Out 28, 2006 | Documentos
Aproxima-se a celebração do Dia Mundial do Turismo (28 Setembro) e a Santa Sé assinala a data com uma mensagem especial – “O Turismo é uma riqueza”- mostrando assim a sua atenção relativamente a este fenómeno, que se massificou nas últimas décadas.
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O Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CPPMI) tem uma secção dedicada, especificamente, às áreas do Turismo, Peregrinações e Santuários, que apresenta, simbolicamente, sob o título “Peregrinos da beleza e da fé”. No meio da imensa mobilidade generalizada em que a nossa sociedade está mergulhada, o Turismo é uma manifestação fundamental para apreciar as potencialidades desse fenómeno, com impactos sociais, económicos e culturais.
A Igreja desde sempre tem reflectido de modo muito positivo, desde o Directório Geral “Peregrinans in terra” (1969), apoiado por Congressos e Orientações do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, sob os aspectos antropológico, teológico e pastoral, mas o seu pensamento carece de maior divulgação, junto dos agentes pastorais, das comunidades e sociedade, em geral.
Nesse documento pode ler-se que a Igreja, “apesar de não esquecer as diferenças sociais que angustiam muitas partes da terra e preocupada perante muitos aspectos inquietantes do Turismo moderno, reconhece os profundos valores e os elementos específicos de aperfeiçoamento que ele pode promover para uma nova ordem de relações humanas” (Peregrinans in Terra, 3).
Como afirmou João Paulo II, o turismo constitui uma oportunidade providencial para encontrar outras pessoas pelo mundo fora. Todavia, ele tem aspectos positivos e negativos.
Novo olhar
Em 2001, esse Directório foi actualizado e assinalava-se que o Turismo “é uma circunstância ideal para que o homem se aperceba que é peregrino no tempo e no espaço”, numa “fraternidade universal”. A dimensão de “busca” do fenómeno é sublinhada, sobretudo a sua vertente espiritual, apontando que é possível encontrar Deus, através do Turismo “em condições psicológicas favoráveis, na beleza da natureza ou da arte”.
O propósito central da Pastoral do Turismo é o de suscitar as melhores condições possíveis para que o cristão possa viver essa realidade como momento de graça e de salvação. O Turismo pode ser considerado, sem dúvida, como um dos novos areópagos de evangelização, um dos grandes campos da civilização contemporânea e da cultura, da política e da economia nos quais o cristão é chamado a viver sua própria fé e sua vocação missionária, como dizia João Paulo II.
Nesse ano, o Papa polaco escreveu que “o conhecimento recíproco entre indivíduos e povos, graças a encontros e a intercâmbios culturais, contribui sem dúvida para a construção de uma sociedade mais solidária e fraterna. O Turismo requer a convivência passageira com outras pessoas, a recolha de informações acerca das condições de vida, dos problemas e da religião; pressupõe a partilha das aspirações legítimas de outros povos; favorece as condições para o seu reconhecimento pacífico”.
As grandes orientações para a Pastoral do Turismo, apresentadas em 2004 após o 6º ° Congresso Mundial sobre a Pastoral do Turismo de Banguecoque, defendiam um “Turismo ao serviço do encontro dos povos” e a implementação do Código Ético Mundial para o Turismo, bem como o combate ao Turismo Sexual.
“O ministério pastoral do turismo não deveria esquecer a importância da solidariedade com os desfavorecidos e os pobres, prestando uma particular atenção às consequências da pobreza para a sua vida familiar. Essa solidariedade deveria incluir o diálogo e advocacia com os responsáveis governamentais, para reduzir o impacto negativo do Turismo nas suas vidas”, referiam os participantes.
Este ano, a Santa Sé destaca o potencial positivo do turismo, sobretudo quando “permite entrar em contacto e compreender outras culturas e sistemas de vida, partilhando assim um património que pertence a todos”. “O turismo é riqueza” e esta riqueza é cultural, não tanto material, deixando “perceber outras formas de riqueza” e a história de outros povos, “que é uma riqueza sem limites e que pertence a todos”.
In: Agência Ecclesia – Internacional | Octávio Carmo| 19/09/2006 |
Out 27, 2006 | Documentos
ORIENTAÇÕES PASTORAIS
PARA O ACOLHIMENTO E INTEGRAÇÃO DE IMIGRANTES
NAS COMUNIDADES CRISTÃS
Nota do Bispo de Junho 2002
Na sequência da sessão de 01.12.2001 da Assembleia Diocesana, em que se reflectiu sobre a presença, na nossa diocese, de grande número de imigrantes provenientes de vários países e culturas, e em que foram apresentadas diversas propostas de acção pastoral de acolhimento aos imigrantes, foi preparado o presente documento que agora apresento sob a forma de Orientações Pastorais.
