{"id":1814,"date":"2017-04-28T20:20:18","date_gmt":"2017-04-28T20:20:18","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/loc-mtc\/?p=1814"},"modified":"2017-04-28T20:20:18","modified_gmt":"2017-04-28T20:20:18","slug":"ser-cristao-no-trabalho-um-desafio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/loc-mtc\/ser-cristao-no-trabalho-um-desafio\/","title":{"rendered":"Ser Crist\u00e3o no Trabalho: um desafio!"},"content":{"rendered":"<p>O Papa Francisco na enc\u00edclica <em>Laudato Si<\/em> refere que a realidade em que vivemos nos coloca \u00abperante a urg\u00eancia de avan\u00e7ar numa corajosa revolu\u00e7\u00e3o cultural.\u00bb (LS 114)<\/p>\n<p>Foi este o desafio que as organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas que constituem a <strong>Plataforma \u201cCompromisso Social Crist\u00e3o\u201d<\/strong> &#8211; ACEGE (Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores), ACR (A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Rural); C\u00e1ritas Portuguesa, \u00a0JOC (Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica); LOC (Liga Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica), CNJP (Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz) e SSVP (Sociedade de S\u00e3o Vicente de Paulo) quiseram aceitar, olhando a realidade, julgando-a e apontando poss\u00edveis caminhos para o futuro &#8211; Ver, Julgar e Agir.<\/p>\n<p>Partimos da certeza de que, como refere o Papa, todos somos respons\u00e1veis por todos, todos estamos interligados, e, embora cada um tenha um papel a desempenhar, se queremos aspirar a promover a transforma\u00e7\u00e3o cultural de que o nosso mundo necessita, precisamos de procurar caminhos e percorr\u00ea-los em conjunto.<\/p>\n<p>Queremos assumir a miss\u00e3o que recebemos de sermos co-criadores do mundo com Deus. <strong>\u00abDeus colocou o ser humano no jardim rec\u00e9m-criado (Cf. Gn 2,15), n\u00e3o s\u00f3 para cuidar do existente (guardar), mas tamb\u00e9m para trabalhar nele a fim de que produzisse frutos (cultivar). Assim, os oper\u00e1rios e os artes\u00e3os \u201casseguram uma cria\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua\u201d (Sir 38,4) \u00bb<\/strong> (LS 124)<\/p>\n<p><strong><u>\u00a0<\/u><\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong><u> O que observamos enquanto trabalhadores crist\u00e3os empenhados no mundo do trabalho?<\/u><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>N\u00e3o deixando de valorizar tudo o que de bom e positivo acontece no mundo do trabalho, onde a certeza da interliga\u00e7\u00e3o entre os trabalhadores, as empresas, as organiza\u00e7\u00f5es, a sociedade e o ambiente \u00e9 cada vez mais clara, na linha da ecologia integral que o Papa nos convida a viver, queremos apontar algumas quest\u00f5es que nos preocupam e que implicam a nossa a\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>O elevado n\u00edvel de desemprego existente e o seu impacto na vida de muitas pessoas<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 elevado o n\u00edvel de desemprego em Portugal, especialmente nos casos dos trabalhadores acima dos 50 anos, desadaptados da nova din\u00e2mica econ\u00f3mica e que muito dificilmente v\u00e3o conseguir regressar \u00e0 vida ativa, e dos jovens, que se veem obrigados a adiar a sua vida e a constitui\u00e7\u00e3o de novas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>O desemprego \u00e9 a maior injusti\u00e7a que existe no mundo do trabalho.<\/p>\n<p>Olhamos com particular aten\u00e7\u00e3o a \u201crobotiza\u00e7\u00e3o\u201d e a introdu\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial, que promover\u00e3o uma forte mudan\u00e7a na realidade econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>A fragilidade e precariedade dos v\u00ednculos laborais<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Cada vez mais, as rela\u00e7\u00f5es laborais entre empresas e trabalhadores s\u00e3o prec\u00e1rias, obrigando a um novo entendimento de carreiras e tornando o futuro mais exigente e incerto, especialmente para os jovens que entram agora no mundo profissional.