{"id":192,"date":"2026-02-25T16:13:48","date_gmt":"2026-02-25T16:13:48","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/festaseromarias\/?post_type=mec-events&#038;p=192"},"modified":"2026-05-20T11:45:53","modified_gmt":"2026-05-20T10:45:53","slug":"santo-antonio-de-lisboa","status":"publish","type":"mec-events","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/festaseromarias\/events\/santo-antonio-de-lisboa\/","title":{"rendered":"Santo Ant\u00f3nio de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>Santo Ant\u00f3nio nasceu em Lisboa, provavelmente a 15 de Agosto de 1195, numa casa junto das portas da antiga cidade (Porta do Mar), que se pensa ter sido o local onde, mais tarde, se ergueu a Igreja em sua honra. Tendo ent\u00e3o o nome de Fernando, fez na vizinha S\u00e9 os seus primeiros estudos, tomando mais tarde, em 1210 ou 1211, o h\u00e1bito de C\u00f3nego Regrante de Santo Agostinho, em S\u00e3o Vicente de Fora, pela m\u00e3o do Prior D. Est\u00eav\u00e3o.<\/p>\n<p>Ali permaneceu at\u00e9 1213 ou 1214, data em que se deslocou para o austero Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde realizou os seus estudos superiores em Direito Can\u00f3nico, Ci\u00eancias, Filosofia e Teologia. Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, talvez um pouco lend\u00e1ria, o Santo tinha uma mem\u00f3ria fora do comum, sabendo de cor n\u00e3o s\u00f3 as Escrituras Sagradas, como tamb\u00e9m a vida dos Santos Padres. As rel\u00edquias dos Santos M\u00e1rtires de Marrocos que chegaram a Coimbra em 1220, fizeram-no trocar de Ordem Religiosa, envergando o burel de Frade Franciscano e recolher-se como Eremita nos Olivais. Foi nessa altura que mudou o seu nome para Ant\u00f3nio e decidiu deslocar-se a Marrocos, onde uma grave doen\u00e7a o reteve todo o inverno na cama. Decidiram os superiores repatri\u00e1-lo como medida de convalescen\u00e7a. Quando de barco regressava a Portugal, desencadeou-se uma enorme tempestade que o arrastou para as costas da Sic\u00edlia, sendo precisamente na It\u00e1lia que iria revelar-se como te\u00f3logo e grande pregador. Em 19 de Mar\u00e7o de 1222 em Forli, falou, perante religiosos Franciscanos e Dominicanos rec\u00e9m ordenados sacerdotes e, t\u00e3o fluentemente o fez que o Provincial pensou dedic\u00e1-lo imediatamente ao apostolado.<\/p>\n<p>Fixou-se em Bolonha onde se dedicou ao ensino de Teologia, bem como \u00e0 sua leitura. Exercendo as fun\u00e7\u00f5es de pregador, mostra-se contra as heresias dos C\u00e1taros, Patarinos e Valdenses. Seguiu depois para Fran\u00e7a com o objectivo de lutar contra os Albijenses e em 1225 prega em Toloso. Na mesma \u00e9poca foi-lhe confiada a guarda do Convento de Puy-en-Velay e seria cust\u00f3dio da Prov\u00edncia de Limoges, um cargo eleito pelos Frades da regi\u00e3o. Dois anos mais tarde instalou-se em Marselha, mas brevemente seria escolhido para Provincial da Romanha. Assistiu \u00e0 canoniza\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Francisco em 1228 e deslocou-se a Ferrara, Bolonha e Floren\u00e7a. Durante 1229 as suas prega\u00e7\u00f5es dividiram-se entre Vareza, Br\u00e9scia, Mil\u00e3o, Verona e M\u00e2ntua. Esta actividade absorvia-o de tal maneira que a ela passou a dedicar-se exclusivamente. Em 1231, e ap\u00f3s contactos com Greg\u00f3rio IX, regressou a P\u00e1dua, sendo a Quaresma do ano seguinte marcada por uma s\u00e9rie de serm\u00f5es da sua autoria. Instalou-se depois em casa do Conde de Tiso, seu amigo pessoal, onde morreu em 1231 no Orat\u00f3rio de Arcela. O facto de ter sido canonizado um ano ap\u00f3s a sua morte, mostra-nos bem qual a import\u00e2ncia que teve como Homem, para lhe ter sido atribu\u00edda tal honra. Este acto foi realizado pelo Papa Greg\u00f3rio IX, que lhe chamou &#8220;Arca do Testamento&#8221;. Considerado Doutor da Igreja e alvo de algumas biografias, todos os autores destas obras s\u00e3o un\u00e2nimes em consider\u00e1-lo como um homem superior. Da\u00ed os diversos atributos que lhe foram conferidos: &#8220;Martelo dos hereges, defensor da f\u00e9, arca dos dois Testamentos, oficina de milagres, maravilha da It\u00e1lia, honra das Espanhas, gl\u00f3ria de Portugal, querubim eminent\u00edssimo da religi\u00e3o ser\u00e1fica, etc.