{"id":972421751,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12172-domingo-v-da-pascoa-uma-mae-sabe-tudo-melhor"},"modified":"2025-11-07T16:33:55","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:55","slug":"domingo-v-da-pascoa-uma-mae-sabe-tudo-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-v-da-pascoa-uma-mae-sabe-tudo-melhor\/","title":{"rendered":"Domingo V da P\u00e1scoa: \u00abUma m\u00e3e sabe tudo melhor\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">At 6,1-7; Sl 34; 1 Pe 2,4-9; Jo 14,1-12<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Os nomes JESUS e PAI juntam-se para entretecer uma rede fin\u00edssima que atravessa e extravasa o corpo do inteiro IV Evangelho, onde se ouvem respetivamente por 237 vezes e 124 vezes. S\u00f3 no Evangelho deste Domingo V da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 14,1-12), pode contar-se o nome PAI (<em>ho pat\u00ear<\/em>) por doze vezes, onze das quais na boca de JESUS! Entenda-se: a vida de JESUS est\u00e1 completamente nas m\u00e3os do PAI, dele prov\u00e9m e para ele se orienta totalmente, de modo a JESUS poder dizer com verdade: \u00abEU (<em>eg\u00f4<\/em>) e (<em>ka\u00ed<\/em>) o PAI (<em>ho pat\u00ear<\/em>) somos um (<em>h\u00e9n esmen<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 10,30). A locu\u00e7\u00e3o \u00e9 audaz, mas clara e de extrema precis\u00e3o. N\u00e3o serve para indicar uma s\u00f3 pessoa: s\u00e3o claramente duas, uma indicada pelo pronome\u00a0<em>eg\u00f4<\/em>, e outra pelo nome masculino\u00a0<em>ho pat\u00ear<\/em>. Duas pessoas distintas, n\u00e3o confusas, e que t\u00e3o-pouco est\u00e3o divididas e separadas. Indica esta n\u00e3o-divis\u00e3o e n\u00e3o-separa\u00e7\u00e3o a part\u00edcula copulativa \u00abe\u00bb (<em>ka\u00ec<\/em>), a forma verbal plural \u00absomos\u00bb (<em>esmen<\/em>) e o numeral neutro \u00abum\u00bb (<em>h\u00e9n<\/em>). O numeral neutro\u00a0<em>h\u00e9n<\/em>\u00a0indica uma realidade, e n\u00e3o uma pessoa, o que pediria a forma masculina do numeral (<em>he\u00ees<\/em>). Portanto, entre o PAI e o FILHO Monog\u00e9nito h\u00e1 uma subsist\u00eancia comum, indivisa, insepar\u00e1vel e, todavia, distinta e n\u00e3o confusa, rela\u00e7\u00e3o vital interpessoal cont\u00ednua. \u00c9 desta \u00abunidade\u00bb e \u00abunicidade\u00bb de ess\u00eancia e subsist\u00eancia concreta entre o PAI e o FILHO que decorre, no nosso texto, aquele l\u00edmpido dizer de Jesus, dirigido a Filipe: \u00abQuem ME v\u00ea, v\u00ea o PAI\u00bb (Jo\u00e3o 14,9). Esta plena comunh\u00e3o de vida entre JESUS e o PAI fica bem expressa nas repetidas f\u00f3rmulas de \u00abiman\u00eancia rec\u00edproca\u00bb ou de \u00abunidade\u00bb do PAI e do FILHO, que soam: \u00abEu estou no PAI e o PAI est\u00e1 em MIM\u00bb (Jo\u00e3o 14,10.11).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Estabelecida esta perfeita unidade entre o PAI e JESUS, pode JESUS reclamar dos seus disc\u00edpulos que acreditem nele (Jo\u00e3o 14,1b.11.12) como acreditam em Deus (<em>ho the\u00f3s<\/em>) (Jo\u00e3o 14,1a), isto \u00e9, no PAI.