{"id":938539998,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12534-domingo-xxix-do-tempo-comum-devolvei-as-coisas-de-cesar-a-cesar-e-as-de-deus-a-deus"},"modified":"2025-11-07T16:33:57","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:57","slug":"domingo-xxix-do-tempo-comum-devolvei-as-coisas-de-cesar-a-cesar-e-as-de-deus-a-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxix-do-tempo-comum-devolvei-as-coisas-de-cesar-a-cesar-e-as-de-deus-a-deus\/","title":{"rendered":"Domingo XXIX do Tempo Comum: \u00abDevolvei as coisas de C\u00e9sar a C\u00e9sar, e as de Deus a Deus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">Is 45,1.4-6; Sl 96; 1 Ts 1,1-5b; Mt 22,15-21<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Ocup\u00e1mo-nos nos \u00faltimos tr\u00eas Domingos do longo mon\u00f3logo em estilo parab\u00f3lico de Jesus, que reunia tr\u00eas par\u00e1bolas seguidas pronunciadas por Jesus perante as autoridades judaicas religiosas e civis (Mt 21,28-22,14). Deu azo a essas par\u00e1bolas um di\u00e1logo pol\u00e9mico, em tom de disputa, documentado em Mt 21,23-27. Este di\u00e1logo pol\u00e9mico \u00e9 agora retomado em id\u00eanticos moldes em Mt 22,15-17, e abre para um novo bloco de tr\u00eas unidades, neste caso tr\u00eas quest\u00f5es dirigidas a Jesus por grupos representativos dos dirigentes religiosos em Jerusal\u00e9m. Este agrupamento de tr\u00eas quest\u00f5es encontra-se em Mt 22,15-40. Os pol\u00e9micos interlocutores de Jesus s\u00e3o por ordem: 1) Fariseus e Herodianos (Mt 22,15-22); 2) Saduceus (Mt 22,23-33); 3) um Fariseu (Mt 22,34-40). A estas tr\u00eas quest\u00f5es consecutivas segue-se uma quarta, a mais importante dentro do esquema ret\u00f3rico 3 + 1, posta por Jesus aos Fariseus (Mt 22,41-46).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Destes quatro epis\u00f3dios ou quest\u00f5es, apenas dois ser\u00e3o escutados nos pr\u00f3ximos dois Domingos. Assim, neste Domingo XXIX do Tempo Comum, escutaremos o epis\u00f3dio de Mt 22,15-22 (cf. paralelos em Mc 12,13-17 e Lc 20,20-26), e, no Domingo XXX, escutaremos a quest\u00e3o posta por um Fariseu acerca do maior mandamento da Lei (Mt 22,34-40). Neste Domingo XXIX, escutaremos o epis\u00f3dio em que Fariseus e Herodianos se juntam para tentar tramar Jesus pela palavra, colocando-lhe por isso e para isso uma pergunta trai\u00e7oeira, assim formulada: \u00ab\u00c9 permitido\u00a0<em>dar<\/em>\u00a0(<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>) o imposto a C\u00e9sar, ou n\u00e3o?\u00bb (Mt 22,17).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Note-se que, tal como as tr\u00eas par\u00e1bolas anteriores, este epis\u00f3dio decorre no Templo, certamente no \u00c1trio dos Gentios ou Pag\u00e3os, uma vasta \u00e1rea de 13,5 hectares, prop\u00edcia ao encontro de muita gente, judeus e n\u00e3o judeus, onde Jesus se encontra a ensinar desde Mt 21,23 at\u00e9 Mt 24,1, em que \u00e9 referido que Jesus saiu do Templo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. \u00c9, portanto, no \u00c1trio dos Gentios ou Pag\u00e3os que, de forma estudada e astuciosa, fariseus e herodianos tentam surpreender Jesus com uma pergunta pol\u00edtica fechada. Note-se que a pergunta foi preparada e feita para levar Jesus a responder \u00absim\u00bb ou \u00abn\u00e3o\u00bb. Para o caso, aos maliciosos perguntadores, tanto lhes fazia: para tramar Jesus, tanto lhes servia o \u00absim\u00bb como o \u00abn\u00e3o\u00bb. Na verdade, se Jesus respondesse \u00absim\u00bb, seria visto como colaboracionista com o imp\u00e9rio romano ocupante e perderia todo o cr\u00e9dito religioso acumulado aos olhos das multid\u00f5es que o viam como profeta, totalmente do lado de Deus. Cairia assim um dos grandes aliados de Jesus, o povo, que os advers\u00e1rios de Jesus temiam, sendo este medo que at\u00e9 agora os impediu de prender e eliminar Jesus (cf. Mt 21,46). Se respondesse \u00abn\u00e3o\u00bb, seria denunciado \u00e0s autoridades romanas como revolucion\u00e1rio, e certamente executado. Com este dilema aparentemente sem sa\u00edda, os fariseus pensam retribuir a Jesus o embara\u00e7o em que os meteu com a pergunta acerca da origem do batismo de Jo\u00e3o, se era do c\u00e9u ou se era da terra, de que n\u00e3o souberam sair de forma airosa (cf. Mt 21,23-27).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Antes de verificarmos a extraordin\u00e1ria resposta com que Jesus desmonta a armadilha que lhe \u00e9 posta, \u00e9 ainda conveniente examinar o grau de adula\u00e7\u00e3o e hipocrisia dos perguntadores. De facto, o grupo de fariseus e herodianos aproxima-se de Jesus estendendo-lhe um tapete de louvores, uma esp\u00e9cie de\u00a0<em>captatio benevolentiae<\/em>, uma t\u00e9cnica ret\u00f3rica muito em voga no mundo greco-romano em geral, mas tamb\u00e9m entre os judeus (cf. At 24,2): \u00abSabemos que \u00e9s verdadeiro\u00bb, que \u00abensinas com verdade o caminho de Deus\u00bb, e que \u00abn\u00e3o fazes ace\u00e7\u00e3o de pessoas\u00bb (Mt 22,16). Esta \u00faltima express\u00e3o deriva da locu\u00e7\u00e3o latina\u00a0<em>accipere personam<\/em>\u00a0[= receber a pessoa], que, por sua vez, traduz \u00e0 letra o grego\u00a0<em>lamb\u00e1nein pr\u00f3s\u00f4p\u00f4n<\/em>\u00a0[= receber o rosto], que tem por detr\u00e1s a express\u00e3o hebraica\u00a0<em>nasa? pan\u00eem<\/em>\u00a0[= levantar o rosto]. A express\u00e3o hebraica faz sentido, e \u00e9 muito mais clara do que a grega, a latina e a portuguesa. O juiz justo, no ato de administrar a justi\u00e7a, n\u00e3o levanta o rosto das pessoas, n\u00e3o deve ver quem s\u00e3o as pessoas, isto \u00e9, n\u00e3o deve julgar de acordo com o rosto das pessoas ou por interesse, consoante as pessoas sejam ricas ou pobres, simp\u00e1ticas ou desprez\u00edveis, do nosso grupo de amigos ou n\u00e3o. O grego tenta traduzir a express\u00e3o hebraica, mas o latim e o vern\u00e1culo \u00abfazer ace\u00e7\u00e3o de pessoas\u00bb n\u00e3o significa nada.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Note-se, por\u00e9m, que este tapete rolante colocado diante de Jesus por fariseus e herodianos \u00e9 com a inten\u00e7\u00e3o de o fazer mais facilmente escorregar e cair.