Os delegados das equipas de militantes da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) estiveram reunidos em Assembleia Diocesana, no Centro Cultural e Pastoral da Arquidiocese de Braga. Nesta assembleia foram aprovados os relatórios de atividades e contas do exercício do ano anterior e o plano de ação e orçamento para 2016/17. A sessão de abertura foi presidida pelo nosso Arcebispo D. Jorge Ortiga que centrou a sua intervenção na prontidão de Maria para servir, convidando os militantes da LOC/MTC a fazer o mesmo, na prontidão com os mais frágeis, nos problemas das famílias que não são só económicos e no apoio aos jovens.

O plano de ação aprovado centra a sua dinâmica no combate aos medos para humanizar o mundo do trabalho.

Das realidades vividas pelos militantes, ganha particular dimensão o sofrimento de homens e mulheres vítimas do desemprego, do trabalho informal e do trabalho precário permanente, em condições indignas para ganharem o pão de cada dia: prevalecem os salários baixos; os ritmos esgotantes de produção; os horários longos; a exploração desenfreada sem escrúpulos de muitas entidades patronais, que não respeitam as leis laborais estabelecidas nem a dignidade da pessoa humana. O mercado de trabalho, sujeito aos mercados financeiros, tem intensificado a precarização das relações laborais e exclui um grande número de pessoas da integração na sociedade com reflexos na própria família. Por isso a LOC/MTC vai incentivar os trabalhadores:

1 – Combater os medos: de reagir, de falar, de participar de fazer perguntas, de ser sindicalizado, de perder o emprego, de ser solidário, de ser pessoa com dignidade. Afirmar o valor do trabalho e da família como elementos geradores de uma sociedade mais justa, sustentável e inclusiva, onde o trabalho seja de facto «a chave de toda a questão social» (Cf. LE3).

2 – Apresentar testemunhos de vida e convicções de fé em Jesus Cristo, presente no mundo do trabalho, procurando cativar mais trabalhadores para o movimento no sentido de o rejuvenescer e iniciar novos grupos. Para tal vai apostar na formação contínua de militantes e animadores do método: Ver, Julgar e Agir, para um agir mais consciente e fraterno, no respeito pelas diferenças.

3 – Incentivar o encontro e o convívio entre reformados, de modo a desenvolverem espaços de partilha de saberes, de conhecimentos e de lazer. Participar na vida associativa, comunitária e cultural da sua localidade. Interessar-se pela qualidade de vida dos que têm reformas mais baixas. Dar atenção ao envelhecimento ativo e saudável.

4 – Participar na defesa e promoção do meio ambiente, protegendo o planeta que habitamos, que é a nossa “casa comum”, lutando contra a degradação do meio ambiente. Despertar para a importância da educação financeira, do consumo responsável, do que é essencial e do que é supérfluo, recusando e denunciando o consumismo desenfreado.

5 – Conhecer e aprofundar as causas da emigração portuguesa, dos refugiados e os movimentos migratórios no mundo, de tantos irmãos que fogem à guerra, à pobreza extrema, às alterações climáticas, entre outras. A Europa continua a ser procurada de forma invulgar como refúgio de tanta miséria humana. Importa então perceber o fenómeno e o desafio que se coloca aos cidadãos da Europa, nesta nova realidade.

A LOC/MTC, como movimento de Igreja está em consonância com o plano pastoral da arquidiocese com o título «Fé contemplada», colaborando nas diferentes iniciativas previstas, quer ao nível local, quer diocesano, seguindo o conselho de Maria: «Fazei o que Ele vos disser!» (Jo 2, 5).

No decorrer dos trabalhos os representantes dos grupos de militantes apresentaram os seus planos de ação a serem concretizados nos respetivos grupos, revelando-se uma extraordinária diversidade nas diferentes formas de presença e atuação no mundo do trabalho. Estes planos vieram enriquecer o plano de ação aprovado.

O padre Miguel Ângelo desenvolveu uma reflexão sobre o compromisso do militante cristão. Disse que «as pessoas hoje facilmente quebram o compromisso, seja ele qual for, até para casar, preferindo o mais fácil». Mais do que cristãos de culto necessitamos de cristãos de presença. Interpelou os presentes para a fidelidade no duplo compromisso com Jesus Cristo e com a classe operária. O «nome confere-nos uma identidade e retira-nos da imensidão». Por isso somos escolhidos e prefigurados para responder aos apelos que nos são feitos. Hoje vale muito mais o testemunho do que as palavras.

A assembleia encerrou com a eucaristia de ação de graças presidida pelo padre Miguel Ângelo e concelebrada pelo assistente diocesano do movimento, diácono José Maria Carneiro Costa.

Participaram como convidados o coordenador nacional e diocesano da Pastoral Operária, Alexandre Salgado e o assistente diocesano da JOC padre Adão Almeida. Foram recebidas diversas mensagens, entre elas do bispo auxiliar de Braga D. Francisco Coelho e da Equipa Executiva Nacional da LOC/MTC.

Braga 29 de outubro de 2016

A Equipa Executiva da LOC/MTC