{"id":962765152,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8462-domingo-vi-do-tempo-comum-e-jesus-desceu-para-o-meio-de-nos"},"modified":"2025-11-07T16:34:33","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:33","slug":"domingo-vi-do-tempo-comum-e-jesus-desceu-para-o-meio-de-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-vi-do-tempo-comum-e-jesus-desceu-para-o-meio-de-nos\/","title":{"rendered":"Domingo VI do Tempo Comum: \u00abE Jesus desceu para o meio de N\u00f3s\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031-1.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. Conta-nos S\u00e3o Lucas que Jesus\u00a0<em>saiu<\/em>\u00a0(<em>ex\u00e9rchomai<\/em>) para a MONTANHA para ORAR, e estava (<em>\u00ean<\/em>: imperf. de\u00a0<em>eim\u00ed<\/em>) a passar (<em>dianyktere\u00fa\u00f4n<\/em>: part. presente de\u00a0<em>dianyktere\u00fa\u00f4<\/em>) a noite inteira em ORA\u00c7\u00c3O (Lucas 6,12). Note-se que Jesus se separa para rezar. E a express\u00e3o usada (imperfeito do verbo \u00abser\u00bb seguido de partic\u00edpio presente) indica que Jesus rezou, sem parar, a noite inteira. O Evangelho de Lucas recorda-nos que Jesus reza sempre nos momentos importantes da sua miss\u00e3o. Quando amanheceu, continua S\u00e3o Lucas, Jesus chamou os disc\u00edpulos e escolheu \u00abDoze\u00bb a quem\u00a0<em>chamou<\/em>\u00a0Ap\u00f3stolos, seguindo-se logo a lista dos seus nomes (Lucas 6,13-16). De notar que tamb\u00e9m Mateus 10,2 e Marcos 6,30 sabem que os Doze s\u00e3o Ap\u00f3stolos, mas apenas Lucas refere que foi o pr\u00f3prio Jesus a dar-lhes este nome (Lucas 6,13). Notemos ainda que o Ap\u00f3stolo \u00e9 o enviado autorizado, que fala em nome de quem o envia. N\u00e3o est\u00e1 autorizado a dizer palavras suas ou a expressar a sua opini\u00e3o. Fica totalmente vinculado \u00e0quele que o envia. A primeira nota que o caracteriza \u00e9 a fidelidade.<\/p>\n<p>2. Depois desta introdu\u00e7\u00e3o, parece-me oportuno, pela sua import\u00e2ncia, inserir o texto do Evangelho que hoje ser\u00e1 proclamado (Lucas 6,17.20-26), sem o corte dos vv. 18-19:<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00abTendo\u00a0<em>descido<\/em>\u00a0com eles,\u00a0<em>ficou de p\u00e9<\/em>\u00a0num\u00a0<em>lugar plano<\/em>, e um grupo numeroso dos seus disc\u00edpulos e uma multid\u00e3o numerosa do\u00a0<em>povo<\/em>(<em>la\u00f3s<\/em>) de toda a Judeia e de Jerusal\u00e9m e do litoral de Tiro e de S\u00eddon, que tinham vindo para o escutar e fazer-se curar das suas doen\u00e7as. E aqueles que eram atormentados por esp\u00edritos impuros eram curados, e toda a multid\u00e3o procurava toc\u00e1-lo, porque uma for\u00e7a sa\u00eda dele e curava todos. E tendo\u00a0<em>levantado os seus olhos<\/em>\u00a0para os seus disc\u00edpulos,\u00a0<em>dizia<\/em>:<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Felizes<\/em>\u00a0v\u00f3s, os pobres,<\/p>\n<p>porque vosso \u00e9 o reino de Deus;<\/p>\n<p><em>Felizes<\/em>\u00a0v\u00f3s que tendes fome agora,<\/p>\n<p>porque sereis saciados;<\/p>\n<p><em>Felizes<\/em>\u00a0v\u00f3s que chorais agora,<\/p>\n<p>porque rireis;<\/p>\n<p><em>Felizes<\/em>\u00a0sois v\u00f3s, quando os homens vos odiarem, e quando vos expulsarem e insultarem e rejeitarem o vosso nome como mau por causa do Filho do Homem.