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Mas Jesus, que v\u00ea os pensamentos que h\u00e1 nos cora\u00e7\u00f5es (cf. Mt 9,4; 26,10), descobre logo a mal\u00edcia deles (Mt 22,18), e diz as coisas a direito, levando a s\u00e9rio o que os seus interlocutores lhe dizem por mal\u00edcia. Al\u00e9m disso, chama-lhes \u00abhip\u00f3critas\u00bb (Mt 22,18), uma palavra que se conta 30 vezes em Mateus. Hip\u00f3critas, isto \u00e9, mentirosos camuflados debaixo de uma capa de verdade. Jesus, portanto, n\u00e3o responde \u00e0 adula\u00e7\u00e3o com adula\u00e7\u00e3o, mas denuncia a m\u00e1scara de mentira que envolve aqueles rostos! Vai mais longe: pede-lhes que lhe mostrem a moeda do imposto\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0(<em>k\u00eansos<\/em>, translitera\u00e7\u00e3o grega do latim\u00a0<em>census<\/em>) que, desde o ano 6 d.C., todos os judeus adultos, mulheres e escravos inclu\u00eddos, tinham de pagar ao imp\u00e9rio romano. Al\u00e9m de h\u00e1beis impostores, os interlocutores de Jesus s\u00e3o igualmente r\u00e1pidos a tirar a moeda do bolso, um den\u00e1rio, moeda romana correspondente ao sal\u00e1rio de um dia de trabalho. Jesus pergunta, de forma contundente, usando o presente hist\u00f3rico do verbo dizer: \u00ab<em>Diz-lhes<\/em>: de quem \u00e9 esta imagem e a inscri\u00e7\u00e3o?\u00bb (Mt 22,20). A moeda tinha ao centro a imagem de Tib\u00e9rio coroado de grinaldas, que reinou de 14 a 37 d.C., e \u00e0 volta a inscri\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Ti[berius] Caesar Divi Aug[usti] F[ilius] Augustus<\/em>, [= Tib\u00e9rio C\u00e9sar, filho do Divino Augusto], tendo no reverso\u00a0<em>Ponti[fex] Maxim[us]<\/em>. Eles t\u00eam, portanto, de responder que uma e outra s\u00e3o de C\u00e9sar. Note-se que tudo se passa no recinto sagrado do Templo. E a moeda que estes falsos justos ostentam desrespeita os dois primeiros mandamentos (Ex 20,3 e 4). Na verdade, Ex 20,4 pro\u00edbe as imagens (2.\u00ba mandamento), e Ex 20,3 pro\u00edbe o culto a outros deuses (1.\u00ba mandamento): ora, a inscri\u00e7\u00e3o descrevia o Imperador Romano com\u00a0<em>Divi Filius<\/em>\u00a0[= filho de um deus].<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Jesus continua a usar o presente hist\u00f3rico do verbo dizer: \u00ab<em>Diz-lhes<\/em>:\u00a0<em>devolvei<\/em>\u00a0(<em>apod\u00edd\u00f4mi<\/em>) ent\u00e3o as coisas de C\u00e9sar a C\u00e9sar e as coisas de Deus a Deus!\u00bb (Mt 22,21). Note-se ainda como Jesus n\u00e3o responde com o verbo \u00abdar\u00bb (<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>) da pergunta (Mt 22,17), mas com \u00abdevolver\u00bb (<em>apod\u00edd\u00f4mi<\/em>) o seu a seu dono. E introduz a enf\u00e1tica 2.\u00aa parte \u00abe as coisas de Deus a Deus\u00bb. Fica ent\u00e3o claro que a moeda vem de C\u00e9sar e a C\u00e9sar deve ser\u00a0<em>devolvida<\/em>. Mas Jesus, o Filho verdadeiro de Deus, \u00abimagem do Deus invis\u00edvel\u00bb (Cl 1,15), que at\u00e9 os falsos interlocutores reconhecem que est\u00e1 vinculado a Deus, pois afirmam que ensina o caminho de Deus (Mt 22,16), \u00e9 para\u00a0<em>devolver<\/em>\u00a0a Deus\u2026 Mas j\u00e1 sabemos que estes impostores montaram esta armadilha com o fito de o entregar a C\u00e9sar (e \u00e9 o que v\u00e3o fazer mais \u00e0 frente). E tamb\u00e9m fica claro que o ser humano, homem e mulher, criado \u00e0 imagem de Deus (Gn 1,26-27), \u00e9 para\u00a0<em>devolver<\/em>\u00a0a Deus, e n\u00e3o para\u00a0<em>dar<\/em>\u00a0a C\u00e9sar.