<\/p>\n<p>Por outro lado, ainda vemos muitas empresas a assumirem, ou a n\u00e3o conseguirem deixar de assumir, os sal\u00e1rios baixos dos seus trabalhadores como vantagem competitiva, criando uma gera\u00e7\u00e3o de trabalhadores, que, mesmo empregados, n\u00e3o conseguem sair da sua situa\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/p>\n<p>Se considerarmos que a economia deve estar ao servi\u00e7o da pessoa, e n\u00e3o o contr\u00e1rio, n\u00e3o podemos aceitar esta realidade como inevit\u00e1vel.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>O impacto do trabalho na fam\u00edlia e na sa\u00fade<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A realidade referida nos pontos anteriores afeta diretamente a institui\u00e7\u00e3o familiar, quer a das fam\u00edlias confrontadas pela incerteza do presente, quer a das que se querem formar e n\u00e3o t\u00eam capacidade de projetar o futuro, assumindo a responsabilidade dos grandes compromissos para a vida, como casar e ter filhos.<\/p>\n<p>Por outro lado, muitas vezes as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e a dificuldade de concilia\u00e7\u00e3o fam\u00edlia e trabalho, aliadas \u00e0 falta de sentido do pr\u00f3prio trabalho, promovem o desgaste f\u00edsico e\u00a0 in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a, nomeadamente, de foro psicol\u00f3gico, com todas as suas consequ\u00eancias pessoais, familiares e empresariais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>A falta de investimento<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A verifica\u00e7\u00e3o da forte quebra do investimento em Portugal &#8211; p\u00fablico e privado, nacional e internacional &#8211; e a venda de empresas nacionais de refer\u00eancia \u00e9 um sinal de forte alerta e de preocupa\u00e7\u00e3o sobre o futuro da economia. Esta preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada pelo facto de muitas empresas portuguesas estarem descapitalizadas e de existir uma grande fragilidade do sistema financeiro portugu\u00eas, a sofrer o efeito da falta de \u00e9tica de alguns e o impacto da situa\u00e7\u00e3o financeira internacional. Sem investimento, n\u00e3o podemos esperar o crescimento e o desenvolvimento de que necessitamos para o nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>A falta de escala e produtividade de muitas empresas<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O tecido empresarial portugu\u00eas, em que mais de 96% das empresas t\u00eam menos de 10 trabalhadores, \u00e9 muito fr\u00e1gil. Muitas vezes os empres\u00e1rios n\u00e3o t\u00eam as compet\u00eancias necess\u00e1rias para crescer e implementar procedimentos que melhorem a sua produtividade e rendibilidade, promovendo empregos de qualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>Um Estado fr\u00e1gil que anualmente gasta mais do que recebe<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O Estado pode vir a ter dificuldades em cumprir as suas responsabilidades se nada fizer para assegurar a sustentabilidade das contas p\u00fablicas e das pens\u00f5es.<\/p>\n<p>Os gastos superiores \u00e0s receitas, ano ap\u00f3s ano, a invers\u00e3o da taxa de natalidade, da mais alta da Europa para a mais baixa, e a falta de crescimento econ\u00f3mico s\u00e3o fatores que suscitam enorme preocupa\u00e7\u00e3o e exigem reflex\u00e3o sobre a capacidade do Estado de assegurar no futuro as suas responsabilidades sociais atuais. Por outro lado, a evas\u00e3o fiscal &#8211; de grandes empresas, de pequenos servi\u00e7os e ao n\u00edvel individual, e o planeamento fiscal (que, sendo legal, maximiza o potencial das disparidades das pol\u00edticas fiscais internacionais em desfavor do Estado), limita as receitas. Assim, \u00e9 urgente encontrar caminhos para garantir a sustentabilidade futura do Estado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong>A falta de valores \u00e9ticos<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A \u201cidolatria do dinheiro\u201d que leva a que \u00abseja o dinheiro a governar em vez de servir\u00bb, a par da cultura do poder e da cultura \u201cutilitarista e do descarte\u201d, sem no\u00e7\u00e3o do sentido \u00faltimo da nossa exist\u00eancia, leva ao aparecimento de demasiadas situa\u00e7\u00f5es de falta de \u00e9tica, onde o bem individual se sobrep\u00f5e ao Bem Comum.<\/p>\n<p>A falta de valores \u00e9ticos na vida econ\u00f3mica corr\u00f3i as rela\u00e7\u00f5es pessoais, afeta a confian\u00e7a nas lideran\u00e7as e na economia, e destr\u00f3i pessoas e empresas.