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Igreja e Tráfico de seres humanos

Está a decorrer na Torre da Aguilha (Lisboa), de 23 a 28 de Outubro, um curso de formação para Religiosas na “área da assistência às vítimas do tráfico de seres humanos”, em particular mulheres e crianças.
O encontro é organizado pela União Internacional de Superioras Gerais (UISG), em colaboração com a Organização Internacional para a Migração (OIM) e com o apoio da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP). Participa um grupo de 30 Religiosas, provenientes dos vários Institutos Religiosos Femininos.
O financiamento está a cargo da Embaixada dos Estados Unidos junto da Santa Sé e do Governo Português, através do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Éticas (ACIME).
O curso é orientado por formadores especialistas na matéria, segundo uma metodologia de conferências, debate e trabalho de grupos.
Pe. Manuel Barbosa, presidente da CIRP

Novo coordenador para as Missões da Suíça

O Director nacional, Dr. Urs Koppel, da Comissão Episcopal das Migrações da Suíça, informou a Comissão Episcopal da Mobilidade Humana de Portugal, de que o Pe. Aloísio Manuel S. R. Azevedo de Araújo, foi nomeado coordenador das Missões Católicas de Língua Portuguesa (MCLP) da Suíça, com mandato até 2012. Esta nomeação, com efeitos a partir de 01.01.2007, acontece após consulta aos missionários dos portugueses e às estruturas da Igreja em Portugal. O Pe. Aloisio substitui o anterior coordenador Pe. Bártolo Paiva Gonçalves Pereira, também de Braga, que por motivo de idade termina a sua função desenvolvida ao longo de vários mandatos.
O Pe. Aloísio Manuel de Araújo, de 41 anos, formado em Teologia, pertence à Arquidiocese de Braga. É missionário dos emigrantes portugueses há perto de 7 anos. Após servir a Missão Católica de Yverdon foi enviado recentemente para Lausanne onde reside e faz equipa com mais dois sacerdotes.
A rede pastoral das Missões Católicas de Língua Portuguesa congregam os católicos portugueses e da lusofonia, com seus descendentes e é constituída actualmente por: 17 sacerdotes (8 portugueses), 6 religiosas e 2 assistentes pastorais leigos
Para os perto de 170.000 cidadãos portugueses residentes na Suíça, a Igreja Católica – fruto da cooperação bilateral entre Portugal e a Confederação Helvética – dispõe de 17 lugares de culto com serviço linguístico em português.
Actualmente as Comunidades Católicas Portuguesas na Confederação encontram-se em acelerada fase de reestruturação eclesial – designada por “cantonalização” – e rigorosa reorganização económica das suas dioceses, paróquias e capelanias linguisticas, mudanças em acto que estão a mudar o rosto, a geografia e os modelos pastorais de acompanhamento até agora praticados.
Manuel da Silva

Igrejas lusófonas, migrações e tráfico de pessoas

Vitalidade da Igreja lusofona: comunicado final do VII Encontro das presidências das conferências episcopais dos países lusófonos
Alguns tópicos das conclusões
O VII Encontro das Presidências das Conferências Episcopais dos Países Lusófonos realizou-se em Portugal, na Casa de Nossa Senhora das Dores do Santuário de Fátima, de 10 a 14 de Outubro de 2006.
– A primeira parte do Encontro foi preenchida com um tempo de partilha sobre a realidade eclesial e social em cada país. Destacam-se os pontos mais significativos desse intercâmbio de informações.
3.1. Constituiu motivo de particular preocupação a consciência de que é urgente reevangelizar os crentes, fazendo incidir sobre a Família o eixo de novas orientações pastorais e apostando na formação de famílias catequistas para as comunidades cristãs.
3.2. Em vários países tem-se intensificado o diálogo inter-religioso que se está a revelar uma estratégia de intervenção pastoral e social capaz de ultrapassar diferenças e de despertar nos cidadãos maior consciência e capacidade de luta pelos seus direitos humanos, sociais e religiosos.
3.3. A educação, a saúde, a justiça social e a solidariedade estão presentes nos planos e intervenções pastorais de todas as Igrejas dos países lusófonos.
3.4. Nos vários países que passaram pela experiência amarga de guerras continuadas, as Igrejas, que acompanharam os seus Povos no sofrimento e na destruição, elegeram como prioridade de acção pastoral a construção de processos que permitam a manutenção e a consolidação da paz.
3.5. A evolução da situação política em vários destes países mereceu também aprofundada reflexão, tendo em conta a sua degradação, manifestada nas dificuldades verificadas em processos eleitorais, no aumento da corrupção e em flagrantes injustiças na repartição da riqueza pelos cidadãos.
3.6. Em vários países, apesar de não existirem relações institucionais entre os Estados e as respectivas Conferências Episcopais, espera-se sempre da Igreja um papel de promotora de paz e reconciliação, bem como de consciencialização dos Governos, da opinião pública e das populações em ordem à valorização dos ideais éticos e morais.
3.7. Os fluxos migratórios e a mobilidade das populações, com a subsequente concentração à volta das grandes cidades, representam um grande desafio para os agentes pastorais devido ao desenraizamento, exclusão social e perda de identidade religiosa a que tantas vezes dão origem.
3.8. O tráfico de pessoas, a droga e o jogo em casinos foram também objecto de cuidada reflexão por constituírem novas formas de escravatura no século XXI.
3.9. Mereceu ainda especial atenção a actuação de alguns movimentos internacionais em vários países em matéria de aborto e contracepção, utilizando expressões aparentemente inofensivas e até consonantes com pseudo-direitos sociais, que, de facto, visam a destruição de culturas e valores tradicionais destes Povos.
Na sequência da avaliação dos Encontros anteriores, a Assembleia decidiu reduzir a periodicidade dos mesmos para ritmo bienal. Nesta conformidade, o VIII Encontro ficou marcado para Macau de 10 a 14 de Outubro de 2008.
Fátima, 14 de Outubro de 2006
In: AGência Ecclesia