&#8221;. Com a sua vida, quase m\u00edtica, quase lend\u00e1ria, mas que foi passando de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, e com os milagres que lhe foram atribu\u00eddos em bom n\u00famero, transformou-se num taumaturgo de import\u00e2ncia especial.<\/p>\n<p><b>A arte e Santo Ant\u00f3nio<\/b><\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, sempre sens\u00edvel ao que faz parte da vida do homem, n\u00e3o hesitou em tomar Santo Ant\u00f3nio como fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Da\u00ed que, j\u00e1 no s\u00e9culo XIII, Torritti tenha representado o Santo portugu\u00eas atrav\u00e9s de mosaicos que se encontram nas Igrejas de S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o e de Santa Maria Maior, ambas em Roma. Em 1359 Jo\u00e3o de Mil\u00e3o fez representar Santo Ant\u00f3nio em Floren\u00e7a, na sacristia da Igreja de Santa Cruz. No final do mesmo s\u00e9culo Agnolo Gadi pintou o Santo portugu\u00eas atrav\u00e9s da t\u00e9cnica do fresco. O famoso Benozzo Gozzoli imortalizou Santo Ant\u00f3nio na Igreja de Santa Maria de Aracoeli, em Roma. Representou-o j\u00e1 com um aspecto idoso carregando um livro e com o cora\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os. A mudan\u00e7a que se verificou na segunda metade do s\u00e9culo, transformou Santo Ant\u00f3nio num homem jovem acompanhado do l\u00edrio, o atributo deste Santo. A evolu\u00e7\u00e3o art\u00edstica da representa\u00e7\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio atingiu, em finais de Quatrocentos, padr\u00f5es iconogr\u00e1ficos que iriam manifestar-se em Murillo e em Rubens. A Iconografia Antoniana foi tamb\u00e9m importante no nosso pa\u00eds. Nele se inspiraram o Mestre da Lourinh\u00e3, Frei Carlos, Garcia Fernandes e Vasco Fernandes. Lembremo-nos do Tr\u00edptico &#8220;Cristo deposto na Cruz&#8221;, cujo painel da direita o faz recordar (Museu Nacional de Arte Antiga &#8211; Lisboa). Os pr\u00f3prios Livros de Horas, devocion\u00e1rios de Ora\u00e7\u00e3o pessoal, s\u00edmbolo da f\u00e9 e piedade, n\u00e3o esqueceram o Santo Portugu\u00eas, nomeadamente o Livro de Horas de D. Manuel, no F\u00f3lio 276 e 293 V. Os atributos de Santo Ant\u00f3nio, (que normalmente \u00e9 apresentado com um Livro numa m\u00e3o e o Menino Jesus na outra), s\u00e3o variad\u00edssimos: a flor de lis, o Crucifixo colorido, os peixes a escutar os seus Serm\u00f5es, o burro ajoelhado perante a H\u00f3stia, as pr\u00f3prias chamas, por confus\u00e3o com Santo Ant\u00e3o. Todos estes factos s\u00e3o curiosos, pois reflectem o papel que Santo Ant\u00f3nio desempenhou na Cultura Europeia. O Culto de Santo Ant\u00f3nio, embora ligado a P\u00e1dua, e expresso na Bas\u00edlica que lhe foi erigida, n\u00e3o ficou preso a essa cidade italiana. Com efeito, desde cedo, em Portugal foram sendo constru\u00eddos templos em sua honra.<\/p>\n<p><b>Culto de Santo Ant\u00f3nio, em Portugal<\/b><\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIII Santo Ant\u00f3nio j\u00e1 era patrono de cerca de quarenta Igrejas em Portugal. N\u00e3o se sabe exactamente quando o culto foi divulgado no nosso pa\u00eds. Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, quando Greg\u00f3rio IX, no dia 30 de Maio de 1232, em Espoleto, procedia \u00e0 canoniza\u00e7\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio, os sinos tocavam \u00e0 mesma hora em Lisboa, sendo isso considerado como um sinal sobrenatural. O povo tomou para si este Santo, que se tornou, no s\u00e9culo XVI, o Santo Nacional dos Portugueses, mas moldou-o \u00e0s suas pr\u00f3prias necessidades. Aparece nos altares das Igrejas com diversos atributos: protector da cidade, das casas e das fam\u00edlias, advogado das almas do purgat\u00f3rio, advogado dos bons casamentos, protector dos animais, fazedor de milagres, advogado dos objectos perdidos, ajudante dos que combatem, curador dos doentes, protector dos n\u00e1ufragos, aquele que livra os homens das tenta\u00e7\u00f5es demon\u00edacas. N\u00e3o faltam lugares e quintas com o seu nome, de tal forma que em Lisboa, leitarias, farm\u00e1cias e drogarias foram colocadas sob a protec\u00e7\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio, com vista aos bons neg\u00f3cios e ajuda dos seus propriet\u00e1rios. A devo\u00e7\u00e3o chegou mesmo aos artistas populares, lembremo-nos de algumas pe\u00e7as expostas no Museu Antoniano de Lisboa, ali mesmo ao lado da Igreja de Santo Ant\u00f3nio, e que bem merece uma visita. A pr\u00f3pria topon\u00edmia do pa\u00eds est\u00e1 recheada com o seu nome. Claro que Lisboa se orgulha especialmente deste Santo fazendo-lhe festas de arromba nos bairros mais populares, repletos de ruelas enigm\u00e1ticas e sedutoras, que sobem e descem obedecendo aos caprichos da velha Olissipo\u2026 O Castelo e Alfama usam engalanar-se para receber o Santo Ant\u00f3nio no m\u00eas de Junho. Preparam-se as marchas e vestem-se as ruas de fitas coloridas que parecem tocar o c\u00e9u de Lisboa. Nos pequenos largos onde desaguam as vielas e escadinhas, nascem esplanadas para se comer sardinha assada entre o perfume dos manjericos e os sons dos bailaricos. V\u00e1rias ruas exibem com orgulho os tronos de Santo Ant\u00f3nio. Esta tradi\u00e7\u00e3o remonta a 1755 quando o Terramoto destruiu a capital e se fez um pedit\u00f3rio para ajudar a reconstruir a Igreja de Santo Ant\u00f3nio que ent\u00e3o ficara parcialmente destru\u00edda. A tradi\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o tem o mesmo significado, mas para os lisboetas n\u00e3o importa\u2026 Santo Ant\u00f3nio \u00e9 festa em Alfama e no Castelo e todos os anos Lisboa mostra ser ainda a cidade jovem e ing\u00e9nua que se encanta com as guitarradas e com o Tejo.<\/p>\n<p><i>Paula Ramos, in Fam\u00edlia Crist\u00e3<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santo Ant\u00f3nio nasceu em Lisboa, provavelmente a 15 de Agosto de 1195, numa casa junto das portas da antiga cidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":193,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}}},"tags":[],"mec_category":[10791],"class_list":["post-192","mec-events","type-mec-events","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","mec_category-festa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/festaseromarias\/wp-json\/wp\/v2\/mec-events\/192","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/festaseromarias\/wp-json\/wp\/v2\/mec-events"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/festaseromarias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/mec-events"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/festaseromarias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/festaseromarias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=192"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/festaseromarias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/193"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/festaseromarias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=192"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/festaseromarias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=192"},{"taxonomy":"mec_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/festaseromarias\/wp-json\/wp\/v2\/mec_category?post=192"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}