\u00a0<em>The\u00f3s<\/em>\u00a0com artigo, no NT, \u00e9 reservado ao PAI. \u00abAcreditar\u00bb conserva aqui a ace\u00e7\u00e3o fundamental que j\u00e1 vem do AT, e que significa \u00abapoiar-se firmemente em algu\u00e9m\u00bb (Isa\u00edas 7,9; 28,16) que nos possa salvar. E \u00e9 claro que a salva\u00e7\u00e3o de que aqui falamos consiste na nossa uni\u00e3o com Deus, em apoiar-nos em Deus, \u00fanico arrimo seguro de salva\u00e7\u00e3o. O problema consiste agora no nosso acesso a Deus em quem reside a salva\u00e7\u00e3o (cf. Isa\u00edas 12,2). E JESUS explica aos seus disc\u00edpulos, nesta hora de despedida, que s\u00f3 h\u00e1 um acesso dispon\u00edvel: Ele pr\u00f3prio, dado que ELE est\u00e1 no PAI, e o PAI est\u00e1 nele. E usando agora a f\u00f3rmula de apresenta\u00e7\u00e3o ou de revela\u00e7\u00e3o, afirma: \u00abEu sou (<em>eg\u00f4 eimi<\/em>) o caminho e a verdade e a vida\u00bb, a que acrescenta: \u00abNingu\u00e9m vem ao PAI sen\u00e3o por MIM\u00bb (Jo\u00e3o 14,6). Claro que Jesus n\u00e3o \u00e9 um caminho de terra batida ou uma estrada de asfalto. \u00c9 um caminho pessoal, uma maneira de viver, com entranhas, p\u00e9s, m\u00e3os e cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma verdade de tipo filos\u00f3fico, jur\u00eddico ou pol\u00edtico, a usual adequa\u00e7\u00e3o da mente \u00e0 coisa (<em>adequatio rei et intellectus<\/em>). N\u00e3o \u00e9 uma coisa. A verdade b\u00edblica [hebraico\u00a0<em>?emet<\/em>] n\u00e3o responde \u00e0 pergunta: \u00abO que \u00e9 a verdade?\u00bb, \u00e0 boa maneira de Pilatos (cf. Jo\u00e3o 18,38), mas \u00e0 pergunta in\u00e9dita e surpreendente: \u00abQUEM \u00e9 a VERDADE?\u00bb De facto,\u00a0<em>?emet<\/em>\u00a0deriva de\u00a0<em>?em<\/em>\u00a0[= m\u00e3e] e de\u00a0<em>?aman<\/em>\u00a0[= firmar, confiar], e remete para CONFIAN\u00c7A e FIDELIDADE. N\u00e3o \u00e9 uma verdade que se saiba. \u00c9 uma atitude que se vive. \u00c9 aquela verdade que uma crian\u00e7a vai aprendendo ao colo da sua m\u00e3e. Est\u00e1 ali ALGU\u00c9M que a segura e que a ama, ALGU\u00c9M em quem a crian\u00e7a pode confiar, que em caso algum a vai deixar cair ao ch\u00e3o, como bem refere a fil\u00f3sofa, de origem judaica, Edith Stein, depois Santa Teresa Benedita da Cruz. A VERDADE \u00e9 ALGU\u00c9M de fiar como uma M\u00c3E, realidade bem patente na etimologia, dado que\u00a0<em>?emet<\/em>\u00a0[= verdade] deriva de\u00a0<em>?em<\/em>\u00a0[= m\u00e3e]. N\u00e3o engana, portanto. \u00c9 assim que JESUS, o FILHO, \u00e9 tamb\u00e9m a VIDA (<em>z\u00f4\u00ea<\/em>) toda recebida (do PAI), vida divina, vida filial do FILHO de Deus, vida toda a n\u00f3s dada.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Diz Jesus para os seus disc\u00edpulos: \u00abPara onde (<em>\u00f3pou<\/em>) EU vou, v\u00f3s conheceis o caminho\u00bb (Jo\u00e3o 14,4), mas muda logo o lugar pela pessoa: \u00abEU vou para o PAI\u00bb (Jo\u00e3o 14,12). Pelo meio, cruza-se a incompreens\u00e3o ou incompet\u00eancia expressa de dois dos seus disc\u00edpulos: Tom\u00e9 e Filipe, que o mesmo \u00e9 dizer, a nossa incompreens\u00e3o e incompet\u00eancia. Tom\u00e9, do aramaico\u00a0<em>Toma\u2019<\/em>\u00a0[= \u00abG\u00e9meo\u00bb], n\u00e3o sabe para onde vai JESUS; logo, n\u00e3o sabe o caminho para l\u00e1 (Jo\u00e3o 14,5), e Filipe recebe de Jesus uma repreens\u00e3o que tamb\u00e9m nos atinge, pois \u00e9 proferida no plural, e soa assim: \u00abH\u00e1 tanto tempo que estou convosco, e n\u00e3o ME conheces, Filipe?