Associações de Imigrantes reúnem-se com Presidente da Republica

A OCPM que esteve também presente na reunião, a convite da Câmara Municipal do Seixal, no distrito de Setúbal, dá a conhecer ao público o “texto comum” apresentado pelas diferentes Associações de Imigrantes e Instituições Particulares de Solidariedade Social ao Dr. Aníbal Cavaco Silva, Presidente da Republica.
Sua Excelência,
O Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva
Excelência,
As Associações de Imigrantes do Município do Seixal e as Instituições Particulares de Solidariedade Social ligadas à comunidade imigrante reunidas em plenário para preparação desta reunião de trabalho, integrada no Roteiro para a Inclusão, decidiram apresentar um documento único que reflecte as dificuldades sentidas e as boas práticas existentes em prol da integração das comunidades imigrantes neste Concelho.
Excelência,
Graças ao voluntariado dos seus membros estas Instituições, em parceria com a Autarquia e outros organismos vêm desenvolvendo um trabalho continuado dirigido à comunidade imigrante com o objectivo de dar resposta às dificuldades com que estes se debatem no seu processo de integração na sociedade portuguesa.
O Município do Seixal, no nosso entender, é hoje um Município mais rico pela diversidade cultural que marca o seu viver quotidiano.
A nossa larga experiência de trabalho com os imigrantes permite-nos apontar algumas boas práticas desenvolvidas no Município do Seixal e, também as dificuldades que persistem e criam barreiras que é necessário ultrapassar para uma verdadeira integração desta população, que contribuí para o desenvolvimento local em todos os seus domínios.
Assim, são dificuldades sentidas:
1. A excessiva burocracia, morosidade e onerosidade na resolução dos processos de legalização.
2. A necessidade de estabelecer uma articulação efectiva dos diferentes sectores com as Embaixadas, aumentar a eficácia dos serviços de apoio aos imigrantes e outros organismos;
3. O facto de nem todas as línguas dos países de origem, das comunidades imigrantes existentes, estarem contempladas nos materiais de informação sobre direitos e deveres do imigrante;
4. A falta de sensibilização das embaixadas quanto à sua responsabilidade no acompanhamento dos cidadãos que se encontram em território português por motivos de saúde;
5. As dificuldades de acesso aos cuidados de saúde, designadamente no acompanhamento efectivo de doenças crónicas;
6. A ausência de apoios formais para transladação de imigrantes para o seu país de origem;
7. O impedimento de acesso a reformas, a pensões sociais e de invalidez e outros mecanismos de protecção social a cidadãos estrangeiros em situação irregular, em comprovado contexto de precariedade;
8. Os acordos bilaterais celebrados entre Estados criam desigualdade de tratamento e benefícios, designadamente as taxas moderadoras e a participação em actos eleitorais, pelo que estes deveriam ser extensivos a todas as comunidades imigrantes;
9. A insuficiência nas respostas de aprendizagem da língua portuguesa, adaptadas às particularidades do quotidiano dos imigrantes;
10. A fiscalização insuficiente às entidades empregadoras no que respeita aos contratos de trabalho, que quando inexistentes impossibilitam a prorrogação da permanência dos imigrantes trabalhadores em território nacional;
11. A ausência de mecanismos de protecção para os trabalhadores estrangeiros que denunciem casos de exploração e prática de trabalho ilegal;
12. A ausência de uma política habitacional que favoreça o acesso à habitação em condições de equidade face às rendas praticadas;
13. A ausência de uma estratégia de acolhimento aos cidadãos estrangeiros oriundos de países com os quais Portugal não tem uma relação de proximidade política e histórica;
14. O investimento insuficiente dos programas de financiamento a projectos e serviços de âmbito social dirigidos a cidadãos imigrantes;
15. A falta de reconhecimento, por parte das instituições responsáveis pela selecção e financiamento dos projectos, da importância das candidaturas efectuadas por instituições do Seixal dirigidas a esta população;
16. As dificuldades burocráticas e práticas discriminatórias no acesso ao crédito bancário.
Excelência,
Não obstante as dificuldades enunciadas existem no Concelho do Seixal boas práticas que importa salientar:
1. A existência de estruturas associativas representativas das comunidades imigrantes residentes no Município, apoiadas pela Autarquia, cuja acção se reflecte num conjunto de iniciativas que possibilitam o empoderamento do imigrante no seu processo de integração;