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mas\u00a0<em>ai<\/em>\u00a0de v\u00f3s os ricos,<\/p>\n<p>porque tendes a vossa consola\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p><em>Ai<\/em>\u00a0de v\u00f3s, que estais saciados agora,<\/p>\n<p>porque tereis fome;<\/p>\n<p><em>Ai<\/em>\u00a0de v\u00f3s, que rides agora,<\/p>\n<p>porque andareis aflitos e chorareis;<\/p>\n<p><em>Ai<\/em>\u00a0de v\u00f3s, quando todos os homens disserem bem de v\u00f3s:<\/p>\n<p>era assim que os seus pais tratavam os falsos profetas\u00bb (Lucas 6,17-26).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>3. O Evangelho deste Domingo VI do Tempo Comum come\u00e7a com esta descida para um lugar plano, que n\u00e3o tem de ser necessariamente a plan\u00edcie ao n\u00edvel do mar da Galileia; pode muito bem tratar-se de um planalto acess\u00edvel a uma grande multid\u00e3o, doentes inclu\u00eddos. V\u00ea-se e compreende-se bem que o Discurso de Jesus \u00e9, em Lucas, mais breve e apresentado num cen\u00e1rio plano (Lucas 6,17-7,1), bem diferente do Serm\u00e3o da Montanha de Mateus, mais longo e encenado nas alturas (Mateus 5,1-7,19). Se Lucas quer p\u00f4r Jesus em contacto com toda a gente, inclusive com os doentes, \u00e9 f\u00e1cil compreender que Jesus tem de descer ao n\u00edvel deles, e n\u00e3o os pode obrigar a subir \u00e0 Montanha.<\/p>\n<p>4. \u00c9 significativo que o evangelista descreva esta grande multid\u00e3o como POVO (<em>la\u00f3s<\/em>) oriundo de toda a Judeia, Jerusal\u00e9m, Tiro e S\u00eddon (Lucas 6,17), que veio para escutar Jesus e ser por Ele curado (Lucas 6,18). Ao contr\u00e1rio dos outros evangelistas que praticamente o ignoram, Lucas introduz este POVO (<em>la\u00f3s<\/em>) profusamente no seu Evangelho. Este POVO (<em>la\u00f3s<\/em>) tem conota\u00e7\u00e3o religiosa: \u00e9 o Povo de Deus que o II Conc\u00edlio do Vaticano consagrar\u00e1. O que faz e define este POVO (<em>la\u00f3s<\/em>) n\u00e3o \u00e9 nenhum elemento \u00e9tnico, nacionalista ou hist\u00f3rico, mas a elei\u00e7\u00e3o e a gra\u00e7a de Deus. Qualquer pessoa, de qualquer l\u00edngua, na\u00e7\u00e3o, ra\u00e7a, cultura, que oi\u00e7a a Palavra de Deus e lhe responda passa a fazer parte deste Povo. Neste sentido, esta multid\u00e3o pode ter no seu seio elementos estrangeiros (Tiro e S\u00eddon), mas n\u00e3o deixa, por isso, de ser um POVO (<em>la\u00f3s<\/em>), o Povo de Deus. \u00c9 igualmente significativo que todos tenham vindo ouvir Jesus! Aos olhos dos Ap\u00f3stolos, que Jesus acabara de escolher, est\u00e1 ali indicado proleticamente o caminho da futura evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>5. Ent\u00e3o, Jesus, de p\u00e9, e \u00abtendo levantado os olhos\u00bb como um profeta (em Mateus \u00absentou-se\u00bb como um mestre), declarou de forma direta e incisiva, em 2.\u00aa pessoa, como fazem os profetas (Mateus usa a 3.