\u00bb (Jo\u00e3o 14,9).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Tom\u00e9 \u00e9 bem G\u00e9meo nosso, nosso irm\u00e3o g\u00e9meo, muito parecido connosco, nesta passagem e em muitas outras. E Filipe, que significa \u00abamigo dos cavalos\u00bb, \u00fanico nome verdadeiramente grego entre os Ap\u00f3stolos de Jesus, tamb\u00e9m se manifesta muito semelhante a n\u00f3s aqui e em outros lugares, como, por exemplo, Jo\u00e3o 6,5-7, onde \u00e9 literalmente posto \u00e0 prova por Jesus, e chumba claramente no teste. Na verdade, Jesus pergunta-lhe, para o p\u00f4r \u00e0 prova: \u00abFilipe,\u00a0<em>onde<\/em>\u00a0compraremos p\u00e3o para que eles comam?\u00bb (Jo\u00e3o 6,5). E Filipe p\u00f5e-se a contar o dinheiro, dizendo\u00a0<em>onde<\/em>\u00a0p\u00f5e a sua confian\u00e7a, e responde que n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer, porque n\u00e3o h\u00e1 dinheiro que baste (Jo\u00e3o 6,7). Filipe, talvez como n\u00f3s, ainda n\u00e3o sabia que o\u00a0<em>onde<\/em>\u00a0(<em>p\u00f3then<\/em>) a que Jesus se refere n\u00e3o \u00e9 o\u00a0<em>shopping<\/em>, mas \u00e9 o PAI. Ainda n\u00e3o sabia a Escritura, e n\u00e3o conhecia Isa\u00edas 55,1-2, em que Deus nos convida a comprar a Ele p\u00e3o, sem gastar qualquer dinheiro: \u00abTodos v\u00f3s que tendes sede, vinde \u00e0s \u00e1guas!\/ V\u00f3s, que n\u00e3o tendes dinheiro, vinde!\/ Comprai (<em>agor\u00e1z\u00f4<\/em>\u00a0LXX) cereal e comei!\/ Comprai cereal sem dinheiro,\/ e sem pagar, vinho e leite.\/ [\u2026] Ouvi-me, ouvi-me, e comei o que \u00e9 bom!\u00bb (Isa\u00edas 55,1-2).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Filipe anda, de facto, bastante distra\u00eddo, e tem dificuldade em sintonizar a onda de compreens\u00e3o de Jesus, isto \u00e9, o PAI. \u00c0 pergunta formulada por Jesus em Jo\u00e3o 6,5, Filipe responde literalmente: \u00abDuzentos den\u00e1rios de p\u00e3es\u00a0<em>n\u00e3o bastam<\/em>\u00a0(<em>ouk arko\u00fbsin<\/em>) para que cada um receba uma migalhinha\u00bb (Jo\u00e3o 6,7). E no nosso texto de hoje, logo depois de Jesus ter afirmado: \u00abSe ME tiv\u00e9sseis conhecido, tamb\u00e9m conhecer\u00edeis o meu PAI, e desde agora j\u00e1 O conheceis e j\u00e1 O vistes\u00bb (Jo\u00e3o 14,7), Filipe ainda ousa retorquir: \u00abSenhor, mostra-nos o PAI,\u00a0<em>e basta<\/em>\u00a0(<em>ka\u00ec arke\u00ee<\/em>) para n\u00f3s\u00bb (Jo\u00e3o 14,8). N\u00e3o deixa de ser sintom\u00e1tico que este verbo\u00a0<em>bastar<\/em>\u00a0(<em>ark\u00e9\u00f4<\/em>) s\u00f3 apare\u00e7a duas vezes no NT, e as duas vezes apare\u00e7a nos l\u00e1bios de Filipe (Jo\u00e3o 6,7; 14,8). E \u00e9 ainda mais sintom\u00e1tico que, ap\u00f3s ter vivido o grande sinal dos p\u00e3es e dos peixes realizado por Jesus, ainda\u00a0<em>n\u00e3o lhe baste<\/em>\u00a0agora a revela\u00e7\u00e3o de Jesus, mas pare\u00e7a requerer uma revela\u00e7\u00e3o espetacular \u00e0 maneira das manifesta\u00e7\u00f5es de Deus no AT.