{"id":998139890,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8330-natal-homilia-do-papa-francisco-na-missa-da-noite"},"modified":"2025-11-07T16:34:32","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:32","slug":"natal-homilia-do-papa-francisco-na-missa-da-noite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/natal-homilia-do-papa-francisco-na-missa-da-noite\/","title":{"rendered":"Natal: Homilia do Papa Francisco na missa da noite"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_natal_2018_181227012246-1.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>&#8220;Deus que se faz p\u00e3o&#8221; \u00e9 o centro da reflex\u00e3o do Papa Francisco na homilia desta noite, proferida durante a eucaristia aque presidiu na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, no Vaticano.<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Juntamente com Maria sua esposa, Jos\u00e9 subiu \u00ab\u00e0 cidade de David, chamada Bel\u00e9m\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 4). Nesta noite, tamb\u00e9m n\u00f3s\u00a0<em>subimos a Bel\u00e9m<\/em>, para l\u00e1 descobrir o mist\u00e9rio do Natal.<\/p>\n<p>1.\u00a0<em>Bel\u00e9m<\/em>: o nome significa\u00a0<em>casa do p\u00e3o<\/em>. Hoje, nesta \u00abcasa\u00bb, o Senhor marca encontro com a humanidade. Sabe que precisamos de alimento para viver. Mas sabe tamb\u00e9m que os alimentos do mundo n\u00e3o saciam o cora\u00e7\u00e3o. Na Sagrada Escritura, o pecado original da humanidade aparece associado precisamente com o ato de tomar alimento: \u00ab\u2026agarrou do fruto, comeu\u00bb \u2013 diz o livro do G\u00e9nesis (3, 6). Agarrou e comeu. O homem tornou-se \u00e1vido e voraz. Para muitos, o sentido da vida parece ser possuir, estar cheio de coisas. Uma gan\u00e2ncia insaci\u00e1vel atravessa a hist\u00f3ria humana, chegando ao paradoxo de hoje em que alguns se banqueteiam lautamente enquanto muitos n\u00e3o t\u00eam p\u00e3o para viver.<\/p>\n<p>Bel\u00e9m \u00e9 o ponto de viragem no curso da hist\u00f3ria. L\u00e1 Deus, na\u00a0<em>casa do p\u00e3o<\/em>, nasce numa\u00a0<em>manjedoura<\/em>; como se quisesse dizer-nos: Estou aqui ao vosso dispor, como vosso alimento. N\u00e3o agarra, oferece de comer; n\u00e3o d\u00e1 uma coisa, mas d\u00e1-Se a Si mesmo. Em Bel\u00e9m, descobrimos que Deus n\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m que agarra a vida, mas Aquele que d\u00e1 a vida. Ao homem, habituado desde os prim\u00f3rdios a agarrar e comer, Jesus come\u00e7a a dizer: \u00abTomai, comei. Este \u00e9 o meu corpo\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a026, 26). O corpo pequenino do Menino de Bel\u00e9m lan\u00e7a um novo modelo de vida: n\u00e3o devorar e acumular, mas partilhar e dar. Deus faz-Se pequeno, para ser nosso alimento. Nutrindo-nos d\u2019Ele, P\u00e3o de vida, podemos\u00a0<em>renascer no amor<\/em>\u00a0e romper a espiral da avidez e da gan\u00e2ncia. A partir da \u00abcasa do p\u00e3o\u00bb, Jesus traz o homem de regresso a casa, para que se torne familiar do seu Deus e irm\u00e3o do seu pr\u00f3ximo. Diante da manjedoura, compreendemos que n\u00e3o s\u00e3o os bens que alimentam a vida, mas o amor; n\u00e3o a voracidade, mas a caridade; n\u00e3o a abund\u00e2ncia ostentada, mas a simplicidade que devemos preservar.