<\/p>\n<p>Estamos certos de que a crise em que estamos n\u00e3o teria existido se os respons\u00e1veis empresariais tivessem atuado dentro de padr\u00f5es de \u00e9tica, de responsabilidade social e dos valores propostos pela Doutrina Social da Igreja.<\/p>\n<pre><\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong><u> Perante esta realidade queremos reafirmar:<\/u><\/strong><\/li>\n<li><strong>Que a Pessoa Humana \u00e9 protagonista, centro e fim de toda a vida econ\u00f3mica<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Toda a vida econ\u00f3mica tem de colocar a Pessoa Humana no centro das decis\u00f5es. O que fazemos e como o fazemos tem de ser iluminado pelo crit\u00e9rio humano. Por isso, a par da sustentabilidade econ\u00f3mica, \u00e9 essencial olharmos o impacto da nossa a\u00e7\u00e3o em todos aqueles que s\u00e3o afetados pelas decis\u00f5es &#8211; trabalhadores, fam\u00edlias, sociedade e meio ambiente.<\/p>\n<p>\u00ab\u00c9 preciso relembrar que \u201cos custos humanos s\u00e3o sempre tamb\u00e9m custos econ\u00f3micos, e as disfun\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas acarretam sempre tamb\u00e9m custos humanos\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>. Renunciar a investir nas pessoas para se obter maior receita imediata \u00e9 um p\u00e9ssimo neg\u00f3cio para a sociedade.\u00bb (LS128)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>Que o trabalho para todos \u00e9 um elemento essencial da justi\u00e7a social<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Se, por um lado, o trabalho digno \u00e9 fonte de dignidade, de desenvolvimento pessoal e de afirma\u00e7\u00e3o da individualidade de cada um no mundo, por outro lado, cada pessoa, com as suas caracter\u00edsticas \u00fanicas e irrepet\u00edveis, tem uma miss\u00e3o a desempenhar no desenvolvimento da vida em sociedade, promovendo o Bem Comum.<\/p>\n<p>Por isso, quando vemos tantas pessoas sem trabalho, tanto trabalho em condi\u00e7\u00f5es indignas, tanta precariedade que limita o futuro e tanta viv\u00eancia do trabalho sem sentido , temos que nos questionar e procurar caminhos novos e desvendar as melhores solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>Que pelo nosso trabalho somos co-criadores do mundo com Deus<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Acreditamos que o sentido do nosso trabalho nos supera, na medida em que, pelo trabalho, nos envolvemos como co-criadores do Mundo, de acordo com as capacidades, talentos e realidades que Deus confia a cada um, em cada tempo.<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a><\/p>\n<p>Nesse sentido, n\u00e3o queremos trabalhar apenas para o nosso bem temporal, para o bem das nossas fam\u00edlias, para corresponder aos nossos desafios profissionais, ou para o \u00eaxito das empresas em que trabalhamos, mas queremos trabalhar para o Bem Comum e contribuir ativamente para a constru\u00e7\u00e3o do Reino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>Que a atividade empresarial \u00e9 uma das chaves da quest\u00e3o social<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00abA atividade empresarial, que \u00e9 uma nobre voca\u00e7\u00e3o orientada para produzir riqueza e melhorar o mundo para todos, pode ser uma maneira muito fecunda de promover a regi\u00e3o onde instala os seus empreendimentos, sobretudo se pensa que a cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho \u00e9 parte imprescind\u00edvel do seu servi\u00e7o ao bem comum\u00bb (LS129). Sem empresas e organiza\u00e7\u00f5es, capazes de criar valor para a sociedade, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desenvolver o pa\u00eds e garantir empregos de qualidade.