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. O v. 22, que foi cortado (mal) do texto deste Domingo, desenha a reviravolta dos ca\u00e7adores ca\u00e7ados na sua pr\u00f3pria armadilha. Ca\u00e7ados por excesso, pois refere o texto que ficaram maravilhados (<em>thaum\u00e1z\u00f4<\/em>), e se foram embora (Mt 22,22). Maravilhados, mas n\u00e3o convertidos! Voltar\u00e3o cada vez mais envenenados para levar a cabo o projeto in\u00edquo de retirar Jesus de Deus, para o entregar a C\u00e9sar. Como se v\u00ea, h\u00e1 nesta extraordin\u00e1ria resposta de Jesus muito mais do que a leitura corrente e banal que v\u00ea nesta passagem o mero estabelecimento de regras de conviv\u00eancia entre Estado e Igreja\u2026<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Ao contr\u00e1rio da nossa mal\u00edcia que vamos extravasando, Deus olha-nos com bondade, e os seus des\u00edgnios, mesmo quando escolhe um estrangeiro, s\u00e3o sempre por causa de n\u00f3s, porque nos ama (Isa\u00edas 45,1.4-6).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. \u00c9 este tamb\u00e9m o modo caloroso de agir de Paulo, Silvano e Tim\u00f3teo, que t\u00eam sempre presente, porque a amam, a comunidade de Tessal\u00f3nica (1 Tessalonicenses 1,1-5). Ter\u00e1 de ser tamb\u00e9m o nosso modo de agir para com Deus e os nossos irm\u00e3os. De modo exemplar: \u00abDamos gra\u00e7as a Deus sempre por todos v\u00f3s\u00bb, assim abre o texto mais antigo em absoluto de todo o Novo Testamento, que \u00e9 esta precios\u00edssima Carta aos Tessalonicenses.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. Sim, sem mal\u00edcia, mas com o cora\u00e7\u00e3o puro, cantemos as notas sublimes do Salmo 96. A m\u00fasica est\u00e1 escrita diante de n\u00f3s, no pergaminho da natureza e da hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m no rosto belo de cada irm\u00e3o e da inteira cria\u00e7\u00e3o. O canto \u00e9 novo. E j\u00e1 aprendemos com Santo Agostinho que s\u00f3 um homem novo pode cantar um canto novo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">13. Em cada Domingo, celebramos sempre o Senhor Ressuscitado, nosso contempor\u00e2neo, que nos guia e acompanha nos caminhos sempre novos da miss\u00e3o. Passa hoje o 97.\u00ba Dia Mission\u00e1rio Mundial, a que o Papa Francisco ap\u00f4s o significativo lema: \u00abCora\u00e7\u00f5es ardentes, p\u00e9s ao caminho!\u00bb, que \u00e9 uma tentativa de encher a vida da Igreja com a experi\u00eancia sempre renovada e cheia de surpresas dos dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas, que passam da frustra\u00e7\u00e3o e da tristeza de pensarem que tinham perdido Jesus para o j\u00fabilo do reencontro que os lan\u00e7a numa intermin\u00e1vel aventura mission\u00e1ria. \u00c9 assim que vamos compreendendo cada vez melhor que \u00abEvangelizar \u00e9 a nossa maneira de ser, a nossa identidade mais profunda\u00bb (Paulo VI,\u00a0<em>Evangelii nuntiandi<\/em>\u00a0[1975], n.\u00ba 14), o verdadeiro ADN de todo o crist\u00e3o batizado. Foi o Papa Pio XI que instituiu este Dia Mission\u00e1rio Mundial em 1926. Vamos hoje na 97.\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Importa que n\u00e3o tenha fim o caminho e que o lume n\u00e3o se apague.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-2\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Is 45,1.4-6; Sl 96; 1 Ts 1,1-5b; Mt 22,15-21 1. 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