1. O acolhimento aos imigrantes é uma exigência missionária da Igreja à qual a nossa Diocese dá um especial relevo por três motivos principais: primeiro, porque na tradição bíblica acolher e defender o estrangeiro é um imperativo ético (Gn 18,1-8; Lv 19,33-34; 10, 18-19; 24,17-18) da comunidade; segundo, os imigrantes constituem, na nossa Diocese uma elevada percentagem da população residente; e, por fim, a nossa Igreja diocesana assumiu como prioridade pastoral a missão evangelizadora do imenso e variado tecido populacional do seu território.
2. Por acolhimento devemos entender não apenas a tolerância ou mesmo a simpatia com que recebemos nas nossas comunidades os que vêm de fora, mas numa perspectiva missionária e “católica”, devemos entender também o diálogo e a permuta de valores culturais e espirituais, em ordem a um enriquecimento mútuo. Constitui uma atitude de fé autêntica e ponto de partida para uma pastoral verdadeiramente missionária deixarmos de ver os imigrantes apenas como pobres a socorrer, ou como uma fonte de problemas que temos de enfrentar, e passarmos a ver neles um dom para a vida e missão da Igreja e uma oportunidade de encontro fraterno e sinal do Reino de Deus disperso por diferentes povos e culturas e unido na mesma fé e no mesmo Senhor.
3. O diálogo e a permuta não são fáceis; implicam um “êxodo” e uma grande disponibilidade interior para sair de preconceitos, esquemas e rotinas instalados (terra conhecida) e criar um espaço novo (a terra prometida) – e sempre imprevisto – para que os emigrantes experimentem a nossa caridade evangélica cf. 1 Cor 13, 4; Rom 12, 9). Não basta, por isso, que uma ou outra vez os imigrantes intervenham na Eucaristia, com um rito ou um cântico. É preciso, sobretudo, que tenham voz, que possam participar por inteiro na vida da sua nova paróquia, que nela possam dar testemunho da sua fé, do modo como a receberam, a praticam e como a transmitem aos seus filhos; que possam partilhar os seus valores da vida familiar, da sua cultura, da sua arte, sem esquecer o seu folclore e a sua gastronomia. Todos sabemos que muitos momentos fortes e marcantes da nossa vida estão ligados a coisas muito simples. E isso é verdade para todos os povos e civilizações.
4. A Paróquia surge como o espaço “providencial” e privilegiado onde se realiza a verdadeira pedagogia do encontro com pessoas de convicções religiosas e culturas diferentes. Ela é chamada a ser “palco de hospitalidade”, lugar do intercâmbio entre experiências e dons diferentes. Poderíamos falar das paróquias como verdadeiros “laboratórios” de uma convivência cívica e de diálogo construtivo (cf. João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, 2002).
5. Algumas áreas da nossa acção pastoral terão de estar atentas, de modo especial, ao acolhimento aos imigrantes:
5.1 Liturgia:
5.1.1 Promover, ao menos em alguns domingos, a participação de cristãos imigrantes em ritos, cânticos, leituras, etc.
5.1.2 Preparar com os imigrantes da paróquia o Dia Nacional das Migrações (em Agosto) e Dia Diocesano das Comunidades Migrantes (data móvel).
5.1.3 Convidar alguns imigrantes, com a frequência considerada razoável, a dar testemunho da sua fé, das suas tradições religiosas, familiares, culturais.
5.1.4 Promover ou apoiar a celebração nas paróquias, com a participação de todo o Povo de Deus, de festas litúrgicas tradicionais dos países de origem dos imigrantes e valorizar as peregrinações.
5.1.5 Os presbíteros terão em conta a presença de imigrantes nas celebrações, nomeadamente cuidando da compreensão da Palavra (nas leituras e na homilia) por parte daqueles imigrantes que não falem português.
5.1.6 Onde e quando se considerar necessário, e for possível, haverá celebrações em rito próprio de comunidades cristãs de que um número razoável de imigrantes seja oriundo e serão favorecidas as celebrações ecuménicas e/ou inter-religiosas.
5.1.7 Os presbíteros terão em atenção a oferta do sacramento da Reconciliação aos estrangeiros, não só católicos, mas também aos membros de Igrejas orientais que não estejam em comunhão plena com a Igreja católica (cf. Cân. 844 §3).
