{"id":969488946,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/9998-domingo-xxxii-do-tempo-comum-chegar-com-o-controlo-encerrado"},"modified":"2025-11-07T16:33:41","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:41","slug":"domingo-xxxii-do-tempo-comum-chegar-com-o-controlo-encerrado-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxxii-do-tempo-comum-chegar-com-o-controlo-encerrado-2\/","title":{"rendered":"Domingo XXXII do Tempo Comum: \u00abChegar com o controlo encerrado\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. O cen\u00e1rio \u00e9 o de um casamento judaico tradicional. No \u00faltimo dia dos festejos, depois do p\u00f4r-do-sol, o noivo, acompanhado pelos seus amigos, \u00e0 luz de tochas e ao som de c\u00e2nticos, formando um cortejo, dirigia-se para a casa da noiva, que o esperava, acompanhada pelas suas amigas. Quando o cortejo do noivo chegava ao seu destino, a noiva abandonava a sua casa com as suas amigas, e formava-se ent\u00e3o uma \u00fanica comitiva luminosa e ruidosa, que se dirigia para a casa do noivo onde se celebrava o casamento e tinha lugar o banquete nupcial.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O Evangelho deste Domingo XXXII do Tempo Comum (Mateus 25,1-13) come\u00e7a por aludir ao cen\u00e1rio referido no que diz respeito ao grupo das jovens amigas que acompanham a noiva que aguarda a chegada do cortejo do noivo. Note-se, por\u00e9m, que a noiva nunca \u00e9 referida no texto, e que o noivo n\u00e3o segue o ritual previsto, pois se atrasa muito para al\u00e9m da hora habitual. Mas tamb\u00e9m as amigas da noiva saltam fora do espelho, pois s\u00e3o divididas em dois estranhos grupos, iguais em n\u00famero, mas n\u00e3o em qualidade: cinco prudentes e cinco insensatas.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Dado o atraso, inesperado, do cortejo do noivo, as amigas da noiva acabam por adormecer todas, n\u00e3o se notando, neste particular, qualquer diferen\u00e7a entre os dois grupos. At\u00e9 que, no meio da noite, tamb\u00e9m inesperadamente, a vozearia do cortejo do noivo faz acordar, estremunhadas, as amigas da noiva, e \u00e9 agora que se notam as primeiras disson\u00e2ncias no comportamento dos dois grupos: as prudentes, juntamente com as suas tochas, necess\u00e1rias para entrar na luminosa comitiva noturna, levam tamb\u00e9m o indispens\u00e1vel combust\u00edvel: o azeite. A arqueologia tem mostrado estas antigas tochas e o seu funcionamento: um suporte de madeira em cuja cavidade superior se introduziam trapos e estopa, que eram ent\u00e3o embebidos em azeite, e acesos s\u00f3 na hora de sair para o exterior. S\u00e3o, na verdade, luzes de exterior, que nada t\u00eam a ver com as lucernas de interior. Depois de embebidas em azeite, e acesas, o seu tempo de dura\u00e7\u00e3o era de cerca de quinze minutos. Pelo que s\u00f3 deviam ser acesas imediatamente antes de sair. E, ainda assim, se a viagem demorasse, devia transportar-se tamb\u00e9m a vasilha do azeite, para n\u00e3o se correr o risco de a tocha se apagar. \u00c9 este segundo aspeto que separa as jovens insensatas das prudentes.