<\/p>\n<p>O Senhor sabe que precisamos de nos alimentar todos os dias. Por isso, ofereceu-nos todos os dias da sua vida, desde a manjedoura de Bel\u00e9m at\u00e9 ao cen\u00e1culo de Jerusal\u00e9m. E ainda hoje, no altar, faz-Se p\u00e3o partido para n\u00f3s: bate \u00e0 porta, para entrar e cear connosco (cf.\u00a0<em>Ap<\/em>\u00a03, 20). No Natal, recebemos Jesus, P\u00e3o do c\u00e9u na terra: trata-se de um alimento cuja validade \u00e9 ilimitada, fazendo-nos saborear j\u00e1 agora a vida eterna.<\/p>\n<p>Em Bel\u00e9m, descobrimos que a vida de Deus corre nas veias da humanidade. Se a acolhermos, a hist\u00f3ria muda a partir de cada um de n\u00f3s; com efeito, quando Jesus muda o cora\u00e7\u00e3o, o centro da vida j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o meu \u00abeu\u00bb faminto e ego\u00edsta, mas Ele, que nasce e vive por amor. Nesta noite, chamados a ir at\u00e9 Bel\u00e9m, casa do p\u00e3o, interroguemo-nos: Qual \u00e9 o alimento de que n\u00e3o posso prescindir na minha vida? \u00c9 o Senhor ou outra coisa qualquer? Depois, entrando na gruta, ao vislumbrar na terna pobreza do Menino uma nova fragr\u00e2ncia de vida, a da simplicidade, perguntemo-nos: Ser\u00e1 verdade que preciso de tantas coisas, de receitas complicadas para viver? Quais s\u00e3o os contornos sup\u00e9rfluos de que consigo prescindir para abra\u00e7ar uma vida mais simples? Em Bel\u00e9m, ao p\u00e9 de Jesus, vemos pessoas que caminharam, como Maria, Jos\u00e9 e os pastores. Jesus \u00e9 o P\u00e3o do caminho. N\u00e3o Se compraz com as digest\u00f5es lentas, longas e sedent\u00e1rias, mas pede que nos levantemos rapidamente da mesa a fim de servir como p\u00e3es partidos para os outros. Perguntemo-nos: No Natal, reparto o meu p\u00e3o com aqueles que est\u00e3o sem ele?<\/p>\n<p>2. Depois de Bel\u00e9m, casa do p\u00e3o, reflitamos sobre Bel\u00e9m,\u00a0<em>cidade de David<\/em>. L\u00e1 David, na sua adolesc\u00eancia, era pastor e, como tal, foi escolhido por Deus, para ser pastor e guia do seu povo. No Natal, na cidade de David, s\u00e3o precisamente os pastores que acolhem Jesus. Naquela noite, quando \u00aba gl\u00f3ria do Senhor refulgiu em volta deles \u2013 diz o Evangelho \u2013, tiveram muito medo\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 9), mas o anjo disse-lhes: \u00abN\u00e3o temais\u00bb (2, 10). Reaparece muitas vezes no Evangelho esta frase \u00ab<em>n\u00e3o temais<\/em>\u00bb: parece o refr\u00e3o de Deus \u00e0 procura do homem. Porque o homem desde o princ\u00edpio, por causa do pecado, tem medo de Deus: \u00ab\u2026cheio de medo, escondi-me\u00bb (<em>Gn<\/em>\u00a03, 10) \u2013 diz Ad\u00e3o, depois do pecado. Bel\u00e9m \u00e9 o rem\u00e9dio para o medo, porque l\u00e1, n\u00e3o obstante os \u00abn\u00e3os\u00bb do homem, Deus diz para sempre \u00absim\u00bb: ser\u00e1 para sempre Deus connosco. E, para que a sua presen\u00e7a n\u00e3o provoque medo, faz-Se um terno menino. A frase \u00ab<em>n\u00e3o temais<\/em>\u00bb n\u00e3o \u00e9 dirigida a santos, mas a pastores, pessoas simples que ent\u00e3o n\u00e3o primavam por garbo nem devo\u00e7\u00e3o. O Filho de David nasceu no meio dos pastores, para nos dizer que doravante ningu\u00e9m estar\u00e1 sozinho; temos um Pastor que vence os nossos medos e nos ama a todos, sem exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pastores de Bel\u00e9m mostram-nos tamb\u00e9m como ir ao encontro do Senhor. Velam durante a noite: n\u00e3o dormem, mas fazem aquilo que Jesus nos pedir\u00e1 v\u00e1rias vezes:\u00a0<em>vigiar<\/em>\u00a0(cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a025, 13;\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a013, 35;\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a021, 36). Permanecem vigilantes; aguardam, acordados, na escurid\u00e3o; e a gl\u00f3ria de Deus \u00abrefulgiu em volta deles\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 9). O mesmo vale para n\u00f3s. A nossa vida pode ser uma<em>expeta\u00e7\u00e3o<\/em>, em que a pessoa, mesmo nas noites dos problemas, se confia ao Senhor e O deseja; ent\u00e3o receber\u00e1 a sua luz. Ou ent\u00e3o uma\u00a0<em>pretens\u00e3o<\/em>, na qual contam apenas as pr\u00f3prias for\u00e7as e meios; mas, neste caso, o cora\u00e7\u00e3o permanece fechado \u00e0 luz de Deus. O Senhor gosta de ser aguardado e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aguard\u00e1-Lo no sof\u00e1, dormindo. De facto, os pastores movem-se: \u00abforam apressadamente\u00bb \u2013 diz o texto (2, 16). N\u00e3o ficam parados como quem sente ter chegado a casa e n\u00e3o precisa de nada; mas partem, deixam o rebanho indefeso, arriscam por Deus. E depois de terem visto Jesus, embora sem grande habilidade para falar, v\u00e3o anunci\u00e1-Lo, de modo que \u00abtodos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores\u00bb&#8221;(2, 18).<\/p>\n<p>Esperar acordado, ir, arriscar, contar a beleza s\u00e3o\u00a0<em>gestos de amor<\/em>. O bom Pastor, que vem no Natal para dar a vida \u00e0s ovelhas, na P\u00e1scoa dirigir\u00e1 a Pedro, e atrav\u00e9s dele a todos n\u00f3s, a pergunta determinante: \u00abTu Me amas?\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a021, 15). Da resposta, depender\u00e1 o futuro do rebanho. Nesta noite, somos chamados a responder, dizendo-Lhe tamb\u00e9m n\u00f3s: \u00abSou deveras teu amigo\u00bb. A resposta de cada um \u00e9 essencial para todo o rebanho.<\/p>\n<p>\u00abVamos a Bel\u00e9m\u2026\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 15): assim disseram e fizeram os pastores. Tamb\u00e9m n\u00f3s, Senhor, queremos vir a Bel\u00e9m. O caminho, ainda hoje, \u00e9 dif\u00edcil: \u00e9 preciso superar os cumes do ego\u00edsmo, evitar escorregar nos precip\u00edcios da mundanidade e do consumismo. Quero chegar a Bel\u00e9m, Senhor, porque \u00e9 l\u00e1 que me esperas. E dar-me conta de que Tu, colocado numa manjedoura, \u00e9s\u00a0<em>o p\u00e3o da minha vida<\/em>. Preciso da terna fragr\u00e2ncia do teu amor, a fim de tornar-me, por minha vez, p\u00e3o repartido para o mundo. Toma-me sobre os teus ombros, bom Pastor: amado por Ti, conseguirei tamb\u00e9m eu amar tomando pela m\u00e3o os irm\u00e3os. Ent\u00e3o ser\u00e1 Natal, quando Te puder dizer: \u00abSenhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que eu sou deveras teu amigo!\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a021, 17).<\/p>\n<p>\u00a0Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2018\/documents\/papa-francesco_20181224_omelia-natale.html\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>24.12.2018<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Deus que se faz p\u00e3o&#8221; \u00e9 o centro da reflex\u00e3o do Papa Francisco na homilia desta noite, proferida durante a 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