5.2 Conselhos Pastorais Paroquiais
5.2.1 Farão o reconhecimento da presença de imigrantes na área da paróquia, não esquecendo as periferias, procurando identificar as suas proveniências, os seus problemas.
5.2.2 Considerando a importância fundamental que na missão da paróquia tem a pastoral do acolhimento aos que vêm de fora, reflectirão sobre esses dados e estudarão as formas de a paróquia criar ou aperfeiçoar o acolhimento e a partilha com os imigrantes.
5.2.3 Promoverão, onde não existam, grupos de voluntários (equipas de acolhimento) para ir ao encontro dos imigrantes.
5.2.4 Acções a realizar serão, por exemplo, o ensino da língua portuguesa, a formação para a cidadania, a alfabetização, e outras que se mostrarem, em cada tempo e lugar, mais urgentes.
5.2.5 Assim que for possível, serão integrados no Conselho Paroquial cristãos imigrantes que possam ajudar a reflectir e a agir na relação da Comunidade com os vários imigrantes, de modo a que a paróquia se edifique como sinal de comunhão e universalidade em Jesus Cristo.
5.3 Catequese
5.3.1 Formar catequistas – também entre os próprios imigrantes – para que as paróquias possam oferecer a catequese aos filhos dos imigrantes, de forma que a língua, a cultura e outras diferenças não constituam obstáculo à educação da fé dos mais novos. Esta formação terá as componentes que, em cada caso, forem necessárias, sem esquecer nunca o conhecimento da cultura e do ambiente familiar das crianças e adolescentes, de modo que a catequese respeite o princípio da inculturação da fé (cf. Directório Geral da Catequese, §§ 203-207).
5.3.2 O mesmo se faça em relação à catequese de jovens e adultos, convidando pessoalmente os imigrantes a participar em grupos de catequese e de oração existentes nas paróquias.
5.4 Pastoral Familiar
5.4.1 As famílias cristãs darão uma especial atenção quer às famílias imigrantes, quer aos que deixaram a família nas terras de origem, a fim de os apoiar na comunhão e na fidelidade familiar, ajudando-os a vencer a solidão.
5.4.2 Procurarão também visitar famílias imigrantes e também, se possível, convidar alguma família para passar algum tempo em sua casa, tomar uma refeição, dar um passeio, etc.
5.4.3 Os movimentos de pastoral familiar procurem convidar famílias imigrantes a integrar os grupos e actividades em defesa do dom da vida e da família. Interessem-se pelo direito ao reagrupamento familiar dos imigrantes
5.5 Pastoral Juvenil
5.5.1 É necessário convidar os jovens imigrantes e filhos de imigrantes que já nasceram em Portugal (estes muitas vezes com maiores problemas de integração), a fim de que façam parte dos grupos paroquiais ou dos movimentos juvenis cristãos. Também a eles será anunciado o dom da vocação sacerdotal, religiosa e missionária.
5.5.2 Nos encontros diocesanos, há que ter especial cuidado para que os jovens imigrantes tenham o seu espaço de expressão das suas experiências e dificuldades próprias.
5.5.3 Na formação de animadores de jovens, procurar também que jovens ligados à imigração se prepararem para ser evangelizadores dos jovens do seu bairro, da sua escola. Particular atenção deve ser dada aos adolescentes e jovens que frequentam as aulas de EMRC.
5.6 Acção Sócio-caritativa
5.6.1 Os grupos sócio-caritativos estarão atentos a situações da pobreza, da habitação, da doença, dos reclusos estrangeiros, da mulher e dos menores.
5.6.2 Estarão igualmente atentos à dificuldade na integração social, incluindo o apoio à legalização de todos, sem faltar à caridade para com aquelas pessoas que, por vários motivos, se encontram “em situação administrativa irregular”.
5.6.3 Para isso, deverão estar permanentemente informados sobre as situações existentes nas paróquias, mas também sobre as exigências legais e recursos disponibilizados pelo Poder Central ou Autárquico que dizem respeito aos imigrantes e suas famílias.
5.6.4 Os Centros Sociais Paroquiais e outros equipamentos sociais da Igreja estarão atentos às famílias e indivíduos imigrantes mais carenciados, encontrando para eles as respostas adequadas.
5.6.5 O Secretariado Diocesano de Acção Social e Caritativa, confiado na nossa Diocese à Cáritas, terá em conta, na planificação e concretização das suas acções, as problemáticas relacionadas com os imigrantes, fazendo-o em estreita cooperação com o Secretariado Diocesano de Pastoral das Migrações.