<\/p>\n<p>Reconhecemos, por isso, nas empresas, um enorme valor social que tem origem na iniciativa, no risco e na capacidade de pessoas concretas, mas que s\u00f3 ganha sentido nos fins sociais que prossegue, designadamente na produ\u00e7\u00e3o de riqueza, na cria\u00e7\u00e3o de oportunidades de trabalho de qualidade, na realiza\u00e7\u00e3o dos que nela trabalham e no desenvolvimento social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>Que as empresas s\u00e3o comunidades de pessoas<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a> e fam\u00edlias<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Vemos as empresas como comunidades humanas, fundadas em interesses n\u00e3o coincidentes &#8211; acionistas, gestores, trabalhadores, sindicatos, fam\u00edlias e sociedade &#8211; mas orientadas para finalidades comuns, estruturadas segundo o princ\u00edpio da coopera\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o do conflito. Assumimos que a maioria das empresas est\u00e1 vocacionada para a produ\u00e7\u00e3o, e\/ ou comercializa\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os num mercado global, concorrencial e incerto e, por isso, sujeita a princ\u00edpios racionais de gest\u00e3o, de organiza\u00e7\u00e3o e de perman\u00eancia no mercado.<\/p>\n<p>Sabemos que o sucesso empresarial e a dignifica\u00e7\u00e3o do trabalho e dos trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o realidades opostas, mas realidades que se complementam e potenciam mutuamente. Logo, Empres\u00e1rios e Trabalhadores, devem estar unidos no bem dessa comunidade que \u00e9 a empresa, respeitando os direitos e deveres de cada um e procurando simultaneamente a excel\u00eancia na actividade e a solidariedade entre os atores. No fundo, todos os intervenientes numa empresa s\u00e3o co-respons\u00e1veis pela sustentabilidade da mesma, cada um a seu modo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>Que o mercado tem potencialidades, mas tamb\u00e9m limites<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Reconhecemos as potencialidades do mercado, da concorr\u00eancia, da propriedade privada e da livre criatividade humana, como fator de desenvolvimento humano, econ\u00f3mico, social e ambiental, mas defendemos a necessidade de uma \u00a0cada vez mais forte regula\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f3mica, que diminua o impacto das faltas de \u00e9tica, dos excessos de poder de grupos de interesse e corpora\u00e7\u00f5es, e assegure a inclus\u00e3o de todos aqueles que se vejam exclu\u00eddos do mercado laboral e da sociedade.<\/p>\n<p>Somos tamb\u00e9m confrontados com o desafio de, dentro da atividade econ\u00f3mica, dar lugar ao princ\u00edpio da gratuidade e \u00e0 l\u00f3gica do dom.<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong><u> Perante as realidades e as reafirma\u00e7\u00f5es anteriores que caminhos de futuro propomos? <\/u><\/strong><\/li>\n<li><strong>A convers\u00e3o pessoal de cada um ao Amor de Deus<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Nenhuma revolu\u00e7\u00e3o aut\u00eantica pode come\u00e7ar sem a ades\u00e3o pessoal ao projeto, neste caso sem a ades\u00e3o pessoal a Cristo e aos crit\u00e9rios de Amor que nos prop\u00f5e. S\u00f3 em uni\u00e3o com Ele poderemos aspirar a ser instrumentos da transforma\u00e7\u00e3o que Deus pretende no mundo. \u00c9 a fidelidade \u00e0 sua miss\u00e3o que pode salvar-nos e pode salvar e transformar o mundo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>A viv\u00eancia do nosso trabalho em nome de Cristo<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Trabalhar com o sentido de que tudo o que fazemos \u00e9 em seu nome, responsabiliza-nos a seguir os seus crit\u00e9rios, a procurar o seu entendimento. Trabalhar &#8211; servindo, em vez de nos servirmos \u2013 para trazer Cristo e o seu Amor para as empresas e para tratar os outros como gostar\u00edamos de ser tratados se estiv\u00e9ssemos no lugar deles. Este \u00e9 um enorme desafio que transforma o nosso espa\u00e7o pessoal de atua\u00e7\u00e3o, das equipas de trabalho e das empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>A procura da unidade de vida e de uma ecologia do trabalho<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A unidade de mente e cora\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o de cada um, assumindo os mesmos valores e crit\u00e9rios de atua\u00e7\u00e3o nos diferentes pap\u00e9is que desempenha &#8211; fam\u00edlia, trabalho ou vida social, \u00e9 um crit\u00e9rio essencial para podermos ser \u00edntegros em tudo o que fazemos. Aqueles que se deixam dividir em \u201dgavetas de vida\u201d acabam por viver uma vida de mentira. \u00c9 esta unidade de vida que nos permite aplicar os Talentos e Dons que Deus nos confia, a cada momento, nos trabalhos que fazemos e nos relacionamentos que mantemos. Tudo fazer para p\u00f4r a