2. A existência de equipamentos municipais que facilitam o processo de integração do imigrante, nomeadamente o Gabinete de Apoio ao Movimento Associativo “GAMA” e o “Espaço Cidadania”, que resulta de uma parceria alargada a instituições nacionais e locais, reconhecido pelo Programa EQUAL como uma boa prática a disseminar. Este Espaço estabeleceu um protocolo de cooperação com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que lhe permite recepcionar e encaminhar pedidos de autorização de residência e de reagrupamento familiar. Integra uma Unidade de Inserção na Vida Activa que lhe permite prestar apoio ao emprego, faz atendimento jurídico gratuito e o encaminhamento de situações de provedoria social;
3. A existência de um “Fórum Cidadania” cuja finalidade se prende com a promoção de espaços de reflexão conjunta e debate para a resolução de problemas que afectam a população imigrante residente no Município, reunindo associações de imigrantes, empresas e outras instituições públicas e privadas sensíveis à temática da imigração;
4. O apoio atribuído pelo Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas –ACIME, ao “Projecto Raízes”, promovido pela Associação para a Defesa e Inserção das Minorias Étnicas (ADIME), cujo objectivo é facilitar a integração dos imigrantes através de diversas iniciativas de cariz cultural, educativo e desportivo;
5. A consolidação do “Pacto Territorial para o Diálogo Intercultural no Seixal”, assente num modelo de intervenção integrada, ao nível local, que aposta na não discriminação e na igualdade de todos os cidadãos;
6. A implementação da Rede Social do Seixal e realização do Diagnóstico que fundamentou o Plano de Desenvolvimento Social, o qual integra objectivos e acções dirigidas à comunidade imigrante;
7. A existência de um Centro de Acolhimento de Imigrantes, desenvolvido pelo Associação de Solidariedade Social CRIAR-T, em parceria com a Câmara Municipal do Seixal e Instituto de Segurança Social, que promove uma resposta específica no Concelho;
8. O apoio concedido pela Autarquia ao nível da Acção Social Escolar, aos alunos que frequentam 1.º Ciclo do Ensino Básico, filhos de imigrantes, em situação irregular;
9. A existência de serviços de proximidade na área da acção social junto das comunidades imigrantes residentes no concelho, que promovem respostas ajustadas aos contextos sociais e necessidades sentidas;
10. A dinamização de projectos educativos de cariz intercultural, que promovem por um lado práticas de acolhimento e integração dos imigrantes nas escolas; e por outro lado, o desenvolvimento da educação nos municípios dos PALOP geminados com o Seixal;
11. A discriminação positiva no acolhimento de crianças nas valência de apoio à infância por parte de Instituições Particulares de Solidariedade Social e a organização de cursos de formação de língua portuguesa para estrangeiros;
12. A existência de um programa municipal denominado “Jogos Interculturais” que tem como objectivo orientar, motivar e coordenar os esforços dos imigrantes residentes no Concelho, de modo a melhorar a sua integração através de actividades físicas regulares originadas e orientadas em parceria.
Excelência,
Para finalizar, apelamos para que o Estado Português ratifique a Convenção Internacional de Protecção dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e seus Familiares, Adoptada pela Resolução Nº 45/158 da Assembleia-geral da ONU em 18 de Dezembro de 1990 e que entrou em vigor em 2003.
Seixal, 11 de Outubro de 2006
Associação Brasileira de Portugal
Rui Manuel Soares Piloto
Associação Cabo-Verdiana do Seixal
Luís Filipe Fernandes Lima
Associação Casa Grande do Brasil
Ailton Oliveira Lima Santos
Associação Cultural Khapaz
Sheila Amado
Associação “Dá-me a Tua Mão”
Arminda da Silva Oliveira
Associação para a Defesa e Inserção das Minorias Étnicas
Nazaré Pereira Falcão
Associação Inter-Amigos
Elena Codreanu
Associação Moçambique Sempre
Maria Olga dos Santos
Associação para a Solidariedade Cooperação e Desenvolvimento Social – S. Tomé e Príncipe
Lourenço Ceita Alves Amorim Neto
Centro de Actividades Sociais do Miratejo
Carla Machado
Centro de Assistência Paroquial de Amora
António Figueiredo
Centro Paroquial de Bem-Estar Social de Arrentela
Sousel Castanheira
Centro Paroquial de Bem-Estar Social de Fernão Ferro
José Manuel
Centro Paroquial e Social da Sagrada Família de Miratejo/Laranjeiro
Cesinando Luís Felicidade Alberto
Cooperativa “Pelo Sonho É Que Vamos”
Nídia Abreu
CRIAR-T – Associação de Solidariedade
Fernando Marques
Frãtia – Associação de Imigrantes Romenos e Moldavos
Klara Reiz
Kamba – Associação de Angolanos do Concelho do Seixal
Luís Filipe Tavares da Costa
Santa Casa da Misericórdia do Seixal
Joel Farto