5.7 Movimentos do Apostolado dos Leigos
5.7.1 Os Movimentos laicais – sobretudo os do mundo do trabalho: JOC, LOC/MTC, MAAC e outros – são chamados a uma especial atenção à solidariedade para com os trabalhadores imigrantes, denunciando situações de injustiça, concorrendo para a solução de conflitos (com a entidade patronal ou colegas de trabalho), manifestando-lhes o testemunho da fé no mundo do trabalho. Conhecido o papel dos Sindicatos na legalização dos estrangeiros, sejam os trabalhadores cristãos a estabelecer a ponte entre uns e outros.
5.7.2 Os cristãos que trabalham ao lado de imigrantes desempenharão mais facilmente a missão de lhes apresentar a comunidade cristã e de os apresentarem ao pároco e à comunidade, assim como aos serviços criados para os apoiarem e ajudarem numa cidadania plena.
5.7.3 Recomenda-se que, na defesa dos direitos humanos, da identidade cultural e prevenção da xenofobia e racismo, os cristãos, imigrantes ou não, participem activamente nas Associações de Imigrantes e outras organizações da Sociedade Civil.
5.8 Secretariado Diocesano da Pastoral das Migrações
5.8.1 Cabe a este Secretariado animar e coordenar toda a acção pastoral orientada para o acolhimento e apoio aos imigrantes. Este Secretariado continuará a desempenhar esta missão, em cooperação com os outros secretariados e serviços diocesanos, especialmente os que estão responsabilizados nas áreas referidas.
5.8.2 Continuará ainda a dialogar, em nome da Diocese, com todas as entidades governamentais e associativas ligadas às questões da imigração.
5.8.3 É responsável pela preparação, organização e dinamização da Semana Nacional de Migrações e da Semana Diocesana das Minorias Culturais.
5.8.4 Um dos serviços que este Secretariado desempenhará será o de oferecer a todos os grupos informação actualizada sobre a legalização, organização de acções de formação migratória, levantamento geográfico e demográfico sobre a presença de imigrantes, organização de celebrações e peregrinações próprias para cada comunidade cultural, apoio aos centros de apoio social e jurídico já existentes e ajuda no arranque de outros, lista de contactos úteis (associações, centros de apoio, sindicatos, serviços da administração pública, lugares de culto não católicos…).
Aprovo estas Orientações Pastorais que apresento a todos os responsáveis e a todas as comunidades, desejando que o projecto pastoral da nossa Igreja diocesana de Setúbal – a missão evangelizadora – se concretize também no acolhimento activo aos imigrantes que chegam à nossa terra.
Setúbal, 30 de Maio de 2002
Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo
† Gilberto, Bispo de Setúbal
Out 26, 2006 | Sem categoria
” Liberdade de migrar,
mas não de fazer migrar,
porque tanto é boa a migração espontânea,
quanto é danosa a forçada.
Boa, se espontânea,
sendo uma das grandes leis providenciais,
que preside os destinos dos povos
e ao seu progresso económico e moral.
Boa, porque é uma válvula de segurança social;
porque abre caminhos floridos da esperança, e
algumas vezes, de riqueza aos deserdados.
Porque civiliza as mentes do povo,
pelo contacto com outras leis e outros costumes.
Porque leva a luz do Evangelho e da Civilização cristã
aos bárbaros e idólatras e eleva os destinos humanos, alargando o conceito de pátria,
além dos confins materiais e políticos,
fazendo pátria do homem, o mundo”.
In: Carta Pastoral “Il disegno di legge sulla emigrazione italiana”, Piacenza; Itália – 1888
Out 25, 2006 | Sem categoria
A comunidade portuguesa é a maior da União Europeia a residir em Espanha, de acordo com dados do registo na Segurança Social espanhola onde no final de Setembro estavam inscritos mais de 66 mil portugueses.
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Dados divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais indicam que no final do mês passado estavam inscritos na Segurança Social espanhola quase 1,9 milhões de estrangeiros, um aumento de 10,8 por cento face a Setembro de 2005.
Mais de 81 por cento dos estrangeiros (cerca de 1,52 milhões) são oriundos de fora da União Europeia (UE).
Mais de 1,35 milhões estavam inscritos no Regime Geral da Segurança Social, cerca de 209 mil no Doméstico, 162 mil no Autónomo, 148 mil no Agrário, 4.700 no Mar e 674 no Carvão.
A região da Catalunha é a que tem mais emigrantes registados, cera de 22,84 por cento do total, sendo a Estremadura, com 0,54 por cento, a zona onde residem menos estrangeiros.
