo\u00bb (<em>\u2018abd\u00ee<\/em>). Na li\u00e7\u00e3o de hoje, o \u00abServo\u00bb \u00e9 um Disc\u00edpulo a quem Deus abre os ouvidos at\u00e9 ao cora\u00e7\u00e3o, para ouvir bem a m\u00fasica de Deus, e poder levar uma palavra de consolo aos dela necessitados. \u00abTornando o seu rosto duro como uma pedra\u00bb (Isa\u00edas 50,7), apresenta-se como um Servo, n\u00e3o insens\u00edvel e indiferente, mas decidido a levar at\u00e9 ao fim a miss\u00e3o que lhe \u00e9 confiada. A mesma express\u00e3o ser\u00e1 dita acerca de Jesus em Lucas 9,51. O Novo Testamento passa por aqui!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">8. Em claro paralelismo com o \u00abServo\u00bb, cantado por Isa\u00edas, a\u00ed est\u00e1 Jesus apresentado por Paulo aos Filipenses (2,6-11). Mas aqui, o \u00abServo\u00bb tem um Rosto e um Nome: Jesus recebeu, na sua Humanidade, o Nome divino (ver tamb\u00e9m Hebreus 1,1-4), Nome incompar\u00e1vel (Filipenses 2,9). Por isso, agora, todos os seres criados adoram o Nome-Jesus (Filipenses 2,10), e \u00abtoda a l\u00edngua\u00bb, isto \u00e9, todo o ser humano racional, professa: \u00abSenhor \u00e9 Jesus Cristo!\u00bb (<em>K\u00fdrios I\u00easo\u00fbs Christ\u00f3s<\/em>). Notar a ordem dos tr\u00eas termos, errada nas vers\u00f5es modernas: Senhor, isto \u00e9, Deus eterno, \u00e9 o Homem-Jesus Cristo. O sujeito \u00e9 o que n\u00e3o se conhece; o predicado \u00e9 o que se conhece. O acento cai, pois, sobre Senhor. O fim em vista: a Gl\u00f3ria do Pai com o Esp\u00edrito (Filipenses 2,11). \u00c9 quanto Deus operou na Cruz e semeou no nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">9. Voltamos \u00e0 m\u00fasica do Salmo 22, uma ora\u00e7\u00e3o que nasce na Paix\u00e3o e termina na P\u00e1scoa! \u00c9 belo tomarmos consci\u00eancia de que Jesus nos pediu estas palavras emprestadas, para no-las devolver a transbordar de sentido. J\u00e1 se sabe que aquele \u00abMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u00bb, que Jesus reza na Cruz, e que s\u00e3o as primeiras palavras do Salmo, implica, segundo a praxe judaica, a recita\u00e7\u00e3o do Salmo inteiro, que tem uma primeira parte de fort\u00edssima lamenta\u00e7\u00e3o (vv. 2-22), passando logo para uma segunda parte que expressa consola\u00e7\u00e3o por ver Deus ao nosso lado, t\u00e3o pr\u00f3ximo de n\u00f3s (vv. 23-27), e terminando em verdadeira exulta\u00e7\u00e3o (vv. 28-32). O grande pregador franc\u00eas Jacques Bossuet (1627-1704) declarava bem-aventurados aqueles que, recitando este Salmo, se encontram com Jesus, t\u00e3o santamente tristes e t\u00e3o divinamente felizes!<\/p>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Senhor Jesus,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Senhor dos Passos<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Serenos e seguros no caminho da vida e da Paix\u00e3o,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Senhor Jesus,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Senhor dos Passos<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Sossegados e firmes,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Resolutos,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">At\u00e9 \u00e0 porta do meu cora\u00e7\u00e3o.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Senhor Jesus,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Senhor dos Passos,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Dos meus e dos teus,<\/address>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Finalmente harmonizados,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Finalmente lado a lado:<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Os meus, imprecisos, indecisos,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Atravessados pelo teu Perd\u00e3o;<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Os teus, sossegados e firmes,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Sincronizados pelo pulsar do meu cora\u00e7\u00e3o.<\/address>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Sim,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Eu sei que foi por mim que desceste a este ch\u00e3o<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Pesado, \u00edngreme, irregular,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">De longil\u00edneas lajes em que \u00e9 f\u00e1cil escorregar.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Mas os teus bra\u00e7os sempre abertos ajudam-me a levantar.<\/address>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Senhor Jesus,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Deixa-me chegar um pouco mais junto de ti,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Chega-te tu tamb\u00e9m mais junto de mim.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Segura-me.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">D\u00e1-me a tua m\u00e3o firme, nodosa e corajosa.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Agarro-me.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Sinto sulcos gravados nessa m\u00e3o.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Sigo-os com o dedo devagar.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Percebo que s\u00e3o as letras do meu nome.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Foi ent\u00e3o por mim que desceste a este ch\u00e3o.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">O amor verdadeiro est\u00e1 l\u00e1 sempre primeiro.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Senhora das Dores, Maria, minha M\u00e3e,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Que seguiste at\u00e9 ao fim os passos do teu Filho,<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Acompanha e protege os meus passos tamb\u00e9m.<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/address>\n<address data-adtags-visited=\"true\">Obrigado, Senhor Jesus,<\/address>\n<address class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-3\">Meu Senhor, meu Irm\u00e3o e companheiro.<\/address>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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