render os nossos talentos \u00e9 um imperativo \u00e9tico, perante Deus, perante n\u00f3s pr\u00f3prios, perante aqueles que connosco trabalham e perante aqueles que n\u00e3o t\u00eam trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>A necessidade de aumentar o di\u00e1logo e a coopera\u00e7\u00e3o nas empresas<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>As empresas s\u00e3o constitu\u00eddas por todos os que nelas trabalham. A coopera\u00e7\u00e3o entre todos \u00e9 vital para o desempenho das empresas. Por isso, \u00e9 essencial potenciar o di\u00e1logo e a coopera\u00e7\u00e3o efetiva entre todos &#8211; acionistas, gestores, trabalhadores, sindicatos, for\u00e7as locais -, promovendo nas empresas o princ\u00edpio da subsidiariedade que potencia cada um dos colaboradores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>A forma\u00e7\u00e3o e acompanhamento dos l\u00edderes empresariais<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Perante a complexidade do mundo econ\u00f3mico atual, \u00e9 essencial o testemunho daqueles que gerem com crit\u00e9rios \u00e9ticos e sabem como dignificar a sua empresa e os seus trabalhadores. Nesse sentido, \u00e9 essencial encontrar espa\u00e7os de inspira\u00e7\u00e3o e de partilha de boas-pr\u00e1ticas, que possam contagiar cada vez mais empresas.<\/p>\n<p>Acreditamos que a introdu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas concretas e poss\u00edveis pode transformar a cultura das empresas e impactar a vida dos seus colaboradores. Isto pode, e deve, acontecer, por exemplo, no que se refere \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o entre fam\u00edlia e trabalho, \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o justa, aos contratos de trabalho ou ao pagamento pontual a fornecedores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>O acompanhamento e forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Perante as r\u00e1pidas mudan\u00e7as na forma de contratualiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 essencial acompanhar e formar para o trabalho as novas gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores, para a necessidade de n\u00e3o deixarem de se atualizar e serem \u201cempreendedores\u201d da sua pr\u00f3pria vida. Importa passar de uma atitude passiva a uma atitude proativa, com consci\u00eancia do nosso papel de trabalhadores que reconhecem os seus direitos e deveres.<\/p>\n<p>\u00c9 importante fomentar um saud\u00e1vel intra-empreendedorismo nas nossas empresas, dando espa\u00e7o aos mais jovens para apresentarem as suas ideias e tomarem iniciativas, mesmo que arriscadas, at\u00e9 porque \u00abmuitas vezes o Senhor revela ao mais jovem o que \u00e9 melhor\u00bb como est\u00e1 escrito na terceira regra de S\u00e3o Bento. \u00c9 importante promover uma aut\u00eantica educa\u00e7\u00e3o para o trabalho, com um equil\u00edbrio din\u00e2mico entre o realismo pr\u00e1tico e a utopia, a a\u00e7\u00e3o e a ora\u00e7\u00e3o, a pr\u00e1tica e a reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong>A op\u00e7\u00e3o pelos mais pobres, especialmente aqueles que n\u00e3o t\u00eam emprego ou t\u00eam um emprego prec\u00e1rio<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Potenciar o empreendedorismo e um ecossistema favor\u00e1vel ao investimento \u00e9 essencial para gerar valor para toda a sociedade e criar empregos reais e de qualidade.<\/p>\n<p>Aqueles que t\u00eam capacidade financeira e voca\u00e7\u00e3o para serem empreendedores devem assumir essa responsabilidade e o consequente risco do investimento, promovendo emprego, produtos e servi\u00e7os de qualidade que possam ajudar a desenvolver a sua regi\u00e3o. Torna-se necess\u00e1rio fazer todo o poss\u00edvel para conciliar crit\u00e9rios de sustentabilidade econ\u00f3mica com a manuten\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho.<\/p>\n<p>Torna-se urgente apoiar quem n\u00e3o tem trabalho, para que consiga de novo voltar a t\u00ea-lo, dinamizando espa\u00e7os e din\u00e2micas \u00e1geis de promo\u00e7\u00e3o da empregabilidade. E \u00e9 imperioso acabarmos com a triste realidade dos chamados \u201ctrabalhadores pobres\u201d, isto \u00e9, aqueles que, mesmo tendo um trabalho a tempo inteiro, vivem em situa\u00e7\u00f5es de pobreza devido aos baixos sal\u00e1rios. Remunera\u00e7\u00e3o justa e condi\u00e7\u00f5es dignas s\u00e3o fundamentais para garantir o futuro de todos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong>Todos somos respons\u00e1veis pelo consumismo<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00abO grande risco do mundo atual, com a sua m\u00faltipla e avassaladora oferta de consumo, \u00e9 uma tristeza individualista que brota de um cora\u00e7\u00e3o comodista e mesquinho\u00bb diz-nos o Papa Francisco logo no in\u00edcio da exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Evangelii Gaudium<\/em>. Todos n\u00f3s, como consumidores e respons\u00e1veis pelas tend\u00eancias de mercado e da viabilidade das empresas, devemos, como refere o Papa, ter a no\u00e7\u00e3o de que a forma como consumimos condiciona a nossa vida, o ambiente e a vida das empresas. As decis\u00f5es de consumo, tamb\u00e9m elas, devem ter em conta n\u00e3o s\u00f3 o pre\u00e7o econ\u00f3mico, mas tamb\u00e9m os diversos impactos da empresa e dos seus produtos na sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><strong>A transforma\u00e7\u00e3o das estruturas pol\u00edticas e econ\u00f3mico-sociais<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Sem a transforma\u00e7\u00e3o das estruturas pol\u00edticas, econ\u00f3micas e sociais, n\u00e3o se atua nas causas profundas da degrada\u00e7\u00e3o do trabalho humano. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que os crist\u00e3os procurem n\u00e3o s\u00f3 a \u00abconvers\u00e3o pessoal\u00bb referida, mas assumam uma interven\u00e7\u00e3o ativa e permanente nessas estruturas.<\/p>\n<p>Devemos intervir mais, pessoalmente ou em grupo, nos locais de trabalho e de resid\u00eancia, nas associa\u00e7\u00f5es locais, sindicais e empresariais, nas for\u00e7as pol\u00edticas, nos \u00f3rg\u00e3os de soberania e em todas as inst\u00e2ncias onde se pode influenciar a vida da comunidade humana. Intervir denunciando as situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o promovem a dignifica\u00e7\u00e3o do trabalho e n\u00e3o colocam a Pessoa Humana no centro de toda a vida econ\u00f3mica. Esta den\u00fancia \u00e9 uma forma de testemunhar Cristo e o seu Amor.<\/p>\n<p>Acreditamos que, se formos capazes de viver convertidos ao Evangelho, cada uma das nossas organiza\u00e7\u00f5es pode tornar-se cada vez mais um espa\u00e7o de verdadeira comunidade de pessoas. Acreditamos que \u00e9 poss\u00edvel iniciar esta revolu\u00e7\u00e3o que o Papa Francisco sugere e aspirar a uma nova organiza\u00e7\u00e3o da sociedade e do trabalho.<\/p>\n<p>O caminho n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e os obst\u00e1culos e as problem\u00e1ticas s\u00e3o grandes, mas acreditamos que, unidos a Deus e num espirito de servi\u00e7o, podemos aspirar a sermos cuidadores da nossa casa comum, cuidando do existente \u2013 guardar \u2013 e trabalhando nele a fim de que produza frutos \u2013 cultivar -, assegurando, assim, uma cria\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua, da qual todos possam desfrutar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lisboa, 1 de maio de 2017<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Plataforma Compromisso Social Crist\u00e3o:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores &#8211; ACEGE,<\/p>\n<p>A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Rural &#8211; ACR,<\/p>\n<p>C\u00e1ritas Portuguesa<\/p>\n<p>Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz &#8211; CNJP<\/p>\n<p>Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica &#8211; JOC<\/p>\n<p>Liga Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica &#8211; LOC\/MTC,<\/p>\n<p>Sociedade de S\u00e3o Vicente de Paulo &#8211; SSVP<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> <em>Gaudium et Spes,<\/em> 25<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> <em>Caritas in Veritate<\/em>, 32<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> <em>Laborem Exercens<\/em>, 4<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> <em>Gaudium et Spes<\/em>, 68 e <em>Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja<\/em>, 340<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> <em>Caritas in Veritate<\/em>, 36<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> <em>Sollicitudo Rei Socialis,<\/em> 36, 20 e 22<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Francisco na enc\u00edclica Laudato Si refere que a realidade em que vivemos nos coloca \u00abperante a urg\u00eancia de avan\u00e7ar numa corajosa revolu\u00e7\u00e3o cultural.