O maior grupo de estrangeiros é do Equador (cerca de 281 mil pessoas), seguindo-se Marrocos (256 mil), Roménia (170 mil) e Colômbia (146 mil).
Entre os países da UE, e depois de Portugal (66.498 inscritos), seguem-se a Itália (60 mil), o Reino Unido (58 mil) e a Alemanha com 43 mil.
In : Agência LUSA
2006-10-24 10:42:14
Out 25, 2006 | Documentos, Pontes
Boletim Informativo da OCPM
Julho / Agosto / Setembro 2006
Ano 7 – n.º 22
Distribuição gratuita
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ALICERCES
Os perigos da vida no estrangeiro
Seguem algumas passagens da Carta Pastoral dos Bispos da Ucrânia aos ucranianos a residir em Portugal, escrita por ocasião da Peregrinação Internacional do Migrante e Refugiado a Fátima, nos dias 12 e 13 de Agosto de 2006.
Amados em Cristo, filhos e filhas da Ucrânia,
Em terras portuguesas jamais houve um número tão grande de emigrantes ucranianos como agora. O êxodo da nossa gente para Portugal é um fenómeno novo. Há cerca de dez anos, partiram preponderantemente homens, os quais, a convite do governo português, ajudaram na edificação urbana e na construção de estádios e estradas. Com o decorrer do tempo, chegaram muitos mais e, entre esses, também muitas mulheres, as quais, em grande parte, começaram a trabalhar como empregadas domésticas ou na assistência a idosos, doentes e crianças.
A experiência das nossas comunidades noutros países demonstra como é importante conservar a própria identidade e jamais deixar de ser igual a si próprio. Se bem que seja fácil, será, porém, sempre possível se não perderdes o vínculo com Deus, com a Igreja e com a vossa comunidade. Quem se afasta de Deus e se preocupa somente com a acumulação de bens materiais, pode até consegui-lo, mas corre o risco de perder a sua alma e, com o passar do tempo, perder a consciência da própria identidade. É igualmente importante manter vínculos com a sua comunidade, procurando comunicar com os seus conterrâneos, e isso refere-se particularmente àqueles que pretendem permanecer em Portugal por um tempo mais longo.
Um exemplo disso vêm-nos dos ucranianos emigrados na América do Norte e do Sul, os quais, tendo deixado a pátria, procuraram primeiramente construir igrejas e centros culturais, e só então se decidiram pela construção das suas próprias moradias. Apesar de pertencerem à quarta e quinta gerações, não deixaram de ser filhos da sua Igreja, de conservar a memória das suas raízes e dos valores que lhes foram legados pelos seus avós e bisavós. Pertencer à comunidade significa respeitar uns e outros, desejar o bem ao próximo e ajudar os necessitados e mais vulneráveis das migrações.
Não podemos deixar de alertar sobre o duplo perigo que pode afectar uma vida no estrangeiro. O primeiro deles consiste no acto de viver num país que não é o seu, isto é, na possibilidade de cair na rede de pessoas desprovidas de moral, de ser cruelmente explorado e privado violentamente de um salário justo, de morar em condições indignas e sub-humanas, entre outros. Outra face do perigo está relacionada com a ruína das próprias famílias, quando, por exemplo, a esposa fica por longo tempo separada do marido, ou quando as crianças ficam em casa como órfãos virtuais, devido à ausência do pai ou da mãe, sob os cuidados da avó, sem o ambiente formativo e afectivo normal da família. O próprio dinheiro – enviado regularmente pelos trabalhadores aos seus familiares – pode tornar-se o ensejo para vários vícios, para o consumismo, alcoolismo ou narcomania. O primeiro aspecto do perigo é vencido de forma mais eficaz com esforços conjuntos, buscando apoio nas pessoas e estruturas da comunidade. Quanto ao segundo aspecto, todo aquele que se distanciou da sua família deve reflectir seriamente se o dinheiro que ele ganha compensa a perda dos valores familiares.
A bênção do Senhor desça sobre vós!