\u00aa pessoa, estilo sapiencial, sereno e pedag\u00f3gico), bem-aventurados por Deus os POBRES, os FAMINTOS de agora, os que CHORAM agora, os REJEITADOS ou DESCARTADOS de agora. Lucas \u00e9 mais radical e direto do que Mateus. \u00c0s quatro bem-aventuran\u00e7as junta, em contraponto, quatro mal-aventuran\u00e7as, declarando malditos por Deus os RICOS de agora, os FARTOS de agora, os que RIEM agora, os que RECEBEM APLAUSOS agora. As mal-aventuran\u00e7as s\u00e3o introduzidas por um \u00abAi\u00bb, f\u00f3rmula t\u00e9cnica para introduzir an\u00fancios de desgra\u00e7a no discurso prof\u00e9tico.<\/p>\n<p>6. Lucas esclarecer\u00e1 mais \u00e0 frente, quando for contada a hist\u00f3ria do RICO FARTO e do POBRE L\u00c1ZARO (16,19-31), que os FARTOS n\u00e3o s\u00e3o demovidos pelos profetas nem t\u00e3o-pouco por um morto que ressuscite! E esta par\u00e1bola do homem Rico e do pobre L\u00e1zaro, que escutaremos no Domingo XXVI, \u00e9 tamb\u00e9m o melhor coment\u00e1rio ao texto das bem-aventuran\u00e7as e mal-aventuran\u00e7as de hoje.<\/p>\n<p>7. Jeremias 17,5-8 faz boa companhia ao Evangelho de hoje. O profeta exp\u00f5e em discurso prof\u00e9tico, abrindo com a cl\u00e1ssica f\u00f3rmula do mensageiro que soa: \u00abAssim disse o Senhor\u00bb, um refr\u00e3o de tipo sapiencial que percorre toda a Escritura de l\u00e9s a l\u00e9s: \u00abMALDITO o homem que confia no homem, afastando-se do Senhor;\/ BENDITO o homem que confia no Senhor, pondo nele toda a sua confian\u00e7a\u00bb. O primeiro assemelha-se ao tamarisco do deserto, mirrado e amargo, que mora numa terra salitrada e est\u00e9ril; o segundo \u00e9 como uma \u00e1rvore vi\u00e7osa plantada junto da \u00e1gua boa.<\/p>\n<p>8. A mesma tem\u00e1tica e at\u00e9 as mesmas imagens vegetais enchem o Salmo Responsorial de hoje (Salmo 1): o homem que recita a instru\u00e7\u00e3o do Senhor dia e noite \u00e9 como a \u00c1RVORE plantada e que d\u00e1 fruto; o malvado \u00e9 como a PALHA que o vento dispersa. A \u00c1RVORE plantada est\u00e1 de p\u00e9, respira o vento, como o homem, e d\u00e1 fruto; a PALHA n\u00e3o respira o vento, mas \u00e9 levada pelo vento; e n\u00e3o d\u00e1 fruto, mas \u00e9 a casca do fruto. \u00c9 tamb\u00e9m f\u00e1cil entender que \u00e9 a mesma li\u00e7\u00e3o que encontramos na ant\u00edtese das \u00abbem-aventuran\u00e7as \/ mal-aventuran\u00e7as\u00bb do Evangelho de hoje.<\/p>\n<p>9. A leitura semi-cont\u00ednua do Ap\u00f3stolo (1 Cor\u00edntios 15,12.16-20) prossegue hoje com a tem\u00e1tica fundamental da ressurrei\u00e7\u00e3o, tratada de forma not\u00e1vel em 1 Cor\u00edntios 15, cuja primeira parte foi lida no Domingo passado. A\u00ed, Paulo expunha o acontecimento da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo como centro da prega\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e da f\u00e9 das comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p>10. Hoje, Paulo come\u00e7a por constatar que alguns membros da comunidade de Corinto n\u00e3o d\u00e3o ouvidos aos conte\u00fados da prega\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e negam simplesmente