Mensagem às Missões Católicas de Língua Portuguesa

Caros amigos
capelães, missionários, religiosas e leigos
Ao inicio de mais um ano pastoral saúdo em Cristo, nossa vida, todos os missionários dos portugueses – capelães das Missões, diáconos permanentes, religiosas e leigos – assim como os Conselhos pastorais das Comunidades católicas de língua portuguesa.
1. Em Portugal, estamos a trabalhar os desafios ecuménicos lançados pelo último Encontro Nacional realizado em Viana do Castelo e que devem prolongar-se na acção pastoral das dioceses, sobretudo, com os imigrantes provenientes da Europa de Leste, África e Brasil.
2. Além do Boletim PONTES, chamamos a vossa atenção para o Planeamento Pastoral para 2006-2007. O Calendário Geral da Pastoral da Mobilidade Humana, assim como outras noticias e informações, pode ser consultado em: www.ecclesia.pt/ocpm. Em espírito de efectiva comunhão entre nós – Secretariado nacional e Missões Católicas de Língua Portuguesa – procuremos estreitar os laços de diálogo e colaboração missionária.
3. Os ventos que pairam actualmente sobre algumas Comunidades Católicas de Língua Portuguesa, sobretudo, em certos países da Europa, não são os mais serenos devido a atitudes “integradoras” das igrejas de acolhimento e a dificuldades relacionadas com a escassez de recursos humanos, assim como desarticulação no diálogo e cooperação missionária, a partir da Igreja em Portugal. Solidarizamo-nos com as dificuldades sentidas e vividas, algumas de maneira dramática, por alguns missionários e conselhos pastorais.
4. Vamos dedicar ao longo do ano uma particular atenção aos “Portugueses no Mundo”, comprometendo-nos em conhecer melhor os novos, diversificados e crescentes fluxos de saída de portugueses e suas famílias, quer para a União Europeia, quer para a América e África. Queremos ainda conhecer melhor os movimentos também crescentes e desacompanhados a nível transfronteiriço entre Portugal e Espanha.
Na sequência destas preocupações vamos centrar a sensibilização e celebração da próxima Semana Nacional (em Agosto) na vertente das Comunidades Portuguesas, convidando um bispo de uma diocese ligada à nossa mobilidade transatlântica onde resida uma consistente comunidade lusa.
5. Alguns missionários propuseram a realização , em breve, de um Encontro Continental para a América, a exemplo do que se fez para outras nações, para reunir os capelães de portugueses e outros agentes pastorais a trabalhar no nessa parte do mundo. Gostaríamos de receber algumas reacções a esta proposta para a avaliar a oportunidade pastoral deste evento.
Respeitosos cumprimentos em Cristo, senhor da história
Lisboa, 19 de Outubro de 2006
P. Rui M. da Silva Pedro cs.