+ LIUBOMYR, Arcebispo Maior de Kiev e Halytch
+ DIONÍSIO, Bispo-auxiliar do Arcebispo Maior de Kiev e Halytch
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OLHAR DA IGREJA SOBRE O MUNDO
Novas Migrações e Diversidade Religiosa
Seguem as Conclusões do Encontro Nacional da Pastoral da Mobilidade Humana realizado em Darque/Viana do Castelo de 10 a 13 de Julho de 2006. Os 45 delegados das dioceses portuguesas constataram que:
1. O movimento ecuménico em Portugal graças, sobretudo, à imigração oriunda de África, Brasil e Europa de Leste, está a ganhar um novo dinamismo a nível das diferentes confissões cristãs e tem levantado novas questões entre os católicos que exigem um conhecimento maior do especifico de cada Igreja;
2. Apesar das confissões cristãs e outras religiões serem minoria num país de maioria católica, importa continuar a cooperar ecuménica e intereligiosamente, mas no respeito da autonomia de cada comunidade e consolidação do diálogo franco e aberto;
3. A transmissão da fé em contexto migratório requer atenção muito especial à família, à múltipla pertença cultural e à identidade religiosa da igreja de origem para que a fé pessoal e comunitária se mantenha viva nas próximas gerações;
4. Tem sido ao redor da Eucaristia e da Palavra de Deus que as comunidades imigrantes das várias confissões e ritos têm encontrado a melhor expressão da sua religiosidade, ritualidade e beleza, assim como o alimento para o seu crescimento na fé em comunidade;
5. Sendo na Igreja local que deve acontecer o diálogo entre as várias sensibilidades e orientações religiosas, é preciso intensificar a constituição de “comunidades de transição” que ajudem a preservar a própria identidade cultural dentro duma sadia diversidade e liberdade religiosas;
6. Os primeiros destinatários e agentes da pastoral das migrações são as dioceses porque é, em nome do bispo, que as equipas diocesanas são chamadas a animar as estruturas, as pessoas e os movimentos, com vista à integração eclesial;
7. O serviço de animação pastoral dos secretariados diocesanos é um ministério necessário à comunhão na diversidade e universalidade da Igreja local que para, envolver todas as estruturas, congregações religiosas e movimentos laicais, carece de maiores recursos e meios por parte das próprias dioceses para desenvolvimento da sua missão;
8. As migrações requerem uma formação contínua e específica para fazer uma leitura atenta do fenómeno – autêntico sinal dos tempos – e um diagnóstico das reais necessidades dos imigrantes e refugiados, sobretudo, ao nível da formação cristã de animadores leigos que liderem as comunidades migrantes;
9. É preciso ir além do sócio-caritativo continuando a apostar, apesar das dificuldades encontradas, na sensibilização das comunidades cristãs, assim como na organização de comunidades e centros religiosos que, com regularidade e com agentes pastorais próprios, possam ser lugares de reconhecimento, participação e palco de integração recíproca;
10. Do levantamento preparatório para o Encontro Nacional, as dioceses têm-se mobilizado positivamente, em chave ecuménica, no apoio religioso aos imigrantes, especialmente, através de peregrinações, celebrações (Natal e Páscoa), festas nacionais, cedência de espaços – para igrejas não católicas – e na recomendável “Festa dos Povos”;
11. Quanto à vaga de “novos” emigrantes, sobretudo, constituída por jovens, urge alertar as dioceses de destino para a sua presença e preparar agentes de mediação intercomunitária para, na transição, serem pessoas-ponte no acolhimento acompanhado e integração gradual na sociedade e Igreja particular.
Ser Família em Terra Estrangeira
VII Encontro de Animadores Sócio- Culturais das Migrações vai realizar-se em Fátima, nos dias 12, 13 e 14 de Janeiro de 2007 sob o tema: “Ser família em Terra Estrangeira2 com especial destaque para o dia 14 de Janeiro em que se celebra o Dia Mundial do Migrante e Refugiado.
A organização deste evento está a cargo da Obra Católica Portuguesa de Migrações, Caritas Portuguesa e Agência Ecclesia e destina-se a caritas Diocesanas, Secretariados Diocesanos das Comunicações Sociais, Voluntários de organizações de Centros de Apoio ao Imigrante, capelanias, Movimentos e Congregações Missionárias.
Encontro Nacional 2007
Os participantes concordaram realizar o próximo Encontro Nacional na diocese de Beja, de 9 a 12 de Julho de 2007, com a finalidade de, por um lado, estudar e partilhar experiências quando aos movimentos crescentes a nível transfronteiriço de portugueses e imigrantes e, por outro, reflectir particularmente sobre significativa feminização da imigração em Portugal e outras questões relacionadas com o género.
Marque já na sua agenda!
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COMISSÃO EPISCOPAL DA MOBILIDADE HUMANA
MIGRANTES
CCEE solidário com a Igreja em Espanha
Convocados pela Comissão de Migrações do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) aconteceu em Sigüenza, de 21 a 24 de Setembro, o Encontro anual de Directores Nacionais da Pastoral de Migrações. Participaram 46 representantes de 25 Conferências Episcopais da Europa e da Santa Sé, entre os quais 6 bispos, assim como representantes de organizações católicas internacionais (COMECE, ICMC, CARITAS EUROPA). Portugal fez-se representar pelo secretário da CEMH, e o tema de estudo foi “Migrações e juventude. Uma oportunidade para a sociedade e para a Igreja na Europa”.