a ressurrei\u00e7\u00e3o. E fazem-no em nome da mentalidade plat\u00f3nica, que considera a \u00abcarne\u00bb como elemento mau e desprez\u00edvel, condenado \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o, sendo a \u00abalma\u00bb um elemento divino que, libertado da \u00abcarne\u00bb, voltar\u00e1 a formar uma esp\u00e9cie de deus c\u00f3smico. V\u00ea-se bem que segundo esta conce\u00e7\u00e3o err\u00f3nea, a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 m\u00e1, ao contr\u00e1rio da declara\u00e7\u00e3o de Deus, que lhe ap\u00f5e, por sete vezes, o carimbo de \u00abboa\u00bb (G\u00e9nesis 1). Paulo reage vigorosamente contra esta mentalidade instalada na comunidade, e prega aquilo que os Padres chamar\u00e3o a \u00abEconomia da carne\u00bb. \u00abCristo ressuscitou, prim\u00edcias dos que adormeceram\u00bb. Ele \u00e9, portanto, o\u00a0<em>primeiro<\/em>\u00a0Homem a ser ressuscitado. E se \u00e9 o primeiro, ent\u00e3o constitui certeza para os \u00aboutros\u00bb depois dele, que abre a s\u00e9rie. Nele a morte foi vencida para todos. A esperan\u00e7a fundamenta-se na certeza deste Acontecimento principal da Vida do Senhor, que d\u00e1 significado a todos os outros acontecimentos da sua Vida, ao inteiro Antigo Testamento, \u00e0 Igreja e \u00e0 vida dos homens.<\/p>\n<p>11. \u00c9 este acontecimento fundante que a Igreja Una e Santa, Esposa do Senhor, celebra jubilosamente Domingo ap\u00f3s Domingo. Tamb\u00e9m hoje, portanto.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1 dois mil anos Jesus subiu ao monte,<\/p>\n<p>E l\u00e1 passou a noite em ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando se fez dia,<\/p>\n<p>Escolheu os Doze,<\/p>\n<p>E com eles desceu para o meio do povo,<\/p>\n<p>Que de toda a parte tinha vindo<\/p>\n<p>\u00c0 procura da Palavra,<\/p>\n<p>Que sabiam carregada de Luz e de Esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Jesus desceu,<\/p>\n<p>Ficou no meio deles,<\/p>\n<p>Pertinho deles,<\/p>\n<p>Ao alcance de muitas m\u00e3os que o tocavam.<\/p>\n<p>Havia l\u00e1 muitos doentes:<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o podiam subir ao monte.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Desceu Jesus,<\/p>\n<p>Como sempre desce Deus<\/p>\n<p>Ao encontro dos seus filhos,<\/p>\n<p>E declarou felizes<\/p>\n<p>Os pobres,<\/p>\n<p>Os famintos,<\/p>\n<p>Os que tinham l\u00e1grimas nos olhos e na voz,<\/p>\n<p>Os descartados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mas advertiu os ricos,<\/p>\n<p>Os fartos,<\/p>\n<p>Os que riam,<\/p>\n<p>Os que iam de sucesso em sucesso,<\/p>\n<p>Sem que os seus olhos vissem<\/p>\n<p>E os seus ouvidos ouvissem<\/p>\n<p>As l\u00e1grimas dos pobres e doridos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os Ap\u00f3stolos estavam l\u00e1<\/p>\n<p>E viram tudo<\/p>\n<p>E ouviram tudo,<\/p>\n<p>E n\u00f3s tamb\u00e9m hoje com eles<\/p>\n<p>E Jesus no nosso meio.<\/p>\n<p>Ficamos todos a saber<\/p>\n<p>Como fazer acontecer o Evangelho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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