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Com as tochas apagadas e sem o indispens\u00e1vel azeite, as jovens insensatas n\u00e3o puderam integrar a comitiva nupcial. Enquanto foram comprar o azeite, p\u00f4s-se em marcha o cortejo at\u00e9 \u00e0 casa do noivo, deu-se in\u00edcio ao banquete e fechou-se a porta. Mais tarde, chegaram tamb\u00e9m as jovens insensatas, e disseram: \u00abSenhor, Senhor, abre-nos a porta\u00bb (Mateus 25,11). A resposta, por\u00e9m, surge com mais estrondo que o fechar da porta, e soa assim: \u00abEm verdade vos digo que n\u00e3o vos conhe\u00e7o\u00bb (Mateus 25,12).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Para se entender bem o alcance das locu\u00e7\u00f5es \u00abSenhor, Senhor\u00bb e \u00abn\u00e3o vos conhe\u00e7o\u00bb, importa reler atr\u00e1s, no Discurso program\u00e1tico da Montanha, Mateus 7,21-23: \u00abN\u00e3o todo aquele que me diz \u201cSenhor, Senhor\u201d, entrar\u00e1 no Reino dos C\u00e9us, mas sim aquele que faz a vontade do meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us. Muitos me dir\u00e3o naquele dia: \u201cSenhor, Senhor, n\u00e3o foi em teu nome que profetiz\u00e1mos e em teu nome que expuls\u00e1mos dem\u00f3nios e em teu nome que fizemos muitos milagres?\u201d Ent\u00e3o eu lhes declararei: \u201cNunca vos conheci\u201d\u00bb.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">6. E a prop\u00f3sito do bom conhecimento, importa revisitar ainda Mateus 12,48-50, para descobrir uma nova fam\u00edlia, que s\u00e3o as pessoas que melhor conhecemos: \u00ab\u201cQuem \u00e9 minha m\u00e3e e quem s\u00e3o meus irm\u00e3os?\u201d E estendendo a sua m\u00e3o para os seus disc\u00edpulos, disse: \u201cEis a minha m\u00e3e e os meus irm\u00e3os. Quem faz a vontade do meu Pai que est\u00e1 nos C\u00e9us, esse \u00e9 meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3 e minha m\u00e3e\u201d\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Este noivo que demora a vir \u00e9 o Senhor. O tempo da sua demora \u00e9 o tempo que, por gra\u00e7a, nos \u00e9 dado a todos para estarmos sempre prontos, preparados e operosos. Afinal, as jovens insensatas tamb\u00e9m sabiam bem o que era necess\u00e1rio, tanto que acabaram por cumprir o programa e chegar \u00e0 meta. S\u00f3 que tarde e a m\u00e1s horas, e o controlo j\u00e1 estava encerrado.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. O texto do Antigo Testamento que serve de espelho ao Evangelho de hoje, que fala do noivo, da luz e da vigil\u00e2ncia, \u00e9 o texto do Livro da Sabedoria 6,13-18. Sa\u00fada-se j\u00e1 por termos hoje a gra\u00e7a de escutar um bocadinho deste Livro delicioso, que poucas vezes encontramos na Liturgia. Alegramo-nos ainda porque encontramos neste bocadinho de p\u00e3o da Sabedoria o amor, a luz, o conhecimento, a busca incessante, o encontro feliz. Na verdade, a Sabedoria em Deus \u00e9 Deus, e constitui uma figura simb\u00f3lica que indica o amor de Deus, amor nupcial, transformante, unitivo. A Sabedoria \u00e9 Luz divina inalter\u00e1vel; portanto, Vida divina inalter\u00e1vel. Apresenta-se como uma esposa que vem ao nosso encontro, tomando a iniciativa do Amor. Portanto, a Sabedoria \u00e9 Gra\u00e7a preveniente, concomitante, consequente, que desposa cada fiel, e todos os fi\u00e9is reunidos em comunidade. Trabalho do Amor \u00e9 a Sabedoria, que atravessa o Novo Testamento como Sabedoria Incarnada. D\u00e1-nos, Senhor, a tua Sabedoria sempre diligente. Ensina-nos a bem contar os nossos dias (Salmo 90,12) e a saber cantar as nossas alegrias. Vem, Senhor Jesus!