Jovens: futuro de uma igreja renovada
1. Los participantes en el Encuentro han puesto de relieve la necesidad de intensificar y mejorar la pastoral con los inmigrantes en general y con los jóvenes en particular. Estos constituyen el futuro de la nueva sociedad europea y de una Iglesia renovada y enriquecida por la aportación de los numerosos jóvenes que llegan a Europa o nacen ya en ella, procedentes de diversas culturas y de ricas tradiciones religiosas. Ellos son una “oportunidad para la Iglesia y la sociedad europeas”. En el Encuentro se ha constatado el importantísimo papel que en este proceso corresponde a la Organización de las Naciones Unidas (ONU), al Consejo de Europa (COE) y a la Unión Europea (UE).
Acontecimientos dolorosos, como los desórdenes en barrios periféricos de Francia, o los atentados de Londres, protagonizados por jóvenes, hijos o nietos de inmigrantes, ponen de manifiesto que el proceso de acogida y de integración de los inmigrantes en Europa ha tenido sus serias deficiencias.
Apelo à responsabilidade dos países desenvolvidos
2. Impresionados por la dramática situación actual de la llegada de inmigrantes de África a las Islas Canarias y a las costas del sur de la Península Ibérica, Italia y Malta, los participantes en el Encuentro consideran este fenómeno como consecuencia de la injusta situación de pobreza y subdesarrollo en los países de origen de los inmigrantes. Empujados por la necesidad, se lanzan a la aventura de alcanzar el “sueño” europeo con el deseo de escapar de la pobreza y mejorar su situación y la de sus familias. Los participantes en el Encuentro denuncian esta injusta situación y apelan a la responsabilidad de los países desarrollados de Europa, a la ONU, al COE y a la UE para que establezcan políticas más generosas de ayuda al desarrollo de los países pobres y controles más eficaces de las mafias y de los traficantes de personas. Al mismo tiempo, expresan su solidaridad con la Conferencia Episcopal Española, con las diócesis de Tenerife, de Canarias, y con las demás diócesis afectadas, así como con Caritas, con las Congregaciones religiosas, las ONG’s y todos los que con su esfuerzo contribuyen a socorrer a estas personas, víctimas de la pobreza y del abuso de los traficantes y expuestos a graves peligros.
Recomendações às Igrejas sobre a juventude
3. Neste sentido, os participantes interrogaram-se sobre a maneira através da qual as igrejas podem aproveitar a oportunidade de responder às aspirações e aos questionamentos dos jovens da migração. No final do encontro e conscientes das suas responsabilidades ao serviço da missão da Igreja, propõe-se as seguintes recomendações pastorais:
3.1 – As igrejas dos países de acolhimento, de trânsito e de partida dos jovens da migração são chamadas a responder, num espírito de diálogo e colaboração, às crises de angústia social e espiritual dos jovens, de modo particular relativamente aqueles que se encontram em situação irregular ou são vítimas do tráfico, procurando com os diferentes responsáveis civis e políticos as soluções mais humanas.
3. 2 – Os jovens da migração pedem a criação de “espaços fraternos” onde possam reaprender a auto-estima, consolidar a consciência da própria identidade, crescer na fé, refontalizar-se espiritualmente e encontrar o seu lugar na sociedade e na Igreja.
3. 3 – É importante e necessário valorizar, nesses “espaços fraternos”, as qualidades, os dinamismos humanos e espirituais dos jovens e reconhecer-lhes novas aptidões para assumir responsabilidades eclesiais e sociais.
Lisboa acolheu Conferência Metropolis
A realidade das Migrações Internacionais juntou em Lisboa, de 2 a 6 de Outubro, especialistas de todo o mundo para a 11ª Conferência Internacional Metropolis, onde opiniões diversas com base em estudos, investigações e também acções no terreno de diversas organizações se fundiram na convergência de que as migrações são importantes e ajudam ao desenvolvimento.
“Caminhos e Encruzilhadas: pessoas em mobilidade e transformação dos lugares”, reuniu mais de 700 especialistas, originários de cerca de 50 países, entre os quais se encontraram investigadores com diferentes filiações disciplinares, dirigentes políticos europeus e americanos e representantes de organizações internacionais.