\u00bb (LS 114)<\/p>\n<p>Foi este o desafio que as organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas que constituem a Plataforma \u201cCompromisso Social Crist\u00e3o\u201d &#8211; ACEGE (Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores), ACR (A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Rural); C\u00e1ritas Portuguesa,  JOC (Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica); LOC (Liga Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica), CNJP (Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz) e SSVP (Sociedade de S\u00e3o Vicente de Paulo) quiseram aceitar, olhando a realidade, julgando-a e apontando poss\u00edveis caminhos para o futuro &#8211; Ver, Julgar e Agir.<\/p>\n<p>Partimos da certeza de que, como refere o Papa, todos somos respons\u00e1veis por todos, todos estamos interligados, e, embora cada um tenha um papel a desempenhar, se queremos aspirar a promover a transforma\u00e7\u00e3o cultural de que o nosso mundo necessita, precisamos de procurar caminhos e percorr\u00ea-los em conjunto.<\/p>\n<p>Da\u00ed surge esta reflex\u00e3o entre crist\u00e3os que procuram com o seu trabalho lutar pela dignifica\u00e7\u00e3o de cada pessoa, pelo sucesso das suas organiza\u00e7\u00f5es e pela procura do Bem Comum.<\/p>\n<p>Queremos em conjunto procurar ac\u00e7\u00f5es concretas que nos fa\u00e7am ser parte ativa neste olhar de uma ecologia integral que crie a mudan\u00e7a, promova a cria\u00e7\u00e3o de valor para todos, promova uma cultura de inclus\u00e3o, em vez de exclus\u00e3o, promova a dignidade de todos e de cada um dos trabalhadores, em vez de uma cultura utilitarista e de descarte.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1814","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ser Crist\u00e3o no Trabalho: um desafio! 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Partimos da certeza de que, como refere o Papa, todos somos respons\u00e1veis por todos, todos estamos interligados, e, embora cada um tenha um papel a desempenhar, se queremos aspirar a promover a transforma\u00e7\u00e3o cultural de que o nosso mundo necessita, precisamos de procurar caminhos e percorr\u00ea-los em conjunto.  Da\u00ed surge esta reflex\u00e3o entre crist\u00e3os que procuram com o seu trabalho lutar pela dignifica\u00e7\u00e3o de cada pessoa, pelo sucesso das suas organiza\u00e7\u00f5es e pela procura do Bem Comum.  Queremos em conjunto procurar ac\u00e7\u00f5es concretas que nos fa\u00e7am ser parte ativa neste olhar de uma ecologia integral que crie a mudan\u00e7a, promova a cria\u00e7\u00e3o de valor para todos, promova uma cultura de inclus\u00e3o, em vez de exclus\u00e3o, promova a dignidade de todos e de cada um dos trabalhadores, em vez de uma cultura utilitarista e de descarte.","og_url":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/loc-mtc\/ser-cristao-no-trabalho-um-desafio\/","og_site_name":"LOC-MTC","article_published_time":"2017-04-28T20:20:18+00:00","author":"LOC-MTC","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"LOC-MTC","Tempo estimado de leitura":"16 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/loc-mtc\/ser-cristao-no-trabalho-um-desafio\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/loc-mtc\/ser-cristao-no-trabalho-um-desafio\/"},"author":{"name":"LOC-MTC","@id":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/loc-mtc\/#\/schema\/person\/8ba13a346b282ac81bddb0740218c156"},"headline":"Ser Crist\u00e3o no Trabalho: um desafio!","datePublished":"2017-04-28T20:20:18+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/loc-mtc\/ser-cristao-no-trabalho-um-desafio\/"},"wordCount":3282,"publisher":{"@id":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/loc-mtc\/#organization"},"articleSection":["Not\u00edcias"],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/loc-mtc\/ser-cristao-no-trabalho-um-desafio\/","url":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/loc-mtc\/ser-cristao-no-trabalho-um-desafio\/","name":"Ser Crist\u00e3o no Trabalho: um desafio! 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