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. \u00c9 assim tamb\u00e9m, maternalmente, que se entende a jovem e bela comunidade crist\u00e3 nascente, atenta, outra vez como uma m\u00e3e, aos seus filhos que necessitam de assist\u00eancia (Atos dos Ap\u00f3stolos 6,1-7). Como \u00e9 belo ver crescer, e cresce mesmo, uma comunidade de rosto maternal, de bra\u00e7os sempre abertos para acolher e abra\u00e7ar, de m\u00e3os sempre abertas para receber, dar e acariciar. Tudo t\u00e3o ao jeito e ao estilo de Jesus. Total dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao servi\u00e7o (<em>diakon\u00eda<\/em>) da Palavra de Deus (6,4). Total dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o (<em>diakon\u00eda<\/em>) da caridade. Aten\u00e7\u00e3o, por\u00e9m: Filipe n\u00e3o aparece com o t\u00edtulo de di\u00e1cono (<em>di\u00e1konos<\/em>). O seu trabalho \u00e9 evangelizar (Atos 8,26-40), e, se algum t\u00edtulo lhe \u00e9 atribu\u00eddo, \u00e9 o de \u00abo evangelista\u00bb (<em>ho euaggelist\u00eas<\/em>), como se pode ver em Atos 21,8).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. \u00c9 claro, diz S. Pedro (1 Pedro 2,4-9), que Jesus \u00e9 a pedra viva, base de um novo tipo de edif\u00edcio, que nenhum arquiteto sabe desenhar ou projetar. \u00c9, na verdade, um edif\u00edcio espiritual, feito de pedras vivas (!). E n\u00f3s somos essas pedras vivas, esse Templo espiritual, que tem em Cristo a sua refer\u00eancia permanente. Um Templo novo e in\u00e9dito com sangue, entranhas, m\u00e3os, p\u00e9s e cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Enfim, o Salmo 34, que hoje cantamos, \u00e9 um verdadeiro \u00abcanto novo\u00bb (<em>sh\u00eer hadash<\/em>) a fazer vibrar as fibras do nosso cora\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica do amor misericordioso que nos vem de Deus. Mas \u00e9 tamb\u00e9m m\u00fasica sem palavras (<em>t<sup>e<\/sup>r\u00fb?ah<\/em>) (v. 2), jubila\u00e7\u00e3o, exulta\u00e7\u00e3o, lala\u00e7\u00e3o de radical confian\u00e7a da crian\u00e7a que em n\u00f3s sorri e dan\u00e7a, porque Deus vela por n\u00f3s. Comenta Santo Agostinho: \u00abJ\u00e1 sabes o que \u00e9 o canto novo: um homem novo, um canto novo\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Passa hoje tamb\u00e9m, neste Domingo V da P\u00e1scoa, o Dia da M\u00e3e, que nos ajuda, com certeza, a entender melhor o Deus de Jesus e o Jesus de Deus da liturgia de hoje. Sobre esta terra exangue, fustigada pelos m\u00edsseis e pela insensatez, uma M\u00e3e verdadeira ainda \u00e9 o \u00edcone mais belo do amor imenso e sem pauta nem medida, que n\u00e3o \u00e9 meu, nem \u00e9 teu, nem \u00e9 nosso, que \u00e9 de Deus, que atravessa os textos da liturgia de hoje, e se v\u00ea a palpitar em tantas p\u00e1ginas indescrit\u00edveis destes tempos \u00e1cidos e nebulosos. N\u00f3s sabemos isso. Mas uma M\u00e3e sabe isso melhor. \u00c9 por isso que \u00e9 f\u00e1cil, neste Dia da M\u00e3e, ver cair pelo rosto de cada M\u00e3e uma l\u00e1grima de tristeza ou de alegria! Melhor assim, Mulher e M\u00e3e: sentir\u00e1s a m\u00e3o carinhosa de Deus a afagar o teu rosto e a enxugar essa l\u00e1grima, de acordo com a li\u00e7\u00e3o do Livro do Apocalipse 21,4.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At 6,1-7; Sl 34; 1 Pe 2,4-9; Jo 14,1-12 1. 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