A excelente organização esteve a cargo do Grupo Metropolis/ Portugal e do Alto Comissariado para a Imigração Imigração e Minorias Étnicas (ACIME), constou de oito sessões plenárias, 75 “Workshops” e várias visitas a organizações cívicas e bairros de imigrantes, para conhecer a realidade de Portugal.
Mais informações em: www.ceg.ul.pt/metropolis2006
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MAREANTES
Testemunhas da Esperança
Sob a convocação do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CPPMI) da Santa Sé, realizou-se de 17 a 21 de Setembro, em Roma, Itália, a Conferência Europeia do Apostolado do Mar ao redor do tema: “Solidários com as gentes do mar, como testemunhas da Esperança, através da proclamação da Palavra, Liturgia e Diaconia”. Este evento integra-se no programa de preparação a nível de Continente europeu do XXII Congresso Mundial, agendado de 24 a 29 de Junho de 2007, em Gdynia, na Polónia.
TURISMO
Seu impacto negativo e positivo
As grandes orientações para a Pastoral do Turismo, apresentadas em 2004 após o 6º Congresso Mundial sobre a Pastoral do Turismo de Banguecoque (Tailândia), defendiam um “Turismo ao serviço do encontro dos povos” e a implementação do Código Ético Mundial para o Turismo, bem como o combate ao Turismo Sexual.
O ministério pastoral do turismo não deve esquecer a importância da solidariedade com os desfavorecidos e os pobres, prestando uma particular atenção às consequências da pobreza para a sua vida familiar. Essa solidariedade deve incluir o diálogo e advocacia com os responsáveis governamentais, para reduzir o impacto negativo do Turismo nas suas vidas, referiam os participantes.
Este ano, a Santa Sé na sua Mensagem para o XXVII Dia Mundial do Turismo destaca o potencial positivo do turismo, sobretudo quando “permite entrar em contacto e compreender outras culturas e sistemas de vida, partilhando assim um património que pertence a todos”. “O turismo é riqueza” e esta riqueza é cultural, não tanto material, deixando “perceber outras formas de riqueza” e a história de outros povos, “que é uma riqueza sem limites e que pertence a todos”.
Uma realidade transversal
Apesar de não existir ainda em Portugal um director nacional deste Departamento, junto da CEP, o secretário da Comissão Episcopal tem acompanhado esta temática. Portugal vai estar presente nos dias 6 e 7 de Novembro, no Vaticano, por ocasião da reunião dos Directores Nacionais da Pastoral do Turismo na Europa. O Encontro Internacional é convocado pelo Conselho Pontifico para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CPPMI) e vai ter como tema: “O turismo, uma realidade transversal: aspectos pastorais”.
CIGANOS
Uma pastoral em renovação
O santuário de Fátima vai acolher de 17 a 19 de Novembro o 33º Encontro Nacional da Pastoral dos Ciganos, que irá contar com a presença de D. António Vitalino, presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana.
Este tempo de formação será dedicado ao documento emitido, no inicio deste ano pela Santa Sé, intitulado “Orientações para uma Pastoral dos Ciganos”.
Pretende-se como habitualmente envolver um número significativo de participantes de etnia cigana, com vista a estes serem agentes da sua própria evangelização.
ACONTECEU
Presidente da República e Imigrantes
Integrado na 3ª Jornada do Roteiro para a Inclusão, dedicada ao “Voluntariado e Exclusão Social em Meio Urbano”, o Presidente da República, Dr. Aníbal Cavaco e Silva, percorreu nos dias 10 e 11 de Outubro, os concelhos de Lisboa, Sintra, Moita e Seixal, especialmente os bairros em risco de maior exclusão dos seus habitantes. O dia 11 foi dedicado às comunidades imigrantes em Portugal, suas Associações e Organizações da Sociedade Civil que a eles se dedicam numa perspectiva de integração e defesa dos direitos. A OCPM esteve presente na reunião de Associações, Organizações Não Governamentais e Instituições Particulares de Solidariedade Social realizada no Seixal
Trabalhar no estrangeiro
No dia 27 de Setembro foi apresentada em Lisboa, no Centro de Congressos, a nova Campanha de Informação “Trabalhar no Estrangeiro”, para cidadãos portugueses que pretendam trabalhar fora de Portugal temporariamente ou residir durante um tempo prolongado. A Campanha é da responsabilidade da parceria DGACCP, IEFP e IGT e conta com o apoio da Sociedade Civil para os seus objectivos. A OCPM já foi contactada pela DGACCP para colaborar. Esta acção insere-se no Ano Europeu da Mobilidade de Trabalhadores.
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