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Escutamos e escrutamos uma vez mais um grande e claro texto da Primeira Carta aos Tessalonicenses 4,13-18, sa\u00eddo da pena de S. Paulo que, de Corinto, capital da Acaia, da casa de Priscila e \u00c1quila, onde estava hospedado, escreve aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica, capital da Maced\u00f3nia, certamente respondendo a d\u00favidas que de l\u00e1 lhe foram trazidas e reportadas. No extrato de hoje, trata-se de saber se a for\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo (cf. Filipenses 3,10) tamb\u00e9m chega \u00e0queles que j\u00e1 morreram. O texto diz bem, como ainda hoje n\u00f3s usamos dizer na liturgia, aqueles que\u00a0<em>adormeceram<\/em>\u00a0em Cristo, usando o verbo grego\u00a0<em>koim\u00e1omai<\/em>, em cuja raiz est\u00e1 tamb\u00e9m\u00a0<em>koim\u00easis<\/em>\u00a0[= sono] e\u00a0<em>koim\u00eat\u00earion<\/em>\u00a0[= cemit\u00e9rio], que \u00e9 o dormit\u00f3rio, o lugar onde se dorme. A resposta de Paulo \u00e9 clara: com a vinda do Senhor, e \u00e0 sua voz de comando, todos ressuscitaremos com Ele, os mortos [= os que dormem] e os vivos. Sim, vem a hora, e \u00e9 agora, em que os que morreram ouvir\u00e3o a voz do Filho de Deus, e viver\u00e3o (cf. Jo\u00e3o 5,25 e 28). N\u00e3o nos deixemos, portanto, habitar pela tristeza, porque temos connosco a esperan\u00e7a, que nos atira para al\u00e9m do horizonte das mais elementares leis da natureza. O neopaganismo em que vive atolada esta sociedade vende uma finitude, em que o finito, o defunto, que \u00e9 aquele que deixou de funcionar, deve ser assumido como tal, ponto final. O Cristianismo tamb\u00e9m sabe desta finitude, mas enquanto a finitude neopag\u00e3 \u00e9 vista como\u00a0<em>natural<\/em>, n\u00f3s, crist\u00e3os, vemo-la como\u00a0<em>criatural<\/em>. Ent\u00e3o, no Cristianismo, o homem tem um fim, n\u00e3o por ser mortal, mas por ser\u00a0<em>criado<\/em>. E, portanto, a nossa finitude crist\u00e3 est\u00e1 fundada sobre o Criador, e n\u00e3o sobre n\u00f3s mesmos. A maneira de ver neopag\u00e3 n\u00e3o tem sa\u00edda, nem a quer ter, nem a pode ter. Ao contr\u00e1rio, a \u00f3tica crist\u00e3 remete para o Criador, deixando-nos, portanto, no terreno firme da esperan\u00e7a e da confian\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">10. O Salmo 63 \u00e9 conhecido como \u00abo c\u00e2ntico do amor m\u00edstico\u00bb, atravessado por uma apaixonada intensidade, bem expressa na primeira afirma\u00e7\u00e3o ou declara\u00e7\u00e3o de amor \u00e0 boca do Salmo, mas que enche, de resto, o Salmo inteiro: \u00abO meu Deus \u00e9s Tu\u00bb [<em>?el\u00ee ?attah<\/em>], a que responde e corresponde Deus em Isa\u00edas 43,1, declarando: \u00abPara mim tu \u00e9s\u00bb [<em>l\u00ee ?attah<\/em>]. Tudo o resto no Salmo 63 assenta sobre esta certeza. A minha vida recebida (<em>naphsh\u00ee<\/em>), por quatro vezes referida (v. 2.5.9.10) agarra-se amorosamente (<em>dabaq<\/em>) a Ti (v. 9), canta o teu amor, vive de Ti, tem sede de Ti, como cantaremos no refr\u00e3o. A beleza, intensidade e espiritualidade que atravessam este Salmo ganham visibilidade na liturgia bizantina das manh\u00e3s de Domingo, e os v. 3-6 entram no c\u00e2none eucar\u00edstico armeno.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. O cen\u00e1rio \u00e9 o de um casamento judaico tradicional. 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